segunda-feira, 31 de maio de 2010

Avatar Dolphin

Futebol em tempos de cólera

 

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Crédito: Fabrizio

Certas frases crescem conosco como verdades eternas, uma delas é a velha máxima que diz que o Brasil é a terra do futebol e pobre daquele que discordar desta afirmativa. O famoso esporte bretão, em terra tupiniquim, tornou-se orgulho nacional em uma inversão bizarra dos valores da nação. Alega-se a ação patriota – louvável ao meu ver – todavia, eleva-se esse patriotismo quase sempre as raias do absurdo, e mesmo com algumas atitudes de repreensão, essas mais parecem carinho de mãe naquele filho levado que acabou de aprontar mais uma das suas.

Falar da violência entre torcidas é cair no lugar comum, tentarei não me delongar até porque fica a imagem para a eternidade: brucutus que se sentem mais machos estapeando-se por um motivo tão absurdo. Convenhamos que qualquer motivo torna-se absurdo quando as pessoas perdem a civilidade e partem para a agressão. Eu me pergunto o que, afinal, leva semelhantes a se matarem por causa de outros vinte e dois semelhantes que ficam correndo de um lado ao outro atrás de uma mera bola? Até posso imaginar os protestos indignados, não me levem a mal, mas retire a tal “emoção do esporte” e o que sobre são exatamente vinte e dois marmanjos correndo atrás de uma insignificante bolinha.

Futebol, antes até do que qualquer novela é, ao meu ver, o entretenimento mais alienador que temos, uma alienação que flerta com o fanatismo, onde, se preciso for, as pessoas desfazem relações por torcerem por clubes diferentes, que quase sempre estimula a violência – dentro e fora dos campos – pois convenhamos, tanta testosterona junto obviamente não dá certo. Em última análise penso que o futebol longe de ser um esporte de paz está mais para batalhas entre tribos primitivas disputando território, algo como alguns passos para trás na escala da evolução.

O que mais me impressiona é o lobby midiático em um esforço gigante para manter o status quo futebolístico, entenda-se: cifrõe$. Existe toda uma demagogia chinfrim que cria sonhos esperançosos em meninos pobres das periferias e subúrbios, em se tornarem os próximos “heróis nacionais” (sic).

E vende-se o pacote de sonhos completo, está tudo lá: Fama, dinheiro, sucesso, dinheiro, loiras curvilíneas, dinheiro, “virar amigo dos famosos”, dinheiro, dinheiro e dinheiro. Meninos que sonham alto, que muitas vezes largam os estudos para apostar na habilidade com a bola, tudo em nome da mensagem massificadora que ouvem desde antes de nascer. Esse guri quando crescer será o novo Ronaldo – diz o pai corinthiano ao exibir para os amigos o macacãozinho com o escudo do clube, que acabara de comprar.

São crianças que crescem acreditando que a maneira mais rápida de ser alguém na vida e chutando uma bola. Estudar para quê? Muitos deles questionam, desafiadoramente. A mídia faz bem o seu papel, com total apoio dos governos e obviamente com os empresários. “O futuro do país está nas mãos dessas crianças e nada como o esporte para desenvolvê-las” - Criança Esperança, qualquer data que escolherem, a conversa para boi dormir não muda nunca.

 

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E sabemos que quando falam de “Esportes”, via de regra mira-se no futebol, o estímulo e incentivo à outros esportes continua mínimo, ou alguém já viu por ai alguma grande cervejaria patrocinando polo aquático? Publicidade é um deus mais poderoso do que aquele outro deus muito popular, que convenhamos só tem popularidade graças ao Deus-Publicidade.

Vez ou outra atletas praticante de outros esportes são “descobertos” pelo público e logo tornam-se ótimos produtos de consumo. São as Daianes, Diegos, Gugas da vida, enquanto servem aos interesses do capital, estão valendo. Mas em geral, eles possuem prazo de validade curto, praticam esportes que não tem a cara do povão, afinal sai mais barato comprar uma bola do que uma raquete de tênis. Mas cruel mesmo é quando o atleta de futebol não tem mais serventia, um dia estrela brilhante, no outro a queda de Lúcifer, triste tombo.

Triste não só pelo horror com que é descartado, mas principalmente pela forma como muitos dos torcedores “inteligentes e sábios” das coisas de futebol – afinal se tornam especialistas em potencial nessas horas – são verdadeiros juízes implacáveis. De repente lembram com falsa surpresa que o atleta ganha salários que são verdadeiras fortunas e que no mínimo é obrigação dele cumprir bem o papel que lhe cabe. E se unem a mídia em perpetuar as mais agressivas e destemperadas ações negativas contra aquela pessoa que, até ontem, eram motivo de tanto orgulho.

Esses casos de bullying me fazem ter vergonha alheia de tais espécies de seres Inumanos. Apelidos singelos como “Gordonaldo” são exemplos leves do nível de civilidade que muitos torcedores que tudo sabem, se vangloriam de criar e espalhar entre os seus, definitivamente me parecem de fato brucutus batendo seus tacapes.

Se o mundo não acabar em 2012, em quatro anos teremos Copa do Mundo em território nacional. Fico me perguntando como nossos torcedores muito civilizados se comportarão mediante a torcida alheia. Afinal, em tempos de Seleção Brasileira, vascaínos e flamenguistas, palmeirenses e corinthianos, gremistas e colorados, etc, trocam afagos e chamegos, se chamam de irmão em abraços emocionados ao som do grito de 'gol' do comentarista histérico; realizado por aquele jogador famoso que, na verdade, defende com “paixão” a camisa de um clube europeu.

Enfim, é o sentimento de patriotismo no seu apogeu, as tribos se unem para guerrear contra o inimigo. Cabe a dúvida então, se em tempos de ausência do invasor as tribos se matam, o que unidas contra um inimigo em comum podem fazer? Não acredito naquele papo de que brasileiro é um povo de paz ou pelo menos não acredito nisso no que diz respeito ao futebol. Esse esporte que mais parece saído do Coliseu – substitua os antigos gladiadores por suas versões modernas que muitas vezes disputam aos socos a inocente bolinha e substitua o povo romano pelos inúmeros torcedores fanáticos – o que temos é um cenário que não mudou muito desde a Antiguidade.

A política do pão e circo nunca se fez tão real e presente.

Avatar José Renato

Aliens vs. Predator

 

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Se existe alguma franquia cuja existência eu não entendo, é Aliens versus Predador. Claro que tem a explicação racional: as duas franquias pertencem à Fox e tal, e teve brincadeira no segundo filme do Predador com a cabeça de Alien lá no final, mas as duas não se encaixam em termos de universos. Alien era um filme de terror no espaço, Predator era um filme que era mais engraçado por conta das ultra-machezas do que qualquer outra coisa. Então qual o propósito da união?

Eu nunca li nenhum dos quadrinhos, mas os filmes provam que é tudo uma questão de grana, já que o primeiro e terrível filme dos dois alienígenas mais queridos do cinema foi bem sucedido o suficiente pra ter uma sequência. Por outro lado, o filme também prova que em cinema, onde é preciso pelo menos ter uma certa coerência, o crossover não funciona.

Felizmente, para nós, gamers, videogames geralmente não necessitam de grandes histórias, desde que sejam divertidos. Aliens vs. Predator já tem um certo currículo no mundo dos games, desde o velho Jaguar (sim, Aliens vs. Predator não é coisa nova nos games não!). Mas os mais famosos e melhores são AvP, de 1999, desenvolvido pela Rebellion Games, e AvP 2, de 2001, pela Monolith Productions. Os dois games foram aclamados pelas críticas e pelos gamers de maneira geral, já que combinavam três campanhas distintas em uma única experiência. O ano de 2010 viu a Rebellion reaver os direitos da franquia e produzir um tipo de reboot/remake dos games pros consoles da atual geração e pro PC, e novamente põe o jogador na pele de um predador, de um alien, e de um pobre coitado humano que tem que se virar.

 

HISTÓRIA

Agora lançarei um desafio, caros leitores: se vocês conseguirem tirar algum sentido da história desse jogo, mandarei um cookie pelo correio pra vocês. Analisemos cada campanha:

O coitado do humano tem sua nave-mãe destruída por uma nave dos predadores, que surge do nada. Ele e sua equipe de soldados então caem num planeta que estava sendo explorado pela companhia Weyland-Yutani, cujo líder, nosso corajoso pau-pra-toda-obra Lance Henriksen (tem que pôr comida na mesa, né?!), estava pessoalmente supervisionando. A companhia havia descoberto uma pirâmide bizarra de uma antiga civilização de predadores que ali viviam, e por algum motivo também estavam criando Aliens em cativeiro. Dito isso, nosso pobre coitado terá que enfrentar hordas de Aliens para escapar desse planeta e impedir os planos, quaisquer que sejam, da companhia.

