segunda-feira, 31 de maio de 2010

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Futebol em tempos de cólera

 

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Crédito: Fabrizio

Certas frases crescem conosco como verdades eternas, uma delas é a velha máxima que diz que o Brasil é a terra do futebol e pobre daquele que discordar desta afirmativa. O famoso esporte bretão, em terra tupiniquim, tornou-se orgulho nacional em uma inversão bizarra dos valores da nação. Alega-se a ação patriota – louvável ao meu ver – todavia, eleva-se esse patriotismo quase sempre as raias do absurdo, e mesmo com algumas atitudes de repreensão, essas mais parecem carinho de mãe naquele filho levado que acabou de aprontar mais uma das suas.

Falar da violência entre torcidas é cair no lugar comum, tentarei não me delongar até porque fica a imagem para a eternidade: brucutus que se sentem mais machos estapeando-se por um motivo tão absurdo. Convenhamos que qualquer motivo torna-se absurdo quando as pessoas perdem a civilidade e partem para a agressão. Eu me pergunto o que, afinal, leva semelhantes a se matarem por causa de outros vinte e dois semelhantes que ficam correndo de um lado ao outro atrás de uma mera bola? Até posso imaginar os protestos indignados, não me levem a mal, mas retire a tal “emoção do esporte” e o que sobre são exatamente vinte e dois marmanjos correndo atrás de uma insignificante bolinha.

Futebol, antes até do que qualquer novela é, ao meu ver, o entretenimento mais alienador que temos, uma alienação que flerta com o fanatismo, onde, se preciso for, as pessoas desfazem relações por torcerem por clubes diferentes, que quase sempre estimula a violência – dentro e fora dos campos – pois convenhamos, tanta testosterona junto obviamente não dá certo. Em última análise penso que o futebol longe de ser um esporte de paz está mais para batalhas entre tribos primitivas disputando território, algo como alguns passos para trás na escala da evolução.

O que mais me impressiona é o lobby midiático em um esforço gigante para manter o status quo futebolístico, entenda-se: cifrõe$. Existe toda uma demagogia chinfrim que cria sonhos esperançosos em meninos pobres das periferias e subúrbios, em se tornarem os próximos “heróis nacionais” (sic).

E vende-se o pacote de sonhos completo, está tudo lá: Fama, dinheiro, sucesso, dinheiro, loiras curvilíneas, dinheiro, “virar amigo dos famosos”, dinheiro, dinheiro e dinheiro. Meninos que sonham alto, que muitas vezes largam os estudos para apostar na habilidade com a bola, tudo em nome da mensagem massificadora que ouvem desde antes de nascer. Esse guri quando crescer será o novo Ronaldo – diz o pai corinthiano ao exibir para os amigos o macacãozinho com o escudo do clube, que acabara de comprar.

São crianças que crescem acreditando que a maneira mais rápida de ser alguém na vida e chutando uma bola. Estudar para quê? Muitos deles questionam, desafiadoramente. A mídia faz bem o seu papel, com total apoio dos governos e obviamente com os empresários. “O futuro do país está nas mãos dessas crianças e nada como o esporte para desenvolvê-las” - Criança Esperança, qualquer data que escolherem, a conversa para boi dormir não muda nunca.

 

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E sabemos que quando falam de “Esportes”, via de regra mira-se no futebol, o estímulo e incentivo à outros esportes continua mínimo, ou alguém já viu por ai alguma grande cervejaria patrocinando polo aquático? Publicidade é um deus mais poderoso do que aquele outro deus muito popular, que convenhamos só tem popularidade graças ao Deus-Publicidade.

Vez ou outra atletas praticante de outros esportes são “descobertos” pelo público e logo tornam-se ótimos produtos de consumo. São as Daianes, Diegos, Gugas da vida, enquanto servem aos interesses do capital, estão valendo. Mas em geral, eles possuem prazo de validade curto, praticam esportes que não tem a cara do povão, afinal sai mais barato comprar uma bola do que uma raquete de tênis. Mas cruel mesmo é quando o atleta de futebol não tem mais serventia, um dia estrela brilhante, no outro a queda de Lúcifer, triste tombo.

Triste não só pelo horror com que é descartado, mas principalmente pela forma como muitos dos torcedores “inteligentes e sábios” das coisas de futebol – afinal se tornam especialistas em potencial nessas horas – são verdadeiros juízes implacáveis. De repente lembram com falsa surpresa que o atleta ganha salários que são verdadeiras fortunas e que no mínimo é obrigação dele cumprir bem o papel que lhe cabe. E se unem a mídia em perpetuar as mais agressivas e destemperadas ações negativas contra aquela pessoa que, até ontem, eram motivo de tanto orgulho.

