quinta-feira, 12 de novembro de 2009

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Legend Of The Five Rings

Por Sayron Schmidt*, do Cacofônico

 

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Venho até você para falar de um dos mais belos RPGs que eu conheço e que nos leva ao remoto e distante mundo dos samurais no antigo Japão Feudal. Baseado na cultura e no misticismo Oriental, nos leva ao mundo muito bem elaborado e detalhado.

Histórico

Concebido e publicado pela Alderac Entertainment Group (AEG), sua primeira versão foi lançado em 1995, intitulado como Legend Of The Five Rings (L5R) 1ª Edition juntamente com a 1ª Edição do Tranding Card Game (TCG) de mesmo nome.

O RPG utilizava o sistema D10, onde tudo era possível, já que você tinha a possibilidade de aumentar a dificuldade infinitamente e, se o jogador fosse muito sortudo, poderia atingir tal objetivo, graças ao sistema de estouro de dados (explicarei melhor isso um pouco mais a frente).

Passou por uma fase turbulenta, onde a AEG desistiu do projeto e “alugou” os direitos de uso e imagem do RPG a Wizards Of The Coast, produtora do clássico Dungeons & Dragons e o card game Magic – The Gathering, para produzir o execrável Aventuras Orientais, que utilizava o sistema D20 e que praticamente inibia e deixava impossível qualquer ação diferente daquelas que constavam no livro. Mas, felizmente, mantiveram o TCG vivo, dando continuidade na história de L5R.

 

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Depois de praticamente 10 anos, em 2005, a AEG resolveu criar uma 3ª Edição de L5R, buscando novamente os direitos de uso frente à Wizards.

 

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O resultado ficou lindo, com a versão contendo suas belíssimas 320 páginas coloridas e com imagens de cair o queixo, veio reformulada e com o sistema D10, que foi o carro chefe da primeira edição. O melhor dessa nova versão foi que eles (AEG) seguiram toda a história ocorrida no TCG, mantendo uma forte ligação entre os personagens principais em ambos e o período de tempo ocorrido.

Atualmente existe uma versão revisada do L5R 3ª Edition, que foi publicada em 2008. Os livros e o TCG nunca tiveram tradução, pois não obtiveram o sucesso desejado dentre os jogadores brasileiros, o que é uma pena.

Existem também mais dois RPGs da AEG muito bons: O 7th Seas, que é um excelente RPG, que envolve batalhas navais, piratas, brigas em tavernas e muito rum, baseado na Europa em seu período das navegações; e Legend Of The Burning Sands, que é baseado no deserto arábico e em toda a cultura do Oriente Médio.

 

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The Book Of Earth

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Rokugan é o nome do continente do jogo, onde suas terras são divididas entre os 8 grandes clãs existentes, os pequenos e novos clãs e as terras de Shadowlands, local onde vivem a maioria das criaturas malignas que existem em Rokugan.

A economia é baseada na agricultura, com fortes referencias ao feudalismo, onde cada cidade possui o seu senhor, que cobra impostos em troca de moradia e segurança, estes homens são os Daimyos. O koku é a moeda local, onde um koku equivale a quantidade de arroz que uma pessoa normal consome durante um ano.

O primeiro capítulo do livro (Book of Earth) traz todas essas explicações, com uma timeline simples e que nos leva a entender grande parte dos acontecimentos ocorridos em Rokugan durante mais de 1.000 anos! Talvez esse seja o capítulo de maior importância para quem for jogar, especialmente o mestre. Ali você encontra as referencias históricas, sociais, personagens de suma importância, pessoas que morrem e nascem e assim por diante, a se utilizar durante o período em que seu jogo irá ocorrer.

Ele nos leva também a conhecer um pouco sobre os 8 grandes clãs (Scorpion, Dragon, Crane, Crab, Mantis, Lion, Unicorn e Phoenix); os clãs de nível inferior ou muito recentes e Shadowlands. Usos, costumes e superstições são trazidos até os leitores também nesse capítulo, nos inserindo de forma ainda mais complexa nesse novo mundo que acabamos de conhecer.

 

The Book Of Water

clip_image013Crab Clan clip_image015Crane Clan

O segundo capitulo nos leva a fase chata de todo e qualquer jogo de RPG, ao menos na minha opinião: a criação das fichas dos personagens. Logo de início é um pouco confuso para quem não esta acostumado ao sistema, os pontos de criação são bem complicadinhos e demorei um bom tempo lendo e relendo para entender por completo tudo aquilo. Volta e meia tenho que apelar ao livro para determinadas partes da criação.