O Alien que você controla não é um qualquer, é um Alien resultado de criação em laboratório pela companhia, mas foi um pouco mais esperto: todos os impregnados tinham tubos em seus peitos para que os Aliens já ficassem presos ao nascer, mas esse nasceu, entrou de volta pro peito do cara para enganar os cientistas e nasceu "de novo". Não conseguiu escapar, mas conseguiu a atenção do nosso querido Lance Henriksen, que marcou um enorme número 6 em sua testa e o manteve como um "personal Alien". Eventualmente, as ações na pirâmide fazem cair toda a energia da base, e você consegue escapar. Seu objetivo? Não faço a mínima idéia, mas envolve matar muitos soldados no caminho.

 

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Eu já vi essa cena antes...

O Predador é o mais bizarro, porém o que mais faz sentido. Nesse planeta, tem soldado humano a dar com pau, e mais uma porrada de Aliens. O Predador desce lá pra fazer o que faz melhor: a caça. Tem um pouco de encheção de linguiça, com uma história sobre recuperar artefatos perdidos da civilização, mas isso é só uma desculpa pra que o Predador tenha uma cutscene removendo sua máscara e mostrando sua cara feia.

Pois é, a história é totalmente descartável e nenhum jogador vai dar a mínima importância pra ela. E o pior: além de não fazer muito sentido, as três campanhas terminam com cliffhangers. Eu lá quero saber o que acontece depois dessa zona? Por outro lado, os cliffhangers dão a entender que a sequência se passará no mundo dos Aliens. Se isso acontecer, e a sequência for um jogo bem melhor, isso será muito bom.

 

GRÁFICOS

AvP mostra-se competente na parte gráfica. A iluminação é muito bem trabalhada nos corredores para a criação da atmosfera que se veria em Aliens, por exemplo, e as texturas são muito detalhadas, particularmente nas cavernas. Há uma certa falta de variedade quanto aos níveis, mas os que lá estão são bem feitos. O pessoal que possui as mais novas placas de vídeo que utilizam a nova API da Microsoft, DirectX 11 (NVidia GTX 470 e 480, ATI Radeon HD 5450 em diante) podem utilizar o executável DX11 para poder ligar alguns efeitos novos, como o "Tesselation", que faz os modelos de Aliens ficarem mais "redondinhos" (ou seja, mal dá pra notar a diferença).

 

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Bons efeitos de iluminação

O jogo é competente graficamente, mas não vem sem problemas técnicos. A decisão de permitir apenas que o pessoal que pode usar DX11 ligue o anti-aliasing é um tanto quanto questionável. Testando o executável DX11 na minha placa (que funciona apenas em DX10), obtive terrível variação de framerate, que não acontece no executável DX9. Com DX10 não há nenhum ganho notável na qualidade de imagem para se ter uma performance tão desigual. Outro problema são os modelos de personagem e as animações. Os aliens e predadores são bem detalhados, mas os modelos humanos parecem bonecos de plástico, e nem possuem sincronia labial com as vozes. Ocasionalmente, as animações também ficam esquisitas, como durante a campanha do Alien em que um Predador aplicou um de seus "brutal kills" em mim, e ao invés de terminar a animação, o Predador simplesmente me jogou pra frente e a tela de "Continue Checkpoint" apareceu do nada. Faltou um pouco mais de tempo em desenvolvimento para polir melhor as facetas gráficas.

 

SOM

O som de AvP é praticamente copiado e colado dos filmes. Se você já assistiu Aliens, de James Cameron, vai instantaneamente reconhecer o sonzinho do detector de movimentos e do fuzil de assalto. Os sons dos Aliens e dos Predadores também são diretamente tirados dos filmes, e funcionam. Infelizmente, a música não é tão memorável, e às vezes ela aparece em momentos inoportunos, quebrando o clima de suspense. Atuação de voz é terrível, com a exceção de Lance Henriksen, que é o único com alguma experiência de atuação aqui.

 

JOGABILIDADE

Como o jogo é dividido em três campanhas distintas, vamos pela ordem, começando pelo soldado humano. A campanha humana é basicamente aquele velho esquema de FPS inspirado em Half-Life, sem nenhuma surpresa, funcionando mais como um tutorial para as outras campanhas. O soldado, que é chamado apenas de Rookie, vai passar de 2 a 3 horas de jogo sem falar uma palavra, enfrentando hordas e mais hordas de Aliens, e hordas e mais hordas de andróides, que agem como o típico infante descartável de qualquer outro jogo de tiro. Durante essas parcas horas de jogo, você tem acesso a algumas armas bem genéricas, uma pistola, um fuzil de assalto, uma escopeta, um lança-chamas e uma metralhadora. Você só pode carregar duas armas mais a pistola, assim como em qualquer FPS pós-Halo, e a metralhadora ocupa os dois espaços. O jogo também utiliza um sistema de vida como o de Chronicles of Riddick. Três retângulos brancos são sua barra de vida. Se você tomar dano, cada retângulo vai sumindo, e se um deles sumir por completo, você precisa usar um stimpak para se curar. Se ele não sumir por completo, se regenera sozinho.

 

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Eu nunca achei que uma 12 fosse uma arma eficiente contra monstros que sangram ácido...

A variedade de inimigos é praticamente zero. Você vai enfrentar Aliens. E mais Aliens. E um pouco mais de Aliens. Pra dar um mínimo de variedade, alguns Aliens preferem cuspir ácido de longe ao invés de te atacar mano-a-mano. Felizmente, enfrentar os Aliens é divertido, já que eles não são estúpidos. Sua velocidade e agilidade permitem que eles possam atacar o jogador por qualquer lado, andar rapidamente pelo teto, atacar pelas costas, e são rápidos o suficiente para evadirem sua mira. Grupos de Aliens são especialmente perigosos, e atacá-los de perto é potencialmente fatal, já que os malditos sangram ácido. Os Aliens também são a oportunidade que o jogador tem de aprender um pouco do sistema de combate corpo-a-corpo do jogo, que é bastante como um "pedra-papel-tesoura". Você possui ataques leves, ataques fortes e o bloqueio (o humano possui apenas os ataques leves). O bloqueio pode parar ataques leves, mas não os fortes. Para cortar um ataque forte, usa-se um ataque leve. Você vai utilizar mais isso nas campanhas do Predador e do Alien.

Enfrentar os andróides, infelizmente, é muito mais chato, e algumas decisões de design questionáveis vão ser notáveis aqui. O soldado não pode agachar. Isso mesmo, um jogo de tiro em que você não pode agachar atrás de alguma cobertura! Como um ex-atirador do Exército Brasileiro, eu tenho certeza que qualquer serviço militar ensina os soldados a agacharem. Que sentido faz isso? Isso faz você ficar mais exposto aos tiros dos andróides do que deveria, e dificulta muito o serviço. Eles também sabem exatamente onde você está o tempo todo, e sua IA também é terrível, já que eles ficam parados num lugar atirando em você. Simplesmente não é divertido enfrentar esses caras. Também não ajuda que dois tiros deles te matam.

 

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You are one ugly motherfucker...

A campanha do Predador é facilmente a mais divertida. O Predador possui todos os aparelhinhos legais do filme, como o dispositivo de camuflagem, e os modos de visão térmica, e utiliza de um mix de combate corpo-a-corpo, o seu canhão de plasma, e ação furtiva estilo Hitman. Como na campanha humana, você só vai enfrentar Aliens e soldados humanos, e infelizmente, os andróides também.

Contra os Aliens, você precisará usar as lâminas que possui nos braços, já que os Aliens podem sentir seu cheiro mesmo se você estiver camuflado. O mesmo sistema de combate é utilizado, com a introdução dos "brutal kills". Basicamente, o Predador é um caçador e colecionador de troféus. Os "brutal kills" permitem que você mate o inimigo com uma animação bem gore e bem mais divertida, arrancando a cabeça do inimigo, ou removendo a boca interna de um Alien no braço. Infelizmente, o combate corpo-a-corpo contra os Aliens rapidamente se torna repetitivo, e as mecânicas não são tão legais de se usar, e não condizem muito bem com a natureza dos monstros em questão.

Já a parte divertida é caçar humanos. Para tal, você vai utilizar de seu equipamento de camuflagem. Um botão de "focus" permite que o Predador pule alturas enormes para observar os inimigos do alto de árvores e do teto das construções, e os modos de visão térmica ajudam a saber a posição dos inimigos humanos facilmente. Depois disso, você pode distrair os guardas, separá-los, com um dispositivo que replica sons e faz parecer que eles vieram de onde você apontar. Então, é hora de coletar cabeças. Não ser detectado é importante, pois o Predador é relativamente frágil contra fuzis de assalto, e morre facilmente sob fogo de múltiplos inimigos. Infelizmente, os soldados humanos pertencem à escola Metal Gear Solid de vigilância, já que se você for detectado, vá pra longe o suficiente e os soldados esquecem que acabou de aparecer um Predador que arrancou a cabeça de um de seus colegas ali mesmo. Mas o momento enquanto eles não te detectam, é a parte mais divertida de todas as campanhas. Mais pro final do jogo, você vai encontrar de novo os malditos andróides, e não pode usar o aparelhinho de distração neles, fazendo com que eles sejam mais chatos do que na campanha humana.