Esses casos de bullying me fazem ter vergonha alheia de tais espécies de seres Inumanos. Apelidos singelos como “Gordonaldo” são exemplos leves do nível de civilidade que muitos torcedores que tudo sabem, se vangloriam de criar e espalhar entre os seus, definitivamente me parecem de fato brucutus batendo seus tacapes.

Se o mundo não acabar em 2012, em quatro anos teremos Copa do Mundo em território nacional. Fico me perguntando como nossos torcedores muito civilizados se comportarão mediante a torcida alheia. Afinal, em tempos de Seleção Brasileira, vascaínos e flamenguistas, palmeirenses e corinthianos, gremistas e colorados, etc, trocam afagos e chamegos, se chamam de irmão em abraços emocionados ao som do grito de 'gol' do comentarista histérico; realizado por aquele jogador famoso que, na verdade, defende com “paixão” a camisa de um clube europeu.

Enfim, é o sentimento de patriotismo no seu apogeu, as tribos se unem para guerrear contra o inimigo. Cabe a dúvida então, se em tempos de ausência do invasor as tribos se matam, o que unidas contra um inimigo em comum podem fazer? Não acredito naquele papo de que brasileiro é um povo de paz ou pelo menos não acredito nisso no que diz respeito ao futebol. Esse esporte que mais parece saído do Coliseu – substitua os antigos gladiadores por suas versões modernas que muitas vezes disputam aos socos a inocente bolinha e substitua o povo romano pelos inúmeros torcedores fanáticos – o que temos é um cenário que não mudou muito desde a Antiguidade.

A política do pão e circo nunca se fez tão real e presente.

36 Comentaram...

Felipe disse...

Olá, só achei um pouco exagerado. abs

Bruno Sky disse...

No mínimo exagerado e ranzinza!

okazo01 disse...

Muito exagero, visao de quem nao acompanha de verdade o futebol, os torcedores fanaticos sao minoria.
E pelo que deu para notar pelo texto você não é uma pessoa que acompanhe de verdade futebol.

Jordan disse...

Porque praticar esportes então????

Retire a "emoção do esporte" e perceba:

Qualquer modalidade de atletismo não passa de um bando de marmanjos correndo abestalhadamente querendo cruzar uma linha de chegada na frente um do outro.

Salto com vara não passa de um marmanjo tentando pular por cima de uma vara agarrado a outra vara.

Tenis não passa de dois marmanjos batendo em uma bola jogando-a de um lado a outro.

Levantamento de peso é exercício de truculência.
Arremesso de disco ou de qualquer outra coisa é meio que voltar a infância e ficar rebolando pedras, só que agora girando e arremessando dardos ou discos.

Natação a mesma coisa que o Atletismo, só que dentro d'água.

Boxe, esse o pior de todos, dois marmanjos se arrebentando enquanto outros marmanjos olham de fora e se divertem....

Ora bolas, por que não acabamos logo com as Olimpíadas ?

Tudo esta sujeito a ser alvo de publicidade e transformar-se em uma fabulosa maquina de fazer dinheiro da noite para o dia, basta alguém saber fazer o serviço! Concordo que a mídia e o comércio se aproveitam descaradamente, atribuindo valores por vezes exagerados e transformando tudo em algo puramente comercial, só que da mesma maneira não esqueça de colocar na sua lista o dia dos namorados, o natal, a pascoa, o dia das mães, dia dos pais, dia das mulheres (embora a grande maioria ganhe no maximo uma flor vendida no sinal, mas enfim, não deixa de ter os floricultores se aproveitando!)e mais um monte de coisas, basta parar pra pensar um pouquinho...

É triste? Sim!Encontramos legiões de alienados, mas acredito que a sensibilidade para a coisa tem que vir em uma via de duas mãos, desconstruindo e construindo....

O texto incrivelmente bem escrito, me encheu os olhos, achei apenas um pouco exagerado. De maneira que concordo em alguns pontos e discordo em outros...

Abraço!

Rodrigo Emanoel Fernandes disse...

Nem um pouco exagerado, não mais ranzinza do que o necessário e extremamente oportuno às vésperas de mais um surto irrefletido de histeria coletiva.

