Mostrando postagens com marcador HQ's. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador HQ's. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Avatar Felipe

A nova DC Smallville Style

 

image

As primeiras informações que surgiram a respeito do mais novo reboot da DC Comics já foram preocupantes. Eram coisas como super-heróis mais jovens e em início de carreira, ainda sendo temidos pela sociedade. Mas o que mais me chamou atenção na época foi a notícia que dizia que o Superman não seria mais casado com Lois Lane. Não apenas isso, segundo boatos, ele vai ter um caso com a Mulher-Maravilha. Depois de ler isso eu tive a certeza de que esse reboot não era algo apenas para consertar furos na cronologia e atrair novos leitores, mas sim um novo Universo DC feito para os fãs de Smallville. E hoje, depois de ter lido a primeira edição da nova Liga da Justiça, percebo que eu tinha razão.

O roteiro dessa primeira edição é simplesmente babaca e poderia perfeitamente se encaixar em algum episódio de Smallville. E olha que ele foi escrito pelo Geoff Johns, um dos maiorais dentro da DC atualmente. A história começa cinco anos no passado, época em que os heróis começaram a surgir de acordo com a Nova DC. Ela mostra Batman caçando uma criatura pelos telhados de Gotham, enquanto ele próprio é perseguido pela polícia. Não demora muito e surge o Lanterna Verde (Hal Jordan) dizendo que está atrás de um alienígena ilegal na Terra. E é aí que se percebe que esse é um gibi feito para crianças e adolescentes.

A primeira coisa que os dois heróis fazem é discutir e ficar se exibindo, principalmente o Lanterna, que faz questão de afirmar o tempo inteiro que seu anel energético pode fazer qualquer coisa. Sem contar que sobrou para o pobre Hal Jordan o papel de leitor novato, sempre afirmando coisas que todo fã de quadrinhos sabe, como o fato do Batman não ter super poderes ou a existência da Tropa dos Lanternas Verdes. E assim segue a relação do Batman com o Lanterna, um querendo aparecer mais do que o outro.

Mas quando parece que as coisas não podem piorar, eis que nas duas últimas páginas surge o Superman, com uniforme novo sem cueca vermelha por cima da calça. E a primeira coisa que ele faz é levar o Lanterna Verde a nocaute e desafiar o Batman pra porrada com uma frase de efeito: “Eu não sou fácil de lidar. O que você pode fazer?”. E pelos previews da segunda edição, eles vão realmente sair na mão. Porra, o Superman que eu conheço evitaria uma briga até mesmo se o Batman cuspisse na cara dele. Imagina se ele ia puxar briga simplesmente porque o homem-morcego e Hal Jordan estavam procurando por ele.

O tipo de atitude que os heróis mostram nessa primeira edição de Liga da Justiça é aquele que era visto em Smallville, quando Clark sempre brigava com algum novo herói antes de se tornarem amiguinhos e irem caçar o vilão do episódio. Infelizmente, leitores das antigas, que acompanham quadrinhos há mais de vinte ou trinta anos não são o público alvo da nova estratégia da DC. Ao invés de tentar a criação de um universo alternativo como a Marvel fez com o Ultimate, a DC simplesmente resolveu ignorar os fãs e focar na molecada com menos de 13 anos.

E nesse sentido, eles realmente podem obter sucesso, principalmente com a arte de Jim Lee, que desenha cenas de ação muito bacanas. Só não sei se os executivos já se tocaram que um dia esses novos leitores vão crescer. O fato é que, infelizmente, a julgar por essa primeira edição, parece que a DC será a nova Image: desenhos maneiros, repletos de pancadaria, mas com roteiros abaixo da média.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Avatar Colaborador Nerd

Minha Experiência com Transmetropolitan

Por Paulo Roberto, do Em Paralello

 

image

Bebericando uma xícara do que Spider Jerusalém chamaria de “aprimorador de inteligência”, termino a leitura do Volume 1 de Transmetropolitan. Sempre me considerei um nerd, se alguém me sacaneasse, o que era algo corriqueiro na minha infância, eu batia no peito e saía na porrada dizendo: “Vai se fudê sou nerd mesmo e daí?”. Lendo um post do Coringa Files sobre Transmetropolitan no blog pensei: “Que merda de nerd eu sou se nunca li uma HQ na minha vida?”, isso mesmo eu NUNCA li sequer um gibi da Mônica que seja em toda a minha existência. Sempre curti animes, RPG, mulher pelada, LEGO… tudo que um nerd curte. Foi então que me senti um nerd incompleto, mais que isso senti a proeminente necessidade da leitura de uma HQ.

Devidamente conectado, abri o site da Saraiva e comprei a edição especial que a Panini estava lançando de Transmet em capa dura compilando as seis primeiras edições em um excelente acabamento (que fique bem claro que não estou ganhando nada com isso). Exageradamente falando, a ansiedade tomou conta de mim, parecia uma criança no final do ano quando coloca as sandálias na janela e não consegue dormir ansiosa para saber o que Papai Noel irá trazer de presente para ela. Até que finalmente, após 4 dias (demorou, hein Saraiva!), ela chegou. Abri o invólucro e me deparo com aquele careca sacana, fumando um cigarro e sorrindo. O cheiro de novo, as páginas ainda grudando umas as outras começo quase que de imediato a minha leitura.

É uma porrada, não sou jornalista, não sou político são duas coisas que não entendo lhufas. Meus amigos FiliPêra e Dolphin têm me ajudado a navegar por esses dois mundos desde que os conheci, confesso que ainda tenho muito a aprender, mas hoje sei mais do que há algum tempo atrás e isso tenho que agradecer a eles. Você deve estar se perguntando: “Você tá chapado de cafeína?” “O que isso tem a ver?”, e eu respondo: TUDO! Transmetropolitan é uma aula de jornalismo mostrando que hoje o que realmente vende não é a verdade em si, mas a mentira onde as notícias são manipuladas chegando de forma deturpada às pessoas que acreditam pia e cegamente em todas elas sem questionamentos. Nem vou falar dos políticos que fazem absolutamente de tudo para conseguirem se eleger e depois em um surto de esquecimento literalmente cagam diante das promessas que fizeram (não estou generalizando então não me encha o saco).

Exemplo disso é quando Spider Jerusalém está no telhado de um clube de strip no meio de uma confusão dos infernos e diz:

 

“Desculpe. Essa observação foi muito pesada para você? Isso se parece demais com a verdade?

Bom. Vocês mereceram. Com seu silêncio.

Seu chefe faz o que quiser. O babaca da cabine do pedágio, o leão de chácara do bar que vocês frequentam, o segurança que revista você na clínica, os jornais e sites de notícias que mentem pra vocês porque estão a fim.

Eles fazem o que querem. E o que é que vocês fazem? Vocês pagam a eles.

Este “tumulto” aqui, esta terrível tempestade de merda que cai sobre um bando de fetichistas ingênuos e metidos a besta; vocês pagaram por ela. Vocês que comam tudo.

Vocês devem gostar de quando as pessoas que detêm a autoridade e que nunca fizeram por merecer mentem para vocês”

Qualquer semelhança com os dias de hoje não é mera coincidência, Transmet é assim, uma porrada atrás da outra, a luta de um jornalista que anseia pela verdade, de levar às pessoas o que realmente elas deveriam saber, a pensarem de forma crítica sobre os acontecimentos que os cercam. É claro que nem tudo são flores na vida de Jerusalém, após ser ovacionado e seu editor, como ele mesmo disse, estar “quase batendo uma punhetinha de tanta felicidade” retorna para casa e no caminho é recebido por policiais que o espancam dizendo: “Se foder com a gente de novo, volta pra casa num saco”. Mas ele não se abate, afinal de contas ele é um jornalista, porra! Jornalistas não choram! Mesmo ensanguentado ele se levanta sentido o furor de sua glória que se externava naquele momento, as gargalhadas diz: “Eu tô aqui para ficar! Atirem em mim e eu cuspo suas malditas balas de volta no rosto de vocês! Eu sou Spider Jerusalem, e fodam-se vocês todos Hah!”.

É impossível você não curtir Transmetropolitan, cada página narrada por Warren Ellis nos leva a outra de forma quase que instantânea, você não para até terminar. A arte de Darick Robertson é quase uma ligação neural intergaláctica com Warren, quase beirando aquela cena do filme Demolidor quando Sandra Bullock e Sylvester Stallone colocam aqueles capacetes para transarem, lembra? Darick dá a nítida impressão que consegue ler a mente de Warren trazendo a vida aos personagens mostrando um excelente casamento dos dois.

Eu poderia ficar aqui falando horas sobre as minhas percepções sobre Transmet, é fodástico demais, atual, desafiador ou nas palavras de Garth Ennis: “tão inesperado e natural quanto lágrimas de puta, um pequeno veio de humanidade cotidiana”.

Isso resume um pouco o que é Transmetropolitan...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Avatar Colaborador Nerd

Uma Pequena História dos Quadrinhos Autobiográficos

Por Mauro Tavares, do emQuadrinho*

[*Essa matéria sairia originalmente na Mob Ground #1, mas o Mauro pediu para que Eu a publicasse aqui, já que estamos em processo de reformular a revista. Aproveitem também e leiam o excelente blog dele sobre quadrinhos, especialmente o post que fez sobre a polêmica de uma tradução equivocada da equipe da Panini numa revista do Batman]

img_2091

Quando uma criança rabisca seus primeiros desenhos ela tenta representar o mundo ao redor, os pais, os irmãos, a casa, o cachorro, os colegas de escola, enfim, o universo que a cerca e que ela pode alcançar com as mãos, mas que ainda não compreende. Os desenhos infantis sempre tentam contar histórias da vida da criança, são uma tentativa sincera de comunicação primitiva. Nos primórdios da História das Artes temos as pinturas feitas nas cavernas, onde os primeiros humanos que habitaram o planeta fizeram um esforço sincero para representar o seu cotidiano de caçadas e rituais mágicos, a relação com a natureza e os Deuses. Estes relatos, muitas vezes em imagens claramente sequenciais, podem nos levar a compreender mais acerca do nosso passado.

