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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Avatar FiliPêra

Florence and The Machine lança duas novas músicas e… bom, ouça aí que vale a pena

 

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Depois de fazer sucesso com o ótimo álbum Lungs, Florence Welch, vocalista da banda Florence and The Machine, lançou dois singles do novo álbum do grupo, chamado Ceremonials. Se for tão bom quanto Lungs, uma mistura explosiva da voz de Florence, com sons cadenciados, com muita percussão, vocais líricos e essas coisas que levaram a classificar a artista de “alternativa”, vai render um discão.

E pelas duas músicas divulgadas - What the Water Gave Me e Shake It Out -, a artista vai manter a escrita. O único ponto negativo é capa de Ceremonials, que achei fraca, mesmo sendo uma referência as antigas atrizes atrizes de Hollywood, da década de 1920.

Ceremonials será lançado em 31 de outubro Dia das Bruxas nos EUA.

 

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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Avatar Colaborador Nerd

WILCO WILL LOVE YOU

Por Jenny Taylor

 

Wilco (1)

“Quando falei para os meus amigos que iria fazer uma matéria sobre vocês, dez deles falaram: Nossa como você tem sorte! E outros dez perguntaram: O que é um Wilco?”

A fala não é minha e sim de uma repórter da CBS, mas é extremamente verdadeira. Wilco é o mais bem guardado segredo da música, a banda desconhecida mais conhecida em atividade. São 8 álbuns, algo em torno de 4 milhões de cópias vendidas e 2 mil shows feitos (sempre lotados).

Mas afinal, o que é um Wilco?

Em 1987 muitos de vocês ainda nem tinham nascido, mas em Belleville, IL, três jovens rapazes formaram o Uncle Tupelo, e sem muita pretensão, Jay Farrar, Jeff Tweedy (todas grita de paixão) e Mike Heidorn não só formaram uma banda, mas criaram um gênero, o alternative country ou simplesmente alt country. Pegaram o punk rock que ouviam, misturaram com o country que seus pais ouviam e voilá... história sendo feita.

A banda manteve-se até 1994 com relativo sucesso, principalmente entre os apreciadores de country e americana (para quem desconhece, Americana é a fusão entre ritmos tradicionais americanos como folk, blues, bluegrass, country e outros). Mas as coisas iam mal entre os meninos. Jay e Jeff não se entendiam mais e resolveram que era hora de cada um seguir seu caminho e 4 álbuns depois, os meninos de Illinois, que chamaram a atenção pelo que fizeram com a música country estavam sem ter o que fazer.

Ai sim, chegamos na parte em que eu explico o que é um Wilco. Jay juntou uma galera e criou o Son Volt (que eu, particularmente, gosto bastante também, mas deixemos para outro dia) e Jeff... bom, Jeff criou um.... vejam só que coisa... um Wilco. Antes que perguntem, Wilco é uma expressão usada na aviação, abreviando “will comply”.

O primeiro álbum, A.M., saiu ainda em 94 e era sem dúvida uma extensão do Uncle Tupelo. Não há praticamente diferença alguma entre os trabalhos. Já no segundo álbum, Being There, que é duplo, as coisas acenavam para uma mudança.

 

O terceiro, Summerteeth, consolidou essa mudança, enquanto Jeff tinha problemas no casamento (infelizmente não se divorciou, mas sigo na esperança) escreveu músicas mais pesadas, mais densas. Enquanto lançavam Summerteeth, trabalhavam em outro projeto, o Mermaid Avenue I e II, numa lindíssima parceria com o cantor Billy Bragg, onde gravaram canções inéditas da lenda folk, Woody Guthrie. Dessa parceria nasceria a primeira indicação do Wilco a um Grammy.

Mas seria em 2002 que o Wilco finalmente mostraria ao mundo com quantos analgésicos se faz um grande disco. Yankee Hotel Foxtrot foi como um bar mitzvah, onde os meninos deixaram de ser meninos e viraram homens. Só que com a vida adulta, vêm os problemas de adultos, a gravadora começou a apertar os rapazes por que nenhum prazo estava sendo cumprido e muito dinheiro sendo gasto, as tretas começaram a rolar e um Jeff cada vez mais dependente de analgésicos (Tweedy sofre de enxaquecas crônicas desde criança, chegando a fazer shows com um balde do lado para poder vomitar de dor, começou a abusar dos remédios, mas tá tudo bem agora depois de um período na rehab) começou a criar pequenas obras primas contemporâneas, como Ashes of American Flags e I’m Trying to Break Your Heart. Mas é aquela velha história: homens planejam, Deus ri. E quando o disco finalmente ficou pronto, a gravadora simplesmente se negou a lançar, por que era muito experimental e diferente do que eles faziam e a banda ainda foi gentilmente convidada a se retirar do cast do selo. Mas eles não se apertaram, logo a Nonesuch Records viu que tinha potencial pra caralho naquele trabalho e lançou o que a Reprise burramente chutou.

 

Hoje, Yankee Hotel Foxtrot é considerado um clássico moderno, incluso na lista dos 100 maiores discos da história pela Q Magazine e ainda a maior vendagem da banda.

Quem tiver interesse de ver essa treta toda pode procurar nas melhores lojas da internet, o documentário I’m Trying to Break Your Heart – A Film About Wilco. Sim, eles têm até documentário e você aí se perguntando o que é um Wilco.

A banda cresceu, amadureceu, e agora podia experimentar a vontade que todo mundo já sabia que sairia coisa boa. E o quinto álbum, A Ghost is Born, foi lançado. E Jeff finalmente foi se tratar para poder receber o primeiro Grammy da banda por melhor disco de música alternativa. No mesmo ano lançaram o Kicking Television: Live from Chicago, nome auto-explicativo né?

A rehab do frontman e compositor é um divisor de águas na história e no estilo da banda. É a hora que eles viram respeitáveis senhores, responsáveis pais de família e dedicados servidores de seus fãs. Wilco existe pros fãs, para os fãs e pelo fãs, e eles têm total noção disso. Exatamente por causa disso, são considerados umas das melhores bandas para se ver ao vivo. Também se tiverem interesse podem procurar por aí o Ashes of American Flags, que documenta uma turnê deles. Totalmente excelente! De se emocionar e pedir um abraço.

Sky Blue Sky, o sétimo disco veio menos experimental, mais sossegado, livre de remédios, livre de crises de pânico, livre de tretas entre os integrantes.

O oitavo e último disco chamado somente de Wilco é um presente, uma declaração de amor aos fãs. Wilco will love you, baby diz uma das músicas. É a coroação de quase 15 anos de dedicação e amor a música. A peça final num processo longo e por vezes doloroso de amadurecimento.

Wilco ainda é um segredo bem guardado da música, um incrível compositor com um vocal que segundo o próprio não passaria da primeira fase de American Idol e 8 belíssimos álbuns (aguardamos ansiosos pelo nono, agora em Setembro). Mas como eles conseguem fãs fiéis (depois de mim, Barack Obama é o mais famoso) e shows lotados, o próprio Jeff Tweedy explica: “Nós nos vendemos da forma mais antiga que existe, porta a porta.”

 

 

P.S já expliquei o que é Wilco. Não me peçam pra explicar o cabelo do Jeff por que também nunca consegui entender.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

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Ace of Hz e White Elephant. Ou as duas músicas mais lindas do ano

 

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Fiquei umas três horas ouvindo White Elephant antes de conseguir parar pela primeira vez. Também pudera, lá se vão três anos desde que o Ladytron nos brindou com um álbum inédito, Velocifero. E pelas  duas músicas liberadas até o momento, Gravity The Seducer, o novo álbum do grupo, promete ser uma nova obra-prima no naipe de seu antecessor, e olha que estamos falando de um disco com músicas como Ghosts, Burning Up e Versus.

A primeira liberada foi Ace of Hz, que serviu pra matar a vontade dos fãs já em março. É uma composição clássica da banda, com vozes robóticas, clima retrô e uma paradoxo musical com bases eletrônicas dançantes, mas ao mesmo tempo deprês. Em resumo: é muito acima da média do que é feito no atual cenário eletrônico, e inclua aí totens do gênero como Client, The Knife e Zeigeist.

E terça feira passada o grupo lançou White Elephant, provavelmente uma das coisas mais lindas que você (e Eu) já ouviu na vida. Não vou ficar aqui quebrando cabeça pra tentar descrever como achei essa música uma pérola, por isso ouça abaixo. E se prepare: a música é tipo maconha, vai te deixar num estado letárgico de felicidade inexplicável.

 

Se não conhece Ladytron, Eu fiz um texto bem longo sobre toda a discografia da banda!

