terça-feira, 25 de maio de 2010

Avatar Felipe

Lost: como afundar uma série excelente em apenas uma temporada

 

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[Contém spoilers do fim do seriado]

A menos que você, leitor, tenha passado os últimos meses em outro planeta, já deve saber que Lost chegou ao fim, com um episódio de duas horas e meia de duração. Foram seis longos anos esperando por respostas para os mais intrigantes mistérios; a cada resposta, surgiam dezenas de outras perguntas. Mas eis que, finalmente, chegou o dia de obter todas as respostas, certo? Infelizmente, não.

Para a tristeza dos fãs, a temporada que deveria responder a tudo e encerrar com chave de ouro uma das melhores séries dos últimos anos, só confundiu ainda mais a cabeça de todo mundo. As poucas respostas não foram nada satisfatórias e vários mistérios considerados importantes foram simplesmente deixados de lados. Os mais fanáticos que me desculpem, mas essa história de “quem não gostou do final é porque não entendeu” é coisa de quem não quer admitir que se decepcionou. E não tem como não se decepcionar quando um seriado termina com um Deus Ex Machina ridículo como foi o caso de Lost.

A última temporada prometia, começou mostrando uma realidade alternativa e a ilha no fundo do oceano, dando a entender que a explosão da bomba no final da temporada anterior havia funcionado. Porém, o que tinha tudo para ser sensacional, acabou se mostrando uma sucessão de erros que nem o mais cético dos fãs poderia imaginar. Os misteriosos números, que apareciam em todos os lugares desde a primeira temporada, tiveram uma explicação tão patética que cheguei a ficar com vergonha pelos roteiristas. O Jacob simplesmente gostava de números e adicionou um para cada candidato a substituí-lo como guardião da ilha. E por falar nos candidatos, mais uma vez foi criada uma expectativa que não foi correspondida. Fãs discutiam na internet sobre os motivos pelos quais Kate não era mais uma candidata, afinal o nome dela estava riscado na caverna. E quando finalmente Jacob resolveu conversar com todos ele diz que o cargo poderia ser de quem quisesse, até da Kate!

Mesmo com tudo isso, ainda existia esperança, principalmente porque o episódio 15 (Across the Sea) prometia trazer várias respostas importantes. Mais uma vez as coisas não foram bem como o anunciado. Foi um episódio inteiro apenas para mostrar quem eram Adão e Eva, da primeira temporada, além de mostrar como o Fumaça virou o Fumaça e que Jacob é um verdadeiro mané. Sem contar que, faltando apenas dois episódios para o final, eles colocaram mais um mistério: a luz no coração da ilha. E como tudo que está ruim pode piorar, veio o último e terrível episódio.

A primeira parte do final se resumiu à batalha entre Jack (o novo guardião da ilha) e o Fumaça, com direito a uma luta repleta de clichês no alto de um penhasco. Teve direito até a cena em que Jack está prestes a ser morto e aí, na hora H, a Kate dá um tiro nas costas do Fumaça (que perdeu os poderes graças ao Desmond, que apagou a luz da ilha). Para a metade final do episódio ficou a expectativa de como as duas realidades iriam se encontrar. E eis que vem a grande revelação: a realidade paralela na verdade era uma espécie de purgatório onde todos se encontram depois que morrem.

A impressão que tive ao assistir o final de Lost, foi de que os roteiristas não tinham a mínima idéia de como responder pelo menos alguns mistérios. Resolveram seguir o caminho mais fácil e deixar subentendido que tudo que não teve explicação seria algo místico. Realmente frustrante. Mas se o misticismo poderia ser suficiente para a Ilha e para a luz, como ficam casos como o de Walt, por exemplo? O garoto era importantíssimo nas primeiras temporadas, Os Outros fizeram experiências com ele, e tudo para ele ser simplesmente deixado de lado. Outro furo que nem os mais fanáticos podem deixar passar é: por que diabos o Jacob esperou séculos (literalmente) até finalmente escolher alguém pra derrotar o Fumaça? E por que tinha que ser alguém do vôo Oceanic 815 e não alguém que já estava na ilha, como Ben ou Widmore? Jacob ainda decepcionou ao mostrar que também não sabia nada sobre a ilha, que era apenas mais um mané que estava ali de passagem. Quer saber por que a ilha viaja no tempo? Sinto muito, nada de respostas. Por que o guardião da ilha não envelhece? Desculpe, nada aqui também.