As Histórias em Quadrinhos, na forma em que se encontram hoje, são a manifestação mais primitiva de uma arte sofisticada, a expressão mais simples e pueril dos grandes sentimentos poéticos antes atingidos pela literatura, a pintura e a poesia em suas formas clássicas. A confirmação desse status, não por acaso, veio dos relatos de histórias reais do cotidiano feitos em forma de quadrinhos, as chamadas HQs Autobiográficas, que hoje fazem grande sucesso e que nos últimos anos se firmaram como um novo gênero da literatura em imagens, também conhecida como Graphic Novel, ou Romance Gráfico.

Podemos rastrear o surgimento da Graphic Novel Autobiográfica até o final dos anos 1960, quando o artista italiano Hugo Pratt narrava as aventuras de Corto Maltese. Suas histórias traduziam para as HQs experiências de viagens pelo mundo realizadas na vida real pelo autor, no entanto, fantasiando-as na saga de um pirata que teria vivido no início do século XX. Pela primeira vez uma História em Quadrinho trazia as experiências do autor como tema, mesmo que ainda não de forma confessional. Além disso, na obra de Pratt também se encontra o germe do que hoje chamamos Graphic Novel. Qualquer um que vier a ler A Balada do Mar Salgado, de 1967, vai reconhecer todos os componentes da moderna História em Quadrinho adulta, ainda impregnada de elementos de folhetim aventuresco comuns nas tiras e séries, porém já plena de dramas, profundidade e sofisticação narrativa que hoje caracteriza o gênero. Pratt cunhou o termo “literatura desenhada” para defini-la.

 

RCrumb-Portrait-1

Foi nos Estados Unidos, exatamente na mesma época, que o primeiro artista de quadrinhos colocou a si próprio como personagem de uma narrativa, e este pioneiro foi Robert Crumb. A idéia surgiu de um defeito pessoal do artista: a sua timidez e incapacidade de lidar com outras pessoas, principalmente o sexo oposto. Antes de se tornar famoso, Crumb era rejeitado pelas mulheres e não conseguia se entrosar com os amigos. Para poder ficar imerso em seu mundo pessoal sem se preocupar com o que os outros diziam, desenvolveu o hábito de desenhar em cadernos, daí surgiu a maioria de suas histórias, observando e desenhando tudo ao redor. Seu espírito satírico e provocador concebeu o que chamamos de Confissões de Robert Crumb, nada mais do que diários desenhados onde o artista, representado por si mesmo de forma pouco lisonjeira, realizava suas taras mais perversas, tirava sarro e ridicularizava os personagens estereotipados e esquisitos dos anos 60: os hippies, as feministas, os místicos e toda aquela fauna de gente doida com quem ele convivia. Mais tarde ele se voltou para sua história pessoal, suas experiências com drogas e a sua infância conturbada, sempre com desenhos selvagens, primitivos e agressivos. O que Crumb fazia não era sério nem tinha a sofisticação da busca por uma “literatura desenhada”, mas o estrago já estava feito, ele se tornou um sucesso e nunca mais as Histórias em Quadrinhos seriam as mesmas.

Os artistas do chamado movimento underground americano seguiram o exemplo de Crumb, usavam temas escatológicos e provocativos, abusavam de nonsense e crítica ao sistema, construindo um misto explosivo de Dadaísmo com os gibis da antiga EC Comics. Eles fizeram uso de narrativas biográficas, não buscavam fazer histórias em quadrinhos para a indústria mainstream, mas também não almejavam um novo tipo de literatura, para eles os quadrinhos não poderiam ser uma forma oficial de arte, mas uma antiarte sem compromissos e muitas vezes panfletária, mesmo que seus gibis tivessem sucesso.

A experiência do underground sessentista com os quadrinhos autobiográficos poderia ter morrido na década seguinte, pois não eram mais novidade e não se afirmaram como um gênero literário, tendo se destacado apenas como realizações isoladas ou idiossincrasias artísticas. Isso se não fosse pela entrada em cena de um amigo anônimo de Crumb que decidiu contar suas aventuras pessoais. Ele era um arquivista de hospital por profissão, crítico de jazz antigo por vocação e decidiu se tornar quadrinhista por teimosia.

Harvey Pekar foi quem realmente transformou os gibis autobiográficos em um gênero. Suas histórias não eram sátiras ácidas e críticas ao sistema ao estilo dos artistas underground, mas sim confissões puras e secas de um cotidiano vivido por uma pessoa comum, sem referência nenhuma a estilos anteriores de fazer quadrinho. Ele foi o primeiro a criar um link entre os quadrinhos e a moderna literatura americana. Com suas crônicas do cotidiano, Pekar conseguiu levar as HQs a condição primitiva que ela necessitava para ser realmente autobiográfica, ele quebrou os limites que os outros não ousaram.

 

harvey pekar, autor de American Splendor

Harvey Pekar

Seus primeiros roteiros foram para o amigo Crumb, que só topou desenhá-los depois de uma certa insistência. O fanzine American Splendor, publicado a partir de 1976, foi o estopim de um novo tipo de quadrinho. Com enredos sem aventura no sentido real do termo, parece tudo muito vazio e entediante, é um universo onde as pessoas e as coisas não oferecem grandes possibilidades nem trazem grandes poderes. Seus personagens não são super heróis pouco humanos nem humanos com superpoderes, são simplesmente pessoas comuns envolvidas com as banalidades do cotidiano. Apesar disso, estas pequenas crônicas miseráveis nos oferecem certo humor e exalam o espírito pessimista que é a característica mais forte da grade prosa moderna de autores como John Fante, Charles Bukowski e Jack Kerouac. Ele fala sobre suas tentativas de vender discos velhos para os colegas de trabalho ou sobre a impaciência nas filas de supermercado, problemas conjugais e rotina, rotina pura e massacrante. De fato, Harvey Pekar, falecido recentemente, pode ser considerado o anti-Stan Lee dos quadrinhos.

Nos anos que se seguiram, outro artista americano, um veterano egresso das tiras de jornais chamado Will Eisner, criador do herói Spirit, buscou inspiração nas realizações dos quadrinhistas do underground, mas sem a agressividade e subversão característica deles. Eisner tinha grande visão comercial e simplesmente juntou a idéia de Crumb de um quadrinho que desprezava os esquemas mainstream de super-heróis e temas prontos voltados para o público infantil, com a sofisticação narrativa dos europeus, então desconhecidos na América, “criando” o que já existia há alguns anos na Europa: a “literatura desenhada”, uma História em Quadrinhos voltada para o público consumidor adulto, que ele, mais esperto do que os demais, chamou simplesmente de Graphic Novel. Eisner seguiu pelos anos oitenta com uma série dessas Graphic Novels, a maior parte delas contando experiências de sua vida real, mas sem se colocar como personagem, ou seja, romanceando os fatos. Até fazer sua biografia propriamente dita - No Coração da Tempestade - em 1991, uma obra pungente e apropriada a sua história de vida. Porém, Eisner nunca ultrapassou certos limites comuns aos quadrinhos mainstream.

Aparentemente sem relação alguma com Eisner, Pekar, Crumb e os artistas ocidentais, um mangaká de nome Keiji Nakazawa apresentou no Japão, a partir de 1972, a obra Gen - Pés Descalços, publicada originalmente em capítulos na revista Shonen Jump. Este mangá conta suas experiências como sobrevivente do extermínio atômico de Hiroshima, em um relato longo, detalhado, dramático e visceral que hoje é considerado um clássico em todo o mundo. Este é um exemplo de que, apesar de ter manifestação mais documentada nas obras do ocidente, os quadrinhos autobiográficos tem seu início acontecendo paralelamente em todo mundo, inclusive no Oriente.

 

Art Spiegelman

Art Spiegelman

Este espírito contagiou novo artistas que admiravam os velhos quadrinhos hippie underground, mas que ao mesmo tempo já sabiam que aquele clima de sátira e combate não diz mais nada aos novos leitores e que também não queriam se dedicar a “renovação dos super-heróis” ocorrida na década de 1980. Foi ao redor de Art Spiegelman, e de sua revista RAW, que uma nova cena underground se formou, agora chamada de “alternativa”. Estes artistas encontrariam sua expressão máxima em quadrinhos que exploravam o cotidiano puro, sem mediações e sem a pretensão de criar aventuras fantásticas. Nesse meio a biografia ou autobiografia se tornou um tema constante. O próprio Spiegelman abriu caminho com a Graphic Novel MAUS, um gibi sombrio e perturbador que narra a história de seu pai, um sobrevivente dos campos de concentração nazistas. Com este trabalho ele atingiu uma marca nunca antes conquistada por uma História em Quadrinhos: recebeu um prêmio Pulitzer. No entanto, a abordagem de Spiegelman é considerada erroneamente como jornalística, o que não se pode confirmar pelo fato de ele narrar a biografia do pai sem ter sequer fatos objetivos, mas sim uma história subjetiva, ouvida fora do tempo e espaço dos próprios fatos.