Gravity The Seducer deve ser lançado em 13 de setembro. O setlist já foi até liberado:

White Elephant
Mirage
White Gold
Ace of Hz
Ritual
Moon Palace
Altitude Blues
Ambulances"
Melting Ice
Transparent Days
90 Degrees
Aces High

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Avatar FiliPêra

[Listas] Os 10 Melhores Álbuns Musicais de 2010

As mesmas regras da Lista de Melhores Filmes tão valendo aqui: todos os álbuns estão ordenados por preferência, mas dessa vez não rolou o lance de trabalhar com diferentes sistemas de datas para tornar a lista melhor. Não coloquei links para download nem vídeos incorporados com músicas porque não eram resenhas individuais, mas é tudo facilmente achável no YouTube e no Pirate Bay.

 

 

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1 - The Suburbs (Arcade Fire)

Depois de um debút falando essencialmente de tragédias próximas - e que conseguiu ir contra a iminente volta do rock de garagem estilo Strokes, em 2004 -, e de um segundo álbum descendo ao lado mais negro das ideologias e das emoções humanas, sempre mantendo uma sonoridade única, cheia de camadas e vagueando entre diferentes estilos… o Arcade Fire encontrou a perfeição e o equilíbrio. Em primeiro lugar a banda mostrou que os tempos do mundo alternativo ficaram pra trás, e conseguiu acessar o mainstream causando um hype ainda maior que o lançamento de Neon Bible. E em segundo lugar conseguiu uma coesão temática intrigante, com um álbum longo que se aproxima do rótulo conceitual.

As músicas do álbum são basicamente inspiradas na infância de Win e William Butler - dois integrantes da banda - nos subúrbios de Houston, Texas. E mesmo se fixando em temas mais “pé-no-chão” e palpáveis - a vida e as crises dos que moram nos subúrbios -, a angústia e sofrimento característicos da sonoridade dos outros trabalhos do Arcade Fire ainda é bastante presente, bem como uma certa continuidade depressiva ascendente ao longo das músicas. O segredo para alcançar de vez a unanimidade foi unir o melhor dos dois mundos da obra que o Arcade já havia construído: uma construção sonora excitante e eclética de Funeral, misturado com o obscurantismo temático de Neon Bible. Daí saiu o equilíbrio!

Como ganhar o mundo mainstream tem o seu preço, alguns fãs logo reclamaram da fórmula mais pop que o grupo impôs a The Suburbs, e da diminuição de canções potencialmente mais instrumentais, caso das explosivas (e lindas) Wake Up e Intervention. Mas a simplicidade - um caminho inverso ao que bandas como o Radiohead e o Muse trilharam em seu terceiro trabalho - do trabalho figura triunfante como uma pérola. É só ouvir musicões como a movimentada Empty Room, a semi-roqueira Month of May e a melhor do álbum, We Used to Wait, que é a melhor mostra da “nova” sonoridade do grupo; e um exemplo perfeito pra sacar que essa masturbação linguística de o “experimentalismo se foi com a chegada do pop” vai embora quando a arte do Arcade Fire entra em cena.

 

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2 - Maximum Balloon

David Sitek pra mim é um dos três produtores mais importantes dos EUA, junto com Josh Homme e Danger Mouse. Enquanto integra o TV On The Radio e produz gente do naipe do Yeah Yeah Yeahs, Sitek decidiu produzir um álbum só dele… bem, mais ou menos. Como alguém que deu idéias pra alguns dos melhores e mais importantes trabalhos musicais da atualidade, Sitek - um produtor, tecladista, guitarrista, fotógrafo - resolveu que não faria uma festa solo e convidou uma trupe de coadjuvantes de primeira. O resultado é uma mistura de rock, blues, eletrônicos… ou seja: um TV On The Radio com ainda mais diversidade e influências sonoras.

O álbum é um passeio movimentado e às vezes excêntrico, provavelmente porque nunca precisará ser executado ao vivo, deixando Sitek livre para encher tudo com experimentações acachapantes com camadas de sintetizadores e bastante força instrumental. Começa suingado com Grooove Me, que apesar de não ser espetacular, é uma excelente abertura; mais pra frente aparece a ótima Abscence of Light, embalada pelos falsetes de Tunde Adebimpe, do TVOTR - o outro vocalista do TVOTR, Kyp Malone, solta a voz na faixa Shakedown. O álbum mostra que realmente não é mais do mesmo na linda e dançante If You Return, cantada com paixão pela japinha Yukimi Nagano, vocalista do excelente Little Dragon. O restante vai seguindo esse ritmo hipnotizante com David Byrne cantando Apartment Wrestling - repare em como Sitek é habilidoso ao emular um som característico do Talking Heads, banda de Byrme -, Karen O. berrando contidamente em Communion e Aku Orraca-Tetteh ajudando a tornar Tiger uma porrada sonora.

O poder instrumental ganha ares de beleza na homenagem de Sitek a lindeza e solidão do trip hop na também ótima Lesson, com vocais de Holly Miranda, e na doce Pink Bricks, embalada pela voz de Ambrosia Parsley, que encerra com chave de ouro a viagem musical mais divertida e consistente de 2010… ideal para esperar um sucessor do excelente Dear Science, último álbum do TV On The Radio.

 

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3 - Happiness (Hurts)

O Hurts é um duo de brit pop com forte pegada eletrônica. É daqueles sons que começam no alternativo, mas quando a grande mídia descobre, cai no gosto de qualquer um, sem exceção. Aqui no caso eles estouraram com a balada retrô-romântica Wonderful Life e logo entraram pra lista de trends musicais da BBC ano passado. A estrutura básica vocal-sobre-sintetizadores aliado a diretores cult a frente de videoclipes artisticamente rebuscados só serviu para espalhar o som do Hurts como o Evangelho em Roma.

Wonderful Life é a mais perfeita mostra do que é Happiness: pode-se dizer que todo o álbum é romântico, bem como levado por uma sonoridade do eletropop oitentista, que ecoa até no visual cuidadosamente trabalhado da dupla. Como disse o vocalista Theo Hutchcraft, a música do Hurts é como um Yin Yang, com camadas pesadas e obscuras aliadas a uma sonoridade cristalina. É tudo bem simples aqui, mas com letras profundas e existencialistas, aliado a um som cheio de influências de primeira.

O álbum é apaixonante do início ao fim. Ouça a épica e semi-sensual Better Than Love e veja como é impossível ficar parado ante ao que o Hurts arranca de camadas de instrumentos escolhidos a dedo. Devotion, por sua vez, traz um duo com Kylie Minogue e o resultado é lindo. Silver Lining conta com vocais quase celestiais de tão bonitos, enquanto Water, levada por um piano inspirado, é perfeita para ouvir a dois. O conjunto de músicas continua com essa pegada melancólica e romântica, e o Hurts se mostra forte até mesmo quando chega perto de um deslize, como por exemplo em Verona, que fecha o álbum de forma parecida com a que um padre termina uma missa.

 

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4 - Treats (Sleigh Bells)

Treats é o álbum mais violento, barulhento e ritmado dessa lista. É daqueles de tirar a concentração de qualquer um, de ferver os ouvidos e chacoalhar o cérebro. Se fosse pra rotular, diria que é um electro-punk, tanto devido a crueza com que a sonzeira sai das caixas, como pela pequena - mas marcante - preocupação estética de cada música, faixas com nada mais do que quatro minutos.

O grupo nasceu da união de Derek Miller - que era integrante do pancadão Poison The Well - e da gatinha Alexis Krauss - que emprestava sua linda voz ao RubyBlue, um grupeco teen praticamente desconhecido. O Sleigh Bells é justamente isso: a doçura da voz de Alexis com uma sonzera de torrar os fones de ouvido tecida por Derek, e é justamente sua curta duração e suas (poucas) variações sonoras que permitem que o álbum escape de ser enjoativo, ou mesmo seja esquecido depois de uma semana nos iPods alheios.

Motivos pra comprovar isso são fáceis. Pra começar, coloque pra tocar a demolidora Crown On The Ground no último volume e tente manter a sanidade. Depois experimente a sensualidade pop estilo-Peaches de Rachel, e depois retorne até Kids, que ecoa influências do som da M.I.A., que produziu o grupo. O restante das músicas vai margeando por diferentes estilos. Enquanto Run the Heart, por exemplo, se aproxima do synthpop, o encerramento do álbum, Treats, é pra lembrar mais uma vez do poder do Sleigh Bells e te fazer pular até a alma pedir perdão.