É sempre perigoso ousar criticar algo que a maioria considera como sendo tão "natural" quanto comer e respirar e, portanto, imune a crítica. Eu acrescentaria que o mais assustador é que o futebol é, culturalmente, a forma mais bem aceita de ditadura: até temos direito de não gostar, mas isso nos torna uma espécie de cidadão de segunda classe, menos brasileiro, no limite menos "gente". Aceita-se mais facilmente que você não tenha uma posição política, uma religião ou até mesmo ignore as características do seu signo do que a ousadia de não ter um time. As expressões de desconcerto são marcantes. As vezes sequer conseguem se comunicar com você direito depois disso. Como se o fato de não ter um time te privasse de algo fundamental, algo indispensável para uma pessoa.

Também prevejo coisas bem desagradáveis para quando o país sediar a copa. Será uma boa ocasião, talvez, para conhecer outro país, ou mesmo passear numa montanha ou praia deserta, bem longe da civilização, ao menos até o estado marcial passar (pra quem acha mesmo exagero, recomendo o capítulo "Cidade, esporte e violência" do livro "Cidade & Alma", do James Hillman - se eu achar um link eu coloco aqui).

Não se assuste muito com as pedradas. De minha parte estou passando o link adiante.

Abraço...

Marshall disse...

Estou plenamente de acordo no tocante a esse clima de ufanismo patriótico alienante, essa campanha midiática bate estacas que nos obriga a respirar copa do mundo, essa adulação irracional aos ídolos do futebol, violência e intolerâncias então nem se fala.

Tudo isso é deprimente e provoca asco.

Agora, não concordo com a maneira preconceituosa com a qual se referiu ao esporte "futebol".

VC atacou o esporte em si, desqualificando-o.

Se por um lado, como disse um comentarista acima, a mídia parece querer passar a mensagem de que quem não gosta de futebol é menos brasileiro ou tem algum problema, o seu texto passa a mensagem de que não devemos gostar de futebol (o esporte) sob pena de sermos considerados tolos alienados e patetas violentos.

Calma. Calma. Eu gosto muito de assistir ao futebol bem jogado. Se vc prefere o pólo aquático´, ótimo, sem problema, mas não precisava desqualificar o esporte futebol.

Francesco Mgz disse...

Duas palavras: Pão e Circo. não tem mais o Coliseu e seus gladiadores para servir de válvula de escape para frustrações do povo, então o Futebol preenche este posto....


"a velha máxima que diz que o Brasil é a terra do futebol e pobre daquele que discordar desta afirmativa."

Que outro esporte além de futebol você pode afirmar que não gosta, acha chato ou odeia sem ser acusado de anti-patriotismo ou de não ser brasileiro ?

Michel Ribeiro disse...

A ESPN International fez uma campanha publicitária que expressa muito bem o espírito de uma Copa: http://www.youtube.com/watch?v=vwzTTdEIrvs

Acompanho sempre o NSN, mas sob meu ponto de vista essa opinião extremamente exagerada é desnecessária. Esportes historicamente surgiram como atividades de lazer. Lazer esse que foi transformado em mercadoria dentro da dinâmica capitalista (como qualquer outra coisa).

Aí não se encaixam só os esportes, mas também os nossos amados video-games. Como disse muito inteligentemente o Jordan aí em cima, isso é ruim, mas faz parte do ethos em que vivemos. Esse artigo nivela por baixo toda a forma de prática esportiva.

E isso não é um comentário sensato a se fazer.

E eu plenamente concordo com os argumentos contra a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. A ESPN Brasil fez uma série de reportagens muito boa e muito séria sobre a realização do PAN no Rio. Para a população, estes dois eventos não significam grande coisa. Internacionalmente, enquanto política de valorização do Estado Brasileiro já é um outro panorama. Mas sou da opinião de que se uma coisa não está em um status benéfico deve ser melhorada, aprimorada e não ignorada como propõe o texto.

Assistir ou não a Copa ou torcer ou não pro Brasil passa por legitimação. Max Weber (clássico sociólogo alemão) falava sobre a legitimação das ações sociais. A Dominação e a legitimação desta, passam por situações além da Copa. É incoerente (e até certo ponto ingênuo) achar que a Copa está aí pra outra coisa além de entreter as pessoas. O que podemos e devemos fazer é com que estes acontecimentos sejam mais discutidos mais conscientemente. Depois de ler eu tive a impressão de um argumento muito mais de implicância do que de instigar um debate.

Bruno Sky disse...

Meu caro Rodrigo Emanuel

Concordo com vc na parte em q diz q o futebol não deve ser imune a critica, e é claro q concordo em alguns aspectos levantados pelo texto.

