segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

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A Anatel, a surra nos consumidores e a defesa dos direitos corporativos

 

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Num mundo ideal, as agências reguladoras do governo federal brasileiro servem para o único propósito específico de impedir manobras abusivas por parte das empresas de cada setor que elas regulam. Duas das mais importantes - Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) - têm como principal função impedir que corporações pratiquem preços abusivos, formem cartéis, multem indevidamente seus usuários, e assim vamos. É basicamente um canal de defesa da população contra uma possível tirania corporativa.

Mas a realidade se mostra bem diferente do que está no papel. Empresas de energia elétrica mandam pra frente aumentos da ordem de 23% (por exemplo, nunca que elas sobem tanto o preço) sem qualquer punição e quando cobram indevidamente, por um erro de cálculo, a Aneel ainda se recusa por unanimidade a devolver R$ 7 bilhões aos consumidores. Não sei para vocês, mas para mim parece uma mostra clara que a balança desses departamentos do governo sempre pendem para as empresas, é como colocar raposas protegendo galinheiros.

 

Mas em alguns casos a coisa ultrapassa qualquer bom senso e se transforma num caso de indignação. Imagine a seguinte situação, usando a mim como exemplo: Eu contratei uma linha telefônica e junto pedi a banda larga da Oi/Velox (que por coincidência é o que Eu uso), e logo depois instalei um roteador wireless e compartilhei a conexão com três vizinhos, e no fim do mês a gente divide a conta em partes iguais. Acho que todos concordariam que é o tipo de situação que se encontra a cada esquina, seja por conveniência ou pelo fato simples que o serviço é abusivamente caro. Em tempos do governo brasileiro anunciando ao mundo que estamos migrando pro Primeiro Mundo, entrando numa era de Inclusão Digital (termo que está rapidamente alcançando um status pejorativo), que internet será direito de toda a população e outros blábláblás propagandistas, ter pessoas de baixa renda compartilhando uma rede de forma lícita deveria ser aceitável, afinal, as contas estão em dia.

Voltando ao caso… os fiscais da Anatel, os guardiões dos interesses do consumidor sobre a fome corporativa das empresas de telecomunicações, um dia chegaram na minha casa e não gostaram de me ver compartilhando a rede com dois vizinhos e tornando desnecessário que eles adquirissem uma linha telefônica própria. Logo apreenderam meu computador, o modem e o roteador lá instalado, e como se a atitude já não fosse ditatorial o suficiente, ainda deixaram uma multa de R$ 3 mil, me acusando de estar “prestando serviços de provedor de acesso à internet sem a devida autorização da Agência”.

Bom, como disse lá em cima, o caso não rolou comigo, mas com três moradores de Teresina-PI que tiveram os nomes mantidos em sigilo. Paulo Gustavo Sepúlveda e Lucas Vilar, do escritório Viana & Viana Advocacia, assumiram a defesa dos acusados:

 

Assumimos a causa porque estamos verdadeiramente indignados com a atuação da ANATEL. Enquanto os cidadãos estão sendo violentados diariamente pelos abusos e ilegalidades cometidos pelas operadoras de telefonia e de provimento de acesso à internet, a Agência, que tem por função primordial regulamentar e fiscalizar a prestação de serviços destas empresas, preocupa-se em tosar ilegalmente o acesso de pessoas humildes à internet, o qual deveria ser garantido a todos pelo Estado, considerando sua relevância”, afirma Paulo Gustavo

Bom, não sou formado em Direito (se alguém tem conhecimentos específicos sobre o assunto, Eu ficaria feliz que se manifestasse nos comentários), então vou corroborar as declarações dos advogados das vítimas e reproduzir os comunicados da Anatel, sem qualquer opinião sobre legislação.

Segundo o mesmo Paulo, compartilhar uma conexão se afasta de crime pelo fato do contratante da linha não possuir o intento de obter lucro com a divisão do serviço, e por não haver modificação técnica na divisão da conexão. Ainda segundo ele, se fosse crime, o compartilhamento dentro de uma mesma residência com dois ou mais computadores também seria crime, pois ocorre nas mesmas condições. Para piorar a situação, o advogado disse que esses fiscais tampouco têm a autoridade de sequer entrar na residência de alguém com o intuito de expedir uma multa sem mandado judicial.

Carlos Bezerra Braga, gerente da Agência da Anatel no Piauí, diz que compartilhar uma rede só é crime se fora do âmbito de uma residência (ele completa dizendo “exceto quando envolver o uso de radiofreqüência”… não preciso comentar que Wi-Fi É radiofrequência, o que me parece colocar o caso como legalmente aceitável), ou sem uma autorização (autorização que, pra começar, já exige um pagamento de R$ 9 mil, entre outras taxas). Ele diz que no caso citado no texto, as duas infrações foram cometidas: houve expresso compartilhamento intraresidencial e o usuário não possuía uma autorização da Anatel.

Braga frisa que o grande problema está na prestação indevida do serviço por parte de usuário, que não é uma empresa para ter tal privilégio. Como pessoa física, o usuário não teria as responsabilidades jurídicas exigidas de uma empresa, podendo por exemplo desligar a conexão, e os outros que usam o serviço não ter a quem recorrer (não vou ficar aqui divagando que uma parcela gigante dos que assinam serviços de internet no Brasil ficam sem a rede e não têm a quem recorrer da mesma forma).

 

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Gerente da Agência da Anatel no Piauí, Carlos Bezerra Braga

Analisemos o caso sob dois ourtos aspectos: 1) a qualidade do serviço prestado no Brasil e 2) a relação dele com outros exemplos possíveis. Vá até o Google e faça uma pesquisa por Brasil banda larga. Notícias como Banda larga no Brasil é cara, lenta e restrita, avalia Idec; Banda larga no Brasil é cara e ruim, entenda; Banda larga no Brasil é uma das piores do mundo; Brasil tem a quinta pior banda larga do mundo, etc; logo aparecem. Então, para início de conversa, o tal serviço que a Anatel defende é de ruim pra péssimo. Agora dê uma passada num Reclame Aqui da vida (ou ligue pro Procon da sua cidade, pra coisa ficar ainda mais oficial). Lá existe um ranking, que nos diz claramente quais as empresas que mais recebem reclamações (e para fins estatísticos, vamos considerar que todas as reclamações têm algum fundo de verdade). No ranking dos dez mais do Reclame Aqui, SEIS empresas são de telefonia/internet. NESSE índice do Procon-SP (não achei no próprio site, ficamos com esse), das dez mais, quatro são de telefonia.

Em outras palavras, podemos concluir - um pouco apressadamente, é verdade - que além da qualidade técnica da banda larga do Brasil ser uma das dez piores do mundo, o serviço oferecido ainda é péssimo e leva a milhares de usuários a reclamarem. Não vou aqui comentar o monopólio que havia no setor até pouco tempo, o que ajudou no engessamento do serviço, porque creio que todos já conhecem esse ângulo da história.

A outra análise necessária, a meu ver, diz respeito ao precedente que se abre em casos assim. Empresas com vitórias em situações como essa, recebem carta branca para invadir, mandar e desmandar na vida dos que contratam o serviço dela. Se Eu adquirisse uma linha telefônica e colocasse extensões na casa dos meus dois vizinhos e rachasse a conta em três partes iguais isso provavelmente seria ilegal, mas para mim fica dentro dos limites do bom senso: Eu não estaria lucrando (o que parece justamente o caso do usuário de Teresina multado) e ainda ajudaria outras duas pessoas sem linha telefônica a possuírem uma.

Estar na lei, para mim não constitui argumento irrefutável, pois todos nós sabemos da ligação escandalosa corporações-política, especialmente em doações de campanha. Ainda mais quando essa lei dá vazão para que uma agência do governo que deveria proteger os consumidores dos abusos corporativos, serve justamente para o serviço contrário: proteger as corporações e ainda aparentemente roubar computadores de um cidadão.

Posso estar errado, mas vejo a Anatel como uma simples marionete nas mãos das poderosas empresas (estrangeiras) de telecomunicações que operam no Brasil. Um caso como esse serve unicamente para intimidar usuários dos serviços dessas empresas, obrigando a todos a pagarem por uma linha única. Não poderia esperar atitude diferente de um país com um dos piores serviços de internet do mundo.

 

[Via 180 Graus] Link da Dolphin

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Transmetropolitan

Por Coringa, do Coringa-Files

 

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Meu gosto por HQs é variado, passando por Marvel, DC, Dynamite, Avatar e várias outras editoras. Mas o meu preferido mesmo é o selo Vertigo. Com histórias fascinantes que te prendem da primeira a última pagina, e sem aquela lenga-lenga tradicional das HQs de heróis (gosto também, que fique claro) subiu fácil no meu conceito. Mas como podemos conhecer as obras mais importantes se sofremos com o descaso das editoras (Salvo raras exceções) e no meu caso , sou um humilde universitário que não dispõe da verba necessária pra comprar tudo o que sai nas bancas?

Scans. Sim, os temidos Scans. Pra mim, Transmetropolitan é o maior exemplo de que os scans podem impulsionar as vendas de HQs no Brasil.

Acredito que 70% das pessoas que aceleraram o processo de lançamento do encadernado feito pela Panini no ano passado, colocando a hashtag #PublicaTransmet em seus tuits, descobriram essa obra através do ótimo trabalho (hobby) feito pelo pessoal do Vertigem HQ e do finado GIBIHQ. Eu mesmo só comprei o encadernado pelo fato de já ter lido antes pelo PC e ter gostado.

