segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Avatar FiliPêra

[Resenha] Fringe - 1º Temporada

 

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O Mistério e o Desconhecido são talvez o ponto alto da TV americana. Embora mega sucessos como Two and a Half Men, The Big Bang Theory, House, Law & Order e CSI se baseiem em premissas e conceitos diferentes, as séries que ficam na boca do povo e criam gerações de fãs têm sempre uma ponta de mistério. Foi assim com Twin Peaks, que representou uma virada dramática no estilo de se fazer séries de TV nos EUA, parindo uma nova era do estilo seriado americano, com Arquivo X (quase um filhote direto do estilo de Twin Peaks), e mais recentemente, com Lost.

Fringe provavelmente não vai alcançar o status de sucesso de nenhuma das três séries de mistério citadas, mas com certeza deve obter fãs (já obteve… e obtém, na verdade), gerar discussões conspiratórias, e influenciar outras obras. No quesito audiência, que no fim das contas é o que interessa aos produtores, estreou com metade da audiência de Lost, apesar de ter tido um dos pilotos mais caros da história da TV (tá bom, ter 1h 40min de duração deve ter ajudado muito). No quesito qualidade os espectadores ficaram divididos. Uns viraram fãs de cara, enquanto outros afirmaram que a série só é elogiada pelo fato de ter a marca J. J. Abrams nela.

O fato é que inovação Fringe tem pouco. O modo como é construída a trama, as relações entre os personagens, o clima de mistério… você já viu em outros lugares. Há ecos de Arquivo X, do próprio Lost, e até umas pitadas da série de quadrinhos Planetary. A grande inovação já está estampada no nome: o seriado trata de ciência, não ficção pura, e sempre que pode é verossímil. Acredite, muitas das coisas que estão no seriado, chamados de Ciência de Borda, ocupam as mentes de pessoas premiadas por sua inteligência (o termo Fringe rotula esse tipo de ciência, geralmente não apoiada em evidências comprovadas, mas em suposições).

Nesse conceito, uma série de casos bizarros surgem na frente da Divisão de Ciência de Borda do FBI. A própria abertura do seriado - uma das únicas que não adianto - já dá dicas das coisas loucas que serão encontradas por lá: mundos paralelos, telecinese, telepatia, leis da física impiedosamente quebradas, monstros geneticamente modificados… essas coisas. Mas, como era de se esperar de um bom seriado recheado de teorias da conspiração, a estruturação da série, assim como seu ritmo, são perfeitos: cada episódio com um mistério diferente, mas com uma trama misteriosa, grande e complexa sendo desenvolvida nos bastidores.

O estilo quebra-cabeça pode lembrar o irmão mais velho, Lost, mas a forma como os mistérios são passados diferem. Enquanto Lost é um gigantesco mundo com diversos personagens, com tramas intricadas e trajetórias interligadas; Fringe é basicamente sobre um grupo do FBI investigando os mistérios do mundo. Os mistérios surgem de dentro pra fora em Fringe, enquanto em Lost são de fora pra dentro.

Não existem os incessantes rodeios de Lost - que convenhamos, em alguns momentos cansaram, apesar de que a série voltou ao seu nível nas últimas temporadas -  ou o estilo horizontal de contar história, com respostas gerando mais dúvidas do que certezas (sou fã de Lost, e realmente espero que o final ao menos explique tudo!). Em Fringe, apesar de uns três ou quatro episódios da série serem fracos (a primeira temporada possui 20 episódios), existem alguns sensacionais (como os três últimos, por exemplo) que simplesmente soterram qualquer possibilidade de você achar a série ruim. Ajuda o fato de Eu ter assistido essa temporada da maneira que gosto: em uma maratona de dois dias!

No centro de tudo temos o trio Olivia Dunham, Peter e Walter Bishop. Olivia é a agente durona, decidida, linda e inteligente, e que não perde um caso. É o principal nome por trás da Divisão Fringe. Já Peter e Walter são pai e filho que possuem uma relação difícil. Walter é um brilhante cientista pirado, que passou quase duas décadas num manicômio, além de no passado ter sido chefe de pesquisas de Ciência de Borda do Exército Americano. Seu filho Walter é do tipo genial com QI altíssimo, mas foge do passado, vagando de país para país cometendo pequenos crimes e se envolvendo em negócios sujos (ou algo mais que isso, como verão no fim da temporada).