Porém, daí a avacalhar com todo o esporte apenas por não gostar do mesmo, soa no mínimo "exagerado e ranzinza" como eu disse anteriormente.

Marcello disse...

Olá.
Gostei muito do seu texto,adoro futebol mas já vi homens quase se matarem por causa de um time de futebol.
E sim, concordo com 22 caras correndo atrás de uma bolinha,um jogador que nem sabe falar direito ganha mais que um médico que estudou mais de 15 anos e salva vidas !!!!!
Futebol é hobby, passatempo, não um estilo de vida, não concordo com os cometários acima de que você avacalhou o esporte, provavelmente ninguém aí perdeu um amigo agredido por 45 corintianos furiosos.
O Estado desistiu de educar o povo e achou um caminho mais fácil ao patrocinar o esporte futebolístico, com a promessa do Eldorado, centenas de garotos deixam de estudar se tornando presas fáceis para os políticos.

Copa no Brasil ??? Absurdo.
Com o dinheiro poderíamos construir no mínimo, uns 4 Hospitais das Clínicas em cada grande capital, ou aparelhar melhor a PM, ou dar um aumento real aos professores, ou criar centenas de milhares de vagas na indústria e na área civil.
Enfim, eu viveria muito bem sem futebol e você ?
Grande abraço.

Marcello disse...

Quando disse que adoro,mas viveria sem futebol é porque não sou dependente do futebol.

Que isso fique bem claro.

Grande abraço

Chaves Papel disse...

Eu concordo em pequenas partes, quanto aos sonhos das crianças, por exemplo.

"...retire a tal “emoção do esporte”

Retire a tal "emoção" de qualquer coisa, então nada sobrará!

No geral esse texto é extremamente exagerado, feito por alguém que não gosta e não acompanha o futebol!

KK disse...

Dolphin, como historiadora, eu esperava um post um pouco melhor seu. A questão não é - ou não deveria ser - o que é certo ou errado, esse falso moralismo que permeia muita das camadas (hipocritamente) de nossa sociedade. Deveria ser o porquê do futebol despertar esse tipo de paixão, que beira à loucura. Sou historiador, estudo futebol e a problemática das identidades, e acho que a questão do Brasil ser o país do futebol mais profunda do que a facilidade em se praticar o esporte ou uma simples politicagem do pão e circo, conforme você encerra seu texto.
Em geral, eu sempre admiro o que você escreve, mas esse você ficou, lamentavelmente, no lugar comum. Se alguém se dispõe a matar e a morrer por um esporte, é porque ele exerce um papel de destaque dentro de sua própria personalidade, dentro de sua própria afirmação enquanto indivíduo.
O capitalismo está em praticamente tudo (Guy Debord nunca esteve tão correto), e inclusive, vejo em algumas torcidas um excelente foco de resistência. Acho que seria mais interessante aceitar o futebol enquanto fenômeno popular (ao invés de desqualificá-lo como ópio do povo) e procurar nele formas de resistência política, social e econômica.

"A civilidade é o Estado de exceção"

Panthro disse...

Ninguém me pergunta o meu time de vôlei ou basquete, mas todo mundo pressupõe que eu torça pra um time de futebol.

As pessoas consideram normal eu gritar, buzinar ou xingar outras pessoas por conta de futebol, mas se fizesse algo semelhante por conta de um outro jogo, sei lá, RPG, diriam que eu era um anormal.

Todo mundo fala da importância do esporte pra saúde, mas eu não entendo que benefício tem pra saúde ficar em casa assistindo pessoas praticarem esportes pela TV.

Se eu montasse um grupo de pessoas cujo único objetivo é defender minha bandeira imaginária contra a de outros grupos eventualmente com o uso de violência, diriam que eu montei uma gangue, caso a bandeira fosse punk ou neonazi, mas se a bandeira fosse de um clube de futebol, aí tudo bem.

Ninguém liga pra ginástica olímpica, pra natação, pro atletismo (talvez até liguem nas Olimpíadas, mas ignoram totalmente nos campeonatos internacionais destes esportes). Agora se vc não torce pro Brasil na Copa, vc é anti-patriótico.

Sinceramente? Pra uma brincadeira levam o futebol muito a sério.

Panthro disse...

Quanto à questão histórica, me parece bem claro que o futebol foi um mito fabricado durante a ditadura com o objetivo de gerar uma identidade nacional. E compraram. Originalmente era considerado um esporte de estrangeiros.