Os anos 1980 e 1990 trazem um rompimento radical desses artistas alternativos com o modo oficial de fazer quadrinhos, inclusive com o velho underground. Nessa época em que cada vez mais a juventude passou a ver o mundo por trás de uma trincheira de individualismo niilista, com o fim dos velhos ideais de preocupação com o social e a completa derrocada da simples crença no efeito político do trabalho artístico, os quadrinhistas passam a se ocupar com suas fantasias pessoais, suas vivências íntimas e conflitos afetivos e familiares. Nós temos os irmãos Hernandez contando as histórias de um povo simples do interior nas Crônicas de Palomar, e misturando ficção científica com romance barato em Love and Rockets. Temos as histórias sobre adolescentes conflituosos de Charles Burns e Adrian Tomine e os arroubos de cinismo e desilusão de Daniel Clowes.

Na obra de todos esses novos artistas o desenho é o que menos se destaca, parece que o texto finalmente começa a ter uma importância maior nas Histórias em Quadrinhos, o humor como gênero não tem mais preponderância, é apenas um elemento ocasional, não há tanta preocupação com aspectos formais e seus gibis passam a ser lançados como livros por editoras novas dedicadas inteiramente a este ramo, como a Fantagraphics e a Drawn and Quarterly. É nessa época que as Graphic Novels chegam às livrarias, puxadas pelo selo Vertigo e os gibis de super heróis voltados para o público adulto.

Há quem relacione este zeitgeist individualista e alienado ao extremo com o rock pós-punk. Este estilo musical típico dos anos 1980 trouxe acima de tudo um desprendimento do que eu chamo de “obrigação de divertir” da cultura pop, e ao mesmo tempo rompeu com a militância idealista dos seus antecessores punks e o formalismo dos velhos dinossauros do rock clássico. Em letras de bandas como Joy Division o que se vê são frases soltas de angústia e desespero, quem os ouvia estava pouco preocupado com o “sistema” e nem sequer estava se divertindo ou interessado na performance musical, mas celebrando seu mundo subjetivo. O novo quadrinho alternativo dos anos 80 e 90, essencialmente autobiográfico, destruiu certos formalismos e a obrigação de saber desenhar bem, assim como no pós-punk ninguém sabia tocar guitarra nem escrever poesia, mas vivia inteiramente imerso em uma espécie de catarse subjetiva, e fazia isso com uma beleza arrebatadora. Então, a partir de agora, se você faz um gibi, além de não se sujeitar à velha linha de montagem que é a indústria dos super-heróis e de não precisar mais dizer o que pensa do sistema em sátiras ácidas, muitas vezes pueris, você também não precisa mais de um desenho impactante e virtuoso, mas de uma forma intuitiva e intimista você vai desvelando ao mundo o seu universo pessoal, e isso como um homem das cavernas rabiscando na parede, sozinho e sem nenhum consolo.

 

Alison Bechdel, autora de Fun Home

Alison Bechdel, autora de Fun Home

Marjane_Satrapi, autora de Persepolis

Marjani Satrapi, que escreveu Persépolis

Os anos 1990 e a década que chega ao fim confirmaram essa tendência universal. Algumas obras recuperaram certo formalismo em graus variados, mas sempre privilegiando uma certa espontaneidade. No trabalho do brasileiro Lourenço Mutarelli, por exemplo, o mundo se deformou em angústia e desespero, até os antidepressivos viraram poesia, contradizendo a máxima de que o povo do nosso país é extrovertido e alegre, Lourenço registrou uma visão de mundo torturante, parodiando os velhos expressionistas. O japonês Kazuichi Hanawa detalhou de forma repetitiva seu encarceramento por um crime banal em A Prisão. Frédéric Boilet contou suas aventuras eróticas com meninas japonesas em O Espinafre de Yukiko e Garotas de Tóquio. O espanhol Jaime Martin narrou sua juventude perdida sem romantismos em Vida Louca. A americana Debbie Drechsler declarou ter sido estuprada pelo pai. Em Persépolis, a iraniana Marjani Satrapi mostra como era uma garotinha rica e americanizada que sofreu muito com a ascensão do regime dos Aiatolás. O canadense Guy Delisle viajou a Coréia do Norte e trouxe a prova de que o comunismo é o mal eterno.

Ao mesmo tempo, vemos o ítalo-americano Joe Sacco, um jovem discípulo dos velhos autores underground que começou contando histórias autobiográficas de sua vida de estudante, mas que após formar-se jornalista e por gostar de pesquisar os fatos in loco, investiu em narrativas de experiências em zonas de guerra, criando Gorazde e Palestina. Os críticos prontamente chamaram sua obra de jornalismo em quadrinhos, porém elas não passam na verdade de Quadrinhos Autobiográficos contextualizados por fatos verificáveis, às vezes documentados, mas apresentados sob um ponto de vista subjetivo, um tipo de jornalismo visceral e primitivo. O maior exemplo disso talvez seja O Fotógrafo, dos franceses Lefèvre, Guibert e Lemercier, onde um trabalho coletivo esplêndido, mesclando fotografias e desenhos, serve unicamente de escape para uma visão intimista sobre o oprimido povo do Afeganistão.

E hoje temos as maiores premiações dos quadrinhos sendo conferidas à obras de cunho autobiográfico ou biografias romanceadas. Retalhos, de Craig Thompson, é a narrativa juvenil exagerada de uma vivência de amor adolescente, sem atingir grandes alturas poéticas, mas tendo força na sua constrangedora sinceridade - o autor gasta 600 páginas contando sua adolescência nos míseros detalhes - para ganhar inúmeros prêmios. Porém nesse gênero também surgem obras primas, não apenas obras premiadas, o maior exemplo talvez seja Fun Home, de Alison Bechdel, em que a autora narra a descoberta da sua homossexualidade, fazendo um paralelo com a possível homossexualidade de seu pai, tendo como referência grandes obras da literatura. Epiléptico, do francês David B., relata a crise gerada em sua família pela doença do irmão, em um trabalho gráfico magnífico. Umbigo Sem Fundo é uma HQ tosca e desajeitada, com um péssimo desenho, mas com falas e personagens muito bem construídos, contando uma experiência de separação familiar.

E por fim temos obras que não são propriamente biografias, são ficções que trazem elementos da vida comum, sem nada de fantástico em sua composição, ou com apenas algumas referências a vida do autor. Jimmy Corrigan - O menino mais esperto do mundo é uma obra formal, difícil de se ler e que traz uma densa e complexa reflexão sobre relações entre pai e filho. O autor, Chris Ware, sacrificou todo o prazer que pode advir da leitura de uma HQ para criar uma obra única, desagradável e feia, mas poderosa e comovente. Asterios Polyp, de David Mazzucchelli, vencedora do prêmio Eisner deste ano e com certeza uma das maiores HQs já realizadas, conta a vida de um velho arquiteto reaprendendo a conviver com as pessoas, entre considerações filosóficas profundas e uma trama repleta de significados ocultos. Não é uma autobiografia, mas sem dúvida tem elementos da vida do autor.

 

corto maltese

Os limites foram quebrados, muita coisa boa já foi feita e ainda vai ser feita, e mesmo que eu seja uma pessoa que odeia o cotidiano e que urge por se voltar aos universos da fantasia pura, eu aprecio enormemente os Quadrinhos Autobiográficos. Isto por que, quando reconheço que não há fantasia que nos console sobre todo este absurdo da existência e o aluguel está vencendo e tudo em que eu penso é em arrumar uma companhia, ter um novo emprego, beber um pouco mais e compreender as pessoas que me cercam; quando a busca por ideais distantes parece ser a última opção para dar uma continuidade sã a minha vida, o fato de poder saber que outras pessoas, muitas vezes completamente diferentes de mim, que vivem ou viveram em lugares ou épocas distantes, em culturas diversas, têm os mesmos e banais pensamentos e preocupações... eu me sinto menos sozinho, um pouco mais humano e mais integrado.

Na experiência dessas pessoas eu posso buscar uma resposta, ou não, posso achar uma confirmação do meu desespero. E com certeza posso saber que eu não sou o único que está perdido nisso tudo, e a partir dai ter um pouco mais de calma, e um pouco daquela paz que só a arte, esculpindo humanas mágoas, pode nos proporcionar.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Avatar Colaborador Nerd

Transmetropolitan

Por Coringa, do Coringa-Files

 

image

Meu gosto por HQs é variado, passando por Marvel, DC, Dynamite, Avatar e várias outras editoras. Mas o meu preferido mesmo é o selo Vertigo. Com histórias fascinantes que te prendem da primeira a última pagina, e sem aquela lenga-lenga tradicional das HQs de heróis (gosto também, que fique claro) subiu fácil no meu conceito. Mas como podemos conhecer as obras mais importantes se sofremos com o descaso das editoras (Salvo raras exceções) e no meu caso , sou um humilde universitário que não dispõe da verba necessária pra comprar tudo o que sai nas bancas?

Scans. Sim, os temidos Scans. Pra mim, Transmetropolitan é o maior exemplo de que os scans podem impulsionar as vendas de HQs no Brasil.

Acredito que 70% das pessoas que aceleraram o processo de lançamento do encadernado feito pela Panini no ano passado, colocando a hashtag #PublicaTransmet em seus tuits, descobriram essa obra através do ótimo trabalho (hobby) feito pelo pessoal do Vertigem HQ e do finado GIBIHQ. Eu mesmo só comprei o encadernado pelo fato de já ter lido antes pelo PC e ter gostado.