Falo isso por que pergunto às pessoas que conheço e que conhecem Transmet, onde tiveram seu primeiro contato com Spider Jerusalém , e a resposta é sempre a mesma: scans.

Os mais conservadores vão protestar, eu sei, mas isso é fato. Acredito que se as editoras tomassem as medidas certas, poderiam revolucionar o mundo dos comics. Mas esse é um outro assunto, que a gente trata em um outro post.

 

Lá estava eu depois de ler Preacher, caçando alguma coisa interessante pra ler. Busquei nas minhas fontes de HQs e nada. Não foi por falta de bons títulos é claro, mas não achei um que realmente me chamasse a atenção. Até que numa procura despretensiosa me deparei com esse cidadão:

 

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E aí, seu puto!

Spider Jerusalém, um jornalista neo-gonzo que alcançou a fama depois de escrever dois livros intitulados Acenando e se Afogando e Tiro na Cara, mas não conseguiu lidar com o status de celebridade. No ápice de seu sucesso, sofre uma bloqueio criativo e não consegue mais escrever como antes. A saída que ele encontra é se exilar numa montanha, longe de tudo e de todos vivendo a base de drogas e TV a cabo.

Após cinco anos nesse exílio, nosso jornalista recebe uma ligação da editora que detém os direitos sobre seus livros. O editor lembra que segundo o contrato, Spider tem exatamente um ano pra entregar os dois livros restantes, e que se esse prazo não for atendido ele terá problemas com a Justiça. Sem ter o que fazer, Spider resolve voltar para a selva de pedras, e procurar um emprego num jornal qualquer. É ai que a estória começa realmente...

 

Warren Ellis (Planetary, The Authority) cuida dos roteiros, e tem a capacidade de nos fazer viciar no “jeitão” de Spider, no seu modo de viver e na sua linguagem, nos levando a pensar se ainda existem jornalistas que estão no olho do furacão. Profissionais que independem de um roteiro ou regra e só estão preocupados em nos passar a informação do jeito que ela é.

Essa é a maior marca do Jornalismo Gonzo. Termo criado por Bill Cardoso, repórter do jornal Boston Sunday Globe, se referindo à um artigo de Hunter S. Thompson. Segundo Cardoso, GONZO seria uma gíria irlandesa do sul de Boston para designar o ultimo homem de pé depois de uma bebedeira.

Thompson deu vida a esse estilo de se fazer noticia, caracterizado por acabar com a distinção entre autor e sujeito, ficção e não-ficção. Seu trabalho mais conhecido foi uma série de artigos lançados na revista Rolling Stone, intitulados Medo e Delírio em Las Vegas: Uma Jornada Selvagem ao Coração do Sonho Americano. O sucesso foi tanto que mais tarde um livro e um filme foram baseados nesses artigos. No Brasil temos como pioneiro no gênero gonzo o jornalista Arthur Veríssimo, repórter da revista Trip. Outros focos do gênero em terras brasucas são as revistas VICE e a VOID. Além de publicações independentes como a TARJA PRETA.

 

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Spider e Thompson. Qualquer semelhança não é uma mera coincidência

Os desenhos são conduzidos muito bem por Darick Robertson (The Boys) e incorporam o espirito cyberpunk , repleto de avanços tecnológicos e todo o lixo visual que o futuro nos reserva.

Aqui no Brasil a revista virou uma minissérie contando com as três primeira edições. Depois começou a ser lançada mensalmente pela Brainstore em 2002, sendo lançadas 19 edições até o fechamento da editora. Em 2010 um encadernado digno do respeito que Transmet merece foi lançado pela Panini, Capa dura, papel especial e 146 páginas de HQs. O problema é que já estamos em 2011 e ainda não foram feitos anúncios oficiais quanto a publicação do segundo volume.

Finalizando, Transmetropolitan: De volta as ruas - Volume 1, vale cada centavo de real gasto, e nos deixa com um gostinho de quero mais quando chegamos na ultima página. Desejo realmente que vocês que ainda não conhecem deem uma chance pra essa obra prima da Nona Arte e encerro com um presentinho do Spider pra vocês:

 

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Título: Transmetropolitan : De Volta as ruas – Volume 1

Editora: Panini

Autores: Warren Ellis

Arte: Darick Robertson

Páginas: 146

Preço: R$ 26,90

Nota: 10

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

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[Pipoca e Nanquim] Road Stories

Por Pipoca e Nanquim 

 

55- Road Stories - Pipoca e Nanquim - Cinema e HQs por pipocaenanquim no Videolog.tv.

Enfim Sexta-Feira! Então depois de suas obrigações cotidianas, relaxe e assista nosso mais novo episódio. Hoje vamos conversar sobre Road Stories, ou seja, filmes e HQs que tem como principal cenário a estrada.

Para começar a falar disso, nada melhor do que a indicação do livro que desencadeou esse gênero,  abriu a cabeça e mudou o comportamento de milhares de pessoas no mundo todo: o clássico On The Road, de Jack Kerouac. Na sequencia conversamos sobre filmes excelentes como The Hitch-Hiker (1953), Encurralado (1971), Sem Destino (1969), Priscilla, a Rainha do Deserto (1994), Sideways (2004), Rain Man (1988), The Go-Getter (2007), Thelma e Louise (1991) .

Não poderíamos deixar de esquecer alguns quadrinhos sobre o tema, como o arco Vidas Breves, de Sandman, o fundamental encontro do Lanterna Verde e Arqueiro Verde e Midnight Nation.

Além de tudo isso, o Bruno e o Alexandre (quase) soltam a franga e dançam I Will Survive!!! Ah! Não se esqueçam de comentar o que acharam do episódio, indicar outros bons filmes de estrada ou mesmo nos xingar por ter falado muita porcaria.

Tchau, até semana que vêm!

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[#CPBR4] O Futuro da Campus Party

 

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Não me pergunte por quê coloquei essa maldita foto…

O nome do post tá meio pretensioso, mas vamos lá. Durante o evento acabei conversando com uma pá de gente, seja nas bebedeiras, seja em filas, seja em festas VIP… e acabei tendo contato com algumas coisas que a organização do evento planeja - ou supostamente planeja, porque não conversei diretamente com nenhum dos diretores a respeito disso - para melhorar as falhas que exigiram a superação que o Mário Teza tanto ressaltou.

A Campus Party é um evento de tecnologia, e mais do que isso é um laboratório de tecnologias. É meio contraditório também, temos o povo do Software Livre interagindo com a galera da Microsoft num canto, ao mesmo tempo que vemos um orelhão VoIP no meio de um evento patrocinado pela Telefônica - falando em Telefônica, pior é ouvir o Marcelo Tas, que é patrocinado pela empresa, reclamar dos campuseiros que protestaram contra ela graças a queda de conexão. Bom, tá valendo… afinal, existe o fator Party do evento, e pra mim ele tá acima de qualquer coisa.

Como todos que leram sobre o evento devem saber, esse ano as filas imperaram e creio que num evento tecnológico isso é uma falha grave, principalmente se levarmos em conta que rolou um retrocesso com relação ao tempo delas. Uma solução para isso foi apontada pelo Paco Ragageles, que disse que na Campus Party 2012 os crachás chegarão na casa dos campuseiros uma semana antes. Me parece uma ótima solução, e que efetivamente mata uma multidão de problemas desnecessários.

Outra solução que ouvi - dessa vez em off, nem sei se procede, mas seria uma boa - seria a inclusão de um dispositivo RFID no crachá e no adesivo de identificação do notebook: se os dois passarem ao mesmo tempo embaixo do verificador, tá limpo… mas se o RFID do seu crachá possuir uma frequência diferente do adesivo do aparelho, um alarme dispara. Se feito da forma certa, também mataria as burocráticas filas que se agigantam entre as diferentes áreas do evento.

Outra coisa que tá correndo no ar - dessa vez com algum grau de oficialidade - é fazer três Campus Party ao mesmo tempo, uma em São Paulo, uma no Rio e outra em Porto Alegre. Se por um lado é bom - facilita a locomoção de pessoas que não vão por ser em São Paulo - acho que quebra um pouco o espírito do evento, fragmentando-o. Eu não gostaria de algo assim, no fim das contas - talvez por um fator egoísmo, de não querer perder nada, mas tudo bem.

 

Bom, na minha visão que a organização tá no caminho certo - apesar de alguns retrocessos, com algumas regrinhas chatas (QUERO LIBERDADE NOS PUFFS… É PEDIR DEMAIS?!) - e nesse momento eles estão abertos para sugestões e críticas e acho essa atitude a mais correta. Então, para você que meteu o pau na organização, vá elaborando as dicas de como eles podem melhorar o evento, porque em breve eles vão querer a opinião de todos, inclusive com relação aos convidados (já vô dizer que Al Gore é um zero a esquerda).

Até ano que vem, porque com esse texto termino a minha cobertura do evento (o HumberTêra continua com a maratona dele)! Espero ter convencido a todos que a Campus Party é mais do que nerds gordos jogando Starcraft II o dia todo (é isso também, é cheio de gamers lá) e um monte de diversão rola em paralelo.