Paulo Gomes disse...

Indiferente a qualquer coisa NADA justifica a violência... Sou amante de futebol, vou no estádio com grande frequencia, e tenho orgulho de ter pai, irmão, amigos e namorada que torcem pra times diferentes e saber dividir as coisas... Só não podemos deixar a emoção se tornar obesessão

...

Vergonha

Em momentos como este sinto vergonha de ser torcedor
aonde os homens se tornam animais e propagam o horror

O futebol que deveria ser uma arte
se torna campo de combate

Os times representam exércitos
os torcedores soldados

A paixão se torna obsessão
e sobrepõe a razão

Enxergam irmão como inimigo
no outro ser humano perigo

Esquecesse que são brasileiros
antes de qualquer ano, ista, ense, lino somos companheiros

Por doces noventa minutos esquecem a realidade
e por amargos minutos agem com brutalidade

O seu time irá continuar
vencer, perder, continuará a jogar

Mas aquele que morreu não irá voltar
para a mãe que mais que tudo o sabia amar

Para os amigos cujos era companheiro
para a amada com quem dividia o leito

Paulo Gomes

Daniane disse...

Muitas vezes o povo brasileiro se empenha muito mais em reclamar, protestar e até chegar as vias de fato por causa do futebol, mas não tem esse ânimo todo quando o assunto são atitudes corruptas dos nossos governantes, por exemplo. Surge um escândalo de corrupção, um ato de violência, enfim qualquer coisa que deveríamos achar um absurdo, várias vezes ignoramos, já achamos normal. Muitas vezes parece que perdemos a capacidade de nos indignar. Mas se o técnico não convoca aquele jogador que queríamos, achamos p*ta falta de sacanagem e xingamos mto no twitter, a imprensa cai em cima, etc. Falando nesse aspecto até concordo que o futebol haja como alienador na nossa sociedade. Na época da Copa, só se fala nisso na TV, o Brasil é lindo, maravilhoso, oba oba, é Copa do Mundo, acabaram-se todos os problemas da nação, nesse aspecto tbm acho o futebol nos aliena bastante.
Agora eu não acho nem um pouco errado ou desperdício que governo e empresários apóiem os esportes. Apoiar os esportes não é menos importante que apoiar acesso a educação ou a cultura. Acho errado que pessoas não tenham oportunidade de acesso, isso o governo deve garantir a todos. Agora se alguém é bonzão na educação física, mas não tão bom nas disciplinas, isso quer dizer que o cara é pior que alguém? NÃO. Se alguém toca um instrumento super bem, mas não gosta de estudar quer dizer que é vagabundo? NÃO. Se o cara adora estudar, quer fazer faculdade, mas não sabe chutar uma bola no país do futebol, ele é pior que alguém? NÃO. Cada pessoa tem habilidades e gosta de coisas diferentes. E não seria super legal se cada um pudesse ter oportunidade de acesso a esporte, a educação, a artes, etc? Acho que sim.
Agora separar esportes (ou qualquer coisa na vida) da emoção, acho simplesmente impossível. Alguns se emocionam com esportes, outros com livros, outros com pôr-do-sol. Pq eu me emociono mais com Sandman, sou melhor que meu pai que se emociona mais com um jogo de futebol? Não, somos diferentes, só isso.
Gosto de assistir futebol (até os inters da faculdade vou assistir) e F1, mas acho um saco basquete. Quem gosta de basquete é bobo, feio e chato? Alienado (Cara! Aqui país do futebol e tu curte basquete?)? Claro que não.

Fabio Rodrigues disse...