Verdade seja dita, além de não saber como responder certas coisas, acho que também faltou humildade aos produtores da série. Com tanta teorias interessantes pipocando pela internet, parece que eles quiseram mostrar um final que ninguém acertasse, simplesmente pra se sentirem os fodões. Como todas as boas teorias já tinha sido usadas pelos fãs, o final de Lost acabou sendo a merda que foi.

Enfim, eu não me arrependo de ter acompanhando a série, afinal, ela teve momentos memoráveis, como a abertura da escotilha ou a descoberta de que o Fumaça estava se passando pelo Locke. Mas, como fã da série, não consigo deixar de me sentir enganado com esse final que não responde absolutamente nada. E não adianta dizer que Lost não dá as respostas mastigadas, que é preciso imaginar e pesquisar fora da série. Ora, nem todos tem tempo de acompanhar os trocentos ARGs de Lost e, como diz o FiliPêra, “Se for pra ter que ficar imaginando tudo, eu crio meu próprio seriado”.

18 Comentaram...

Nothing and All disse...

Não acompanhei, mas disse desde a primeira, segunda temporada, que os caras não tinham ideia do que estavam fazendo o como terminariam e explicariam tudo. Dito e feito.

Eduardo Baroni disse...

Essas séries que se estendem demais são sempre a mesma coisa. A história foge do controle e os roteiristas tem que se virar para continuar o suspense da trama. E no final... hora para que perder tempo com um final convincente se todo o dinheiro já foi ganho????

Francesco Mgz disse...

Eu não assisti, então o purgatório abrangia as duas realidades ou só uma ? A realidade do purgatório era a do Jack vivendo de volta nos EUA ?


PS: O fumaça na verdade era o noob saibot =P

Francesco Mgz disse...

Campo eletromagnéticos, espaço tempo dobrado outra dimensão entre milhares de outras teorias foram usadas pelos lotsmaniacos para explicar q porra estava acontencendo, me orgulho de ter parado de assistir a série qnd o Hugo trocou a ilha de lugar naquela caverna, parecia Mario Bros q por si só a idéia de mover a ilha daquele modo era totalmente ridicula, ultra cenário aquela caverna mal feita e q porra aconteceu com aquele macaco q foi duplicado pelos cientiastas da Dharma e as experiencias de viagem no tempo ? recursos de roteiro para manter as pessoas interessadas blogando a respeito blergh

A série representa bem o lado negativo de ser nerd, ficar hipotetizando mil coisas que não correspondem com a realidade, só existem na cabeça da criatura... O tempo q os nerds mais hardcore poderiam ter usado para aprender a se sociabilizar foram pelo cano.

debora disse...

Concordo com cada palavra escrita aqui
A série foi fantástica principalmente nos 3 primeiros anos, é uma pena uma galera estar falando q foram 6 anos jogados no lixo.
Infelizmente eu estava errada qdo teimava em dizer q os roteiristas sabiam oq eles tavam fazendo, além de responder muito mal as perguntas ainda ficou 50% da ÚLTIMA temp (era o agora ou nunca) dando uma história q chegou a fazer me interessar até mais q pelos assuntos da ilha apenas para ser o reencontro final de novela pós morte? Me senti enganada!

Lucas Koehler disse...

Nem todas séries que se estendem ferram com o roteiro. Acho House um exemplo de série que continua a crescer, aprofundando-se no psicológico do personagem e nas relações dele.