 

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Shhh... quietinho, ou vai alertar os vizinhos

As armas de fogo tem uso limitado com esses estilos de jogo. O canhão de plasma tem aquela famosa mira do Predador, que é facilmente detectada pela IA, e isso juntamente com o fato de que assim que um soldado te detecta, todos sabem exatamente onde você está, faz você não usar muito o canhão. Você possui também minas de proximidade que você pode deixar no caminho para explodir inimigos, mas essas não possuem nenhuma utilidade no jogo. As outras armas são um disco que funciona como um bumerangue, e pode ser usado para matar múltiplos inimigos, e um tipo de lança que você pode jogar a grandes distâncias e mata inimigos instantaneamente. Você usará mais essa última contra os malditos andróides que não podem ser separados.

Por fim, a campanha do Alien é a mais difícil e a mais chata de se jogar. A jogabilidade do Alien é praticamente Splinter Cell versão monstro. Você deve se esconder nas sombras para se esgueirar pelos corredores e evadir ou matar brutalmente os inimigos humanos. Você possui outro método de distração, não tão eficaz quanto o do Predador, mas que ajuda, soltando um silvo bem alto para fazer um alvo ir investigar e se separar dos outros. O Alien também conta com velocidade inigualável para se locomover e escapar dos inimigos, pode emboscá-los de qualquer forma que preferir, já que tem a capacidade de andar em qualquer superfície, paredes ou teto, e também regenera sua vida sem necessitar de itens externos como as outras duas raças.

 

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Nada mais TRUE do que um empalamento

As mecânicas de controle e furtividade do Alien são todas problemáticas, a começar com o movimento. O Alien se move rápido demais. Isso às vezes pode atrapalhar quando você quer movimentação precisa para se esquivar de ataques ou fugir se detectado. Poder andar em todas as superfícies também costuma ser mais confuso e possivelmente induzir dores de cabeça em pessoas que sofrem de vertigem ou labirintite. Mesmo que o jogador não tenha problema nenhum, às vezes você pode mudar tão rapidamente de perspectiva que pode se perder nos cenários.

Se esgueirar pelas sombras também não é fácil com o Alien. O único indicador de que você está escondido nas sombras é o seu cursor do mouse, que fica com as cores invertidas quando você está escondido. O problema é que ele tende a ser randômico. Muitas vezes eu me escondia em completa escuridão, no teto, e o cursor ainda ficava claro, somente para eu ir pra algum outro lugar um pouco mais claro e o cursor se inverter. Outro problema é que, durante algumas fases que se passam em lugares mais escuros e corredores, você pode usar seus ataques com o rabo para destruir as luzes do lugar e criar mais esconderijos, porém, metade do jogo se passa em plena luz do dia, e não dá pra apagar a luz de qualquer que seja o sol do planeta estranho, certo? Essas fases se tornam desnecessariamente difíceis, quando combinadas com todos os outros problemas.

A falta de variedade de inimigos também é frustrante. Os Aliens só irão enfrentar um Predador como chefe final da campanha, e durante todo o resto da missão, enfrentarão apenas soldados humanos e os já mencionados andróides. Ocasionalmente, um humano desarmado pode estar numa determinada sala, e você pode fazer um Facehugger aparecer do nada e grudar na cara do infeliz, o que não faz sentido algum, já que você não está perto de ovos nem de uma Rainha em nenhum lugar no game.

 

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Cadê a Sigourney Weaver nessas horas?

Todas essas três campanhas irão tomar, no máximo, 6 horas de seu tempo, e todas elas se passam nos mesmos corredores fechados tirados diretamente do filme Aliens, uma floresta estranha e umas ruínas de uma antiga civilização dos Predadores, o que torna o game mais monótono ainda. Para alguém que queira um pouco mais de conteúdo single-player, o jogo possui um modo chamado Survivor, que coloca um soldado humano isolado em algum lugar e o obriga a enfrentar hordas de Aliens até a morte. Tem potencial para ser divertido, mas o problema é que o jogo possui apenas 2 mapas para Survivor. Quando você tem outros jogos que oferecem muito mais conteúdo...

 

FATOR REPLAY

O jogo não oferece nenhuma possibilidade do jogador ter vontade de jogá-lo novamente. O modo Survivor não possui mapas suficientes e rapidamente se torna enfadonho, e as campanhas não oferecem nada de novo, a não ser alguns colecionáveis que não oferecem nenhuma recompensa, e uma tabela de pontos mostrada após cada fase da campanha, juntamente com um título (os mais altos sendo General para os humanos, Elite para os Predadores e Queen para os Aliens) que aumenta conforme a dificuldade jogada e alguns outros fatores, como número de inimigos mortos, número de vezes que o jogador morreu, ou número de stimpaks usados. Isso vai importar apenas aos muito perfeccionistas.

 

PRÓS E CONTRAS

- História sem sentido algum, completamente absurda

+ Iluminação e texturas muito bem trabalhadas

+ Modelos dos Aliens e dos Predadores são legais

- Modelos de humanos quadrados e sem sincronia labial

- DX10 tem impacto de performance não condizente com efeitos visuais

- Anti-aliasing restrito a quem tem placas de vídeo de última geração, com DX11

- Animações cruas e bugadas

- Atuação de voz terrível e música que aumenta de intensidade nos momentos errados

+ Lance Henriksen

+ Efeitos sonoros diretamente retirados do filme Aliens

+ Campanha humana possui algumas armas divertidas para se matar Aliens

+ Muito divertido colecionar cabeças como Predador

- Campanha do Alien é difícil pelos motivos errados, tornando-se chata

- Sistema de combate corpo-a-corpo é estranho enquanto está neste universo de jogo

- Falta de variedade absurda

- Extremamente curto

- Apenas 2 mapas para o modo Survivor

- Fator replay nulo

 

CONCLUSÃO

Minhas constatações são que, para cada ponto positivo do game, vários pontos negativos vêm junto, levando a experiência toda para baixo. Há diversão aqui, e a campanha do Predador certamente vale a pena ser jogada, mas não esperem nada de muito surpreendente ou de alta qualidade aqui. Recomendo o antigo AvP 2, da Monolith, para se notar um dos únicos bons usos deste crossover.

NOTA: 5,5

Avatar FiliPêra

E os vencedores são…

 

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Sim, chegou a hora de anunciar o vencedor da nossa promoção do Dia da Toalha. Como vocês sabem, o prêmio é uma miniatura de Millenium Falcon para o autor da foto mais criativa, e uma de X-Wing, para o segundo colocado.  A escolha foi feita por mim, pelo HumberTêra, e pelo BruNêra, ontem. Mas, indo ao que interessa, o vencedor é o Paulo Tadeu de Melo - que deu uma toalhada na bunda da mulher dele (ao menos, Eu acho que é a mulher dele) e nos matou de rir -  e o segundo é o Mateus Sonegheti, que utilizou a técnica Light Paint para duplicar a si próprio usando a toalha como turbante. As fotos você vê abaixo:

 

Paulo Tadeu de Melo  pauloptdm@gmail.com

Mateus Sonegheti

Agora, é só os vencedores nos enviarem os endereços para a entrega dos prêmios! E, outras fotos que selecionamos, estão no nosso Flickr (destaque para o nosso comparsa Gabriel Dread, que nos fez ficar num impasse para escolher o segundo lugar e ficou com o bronze).

Avatar FiliPêra

Problemas em Hobbit aumentam… e Guillermo deixa o posto de diretor

 

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É amigos, as coisas não andam bem na produção da adaptação de um clássico de J. R. R. Tolkien, e a culpa de tudo atende por uma sigla de três letras: MGM, que está no meio de um processo de falência e compra, que também já vitimou outra franquia famosa. Sim, o estúdio daquele leão rugindo, que você via no início dos episódios de Tom e Jerry, está atrasando todo o encaminhamento para as filmagens de O Hobbit, e a primeira vítima já surge, Guillermo Del Toro, que sentava na cadeira de diretor do filme, e escreveu, ao lado de Peter Jackson, o produtor, o script da adaptação. Os motivos são os constantes atrasos, a indefinição de uma data para o início das filmagens depois de dois anos de pré-produção, e a agenda cheia dele, que é um daqueles diretores hiperativos e talentosos, combinação bem rara.