O videogame se monetarizou sim, eu concordo. Mas ninguém sai pela rua se esbofeteando porque acha que a Nintendo é melhor que a Sony.
No máximo eu vejo paixões exageradas por esse ou aquele jogo/empresa/produtora. Mas a violência fica ali dentro da tela.
O futebol também se monetarizou (há muito tempo), mas aqui a regra é diferente. Se você não é um time que tem torcida, que gera lucro, melhor que não fique tomando o tempo dos "grandões". É tão explícito este favorecimento (o clube dos 13 que o diga) que me pergunto como o povo não vê como tudo é manipulado e que o seu time do coração só foi campeão com a ajuda do capitalismo. Afinal não podemos ter uma decisão de campeonato entre o XVI de Piracicaba e o Moto Clube do Maranhão. Precisa gerar lucro!
Já perdi o gosto de ser torcedor há tempos. Tempos em que torcia por um gol, por uma boa apresentação, por um espetáculo divertido. Detesto aquele circo de contratação pra cá, contratação pra lá. Técnico novo, chuteira colorida, saber de cor o nome de todos os jogadores. Tenha santa paciência, Batman! Vá aprender e discutir algo mais útil pra você e para o mundo. Inclusive já fui vítima desse "preconceito" por não torcer mais para time nenhum.
Agora o futebol em si é um ótimo esporte, especialmete quando é jogado por pessoas que querem se divertir, e não apenas competir. Mas esporte é saúde senhor torcedor! Então vá praticá-lo em vez de ficar o domingo inteiro com a bunda no sofá assitindo seu time e xingando a tudo e todos que são do contra.
E, diferente da "KK", eu não penso que se deva "matar ou morrer" por esporte nenhum. Se alguém pensa que é normal fazê-lo, devia estar atrás das grades com aqueles que o fazem. O futebol, do jeito que está hoje, é pão e circo!
Parabéns Dolphin, concordo plenamente com o texto. Nada exagerado e nada ranzinza, mas sincero.

Marshall disse...

Panthro disse...
Quanto à questão histórica, me parece bem claro que o futebol foi um mito fabricado durante a ditadura com o objetivo de gerar uma identidade nacional. E compraram. Originalmente era considerado um esporte de estrangeiros.


Falso.

Antes de 1964 o futebol já estava consagrado como esporte nacional. Essa sua assertiva não tem o menor cabimento.

Piccini disse...

Muito bom o texto! Bem escrito e bem argumentado, mas eu, como bom nerd, tenho algumas críticas.

Há um outro lado do esporte que não foi explorado: a tradição de certos clubes, e o que isso representa para seus torcedores.

O Palestra Itália (depois forçado a se chamar Palmeiras) como reduto dos italianos, o Corinthians como "o time do povo", o Internacional aceitando negros, enquanto o seu maior rival foi o último time a permiti-los, o próprio Grêmio como manifestação de desejos separatistas...
Em outros países há outros exemplos, como os ultranacionalistas torcedores do Milan que não aceitavam jogadores de outros países, levando à criação da Internazionale...

Não vou ficar me estendendo muito, mas quase todo time tem uma história por trás. São raros os times que simplesmente surgiram para fazer dinheiro. E os times tradicionais possuem seus torcedores tradicionais, que são como seguidores de qualquer tradição: seguem seus "ritos" não porque é certo, ou lógico, mas porque é a tradição.

Os torcedores tradicionais, em geral, não gostam do que o esporte (qualquer esporte) se tornou. Você deveria dirigir suas críticas mais ao atual espetáculo capitalista montado em torno de TODOS os esportes, do que só ao futebol em si, que é simplesmente o caso particular no Brasil.

. disse...

Post-polêmica, q só serve p distribuir opniões estritamente pessoais no site e uma ruma de comemtarios chatos. O NSN não é para isso! chega de desabafos toscos de colaboradores sem noção!! saudades dos velhos tempos.

Revelc disse...

Concordo com a maioria.

O texto é muito bem escrito, e ela expõe muito bem o seu ponto de vista.

Entretanto, tenho q discordar de certos pontos, já citados aqui. Todas as vezes que a Copa do Mundo está chegando eu me deparo com tais comentários.

Acredito q futebol é entretenimento, e só. Na minha opinião, aqueles que devem levar isso a sério são apenas os que trabalham no meio (jornalistas, jogadores, organizadores). De resto, é tudo fanatismo ou radicalismo, ofensivo ou defensivo. E isso sim é questionável.


É apenas um evento esportivo, portanto, p/ quem gosta de futebol: vamos todos nos divertir, e só.

Paulo Roberto [Em Paralello] disse...

Concordo em parte com o texto, mas acho que todos já falaram um pouco sobre o mesmo. A única coisa que gostaria de complementar é que independente de ser o futebol ou não acho que em todos os âmbitos de nossa vida se lervarmos algo ao extremo de alguma forma gerará um dano, independente do que seja.

Belo post Dolphin, como sempre...

Bruno Sky disse...

"É apenas um evento esportivo, portanto, p/ quem gosta de futebol: vamos todos nos divertir, e só."

É disso q eu tô falando...agora, só pq eu gosto de assistir futebol eu sou um alienado, controlado pela midia??? Dá um tempo, né?

Gilmarzinho disse...