 

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5 - High Violet (The National)

O The National é um Coldplay que deu certo. Ou seria o inverso: o Coldplay é um The National excessivamente enjoado e com um Chris Martin e sua voz anasalada de cansar qualquer cidadão nos vocais. O som é sombrio, de certa forma classudo, cuidadosamente trabalhado, e acima de tudo romântico. É raro um grupo de torturados pelo amor - e que abrem um álbum com uma música chamada Terrible Love - conseguir fazer algo sonoramente tão rebuscado e de qualidade tão alta, e esse deve ser o principal ponto a favor do grupo comandado por Matt Berninger.

Após Terrible Love vem Sorrow, que já disputa o título de melhor do álbum. A certeza é a de álbum pesado, catártico, mas paradoxalmente melancólico, pra se ouvir sozinho e num estado de espírito adequado - perto da fossa. A próxima música superlativa é Little Faith, mais uma vez lenta e melancólica, com um instrumental arrastado e um baixo mais vivo do que na maioria das outras bandas. As músicas trabalham em conjunto também. Anyone’s Ghost mostra alguém na fossa completa e em crise existencial (Didn't want to be your ghost / Didn't want to be anyone's ghost) enquanto Little Faith mostra a chance de uma volta por cima (I set a fire in a blackberry field / Make us laugh, or nothing will).

Apesar de ser um disco quase solitário, ainda há espaço para a presença brilhante do excelente  Surfjan Stevens, que aparece cantando magistralmente em Afraid Of Everyone. Bloodbuzz Ohio mostra uma bateria contagiante e um clima “pra cima”, ao passo que Conversation 16 é outra que disputa o título de melhor do disco. Tudo se encerra com um otimismo temerário em Vanderlyle Crybaby Geeks, mas High Violet continua sendo um disco triste, parido por um coração magoado e com pouca fé na humanidade. E por isso tão belo.

 

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6 - Hidden (These New Puritans)

Os artistas classificados como pós-punk sempre foram bastante ojerizados, principalmente pelos bons e velhos punks, que aparentemente nunca viram com bons olhos essa explosão de um certo intelectualismo subjetivo nas músicas deles, bem como a negação de um leque de limitadas variações musicais. Mas, assim como seus parentes de jaqueta de couro e calça rasgada, os pós se atêm a uma pegada faça-você-mesmo aliado a um experimentalismo que quase sempre beira o vanguardismo.

O These New Puritans - ou simplesmente TNP - talvez seja o mais próximo que um grupo classificado como pós-punk pode chegar a perfeição na atualidade. Eles e o povo do Snowman, que é menos profícuo do que deveria. Se o álbum anterior do grupo, Beat Pyramid, foi subestimado, justamente por ter caído no pecado de querer atirar para todo o lado, Hidden apara as arestas e o excesso de criatividade e acrescenta uma bem vinda polidez a jogada, tornando o trabalho final coeso e épico, quase apocalíptico. É pra fazer qualquer fã do Animal Collective virar a cara de inveja.

O álbum já começa com a épica We Want War, com batidas poderosas e um clima épico que resume todo o restante do disco. Vocais assustadores, sons indecifráveis e um certo progressismo também se juntam aos mais de sete minutos da música. Three Thousand, a música seguinte, é sombria, além de desaguar na chatinha e quase gospel Hologram. Mas ela compensa pela sucessora: Attack Music, o mais próximo de um hit que um álbum tem, com assustadores vocais infantis e uma pegada próxima do acid das pistas de dança. Fire Power volta com ainda mais energia incendiária e Orion entrega mais uma musicão épico com uma óbvia influência “espacial” e mais back vocais quase gospel. O Radiohead ainda serve como influência na penúltima White Chords.

Som denso, mesclando passado, presente e futuro com uma sonoridade única e eclética, cheia de camadas, excelente pra ouvidos atentos e exigentes. Deve ser o mais próximo que as futuristas batidas eletrônicas vão chegar da música clássica. Coisa de inglês.

 

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7 - Brothers (Black Keys)

Sempre que lança algum álbum, o duo Black Keys é tratado como iniciante, o que é um erro tremendo. A dupla de blueseiros foi formada em 2001 e já lançou cinco álbuns, um melhor do que o outro. Logo que despontaram foram comparados ao White Stripes, o que não de todo errado, principalmente pela estrutura minimalista vocal-guitarra-bateria. Não à toa gente do naipe de Josh Homme (Queens of the Stone Age), Thom Yorke e Johnny Greenwood (Radiohead), e Kirk Hammet (Metallica) são fãs confessos da dupla.

Em Brothers, provavelmente o melhor trabalho da dupla, eles contaram com a colaboração de Danger Mouse, o que só elevou a qualidade de tudo. A sonzera, à primeira audição, parece coisa de uma banda inteira, o que sempre leva à surpresa quando se descobre tratar de dois músicos. Esse poder é logo mostrado na pesadona e arrastada Everlasting Light, a faixa de abertura. São três minutos de um baixo forte, bateria só marcando compasso e um vocal que parece ter saído diretamente dos anos 50.

Next Girl mantém e forma uma dupla perfeita com Tighten Up. Apesar de energéticas, as músicas ainda mantém uma pegada arrastada, quase melancólica, o que as colocam em praias diferentes do White Stripes… tá mais pra um Motown com elementos do T-Rex. Duas faixas depois chegamos a possível melhor do álbum: The Only One. A música é pura sensualidade, com um vocal quase andrógeno e um predomínio de guitarras e um baixo mais apagado. A música é tão linda que merecia uma resenha só dela, misturando rock clássico - especialmente Led Zeppelin - com fortes injeções de black music. O único ponto fraco vai pro tamanho do álbum, que lá pela segunda metade soa um pouco cansativo com suas 15 faixas.

Mas o resultado é por demais coeso, divertido e climático pra ser relegado pelo defeito de excesso de preciosismo. Mas fica para a próxima o Black Keys lançar sua obra-prima inesquecível.

 

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8 - The Monitor (Titus Andronicus)

Em um ano com discões de electro, synthpop, indie e uma variedade de outros estilos, esse The Monitor é o mais true rock de todos os álbuns dessa lista. Coisas de tempos em que o rock absorve cada vez mais influências externas e ganha elementos cada vez mais híbridos e indistinguíveis, uma herança do pioneirismo de OK Computer.

O Titus é o mais próximo que um grupo de rock americano vai chegar do folk rock dos irlandeses que integram bandas como o Flogging Molly. Muito disso pode ser visto de cara na pretensiosa e divertida faixa de abertura: A More Perfect Union. São sete minutos de guitarras matadoras, gravações de rádio e um vocal acelerado narrando batalhas da Guerra de Secessão.

Num primeiro momento, o virtuosismos às avessas do Titus pode incomodar. Desafinadas constantes, microfonias, guitarras fora do ritmo e todo o tipo de estranheza que parece sair de bêbados veteranos tocando numa festa de uma comunidade pobre. Mas os ouvidos logo se acostumam e a vontade é sair batendo cabeça lá pelo quarto minuto da primeira música. O nome do álbum de cara é uma referência ao navio USS Monitor, um dos navios de guerra pioneiros da terra da banda, Nova Jersey.  O disco parece a narração de guerra feita por adolescentes desencantados com a vida e com a decadência da vida nos EUA. Parece uma metáfora para o espírito aventureiro e independente do Andronicus, que usou sua liberdade para tecer canções gigantescas, um álbum longo e com intensas variações de ritmo, além de cimentado por uma temática intensa.

O resultado é um dos maiores petardos do ano, uma espécie de Trail of Dead de raiz. Perfeito para lembrar como o rock ainda mantém-se intacto em sua qualidade.

 

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9 - Crystal Castles

Outro duo na lista. Se o Titus Andronicus é o mais true rock de todos, esse segundo álbum homônimo do Crystal Castles é o mais true electro. O nome é uma referência a um clássico jogo de Ataria de 1983, e a sonoridade parece saída diretamente da mistura do Klaxons com trilhas sonoras de games 8 bits. O resultado é divertido e descompromissado, e às vezes um bate-estaca de tremer os tímpanos.

O peso e a densidade dos samplers deixa pra trás muita bandinha que lambe o título de new rave com vontade. Ouça Doe Deer e Baptism e comprove. Year of Silence, a próxima e uma das melhores do disco, ganha toques sombrios com vocais que mais parecem saídos da boca de um comandante da SS. O conjunto é muito mais maduro que o álbum anterior da dupla. Empathy parece saída diretamente de um jogo de Super Nintendo, com a vocalista Alice Glass distorcendo sua voz até o limite, além de duplica-la com back vocais. Vietnam tem umas batidas tribais e menos aceleradas no melhor estilo M.I.A. e não faria feio num dos primeiros álbuns da cingalesa, e as últimas três pedradas do disco assumem tons mais oníricos e menos marcados.