Agora é esperar pra ver o futuro da produção, e o anúncio do novo diretor, pra ver se conseguirão algum à altura (OU: Peter, qualquer coisa, dirige você mesmo essa bagaça!). E recentemente a estréia do primeiro filme - sim, serão dois filmes, caso você não saiba - foi adiada para dezembro de 2012, e a do segundo, para dezembro de 2013.

Torçam…

 

[Via io9]

domingo, 30 de maio de 2010

Avatar FiliPêra

Idéias de prédios para arquitetos nerds!

 

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Pra quem baba nos projetos cheios de curvas - projetos que Eu odeio, por causa dos moradores deles - de Niemeyer, conviva com essa série de fotos de John Ford, intituladas Se Eu Fosse Presidente… com prédios no formato de Nintendos DSs, dos clássicos NES e até de um Grill (AKA PS3)!

 

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[Via ArchDaily] Dica do R. R. Dias, valeu cara!

Avatar FiliPêra

Sandman Absolute Vol. 1

 

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O Sayron, um dos nossos colaboradores (e autor do post polêmico da semana passada), me pediu um artigo sobre os três primeiros arcos de Sandman, para inaugurar uma seção de quadrinhos do blog World RPG Fest, em que ele é um dos autores. Como sempre, demorei, mas cumpri o prometido, e descrevi como ler Sandman se aproxima de uma experiência espiritual. Tanto que nem reli a série, apenas utilizei minhas memórias para escrever tudo.

Clique na imagem para ler também!

Avatar FiliPêra

Tiro certeiro do marketing da Opera Software

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Pra mim, o ponto mais fraco da Opera Software é sua equipe de marketing. Não que ela seja necessariamente fraca, mas não é forte, coisa que está mudando nos últimos anos. Alguns acharam um tiro no pé as campanhas do Opera Unite (que anunciava uma remodelação da web) e a campanha do Opera para iPhone (que colocou um contador para estabelecer quanto tempo a Apple demoraria para aprovar o app). Eu particularmente gostei, e não achei nada diferente daquele contador de downloads do Firefox para entrar no Guinness.

Dessa vez eles foram um pouco mais longe do tradicional, e colocaram uma forte carga humorística na parada, coisa que não deve ser muito normal com nórdicos. O vídeo é uma paródia dos testes de velocidade do Chrome, que geraram vídeos promocionais muito bons -o que também é o caso dessa hilária resposta da Opera!

 

[Via Opera Brasil]

sábado, 29 de maio de 2010

Avatar Voz do Além

Anti-piratas que pirateiam uma tecnologia anti-piratas de uma empresa anti-piratas

 

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Num belo dia de 2003, a empresa alemã Medien Patent Verwaltnung mandou um representante à Warner Bros para mostrar uma tecnologia interessante, que permitia marcar todos os DVDs promocionais e para trabalho da empresa - aquelas cópias enviadas a distribuidoras, empresas de dublagem, de mixagem de som, e todas as outras -, o que ajudava a empresa saber quem foi o ser que vazou o filme para o mundo. A Warner se amarrou, e parece que vem usando essa tecnologia desde aquele ano! O detalhe é que ela nunca pagou nada por isso.

A Medien não se amarrou na (suposta) facada nas costas, e foi a luta, entrando com um processo de quebra de patentes, que, no momento está sendo avaliado... Ou seja, na Warner reina o seguinte ditado: Faça o que mando, mas não faça o que eu faço!

Enquanto isso, o protocolo Torrent é aberto, assim como a tecnologia DHT, o código-fonte do Pirate Bay

 

[Via Escapist Magazine]

Avatar Voz do Além

O 25 de Maio russo

 

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Enquanto a gente comemora o Dia da da Toalha, os russos têm um tal de Farewell Bell Day (algo como Dia dos Sinos de Despedida) no dia 25 de maio, comemorado nacionalmente. Bom, e como vocês devem ter imaginado, a comemoração deles é melhor. Bem melhor, e envolve fontes d’água, mulheres com umas roupas típicas meio parecidas com aqueles uniformes de empregadas de filmes eróticos dos anos 80.

Não sei exatamente o que é o tal Farewell Bell Day, mas queria estar na Rússia num dia desses!

UPDATE: Segundo o nosso leitor Diego Maia

Esse dia, é o dia de formatura do colegial russo.
Esse uniformes de 'empregada', são na verdade o uniforme que as crianças usavam na antiga União Soviética. Com o fim dela, os adolescentes puderam usar a roupa que queriam. Então o uso dessas roupas, é uma referência ao passado e um sinal de rompimento com uma antiga fase e passagem para uma nova.

E 'Despedida Sino da ' é porque é a última vez em que ouvirão o sino do Colégio. Sendo assim, creio que a tradução mais correta seria 'Sino da Despedida'.

 

[Via English Russia]

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Avatar Colaborador Nerd

[Pipoca e Nanquim] Ridley Scott

 

Robin Hood está nos cinemas e o Pipoca e Nanquim traz Ridley Scott como tema essa semana. Passamos toda a filmografia deste excelente diretor, que influenciou gerações de cineastas e nos presenteou com alguns dos maiores clássicos do cinema contemporâneo. Discutimos os seus melhores e piores filmes, dando destaque a suas obras primas, como Alien, Blade Runner, Chuva Negra, Gladiador e O Gângster.

E o Pipoca e Nanquim precisa de comentários! Mande sua opinião pra gente, quais os temas que gosta mais – você prefere temas gerais ou fechados em algum diretor ou quadrinista especifico? O que gostaria que nós falássemos no programa? Mande sugestões de tema pra nós! Você pode comentar aqui no blog ou no videolog, tem também nossa comunidade no Orkut e o Twitter, ou mande um e-mail para pipocaenanquim[at]uniara.com.br. Se você está gostando de assistir Pipoca e Nanquim, nos dê essa força, sua opinião é de extrema importância para o programa.

Um abração a todos e até a semana que vem, com o tema Samurais! Não percam!

Avatar Murilo

Livros nerds obrigatórios

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Não sei dizer se são todos, mas acredito que todo nerd tenha uma ligação forte com os livros. Eu mesmo lia muito mais romances do que quadrinhos em si na infância, sendo exceções os da Turma da Mônica. Li os da série Vaga-Lume, infantis, contos macabros (era uma criança precoce), mitologia grega, entre outros, que o tempo e a memória não me deixam lembrar.

Na adolescência, passei a ler literatura clássica por influência da escola e da família. Conheci algumas das melhores obras literárias que já tive o prazer de ler, como Matadouro 5, Apanhador no Campo de Centeio, livros de Stephen King e alguns dos livros nerds que falarei neste post. Na época eu só conseguia ler os livros que encontrava em bibliotecas ou emprestado por amigos, já que me faltava verba para comprá-los, e eu nunca gostei muito de ler livros inteiros na internet.

Li sem nem saber que se tratava de livros célebres entre os nerds, até porque naquela época nerd ainda era sinônimo de usar óculos, tirar nota boa e apanhar dos valentões na escola, quase como eu era (excluindo a parte de apanhar, óbvio). Próximo da vida adulta, li uma das obras mais referenciadas pelos nerds, O Senhor dos Anéis, e consegui comprar ouros livros que li quando mais jovem. Mas ainda falta muito para mim, creio. Ainda não leio várias obras de Tolkien, não li tudo de Neil Gaiman e não vi todo o movimento cyberpunk. Mas dentre os que eu li, separo os que considero essenciais para todos os que batem no peito para dizer que são nerds. Só espero não haver me esquecido de nenhum.

 

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Senhor dos Anéis

O Senhor dos Anéis escreveu seu nome na história como uma das obras mais cultuadas do mundo, sendo uma seqüência do livro O Hobbit. Pensado para ser em volume único, ganhou fama dividido em três para manter o baixo custo dos livros. O autor, J. R. R. Tolkien, fez com sua trilogia o que James Cameron tentou sem sucesso fazer com Avatar. Criou um mundo vasto, com geografia e línguas próprias, que são estudadas com afinco por seus fãs. A obra marcou profundamente outras obras de fantasia lançadas com o decorrer das décadas e inspira peças de teatro, filmes, fotografias, pinturas e games até os dias atuais.

O Senhor dos Anéis gerou ainda mais interesse e criou novos fãs graças aos filmes feitos por Peter Jackson; e não escondo que foi por ali que eu conheci a obra do escritor britânico. Não quero me deter aqui sobre a história, porque vocês já devem conhecê-la, mas os livros têm algumas diferenças importantes. A leitura não agrada a todos, já vi muita gente reclamar dela. A escrita de Tolkien me lembrou um pouco a de Machado de Assis, embora a comparação possa parecer não fazer sentido à primeira vista. A forma como apresenta seu mundo e as criaturas que o habitam, num crescente de qualidade narrativa a cada página, cria um clima de fascinação, principalmente nos fãs de fantasia medieval.