A parte divertida é a hora de escolher a escola que seu personagem estudará e será iniciado, pois em Rokugan não existem apenas samurais sedentos por sangue, existem 4 tipos de escolas. A primeira é a Bushi, ela forma os samurais típicos, espadas, lutas, honra e lealdade são as bases nessas escolas. Normalmente esse é o grupo mais fácil de se mestrar (sim, as vezes sou preguiçoso e porradaria generalizada é mais meu estilo de mestrar). Depois surgem os Coutiers, como o próprio nome já diz, são uma espécie de cortesãos, fazem a parte burocrática e politica nas relações entre os clãs. Não são tão divertidos como os Bushis (psicopata à vista), mas são de suma importância em qualquer história bem feita, mesmo sendo os bons e velhos NPCs. Aí surgem os caras mais chatos que existem em Rokugan: os Shugenja, que simplesmente são os magos da área, e não queira ser um Bushi ou um Courtier e cruzar o caminho de um desses enfurecido, pois geralmente isso significa o inicio de um nova história. E para fechar, vem a Elite de cada clã, onde cada um possui um respectivo nome exclusivo de cada clã.

Nesse capítulo vocês também encontraram outras chatices das fichas, como Skills, Vantagens e Desvantagens e todo aquele blah...blah...blah que normalmente se tem em fichas de Storytelling (As fichas são bem semelhantes).

 

The Book Of Fire

clip_image017Dragon Clan clip_image019Lion Clan

Este é o capitulo das regrinhas básicas a se seguir. Traz todo o sistema de rolagem D10, o estouro de dados, que quando você joga e tira um 10, isso lhe da o direito de jogar mais um dado e somar ao resultado anterior, até que você não tire mais nenhum 10 (Já vi acontecer de sair três 10 seguidos!! Para o mestre é desolador, ainda mais depois de tirar um 1, um 4 e dois 5...bem...deixa isso para lá...) .

Aqui vai dar para encontrar algumas outras regrinhas bacanas, sobre o Status, que mostra aos outros qual é o seu nível hierárquico dentro da comunidade, a Glória, que é referência direta aos seus feitos e a tudo aquilo que você fez de positivo e de negativo em Rokugan e a Honra, que a base cultural de todos os clãs, com exceção do clã Escorpião, que são os mais sujos possíveis, mas de forma que não descubram que foram eles.

As Katas tem uma extensa parte no livro, elas são as magias que podem ser executas por todos, não necessitam de escolas especificas, mas sim de treino ou de que algum ancião que detenha o conhecimento ensine ao interessado. São complicadas de se utilizar em jogo, já que precisam ser determinadas através do tempo, mas são extremamente úteis.

Outra parte muito legal do livro, as regras de Mass Battle, literalmente Batalha em Massa, como eu disse a primeira vez em que joguei L5R: “PQP!! Fecharei os olhos e vou partir para a porrada!!”. Eu não queria contar, mas morri nessa cena.

Mass Battle são algumas regrinhas adicionais para esse tipo de luta, como quando há guerras ela é muito utilizada eles criaram um sisteminha diferente, tanto para a pontuação do seu personagem, quanto para o mestre lidar de forma mais dinâmica e fácil.

 

The Book Of Air

clip_image021Mantis Clan clip_image023Phoenix Clan

Esse é o capitulo que traz as terríveis magias Shugenja e todo o seu poder de destruição ou qualquer outra coisa que façam. Não li muito bem esse capítulo, pois me nego a mestrar com Shugenja. Na minha opinião, empaca demais na hora de rolar dados não tem muita agilidade e o jogo corre o risco de começar a ficar chato. Isso é o que eu acho, devem ter mestres que conseguiram agilizar essa parte, e se aparecerem gostaria de ouvir sugestões e adaptações que melhoraram a forma de jogar.

Além das magias Shugenja, essa parte do livro nos apresenta formas de jogar como Monges e personagens oriundos de Shadowlands (que também é divertido de jogar, principalmente em meio a guerras!!).

Talvez este seja o capitulo mais curto de todo o livro, mas detalha com muita perfeição cada uma das magias e seus respectivos efeitos.

 

The Book of Void

clip_image025Scorpion Clan clip_image027Unicorn Clan

Esta é a parte que interessa aos mestres. Aqui é apresentado a listinha básica de monstros e qualquer outra coisa que você pode encontrar em Rokugan e em Shadowlands. Como falei é muito básico e não tem todas as criaturas, praticamente lhe obrigando a comprar ou baixar o Creatures of Rokugan 3ª Edition, que é o guia completo de criaturas.

Os mapas aqui serão completos e conterão um índice geral das cidades e vilarejos existentes em Rokugan, sendo que recomendo mandar fazer um mapa de, no mínimo, uma folha A3 (que eu já considero pequena, mas quebra o galho.) para que consiga jogar e visualizar as dimensões do mapa, sem esquecer de converter a escala para o novo tamanho impresso.