O intrigante é que pelas aparências algo assim poderia não funcionar ao vivo… mas a verdade se mostra exatamente inversa. Alice parece eletrificada a 220V enquanto pula, e Ethan comanda a picape com vigor - além de um baterista que eles chamam só pra apresentações ao vivo. Ao final, a imagem que se tem é que o Crystal Castles evoluiu com relação ao seu álbum anterior, apesar de na essência continuar com a explosão electro dos tempos do 8 bits.

 

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10 - The Fool (Warpaint)

Quem ouviu o EP Exquisite Corpse do Warpaint provavelmente não levou o quarteto tão a sério como deveria. Apesar das boas intenções e das músicas ótimas, o EP soou por demais cru aos audiófilos de plantão, mas conseguiu chamar a atenção para a banda das meninas de Los Angeles, além de arrancar vários elogios dos blogs mais antenados. Esse The Fool apara as arestas do som de Exquisite, acrescenta uma camada mais pop e abandona a crueza anterior. Parte da evolução se deve a Andrew Weatherall, que trabalhou na mixagem do clássico da psicodelia: Screamadelica, do Primal Scream - se bem que Exquisite foi mixado por John Frusciante, outro excelente músico. Um trabalho mais profissional simplesmente gerou uma melhora sonora e isso foi o bastante pro Warpaint e terminou num resultado logo classificado como art rock.

O som é leve, climático, delicado até, e carregado de uma instrumentação orgânica, algo como uma mistura de Cat Power com Flaming Lips. Os vocais são doces, sobrepostos e os efeitos de pós-produção não transmitem a sensação de superficialidade comum nos dias de hoje. A beleza das canções do grupo começa logo na primeira faixa do disco: Set Your Arms Down. Apesar dos elementos vívidos do rock presentes nos cinco minutos da música, o clima quase chega ao jazz. É daquelas músicas que se ouve num bar mais intimista e se levanta pra perguntar quem tá tocando.

O conjunto é dark e sensual, mas alguns reclamaram de previsibilidade em comparação ao experimentalismo de Exquisite Corpse, o que me parece injusto. Talvez The Fool só sofra da ausência de um hit, aquela música que não desgruda da cabeça - o que é sempre uma faca de dois gumes, no fim das contas. Mas essas especulações se dissipam ao ouvir pérolas lindas como Undertown e Shadows, com seus vocais duplos e guitarras arrastadas.

O Warpaint é a prova definitiva que o coração pode ser colocado acima de virtuosismos técnicos às vezes no rock.

 

Menções honrosas:

Crazy for You (Best Coast)

Broken Bells

Leave Your Sleep (Natalie Merchant)

Sea of Cowards (The Dead Weather)

The Essential (ERA)

sábado, 11 de dezembro de 2010

Avatar FiliPêra

O mestre Morricone (UPDATE)

 

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Depois de muito tempo, atendi o chamado do Sandir Leonardo e escrevi um texto para o Protocolo Nerd sobre Ennio Morricone, simplesmente o maior compositor de trilha sonoras na opinião desse humilde escritor. Para ler o post, é só clicar na imagem ou AQUI!

PS: São 1:08h da manhã e o Protocolo está fora do ar… se ele ainda estiver nessa situação, paciência! Pronto galera, depois de um longo inverno, o Protocolo tá no ar de novo, podem ler à vontade!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Avatar FiliPêra

David Lynch em dose dupla

 

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David Lynch tem um estilo ame ou odeie bem peculiar: demora pra você decidir se gosta dos trabalhos do cara ou não! Eu definitivamente gosto, ele no mínimo é bem criativo no que faz, e ainda cria climas pesados como ninguém. Estranho é uma palavra que geralmente pode definir o trabalho dele. E a estranheza está presente na tal dose dupla do título!

Em primeiro lugar devo dizer que nunca pensaria em Lynch fazendo música. Ainda mais música linear, para usar um termo que não combina com ele. Mas assim ele o fez, lançando duas músicas ontem de excelente qualidade e sem o progressivo estilo punheteiro que todo o mundo devia tá esperando de uma composição dele - se bem que pela composição de seus filmes dava pra saber que isso não rolaria. São duas pérolas eletrônicas de estilos razoavelmente diferente. Good Day Today parece um synthpop no estilo Ladytron, e I Know já puxa pro lado mais pesado de um Portishead mais pesado e climático. Coisa fina.

As duas foram colocadas à venda na iTunes Store, o que significa que você tá de fora da jogada e não pode compra-las. Mas é só dar o play abaixo e ser feliz. Segundo informações do Omelete as duas músicas fazem parte de um álbum que será lançado em janeiro de 2011.

 

Good Day Today
I Know

A outra notícia relacionada ao diretor topetudo diz respeito a um desafio que o Warren Ellis fez na comunidade dele: os membros do fórum deveriam fazer postêres do filme Homem-Aranha caso ele tivesse sido dirigido por David Lynch. Algumas artes você vê abaixo:

 

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[Via Omelete e Comics Alliance]

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Avatar Colaborador Nerd

Alucinação e Febre - uma resenha intimista sobre Fever Ray

Por Synthzoid, do Nerdexploitation, Geekeria, Alucinação Coletiva

 

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Estou acessando o youtube The Knife – Silent Shout, um show, filmado da platéia, através de um celular, uma dupla, no distante palco, se apresentam, suas silhuetas são idênticas, estatura mediana, trajavam uma capa preta e uma daquelas máscaras, um sintetizador começa a tocar, um show de luzes, uma viagem lisérgica ruim, o refrão sob uma voz feminina, fantástica: “a cracked smile and a silent shout”, um deja vu sinistro. Algum tempo atrás, hit de verão, What Else Is There?, não fazia idéia de quem era aquela voz, perene em frente inúmeros remixes, quem era ela? Qual seriam suas inspirações? O que faz dela uma cantora tão especial?

Fui descobrir tempos depois, quase por acaso, durante uma conversa despretensiosa com uma amiga, ela falou: “Escuta isso, Roberto, acho que você vai gostar”, e um link do youtube se abriu, o título? Fever Ray – When I Grow Up.

 

Explicar aquele clipe, de início, foi complicado, quase platônico, aquela moça, vestida como uma xamã urbana, cheia de penduricalhos, em um desolador quintal de casa americana, na beirada de um trampolim, dançando um butô crescente, conforme a música chega a seu ápice. A sensação foi muito próxima do ápice de uma brisa narcótica, foi mesmerizante, em nível técnico e intimo, sexual, esotérico, estava acostumado com boa música, mas a mensagem do clipe me atingiu de forma hipodérmica, clara e sincera, naquele dia, eu me lembro de ter revisto mais duas vezes.

Só depois fui descobrir que tal clipe nem era o single do EP de nome homônimo, e que a idealizadora do projeto, a sueca Karin Dreijer Andersson, era a responsável pela voz que me encantava tanto.

Não demorou muito pra eu achar um torrent e baixar o EP completo, e outra surpresa veio dali, a arte da capa, toda escura, com vegetações distorcidas e uma caricatura de Karin, uma referência ao traço de Charles Burns, autor da inquietante HQ Black Hole.

 

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Inquietante, talvez seja esse o termo que defina o feeling do álbum, canções como If i had a Heart e Keep the Streets Empty for Me trazem uma dicotomia entre o conforto e o desespero, aconchego e insegurança. Outras faixas, refletem muito a inspiração artística de Karin, como o cover de Stranger Than Kindness, originalmente composto por Nick Cave & The Bad Seeds e o novo single Mercy Street, de Peter Gabriel.

Certa vez, um entrevistador da Trip Wire questionou-a sobre o clima pesado em suas músicas, se a inspiração seria derivada de alguma tristeza ou melancolia. Karin afirmou o contrário, que a construção de suas músicas vinha de um ato de sinceridade. Mãe de dois filhos saudáveis, afirmou que uma de suas experiências mais marcantes é pegar uma lancha e ficar em alto mar, em plena noite, contemplando a paisagem.

 

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Gosto de compartilhar experiências, principalmente aquelas que proporcionam um baita mindfuck e que, de um jeito ou outro, despertam novos níveis de sensibilidade em mim, no caso de Fever Ray, não seria diferente. Compartilhem, criem torrents, exibam vídeos, toquem remixes em boates, fãs de Portishead, fãs de Charles Burns, fãs de Synth-Pop, todos vão gostar do feeling que Karin trás para seu trabalho.