Falo isso por que pergunto às pessoas que conheço e que conhecem Transmet, onde tiveram seu primeiro contato com Spider Jerusalém , e a resposta é sempre a mesma: scans.

Os mais conservadores vão protestar, eu sei, mas isso é fato. Acredito que se as editoras tomassem as medidas certas, poderiam revolucionar o mundo dos comics. Mas esse é um outro assunto, que a gente trata em um outro post.

 

Lá estava eu depois de ler Preacher, caçando alguma coisa interessante pra ler. Busquei nas minhas fontes de HQs e nada. Não foi por falta de bons títulos é claro, mas não achei um que realmente me chamasse a atenção. Até que numa procura despretensiosa me deparei com esse cidadão:

 

clip_image002

E aí, seu puto!

Spider Jerusalém, um jornalista neo-gonzo que alcançou a fama depois de escrever dois livros intitulados Acenando e se Afogando e Tiro na Cara, mas não conseguiu lidar com o status de celebridade. No ápice de seu sucesso, sofre uma bloqueio criativo e não consegue mais escrever como antes. A saída que ele encontra é se exilar numa montanha, longe de tudo e de todos vivendo a base de drogas e TV a cabo.

Após cinco anos nesse exílio, nosso jornalista recebe uma ligação da editora que detém os direitos sobre seus livros. O editor lembra que segundo o contrato, Spider tem exatamente um ano pra entregar os dois livros restantes, e que se esse prazo não for atendido ele terá problemas com a Justiça. Sem ter o que fazer, Spider resolve voltar para a selva de pedras, e procurar um emprego num jornal qualquer. É ai que a estória começa realmente...

 

Warren Ellis (Planetary, The Authority) cuida dos roteiros, e tem a capacidade de nos fazer viciar no “jeitão” de Spider, no seu modo de viver e na sua linguagem, nos levando a pensar se ainda existem jornalistas que estão no olho do furacão. Profissionais que independem de um roteiro ou regra e só estão preocupados em nos passar a informação do jeito que ela é.

Essa é a maior marca do Jornalismo Gonzo. Termo criado por Bill Cardoso, repórter do jornal Boston Sunday Globe, se referindo à um artigo de Hunter S. Thompson. Segundo Cardoso, GONZO seria uma gíria irlandesa do sul de Boston para designar o ultimo homem de pé depois de uma bebedeira.

Thompson deu vida a esse estilo de se fazer noticia, caracterizado por acabar com a distinção entre autor e sujeito, ficção e não-ficção. Seu trabalho mais conhecido foi uma série de artigos lançados na revista Rolling Stone, intitulados Medo e Delírio em Las Vegas: Uma Jornada Selvagem ao Coração do Sonho Americano. O sucesso foi tanto que mais tarde um livro e um filme foram baseados nesses artigos. No Brasil temos como pioneiro no gênero gonzo o jornalista Arthur Veríssimo, repórter da revista Trip. Outros focos do gênero em terras brasucas são as revistas VICE e a VOID. Além de publicações independentes como a TARJA PRETA.

 

clip_image004

Spider e Thompson. Qualquer semelhança não é uma mera coincidência

Os desenhos são conduzidos muito bem por Darick Robertson (The Boys) e incorporam o espirito cyberpunk , repleto de avanços tecnológicos e todo o lixo visual que o futuro nos reserva.

Aqui no Brasil a revista virou uma minissérie contando com as três primeira edições. Depois começou a ser lançada mensalmente pela Brainstore em 2002, sendo lançadas 19 edições até o fechamento da editora. Em 2010 um encadernado digno do respeito que Transmet merece foi lançado pela Panini, Capa dura, papel especial e 146 páginas de HQs. O problema é que já estamos em 2011 e ainda não foram feitos anúncios oficiais quanto a publicação do segundo volume.

Finalizando, Transmetropolitan: De volta as ruas - Volume 1, vale cada centavo de real gasto, e nos deixa com um gostinho de quero mais quando chegamos na ultima página. Desejo realmente que vocês que ainda não conhecem deem uma chance pra essa obra prima da Nona Arte e encerro com um presentinho do Spider pra vocês:

 

clip_image006

 

Título: Transmetropolitan : De Volta as ruas – Volume 1

Editora: Panini

Autores: Warren Ellis

Arte: Darick Robertson

Páginas: 146

Preço: R$ 26,90

Nota: 10

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Fábulas

 

Capa Volume 100 - João Ruas

A arte que escorre das mãos de James Jean garantiu a Fábulas um cartão de visitas impecável. Em um desenho de curvas sutis em traços fortes e um sombreamento impressionante, Jean transformou as capas de Fábulas em quadros que se tornaram cada vez mais expressivos e grandiosos. Lembro que quando comecei a ler, a revista encontrava-se por volta do volume 70, eu não aguentava a curiosidade e ficava olhando as capas dos volumes mais adiantados sem me preocupar com spoilers, apenas com a vontade de apreciar as capas. Como os melhores capistas, Jean capta muito bem todas as subjetividades da obra, as capas se transformam em imagens que ganham todo o sentido após terminar de ler o volume, e em certos momentos essas imagens parecem à cena que faltou dentro do quadrinho.

O capista também faz uma ótima participação no especial, Fábulas – 1001 Noites, neste além da capa Jean desenha o conto Um Olhar de Sapo, que conta o passado do Príncipe Ambrose, também conhecido como Príncipe Sapo. Fábulas não é o único trabalho de Jean, ele também foi capista do quadrinho escrito por Gerard Way, vocalista do My Chemical Romance, e desenhado pelo brasileiro Gabriel Bá: Academia Umbrella. Recentemente nos Estados Unidos foi relançado um especial contendo apenas as ilustrações das capas de Fábulas desenhadas por Jean. Foi relançado porque a primeira impressão não deu pra quem quis. Por aí você tira se James Jean é ou não foda. Atualmente o artista dedica-se a trabalhos completamente autorais, fazendo de obras de arte abstratas a retratos e estudos de musas da sétima arte hot (Sasha Grey).

Atualmente as capas estão nas mãos do tupiniquim João Ruas (mais um reafirmando a grandiosidade dos nossos artistas). Sim, o cara é brasileiro e faz um trabalho tão bom quanto o de James Jean, tendo todos os pontos fortes que citei ao falar do primeiro capista. A verdade é que ambos pertencem à mesma escola, um olhar desatento pode nem perceber a troca de artistas. Eu gostaria de escrever trilhares de conceitos técnicos sobre desenho e pintura, porém meus conhecimentos não me permitem, mas acredito que o pessoal desta área possa se interessar em analisar as obras dos caras e o pessoal que só curte ver um bom desenho pode dar uma procurada só pra conhecer. Vale a pena ao menos pelo deleite visual.

A arte de Fábulas atualmente encontra-se nas mãos de Steve Leialoha e Mark Buckingham, mas no princípio no lugar de Buckingham trabalharam Lan Medina e Craig Hamilton, que até hoje fazem algumas participações em alguns contos. Na realidade, vários artistas fazem participações em Fábulas: Leialoha e Buckingham desenham a coluna vertebral, o que sustenta e aquilo que realmente influencia o decorrer da série. Os contos que Willingham normalmente usa para amarrar as pontas soltas da história ou só para contar uma boa história são desenhados por vários outros artistas. Listar o nome de todos esses artistas daria um tremendo trabalho, sem contar que a maioria eu nem mesmo conheço, vendo-os apenas em Fábulas. Mas posso citar aqui o nome da ganhadora do Eisner Awards de 2010, Jill Thompson, com sua participação no conto Divisão Justa no já citado Fábulas – As 1001 Noites.

 

fablesogn

A história de Fábulas é bem famosa; trata-se do exílio de todas as Fábulas que conhecemos, indo do “inocente” Pinóquio ao “sanguinário” Lobo Mau. Exilados, mais precisamente em Nova York. Expulsas de suas terras por um inimigo em comum conhecido apenas como O Adversário, as Fabulas foram obrigadas a aprender a tolerar, respeitar e até mesmo a perdoar muitos de seus inimigos. Tudo para garantir a própria sobrevivência em uma terra nova e completamente desconhecida, onde toda a magia que outrora fora completamente comum agora não passa de algo escasso e racionado. Começamos o quadrinho em Nova York, com João do Pé de Feijão, alardeando ao xerife Lobo Mau que sua namorada Rosa Vermelha, irmã da Branca de Neve, fora brutalmente assassinada.

A partir desse ponto Bill Willingham começa a sua trama, resolvendo o mistério do assassinato e introduzindo os leitores a parte do nosso mundo onde habitam inesperados visitantes: as Fábulas. Então, quando nos damos conta, estamos completamente envolvidos com a vida dessas Fábulas, com seus romances aparentemente impossíveis, suas picuinhas medíocres e suas lutas políticas. Toda a história vai se tecendo com uma quantidade surpreendente de pontas soltas que pouco a pouco vão sendo habilmente amarradas, e você se toca que qualquer ponto de interrogação que apareça será resolvido seja agora ou daqui a cinquenta edições. Da mesma maneira que há uma quantidade enorme de pontas soltas há também uma enorme quantidade de temas abordados, e aí você acaba se tocando também que Fábulas é uma miríade de sentimentos e reflexões, um mosaico construído de amor, fraternidade, amizade, política, religião, literatura, heroísmo e mais um monte de coisas.

