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segunda-feira, 4 de maio de 2009

NIPOST 04 – Toy Art

 

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Se tem uma coisa que os japoneses sabem fazer muito bem é criar bons motivos para você gastar todo o seu suado dinheirinho, tudo que é inventado naquelas bandas acaba invariavelmente se ramificando para mangás, animes, cosplays, roupas, travesseiros, jogos, filmes, livros e acessórios sexuais. De todas essa parafernália indispensável e extremamente inútil algo me atrai como uma colegial de saia curta atrai um tarado. Estou falando dos Toy art.

Em 1998 um artista chamado Michael Lau decidiu que seus antigos bonecos Falcon que estavam largados no fundo da gaveta deveriam servir pra alguma coisa. Com isso em mente ele começou customiza-los com correntes, roupas e pinturas dando um estilo Hip Hop pros bonecos cabeludos. Em sua primeira exposição eles causaram furor criando assim a emergente forma de arte que hoje nós conhecemos como Toy Art. Michael Lau  criou 101 bonecos customizados e hoje eles valem fortunas nas mãos dos colecionadores mais ferrenhos.

 

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Os Toys  podem ser definidos como pinturas em três dimensões. Não os chamaria de esculturas pois eles normalmente representam uma forma de arte mais contemporânea, urbana, pop, indie ou qualquer outro nome cult que vocês quiserem dar. Quando se pensa em esculturas normalmente nos vêm a mente imagens mais acadêmicas como o famoso David de Michelangelo ou algo do estilo. Se eu tivesse que nomear um equivalente as esculturas na nossa adorada cultura pop definitivamente seriam as Action Figures.

Os Toys são mais descontraídos, mais psicodélicos e representam a Pop Culture em todas as suas facetas. Eles podem ser inspirados em filmes, HQs, livros, graffite, games ou simplesmente converter em três dimensões o traço de algum artista 2D, as possibilidades são infinitas, tanto que alguns Toys totalmente em branco são vendidos para que você possa pintar o seu próprio toy exclusivo com seu traço e estilo.

 

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Assim como as Action Figures, os Toys  também podem ser colecionados e comercializados nas mais variadas formas, desde a venda simples toma lá da cá, até as chamadas Blind Box, elas são caixas fechadas que cada estúdio vende por um preço único, quem compra não sabe o que tem dentro e tem que contar com a sorte pois dentro pode vir um boneco raro e muito valioso, ou um boneco comum e as vezes até repetido dependendo da coleção do comprador.

Além do mitológico Michael Lau existem hoje dezenas de estúdios famosos por todo o mundo, dentre os estúdios japoneses se destacam o Bounty Hunter, Medicom e Secret Base, aqui nesse link tem mais uma porrada de links para outros estúdios legais, por enquanto fiquem com essas galeria ai em cima como aperitivo.

É Nozes!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

NIPOST 03 – Host Clubs

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Antes que alguém aponte o dedo na minha cara e diga “você está copiando os episódios da série Japanorama!”, eu vou logo dizendo, SIM! Estou usando esse excelente documentário como base para esses Niposts. Pego o assunto mais interessante de cada episódio e destrincho ele mais profundamente aqui. Por isso, sem mi mi mi, ok? (rsrsrs)

  Todos sabemos que os japoneses são um povo meio… travado. Lá, por aquelas bandas, o contato físico casual, como um abraço, é  extremamente raro. Os homens recorrem às Lovedolls e Hostessclubs para extravasar todo seu “afeto” reprimido, mas e as mulheres? Como é que elas ficam? É ai que entram os Host Clubs.

Host Clubs são bares japoneses onde as mulheres podem, através de uma “pequena” quantia de dinheiro, conseguir toda a atenção, ai (amor) e koi (romance) que precisam.  Normalmente esses bares são frequentados por esposas de empresários ricos e empresárias bem sucedidas.

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A coisa toda funciona + ou – assim: diferente de prostíbulos, nos Host Clubs não rola contato sexual (pelo menos até onde eu sei), lá os Hosts apenas conversam, brincam, elogiam e principalmente ouvem as mulheres, e, em troca, elas compram garrafas de champanhe que chegam a custar US$5,000.00. Quando alguma cliente compra uma garrafa de champanhe, todos os Hosts do estabelecimento  vão cumprimentá-la formando uma roda em volta de sua mesa, eles cantam, elogiam, tiram fotos e todas essas coisas que inflam o ego das mulheres (as de lá pelo menos). Detalhe, o champanhe que elas compram é dividido com todos os Hosts do bar sobrando no máximo uma tacinha pra pobre coitada.