Se você se interessou, pode acessar os seguintes links:

MySpace | Site Oficial | Torrent para download do EP

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

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Pink Floyd - Dark Side of the Moon

Por Felipe Camargo*

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Tempo. Dinheiro. Nós e eles. Podiam ser títulos de qualquer música composta nos dias atuais, mas são faixas do álbum conceitual Dark Side of the Moon, da banda inglesa Pink Floyd. Por conceitual entende-se um tema único para todas as músicas, além de não haver uma pausa entre as mesmas, como se o disco todo fosse composto de apenas uma faixa. No atual CD, é possível ouvi-lo em uma tacada só. Na época que foi lançado, 1973, o disco de vinil obrigava uma divisão da obra em duas partes, ainda que ligadas entre si.

Dark Side antecipou muitas tendências do mundo da música: foi o primeiro a incorporar elementos eletrônicos em canções de blues e rock - o que hoje é praxe, vide o crescimento da importância de um DJ nas produções musicais de diversos estilos, desde a MPB até o britpop. Os efeitos sonoros eram produzidos de forma mecânica, e muitas vezes não tinham relação com o som que produziam (como no caso da introdução de Money, em que foram usados diversos objetos, menos caixas registradoras). Também foi pioneiro na capa do disco, um dos primeiros de uma banda de rock sem a presença de seus integrantes – hoje, é mais comum este tipo de arte nos álbuns. Na época, membros da gravadora consideraram a capa um fracasso.

A sonoridade também é destoante da produção musical da época: solos de saxofone, como os presentes em Money e Us and Then, dão um clima mais ameno ao álbum. Falando em solo, o de guitarra em Time é um dos mais memoráveis da história do rock: uma melodia simples, triste e bonita, que contrastava com os virtuoses da época e faz oposição às microfonias dos grupos atuais. As vozes parecidas de David Gilmour e Richard Wright, guitarrista e tecladista, respectivamente, muitas vezes cantadas junto, dão a impressão de serem a mesma, nas primeiras faixas. Já nas últimas, somente Roger Waters, o baixista que escreveu todas as letras do disco, solta a voz, criando uma evolução sonora que dificilmente será ouvida em qualquer outro disco.

Outro ponto especial dos aspectos sonoros é a alternância entre músicas cantadas e instrumentais. Os espaços “em branco” também são valorizados no disco. O Pink Floyd não cedeu à ansiedade de preencher todas as lacunas, dando ao ouvinte um momento de descanso e reflexão sobre o que ouviu e o que há por vir.

Em entrevistas sobre o álbum, Waters revelou que preza por estes espaços nas suas produções. Um exemplo no álbum é a faixa The Great Gig in the Sky, instrumental e com uma improvisação vocal feminina que ficou marcada pela melodia e sentimento contidos na música.

As pressões da vida moderna são o tema principal das letras. Logo pelos títulos de algumas músicas, citadas no início desta crítica, já é possível ter uma noção disso. Falar sobre dinheiro, tempo (ou a falta dele), individualismo, danos cerebrais (que podem ser desde crises depressivas até alienação) é ser atual tanto nos anos 70 quanto nos atuais. E o famoso humor inglês, ácido e sem papas está presente tanto em Time (Hanging on in quiet desperation/Is the English way, ou Insistindo num desespero quieto/ É a maneira inglesa de ser - em uma tradução literal), Brain Damage (The lunatics are in my hall/The paper holds their folded faces to the floor ou Os lunáticos estão no meu corredor/ O jornal prende seus rostos dobrados no chão) e Money (Money, get away/Get a good job/With more pay and you're O. K. ou Dinheiro, vá embora/Arrume um bom emprego/Com um salário melhor você fica bem).

Todos esses elementos remetem a Syd Barret, um dos membros fundadores da banda, que teve um surto psicológico e teve que sair do grupo, dando lugar a David Gilmour. O acontecimento teve um impacto muito grande nos músicos, e é possível perceber citações a esta crise em todos os álbuns.

Dark Side of the Moon é um dos álbuns mais vendidos da história. A qualidade das músicas, teorias em torno da produção (há uma que diz que o disco foi feito em sincronia com o filme O Mágico de Oz) e as conseqüências dele para o mundo da música (dizem que o movimento punk ganhou força em contraponto à excessiva técnica do disco) corroboram isto. I 'll see you on the dark side of the moon.

Faixas:

1. "Speak to Me/Breathe" (Nick Mason, David Gilmour, Roger Waters, Rick Wright) - 3:59

2. "On the Run" (Gilmour, Waters) - 3:35

3. "Time/Breathe (Reprise)" (Gilmour, Waters, Wright, Mason) - 7:04

4. "The Great Gig in the Sky" (Wright, Torry) - 4:48 (originalmente somente por Wright. Cedida parte da autoria a Clare Torry depois da mesma ter exigido parte dos direitos de autor por ter improvisado por cima do famoso instrumental)

5. "Money" (Waters) - 6:24

6. "Us and Them" (Wright, Waters) - 7:49

7. "Any Colour You Like" (Gilmour, Wright, Mason) - 3:26

8. "Brain Damage" (Waters) - 3:50

9. "Eclipse" (Waters) - 2:04

 

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*O Felipe Camargo escreveu sobre Gundam 00 pra gente, há quatro meses.

domingo, 1 de agosto de 2010

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Cidadão Instigado - A mais nobre banda nacional

Por Josi Woodstock, do PopNutri

 

Escrever sobre uma banda é uma tarefa ilustre demais para considerar apenas a música propriamente dita como objeto principal a ser redigido. O impacto que a letra e sonoridade causam na alma, e o poder que essa mistura tem de agir sobre a existência e a condição do indivíduo, são capazes de tornar pequenos trechos escritos em expressões nobres e verdadeiras sobre a música, muito mais do que uma notícia anunciando um novo disco ou uma nova turnê mundial.

Escrevo sobre Cidadão Instigado não com a intenção de fazer crítica sobre o disco novo, e nem contar a história da banda, mas de deixar registrado em palavras cenas e sons de um show que, sem dúvida foi, o mais importante dos meus dias até hoje: o show do Cidadão que aconteceu no Sesc – Ribeirão Preto, em 26 de fevereiro de 2010.

 

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Fotos não eram permitidas, mesmo assim consegui essa

Cenário não era necessário. A imponência dos integrantes ao manipularem com uma agressividade necessária seus instrumentos trazia para o público canções profundas com melodias extremas incrementadas, com temas universais, como Deus, amor e loucura… sob luzes brilhantes em um galpão que abrigava com humildade um verdadeiro espetáculo de rock’n roll.

A guitarra gritava forte, um barulho ensurdecedor dignamente afinado, guiada pelas mãos de um verdadeiro GuitarHero, Fernando Catatau, que também é vocal e, além do Cidadão, toca com Otto e Vanessa da Mata. Com Clayton Martin na bateria acústica e eletrônica, Rian Batista no baixo e vocal, Regis Damasceno na guitarra, violão e vocal e Dustan Gallas nos teclados e vocais, a banda fez uma performance perfeita, apresentando seu último álbum de estúdio, o UHUU!.

Em Ovelhinhas, música mais aguardada por mim, fui do delírio ao mais puro encontro com a realidade tão sonhada. Foi em Doido, Deus é uma vigem e O nada que ápices de alegria e coro público puderam ser notados no show. Essas excelentes músicas da banda.

“são tantos ossos divididos em mim
sangue descendo e subindo, alimento mutando
foi deus que me fez assim
e também você”

(Trecho da música Deus é uma viagem de Fernando Catatau)

Esse foi o fragmento que cantarolei por vários dias seguintes ao show, no banho, no caminho da padaria, no meu expediente de trabalho e em todos os lugares que passei.

Depois da apresentação, quando tudo parecia acabado e eu já era portadora do disco, vendido ali mesmo como é comum nos shows, eis que ressurge dos camarins Fernando Catatau, com toda a humildade de um grande músico e com palavras simples características de um poeta. Sentou no palco e se pôs a receber os poucos fãs que restavam no local, agradecendo, tirando dúvidas ou então recebendo elogios como o meu, por proporcionar a Ribeirão Preto uma noite tão rica culturalmente falando.

 

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A lista com as músicas a serem apresentadas

Sem delongas agradeci, pedi um autógrafo e não cansei de louvar o verdadeiro GuitarHero da minha vida, aquele que pude tocar suas mãos e ver os pequenos arranhões causado pelo seu dom com as cordas de uma guitarra já velha de guerra. Dirigi-me aos portões para então aproveitar os prazeres proporcionados por esse que foi o show mais importante dos meus dias até hoje. Obrigado Cidadão.