Concordo com Panthro, totalmente.
E Fábio Rodrigues está certo em afirmar que tudo não passa de teatro, manipulação para ter times com maior torcida no topo dos campeonatos.
Se vocês conhecessem algum responsável por administrar times, ficariam com os cabelos em pé com as histórias que saem de lá...
"Mala preta" é só o começo da corrupção e enganação do povo, tem muito mais no buraco deste coelho. Impressionante que ainda haja gente inteligente e graduada que ainda acredita no futebol.

Té.

Panthro disse...

"Falso.

Antes de 1964 o futebol já estava consagrado como esporte nacional. Essa sua assertiva não tem o menor cabimento."

E quem falou em 64? Eu estou falando do Getúlio Vargas mesmo. Dá uma olhada no livro "A História Politicamente Incorreta do Brasil". Lá ele lista comentários engraçadíssimos de sumidades como um dos de Andrade (Mário ou Oswald, sei lá), defendendo como futebol era um estrangeirismo.

O Getúlio que começou com essa papagaiada de usar o futebol como símbolo da nação.Dá uma olhada aqui: Diz que não pegou a imagem que o Getúlio queria, mas basicamente foi ele quem investiu pesado nessa idéia. http://www.usp.br/agen/?p=16989

Gilmarzinho disse...

Ah, pra constar:
Nunca torci por time nenhum.
Nunca entendi nem assisti futebol.
Até meus 16 anos, eu não sabia para que servia "aquele cara de preto" no meio dos jogadores.
Té.

Panthro disse...

Claro que eu também não acho que gostar de futebol seja ser alienado. Ou que o fato dele ser manipulado torne menos interessante. Eu leio gibis e sei que a história que acontece ali tem o único objetivo de vender mais. Como nas séries de TV, filmes e toda a indústria do espetáculo. E futebol há muito tempo entrou pra indústria do espetáculo. A questão é vc saber o que vc está comprando. Eu não saio por aí achando que aliens vão me sequestrar porque assisti Arquivo X. As pessoas também não deveriam sair por aí achando que Palmeirenses e Corintianos são inimigos naturais só porque são na ficção do campo.

Sério. Pra mim quem é torcedor fanático está no mesmo nível de paunocuzice de quem sai correndo e gritando "Morte ao Sabá" no meio da internacional. É uma mistura de não separar ficção de realidade com ser simplesmente chato.

PS - O fato do futebol ter se tornado um símbolo nacional por manipulação getulista não muda nada sobre o esporte. Gosta-se porque se gosta, simplesmente. Hitler era vegetariano e nem por isso eu acho que o vegetarianismo seja um coisa ruim. Comentei só pq alguém falou que era mais interessante procurar a origem dessa paixão doida e eu discordo: a origem está bem estabelecida, não tem nem graça procurar.

Panthro disse...

Ah, detalhe: A origem HISTÓRICA está bem estabelecida. A origem PSICOLÓGICA pra porque algumas pessoas piram numa coisa é interessantíssima e não está nada estabelecida. Eu acredito que o mesmo mecanismo obssessivo que leva uma pessoa a matar ou morrer pelo futebol é o que leva um pai e uma mãe a deixarem a filha morrer de fome pra alimentar uma bebê virtual. Mas aí eu cheguei no campo da completa especulação, não manjo nadíssima disso.

Velho da Montanha disse...

Futebol é coisa de viado, ficar olhando machos milionarios correndo de shortinho a trasa de uma bola no campinho

todos os fãs de futebol são bichas e macaquitos, gente retardada sem cerebro, escória


e o futebol é usado principalmente pela esquerda pra alienar o povo

BRASIL, PAIS DE MACAQUITOS !

- Lord ♪ disse...

Putz meu, demorei mais lendo os comentários do que o post. E de certo modo não posso deixar de concordar com o texto! Também acho que o texto possui alguns exageros, mas não está muito longe da nossa realidade. Sobre toda essa coisa da exploração da mídia, dos garotos que abandonam a escola para jogar futebol e etc, infelizmente é a realidade do Brasil hoje. E falar somente sobre os danhos que toda essa paixão por futebol gera é no mínimo injusto! Acho que deveria considerar também que a prática do esporte em conjunto com a educação escolar faz a diferença em muitas pessoas. Existe inúmeros projetos sociais para as crianças que incentivam a prática do esporte e tiram elas dos caminhos mais prováveis como o mundo das drogas e do tráfico. Não vou me prolongar, acho que como tudo a prática do esporte tem seus lados positivos e negativos. Acho também que o texto tem um jeito bem ranzinza, de alguém que não acompanha o futebol, que não gosta de futebol. Mas também foi escrito por alguém que entendeu os abusos que são cometidos através do mesmo! Acho errado pessoas (.) ficarem reclamando desse tipo de post. Isso serve para mostrar a posição das pessoas em determinados assuntos! Não se trata de desabafo, acredito eu, e sim de uma realidade do que acontece hoje em dia! Ao meu ver também ficou um pouco exagerado, mas dai criticar todo o post é um erro!
"Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."
Voltaire

Acho que devemos no mínimo respeitar!