Quando uma nova cliente chega no clube ela recebe um “menu” com todos os Hosts disponíveis. O rapaz que ela escolher irá lhe fazer companhia durante toda a noite, ao final da mesma ela terá conhecido todos os outros rapazes e recebido seus respectivos Host Cards, aí então, ela deverá escolher seu Host oficial que irá receber um percentual de todas as suas compras futuras. Um Host nunca deve deixar sua cliente sozinha por mais de 20 minutos, caso isso aconteça ela pode fazer uma queixa ao gerente do clube.  Alguns Hosts saem com suas clientes para Karaokês e restaurantes, apesar de ser uma conduta considerada inapropriada muitos hosts fazem isso para garantir a felicidade de suas clientes. Se um Host sair com a cliente de outro rapaz ele será banido do clube imediatamente.

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  Os Hosts  são normalmente rapazes de 18 a 24 anos, carismáticos e com algum tipo de habilidade especial, como por ex.: fazer pequenos truques de mágica, saber dançar bem, ou simplesmente muito carisma para contar uma história. Um Host não tem salário fixo, seu pagamento depende exclusivamente da quantidade de bebida que ele consegue vender, existe inclusive uma venda mínima que todo Host deve atingir, caso contrário é olho da rua.

Alguns clubes oferecem Hosts especiais conhecidos como  Onabe. São basicamente mulheres travestidas de homem (algumas chegam a tomar hormônio masculino para fazer nascer barba). A idéia é oferecer, a suas clientes, Hosts que compreendam melhor o universo feminino, e nada melhor para conhecer as mulheres que ser um mulher, certo? Normalmente esse(a)s Hosts são muito disputados, muitas vezes até conseguindo clientes masculinos.

Pra finalizar uma curiosidade, existe até um campeonato anual de Hosts onde os maiores hosts de cada clube competem pelo post de maior Host do Japão (como é feita essa competição eu não faço a mínima idéia).

 

É Nozes!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

NIPOST 02 - Bōsōzoku

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Nesse Nipost vou falar de algo que, se não viesse lá do Japão, daquela terra maravilhosa, onde o sol é mais brilhante, onde as cerejeiras são mais floridas e onde tentáculos são objetos sexuais; eu provavelmente não daria a mínima. Estou falando dos Bōsōzoku.

 Bōsōzoku  são, trocando em miúdos, gangues de motociclistas japoneses. Pensem em algo estilo Hell Angels só que... mais bizarro! A moda  bōsōzoku começou por volta de 1960 quando houve uma grande explosão na indústria automotiva japonesa. E como tudo lá naquelas bandas logo virou mania nacional. Seu auge ocorreu em 1982 quando era estimado que 42.510 pessoas faziam parte dessas gangues, a idade média de seus integrantes era de aproximadamente 16 a 19 anos; o que ficava abaixo da maioridade japonesa que é de 20 anos. Por um bom tempo os bōsōzoku foram realmente um problema nacional (assim como também foram os drifters, mas isso é assunto para outro Nipost), causando sérios acidentes de trânsito, fazendo muita baderna nos grandes centros (vocês conseguem imaginar japoneses fazendo baderna?), e na pior das hipóteses, executando trabalhos para a Yakusa.

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 Mas como toda moda passa e com os Bōsōzoku não foi diferente. Depois de seu pico, a febre foi gradativamente diminuindo ano a ano até chegarmos em 2004, quando várias leis realmente severas foram postas em vigor, dando o golpe final de Katana nos rebeldes. Segundo essas leis, mais de duas motocicletas juntas já constituiria uma infração podendo os infratores serem presos por dois anos, pagarem uma multa de 50 milhões de ienes (não faço idéia de quanto isso vale em Reais) e ainda suspensão definitiva da carteira de motorista. Com todas essas medidas, em 2005 não havia mais de 15.086 membros das gangues bōsōzoku, os que sobraram passaram a andar na lei, não praticando mais atos de vandalismo ou violência, praticamente se resumindo a meia dúzia de velhotes posers.

Em seu auge, as gangues bōsōzoku eram realmente muito fortes. Havia centenas delas e todas brigavam entre si. Nós aqui do ocidente vimos um pouco disso no anime Akira, mais especificamente em seu início onde a gangue do Kaneda lutava contra a gangue dos palhaços (que realmente existiu). Dentre os vários costumes desses rebeldes, o que mais se destacava eram seus uniformes, um tipo de roupa militar japonesa parecida com um quimono aberto e com várias inscrições e símbolos bordados nas costas, para completar o visual normalmente eram usadas botas, calças militares e camisas t-shirt por debaixo. Claro que isso não era regra, podendo cada gangue criar seu próprio estilo. Era comum também o uso de máscaras, ataduras no peito e nos braços, óculos de sol e muito gel para formar o topetão estilo Grease que muitos usavam. Esses uniformes eram chamados de Special Attack Uniform, que também era o nome dado ao uniforme dos pilotos Kamikaze.