 

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O CD autografado por Fernando Catatau

“e vai caminhar por aí
pensando em seus próprios passos
flutuantes com aquela vontade de sumir progressivamente
e você se vai, vai
e você se vai, vai
desaparecendo aos poucos
e depois voltando a realidade”

(Trecho da música O Nada de Fernando Catatau)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

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Kings of Convenience - Riot On An Empty Street

Por Diego Jordan

 

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Meu primeiro e até pouco tempo único texto sobre musica meu aqui no NSN foi sobre Chico Science e Manguebeat, música brasileira genuinamente nordestina, nascida nos mangues de Pernambuco e de sonoridade potente. No texto que vocês lêem nesse exato momento eu deixo de lado um pouco a música brasileira, mesmo que seja esta a minha preferida. Esqueço as guitarras e os tambores de maracatu da Nação Zumbi e me desloco do Brasil, passo pelas águas oceânicas e aterrisso em um pequeno país, fronteiriço da gigante Rússia e conhecido pelas lendas dos famosos bárbaros e violentos Vikings, poderosos guerreiros que desciam das suas fabulosas naus com frentes de Dragões prontos para dominar, destruir e saquear. Equipados com seus machados gigantes e elmos ostentando grandes cornos para amedrontar seus inimigos, os Vikings davam um show de “barbárie” ao deixar seus inimigos no chão. No entanto, em meio a tantas lendas cuja brutalidade e a violência são o maior espetáculo, atenho-me a algo de grande oposição. O show agora é de musica e no lugar da violência ou de qualquer espécie de brutalidade, eu coloco a sutileza. Em oposição aos urros de legiões de guerreiros prontos para um combate eu voz falo de duas vozes compassadas e sutis, masculinas, mas que se empenham em cantar sem fazer esforço, sem gritos. Os machados abrem espaço para dois violões e assim eu termino a transição e apresento a vocês: Kings of Convenience.

No ano de 1999 dois rapazes, que a muito se conheciam, desde uma década de vida, faziam apresentações pelos festivais europeus de música. Acompanhados de dois violões eles começaram a ganhar o gosto do publico. Embora começassem a tornar-se verdadeiramente conhecidos naqueles anos; a parceria já vinha de tempos, ainda da época de escola onde juntamente com mais dois amigos, Erland Øye e Eirik Bǿe Glambæ, formaram Skog. Quem conhece norueguês, o que não é o meu caso, sabe que a palavra significa Floresta. Quando a primeira banda foi formada, Erland e Eirik tinham 16 anos. Por motivos que eu desconheço, e também nunca achei respostas, a banda chegou ao fim. Eu acredito que a pouca idade dos rapazes foi o empecilho, muito imaturos talvez. Mesmo assim eles ainda chegaram a gravar um EP, cuja arte da capa foi feita pela mãe de Erlend.

Anos após o fim da Skog, Erland e Boe juntam-se novamente e começam um trabalho em dupla, onde voz e violão compunha basicamente a sonoridade. Apresentaram-se em alguns festivais de verão europeus conseguindo nesses palcos a visibilidade necessária para que o convite de gravação do primeiro CD fosse feito. Em 2000 pelo selo Kindercore, o CD homônimo da banda foi lançado de uma maneira quase independente. Tanto que no ano seguinte, 2001, pela Astralwerks nos Estados Unidos, Source no Reino Unido e pela Virgin no Japão, o álbum Quiet is the New Loud saiu com algumas músicas do disco anterior e outras novas. Independente de trazer músicas do primeiro CD, Quiet is the New Loud foi um verdadeiro sucesso; e tanto assim o foi, que seu nome foi usado para denominar um pequeno movimento musical surgido nos Estados Unidos, onde os artistas prezavam pelas mesmas melodias doces e sutis. O movimento levava ainda como ícones e inspiração Simon and Garfunkel e Belle & Sebastian. De lá pra cá saíram mais dois álbuns, são eles: Versus, ainda em 2001, um disco de remixes que eu particularmente não gosto muito, Riot on an Empty Street, em 2004, com a magnífica participação da canadense Feist e, após cinco anos, eles apresentaram aquele que até agora é seu último trabalho, o ótimo Declaration Of Dependence.

 

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Eu não sou muito adepto de classificar os artistas musicais quanto ao seu estilo, obviamente que não vou sair por aí falando de uma banda que toca Heavy Metal como se ela tocasse Lambada, não é nada disso. Falo daquelas denominações que se estendem por linhas para ver se conseguem enquadrar um artista dentro de uma “formuleta”. É como vemos alguns artistas, muitos dos quais, brasileiros, que quando anunciam o que tocam levam coisas como: Pop Rock, Bossa Nova, Samba, Indie, Pop, Folk, Soul, Merengue, Lambada... Contudo, sou obrigado a admitir que tais qualificações servem para orientar pessoas que nunca escutaram a sonoridade do citado artista quanto a sua “linha” artística. Sendo assim, quando você procurar o que é Kings of Convenience você provavelmente vai encontrar o seguinte: Indie pop, Indie Folk, indie, indie e indie... Na Wikipédia você vai ler até Bossa Nova! Dessas, eu ficaria com Indie Folk, talvez seja a que possa traduzir para aqueles que nunca escutaram a sonoridade dos caras.

Mas, em que consiste realmente a sonoridade deles? Coloque dois instrumentos de cordas, um nas mãos de Erlend e o outro nas mãos de Eirick, normalmente dois violões, mas pode ser uma guitarra, um baixo ou até mesmo um banjo. Acompanhada dessas cordas você tem duas vozes, leves e tranqüilas, sem se preocupar em fazer alarde, sem se preocupar com nada nesse mundo, mas sem preguiça e se arrastar, firmes e conscientes do que estão fazendo. Imagine isso e entre esses sons coloque uma vez ou outra um sonzinho de violino, quase como um andarilho que passa com a sua sutileza e elegância, quando ele não passar quem sabe as notas sábias e ajustadas e às vezes chorosas de um senhor piano. E quando nenhum dos dois vier, coloque uma charmosa flauta, dando o ar de sua graça como uma bela mulher que lhe incentiva e lhe faz querer mais, ou que reduz seu coração a uma saudade com luzes apagadas. Para mim, Kings of Convenience é isso.

Para não me estender muito, vou falar de uma música ou outra de cada CD, que muito me agradam. Começando pelo Quiet is the New Loud, temos uma que é das minhas preferidas, embora não seja da maioria dos fãs de Kings, eu a acho charmosa. Uma música que às vezes me parece um tanto brincalhona, embora de uma letra que não é das mais alegres. É ela: Singing Softly To Me. No segundo álbum, Riot On An Empty Street, temos aquela que suponho ser a mais conhecida dos caras: Cayman Islands. Com notas de violão um pouco mais rápidas e que parecem ser feitas com um entusiasmo que não tem fim, a música leva ainda as duas vozes em uma simetria aguda e suave. Ainda neste CD, temos a participação de Feist em Know How e The Build-Up. Não imagino outra voz para essas canções que não a da canadense; a música parece ter sido feita sob medida para o trio quando a moça entra cantando. Você se impressiona, principalmente em Know How, que é uma entrada imprevisível e que torna-se perfeita.

 

 

E, por último, temos Declaration Of Dependence, um disco que demorou cinco anos pra ser lançado, tanto tempo assim porque Erlend e Eirik se dedicaram a projetos paralelos como os trabalhos de DJ de Erlend, que lançou três discos solo. Mas se engana quem imagina que os trabalhos paralelos foram apenas na área da musica, Eirik dedicou-se a política, trabalhando principalmente com políticas direcionadas aos jovens na sua cidade natal, Bergen. Mas voltando para o CD, como dito, o álbum demorou cinco anos para aparecer, mas não decepcionou. Um disco tão belo quanto os anteriores; nele eu gosto muito da quarta faixa, Boat Behind, que possui um violino com ar clássico, e que os rapazes parecem cantar com grande jovialidade. É importante dizer que eu falei de algumas músicas aqui, mas isso foi para não me deter muito falando de cada uma das músicas, até porque as pessoas que forem escutar a banda daqui pra frente irão descobrir as suas próprias músicas. Eu não lembro, nesse momento, de alguma música deles que eu não goste. As letras, acho que deu pra entender, são em grande maioria românticas, direcionadas as mulheres muitas vezes, seja falando de amores que não deram certo por uma ventura que seja, ou hinos de amor.

Artistas semelhantes ao Kings of Convenience, eu posso indicar alguns que escuto, como Simon and Garfunkel, Belle & Sebastian, Turin Brakes e Angus and Julia Stone. Quem quiser indicar mais, sinta-se a vontade.