Willingham escreve uma obra para ser percebida em suas minucias, onde todos os personagens têm suas vidas particulares, com seus próprios problemas domésticos e seus próprios demônios pra resolver, mas também para ser entendida em um grande panorama onde toda uma comunidade se esforça militar e politicamente na tentativa de voltar para as suas terras natais. Isso é mais uma das coisas que dá a Fábulas um ar grandioso, por ser algo que cai tanto na gravidade dos grandes problemas políticos como diplomacia e a eleição de um representante maior, quanto na condição mais intima do ser humano (embora sejam todos Fábulas, não seres humanos), é o momento em que você se envolve com o amor não correspondido de Bigby Lobo, a dor de perder toda a família do príncipe Ambrose, da tristeza que este mesmo príncipe e Pinóquio sentem ao perder um grande amigo, a insatisfação de ver a própria irmã se transformar em uma inimiga, a empreitada heróica de Azul a procura de autoafirmação, a depressão em que se afunda Rosa Vermelha quando descobre tardiamente que amava alguém que não está mais entre eles, a tentativa de Frau Tortekinder de recompensar com muito esforço o favor daqueles que ela fez tanta questão de um dia destruir.

 

As 1001 - Noites, James Jean

Bill Willingham criou um quadrinho original em cima daquilo que já existia, sem deixar de dar sua mão aos antigos personagens: Branca de Neve não é aquela criatura frágil que conhecemos, o Príncipe Encantado, como já é de se esperar, não é exatamente o príncipe dos seus sonhos, e talvez você descubra que o verdadeiro príncipe na realidade é um Lobo. Da mesma maneira que a personalidade de alguns personagens mudou, mudaram também suas lendas e por aí você deve esquecer os sete anões legais que ajudaram branca de neve. Willingham foi um cara muito esperto ao conceber a ideia de Fábulas, mas como uma grande ideia não é nada se não tiver alguém competente para desenvolvê-la, Willingham se mostrou um escritor versátil e com um grande poder de argumentação. Sua escrita vai evoluindo com o passar da série e se moldando conforme é seu conto, podendo ser um grande relato de segunda guerra ou a linda narrativa de uma aventura épica. Seu poder de argumentação por vezes se mostra gigante, e é possível mudar de lado diversas vezes ao ver seus personagens protagonizando intensos debates. Além de Fábulas Willingham escreveu Sandman Apresenta, House of Mistery, Marvim Punpkin Head, Robin e mais coisas que dão preguiça de digitar.

Provavelmente não exista necessidade de uma resenha dessas, acredito que boa parte dos leitores do NSN que curtem quadrinhos já lê Fábulas e boa parte dos que não lê já escutou falar, porem como a série alcançou em dezembro a marca de 100 edições, sendo o primeiro quadrinho nascido dentro do selo Vertigo a alcançar esta marca, achei que merecia um post pelo menos em tom comemorativo.

 

Autor: Bill Willingham

Editora: DC Comics/Vertigo

Nota: 9,5

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Avatar Beatriz Paz

Hanna is not a boy’s name – Martelos, runas e zumbis

 

clip_image002

Olá meus queridos leitores lindos! Feliz 2011 para todos(as)! Como foram de virada de ano? Comeram ao ponto da paralisia? Beberam ao ponto de ter que comprar um novo fígado no mercado negro? Sim? Não? Tanto faz! Ano novo, vida nova e POSTS novos! Primeiramente gostaria de pedir desculpas pela vergonha ausência de minha pessoa aqui no Nerds Somos Nozes, pretendo compensá-los apropriadamente pela gafe horrenda e pra começar a recuperação de tempo perdido eu trago pra vocês o meu mais novo achado na internet: Hanna is not a boy’s name!

Sinceramente eu não conhecia webcomics até 2007, quando coloquei os olhos no incrível Sugarshock, webcomic criado pelo brasileiro Fabio Moon e premiado com um Eisner Award de melhor quadrinho digital. Depois disso só scans, mas eventualmente a gente acaba descobrindo maravilhas nesse mundinho sinistro e viciante chamado de internet e foi quando eu por acidente acabei descobrindo esse webcomic criado pela americana Tessa Stone, Hanna is not a boy’s name.

Mas do que se trata a história? Simples, Hanna é um investigador paranormal hiperativo (sim, Hanna é o nome do personagem principal, e não espere ver a Miley Cyrus fumando erva no quadrinho, isso você acha no youtube) de 24 anos que ama Queen, é péssimo no seu ofício, mas tenta de qualquer jeito fazer um bom trabalho. Para isso ele conta com a ajuda de seu martelo marcado por uma runa, magia e um canetão hidrográfico mágico, seu passado é um mistério (mesmo porque ele evita a todo custo falar sobre ele) e seu peito é composto por símbolos estranhos e uma costura em zigue-zague.

 

clip_image004

Uma bela noite recebe uma visita de um zumbi verde e com olhos laranjas brilhantes se oferecendo para ser seu assistente e daí pra frente os dois vão resolvendo casos e novos personagens são apresentados a trama, como o Dr. Worth que de médico não tem nada, Conrad um vampiro de uma presa só e que mais reclama do que faz alguma coisa ou Toni, uma lobisomem de cabelos azuis.

A princípio você pode achar a trama batida ou comum demais, no entanto, como sempre, é o desenvolvimento das coisas que realmente nos mostra se o quadrinho vale, ou não, a pena ser lido. No caso de Hanna sim, ele vale. Seja pelas piadinhas que por mais bobas te fazem dar risada, ou seja pelas referências a cultura pop e títulos literários, como por exemplo as tentativas de Hanna dar um nome para seu parceiro zumbi que não lembra de nada de quando ainda era mortal, como por exemplo Ringo ou Galahad.

Zombie, como é chamado por todos menos Hanna, é quem dá os complementos da narrativa com seus pensamentos e reflexões, e não vá esperando que “Hanna” seja somente um quadrinho de comédia com elementos de terror e ação, há espaço para o drama e suspense. Mas não se preocupe, se você ficou interessado e já está se desesperando porque vai ter que ler muita coisa, relaxe, o webcomic é recente, começou a ser postado em Maio de 2009 e seu tempo de atualização é incerto.

 

clip_image006

Caso você seja o tipo de fã que gosta de descobrir como o design dos personagens foi feito ou a origem da série, você pode encontrar tudo no Deviantart da autora ou mesmo no site onde o webcomic é postado, lá tem o espaço de fanarts, galeria, fórum ou comunidades de fãs. Eu sinceramente adorei o quadrinho e espero que vocês gostem também, e aqui vão as recomendações:

- Você precisa saber inglês pra ler o quadrinho, ou ter uma pessoa de muita boa vontade pra traduzir pra você.

- Ao abrir o site não saia lendo a página a ser exibida, clique em “First” no final da ilustração e depois é só sair lendo como se não houvesse amanhã

Gosta de investigação paranormal com comédia, referências a cultura Pop? Adora Queen? Quer ter uma leitura agradável e divertida com zumbis, lobisomens, vampiros que não brilham e caras com nome de menina? Hanna is not a boy’s name é a escolha certa pra você.

 

Deviantart | Twitter | Site do webcomic

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Avatar FiliPêra

V de Vingança e Os Invisíveis

 

image

Creio que todos sabem que colaboro com o Farrazine com frequência. E os que baixaram as últimas edições viram nelas duas matérias sobre Anarquia nos Quadrinhos, de minha autoria. A primeira sobre V de Vingança e a segunda sobre Os Invisíveis, ambas relacionando as obras com teorias anarquistas conhecidas. Caso você não tenha lido ainda, é sua chance, pois esperei um tempo e postei os dois artigos no NerDevils. O texto sobre Os Invisíveis, inclusive, está com o dobro de tamanho, visto o blog não ter limitações de espaço. Então, é só clicar nos links abaixo e ser feliz!

V de Vingança e Os Invisíveis

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Jonah Hex - Marcado pela Violência

 

quadrinhos[3][1]image

O ano era 1972. Na publicação All-Star Western #10 surge a história de um pistoleiro diferente de tudo o que já havia sido visto pelos leitores. Ela poderia ter se tornado apenas mais uma das muita publicadas na All-Star, mas não foi isso o que aconteceu. Jonah Hex se tornou o grande chamariz, a ponto de ganhar sua própria revista. Depois disso, o personagem passou por várias publicações até retornar em uma série em 2006.

Com o lançamento da adaptação cinematográfica das histórias do pistoleiro Jonah Hex a Panini resolveu pegar carona e compilar as seis primeiras histórias da série Jonah Hex, publicadas entre janeiro e junho de 2006. O engraçado disso tudo é que o filme foi um fracasso de bilheteria enorme e nem tão fiel aos quadrinhos. E a Panini ainda estampa na capa do gibi a frase: "A HQ que inspirou o filme!" Fail. Tal quadrinho não poderia ser mais diferente de sua adaptação. São apenas 6 contos fechados de faroeste, sem ligação alguma entre si, daquelas que você não precisa se preocupar em continuar comprando ou se aprofundar muito para conhecer o personagem.

Eu não sei explicar direito porque comprei Jonah Hex - Marcado pela Violência. Nunca gostei de histórias de Velho Oeste. Tanto que nunca li uma edição sequer de TEX e passo longe de filmes do gênero. Talvez tenha sido pela fama do personagem. Ou pelo preço mais em conta. O fato é que fui lá e comprei. E não me arrependi.