Avatar HumberTêra

[#CPBR4] Maratona Parte 2

No dia seguinte, não sei porque motivo, acordei cedo. Acho q foi porque tava dormindo no chão (<O>). Sim, não levei colchonete nem colchão inflável, e no galpão da Campus estava muito barulho, fora que a ansiedade de estar na CP não ajudou! Enfim, acordei e fui para um puff. Adivinhem quem encontrei lá! O Voz. Claro q ia zua-lo, mas minhas tentativas foram falhas: chamei, empurrei, até chutei, e ele não acordou por nada!!! Inacreditável isso!

Enfim, depois naveguei um pouco na net para me atualizar, fui dar umas voltas pelos estandes e conhecer a CP. Nessas andanças, um rapaz baixo, gordo e com um bigode muito bizarro veio me oferecer garotas que podiam cuidar muito bem de mim, era só acompanha-lo. Sim, esse  foi o lance mais estranho que rolou lá. Parti da Expo e lá encontrei um artista fazendo caricatura da galera.

 

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Como todos já sabem, a #CPBR4 foi o evento das filas. Fiquei uma hora mais ou menos lá e aproveitei e comprei uns presentes pra galera. Fui almoçar… quer dizer, tentei ir, mas acabei sendo atraído pelo Guitar Hero no estande da Vivo. O que seria só uma jogadinha, acabou sendo quase 2 horas de jogo. Nesse dia almocei com os brothers @chavespapel, o @rodolphozippo  e sua namorada @JosiWoodstock. Depois de algumas andanças pela CP  (qualquer coisa que você vá fazer lá equivale no mínimo uma hora: tomar banho trocar de roupa e comer por causa do tamanho das áreas), fui para as bancadas com o Rodolpho, a Josi e o Thiago, vulgo @chavespapel. Nessa noite consegui uma série de brindes. Não era  meu objetivo, mas gerou boas risadas, o Roldolpho que o diga.

 

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Mais tarde rolou uma conversa bem produtiva sobre filmes de zumbi. O chaves revelou não
gostar do filme que deu inicio a tudo, A Morte do Demônio! Sim, isso rendeu uma boa polemica nas bancadas da CP e ainda nessa noite conhecemos o grande amigo @Gabrieldread.

 

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Resumindo, o resto da noite foi só tentando arrumar Coca-Cola, coisa quase impossível no evento e caçar um canto para dormir. Isso sim era quase um filme de comédia, quase 4 da manhã você encontra pessoas dormindo de todas as formas, com a boca aberta, caído para fora do sofá, enfim, o segundo dia foi só isso!

No dia seguinte teve pé-de-moleque, toy art, amigo secreto entre outras coisas… mas em outro post falo sobre isso.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Avatar HumberTêra

[#CPBR4] Maratona 2011

 

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Minha vinda a #CPBR4 nasceu ano passado, durante a #CPBR3, que acompanhei pelo search do twitter! QUATRO meses antes do evento comuniquei a empresa que precisaria faltar 3 dias do mês de janeiro. Enfim, depois de toda batalha na empresa free lances, imprevistos de ultima hora, consegui acertar minhas coisas para a #CPBR4.

Segunda-feira, dia 17 ao meio dia, abriram os portões da Campus Party. Não consegui estar presente no primeiro e segundo dia, e como  no ano anterior acompanhei pelo Twitter (que inclusive sabia mais do que estava rolando que o próprio @VozdoAlem) e as noticias que via realmente não eram boas: filas enormes, falta de informação dos organizadores e colaboradores, crachás com informações erradas. E como se não fosse o bastante, falta de luz que supostamente era causadas pela chuva, e também falta de INTERNET. Sim caros amigos da Rede Globo, internet muito lenta e caindo.

Isso foi o que me informei pela net e futuramente ao vivo, conversando com os campuseiros realmente isso foi o que rolou no primeiro e segundo dia. Na quarta-feira cheguei no Aeroporto de Congonhas, com o puto do @VozdoAlem me esperando lá, já que não conhecia o trajeto. O Aeroporto fica bem perto da CP, e uma informação importante: o trajeto de taxi custa coisa de 25 reais, quem preferir a organização da CP esse ano contratou algumas vans  para ficar fazendo o trajeto metrô Jabaquara - Campus Party de graça para
facilitar a chegada ao local, já que ele é meio isolado da cidade de São Paulo.

Chegando lá o @VozdoAlem foi dormir, já que tinha mais de 24hs que tava acordado, e eu fui me alojar, me cadastrar. Em resumo, foi bem bagunçada a chegada na CP, falta de informação, e auxílio da galera do apoio. Depois de fazer todos os cadastros, fui procurar  minha barraca, tarefa nada fácil.

Uma boa alma do apoio que estava passando de patins me deu uma força para achar, joguei tudo dentro de barraca e parti para enfim chegar ao evento. Um ano de espera foi recompensado e dei de cara com um galpão gigante com milhares de pessoas conectadas!!!

Quando consegui me instalar, achei ter perdido a carteira, o coração veio na boca, corri na barraca , achei ela lá!  Achei melhor me organizar primeiro  antes de voltar para o galpão já que cada vez que você tem que sair , tem que ser revistado e passar o crachá e o note. A primeira pessoa que encontrei foi @gutierrezdanilo (mais conhecido como GUTIEEERREEEZZZ), que me levou para a bancada do Clã Whatever. Lá tava todo mundo: @thiagogomes_, @dojii, @dmartinss, @crisrodrix, @fabio_uliana, @harrylacerda, @dmartinss, @taiarock, @laurabuu, @benecsa, @DuqueW, @anarecalde, @alexandre_ojapa, @stephanmartins… e a @BarbsM que encontrei de uma forma inusitada:  ela perguntando para o Danilo se eu já tinha chegado, que ela tinha visto o Voz largado num puff da Vivo, e ele falou que sim, estava do lado dele ai que ela me reconheceu! Mais a noite chegou o brother @andresinkos e a @dani_rodrigues, e no mesmo dia também conheci a @dehkawaii (caso tenha esquecido alguém do #clawhatever, favor se apresentar nos comentários).

A noite pra mim foi curta, coisa de uma e pouco da manhã fui dormir, estava cansado da viagem, trabalhos, etc.

 

PS: vou dividir meu post da #CPBR4 em algumas partes para não ficar cansativo!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

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[#CPBR4] A Noite da Dança

 

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Se tem uma coisa que descobri é que consigo atrair gente pra Campus Party só tuitando. Não é grande coisa, mas me diverto com isso. Ano passado li um monte de gente dizendo que ia esse ano só porque havia lido uns tuits que escrevi. Esse ano não deu outra e a Mayanna Rodrigues, uma das Fetish Dolls que conheci na Erotika Fair do ano passado, se interessou em aparecer por lá. Sabendo que a presença dela poderia gerar episódios interessantes, digo que venha que dou um jeito dela entrar.

Durante a semana ela acaba não podendo ir, mas no sábado me avisa que tá chegando. Quando ela manda um SMS me dizendo que tá na portaria, vô até lá, damos uma volta na área Expo (liberada para o público) e vamos até a entrada principal. É nessa hora que ser VIP mostrou mais uma vantagem: foi só mostrar meu crachá que descolei uma pulseira pra ela.

Após uma meia hora dando voltas e voltas mostrando o evento pra ela, sentamos na mesa e fazemos o que todos fazem: Twitter. Um certo tédio se instala, e o evento mostra que tem horas em que fica bem paradão também. Depois que volto da janta, mais um pouco de tédio… até que a música que tocou no vídeo de encerramento (não lembro o nome, vejam o vídeo abaixo e me digam) tocou em alguma corda na cabeça dela e ouço a pergunta: “Posso subir na mesa?” “Pode, é só não acertar meu notebook”, responde o Torto. A Mayanna então olha pra mim e repete a pergunta, já entusiasmada. Eu digo que tudo bem, assumia a responsabilidade.

Ela então sobe na mesa… e bem, toma conta do evento, como era de esperar. Em questão de um minuto, ninguém mais prestava atenção no vídeo do palco principal, todos os olhares estavam nela, e Eu lá, vendo tudo de camarote.

 

Eu sou o cara de verde, sentado

 

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Depois vamos lá pra fora passar o resto da madrugada na Campus B, onde rolam beijos lésbicos, seios de fora e outras coisas até às 9h, que escrevi num texto aí pra cima.

Avatar Diego Jordan

Fábulas

 

Capa Volume 100 - João Ruas

A arte que escorre das mãos de James Jean garantiu a Fábulas um cartão de visitas impecável. Em um desenho de curvas sutis em traços fortes e um sombreamento impressionante, Jean transformou as capas de Fábulas em quadros que se tornaram cada vez mais expressivos e grandiosos. Lembro que quando comecei a ler, a revista encontrava-se por volta do volume 70, eu não aguentava a curiosidade e ficava olhando as capas dos volumes mais adiantados sem me preocupar com spoilers, apenas com a vontade de apreciar as capas. Como os melhores capistas, Jean capta muito bem todas as subjetividades da obra, as capas se transformam em imagens que ganham todo o sentido após terminar de ler o volume, e em certos momentos essas imagens parecem à cena que faltou dentro do quadrinho.

