quarta-feira, 26 de maio de 2010

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Os Filhos De Anansi

Por Diego Jordan

 

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Fat Charlie é do tipo de homem que, embora seja amoroso e gentil, as mulheres o namoram na intenção de causar raiva à mãe, ou de estabelecer-se como uma dominatrix no casamento que provavelmente virá. Sua maior qualidade é um dom mal explorado para o canto. Charles Nancy, no entanto, é um homem com atitude, coragem e determinação, além de cantar bem pra caramba. Spider é capaz de causar amor e ódio, sendo mais fácil o ódio que amor; embora seja ele uma espécie de Dom Juan que, com uma única palavra, é capaz de fazer prostrar-se aos seus pés a mulher que desejar, disposta a romper com seus ideais de castidade antes do casamento. Spider canta melhor que Fat Charlie, mas não canta tão bem quanto Charles Nancy. Fat Charlie, Charles Nancy e Spider são os filhos do Sr. Nancy.

O Sr. Nancy vivia basicamente pescando. Com seu chapéu panamá verde ele se dirigia, quase todos os dias pela manhã, para o local de pesca mais próximo ou para o local que bem lhe desse vontade. Sr. Nancy estava no mundo dos seres humanos, e se existe algo que no mundo dos humanos é imprescindível para se viver é dinheiro. Ele não podia simplesmente estalar os dedos e fazer aparecer dinheiro, as coisas não funcionam assim, esse tipo de magia só existe nos livros. Quando Sr. Nancy precisava de dinheiro ele se dirigia até a loteria ou até o hipódromo mais próximo e apostava, e como todo deus da trapaça que se preze, ganhava. Não ganhava quantias exorbitantes, por que Sr. Nancy gosta muito de tranqüilidade, e fama não traz tranqüilidade pra ninguém.

Uma das coisas que o Sr. Nancy mais gostava de fazer, e fazia muito bem, era cantar. Todas as pessoas do bar que ele freqüentava sempre pediam para que ele cantasse nas noites de karaokê, ele se tornava quase uma celebridade; mas uma celebridade pequena, como eu disse, o Sr. Nancy não gostava da inquietude da fama. O que ninguém sabia, e que você só sabe porque eu revelei algumas linhas atrás, é que o Sr. Nancy na realidade era o deus-aranha da trapaça, que estava no mundo dos seres humanos porque andava muito cansado de conviver com seus semelhantes. No fundo, os semelhantes de Sr. Nancy, ou Anansi, como é mais apropriado, estavam todos com muita raiva dele, pois honrando o título que lhe cabia, tinha enganado, trapaceado e até mesmo comido, de todas as maneiras que sua mente puder imaginar, os seus semelhantes.

Quando Anansi veio para o mundo dos humanos, tratou de portar-se com um, não apenas assumindo a forma, mas assumindo o estilo de vida. Dentro disso, casou-se com uma mulher pela qual realmente nutria sentimentos e o fruto de seu casamento foi um filho. Como o nome do livro sugere é exatamente dos filhos do Sr. Nansi que o livro trata. O nome do menino que nasceu era Charles Nancy, apelidado pelo pai de Fat Charlie, isso por ter sido um pouco gordinho quando muito pequeno. Fat Charlie cresce sem gostar do pai; para ele, Anansi sempre foi uma espécie de algoz, fazendo-o passar por vários constrangimentos no decorrer da vida.

Imaginem vocês a surpresa de Fat Charlie ao descobrir, no dia do enterro do pai, que tinha um irmão, um irmão gêmeo. As coisas na vida de Charlie mudam demasiadamente; Spider, o seu irmão gêmeo, entrou na sua vida para mudar quase tudo, inclusive a forma de Charlie ver o mundo, e quase leva-o a loucura revelando a identidade sobrenatural do pai.

Usando de uma escrita simples, que flui de uma maneira imperceptível e que em certos momentos se porta como as mais antigas lendas, Neil Gaiman construiu uma obra que fala de coragem, atitude e determinação. Seu personagem é obrigado a aprender tudo isso, da pior maneira possível: jogado como um simples ser humano no centro de conflitos, além das meras atribuições humanas. Na composição da obra, Gaiman retrocedeu milênios e foi buscar nas antigas lendas e mitologias africanas os Deuses que vão dar tanto trabalho ao protagonista. Por falar em protagonista, eu pessoalmente gosto muito dele, um personagem muito cativante que vai lhe causar ódio no princípio do livro, porém, quando a célebre jornada do herói terminar, você verá a mutação de um ser que, entre deuses antigos e as piores espécies de seres humanos, conseguiu em algum momento ter discernimento da vida que tinha e, à partir daí, tomar as decisões para transforma-se em um novo homem.