As histórias são escritas por Justin Grey e Jimmy Palmiotti que fizeram uma decisão acertada em preservar as origens e o conceito de Jonah Hex. A arte ficou excelente, trabalho competente do brasileiro Luke Ross em cinco das seis histórias. O traço realista e cinematográfico dele dá o tom adequado às tramas. Alguns quadros sem diálogos chegam a ser belos de tão bem feitos. O interessante é que ele buscou referências em atores famosos para caracterizar seus personagens. Dão as caras Clint Eastwood no filme O Homem Sem Nome, Lima Duarte, Paulo Goulart e outros. Não deixa de ser engraçado ver um Matheus Nachtergale perder a orelha direita com um tiro. A outra história, Natal com os Foras-da-Lei, é ilustrada por um dos criadores de Jonah Hex, o desenhista Tony DeZuñiga, dono de um traço sensacional.

 

image

Jonah Hex é um pistoleiro de rosto deformado que ganha a vida entregando à Justiça bandidos procurados para receber sua recompensa. Famoso e temido em todo o Velho Oeste, ele tem um senso particular de Justiça. Não tem amigos, apenas dois companheiros. A morte e o odor de fumaça do seu revólver. As seis histórias conseguem apresentar muito bem o personagem aos novos leitores como eu. Um homem comum, sem os exageros que tanto aparecem em alguns comics, usando da astúcia e habilidade para sair vivo de diversas situações. O único problema é que por serem histórias curtas, elas muitas vezes acabam bruscamente, sem maiores dificuldades. Fora isso, são bem executadas, cheias de momentos e frases marcantes, como quando Jonah Hex despenca de uma queda d'água amarrado e preso dentro de um caixão.

A edição da Panini é bem simples, com capa cartonada, permitindo que custasse R$ 14,90. Se fosse mais caro que isso eu não compraria. No final da revista há um texto sobre Jonah Hex que explica muito da trajetória do personagem para os leitores que ainda não conheciam. Isso não funciona muito bem comigo. É como filme que te contam a história, mas você não assistiu. Mas como eu já disse, não é necessário ter muito conhecimento sobre Jonah Hex para aproveitar o material, são apenas histórias isoladas.

 

image

Não é preciso dizer que Jonah Hex é mais indicado para amantes de Faroeste, mas também é uma boa diversão para quem nunca foi fã do gênero. Agora é torcer para que Jonah Hex - Marcado pela Violência venda bem por aqui e a Panini resolva trazer mais histórias do caçador de recompensas da "marca do demônio" ao Brasil, publicadas nos Estados Unidos até hoje.

 

Autores: Justin Gray, Jimmy Palmiotti

Arte: Luke Ross (arte), Jason Keith, Rob Schwager (cores) e Frank Quitely (capa)

Páginas: 144

Preço: R$ 14,90

Nota: 7,5

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Leões de Bagdá – Dureza e Sensibilidade

 

quadrinhos[3][1]leosdebagdacapa

Normalmente, ao escrever uma resenha, eu deixo para falar dos autores por último, encerrando o texto. Hoje eu vou fazer diferente, vou fazer o processo inverso, vou começar falando sobre os autores primeiro. As obras de Vaughan são sempre recheadas de pensamentos e reflexões, principalmente políticas, mas esta eu considero especial. Leões de Bagdá foi escrito na intenção aberta de passar uma mensagem e instigar uma reflexão profunda sobre a situação do povo israelense. E para isso, Vaughan recorre aos artifícios literários da Fábula, em uma jogada semelhante à de George Orwell, só que diferente.

Brian K. Vaughan é mais conhecido por suas histórias em quadrinhos, principalmente por seu trabalho em Y: The Last Man, este que deve ser de conhecimento de todos, e como o próprio titulo sugere, narra a história do ultimo homem na terra, já que todos os outros morreram ao mesmo tempo em uma catástrofe desconhecida. Aos meus olhos Y: The Last Man – ou Y: O Ultimo Homem, se você assim preferir – narra, mais do que qualquer coisa, como seria o mundo completamente na mão das mulheres e as diversas conseqüências sociais que isso causaria. Se você ainda não começou a ler Y é bom não formar a idéia do mundo florido e cheio de amor, na mão das mulheres o mundo não perde a sua crueldade. Y: The Last Man garantiu a Vaughan o Eisner Awards de melhor escritor em 2005 e só não recebeu mais elogios porque só teve 60 edições.

Ex–Machina, outra de suas obras mais famosas, narra a história de Mitchell Hundred, um engenheiro que após um acidente ganha a habilidade de falar com maquinas e objetos mecânicos, fazendo com que os mesmos obedeçam as suas ordens. Mitchell, querendo fazer mais do que suas habilidades permitiam, pela cidade de Nova York candidata-se a prefeito – e é eleito - e aqui entra toda a habilidade e genialidade de Vaughan. Eu particularmente sou fã de Ex-Machina, nela Vaughan não se ressente em tocar nos pontos mais polêmicos e delicados da política americana, tratando de temas como casamento gay e racismo, além de não deixar incólume a eterna rivalidade: Democratas x Republicanos. O interessante é que seu personagem não é Democrata e nem Republicano, sendo um candidato independente, algo que é perfeitamente legal nos Estados Unidos da América.

Embora eu tenha comentado sobre dois títulos autorais, Vaughan tem uma série de participações em diversos títulos na Marvel e na DC. Daria-me muito trabalho listá-los e, além disso, boa parte eu desconheço. São participações nos títulos mais conhecidos das mesmas como Batman, X-Men, etc. Embora seu sucesso seja absoluto no mundo dos quadrinhos, Vaughan vai além da nona arte, estendendo-se principalmente aos seriados de TV. Seu trabalho mais famoso é Lost onde ele entrou como produtor-executivo de história na 3ª temporada, foi promovido a co-produtor e a produtor na 4ª e 5ª temporada respectivamente. Na 6ª temporada ele pulou fora, então, àqueles que têm criticas a última temporada de Lost, saibam que a culpa não foi dele.

A arte fica por conta de Niko Henrichon e, sinceramente, não imagino um traço melhor. Cada quadro é um espetáculo a parte. A riqueza dos detalhes nos cenários e coloração são coisas magistrais. Mas uma das coisas que mais chama atenção é que Niko consegue dar as mais variadas expressões aos personagens - que são todos animais - sem precisar partir para um antropomorfismo. Se o roteiro de Brian K. Vaughan é genial, a arte de Niko Henrichon é a de um mestre. A junção foi perfeita para a criação de uma graphic novel fantástica.

 

leao

Agora vamos ao que interessa...

O céu está caindo. A frase grasnada por um pássaro no galho seco de uma árvore abre o quadrinho. Zill, o leão, não agüenta mais a insistência do pássaro que não para de repetir a frase. Zill ameaça-o, mas cala-se ao ver enormes placas de metal rasgarem o céu sobre sua cabeça. Zafa, a anciã, aproxima-se e com o direito que somente os mais vividos possuem anuncia a Zill seus maus presságios. O leão, com a autoridade que só os machos acostumados com o cotidiano e uma vida sem desafio possuem, faz questão de descartar a possibilidade reiterando assim o seu mundo sem preocupações.

Ali, o filhote nascido no cativeiro, aproxima-se com a empolgação dos infantes. Entusiasmado e curioso, deseja saber o que eram aquelas coisas que passaram voando com tanta velocidade. Zill mais uma vez esquiva-se. A anciã manda-o procurar a mãe para tirar suas duvidas, mas Ali diz que ela encontra-se ocupada falando com os antílopes.

No momento em que conhecemos Noor, mãe de Ali e fêmea mais jovem, passamos a entender melhor cada um dos personagens e sua importância no contexto. Noor é mais jovem que Zafa, idealista e ansiosa por liberdade, cansada do cativeiro. Zafa é mais velha, com as maiores lembranças sobre os tempos de liberdade, os tempos de savana. Essas lembranças não são boas para Zafa, que traz, marcado na carne, os resquícios de uma época para ela traumática. Fica então mais que nítido o conflito ideológico entre Zafa e Noor, uma é completamente inconformada com o sistema em que vive, bolando planos e arquitetando alianças e fugas com animais que naturalmente são seus inimigos para alcançar a tão desejada liberdade. Zafa é o outro lado, velha e cheia de más recordações, não vê no mundo lá fora as tais maravilhas que Noor, argumenta que esta é mais nova e sem lembranças da realidade que é o mundo. Zafa e Noor, vão demorar bastante para se entender.

Antes que a discussão entre Zafa e Noor tivesse fim, o corpo de um asno em carne viva cai perto dos quatro. Eles acham estranho, cheiram e tentam entender de onde ele apareceu, como chegou ali voando. Antes que chegassem à resposta, a mesma chegou com força e barulho. A explosão jogou cada um para um lado, separando os quatro leões e jogando a ruína completa o Zoológico. Os três mais velhos conseguem se encontrar, mas o filhote continuou desaparecido. Ele encontra-se na posse dos macacos, que só o devolverem após uma ameaça da mais velha, que conhece bem as maneiras de se estraçalhar um macaco com os dentes.

Com o filhote sob a tutela dos três; Zill, Noor, Zafa e Ali vão começar a desbravar a liberdade que lhes foi concedida. Andando pelas ruínas de Bagdá, pouco a pouco vão descobrindo a inexistência de seres humanos por ali, seres humanos vivos, alguns corpos ainda serão encontrados. Os únicos vivos em seus caminhos são outros animais, com quem conversarão tentando entender a dimensão e a causa dos últimos acontecimentos. Noor conseguirá suas caçadas. Ali começara a descobrir que o mundo é bem maior que o espaço delimitado pelas grades. Zill depois de muitos anos se verá envolvido em uma disputa de vida ou morte, fazendo valer o seu espaço de líder do grupo. Zafa relembrará a sensação de uma caçada, e descobrirá que talvez esteja velha demais.