O capista também faz uma ótima participação no especial, Fábulas – 1001 Noites, neste além da capa Jean desenha o conto Um Olhar de Sapo, que conta o passado do Príncipe Ambrose, também conhecido como Príncipe Sapo. Fábulas não é o único trabalho de Jean, ele também foi capista do quadrinho escrito por Gerard Way, vocalista do My Chemical Romance, e desenhado pelo brasileiro Gabriel Bá: Academia Umbrella. Recentemente nos Estados Unidos foi relançado um especial contendo apenas as ilustrações das capas de Fábulas desenhadas por Jean. Foi relançado porque a primeira impressão não deu pra quem quis. Por aí você tira se James Jean é ou não foda. Atualmente o artista dedica-se a trabalhos completamente autorais, fazendo de obras de arte abstratas a retratos e estudos de musas da sétima arte hot (Sasha Grey).

Atualmente as capas estão nas mãos do tupiniquim João Ruas (mais um reafirmando a grandiosidade dos nossos artistas). Sim, o cara é brasileiro e faz um trabalho tão bom quanto o de James Jean, tendo todos os pontos fortes que citei ao falar do primeiro capista. A verdade é que ambos pertencem à mesma escola, um olhar desatento pode nem perceber a troca de artistas. Eu gostaria de escrever trilhares de conceitos técnicos sobre desenho e pintura, porém meus conhecimentos não me permitem, mas acredito que o pessoal desta área possa se interessar em analisar as obras dos caras e o pessoal que só curte ver um bom desenho pode dar uma procurada só pra conhecer. Vale a pena ao menos pelo deleite visual.

A arte de Fábulas atualmente encontra-se nas mãos de Steve Leialoha e Mark Buckingham, mas no princípio no lugar de Buckingham trabalharam Lan Medina e Craig Hamilton, que até hoje fazem algumas participações em alguns contos. Na realidade, vários artistas fazem participações em Fábulas: Leialoha e Buckingham desenham a coluna vertebral, o que sustenta e aquilo que realmente influencia o decorrer da série. Os contos que Willingham normalmente usa para amarrar as pontas soltas da história ou só para contar uma boa história são desenhados por vários outros artistas. Listar o nome de todos esses artistas daria um tremendo trabalho, sem contar que a maioria eu nem mesmo conheço, vendo-os apenas em Fábulas. Mas posso citar aqui o nome da ganhadora do Eisner Awards de 2010, Jill Thompson, com sua participação no conto Divisão Justa no já citado Fábulas – As 1001 Noites.

 

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A história de Fábulas é bem famosa; trata-se do exílio de todas as Fábulas que conhecemos, indo do “inocente” Pinóquio ao “sanguinário” Lobo Mau. Exilados, mais precisamente em Nova York. Expulsas de suas terras por um inimigo em comum conhecido apenas como O Adversário, as Fabulas foram obrigadas a aprender a tolerar, respeitar e até mesmo a perdoar muitos de seus inimigos. Tudo para garantir a própria sobrevivência em uma terra nova e completamente desconhecida, onde toda a magia que outrora fora completamente comum agora não passa de algo escasso e racionado. Começamos o quadrinho em Nova York, com João do Pé de Feijão, alardeando ao xerife Lobo Mau que sua namorada Rosa Vermelha, irmã da Branca de Neve, fora brutalmente assassinada.

A partir desse ponto Bill Willingham começa a sua trama, resolvendo o mistério do assassinato e introduzindo os leitores a parte do nosso mundo onde habitam inesperados visitantes: as Fábulas. Então, quando nos damos conta, estamos completamente envolvidos com a vida dessas Fábulas, com seus romances aparentemente impossíveis, suas picuinhas medíocres e suas lutas políticas. Toda a história vai se tecendo com uma quantidade surpreendente de pontas soltas que pouco a pouco vão sendo habilmente amarradas, e você se toca que qualquer ponto de interrogação que apareça será resolvido seja agora ou daqui a cinquenta edições. Da mesma maneira que há uma quantidade enorme de pontas soltas há também uma enorme quantidade de temas abordados, e aí você acaba se tocando também que Fábulas é uma miríade de sentimentos e reflexões, um mosaico construído de amor, fraternidade, amizade, política, religião, literatura, heroísmo e mais um monte de coisas.

Willingham escreve uma obra para ser percebida em suas minucias, onde todos os personagens têm suas vidas particulares, com seus próprios problemas domésticos e seus próprios demônios pra resolver, mas também para ser entendida em um grande panorama onde toda uma comunidade se esforça militar e politicamente na tentativa de voltar para as suas terras natais. Isso é mais uma das coisas que dá a Fábulas um ar grandioso, por ser algo que cai tanto na gravidade dos grandes problemas políticos como diplomacia e a eleição de um representante maior, quanto na condição mais intima do ser humano (embora sejam todos Fábulas, não seres humanos), é o momento em que você se envolve com o amor não correspondido de Bigby Lobo, a dor de perder toda a família do príncipe Ambrose, da tristeza que este mesmo príncipe e Pinóquio sentem ao perder um grande amigo, a insatisfação de ver a própria irmã se transformar em uma inimiga, a empreitada heróica de Azul a procura de autoafirmação, a depressão em que se afunda Rosa Vermelha quando descobre tardiamente que amava alguém que não está mais entre eles, a tentativa de Frau Tortekinder de recompensar com muito esforço o favor daqueles que ela fez tanta questão de um dia destruir.

 

As 1001 - Noites, James Jean

Bill Willingham criou um quadrinho original em cima daquilo que já existia, sem deixar de dar sua mão aos antigos personagens: Branca de Neve não é aquela criatura frágil que conhecemos, o Príncipe Encantado, como já é de se esperar, não é exatamente o príncipe dos seus sonhos, e talvez você descubra que o verdadeiro príncipe na realidade é um Lobo. Da mesma maneira que a personalidade de alguns personagens mudou, mudaram também suas lendas e por aí você deve esquecer os sete anões legais que ajudaram branca de neve. Willingham foi um cara muito esperto ao conceber a ideia de Fábulas, mas como uma grande ideia não é nada se não tiver alguém competente para desenvolvê-la, Willingham se mostrou um escritor versátil e com um grande poder de argumentação. Sua escrita vai evoluindo com o passar da série e se moldando conforme é seu conto, podendo ser um grande relato de segunda guerra ou a linda narrativa de uma aventura épica. Seu poder de argumentação por vezes se mostra gigante, e é possível mudar de lado diversas vezes ao ver seus personagens protagonizando intensos debates. Além de Fábulas Willingham escreveu Sandman Apresenta, House of Mistery, Marvim Punpkin Head, Robin e mais coisas que dão preguiça de digitar.

Provavelmente não exista necessidade de uma resenha dessas, acredito que boa parte dos leitores do NSN que curtem quadrinhos já lê Fábulas e boa parte dos que não lê já escutou falar, porem como a série alcançou em dezembro a marca de 100 edições, sendo o primeiro quadrinho nascido dentro do selo Vertigo a alcançar esta marca, achei que merecia um post pelo menos em tom comemorativo.

 

Autor: Bill Willingham

Editora: DC Comics/Vertigo

Nota: 9,5

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Avatar Voz do Além

[#CPBR4] A Campus B

 

Nerdeliciouss e Mayanna - Sussi

Na Campus Party 2011 uma das pouquíssimas coisas que me tiraram do sério - além das filas pra beber água, usar a privada, as filas pra entrar nas filas… basicamente as filas que um VIP não tinha como escapar, por não serem oficiais - foi o excesso de regras. Ano passado um espírito anárquico brando se instalou no local, apesar das rígidas regras necessárias quanto a equipamentos e bebidas (regras burladas algumas vezes, só pra constar). Esse ano, algumas regras chatas me irritaram. Uma delas foi com os puffs. Como muitos sabem, não levei nem nunca mais levarei colchão e travesseiro pra Campus Party, e por esse exato motivo dependo dos puffs pra dormir minimamente confortável, afinal não sou militar como o Humberto, que consegue dormir sem colchão na barraca e não amanhece como o Quasímodo. Em uma noite, uma das seguranças do estande da Vivo, me impediu de pegar o puff pra dormir perto da minha mesa. “Ótimo”, exclamo, “vou dormir aqui então”. “Não, estamos limpando”.  “Vou dormir aonde, então?”. “Nas barracas”. “Não, paguei para usar todos os espaços da dependência do evento, e farei isso”. A sorte é que no outro estande da Vivo/Telefônica havia vários puffs - alguns no formato perfeito para dormir, não exigindo o ritual de amacia-lo, o que leva uns cinco minutos - e dormi por lá mesmo.

Mas como era de se esperar, as regras eram afrouxadas assim que se cruzasse o portão principal. Esse era o espírito da Campus B: nada de regras, só respeito. No fim das contas, era simplesmente um grupo se reunindo pra falar merda e beber, esquecendo um pouco de computadores e experimentando o melhor da Campus Party: a socialização. Não é difícil imaginar que alguém não muito fã das palestras e oficinas como Eu logo elegeu a B como o melhor da Campus.

 

 

Começou tudo na terça-feira (na verdade começou em 2009, mas Eu não estava em 2009, e em 2010 não participei da B), do lado direito da entrada principal do pavilhão. O Torto, um mestre cervejeiro nato, pediu umas cervejas a mais pro grupo do Hugo, ele trouxe umas 10 a mais e umas seis pessoas as tomaram perto da fila do ônibus. Tudo normal, mas começou a aparecer mais gente e mais gente. Então, o perímetro foi cercado e uma entrada de 10 reais foi estabelecida, tudo em nome da compra contínua de cerveja.