As pessoas que não leram O Hobbit conseguem compreender o enredo de O Senhor dos Anéis, mas aconselho ler a história do Bilbo Bolseiro antes. E depois procurar Silmarillion, que é mais ou menos como uma Bíblia do mundo que Tolkien criou.

 

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O Guia do Mochileiro das Galáxias

Douglas Adams escreveu inicialmente O Guia do Mochileiro das Galáxias como uma sitcom, mas nenhum canal topou produzir a sua série. Os roteiros acabaram indo para uma rádio local de Londres, sendo transmitido como as antigas rádionovelas e fez tanto sucesso que se tornou uma coleção de fitas cassete. Só depois se tornou a coleção de livros que conhecemos hoje.

Arthur Dent é um sujeito normal, que descobre que seu amigo Ford Prefect é um mochileiro alienígena, que sabe de um plano sobre a demolição da Terra para a construção de uma rodovia interestelar.

As tiradas inteligentes conseguem agradar até mesmo ao público não-nerd, mas é claramente voltado aos nerds, tantas são as referências à ele que vemos por aí. O dia da toalha, a frase "NÃO ENTRE EM PÂNICO!", entre outros.

Como surgiu como uma sitcom, o Guia satiriza a política, a burocracia e a forma de vida inglesa, tendo como pano de fundo diferentes planetas. Também faz reflexões sobre os motivos de nossa existência. O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, faz muito mais que um simples livro de ficção científica. Ele conseguiu nos fazer rir e, principalmente, valorizar o que realmente importa na vida.

 

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Neuromancer

Neuromancer é o melhor livro do cyberpunk, movimento que já falei sobre AQUI. Nenhum escritor conseguiu lançar um livro que o superasse, nem mesmo seu autor William Gibson. Tornou-se um divisor de águas. A ficção científica era criticada pelos cyberpunks, que afirmavam que ela estava presa a regras do passado. Neuromancer tentava romper isso, romper barreiras, transpor os limites de gênero. Sua influência se faz sentir até hoje, como por exemplo na trilogia Matrix.

Vou escrever brevemente sobre o enredo. O protagonista Case, é criminoso cyberespacial. Mas, quando tenta roubar seus patrões, é punido de uma forma que o impede de entrar na Matrix de novo… até ser contratado para o roubo da inteligência artificial Neuromancer e poder entrar na rede novamente. Para isso, se une a um grupo de pessoas com habilidades únicas para realizar o serviço. O clima de mistério noir garante que nada seja o que pensamos no princípio com a adição da tecnologia, que a qualquer momento pode tomar o controle sobre as nossas vidas.

Eu poderia falar mais sobre Neuromancer, mas eu já escrevi um texto mais completo AQUI.

 

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Deuses Americanos

Eu nem precisava falar muito sobre esse livro aqui. Afinal, Neil Gaiman é Neil Gaiman e esse livro já foi até indicado pelos caras do Pipoca e Nanquim. Também porque chega a ser chato só falar de um quando ele tem vários livros fodas por aí, como Lugar Nenhum e Coisas Frágeis. Mas é quase obrigação citar uma obra do cara aqui.

No livro vemos a batalha dos antigos deuses contra as encarnações dos deuses modernos, nada mais que os ídolos das gerações atuais e influenciadores do comportamento, como a mídia, cartões de crédito e a internet. Em vez de mostrar os deuses em toda a sua glória, Gaiman demonstra como eles forma caindo no esquecimento e perdendo seus poderes, morrendo de formas tolas para uma divindade.

Neil Gaiman demonstra o mesmo estilo narrativo que o deixou célebre com Sandman, até hoje sua obra mais famosa e obrigatória para fãs de quadrinhos. Ele não se limita a uma só mitologia. Explora a nórdica, egípcia, duendes, entre outras. Uma das vantagens de Gaiman, que pra você pode ser um defeito, é que ele não se preocupa em explicar todas as questões, algumas coisas ficam subentendidas e outras para a imaginação do leitor. Mas diferente dos autores de Lost, ele sabe muito bem o que quer da sua história desde que começa a escrevê-la. A linguagem cheia de referências faz você querer pesquisar mais sobre os temas, o que é ótimo pois faz com que o livro vá muito além da leitura.

Deuses Americanos deve ser só o seu primeiro dos romances do Gaiman caso goste de um bom livro. Vale muito a pena. Só que o livro atualmente se encontra esgotado no Brasil, só sendo encontrado em sebos.

 

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Discworld

Discworld é uma série de livros do escritor britânico Terry Pratchett, que parodia todos os clichês dos livros de fantasia, com uma grande dose de humor negro. A associação com a obra de J. R. R. Tolkien se faz óbvia, mas isso dá porque a obra do criador da Terra-Média influencia a fantasia até hoje. A série é enorme e sucesso absoluto na Inglaterra, estando há anos na lista dos mais vendidos. Com o sucesso, a obra migrou para os quadrinhos, games, animações, RPGs, entre outras formas de mídia e o faz ganhar vários prêmios literários, ser traduzido para mais de trinta línguas e vender mais de 40 milhões de exemplares. Embora seu sucesso seja grande, ele é um pouco obscuro no Brasil. Poucas pessoas conhecem a obra dele por aqui.

O mundo da série de Discworld se passa num mundo em forma de disco sustentado por quatro elefantes apoiados no casco de uma tartaruga que vaga pelo espaço. Ricewind é um mago que foi expulso da escola de magos só tendo aprendido um único feitiço e que parte em uma jornada por toda a Discworld, junto com DuasFlor, que decide se juntar com ele. Durante o caminho eles encontrarão os tipos de personagens que sempre marcam presença nos livros de fantasia, como anões, trolls e elfos.

Para os fãs de fantasia medieval que não se incomodam de vê-la satirizada, Discworld é uma boa dica.

 

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A Batalha do Apocalipse

Não podia terminar este post sem falar de pelo menos um livro brasileiro. A Batalha do Apocalipse foi lançado pelo selo Nerd Books, pertencente ao site Jovem Nerd, que acredito que seja conhecido de todos aqui. Houve todo um hype em volta deste lançamento. Que o livro era foda, que era muito bom, mas o livro me pareceu caro demais e o fato da maioria das tentativas de se escrever um épico brasileiro não terem conseguido êxito pesou um pouco. Conforme fui lendo elogios e mais elogios sobre a obra de Eduardo Spohr decidi comprar. E pra minha surpresa gostei bastante do livro.

Eduardo Spohr tem uma narrativa cinematográfica, chegando a dar um pouco de pena saber que o livro não deve ter muitas chances de ganhar as telonas dos cinemas um dia. Os personagens são extremamente bem construídos e pelos seus diálogos e atitudes dá pra sentir realmente a situação que eles estão passando.

A história é sobre um dos temas que mais fascinam. O levante dos anjos rebeldes contra os anjos das castas mais elevadas e a futura batalha do Apocalipse. É por isso também que curto tanto da série Supernatural. Acompanhamos a história do anjo renegado Ablon, preso a uma forma humana e o acompanhamos passar por diversas eras da humanidade. Aí vemos a riqueza de detalhes do livro e o quanto o autor deve ter pesquisado para escrever este livro, o que não é um um elogio, mas obrigação de qualquer escritor caso se queira escrever um livro de fantasia com um tema como este, e períodos históricos tão largos.

A Batalha do Apocalipse prova que é possível fazer bons livros de fantasia brasileiros. Tomara que surjam mais e mais livros deste gênero por aqui com a mesma qualidade dele.

 

Alguém aí tem outra dica?

Avatar FiliPêra

Como de praxe: novas edições da Farrazine e da Arkade, minhas e-magazines nacionais favoritas

 

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Bom, creio que as duas revistas dispensam apresentações, então vamos direto para as matérias de cada uma (na FARRAZINE tem um artigo meu, analisando socialmente o fenômeno Lost):

 

Veja no FARRAZINE # 16, entrevista com o criador de Puny Parker, VITOR CAFAGGI.

Apresentamos o anti-herói Destrukto, na HQ do roteirista/desenhista Léo Vidal (InVinoVeritas).

E ainda:
Você quer fazer Quadrinhos?
Sidooh - Samurais Guerrilheiros  - por Jacarandá
Batman - Terremoto - por Juliano
Inteligência Coletiva - por Filipêra
Dança em Quadrinhos - por Rodrigo!
Os Kana: Hiragana - por Hiro

E os contos:
Triste, Triste
• O Pênis
• O Nascimento da Morte
• E Nós Tínhamos uma Música
• CPF
• Sexto Andar

E mais: Homenagem aos nossos seguidores do Twitter na contracapa.