Mas enfim, não acompanhei Lost. Fui um dos que viu a primeira e a segunda temporadas na Globo e perdi o tesão. Entretanto, assim como FlashForward, tinha muitas pontas soltas que exigiriam dos roteiristas uma sagacidade absoluta para juntar.

Só fico triste que eles tenham apostado nessa equipe em Lost, e não em FlashForward. Essa segunda é uma série que eu acompanhava. =/

Igor Queiroz disse...

Bom, eu inicio com um comentário: "Mens of science, Men of Faith". Muita gente ficou esperando respostas científicas para todos os mistérios da ilha, e não se deixou levar pela proposta da série que era mostrar uma história de pessoas, para pessoas. A criação de expectativa em demasia, pode gerar frustração e foi o que ocorreu com muita gente que não gostou da sua conclusão. Respeito a sua opinião, apesar de divergir bastante da minha, mas para um maior esclarecimento do que eu achei de todos esses anos de Lost, podem conferir em: http://arapaduradura.blogspot.com

Igor Queiroz disse...

Correção: "Men of science, men of faith" :D

Gilmarzinho disse...

Cara, desde que percebi que se tratavam de flash-sideways, parei de levar a sério esta parte.
Só me interessava o que acontecia na Ilha, o flash-sideways era certo que não ia dar em nada.
Quanto ao final da Ilha, achei muito bom, apesar dos clichês (só esse da Kate aparecer na última hora foi merda, nunca aceitei este clichê de telefilme em nada que assisto). E, realmente, o episódio Across The Sea deixou muito a desejar. Muito mesmo.
E se formos pensar, era muito simples fazer a maioria de nós felizes: era só trocar "coração da ilha" por "fonte de magnetismo".
Mas, acho que tu está certo, eles queriam mesmo era fazer alguma coisa que ninguém iria acertar.

Té.

Ivan disse...

Discordo do texto. Meus pontos são:

- Não era necessário responder todas as perguntas para a trama ter um final. Se fossem responder TUDO, a última temporada seria um documentário, e não uma série de ficção.

- Inseriram muita mitologia na história, o que, ao meu ver, é um ponto extremamente positivo. Houveram resgates de cenas da jornada do herói em, praticamente, cada capítulo da última temporada. Pena que mitologia é uma merda para quem é cético e analítico e que exige respostas para tudo. Para mim, funcionou.

- Porra, é uma série. Os roteiristas não deviam nada a ninguém. Ninguém era obrigado a assistir aquilo e, se eles quisessem fazer um final tipo Muppets Babies com fantoches, ainda assim seria interessante, pq foram SEIS ANOS que deixaram o mundo todo esperando o próximo episódio. O mérito da série não é o seu final, e sim sua trajetória.

Germano disse...

Ivan


Discordo totalmente de vc.

- A última temporada ERA EXATAMENTE PRA EXPLICAR TUDO. E não ficar criando novos mistérios faltando apenas 2 episódios pra acabar.

- Adoro mitológia. E posso dizer que eles só se utilizaram desse recurso aos montes na 6 temp pra ainda darmos algum valor pro bucha do Jack.

- Os roteirista DEVEM E MUITO para nós que demos um emprego pra eles ao acompanhar a série e nada explica eles pegarem a gratidão que nos deviam e jogarem na latrina simplesmente pra fazer um final tão patético simplesmente para tentar mostrar o " mimimi vcs erraram!!lululu o final não é o que vcs achavam!!huhuhu somos fodoléticos!!" O mérito da série foi um todo de trajetória ATÉ O FINAL o que não aconteceu bem NO FINAL!

compulsivo.com.br disse...

Discordo, na minha opinião o final foi excelente. A história foi fechada, a história deles, que eles criaram...

Agora, quem queria um final personalizado, que atendesse aos seus próprios desejos pessoais, se decepcionou. Acho que foi o seu caso.