O fluxo de gente começou a aumentar, umas 20 pessoas já estavam na área, com os restos de umas 150 latinhas de Itaipava e Brahma Chopp aos pés. Os papos eram bem nerds. Uns falando de trilha sonoras de Tarantino, outros dos primórdios dos computadores e videogames. No meio dessas conversas rolou uma aposta: uma ruiva magrinha metida a sabe tudo apostou com o Hugo que tocador de piano em Kill Bill NÃO era Samuel L. Jackson! Ela queria uma boneca de 50 reais se ganhasse, o Hugo só um beijo. Como creio que qualquer um de vocês sabe, ela perdeu feio, e uma simples consulta no iPhone mostrou isso. Mas na hora H ela deu pra trás, dizendo que era noiva e tudo o mais, enchendo os ouvidos de todos com babaquices das piores - não apostasse, se não ia pagar. Nesse momento, surge uma das figuras mais bizarras do evento: uma loira semi-traveco - que segundo informações seguras que tive na última noite do evento, era do grupo da Microsoft - que qualquer um que a observe por dois minutos saca se tratar de problemas. Algum espertinho sugere que ela beije a Loirão, o que as duas acabam fazendo e a aposta termina por aí.

Por volta das 23h, alguém da organização pede para todos que estão na B irem para a área do refeitório 24h, alguns minutos andando depois. Tudo para evitar barulho. Vamos pra lá e deixamos um rastro de umas 300 latinhas pra trás, que espero que tenham sido recicladas, em nome da sustentabilidade. Por lá, mais horas se passando… mais bebedeira… mais papo nerd… Mac vs Windows vs Linux… Opera vs os outros navegadores… designers são viados ou não?… os músicos sabem mais que os advogados?…

Foi nessa noite que comprovei que esse lance de nerd não chega nas meninas tem um outro lado também. As meninas que estavam por lá (não citarei nomes, não trabalho no EGO, mas tem editora de blog famoso no meio) entraram no clássico modo Cu Doce quando investiram com mais força. Uma lá chegou a me chamar no canto - e Eu imediatamente reagi com um apertão na bunda dela - mas somente para me mostrar que o dono do veículo buscador de cervejas estava pegando a Loirão (conversando com ele depois, acabei sabendo que na verdade ele tava tentando tira-la a força do carro dele). Acabou que a noite terminou no zero a zero para todos, muito graças às meninas, devo acrescentar, que já deviam estar com o ego lá em cima devido as cantadas (ruins) que tinham ouvido nos primeiros dias do evento.

 

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A Nerdeliciouss apertando os peitos da Mayanna (Eu sou o de verde)

No segundo dia de Campus B, novamente mais cervejas e mais papo furado. Mas dessa vez surgiu um problema: segundo a organização, tava rolando venda de cerveja ali na área, o que sinceramente Eu desconhecia, já que o esquema que usávamos envolvia pagamento adiantado e um carro buscando as bebidas. Conversamos um tempo e até deram uma Coca pra um dos seguranças, mas logo a polícia (ou Guarda Metropolitana, se preferir) apareceu e identificamos o alvo: um campuseiro estranho dono de um Celta (acho que era Celta, sei lá)… e a Loirão. Para piorar a situação, o estranho vai lá e fecha o porta-malas do carro com a chave dentro, depois que a Guarda conversa com ele. Um carioca que veio na minha caravana tenta abrir o porta-malas, mas acaba não tendo sucesso. O carro da Guarda dá meia volta e fica por ali, de olho no Estranho. Eu e o Torto preferimos ir embora e deixar a bebedeira pra trás, mas um grupo de umas 40 pessoas ficou por lá.

No fim das contas, só volto pra última noite, já que na noite seguinte pedem pra gente não fazer (queriam fazer uma cilada pra Loirão) e na outra vou pra Augusta comparecer no Nerdeteco (épico, por sinal) e só volto no sábado. No sábado tivemos uma atração toda especial (falo mais no próximo post): a Mayanna Rodrigues, das Fetish Dolls. Depois de uma dança que efetivamente parou toda a Campus Party, ela foi pra Campus B e ficamos por lá noite adentro.

Em meio a beijos na boca com meninas e seios com piercing de fora, pode-se dizer que essa foi uma das melhores noites do evento. Enquanto ela bebia doses de tequila, Eu me contentava com cerveja e assim a noite foi indo, com nerds babando e Eu falando asneira. Lá pelas 2 da matina aparece uma das maiores figuras que conheci durante todo o evento: o Luiz Sussi, do Nerdrops.

Com mais tequila na mão e uma idéia na cabeça (beijar a Mayanna, pelo menos), o Sussi continuou sua empreitada e a noite foi indo, e quando percebi estava bêbado e quase brigando com Henrique Minimim, o Jackass wannabe brasileiro, que mesmo querendo brigar por ter ouvido um “Vai se foder” da minha pessoa, é gente boa, mas tava acompanhado por um amigo mala e intrometido. Joguei panos quentes na pequena confusão e ele foi embora. Antes disso ainda tive o prazer de conhecer o bon vivánt e fotógrafo de gostosas Thiago Marzano! Depois de horas bebendo, de ter visto mais beijos, mais peitos, o que o Pablo usava por baixo do kilt (NÃO CLIQUE), resolvo ir tomar banho e esperar o horário de ir embora, mas sem Campus B o evento não teria metade da diversão que me proporcionou.

 

PS: para ver as fotos proibidas do evento (não muitas), visite nosso Flickr.

Avatar Beatriz Paz

Dexter no Escuro – Crise de Identidade?

 

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Olá leitores lindos! Enquanto a nossa chefia tá na Campus Party dormindo em puffs, sofrendo com a falta de energia, ganhando regalias em geral e festejando como se não houvesse amanhã, a gente trabalha (Nota do Editor: voltei ontem, mas estou tão morto como se tivesse por lá). Mas não que isso soe como uma coisa negativa, muito pelo contrário você sabem que nós o amamos.

E hoje continuarei com a minha saga de resenhas do assassino mais querido por mim e pela crítica depois de Hannibal Lecter, sim estou aqui com a missão de resenhar mais um livro da brilhante série escrita por Jeff Lindsay, Dexter no Escuro. Se você é novo no pedaço e não quer ler as minhas outras duas resenhas, eu te dou uma breve explicação: Dexter trabalha na polícia forense de Miami como um perito em borrifos de sangue, só que ele tem uma característica que o difere dos demais seres humanos que pertencem ao seu circulo social, Dexter é um serial killer.

No entanto, ele não sai matando a torto e a direito, como já foi explicado na minha primeira resenha, Dexter segue do “Código de Harry”, código esse que foi criado por seu pai adotivo e que o permite matar somente pessoas que mereçam morrer.

 

Dadas as devidas explicações agora é hora do livro. No terceiro volume o perito em borrifos se encontra numa situação nunca antes presenciada por ele, o stress. Caso vocês não se lembrem, Dexter é incapaz de sentir qualquer tipo de emoção devido ao seu Passageiro das trevas e condição dada devido ao Evento Traumático. Porém tudo muda e vira a vida de Morgan de cabeça para baixo quando a sua Sombra e companheiro fiel simplesmente resolve desaparecer.

Ao investigar uma cena de crime bizarra envolvendo corpos queimados e cabeças de touro de cerâmica, o Passageiro das Trevas se sente ameaçado e foge para algum lugar fora de Dexter e isso o deixa completamente confuso e indefeso, pois agora ele terá que lidar com todos os seus problemas sem a frieza lógica e praticidade que a sua condição lhe dava.

Resumindo, com a ausência do Passageiro, a pressão de Cody, Astor e Rita (se eu revelar alguma coisa é spoiler, desculpem), a volta de uma pessoa indesejada e o fato de que há alguma força maligna sondando Dexter, o policial tem ainda que enfrentar seu pior inimigo: Emoções humanas. Sim, o monstro matador é capaz de sentir e ele não fica nem um pouco contente com isso.

No decorrer do livro Dexter descobre que para recuperar seu Passageiro e ter sua vida normal de volta, ele precisa primeiro de tudo resolver o crime bizarro, descobrir quem ou o que é essa força maligna intitulada de “Eles” e fazer perguntas que ele nunca havia feito antes. Quem é o Passageiro? Por que ele existe dentro dele? Como ele funciona e como ele pode voltar? Eu particularmente nunca tinha feito esse questionamento a respeito do protagonista e achei muito interessante Jeff Lindsay abordar o transtorno neural de Dexter dessa forma.

Outra coisa que eu adorei a respeito desse livro foi o fato de ter a imagem do Poderoso e Invencível Dexter completamente destruída. Morgan sem o Passageiro é só mais uma pessoa inteligente, ele fica fraco, confuso, nervoso, perdido. Ele fica mais humano conforme o stress e a pressão psicológica aumentam e os assassinatos com corpos queimados e cabeças de touro continuam a ocorrer.

É como todos nós ficamos durante um dia infernal ou uma semana de provas finais da faculdade, inconscientemente nós achamos que só porque Dexter ser um assassino frio, ele não tem as suas fraquezas e se distancia da imagem de ser humano por ter que fingir ser um no meio dos demais, no entanto isso não é verdade e o fato do autor explorar os limites psicológicos e até emocionais do personagem nos faz gostar de Dexter mais ainda.