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Um outro ponto ainda mais marcante nos Bōsōzoku era o que nós hoje conhecemos como tuning,  que é a customização e modificação de veículos automotivos. A grande diferença entre o que era feito pelos Bōsōzoku e o que é feito hoje está no significado das modificações, cada gangue tinha seu próprio estilo de tuning, assim como cores, desenhos, símbolos, modelos de moto e bandeiras que eram presas atrás das motos, esse conjunto de particularidades diferenciava uma gangue das outras e dava a seus integrantes a tão sonhada sensação de individualidade (ainda que eles estivessem em grupo, esse grupo era menor do que a estereotipação geral de todas as classes da sociedade, o que é bem comum por lá)  que eles tanto procuravam.

Mas de todos os acessórios usados pelas gangues, o mais importante eram suas armas, elas poderiam variar desde bastões de baseball, canos, espadas e facas até Coquetéis Molotov. Cada gangue tinha sua arma típica e normalmente o líder da gangue tinha uma arma especial, apesar disso não ser uma regra. O ritual de iniciação também não era uma regra, mas era adotado pela maioria das gangues.

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Antes de morrer, a febre Bōsōzoku ainda atingiu uma outra classe de pessoas, são os chamados Bōsōzoku Style, em resumo, são carros “tunados” com o mesmo estilo arrojado dos bōsōzoku originais. Diferente dos tunings daqui, lá eles REALMENTE levam a sério essa parada, pra ter uma idéia do exagero dos caras basta dar uma olhada nas fotos abaixo.

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Depois de tanta testosterona, é bom saber que existem as mulheres pra dar um visual mais agradável pra todas essa parafernália motociclista.

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É Nozes!

domingo, 12 de abril de 2009

NIPOST 01 - Junko Mizuno

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Há muito tempo atrás (praticamente em outra vida), eu disse que faria uma série de posts sobre a série de tv Japanorama criada pela BBC, nela o carismático apresentador Jonathan Ross nos dá uma excelente visão de como são as coisas atualmente no Japão, falando sobre seus costumes, folclore, e principalmente, sua cultura pop; indo desde os famosos mangás até os violentos rituais da Yakuza. Agora, depois de muita preguiça preparação, eu finalmente começarei a publicar os famigerados posts. Minha intenção é seguir a mesma linha das Enquetes da Semana com um post semanal (dããã) postado sempre na terça (menos esse é claro). JURO que vou tentar manter a periodicidade, mas sabe como são as coisas né?

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Nesse primeiro NIpost (nipônico+post, sacou?) vou falar de uma das minhas desenhistas favoritas lá da terra do sol nascente. Junko Mizuno é uma japonesa de 35 anos que começou sua careira como mangaka, mas no meio de tantos traços genéricos, sua arte rapidamente se destacou ganhando fama mundial. Seguindo o estilo Gothic kawaii (que mistura coisas doces e fofinhas com elementos de terror e conteúdo sexual) ela conseguiu criar identidade própria e um sub-estilo marcante cheio de cores berrantes (o que é raro nos mangás), traços pretos simples e bem delineados, muita psicodelia, sensualidade, elementos góticos e uma forte puxada de pop arte. Imaginem o estilo de desenho usado nos toy arts só que em 2D.

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Como hoje em dia, tudo e todas as mídias estão se misturando com uma velocidade incrível, qualquer coisa por mais obscura que seja encontrará seu lugar ao sol e sua legião de fãs. E com Junko não seria diferente, como a demanda faz a oferta, centenas de materiais são feitos a partir de suas criações: mangás, camisas, os já citados Toy artaction figures, poster, cosplays, calendários, cartões postais, capas de cd  e por aí vai. Eu particularmente acho isso ótimo, quanto mais melhor.

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Dentre seus trabalhos como mangaka, o mais famoso é a trilogia Fractured Fairytales, composto pelas historias:  Cinderalla, Hansel and Gretal e Princess Mermaid, elas são versões bizarras e violentas dos contos de fadas Cinderela, João e Maria e a Pequena Sereia (juro que foi sem querer gente, parece que contos de fadas estão me perseguindo ultimamente). No mangá Cinderalla , ao invés de sapatinhos de cristal e príncipe encantado, nós temos zumbis e cantoras pop. Já em Hansel and Gretal,  ela trocou a bruxa má e a casa de chocolate por uma menina samurai que junto com seu irmão encapuzado tentam salvar o mundo de uma maldição que fez sumir toda a comida do planeta. E finalmente, em Princess Mermaid, a pequena sereia não quer se tornar humana, ela que comer os humanos (comer no sentido de se alimentar mesmo!), o único problema é que um clã de assassinos a persegue incansavelmente. De todas as historias essa é a mais violenta.

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Quem quiser (e tiver grana pra isso) pode comprar seus livros nesse site, ou então, se você for um podre bastardo como eu, pode baixar eles nos links ali em baixo , infelizmente só encontrei em inglês e não é nenhuma das histórias que citei lá em cima, mas definitivamente valem a pena.

- LINKS [1] [2]
- SITE OFICIAL
- FÃ SITE

É Nozes!


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