Então, como você bem pontuou: Não está satisfeito? Escreva sua própria série!

I see you in another life, brother....

[]'s
Compulsivo

Nilto, o Junio disse...

maldita mania de querer todas as respostas...

Felipe Storino disse...

Pra quem tá achando que eu odeio mitologia, assistam Battlestar Galactica (a série mais nova), o final da série teve muita coisa filosófica e mesmo assim conseguiram responder a maioria dos mistérios. Mesmo não concordando com algumas coisas, ainda achei o final bem foda porque não ignoraram nada do que tinha sido mostrado anteriormente. Já em Lost eles praticamente ignoraram as cinco primeiras temporadas no que diz respeito aos mistérios.

@Compulsivo

Final personalizado??? Da onde tirou isso??? Então todos os q concordam com o texto queriam um final próprio?? O problema de Lost é que eles deixaram de lado os fãs dos mistérios pra se focar nos fãs dos dramas dos personagens. Com um pouco mais de boa vontade dava pra agradar todo mundo. Quanto a escrever minha própria série, se for pra responder tudo com um grande "porque eu quis assim" é fácil.

E deixando claro, eu gosto de Lost, mas prefiro ignorar a sexta temporada e seu final de novela das oito.

Felipe disse...

Felipe Storino , disse tudo,

Battlestar galactica é o verdadeiro exemplo disso. Uma série sobre mitologia, ciência, fé, pessoas, etc etc

Para agradar a todos.

compulsivo.com.br : história fechada? Como assim? Eles jogaram as primeiras 5 temporadas no lixo, criaram um "novo enredo" e concluiram apenas essa nova criação. É isso que você chama de fechado?

Brummelf disse...

Ainda acho que o nome do episódio final devia ser: "A rolha que segura a ilha".

Miguel Mascarenhas disse...

"Nothing and All disse...

Não acompanhei, mas disse desde a primeira, segunda temporada, que os caras não tinham ideia do que estavam fazendo o como terminariam e explicariam tudo. Dito e feito."



Típico comentário de hater. O cara nunca viu Lost e ainda faz um comentário como se tivesse assistido a série.


Sobre o texto, concordo em parte, mas não vejo as partes negativas de modo a terem feito da última temporada, uma porcaria.

Caio Schenini disse...

É. Eu meio que me decepcionei um pouco com o final. Foi PIEGAS aquela coisa de se encontrar no céu e blábláblá. Mas quanto a não explicar toda a MITOLOGIA... ah, cara, grande coisa. Escuta: Aquele veadinho problemático do Lovecraft foi o maior escritor de horror e ficção científica, certo? Ele praticamente inventou a merda toda! E ele sempre sugeria que estava escrevendo contos baseado em algum tipo de mitologia misteriosa e incrível que ele tinha criado (ou será que era REAL? Wahahaha), só que nunca explicava que diabos havia por trás daqueles mistérios e te deixava boiando... tinha que ficar imaginando o que podia ser. E, no entanto, todo mundo acha o Lovecraft o máximo e copia ele o tempo todo, até quando não sabe que tá copiando. Tem o lado da ATOCHAÇÃO sim, mas, fato, essa coisa de deixar nego boiando... no fundo é daí que vem a sensação de verossimilhança que faz esse tipo de narrativa funcionar: Se você entrasse em contato com algum caso envolvendo Intersecções Dimensionais ou Antigos Horrores Alienígenas, é muito pouco provável que conseguisse se colocar numa posição onde poderia entender o que realmente está acontecendo. Talvez o grande erro tenha sido deixar o público pensar que as pontas soltas seriam amarradas. No mais... sei lá... Tão chineleando só pq os caras são roteiristazinhos de seriado. Se fosse o David Lynch ninguém falava nada. E eu não vejo ninguém se queixando do final do Processo ou da Metamorfose do Kafka nem nada assim.

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