Agora, quanto ao Passageiro das Trevas, entre os capítulos do livro existem trechos que narram a existência, criação e migração daquilo intitulado somente de “A COISA”, sua origem e comportamento como se ela fosse um ser superior aos demais. Num primeiro momento achei que o transtorno que transforma as pessoas em seriais killer ia ser tratado como algum demônio ou possessão, mas como Jeff Lindsay aparentemente não viu Rec 2 então estamos salvos de mais uma reposição religiosa no lugar da ciência. Ainda bem.

 

Como sempre, os livros da série Dexter nunca decepcionam e eu particularmente adorei o final desse volume, não dá pra contar muito sem spoiler, mas o que me fez gostar tanto foi que você precisa pensar para conseguir entender o motivo pelo qual aquilo aconteceu e se você soltar uma risadinha quando descobrir não se espante, humor negro é assim mesmo.

E se você já leu o terceiro volume e está subindo pelas paredes para conseguir colocar as garrinhas no quarto, não pule da janela de desespero, o próximo livro da saga Dexter – Design de um Assassino (ou “Dexter by design” no título original em inglês), tem previsão de chegar as prateleiras em fevereiro desse ano pela editora Planeta. Agora é só esperar para mais uma vez morrer de amores pelo assassino mais querido da atualidade.

 

Título: Dexter no escuro (Dexter in the dark)

Autor: Jeff Lindsay

Páginas: 285

Nota: Fucking 10 de novo, porque eu amo esse homem

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Avatar Voz do Além

[#CPBR4] (Des)Conexão

 

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Se teve uma coisa que a edição 2010 (a minha primeira) da Campus Party deixou claro foi: a estrutura técnica era um primor; chegava 2012, mas as coisas no evento ficavam da mesma forma. Esse ano trataram de mudar isso. Não sei se porquê ano passado o sistema não foi colocado no limite (e pelos temporais que caíram, creio ele ter sido testado sim), mas o fato é que nessa edição do evento a rede caiu mais que V-2 em Londres na época da II Guerra.

A primeira vez rolou logo na segunda, primeiro dia do evento. A segunda-feira na Campus Party só serve pra duas coisas: descansar e já ir se aclimatando a conexão. Não existe programação oficial, no máximo uma abertura à meia noite - esse ano foi um show legalzão dos Seminovos - e como pouca gente se conhece, tudo depende da conexão pra acontecer de verdade. Dessa vez o povo tava destruído pelas filas e tava tudo meio paradão… até que umas 2h50 da matina a luz cai. Um pequeno caos organizado se instalou. Berros, correria e tudo que se espera de pessoas que só querem uma fagulha de problema pra propagar um pouco de bagunça.

Mas o cansaço do povo logo os aquietou. Umas quatro da manhã Eu fui dormir - e no outro dia leio que a culpa da queda de energia tinha sido de um carro maroto que bateu num poste. Ótimo, acordo com tudo nos eixos, parecia mais o Apagão que Gabriel Dread tinha pedido ao Interney quando pediram dicas de coisas que podiam rolar no evento. Mas na terça-feira, por volta das 18h, outro apagão rolou, graças a um temporal dos mais sinistros. Os mais atentos com a repercussão do incidente perceberam que uma espécie de queda de braço entre a organização do evento e a Eletropaulo ocorreu. A organização soltou uma nota dizendo que toda a região do Imigrantes havia ficado sem luz… mas a Eletropaulo rebateu, dizendo que não havia registrado quedas de luz, jogando os problemas pras costas da Campus Party.

Deixando de lado esse problema chato, os nerds aproveitaram para mais caos e levantaram a bunda da cadeira. Como é de praxe, várias pessoas pegaram os notebooks e escreveram mensagens com piadinhas inseridas. Coisa como “Põe GVT aí”, “Troco comida por conexão de 500 KB” e “Sigam Jesus Luz no Twitter”. Nessas horas fica patente o diferencial do público do evento: os problemas são sempre minimizados, o povo é pacífico pra cacete. O aquário da Telefônica, onde se localizam os servidores da Campus, tinha apenas um segurança na porta pra tomar conta da multidão de nerds “ensandecidos” na porta, que cercou o lugar e berrou sem parar. Os funcionários lá dentro coçavam a cabeça sem parar, devido a pressão na cabeça.

Enquanto isso, mais manifestações de humor relacionadas ao apagão. Retiraram a Santa Banda Larga do lugar dela - ao lado do palco - e desfilaram com a bendita por aí, provavelmente imaginando uma forma de oferecer um sacrifício a Santa e restabelecer o reinado dela. Mas o pior ainda estava pra chegar: um enorme pênis (benga, pica, pau… para os mais vulgares) inflável apareceu nesse momento. Me ponho a imaginar que tipo de pessoa tem a idéia de levar um falo pra Campus Party e preferi não chegar a conclusão alguma.

Passado esse Caos - divertido, na minha opinião - ouvimos as clássicas promessas do Mário Teza, diretor da Campus Party (em substituição ao carismático Marcelo Branco, que saiu com a reputação ainda mais em alta e esse ano tava “só curtindo”, segundo ele). Dessa vez ele prometeu mais quatro geradores, que segurariam o tranco. Na quarta-feira ele anuncia que outros 1o geradores foram comprados (não sei se mais 10, ou ao todo foram 10).

Eles seriam colocados a prova horas depois. No meio da tarde de quinta-feira, uma chuva apocalíptica caiu em São Paulo. Se por um lado ela levou embora o forte calor que tava instalado na cidade, por outro levou a energia embora mais uma vez. Mas os geradores mostraram serviço e tudo foi restabelecido em poucos segundos. No entanto, teve uma coisa que a organização não conseguiu evitar: a entrada de água no pavilhão, graças ao vento fortíssimo. Alguns solucionaram o problema com um guarda-chuva sobre o notebook, outros simplesmente mudando de lugar. Eu simplesmente achei engraçado, afinal, não estava entre os afetados. Uma meia hora depois a chuva se vai, e a energia cai novamente por alguns segundos para que novamente recebemos a corrente da Eletropaulo.

 

Nos outros dias tudo transcorreu normalmente, sem qualquer problema com relação a parte técnica. Mas ficou a dúvida: era um problema da organização, que não tinha feito as instalações a contento, ou da Eletropaulo e dos acidentes nos postes? Devo dizer que pra mim foi um pouco dos dois. Não creio que a Eletropaulo deva ser isenta, já que no último incidente devido ao temporal, ficou mais ou menos claro que algum problema por parte dela realmente existiu - algum teórico da conspiração deve dizer que tudo não passou de armação da Futura Networks, organizadora do evento, pra tirar a culpa das costas deles, mas não creio que isso tenha rolado - mas a organização do evento realmente deveria ter considerado que sem energia a Campus Party não funciona, e tratado de arrumar os 10 geradores logo de cara - rodando o Centro de Exposição Imigrantes, só consegui achar cinco.

Mas como diz meu pai: “Brasileiro só fecha a porta quando é assaltado!

Avatar Murilo

Mulheres

 

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Sou apenas um alcoólatra que virou escritor pra poder ficar na cama até à hora do almoço

O processo de escrever um romance é longo e pessoal. São raros os que conseguem fazer como Jack Kerouac e Robert Louis Stevenson, caras que já escreveram livros inteiros em míseros três dias (Os Subterrâneos e O Médico e o Monstro, respectivamente). Alguns até vão perdendo o fôlego. Na página 100 podemos ver o autor respirando com dificuldade, na página 200 já está quase desistindo e daí ele só rasteja até a linha de chegada, acabado.

O esforço para concluir um romance pode levar meses ou até anos. Um trabalho duro, onde seus autores, quando realmente bons, são seu sangue e alma. Imaginam cada detalhe mínimo da história, repassam cada linha. Um trabalho mental tão forte que é natural que uma marca pessoal fique impressa no livro, mesmo que inconscientemente. Ainda mais natural é que esse caráter íntimo mude com o passar dos anos e dos romances, a ponto de uma obra do autor ser completamente diferente da anterior. Stephen King comenta que quando pega um livro dele com mais de cinco anos de lançamento tem a impressão que não foi ele quem o escreveu. O Machado de Assis realista é muito superior ao Machado ingênuo do Romantismo. Ray Bradbury escreveu pequenos clássicos do horror antes de repudiá-los e se voltar para a ficção científica. Anne Rice criou excelentes livros de vampiros antes de se dedicar aos seus atuais romances com temática cristã.

Entretanto, também existe um tipo raro de escritores talentosos que praticamente não mudam seu estilo durante toda a vida. Lovecraft, quando escreveu o último conto da sua curta vida, ainda abordava horrores mais antigos que a humanidade, que deveriam permanecer inauditos e já estavam presentes em seu trabalho desde a época de amador, aos quinze anos. Clarice Lispector manteve-se fiel ao fluxo de consciência, mostrando o universo mental dos personagens de forma não linear. Passado e presente, realidade e sono se confundem entre si. Diversas linhas narrativas se entrecruzam, sem preocupações com lógica.