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E na Arkade #11:

Red Dead Redemption, da Rockstar Games, é capa da edição 11 da Revista Arkade, e você pode conferir um review completíssimo deste excelente título nesta edição. Dois games da Capcom também têm reviews na Arkade de maio. Super Street Fighter IV e Lost Planet 2, um ótimo, outro não tanto assim. Para fechar os reviews, analisamos Skate 3. Na Bitbox imaginamos como seriam 10 jogos baseados em bons filmes. Nos previews, você poderá ver o que esperamos de dois jogos que sairão no segundo semestre: Brink e Epic Mickey. Nos Clássicos, relembramos Enduro, o jogo de corrida praticamente infinito da década de 80. Relaxe e aproveite. Seja bem vindo à Arkade!

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É isso, uns bons exemplos de revista de qualidade e feitas na raça parceiros nossos! Em breve, impressa do seu lado, a nossa revista!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

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35 anos da Industrial Light & Magic

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Houve tempos em que a solução para tudo no mundo dos efeitos visuais no cinema era… cérebro, e não um programinha pra computador com ferramentas automatizadas. Não existiam Premieres, Vegas, Liquids Studios… mas sim maquetes, uso de luz e sombra e outras traquitanas que exigiam um pouco mais de imaginação do que algumas layers de Photoshop para serem exportadas para o After Effects - não tô dizendo que modelar 3D, e inserir efeitos visuais de computador seja fácil, mas é automatizado, exige pouca criatividade.

A Industrial Light & Magic começou assim, na ponta da inovação, e foi o principal motivo do nome George Lucas ainda estar tão em alta no mercado do cinema, mesmo após quase três décadas do fim da Trilogia Original. A criação da empresa é quase mítica, assim como o surgimento de praticamente tudo na década de 70 - desde algumas vertentes do rock, ao cinema explosivo, realista e violento de Coppola, Scorcese e DePalma. Em 1975, George Lucas a criou para fazer os efeitos revolucionários de Star Wars - Uma Nova Esperança, após reunir alguns amigos numa garagem e enchê-la de miniaturas de naves, simplesmente por ter certeza que, na época, não existia empresa boa o bastante pra tornar real sua fábula espacial.

Bom, o resto é história… a iniciativa deu tão certo que anos depois ela já era a maior empresa de efeitos visuais do planeta, e hoje possui 15 Oscars de efeitos visuais na bagagem, e outros 14 em outras categorias técnicas, além de cerca de 250 filmes com efeitos sob a batuta dela. Filmes como E.T. - O Extraterrestre, O Exterminador do Futuro (sabe o T-1000?! então…), Uma Cilada para Roger Rabbit, Jurassic Park, Indiana Jones e muitos outros clássicos…

Mesmo que no momento a empresa tenha se focado inteiramente em 3D e computação gráfica, perdendo aquela pegada inovadora de outrora - além de ter recebido a concorrência pesada da WETA, criada por Peter Jackson sob circunstâncias parecidas com as da IL & M, e usando as técnicas similares as dela em seus primórdios -, a empresa ainda se mantém como a mais importante do ramo no mundo.

 

Duvida que o passado da empresa foi mais inovador? Veja o praticamente didático vídeo acima, que mostra como eles fizeram uma cena clássica de Star Wars. Ao invés de CGI - como foi Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith, totalmente filmados em ambientes digitais, o que deu um certo ar artificial - foi utilizada uma câmera em alta velocidade indo de encontro a uma superfície de papelão e uretano, montada sobre uma caminhonete em movimento, pra dar aquela sensação de velocidade.

 

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Outra mostra? A classicaça abertura da série, com um resumo da história subindo num letreiro deslizando no espaço, não foi feito no Premiere usando técnicas simples e que levam alguns minutos para ficarem prontas. Foi feita analogicamente, com uma câmera num ângulo especial, deslizando sobre uma lâmina de cerca de 1,80.

Mas, como George Lucas é um cara inquieto, ele criminosa e mercenariamente atualizou todos os efeitos da trilogia original, utilizando técnicas computadorizadas - e ainda tornou Han Solo um cara menos foda…

No site da revista Wired - que fez uma matéria especial sobre a empresa - tem mais efeitos dissecados, é só clicar no link abaixo!

 

[Via Wired e Gizmodo]

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Skyfire: Android is for PORN!

Por Jack Harper*

 

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Dia 29 de abril foi lançado oficialmente o beta do Skyfire para o Android um dos melhores browser para dispositivos moveis com "suporte" a Flash.

Para os usuários do Android, sistema operacional do Google para smartphones, instalar um novo navegador não faz muito sentido, visto que o navegador padrão é excelente e suporta atualmente quase todas as tecnologias web utilizadas, menos (por enquanto) Adobe Flash, o que não é exatamente um problema, já que atualmente, a maior aplicação desta tecnologia é para jogos e vídeos. Jogos em Flash normalmente não são feitos para rodar em dispositivos móveis, o que pode tornar a experiência um pouco traumatizaste, além de que há uma vasta gama de games disponíveis gratuitamente no Android Market. Para vídeos, há um aplicativo nativo do Youtube, que funciona perfeitamente e exibe quando disponível, vídeos em HD.

Mas se temos tudo isso no Android, para que então um navegador com um suporte teórico a Flash? Ver paginas em Flash ou tentar jogar jogos que não foram feitos para isso? A resposta é não! O suporte a Flash do Skyfire se resume a receber vídeos convertidos pelo servidor do Skyfire e exibir para você, funciona perfeitamente com o YouTube, Dailymotion e outros sites de vídeos em que o conteúdo pode ser facilmente encontrado dentro do próprio Youtube, como eu já disse, o Android já vem com um aplicativo padrão para isso.

Então pra que eu preciso de um novo navegador para executar uma função que meu celular já faz? Afinal todos os vídeos interessantes estão no Youtube! E eu sei que neste ponto do texto sua mente já está gritando "PORNÔ!", e é exatamente este tipo de conteúdo que o Skyfire vai levar ao seu Android! O YouTube não aceita esse tipo de vídeo, mas a maioria dos sites com conteúdo "relevante" funcionam no Skyfire. Agora você pode ver o que quiser no seu celular, a hora que quiser, sem a necessidade de baixar em casa e converter, ou instalar o Mikandi*. Redtube.com, Youporn.com e outras centenas de sites com conteúdo relevante estão a sua disposição agora.

Se você tem um Android e não tinha o Skyfire, provavelmente você já baixou antes de ler até aqui, mas se você ainda não baixou, acesse http://m.skyfire.com do seu celular. Esta disponível também para Symbian e Windows Mobile. Não, iPhone não, Steve Jobs jamais deixaria você ver pornô no smartphone dele (quando você compra um iPhone, ele é da Apple, e não seu).

Não esqueçam de limpar os aparelhos e lavar as mãos, por favor.

 

*Mikandi: versão porno da Android Maket, funcional, mas qualquer um que pegue seu celular vai ver seus icones pornos. Falaremos mais sobre ele em outra oportunidade.

 

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*O Jack Harper é um dos nossos colaboradores, mas preferiu escrever sob pseudônimo pra não ter problemas em casa!

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A Busca pela Informação

Por Sayron Schmidt, do World RPG Fest

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Muitos jovens nunca pisaram em uma biblioteca e, muitos leitores do NSN sabem disso. Não conhecem o apego ao livro, o cheiro de suas páginas, sejam novas ou velhas, aquela sensação de que aquilo faz parte da sua vida e lembrar das histórias toda vez que o vê na prateleira, além de cada releitura novas coisas são encontradas. Não há como ter coragem e se desfazer dele. E por mais que se popularize os e-books e que existam os tão “temidos” downloads, não existe a possibilidade de se substituir o papel impresso, que ao abri-lo nos transporta para fora da nossa realidade.

Mas existem algumas categorias de livros que tendem a desaparecer. Os livros que tenham como conteúdo assuntos gerais, aqueles que utilizávamos em nosso tempo de escola, antes da popularização da internet. Enciclopédias, almanaques, etc., todos já foram alvos de nossos olhares curiosos querendo as informações.

A busca por respostas sempre nos levou a pesquisa, seja perguntando a alguém, seja em boas bibliotecas, assim como no Senhor Supremo Onipresente dos Internautas Google (acredito que exista muita dependência dos serviços deles atualmente, mas isso é assunto para outro artigo). E essas ferramentas sempre nos trazem várias respostas, não significando que todas sejam corretas e verdadeiras.

Observo minha irmã, hoje com 13 anos, fazendo um de seus trabalhos escolares. A simplicidade como tudo é feito me assusta e ao mesmo tempo me fascina. Tudo começa com a iniciação do navegador, digita www.google.com.br + Enter, no campo “busca” digita o assunto que será pesquisado e pronto, diversos endereços eletrônicos que contém ao menos algo sobre o assunto pesquisado surgem no monitor. Uma hora de pesquisa, mais uma hora de leitura (ao contrário do que muitos outros fazem) e mais ou menos meia hora de formatação e temos um trabalho (não julgando a qualidade do conteúdo) pronto para sem entregue… e nem foi preciso sair de casa para isso!

