segunda-feira, 23 de agosto de 2010

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Alucinação e Febre - uma resenha intimista sobre Fever Ray

Por Synthzoid, do Nerdexploitation, Geekeria, Alucinação Coletiva

 

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Estou acessando o youtube The Knife – Silent Shout, um show, filmado da platéia, através de um celular, uma dupla, no distante palco, se apresentam, suas silhuetas são idênticas, estatura mediana, trajavam uma capa preta e uma daquelas máscaras, um sintetizador começa a tocar, um show de luzes, uma viagem lisérgica ruim, o refrão sob uma voz feminina, fantástica: “a cracked smile and a silent shout”, um deja vu sinistro. Algum tempo atrás, hit de verão, What Else Is There?, não fazia idéia de quem era aquela voz, perene em frente inúmeros remixes, quem era ela? Qual seriam suas inspirações? O que faz dela uma cantora tão especial?

Fui descobrir tempos depois, quase por acaso, durante uma conversa despretensiosa com uma amiga, ela falou: “Escuta isso, Roberto, acho que você vai gostar”, e um link do youtube se abriu, o título? Fever Ray – When I Grow Up.

 

Explicar aquele clipe, de início, foi complicado, quase platônico, aquela moça, vestida como uma xamã urbana, cheia de penduricalhos, em um desolador quintal de casa americana, na beirada de um trampolim, dançando um butô crescente, conforme a música chega a seu ápice. A sensação foi muito próxima do ápice de uma brisa narcótica, foi mesmerizante, em nível técnico e intimo, sexual, esotérico, estava acostumado com boa música, mas a mensagem do clipe me atingiu de forma hipodérmica, clara e sincera, naquele dia, eu me lembro de ter revisto mais duas vezes.

Só depois fui descobrir que tal clipe nem era o single do EP de nome homônimo, e que a idealizadora do projeto, a sueca Karin Dreijer Andersson, era a responsável pela voz que me encantava tanto.

Não demorou muito pra eu achar um torrent e baixar o EP completo, e outra surpresa veio dali, a arte da capa, toda escura, com vegetações distorcidas e uma caricatura de Karin, uma referência ao traço de Charles Burns, autor da inquietante HQ Black Hole.

 

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Inquietante, talvez seja esse o termo que defina o feeling do álbum, canções como If i had a Heart e Keep the Streets Empty for Me trazem uma dicotomia entre o conforto e o desespero, aconchego e insegurança. Outras faixas, refletem muito a inspiração artística de Karin, como o cover de Stranger Than Kindness, originalmente composto por Nick Cave & The Bad Seeds e o novo single Mercy Street, de Peter Gabriel.

Certa vez, um entrevistador da Trip Wire questionou-a sobre o clima pesado em suas músicas, se a inspiração seria derivada de alguma tristeza ou melancolia. Karin afirmou o contrário, que a construção de suas músicas vinha de um ato de sinceridade. Mãe de dois filhos saudáveis, afirmou que uma de suas experiências mais marcantes é pegar uma lancha e ficar em alto mar, em plena noite, contemplando a paisagem.

 

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Gosto de compartilhar experiências, principalmente aquelas que proporcionam um baita mindfuck e que, de um jeito ou outro, despertam novos níveis de sensibilidade em mim, no caso de Fever Ray, não seria diferente. Compartilhem, criem torrents, exibam vídeos, toquem remixes em boates, fãs de Portishead, fãs de Charles Burns, fãs de Synth-Pop, todos vão gostar do feeling que Karin trás para seu trabalho.

Se você se interessou, pode acessar os seguintes links:

MySpace | Site Oficial | Torrent para download do EP

5 Comentaram...

Thabata disse...

Fever Ray é apaixonante. Não fui fisgada tão rápido por The Knives, demorou um pouco mais, mas Fever Ray caught me on the first sight.

Macahrio disse...

Lembro que quando você postou o clipe de "Keep the Streets..." eu chamei de uma "Bjork obscura". Vejo agora mais como uma "Lady Gaga obscura", mas não leve a mal, digo isso por causa da contemporaneidade do trabalho, o impacto dos clipes que complementam as músicas e um potencial de espalhar pela rede, neste caso para quem tem um gosto mais diferenciado.

Invejo esta epifania que a música dela lhe causou. Não tive a mesma sorte, levei um tempo para pegar o gosto. Mas é uma excelente artista, um projeto de muita qualidade que tem tudo para durar muito tempo e é muito bom poder acompanhar desde já. Agradeço muito pela recomendação.

Marcelo disse...

Gostei do som. Mas tem alguma coisa de macumba eletrônica. Sei lá. Meio 'Voo doo".

† Bruna disse...

Me lembra björk.
Mas esse som é tão fascinante e envolvente a letra dessa musica When I Grow Up é demais, gosto desse tipo de estilo, meio tribal com urbano, uma coisa mistica e misantropica, me identifiquei bastante!

Anônimo disse...

Aff Clipe estranho,só os estranhos gostamm disso,com certeza são sem amigos,pais falecidos,e tem baixa auto-estima,resumindo são infelizes.

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