 

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Mas, provavelmente, nenhum outro escritor permaneceu tão uniforme em temática e estilo quanto o contista, poeta e romancista Charles Bukowski. Isto não é uma crítica ao Velho Safado, como também era conhecido.  É a prova de que suas centenas de poemas e contos e seus seis romances que ainda fascinam milhares de leitores em todo o mundo, podem ser encarados como uma única e extensa Obra. Não foi à toa que John Martin, o primeiro a lhe dar uma chance como escritor, organizou uma coletânea das melhores histórias desse que é o maior expoente da contra-cultura norte-americana. Isso só foi possível por um motivo. Porque Bukowski escrevia sobre si para falar do mundo. Sua obra, era a sua vida. Seu protagonista, ele mesmo. Com um senso de humor cáustico e auto-irônico, escreveu histórias profundamente auto-biográficas, com uma falta de discrição e sinceridade tão grandes, que ele citava, sem nenhum problema, nomes verdadeiros. Isso quando não fazia duras críticas às pessoas que o cercavam. Não era raro que várias pessoas brigassem com ele por causa disso. Ele simplesmente sentava com uma garrafa de bebida na mão à máquina de escrever e deixava a escrita se fazer naturalmente, sem amarras. Explorava fatos comuns que lhe aconteciam diariamente, transformando sua rotina em obra de arte.

Bares fedendo a mijo e vômito, prostitutas sujas e velhos decadentes, corridas em hipódromos, o estilo coloquial e sujo. Estes são alguns dos elementos presentes na maioria dos textos de Bukowski. Outro é Henry Chinaski, alter-ego seu, que aparece em Mulheres e em contos, poemas e em mais cinco livros.

 

As mulheres me conheciam por antecipação por causa dos meus livros. Eu me expunha neles. Por outro lado, eu não sabia delas. O risco era todo meu. Eu podia ser morto. Eu podia ser capado. Chinaski sem as bolas. Poemas de amor de um Eunuco”

O amor é bom pros os que agüentam a sobrecarga psíquica. É que nem tentar carregar uma lata de lixo abarrotada nas costas, nadando contra a correnteza num rio de mijo.

Mulheres (1975), o terceiro romance de Bukowski, é sobre o que o próprio nome já indica. Os relacionamentos de Henry Chinaski com as muitas mulheres da sua vida. Nada de romance meloso aqui. São histórias de casos breves de garotas que se encontram com ele por causa da sua fama como escritor e de outras que se envolvem por mais tempo. Como a Lydia, que sempre aparece pra espancar as novas mulheres de Chinaski ou a Sara que dorme toda noite com ele sem nunca transar porque sua religião não permite. O sexo é descrito com riqueza de detalhes, a ponto de ser quase um romance erótico. Ficamos a nos perguntar como um cara com mais de cinquenta anos, assumidamente velho e sujo, fazia tanto sucesso com as mulheres. É verdade que o próprio Buk diz que o que escrevia era ficção, a vida melhorada e, segundo alguns biógrafos, ele nunca transou tanto quanto Chinaski.

A linguagem de Bukowski é como uma marretada, forte e perigosa, mas dada com humor e ternura. Mulheres é um livro capaz de te rir alto, mesmo quando nos mostra Chinaski nas piores situações. E era isso que diferia Bukowski de tantos outros escritores bêbados: seu humor. Com ajuda dele conseguiu o sucesso e também foi considerado o último escritor maldito da literatura americana.

Eu era a soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um deus, nem me preocupava com política. Estava ancorado ao nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso.

Os personagens, por serem inspirados em pessoas que existiram, são alguns dos mais reais que se pode encontrar em um romance. Todos têm seus próprios cacoetes e defeitos próprios, maneiras particulares de falar. Bukowski tentou trazer a linguagem das ruas. Seus diálogos são coloquiais, comuns. Talvez por isso ele fosse um mestre dos diálogos. Alguns deles são memoráveis, permanecendo gravados nas cabeças de seus fãs muito tempo depois de fechar o livro pela última vez.

 

-Quantos anos ela tem?

De repente, silêncio no jato. Todo mundo em volta escutando.

-23

-Ela tem cara de 17

- Tem 23

-Ela ficou duas horas se maquiando pra agora cair no sono...

-Foi só uma hora.

-Vocês estão indo pra Nova York?

-Estamos.

-Ela é sua filha?

-Não, eu não sou pai nem avô dela. Não tenho nenhum parentesco com ela. É só minha namorado, e a gente ta indo pra Nova York.

Dava pra ler a manchete estampada em seus olhos:

MONSTRO DE HOLLYWOOD DOPA

GAROTA DE 17, VAI COM

ELA PRA NOVA YORK, ONDE

A SUBMETE A ABUSOS SEXUAIS,

VENDENDO DEPOIS SEU CORPO A DIVERSOS VAGABUNDOS.”

Bukowski, como sempre, não se limita a contar uma história. Ele dá sempre a sua opinião polêmica sobre tudo a cada página. E sobra pra quase todo mundo. Os escritores mais famosos da sua época não passavam de porcaria pra ele. Era um poeta que odiava conversar sobre literatura e quer distância de outros escritores, sejam bons ou ruins. Pra ele, no fundo, eram todos uns chatos.

 

A pior coisa prum escritor é conhecer outro escritor e, pior ainda, é conhecer outros escritores. Um bando de moscas em cima da mesma merda.”

“Tem um problema com os escritores. Se o livro de um escritor foi publicado e vendeu um montão de cópias, o cara se acha um grande escritor. Se o livro de um escritor foi publicado e vendeu um número razoável de cópias, o cara se acha um grande escritor. Se o livro de um escritor foi publicado e vendeu muito poucas cópias o cara se  acha um grande escritor. Se o livro de um escritor nunca foi publicado e o cara não tem dinheiro suficiente pra publicá-lo por si mesmo, aí é que ele se acha um grande escritor. Mas, a verdade, é que há muito pouca grandeza. Quase inexistente. Invisível. Pode estar certo de que os piores escritores são os que têm mais autoconfiança e se põem menos em dúvida. De qualquer jeito, é melhor evitar os escritores, é o que sempre tentei fazer, mas é quase impossível. Eles sonham com uma espécie de irmandade, de união. Nada disso tem alguma coisa a ver com escrever, nada disso ajuda na máquina.

A maioria dos críticos só enxerga o lado mais obsceno e superficial de Bukowski. Mas ele sempre vai bem mais fundo do que isso. Só em Mulheres ele dá a sua visão sobre o sentimento que inspira todas as formas de arte desde os mais remotos tempos: o amor. O amor, o sexo e as mulheres na visão particular do Velho Safado.

 

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Quando um homem precisava de muitas mulheres era porque nenhuma delas prestava.

Decidi que ia viver até os 80. Imagine ter 80 anos e trepar com uma garota de 18. Se tem algum jeito de roubar no jogo da morte o jeito é esse.

Mulheres é um ótimo livro, mas não chega a ser o melhor de Bukowski. Misto-Quente consegue ser ainda mais engraçado, tocante e melhor escrito. Até a história deste, a infância e adolescência problemáticas de Henry Chinaski, é mais fácil de causar identificação nos leitores. Mas Mulheres guarda em sim os principais elementos que fizeram Bukowski ser um dos maiores escritores dos Estados Unidos. A capacidade de fazer muito com pouco, escrevendo sem rodeios ou enrolações, deixando implícito o que quer passar ao leitor em uma ou duas frases. Essa é uma das suas maiores qualidades: a concisão. Aliás, todo escritor deveria ter essa habilidade: a de evitar toda e qualquer palavra desnecessária. As caracterizações dos personagens de Bukowski são breves e precisas. As descrições de ambientes são rápidas, quando feitas. Fico me perguntando porque aqueles romancistas de hoje que dão o relatório completo de cada roupa dos personagens e listam seus hábitos alimentares não tentam seguir um caminho semelhante. Então lembro que é porque eles não têm competência para tanto.

 

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Bukowski se deu relativamente bem no Brasil. Tem mais de dez livros publicados e um bom número de leitores fiéis. Mas Mulheres está terrivelmente fora de catálogo, só podendo ser encontrado em bibliotecas (meu caso) e em sebos. Este é apenas mais um dos muitos livros essenciais que estão esgotados no Brasil. Um capítulo essencial da vida de Henry Chinaski, à espera de uma nova edição. Já está mais do que na hora de Bukowski ser amplamente reconhecido pelos brasileiros.

 

Autor: Charles Bukowski

Páginas: 284

Nota: 8,5

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Avatar Colaborador Nerd

[Pipoca e Nanquim] O Cavaleiro das Trevas

Por Pipoca e Nanquim 

 

54 - O Cavaleiro das Trevas - Pipoca e Nanquim - Cinema e HQs por pipocaenanquim no Videolog.tv.

Olá pessoal, sexta feira é dia de videocast e apesar de 2/3 da equipe estar curtindo umas férias (atrasadas), não podíamos dar furo com vocês, então preparamos um super-programa com um tema que é pauta obrigatória em qualquer lista dos 10 mais de todos os tempos: O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller.

Na verdade, tal qual foi com Watchmen, essa obra seminal tem tanta coisa às quais podemos nos referir, que o programa acaba ficando curto, mas conseguimos dar uma passada na história (para qualquer um que tenha estado em marte nos últimos anos e ainda não leu a HQ – como o Bruno – é isso aí, o segredo foi revelado), comentamos aspectos estéticos e narrativos, panorama político, discutimos a relação entre Batman e Superman (traçando um paralelo com a própria sociedade norte-americana) e falamos mais um monte de besteiras que, com alguma sorte, farão algum sentido para alguém.