 

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Dos três, o destaque é Walter (John Noble, o Denethor, de O Retorno do Rei). Seu tipo maluco e brilhante, vai da sanidade a loucura em segundos. Fora seus lapsos de memória e manias bizarras. É com certeza o achado da série. Olivia, apesar da dedicação e beleza, é apenas OK, e sua atuação não se destaca, apesar de não comprometer a série. Já Peter tem seus momentos, alguns excelentes, outros em que só serve para preencher linhas de diálogo. Em certas horas suas observações chegam a soar irritantes. No geral ele serve de elo de ligação do seu pai com o mundo, traduzindo as maluquices dele, e tentando entender seu modo de agir.

Dos coadjuvantes, o destaque fica com Phillip Broyles, o chefe da Divisão. É uma espécie de Nick Fury; um Samuel L. Jackson sem motherfuckers e caladão, que não teme arriscar a carreira em nome da Divisão, como mostrou em seus confrontos com o Analista do Departamento de Segurança, Sanford Harris. Temos também Nina Sharp, uma das chefes da Massive Dynamics, uma empresa meio evil que parece estar por trás de várias coisas que estão rolando ao longo da série, e que pela ligações entre elas, recebem o nome de O Padrão, que seria uma série de experiências genéticas, e aparentemente bioterroristas, feitas por pessoas desconhecidas, e que usam o mundo como laboratório.

Como disse anteriormente, assisti a primeira temporada de Fringe numa cacetada só, levando dois dias, então para mim fica difícil falar algo a respeito de irregularidade dos episódios iniciais (que realmente existem). Mas uma coisa posso dizer: a season finale é uma das melhores coisas que você já viu nos últimos anos, daquelas de derreter seu cérebro e faze-lo escorrer pelo nariz. Logicamente ele lança mais questões do que propriamente responde (além de colocar o Dr. Robert Jones como um vilão extremamente interessante), mas esse é o praxe para uma série desse nível.

 

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É fã de Arquivo X? Veja. É fã de Lost? Veja. É fã de sci-fi? Veja. Não é fã de nada disso e acha séries americanas uma droga? Veja também. Se ainda não viu, baixe tudo e veja de uma vez só, é vício na certa, assim como certa série com gente perdida numa ilha.

 

PS: a arte conceitual de Fringe é a melhor das séries americanas, como bem atestam seus pôsteres.

PS 2: Abrams mostra sua veia trekker de novo, e coloca Leonard Nimoy no último episódio, além de inserir certas referências a Jornada nas Estrelas nas tramas.

Fringe (EUA, 2008)

1º Temporada: 20 Episódios de uma hora

Criação: J.J. Abrams, Alex Kurtzman e Roberto Orci.

Nota: 8,5

2 Comentaram...

Felipe Storino disse...

O final da temporada foi bom, mas acho que a série só chegou aos 20 episódios por causa do nome do Abrams ali. Pra mim, quem realmente salva a série é o doutor Bishop. Aquela atriz que interpreta a Olivia é patética, tem sempre a mesma expressão em todos os momentos: alegria, tristeza, dor...

Mesmo assim, resolvi continuar assistindo e o 1º episódio da segunda temporada foi bem legal, espero que continue assim. Mas ainda acho que Fringe não sem compara a Arquivo X e Twin Peaks.

Thiago disse...

Estou procurando na net reviews como esse de Fringe porque, sinceramente, não consigo entender o que ela tem.
Acho o roteiro péssimo, cheio de chutes. O Dr. Bishop é um especialista "em tudo". Não importa quão bizarro, improvável ou em que ramo do conhecimento: Dr. Bishop já trabalhou num projeto sobre isso e vinte anos atrás! Ele entende de teletranspote, cirurgia cerebral, evolução, fazer cerveja (sério...) tudo... Fica muito fácil explicar os problemas assim...
A agente Olivia Dunham é pessimamente interpretada. Chega a dar raiva. Sempre está com a mesma cara, mesmo sorriso John Travolta.
O Peter Bishop era pra ser mais interessante. O que adianta ter um super QI se todas as observações são óbvias? Nos 10 primeiro episódios ele fica dizzendo "é impossível"...
ah, não importa quão complicado seja o mistério, em um episódio ele será resolvido. Sempre.

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