Essas são algumas das conseqüências da liberdade que os quatro leões irão encontrar, divididos entre lembranças e descobrimentos eles vão pouco a pouco abocanhando a sua fatia de mundo e descobrindo os prazeres de estar livre. O ápice disso é quando descobrem o pôr-do-sol, um horizonte em tons de cobre que valerá por todas as dificuldades que passaram. Nesse momento, somos jogados de volta ao centro da história, e vamos lembrar que os leões encontram-se em Bagdá, na capital iraquiana, libertada pelos heróicos soldados americanos, que confundem qualquer cidadão com um terrorista em potencial e por isso não se ressentem em sentar o dedo no gatilho.

Leões de Bagdá é indispensável para quem curte quadrinhos com teor político/crítico. Basta começar a ler e as analogias vão saltar aos seus olhos, tanto pela personalidade de cada um dos personagens, quanto pela situação em que os mesmos se encontram: presos em um determinado espaço, sem ter condições de mensurar todo o mundo além do estabelecido. Libertados pelas bombas americanas que não lhe trouxeram somente a “liberdade”, mas que lhes garantiram um mundo completamente destruído, uma nação em frangalhos, que até hoje está perdida entre tiros e explosões. Provavelmente porquê seus libertários ainda estão garantindo-lhes a liberdade, livrando-lhes de todo cidadão que pareça um terrorista em potencial, livrando-lhes de um problema terrível, uma coisa negra e viscosa que escorre abaixo dos pés dos iraquianos. Quando você terminar de ler Leões de Bagdá talvez seus olhos vejam para longe e você tenha a certeza definitiva de que a liberdade presenteada pode ser apenas um novo subterfúgio para arrancar-te aquilo que há de mais precioso.

TRECHO:

Zafa: Primeira Guerra? Ouça, meu pessoal e eu não estamos aqui há tanto tempo quanto você. O que é isso tudo?

Tartaruga: É sobre perder esposa, filhos, cada amigo inútil que você fez...

Ali: E como eles perdem?

Tartaruga: Há uma substância negra debaixo da terra, garoto. Veneno. Quando os andantes lutam, eles fazem ela jorrar no céu e despejam... no mar.

 

Titulo Original: Pride of Bagdá

Editora: Panini

Preço: R$ 19,90 (preço de capa)

Nota: 9,5

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Homem-Aranha – Com Grandes Poderes…

 

quadrinhos[3][1]image

Em 1962, Stan Lee apareceu na Marvel com uma idéia completamente inusitada e inédita. Um super-herói tão poderoso quanto os outros da casa, mas tão em crise quanto um garoto adolescente. O editor não quis nem papo. Nenhum fã tradicional de quadrinhos aceitaria as histórias de um garoto inseguro que sofria bullying na escola que, por um acaso do destino, é picado por uma aranha radioativa e ganha poderes proporcionais à ela, num mercado firmado graças à personagens fortes como o Batman e o Capitão América. Depois de muita insistência, a história foi publicada numa revista de quinta. O resultado a gente já sabe. O Homem-Aranha se tornou um dos maiores símbolos da Marvel, ganhando produtos licenciados, desenhos animados, games e uma trilogia cinematográfica que rendeu mais de dois bilhões de bilheteria.

Hoje, quase cinqüenta anos depois da sua criação, já perdemos a conta de quantas vezes já vimos os acontecimentos que levaram o Peter Parker a se tornar o Homem-Aranha. Mas isso não significa que não existam histórias que ainda não foram contadas, como as do período em que ele se tornou um astro da luta-livre. Para contar essa história, a Marvel convocou David Lapham (Balas Perdidas) e Tony Harris (Ex Machina), que exerceram suas funções com louvor aqui.

Em Homem-Aranha – Com Grandes Poderes… vemos realmente os fatos que levaram Peter Parker a se tornar um herói, que é de certa forma até mais crível do que a originalmente criada na mente de Stan Lee. Tudo é mostrado como realmente aconteceria se alguém que apanhava todo dia na escola e era ridicularizado por todos, ganhasse poderes do nada. Primeiro, a euforia de descobrir que se é capaz de erguer um carro com um único dedo. Depois a angústia. Pra quê tanto poder se não se tem como usá-lo? E é essa pergunta que o leva ao mundo da luta-livre. Lá vemos como aprendeu a usar a sua força sem machucar seus adversários, a fabricação da sua primeira teia,  as primeiras pessoas que salvou e o J. J. Jameson iniciando sua cruzada pessoal para desacreditar a figura pública do Homem-Aranha! São detalhes como este que conseguem agradar os fãs.

O roteiro de David Lapham não mostram um herói em ação. Somente um jovem comum, inseguro e sem rumo, com medo de decepcionar os avós e, como ele mesmo diz, só queria ser maneiro. O vemos tomando decisões erradas, se arrependendo e tentando corrigir seus erros. Não vemos a morte do Tio Ben, mas sabemos que ela está perto de acontecer, e Lapham conclui sua história de forma pessimista, anunciando o inevitável. Os desenhos de Tony Harris impressionam pela extrema quantidade de detalhes, tanto com cenários, expressões faciais e roupas dos personagens.

Homem-Aranha - Com Grandes poderes... é para as pessoas que acompanham as aventuras do amigão da vizinhança e até para as que estão um tempo afastados dos comics. Ou mesmo voltado simplesmente para os apreciadores de uma boa HQ.

 

Roteiros: David Lapham

Arte: Tony Harris / Arte-final: Jim Cark / Cores: J.D Mettler

Páginas: 124

Preço: R$ 19,90

Nota: 7

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Avatar FiliPêra

Planetary, por Lorde Velho

 

image

– Por que você me inventou?
– Muito bem. Não é uma pergunta fácil. Existe cinema no lugar de onde você veio? Fotos em movimento? Nós temos uma relação estranha com a nossa ficção, entende? Às vezes tememos que ela esteja nos dominando. Outras vezes imploramos para que ela nos domine… Algumas vezes queremos ver o que há dentro dela. Esse era o perfil inicial do projeto: criar um mundo fictício e depois pousar nele. Uma missão para recolher amostras. Trazer alguém de uma realidade fictícia.

É com essa citação primorosa que começa o post do Lorde Velho sobre uma das mais geniais HQs dos últimos tempos, escrita por um dos mais geniais escritores de quadrinhos a pisar na terra. Planetary merece adjetivos superlativos, merece livros e guias extensos, merece até um post aqui pra indicar um post completo sobre ele.

Faça um favor a você, clique na imagem e leia o texto. E se ainda não leu Planetary, se envergonhe e reverta isso!

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Avatar FiliPêra

Coringa, por Brian Azzarello

 

quadrinhos[3][1]image

Sabe aquela frase extremamente clichê que diz que um grande herói tem sempre um grande vilão… e blábláblá?! Então, o Batman, o maior herói da Nona Arte, é privilegiado por ter um antagonista a altura, o Coringa. O Coringa não é um vilão qualquer, ele consegue ser mais louco que o próprio Batman, que vive numa linha tênue entre herói e vilão. O Coringa representa o limite da psicopatia que um ser pode alcançar, daquele que faz de tudo para manter o status quo sangrento, e por isso mesmo nunca se esforça de verdade para matar o Batman, ou mesmo os outros personagens vilanescos que habitam Gotham City. Ele gosta da situação potencialmente perigosa em que está mantido, e no máximo quer ter alguma espécie de controle sobre ela.

Quando bem escrito, Coringa dá show. Aliás, praticamente qualquer vilão do Batman dá show; é só um roteirista iluminado achar a angulação correta. Eles não são previsíveis, não são afrescalhados - como fizeram nos equivocados filmes do Morcego fase Joel Schumacher. Em suma: eles são vilões. O Coringa, o principal deles, foi concebido de tal forma, que nem precisa de motivações, não precisa de nenhuma linha sequer de background - o mestre Alan Moore escreveu um pouco de background pra ele, em A Piada Mortal. Ele é unicamente um psicopata clássico, um matador, não tem método, e só se destaca de um bandido comum por ter um senso de humor dos mais doentios… e por pintar a cara.

Ele é um cara imprevisível, e por isso inspira tanto medo, talvez mais nos seus ajudantes, que estão ao seu lado a todo o minuto e podem ter as cabeças cortadas em nome da diversão, do que das potenciais vítimas dele. Uma coisa que deixava o Coringa menos assustador, é o fato do Batman sempre ser o personagem principal das tramas em que ele aparece. E o Batman é um Coringa do outro lado da lei - ou quase -, tão assustador quanto ele em alguns momentos, sempre no limite entre a sanidade e a loucura.

Mas Brian Azzarello resolveu isso na sua graphic novel simplesmente intitulada Coringa. O Palhaço do Crime está saindo do Arkham, ele não é mais louco, segundo os psiquiatras locais. Mas Gotham mudou desde que ele entrou no hospício, a cidade mudou de mãos, e os crápulas que eram capangas do Coringa dividiram as posses dele entre si. O Coringa não tem mais grana nem domínios, virou um bandido pé-de-chinelo de novo, voltou à estaca zero.

Narrando todos esses episódios está Johnny Frost, um criminoso qualquer, que começa a trama indo buscar o Palhaço na saída dele do Arkham. A função dele é ser nossos olhos na trama. Ele é raso como um pires, praticamente não tem passado ou qualquer característica que o destaque dos demais capangas. Por esse motivo, o Coringa se torna bem mais assustador, e com muito mais presença. Na própria cena em que o Coringa sai do Arkham - num quadro antológico, com uma arte sombria e soberba - já fica a dúvida se ele simplesmente entrará no carro, ou se matará Frost com requintes de crueldade. É essa incerteza que torna a trama tão interessante.