Um detalhe importante nesse capitulo é o sistema de conversão de personagens da 1ª e 2ª edição de L5R, o que facilita bastante o trabalho de quem já jogava nas edições anteriores e não quer perder seus personagens. Um detalhe bem engraçado é uma parte no fim do capítulo, com filmes e livros recomendados aos jogadores para poderem entrar no clima de L5R. São alguns clássicos, outros que nem ouvi falar, mas, segundo a AEG, são inspiradores (isso me lembra algum outro RPG, mas não me recordo qual agora...).

Finalizando

Bom, finalizando esse meu extenso artigo, gostaria de dizer que este RPG é obrigatório para os amantes de história e cultura Oriental e para todos que curtem jogar um RPG extremamente detalhado e complexo.

Aos mestres, no inicio irão sentir dificuldades de mestrar, pois é um sistema que utiliza todo o conjunto, mas logicamente a regra de ouro ainda vale para esse sistema também: não consegue utilizar uma regra, adapte-a para que possa melhorar a jogabilidade, fiz diversas vezes isso, especialmente no inicio ou com um grupo que não conhecia o sistema nem o jogo em si.

 

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Sayron Schmidt*, o Cacofônico, é blogueiro, se define mais um louco se aventurando em terras proibidas a meros mortais; e nos enviou esse excelente artigo sobre L5R

7 Comentaram...

comaru disse...

Tem um erro aí, o RPG não foi lançado em conjunto com o CCG, mas sim 2 anos depois em 1997. Pouco tempo depois teve uma 2ªed que fica subentendida no texto mas que tu não citou. Ela foi bem popular com muitos suplementos, ainda que nem tanto quanto a 1ª e a 2ª.
Quanto a Wizards, na verdade o que houve foi uma questão de licenciamento. A empresa que detinha o licenciamento junto a AEG para publicar o RPG pertencia a Hasbro, com a fusão Hasbro+Wizards surgiu a possibilidade de usar o sistema D20 (que ficou uma porcaria), mas a 2ª edição NÃO foi abandonada e surgiram os livros híbridos com Way of Ninja, Secrets of... etc.
Além do site oficial é legal também consultar a wiki feita pelos fãs: http://l5r.wikia.com/
Parabéns pelo artigo!

Anônimo disse...

desculpa a sinceridade, mas que coisa de virgem! haha

Ana Recalde disse...

Massa!! Um post sobre RPG por aqui... primeira vez que eu vejo!!

Parabéns meninos ;)

Mariah disse...

L5R!!!
Os suplementos de L5R são o que há, Secrets of Scorpion é de longe o melhor.
Um prato cheio pra quem gosta de cultura japonesa e quer uma chance de "viver" no Japão feudal.

Egberto disse...

Eu já conhecia o Lo5R
Realmente um bom cenário, nunca me atraiu muito pois eu prefiro os mundos medievais ocidentais de D&D. Aventuras Orientais da WotC realmente é uma prova de como estragar um suplemento perfeito(Péssimo trabalho do James Wyatt).
A ambientação é muito boa, rica em detalhes culturais realmente atraentes, como etiqueta, vestuário entre outras pequenas coisas que nos mundos medievais do D&D restrigem-se a um fator descritivo^^

Ótimo post, pena que você parece não gostar de jogar rpg... ao menos foi isso que você me passou... sem querer ofender é claro

Sayron Schmidt disse...

Respondendo a algumas dúvidas:
-Comaru: Na verdade a primeira edição foi publicada sim em 1995, pois um colega meu tinha ela(RARISSIMA aqui no Brasil!!) e a data era essa mesmo. Com relação a segunda edição eu citei, mas realmente desconsidero totalmente, acho muito ruim e houveram os livros hibridos, mas muitos eram romances e os poucos que tinham para se jogar eram com base no D20. E essa da Hasbro e da Wizards realmente eu não sabia, mais informações para meu HD!
-Egberto: Muito pelo contrário, ADORO jogar RPG, em especial esse. Mestro e jogo a uns 7 anos e não pretendo parar tão cedo!!

Se tiverem mais alguma dúvida é só colocar nos comentários!! Posso demorar a responder!!

Abraços a todos!!

comaru disse...

Sayron:
Cara, quanto a data de publicação em tudo que é lugar vejo 1997. Tanto que ganhou o prêmio Origins daquele ano... E quanto aos livros híbridos, foram pelo menos 14 livros se minha memória não me falha... Todos com mecânica D10 2ªed para jogar, nem todos bons livros pra falar a verdade, mas acho que foi a época de maior lançamento de suplementos pro cenário.
Ah! E um detalhe... não sei pq mas é a mesa atrai o maior número de garotas pra jogar!! hehehe

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