 

O autor do livro é Neil Gaiman, você provavelmente já o conhece, se não, eu sugiro que assista ao Pipoca e Nanquim sobre ele, está aqui no NSN alguns posts abaixo. Os caras falaram de toda a vida e obra dele, o programa é excelente e indispensável para aos fãs de Neil Gaiman. Para quem não conhece, vou fazer uma pequena introdução à vida e obra dele e depois você corre lá pra ver o programa. Neil Gaiman é Inglês, é formado em Jornalismo, adora gatos, tem uma estranha plantação de abóboras e só se veste de preto - eu pelo menos nunca o vi vestido de outra cor. Sua obra mais conhecida, e indispensável para qualquer fã de quadrinhos, é Sandman, que para muitos é também sua melhor produção.

Os quadrinhos deram destaque para Gaiman, mas não são seus únicos trabalhos. Nos últimos anos ele tem se dedicado muito a literatura, principalmente aos livros infanto-juvenis, que, diga-se de passagem, são ótimos, e um tanto assustadores para o público-alvo. Destaque para Coraline, e o recentemente lançado aqui no Brasil, O Livro do Cemitério, este que, como o título sugere, tem como referência o clássico O Livro da Selva. A verdade é que mesmo que você não tenha a informação de que Gaiman também escreve livros, basta ler algum quadrinho dele, principalmente Sandman e seus derivados, para saber que se está lendo algo de um grande escritor.

Seus quadrinhos destilam uma poesia muito forte. Dos livros que lançou, e que saíram aqui no Brasil, eu dou destaque para Deuses Americanos, quase um clássico moderno (ou um, depende do seu ponto de vista), com a participação do mesmo Anansi, do livro que vos falo. Quem tentar comprar Deuses Americanos aqui no Brasil só o conseguirá em sebos, o livro esta esgotado em tudo quanto é buraco já faz algum tempo.

Para encerrar, Os Filhos de Anansi é um livro que deve estar na lista de todo e qualquer fã de Neil Gaiman. E para aqueles que gostam de uma boa história com fantasia e deuses, a magia neste livro é algo que eu acho simplesmente fantástico; ela é curiosamente familiar, chega a parecer completamente real, nada de coisas luminosas saltando de varinhas ou das mãos de um ser qualquer, mas das coisas que nos rodeiam cotidianamente se dobrando a vontade das palavras, ou melhor, da música.

 

Esta história começa, assim como a maioria das coisas, com uma musica.

Afinal de contas, no começo havia as palavras, e elas vinham acompanhadas de melodia. Foi assim que o mundo foi feito, que o vazio foi dividido e que a terra, as estrelas, os sonhos, os pequenos deuses e os animais vieram ao mundo.

Eles foram cantados.

Os Filhos de Anansi, Neil Gaiman

Os Filhos de Anansi

383 Páginas

Nota: 8

4 Comentaram...

Vini disse...

Li este livro e o Deuses americanos em inglês, o estilo do Gaiman não é muito rebuscado então é de facil entedimento! Sem contar que os preços dos livros em ingles foram muito mais acessiveis (cerca de 15 reais contra os 50 da edição traduzida).
Uma ótima critica sobre livro, resume bem a obra e dá uma curiosidade de ler!
Mas acho que se confundiu no começo, com os "três" filhos do Sr. Nancy! São só o Fat Charlie e o Spider!

K.B.L.O disse...

SO RPA ESPALHAR A DISCORDIA ENTRE OS NERDS.. E ESQUENTAR OS DEBATES.... (QURBA PAUS MSM.) NERA VAI ME MATAR...

terça-feira, 25 de maio de 2010
Porque o X360 é melhor que o PS3.
Forza3
COD MW2
Alan Wake
Batman AA
PES2010
Fifa Africa Cup
GTA4
RDT
HAWX.

Essa merda toda da net, sentado no desconforto de uma cadeira horrivel aqui do trampo. Deixo DW e vou trampar, no fim do dia, 2 jogos gravados na media.
Dai um nerd vem me falar que o grafico do PS3 é melhor??

BOM ARGUMENTO NAO ACHA ??

Cristiano disse...

Li o este livro antes de ler Deuses Americanos e gostei muito.Quando li Deuses Americanos me decepcionei.Achei que Gaiman enrolou demais com a historia só pra encher linguiça.

Douglas Galetti Ribeiro disse...

Eu ja tive a oportunidade de ler Lugar Nenhum (NeverWhere).
Achei muitooo bom meeesmo.
E li em 6 dias num ebook (estrewiando meu notebook uhaha).

Se neverwhere foi bom e nem é o melhor do Neil, aposto q esse citado deve ser excelente.
ótimo topico e fiquei com vontade de ler ele... mas antes, grau 26!

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