É isso aí, galera, não esqueça de mandar seus comentários. E a semana que vem tem mais!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Avatar Colaborador Nerd

As Invasões Bárbaras

Por Jenny Taylor

 

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Teoricamente eu sou jovem, não jovenzinha, apenas jovem. Quando tu passa dos 25, tu te sente velho, e quanto mais às portas dos 30 (28 para os leigo) pior. Trinta anos é muita coisa, ainda mais quando tu passou infância, adolescência e início da vida adulta num país que mudou tanto quanto o Brasil.

Analisem comigo, quando eu nasci, ainda estávamos na ditadura, depois vieram as primeiras eleições livres, tivemos a belíssima era Collor com aquela linda da Zélia Cardoso. Quando eu era bem juvenil, a gente trabalhava com uma inflação anual média de mais de 700% (casos que tu ia no mercado, o feijão custava um preço de manhã, a tarde quando tu voltava era outro maior), depois veio Itamarzinho que começou a desenhar uma mudança com sua equipe econômica, pra culminar no Real de FHC. Foi meio loucura, de repente a moeda do país valia um dólar. UM REAL UM DÓLAR. De repente a gente ia no cinema e custava 4 reais (inteira, no final de semana no shopping), o ônibus custava 45 centavos, o cigarro 1,50 e a gente passou a usar moedas novamente. Puta mudança radical. Daê veio o Lulinha Paz e Amor, o tiozão tirou uma pá de gente da pobreza, criou a nova classe média e colocou muita gente pra consumir. Mais gente consumindo, mais investimento, economia sólida e em franco crescimento. É onde a gente se encontra agora.

 

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Pra que essa conversa toda? Pra mostrar, pra você, que é realmente ~~~~jovenzinho~ como as coisas eram mais difíceis antes. E não só na economia. Quando eu era criança e adolescente não existia internet, aliás, eram poucas as pessoas que tinham computador em casa. Lembro que um primo meu mais velho tinha, e aquilo era muito mágico, mas nem servia pra muita coisa. Meu irmão uma vez ganhou aquele computador que na verdade era um teclado que tu ligava na televisão, meio nadavê. O máximo era ter um Pense Bem (versão 80’s dos laptops do Ben 10 de hoje em dia). Telefone era só fixo (na verdade isso pra mim valeu até meus 25 anos. Detesto celular).

Também não era bonito ser nerd. A bem da verdade, nerd era aquele cara espinhento que sentava na primeira fileira e só tirava notão. Ninguém gostava dele, ele não era cool, não era descolado, era só um loser (que entrou na faculdade, ficou rico e agora ri de todo mundo. Por isso estudem, crianças).

Gibi era coisa de criança. Quem lia gibi era estigmatizado. Era estranho, era fora do mundinho. Pra vocês terem uma idéia, quando eu comecei a ler gibi de heróis, por que eu sempre li Mônica, Asterix e Garfield, aliás, Garfield saía nuns gibis que tinham formato de caderno de caligrafia, foi uma surpresa sem tamanho achar aquele A Última Caçada de Kraven (lançado no país pela Abril em 1991). Era grande, o papel brilhava, diferente dos formatinhos de papel jornal. E pasmem, tinha uma guria quase sendo estuprada. SHOCKE né, afinal gibi era pra gurizada.

Nessa época tenra e saudosa, meu irmão assinava o pacote Abril com Marvel e DC, e depois de ler aquele gibi diferente eu abri o armário dele e comecei a ler tudo. Chegava o pacote, ele lia e eu ficava esperando pra ler também. Eram anos que separavam nossa cronologia da gringa. Eram cortes, remendos, mudanças de desenho, de texto, nome de personagem, que a Abril fazia para adaptar as histórias. Como lançavam muito pouco aqui, algumas coisas simplesmente ficariam sem sentido.

Por muito tempo, muito tempo mesmo, amarguei traduções de Jotapê Martins e adjacências colocando nomes de amigos nos figurantes ou então créditos de colorização: Flora, Carmem (pergunte pra qualquer leitor de gibi com mais de 25 anos e eles lembrarão das coloristas de um nome só da Abril).

Gibi era relativamente barato, e muito sucateado, apesar de ter muito mais anunciante que hoje. Anunciantes esses que eram todos de produtos infantis, como Neston, um sacolé vagabundo que tinha uma menina loira que parecia o capeta, Doriana (que inclusive fez uma promoção dos heróis na embalagem) Ping Pong e o imortal Instituto Universal Brasileiro. Propaganda essa que revelava outra faceta dos leitores de gibis, se não era criança, era jovem com pouca educação que faria um supletivo ou curso técnico por correspondência. Só para fazer um paralelo para que nunca comprou gibi gringo, os anunciantes lá são lâminas de barbear, carros e o Exército Americano.

Se já era difícil pra guri, imagina pra mim, menina, que além de ler gibi, curtia futebol (e futebol era coisa exclusiva de homem ou lésbica caminhoneira). Eu fui taxada de tudo por que não era modinha beijar as amigas. E pior, eu sempre curti caras, mas os meninos do colégio só gostavam de mim por que eu tinha videogame. A maioria hoje, se me encontrar rasgará o cu de raiva por que fiquei gata (risos).

Falando em videogame... eu tive Atari (tenho foto minha de fralda do lado de um). Depois implorei por meses por um Master, joguei muito aquele joguinho de atirar nos patos, Double Dragon, Alex Kidd etc etc etc. Depois implorei mais umas horas por um Mega Drive... CARALHO UM MEGA, SONHO DE CONSUMO. Muito Sonic (uoooopa nas fases de água, diz aí), Mortal Kombat com Sonia e sua chave de buceta, e doses diárias e intermináveis de Super Mônaco GP. Depois disso meu pai me achou velha demais para ganhar ~~~~joguinhos~ e tinha que ir na casa dos amigues para curtir um Saturn, o máximo da evolução dos games. ERA UM CD...UM CD, TRI MODERNO!!!. Nintendinho, SNES eu nunca tive, só podia escolher um console por vez (essa sou eu BBB, pobrinha contando as dificuldades), mas sempre dava um jeito de emprestar por uma semana e tals. Quando meu pai casou de novo, o filho da minha madrasta tinha um Nintendo 64. Eu perdi séculos de mi vida jogando Mario Party, 360°, sem falar nos Pokemons que eu jogava no PC ou Tomb Raider (comecei a jogar no primeiro, na época que Lara Croft era quadrada).

 

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Aí veio a internet. Não que ela não existisse. Existia, mas era restrita. Lembro que meu primeiro contato foi na faculdade onde minha irmã estudava, eu devia ter uns 15 anos. Atravessava a cidade toda sexta para poder usar um pouco no laboratório de informática da UFRJ. Depois disso comecei a ir todo final de semana pra firma do meu pai usar, depois ele colocou em casa, mas era discada, só podia usar depois da meia noite e domingo. Mas quando ele viaja eu ficava all day logada naquilo. Usei navegador do AOL, chat do UOL, e-mail do BOL e ICQ era a novidade mais quente. MIRC nunca usei por que nunca entendi (sou burra).

Cada página demorava tipo umas cinco eras geológicas pra carregar, mas mesmo assim era divertido. Conheci muita gente que tenho contato for real até hoje, meio que crescemos juntos. Viramos adultos, casamos, tivemos filhos, nos formamos, abrimos empresas, divorciamos, até morremos, é engraçado.

Coisas que jamais imaginei começaram a acontecer. A Abril numa tentativa desesperada de elitizar seus gibis lançou a linha Premium, em formato americano, papel couché, 100 páginas e custando 10 reais. Foi um chute nos bagos de quem tava acostumado a pagar 3 reais por gibi. Não durou muito.

Chegou a Panini e aconteceu o que aconteceu, mantiveram o formato, baratearam o papel, encheram a banca de mix e fizeram um preço dentro da realidade. E cada vez mais lançamentos... até a época que não valia mais a pena comprar os importados na comic shop (comic shop na época do dólar 1 por 1 era festa, depois veio o dólar livre e virou 1 real – 4 dólares). TPs, títulos que a gente nunca imaginou que veria por aqui.

Começaram a fazer filmes de gibi, filmes bons (na medida do possível, eu sou contra eles. Meu lado Alan Moore diz que gibis foram feitos para serem lidos, não assistidos), as crianças gostam, novos leitores aparecem, gente que me zoava na escola por ler gibi e jogar videogame, hoje, acha tri cool essas coisas. Eu chamo de civil recém-convertido, e funciona como os novos cristãos: na minha Inquisição por quem é tr0o leitor de gibi e gamer, eles não passam. Hoje em dia é bonito perder o dia na internet, ler gibi, jogar, ver filmes de coisas da minha época, tipo Tron (uma merda, filme bom mesmo é Os Heróis Não tem Idade. Quem lembra me add). Viraram modinha.

É bom pra mim? Por um lado. Hoje eu posso ir numa loja de brinquedos e comprar action figures variadas. Na minha época eram ~~~hominhos~ (no máximo bonequinhos) da Gulliver. Posso comprar vários produtos DC e Marvel que seriam impensáveis tempos atrás aqui no país. Mas mesmo assim, eu me sinto um pouco violada. Invadida. Como se bárbaros tivessem tomado conta do meu pacato vilarejo.

 

PS: quem lê gibi de verdade cheira a revista. É sério.


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