Daí pra frente, vemos Coringa partindo pra retomar seu reino do crime. Você deve imaginar que não é como Sandman, embora role coisas infernais por aqui. E de cara percebe que todos o temem, inclusive gente graúda, como o Pinguim e o Duas-Caras. O principal motivo pra isso é explícito: ele não tem regras, e ainda desrespeita as que existem, e mesmo caras que vivem do outro lado da lei, abominam essa falta de civilidade - lembro do Zé Pequeno matando meio mundo em Cidade de Deus?! É por aí! Essa guerra enlameada no submundo pouco explorado de Gotham é o ponto-chave da trama, e o Coringa é o principal elemento dela. Ele é como uma bomba prestes a explodir, um forte elemento desestabilizante; não tem como não reparar nele e não teme-lo.

O principal motivo para essa história funcionar tão bem é o seu próprio autor. Azzarello é um mestre em narrativas noir - na verdade, ele praticamente só escreve isso - e mostrar Gotham dentro dessas características é um acerto e tanto. A trama que Azzarello cria é densa, só diferindo dos melhores momentos de Sin City - ou 100 Balas, logicamente - por ter gente com cara de palhaço, ou com ácido em metade da face, nos papéis principais. No mais, é uma teia de psicopatas lutando pelo trono do submundo criminoso de uma cidade corrupta, nada que não se veja nos noticiários.

 

joker_05%5B7%5D[1]

Tem mais mostras da arte AQUI e AQUI

É claro que a HQ não é perfeita. A trama é boa… e boa, somente isso. É acertada, mas não tem daqueles momentos de te tirar da cadeira, embora esse pequeno defeito seja compensado pela constante sentimento de se estar afundando numa lama de corrupção infindável. Outra compensação é a arte genial de Lee Bermejo. Logicamente que muitos vão gritar que toda a densidade alcançada por ele é resultado de referências que ele buscou em Cavaleiro das Trevas, o filme - na verdade não é bem por aí, os dois foram concebidos juntos como parte de um plano da DC. As semelhanças são visualmente óbvias, passando por um Coringa mais grotesco e menos palhaço, e indo até uma ambientação bem dark de Gotham sem apelar para os artifícios visuais góticos que Tim Burton usou nos seus dois filmes do Morcego.

Mas o maior mérito de Coringa é mostrar que Batman não é tão onipresente quanto as histórias com ele como personagem principal aparentam. Um monte de merda rola em Gotham sem que Batman possa interferir ou tome conhecimento. Na verdade, Bruce Wayne vive em dois mundos, enquanto Coringa e toda a raça imunda do submundo de Gotham são unicamente bandidos, só estão do lado sujo. Em um momento, Batman chega a ser usado por Duas-Caras, e é citado como uma espécie de peça intimidadora pelos bandidos nesse xadrez sangrento.

A trama, no fim, se mostra um recorte na visão temerária de Frost das mazelas que o Coringa pratica. É chocante, mas poderia ter um clímax mais impactante. Porém, serve muito bem aos propósitos buscados por Brian Azzarello, e ainda apresenta mais profundamente as facetas do Coringa, e propõe versões realmente fodas do Charada, Pinguim e Duas-Caras. Logicamente que ela só funciona para os conhecedores do universo do Batman, aqueles que estão dispostos a ver mais aspectos do que simplesmente Batman combate o crime. Para uns (os fãs) isso é bom, para outros, talvez não.

Creio que é o bastante para 128 páginas…

 

Coringa (Panini Comics, 2009)

Autor: Brian Azarello

Arte: Lee Bermejo

Nota: 8

terça-feira, 13 de abril de 2010

Como os mangás suplantaram os comics

 

image

Existe muita gente que não gosta de mangás. Inclusive aqui no NSN, onde o Felipe Storino odeia e sempre tem um leitor que comenta nos posts que eu e a Beatriz Paz escrevemos sobre o assunto: "Esses mangás já encheram o saco!", ou variantes, invés de fazerem o óbvio que é pular para o próximo post e desejar a nossa morte. Ao contrário do que eles torcem, os mangás ainda não deram sinal de ser só uma onda passageira. Muito pelo contrário, crescem cada vez mais, em diferentes países. Um dos lugares onde o crescimento deste tipo de quadrinho foi maior, foi nos Estados Unidos. Lá, os gibis nipônicos se tornaram mais vendidos que os comics, os quadrinhos americanos. Claro que quantidade de exemplares vendidos não é sinônimo de qualidade, senão o Paulo Coelho seria um escritor de grande talento, mas isso reflete a atual indústria norte-americana de quadrinhos.

A primeira coisa a falar é: já passou a época em que nomes como Frank Miller e Chris Claremont vendiam milhões de exemplares. Hoje, o grande público não compra comics e por uma razão simples. Eles possuem cronologias infinitas que requerem do leitor um conhecimento enciclopédico sobre cada personagem que só os nerds estão dispostos a obter. Mesmo assim, se o cara ficar um ou dois anos afastado dos gibis, demora muito até conseguir se situar de novo. Está certo que existem as minisséries da Vertigo e outros gibis com histórias fechadas, contudo elas só são comercializadas nas gibiterias, conhecidas como comic stories, e este tipo de loja é evitada pelo grande público americano, porque ele as considera redutos de nerds (o preconceito ainda existe). Por incrível que pareça, um produto que deveria ser voltado para a massa, acabou se focando a um público pequeno e restrito. E isso só piora se pensarmos que muitos leitores antigos abandonaram esses gibis. Não que a DC e a Marvel não se esforce para trazê-los de volta. Vira e mexe ressuscita personagens antigos com a mesma velocidade com o que os mata de novo.

Os mangás fazem sucesso em inúmeros países, mas os Estados Unidos foram um dos poucos que tiveram o material da casa superado pelo dos japoneses. Na França uma edição de Naruto vende 100 mil exemplares, enquanto uma de Asterix e Obelix, anual, com folha e impressão colorida que a deixa extremamente cara, vende milhões. Isso é óbvio. Os mangás não refletem a realidade e o modo de vida de franceses, italianos, portugueses, espanhóis e etc. Por isso os mangás nunca superarão o material local, que conhece o seu público. No Japão, os mangás vendem milhões de exemplares e os mais famosos são alçados ao posto de best sellers, pelo mesmo motivo de refletir a forma de pensar japonesa. Mas os Estados Unidos isso não acontece. Gibis voltados para outro povo superam os comics e isto demonstra o quanto os quadrinhos americanos se afastaram do cidadão comum americano.

 

image

Enquanto isso, os mangás, pincipalmente os que tinham a versão animada exibida na TV, começaram a fazer um grande sucesso e a conquistar fãs. Em um tempo que o formato de capítulos encadernados em um volume conhecido como tankoubon, a distribuidora Viz decidiu lançar a versão local da maior antologia de quadrinhos japonesa e revista mais vendida do mundo, a Shonen Jump (para quem não sabe, no Japão a publicação de mangás se dá pelas antologias com vários títulos diferentes, tendo cada um estes um capítulo publicado por semana. Há antologias mensais, mas o padrão é ser semanal). O lançamento da Jump foi duramente criticado pelo fato dele ser mensal, enquanto original japonês é semanal. Para os fãs isso acarretaria lapsos cada vez maiores de serialização entre ele e a Jump nipônica. O que eles não sabiam era que a Viz estava disposta a mudar a forma como são distribuídos quadrinhos. Uniram as séries de maior sucesso do momento, que estavam ou estiveram sendo exibidos na televisão americana e, ainda mais importante, conseguiram grande presença nas bancas de revistas, ao contrário dos comics, que partiram de vez para as comic stories.

Dentro da mesma edição, que poderia ser encontrada em qualquer banca, estavam Dragon ball, Sandland, Yu Yu Hakushô, Shaman King, One Piece, Yu-Gi-Hô! e Naruto. Todos eram os mangás mais vendidos dos últimos anos. Mais de trezentas páginas de mangás de sucesso por meros US$4,95 dólares. Enquanto os comics eram vendidos por US$2,50, mas não tinham nem um terço do tamanho. Não deu outra: só a primeira edição vendeu mais de 300 mil exemplares e conseguiu atrair fãs de super-heróis.

 

image

12 edições da Jump americana por US$4,95 e 24 edições de diferentes quadrinhos americanos a US$ 2,50 lado a lado.

A Shonen Jump americana abriu novos espaços para as vendas de mangás e conquistou milhares de leitores para este tipo de quadrinho. Hoje a Shonen Jump é a publicação de quadrinhos mais vendida, batendo os lançamentos da principais editoras americanas do ramo, a DC e a Marvel, o que levou a Shueisha, empresa que publica Jump japonesa e a Shogakukan, a comprar a Viz. Graças a este lançamento os mangás cresceram ainda mais em popularidade.

Não estou afirmando com este post que os mangás são superiores aos quadrinhos americanos. Mas o porquê de um quadrinho basicamente de e para japoneses superar um feito de e para americanos. A DC e a Marvel deveriam parar de focarem um só público, parar de tentar provar que é melhor que a outra, e manter a sua própria identidade. Eu tenho sérias dúvidas se alguém realmente compra algum gibi da Marvel Mangá pra ser mais exato. Não será absorvendo características dos mangás e fazendo megassagas em mais de 50 revistas que os comics superarão os mangás em sua própria casa.

 

[Maximum Cosmo e Comics 212]


Layout UsuárioCompulsivo