A velocidade com que as pessoas chegam até a informação é absurdamente alta, pois quando eu tinha de fazer trabalhos (e olhe que tenho apenas 22 anos!) levava algumas semanas, pois necessitava de diversas leituras complexas e longas para se conseguir 10 páginas de material, pois era difícil encontrar algo que não abordasse toda uma temática, não apenas informações mastigadas que encontramos hoje na internet. Além de que tudo isso seria escrito a mão, o que aumentava ainda mais a dificuldade de se fazer um trabalho escolar. Fora toda a logística necessária (ir a bibliotecas, carregar livros, tirar fotocópias, voltar para casa, etc.).

Isso não é uma critica a internet.

Mas há de concordarem comigo de que isto esta criando uma legião de preguiçosos. Essas crianças e adolescentes são a geração Ctrl+C, Ctrl+V, o que é uma vergonha gigantesca. O que dirá então daqueles que tem a coragem de fazer isso em plena faculdade?

Pior que os alunos são alguns professores coniventes com essa prática. Eles aceitam esse tipo de conduta e no fim isso acaba tornando-se um incentivo aos alunos. Não há educação e nem punição visando à mudança de atitude. Então, porque os alunos teriam de se preocupar, não é mesmo? O problema é que eles não entendem o verdadeiro motivo de uma boa pesquisa e de uma boa leitura. Conhecimento. Nada e nem ninguém lhe proporcionará maior conhecimento do que você mesmo e sua sede por aprendizado.

Dois exemplos exemplificam muito bem a incapacidade de alguns professores.

No Ensino Médio tive uma professora de História que tinha processos avaliativos, no mínimo, peculiares, pois nunca entendemos quais os critérios utilizados na aplicação das notas. Resolvemos fazer um teste, escolhemos um de nossos trabalhos e inserimos uma receita de bolo de laranja no trabalho. Sim! Isso mesmo que vocês leram, uma receita de bolo de laranja! O resultado foi que o trabalho com a receita teve uma das melhores notas da turma. Levamos isso à coordenação e nada foi feito. Acho que eles devem ter gostado da receita e por conta disso a nota dele foi boa, só pode!

O segundo exemplo é muito mais recente, já na faculdade. Minha professora passou um trabalho valendo 50% da nota bimestral na matéria dela. No dia da entrega, tiveram três alunos que não efetuaram a entrega dos mesmos. E adivinhem? A professora não se deu nem ao trabalho de ler os nomes dos que fizeram o trabalho, todos obtiveram a nota máxima, mesmo quem nem havia entregue.

De quem é a culpa dessa incapacidade?

Existem diversas possibilidades de respostas e de teorias viáveis, mas acredito que todas possam ser corretas ou, pelo menos, ter algo de verdadeiro, porque em um país como o Brasil, esta cada dia mais difícil encontrar respostas no meio de tantos problemas que surgem a cada instante.

Alunos preguiçosos + Professores incapacitados + Informação instantânea = Problemas educacionais gravíssimos.

Mas, voltando um pouco ao inicio do texto. As pessoas sentem vontade de ler, mas ficam cansadas, não conseguem se concentrar e, então, desistem de ler. Nunca receberam nenhum incentivo a leitura. A única forma de leitura que muitos conhecem é aquela obrigatória nos tempos de escola e, tenho de enfatizar isso, não é nada agradável, em especial, aos olhos de crianças e adolescentes. Sei que esse assunto já foi amplamente discutido e comentado por aqui, mas não há como fazer um paralelo entre educação, livros e internet sem falar sobre a literatura brasileira.

Nossa literatura vem de uma safra não muito boa de escritores. Vivemos em um país que Paulo Coelho vende milhões de livros no mundo com toda a sua superficialidade. Mas não é o assunto da qualidade que quero abordar. Os livros atuais tentam reproduzir aquilo que foi escrito na época de Machado de Assis, José de Alencar, etc., e isso é impossível! Hoje necessitamos de histórias mais envolventes e interessantes, não que isso não exista naquela época, mas estamos em uma nova geração, e essa cresceu com Harry Potters e afins. A geração atual precisa de fantasia, precisa desligar-se do mundo e histórias como Capitães da Areia, de Jorge Amado, ou Memórias de Um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida, não conseguem fazer isso, pois são personagens reais e palpáveis. Você visualiza-os facilmente no mundo em que vivemos e, até mesmo nos dias de hoje, existe a possibilidade de trazê-los sem perder a base da história. E isso não é agradável para os jovens.

Mas o maior problema, acredito nisso com todas as minhas forças, ainda é a falta de estímulo a leitura. Porque aqui alguém realmente acredita que um adolescente iria se sentir feliz por ser obrigado a ler a saga do Senhor dos Anéis e ter de fazer uma prova sobre o assunto? Creio que não.

Em especial, as escolas não possuem um planejamento de incentivo a leitura e, porque não, a pesquisa. E considerando a personalidade instável e rebelde de crianças e adolescentes, não é interessante obrigá-los a fazerem algo, pois os resultados serão desastrosos. Resumos e resenhas são facilmente encontradas por aí. Trabalhos prontos também.

“Mas o que devemos fazer então? Quais os caminhos que podemos seguir?”

Creio que independente de incentivo escolar, do governo e de qualquer agente externo, todos nós podemos fazer a nossa parte. A família desempenha um papel muito importante na educação das crianças e ai é que entra a possibilidade de incentivo a leitura. Ambienta-los desde cedo com materiais adequados para cada idade é um excelente inicio, ler histórias para eles atuará diretamente na imaginação e criatividade da criança e ambos são ótimos estímulos, aumentando a curiosidade futura delas, que irão desejar ainda mais novidades.

Mas, à partir de certa idade, principalmente após as crianças aprenderem a ler, se faz necessário uma nova tática. Livros curtos e com muitas imagens e quadrinhos infantis, apesar das poucas opções existentes hoje no Brasil, serão ideais para a continuidade do trabalho. Mesmo que ela não tenha tido a fase explicada no parágrafo anterior, sempre é possível começar a trabalhar a leitura delas.

No inicio da adolescência já faz necessário aumentar o nível das leituras. Livros maiores, textos complexos e poucas gravuras são boas opções (li vários livros da série Vagalume, hoje não sei como anda essa coleção e nem se existe uma similar, mas é bastante recomendado!), além de livros mais “adultos” como Crepúsculo (ECA! Mas foi o que fez com que minha irmã inicia-se na leitura.), Harry Potter, Percy Jackson e Crônicas de Nárnia.

Seguindo essa linha, poderão ter resultados interessantes e assim ir, gradativamente, acabando com o fardo da leitura obrigatória e, consequentemente, se tornarão adultos leitores assíduos, sendo mais críticos e de opinião própria.

Por isso digo a vocês: LEIAM E INCENTIVEM A LEITURA!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Avatar FiliPêra

E a nossa promoção do Dia da Toalha segue…

 

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Como você viu AQUI, está rolando uma das nossas melhores promoções ever! E esse post é só pra lembrar que, mesmo com o Dia da Toalha tendo sido ontem, a promoção continua até às 23:59 de sexta feira, dia 28! Então, sinta-se livre para mandar sua foto criativa usando toalhas. A melhor leva a miniatura da Millenium Falcon e a segunda melhor leva a X-Wing.

Agora, fiquem com as fotos meia boca que tirei para verem os prêmios!

 

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PS: Como havia dito, meninas saindo do banho enroladas em uma toalha, têm mais chance de ganhar. E isso é sério!

Avatar Murilo

Direitos e deveres dos nerds

 

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Hoje a palavra nerd praticamente perdeu o sentido depreciativo. Estamos cada vez mais populares e o alcance da expressão aumentou mais e mais, chegando até a uma certa banalização. Hoje, filmes inspirados em quadrinhos se tornam campeões em bilheteria, existem lojas especializadas em moda nerd, a indústria de games desbancou a cinematográfica como a mais lucrativa, há uma lista de mangás mais vendidos do New York Times, a fantasia se tornou o gênero literário mais popular do mundo e hoje temos 6 mil acessos diários. Essas são provas da força nerd no mundo atual.

Por isso, nada melhor do que darmos uma olhada no Manifesto com os direitos e deveres de todos os nerds pelo mundo.