Chico Fagundes disse...

Acho que a maioria das pessoas não entendeu o sentido do post da Dolphin, muito bem escrito por sinal. A crítica foi justamente sobre o poder público, da mídia e do dinheiro(do dinheiro, não do capitalismo), sobre a manipulação das massas e a violência que essas coisas geram. Isso acontece com Futebol, Religião e Política.

Me acordei do futebol após a copa de 1998, quando o Brasil perdeu pra França e que a história da convulsão do Ronaldo não é engolida por mim até hoje. Deixei de gostar de ver o futebol, até mesmo de jogar games de futebol.Me senti enganado naquela ocasião e decidi que não gastaria mais 1 real sequer em relação a esse esporte "Bretão" mas que na verdade nasceu na China há mais de 2000 anos.

As pessoas ligam a propaganda e o dinheiro ao Capitalismo(vamos deixar dessa besteira), mas esquecem o quanto de propaganda foi usado nos regimes "comunistas" da URSS e da China. Poder, manipulação de massas e propaganda independem do regime adotado por qualquer país.

Gosto de praticar esportes, seja futebol, volei ou basquete, mas desapegado de qualquer paixão por clube ou algo do tipo. Gosto de ver uma boa jogada, feitas por gênios como Ronaldinho Gaucho, ou nos bons lances do aposentado Michael Jordan. Gosto de ver a superação do homem.

Acho a guerra e qualquer forma de violencia o ápice da idiotice humana. E pra tudo tem justificativa. Temos o exemplo do ataque de Israel de ontem(como seria bom um post aqui sobre isso).

A questão do bullyng levantada por Dolphin é muito séria e é isso que acontece todos os dias. Deixa o Brasil perder a copa pra verem o quanto vão criticar Dunga e seus jogadores.

Mais uma vez queria parabenizar a Dolphin. Foi alvo de algumas críticas minhas anteriormente mas hoje ela se superou com esse post.

Chico Fagundes disse...

Fico indignado no meu trabalho quando alguns colegas só conseguem falar sobre futebol, o dia todo! Depois de tantos anos de enganação ainda continuam acreditando que o time deles respeitam a ética e que no final das contas tudo não se resume à dinheiro.

O esporte sozinho é importante, seja ele qual for, mas parece que qualquer coisa no mundo que envolva dinheiro apodrece. Não vou acusar o capitalismo como muitos fizeram aqui, porque muito antes dele, as coisas já estavam pretas.

Vamos acordar Brasil! Essa idéia de que o brasileiro é um povo cordial, pacífico e feliz é pura balela. Repetida várias vezes pelos governos, nos faz acreditar nisso. Somos um povo acomodado com poucos momentos de iluminação(caso da mobilização para aprovação da ficha lima).

Aproveito o espaço para o pessoal do NSN postar sobre a questão do ataque Israelense.

Doug disse...

Gostei do texto. Acho que tem que ter mais um post focado nas torcidas. Elas são sempre de antagonismo, ser palmeirense implica odiar corinthianos. Essa "identidade" conferida pelo grupo acaba dando sentido à existência (ô coisa triste!) e o resultado, em um país de adolescente é esse aí: se ganhar quebra o ônibus, se perder quebra também. Tem que deixar sua cagadinha, sua marca no mundo...

All3X disse...

Reflitamos: quando o esporte é alçado a mero produto comercial e perde a função básica de lazer, tudo descaminha.
Não sou partidário de toda forma de segregação que busca rivalidade. Competir pode ser uma ordem natural das coisas, mas alcançamos a civilidade não foi para nos permitirmos certos comportamentos...
Sem mais, não tenho muito a acrescentar após o brilhantismo do texto.
Valeu.

Davi disse...

Pontos positivos e pontos dos quais eu discordo ...

O fanatismo é prejudicial ao ser humano em quaisquer que sejam os segmentos.

Mas dae ao "tirando a emoção do esporte",
se trepar não fosse bom que é que faria ??

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