Assim acabo, falando deles que podem ser tidos por alguns como meio Lounge. Eu não nego, umas das melhores maneiras de escutar Kings of Convenience é desligar todas as luzes e ficar ali no seu cantinho, seja namorando, buscando dormir ou tomando um bom vinho em um dia de chuva.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

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Baixe grátis o EP do How To Destroy Angels, a nova banda de Trent Reznor

 

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Bom, acabei de fazer o que o título do post anuncia, e posso dizer que vale a pena, principalmente para quem já está sentindo falta do Nine Ninch Nails (Eu, por exemplo)! O How To Destroy Angels é o resultado da união entre o multitalentoso e visionário Trent Reznor, e a mulher dele, Mariqueen Maandig. É só clicar AQUI, colocar seu email na caixa à direita, esperar a mensagem de confirmação e ser feliz (ou não, já que Reznor não é conhecido por expressar felicidade em forma de música).

No mesmo link é possível comprar uma versão com extras inclusos, como o vídeo de The Space in Between, e formatos de áudio melhores, ideal para audiófilos e aqueles tipos que colocam o som na maior altura. E não acaba aí: dia 6 chega às lojas o mesmo EP no formato físico, que já está em pré-venda no site oficial… e no começo de 2011 um álbum completo será lançado e a banda sai em turnê!

E falando sobre sua “antiga”, o NIN, Reznor deixa bem claro que ela voltará em breve: "O Nine Inch Nails não está morto. Estou prestes a trabalhar em um novo material que acredito será bem diferente dos anteriores do Nine Inch Nails".

 

Musicalmente, o How to Destroy Angels não é tão distante do que o NIN já fez. É uma parede sonora baseada em efeitos eletrônicos climáticos e, por vezes, estranhos. A grande diferença é na abordagem e no tratamento vocal. Se os berros rasgados de Trent eram um dos principais elementos das composições do NIN, agora eles desapareceram, e deram lugar a voz camaleônica de Mariqueen. O vocal dela às vezes soa calmo, como na ótima Drowning, sexy, como mostrou em Fur Lined, ou frio-no-estilo-Ladytron, caso de BBB. Os arranjos meio Prodigy compostos por Reznor, continuam brilhantes, mas conseguiram um certo tom de monotonia aqui, o que sempre era raro nas músicas do NIN - tipo Hurt e Right Where It Belongs. Em outras palavras: a fúria sonora presente em March of Pigs, Heresy e Sin, foi acalmada.

Mas o HDA se aproxima mais de uma daquelas duplas européias de música eletrônica, com músicas com poucas variações sonoras e mais baseadas em ruídos - mas, quando elas aparecem, são excelentes, como em Parasite - soando como a fúria de Justice, principalmente em Stress; somada ao minimalismo robótico do Daft Punk.

Se este é o novo Trent Reznor - casado, menos furioso e mais contemplativo - que seja bem vindo… [Nota: 8]

 

PS: Puta que pariu que capa foda a desse álbum aí, hein?! Me lembrou até uma cena da iniciação de Jack Frost, em Os Invisíveis!

UPDATE: O André Luis mandou a imagem abaixo pra mostrar que o Trent Reznor é amigo de Grant Morrison, o que talvez indique que não viajei completamente na relação entre a capa do EP do HDA e uma cena de Os Invisíveis.

 

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[Via Omelete]

quarta-feira, 19 de maio de 2010

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Chico Science e Nação Zumbi: Da Lama ao Caos

Por Diego Jordan

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Em 1990, Recife foi considerada a 4ª pior cidade do mundo. Alguns anos antes dessa notícia, com lama no meio das canelas, correndo por dentro dos mangues atrás de caranguejos na periferia daquela Recife, formava-se um menino-caranguejo. Ele chapinhava de um lado a outro cheio de energia e acompanhado de amigos. Toda a sua preocupação começava ali, todo seu desenvolvimento embrionário como um artista cheio de preocupações sociais. Recife podia ser o começo, mas não era o fim. Antes de 1997 chegar, Chico teria o mundo.

Recife era ainda uma cidade um tanto fechada para coisas diferentes. Isso não foi obstante para que Chico juntasse na mesma panela diferentes ritmos e formasse algo que nem as revistas mais especializadas esperavam. Mas essa história não começa aqui, começa na mesma época que Chico corria pelos mangues, essa história começa quando Chico ainda em fase de desenvolvimento escutava James Brown. Talvez por isso Chico andasse sempre pelos cantos batucando nas mesas, tentando sempre desenvolver uma nova batida para um novo Funk, podemos colocar o Rei do Soul como uma das primeiras, talvez até mesmo a primeira, grande influência de Chico.

A vida de qualquer ser humano é repleta de experiências, a vida de Chico não foi diferente, e andando de lado a lado o menino caranguejo chegou a Legião Hip-Hop. Juntamente com Jorge e outros amigos, Chico debruçou-se sobre a poesia das ruas, sobre o grafite e a dança. Esse provavelmente foi um momento que serviu de grande catalisador para as composições que mensuravam os problemas de Recife, os problemas da vida moderna e os problemas sociais tão presentes na sociedade brasileira.

Embora as experiências musicais estrangeiras fossem uma constante na sua vida, o grande diferencial não era esse, tanto não era que a primeira banda, Loustal, não vingou. Loustal, primeira banda de Chico, tinha o nome em homenagem ao quadrinista francês Jacques de Loustal, de quem Chico gostava muito. A banda além das influências de Chico já citadas juntava a elas o Pós-Punk. Foi mais ou menos nesse período que as coisas começaram a mudar.

Em uma mesa de bar qualquer pelas ruas de Recife, Chico conheceu um maluco com chapéu panamá, vocalista do Mundo Livre S/A e apresentador de um programa de rádio. A Mundo Livre S/A era uma banda sem expressão, carregada da influência Punk. Entre copos de cerveja e conversas acaloradas, o pensamento desses dois caras começou a converter para um horizonte muito próximo. Chico e Fred começaram a desenvolver uma amizade que geraria grandes frutos.

A revolução para Loustal e seu fim, aconteceu quando Chico conheceu o Lamento Negro, grupo afro que trabalhava com educação social. Chico jogou tudo para o alto e começou uma nova formação, aquela que seria a definitiva. As conversas com Fred 04, o cara do chapéu panamá, estavam se consolidando e o que saia dali era uma seqüência de pensamentos sobre a vida da cidade e sua cena cultural, sobre o mangue e a sua sociedade marginal, sobre homens-caranguejos. Foi daí a ignição para que Fred 04 escrevesse aquilo que se tornaria o primeiro Manifesto do Manguebeat. Chico então juntou tudo o que tinha escutado, juntou todas as suas influências; e na mesma panela, juntamente com os caranguejos ele jogou o Funk de James Brown, o Hip-Hop da Legião Hip-Hop, as influências do Pós-Punk que acompanhavam o extinto Loustal, usou tudo isso e envenenou o samba a embolado e principalmente o Maracatu. O nome da nova formação era Chico Science e Nação Zumbi.

 

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Chico Science

Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu. Tudo bem envenenado bom pra mim e bom pra tú. Pra gente sair da lama e enfrentar os urubus.
A Cidade, Chico Science

O Manguebeat não nasceu com a pretensão de se tornar um movimento cultural, nasceu com a pretensão de transformar uma cena que se encontrava morta e obsoleta. Para isso tomaram como base aquilo que estava ali aos olhos de qualquer morador de Recife, tomaram como base o mangue. Se o mangue é o ecossistema mais rico do mundo, e Recife é uma cidade prodigiosa no que diz a riqueza cultural, é isso que queremos, é isso que propomos e é isso que reivindicamos. Queremos ela mais atuante, que não fique estagnada, que a nossa música renasça com força.

As coisas não foram fáceis, não mesmo. A nova música não era bem recebida e quando eles subiam ao palco era comum alguém da platéia gritar: Toca Led Zeppelin! A resposta da Nação a esses gritos era o maracatu que ecoava dos tambores, a contra-reposta da platéia eram as vaias. Enquanto Pernambuco gritava que aquilo era agressão a cultura local, o Sudeste dizia que era Regionalismo. Não muito difícil de entender a opinião de nenhum dos dois, na banda as guitarras eram estridentes, berravam entre o som dos tambores pedindo a atenção. Talvez isso explicasse o pensamento pernambucano, além das visíveis influências do Funk, Soul, Punk, Hip-Hop e etc. Para o Sudeste, as letras falando de Lampião, Zumbi, Josué de Castro, Recife e todo o nordeste fomentavam o pensamento do Regionalismo; paralelo a isso os tambores surravam aos ouvidos desacostumados com o Maracatu.