DIREITOS
1. O direito de ser ainda mais nerd.
2. O direito de não sair de casa.
3. O direito de não gostar de futebol ou de qualquer outro esporte.
4. O direito de se associar a outros nerds.
5. O direito de ter poucos (ou nenhum) amigo.
6. O direito de ter tantos amigos nerds quanto quiser.
7. O direito de não ter que estar “no estilo”.
8. O direito ao sobrepeso (ou subpeso) e de ter problemas de vista. – Uso óculos e tenho amigos que se orgulham do seu peso.
9. O direito de expressar sua nerdice.
10. O direito de dominar o mundo.

DEVERES
1. Ser nerd, não importa o quê.
2. Tentar ser mais nerd do que qualquer um.
3. Se há uma discussão sobre um assunto nerd, você tem que dar sua opinião.
4. Guardar todo e qualquer objeto nerd que você tenha.
5. Fazer todo o possível para exibir seus objetos nerds como se fosse um “museu da nerdice”.
6. Não ser um nerd genérico. Você tem que ser especialista em algo.
7. Assistir a qualquer filme nerd na noite de estréia e comprar qualquer livro nerd antes de todo mundo.
8. Esperar na fila em toda noite de estréia. Se puder ir fantasiado, ou pelo menos com uma camisa relacionada ao tema, melhor ainda.
9. Não perder seu tempo em nada que não seja relacionado à nerdice.
10. Tentar dominar o mundo! – Já estamos planejando isso.

É claro que esse manifesto não precisa ser levado tão a sério. Mas vale o registro aqui.

 

[Via Raphael Draccon]

Avatar Colaborador Nerd

Os Filhos De Anansi

Por Diego Jordan

 

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Fat Charlie é do tipo de homem que, embora seja amoroso e gentil, as mulheres o namoram na intenção de causar raiva à mãe, ou de estabelecer-se como uma dominatrix no casamento que provavelmente virá. Sua maior qualidade é um dom mal explorado para o canto. Charles Nancy, no entanto, é um homem com atitude, coragem e determinação, além de cantar bem pra caramba. Spider é capaz de causar amor e ódio, sendo mais fácil o ódio que amor; embora seja ele uma espécie de Dom Juan que, com uma única palavra, é capaz de fazer prostrar-se aos seus pés a mulher que desejar, disposta a romper com seus ideais de castidade antes do casamento. Spider canta melhor que Fat Charlie, mas não canta tão bem quanto Charles Nancy. Fat Charlie, Charles Nancy e Spider são os filhos do Sr. Nancy.

O Sr. Nancy vivia basicamente pescando. Com seu chapéu panamá verde ele se dirigia, quase todos os dias pela manhã, para o local de pesca mais próximo ou para o local que bem lhe desse vontade. Sr. Nancy estava no mundo dos seres humanos, e se existe algo que no mundo dos humanos é imprescindível para se viver é dinheiro. Ele não podia simplesmente estalar os dedos e fazer aparecer dinheiro, as coisas não funcionam assim, esse tipo de magia só existe nos livros. Quando Sr. Nancy precisava de dinheiro ele se dirigia até a loteria ou até o hipódromo mais próximo e apostava, e como todo deus da trapaça que se preze, ganhava. Não ganhava quantias exorbitantes, por que Sr. Nancy gosta muito de tranqüilidade, e fama não traz tranqüilidade pra ninguém.

Uma das coisas que o Sr. Nancy mais gostava de fazer, e fazia muito bem, era cantar. Todas as pessoas do bar que ele freqüentava sempre pediam para que ele cantasse nas noites de karaokê, ele se tornava quase uma celebridade; mas uma celebridade pequena, como eu disse, o Sr. Nancy não gostava da inquietude da fama. O que ninguém sabia, e que você só sabe porque eu revelei algumas linhas atrás, é que o Sr. Nancy na realidade era o deus-aranha da trapaça, que estava no mundo dos seres humanos porque andava muito cansado de conviver com seus semelhantes. No fundo, os semelhantes de Sr. Nancy, ou Anansi, como é mais apropriado, estavam todos com muita raiva dele, pois honrando o título que lhe cabia, tinha enganado, trapaceado e até mesmo comido, de todas as maneiras que sua mente puder imaginar, os seus semelhantes.

Quando Anansi veio para o mundo dos humanos, tratou de portar-se com um, não apenas assumindo a forma, mas assumindo o estilo de vida. Dentro disso, casou-se com uma mulher pela qual realmente nutria sentimentos e o fruto de seu casamento foi um filho. Como o nome do livro sugere é exatamente dos filhos do Sr. Nansi que o livro trata. O nome do menino que nasceu era Charles Nancy, apelidado pelo pai de Fat Charlie, isso por ter sido um pouco gordinho quando muito pequeno. Fat Charlie cresce sem gostar do pai; para ele, Anansi sempre foi uma espécie de algoz, fazendo-o passar por vários constrangimentos no decorrer da vida.

Imaginem vocês a surpresa de Fat Charlie ao descobrir, no dia do enterro do pai, que tinha um irmão, um irmão gêmeo. As coisas na vida de Charlie mudam demasiadamente; Spider, o seu irmão gêmeo, entrou na sua vida para mudar quase tudo, inclusive a forma de Charlie ver o mundo, e quase leva-o a loucura revelando a identidade sobrenatural do pai.

Usando de uma escrita simples, que flui de uma maneira imperceptível e que em certos momentos se porta como as mais antigas lendas, Neil Gaiman construiu uma obra que fala de coragem, atitude e determinação. Seu personagem é obrigado a aprender tudo isso, da pior maneira possível: jogado como um simples ser humano no centro de conflitos, além das meras atribuições humanas. Na composição da obra, Gaiman retrocedeu milênios e foi buscar nas antigas lendas e mitologias africanas os Deuses que vão dar tanto trabalho ao protagonista. Por falar em protagonista, eu pessoalmente gosto muito dele, um personagem muito cativante que vai lhe causar ódio no princípio do livro, porém, quando a célebre jornada do herói terminar, você verá a mutação de um ser que, entre deuses antigos e as piores espécies de seres humanos, conseguiu em algum momento ter discernimento da vida que tinha e, à partir daí, tomar as decisões para transforma-se em um novo homem.

 

O autor do livro é Neil Gaiman, você provavelmente já o conhece, se não, eu sugiro que assista ao Pipoca e Nanquim sobre ele, está aqui no NSN alguns posts abaixo. Os caras falaram de toda a vida e obra dele, o programa é excelente e indispensável para aos fãs de Neil Gaiman. Para quem não conhece, vou fazer uma pequena introdução à vida e obra dele e depois você corre lá pra ver o programa. Neil Gaiman é Inglês, é formado em Jornalismo, adora gatos, tem uma estranha plantação de abóboras e só se veste de preto - eu pelo menos nunca o vi vestido de outra cor. Sua obra mais conhecida, e indispensável para qualquer fã de quadrinhos, é Sandman, que para muitos é também sua melhor produção.

Os quadrinhos deram destaque para Gaiman, mas não são seus únicos trabalhos. Nos últimos anos ele tem se dedicado muito a literatura, principalmente aos livros infanto-juvenis, que, diga-se de passagem, são ótimos, e um tanto assustadores para o público-alvo. Destaque para Coraline, e o recentemente lançado aqui no Brasil, O Livro do Cemitério, este que, como o título sugere, tem como referência o clássico O Livro da Selva. A verdade é que mesmo que você não tenha a informação de que Gaiman também escreve livros, basta ler algum quadrinho dele, principalmente Sandman e seus derivados, para saber que se está lendo algo de um grande escritor.

Seus quadrinhos destilam uma poesia muito forte. Dos livros que lançou, e que saíram aqui no Brasil, eu dou destaque para Deuses Americanos, quase um clássico moderno (ou um, depende do seu ponto de vista), com a participação do mesmo Anansi, do livro que vos falo. Quem tentar comprar Deuses Americanos aqui no Brasil só o conseguirá em sebos, o livro esta esgotado em tudo quanto é buraco já faz algum tempo.

Para encerrar, Os Filhos de Anansi é um livro que deve estar na lista de todo e qualquer fã de Neil Gaiman. E para aqueles que gostam de uma boa história com fantasia e deuses, a magia neste livro é algo que eu acho simplesmente fantástico; ela é curiosamente familiar, chega a parecer completamente real, nada de coisas luminosas saltando de varinhas ou das mãos de um ser qualquer, mas das coisas que nos rodeiam cotidianamente se dobrando a vontade das palavras, ou melhor, da música.

 

Esta história começa, assim como a maioria das coisas, com uma musica.

Afinal de contas, no começo havia as palavras, e elas vinham acompanhadas de melodia. Foi assim que o mundo foi feito, que o vazio foi dividido e que a terra, as estrelas, os sonhos, os pequenos deuses e os animais vieram ao mundo.

Eles foram cantados.

Os Filhos de Anansi, Neil Gaiman

Os Filhos de Anansi

383 Páginas

Nota: 8


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