Quem estava certo?

Quando o Manguebeat começava a se tornar maduro uma imagem já era difundida entre o movimento e as pessoas que o acompanhavam, a imagem era a antena parabólica fincada no mangue. O recado era simples: Somos Homens-Caranguejos no meio do Mangue, no meio da Lama, mas estamos antenados no mundo. A inspiração para imagem, segundo Fred 04, veio de Stanley Kubrick e a imagem do sintético ligado a suas obras, algo do tipo Dr. Estranho. A imagem não tardaria a se tornar realidade.

Essa informação pode parecer estranha para quem já escutou falar do movimento, mas isso eu escutei do próprio Fred 04, em um debate do Centro Cultural Banco do Nordeste aqui em Fortaleza, na época estava ocorrendo o Rock Cordel, evento que ocorre todo ano. O assunto era Manguebeat e Fred era o convidado para participar do Papo XXI. Juntamente com essa informação, que antes poderia parecer improvável, veio a revelação de que Fred e Chico ainda não conheciam as obras de Josué de Castro quando o Manifesto foi escrito. Poucos dias depois eles foram apresentados a obra de Josué e ficaram impressionados com a correspondência entre os ideais do movimento e os pensamentos de Josué.

O, Josué, eu nunca vi tamanha desgraça, quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça.

Da Lama ao Caos, Chico Science

Josué de Castro foi médico, catedrático, pesquisador, escritor, embaixador da ONU no Brasil, exilado político durante a Ditadura Militar, uma vez indicado ao Nobel de Medicina e duas vezes indicado ao Nobel da Paz. Como se diz, o homem era FODA! Se eu fosse me deter falando da vida de Josué, o FiliPêra me mandaria colocar o post em duas prestações, com a segunda pra daqui a 30 dias. Mas vou falar o suficiente pra que entendam a ligação entre Josué e o Manguebeat.

 

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Josué de Castro

Josué de Castro nasceu em Recife no ano de 1908 e formou-se em Medicina pela Faculdade Nacional de Medicina. O grande objeto de estudo de Josué, o seu grande objeto de dissecação, foi a fome. Cuidadosamente, o médico abriu cada nervura deste objeto e mensurou cada uma das suas conseqüências e origens. A Fome, assim com letra maiúscula, foi e ainda é presente nas músicas da Nação Zumbi e do Manguebeat. Além da correspondência com tema da fome, Josué de Castro e Manguebeat se chocam com força no conto O Ciclo do Caranguejo, escrito por aquele. No conto, é narrada em prosa poética a vida de uma família que mora nos Mangues de Recife. Os homens caranguejos eram ricamente descritos na obra de Josué.

No mangue, tudo é, foi ou será caranguejo, inclusive o homem e a lama.
Josué de Castro

Aconselho à todos procurarem as obras de Josué de Castro, entre as mais importantes estão: A Geografia da Fome e Homens e Caranguejos; sendo, este último, um romance.

Era 1992 e o Sudeste já estava jogado aos pés de Chico Science e Nação Zumbi. Com a visibilidade, não demorou um estalar de dedos e uma gravadora os chamou para conversar. Em 1992, besuntado de lama, Da Lama ao Caos saía das gravadoras e fincava-se como um marco na história da música brasileira. Um disco potente, com todas as influências fervilhando, agitado e inquieto, Da Lama ao Caos não deixava os riffs das guitarras roubarem a cena sozinhos, nem a percussão soterrar as guitarras. Feito exatamente na medida e justificando o apelido de Chico, o Science, o cientista dos ritmos. Parece até absurdo, mas o disco lhe faz crer que maracatu e punk nasceram pra fazer rima. Paralelamente, o Manguebeat já estava com força e a cena almejada começava a nascer e a frutificar.

O primeiro CD de Chico Science e Nação Zumbi ganhou o mundo, foi lançado nos Estados Unidos, na Europa e até mesmo no Japão. Claro que o CD não foi simplesmente lançado, antes de sair lá fora, a banda fez varias apresentações pelo mundo, sendo a primeira delas em Nova York.

Da Lama ao Caos completava quatro anos e ja estava na hora de voltar aos estúdios; o resultado se chamou Afrociberdelia. O segundo CD era menos agressivo, carregando um tom um tanto psicodélico. O disco chegou a alcançar 5º lugar na World Music Charts Europa e teve música interpreta pelo Paralamas do Sucesso, Manguetown. As letras mantinham a mesma carga de preocupação social. Nessa época, os frutos do Manguebeat já começavam a se fazer notórios, destaque para Mestre Ambrósio e Eddie.

 

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Era domingo. O Sentido era Recife para Olinda. Eu não sei as condições do tempo, não sei se chovia, mas creio que o carro movia-se com muita velocidade. O impacto com o poste foi impiedoso, dobrando todo o metal e causando perda irreversível. O Fiat Uno branco acolhia no fundo de suas ferragens retorcidas o corpo de um homem com três décadas de vida. Quando o corpo chegou ao hospital já estava morto. Francisco de Assis França, Chico Science, partiu em 2 de fevereiro de 1997.

Talvez seja impossível - eu acho impossível - mensurar a falta que Chico fez a Nação Zumbi. Da mesma maneira é quase impossível dizer com o que mais ele nos presentearia, eu chuto que seu terceiro CD seria algo diferente do ótimo Afrociberdelia, sua irmã em entrevistas contou que Chico vinha cuidando mais da voz e escutando muita Bossa Nova.

Chico Science foi um artista que cresceu na periferia de Recife, correndo pelos mangues e caçando caranguejos. Talvez seja por essa formação que se tornou um artista tão preocupado com a questão social, com a fome, com saneamento básico e banditismos. Chico nos ensinou que nossos artistas não precisam absorver as influências que vem de fora e dobrar-se conforme seus mandos, algo que acontece muito hoje, basta observar as inúmeras franjas saltando no Programa do Faustão e muitas vezes cantando realidades que parecem distantes do real solo brasileiro. Mais do que tudo, Science dobrou todo o estrangeirismo a sua cultura, fez debruçar-se sobre seus pés e a cultura da sua Recife, do seu nordeste e do seu país as mais distintas influências estrangeiras.

 

Pode caracterizar isso como um regionalismo, já que ele falou tanto de Recife e do Nordeste? Aos meus olhos se existe algum regionalismo nisso é um regionalismo a nível nacional. Chico trouxe no seu verbo uma marca forte do nordeste, isso não quer dizer, porém, que São Paulo ou Rio Grande do Sul não sofram com as dificuldades por ele cantadas. Hoje é possível encontrar as músicas de Chico espalhadas em diversos programas, e anos atrás tivemos frases de músicas suas sendo repetidas até a exaustão em refrões de músicas de artistas medíocres que (graças a Deus) acabaram. Não vou citar nomes, mas quando você escutar vai notar na hora.

Com a imprevisível e lacerante partida de Chico, a Nação Zumbi se desnorteou; nada anormal, conseguindo forças, a princípio, apenas para lançar um CD homenagem intitulado CSNZ. O disco trouxe antigas gravações e novas mixagens. Lembra do Jorge? Aquele citado há muitos parágrafos atrás, mencionado quando eu falava da Legião Hip-Hop. Chico, ainda vivo, queria dividir o peso do palco com alguém, e esse alguém era Jorge Du Peixe, que na época estava na percussão. Foi então com Jorge Du Peixe à frente da banda que a Nação Zumbi conseguiu se reerguer e lançar de maneira independente seu primeiro CD sem Chico, Rádio Samba. As composições agora passaram a ser assinadas por Jorge Du Peixe, que antes havia participado em parcerias com Science. As letras de Jorge não esquecem as referencias nordestinas e menos ainda as preocupações sociais de antes, mas vejo as composições de Du Peixe com uma dose de poesia voltada para o ser humano e sua amarguras íntimas, muitas vezes tocando na ferida mesmo, e às vezes, portando-se com um poeta universal falando de infernos e deuses.

 

Depois de Radio Samba vieram: Nação Zumbi, Futura, Propagando (DVD) e Bossa Nostra.

A sonoridade pós-Chico também se modificou um pouco, com uma pressão mais forte das guitarras e com uma percussão que parece uma parede de pancadas. Falando assim parece uma barulheira desgovernada, mas não! Na Nação Zumbi, guitarras e tambores de maracatu existem no mesmo universo, e em plena harmonia. Nos shows, as músicas da época de Chico continuam no repertório, para que sua memória se mantenha viva.


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