quarta-feira, 24 de março de 2010

Ilha do Medo

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Quando ouço o nome de Martin Scorcese, logo penso em filmes envolvendo mafiosos, como Os Bons Companheiros, Cassino ou Os Infiltrados. Sei que eles já fez filmes de outros estilos, mas foi esse que mais ficou marcado pra mim. Então, quando Ilha do Medo foi anunciado, fiquei curioso pra assistir, afinal, Scorcese, tão acostumado a filmar histórias passadas em grandes cidades, dessa vez estaria limitado a uma ilha.

O filme começa com a chegada do agente federal Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e do parceiro dele Chuk Aule (Mark Ruffalo) à Ilha Shutter, onde funciona um presídio psiquiátrico. Eles vão lá para investigar o desaparecimento de uma das pacientes, já que ela parece ter simplesmente sumido no ar. É difícil falar mais da história sem estragar nenhuma surpresa, já que praticamente o filme inteiro se sustenta no fato de deixar o espectador tão perdido quanto o agente Daniels. O clima de paranóia é constante.

No início, Ilha do Medo parece ser apenas mais um filme policial comum, com um mistério a ser resolvido e personagens que sempre parecem estar escondendo alguma coisa. Mas logo o filme se transforma em um suspense psicológico onde nada é o que parece. Alguns cenários, como os quartos dos pacientes ou a Ala C são claustrofóbicos. Aliás, por falar na Ala C, que é onde ficam os pacientes mais perigosos, é ela que proporciona um dos momentos mais tensos do filme. Essa Ala me lembrou muito as prisões que aparecem nos jogos Silent Hill Origins e 4. É um cenário bem opressor, parecendo que a qualquer momento alguém pode pular no pescoço de um dos personagens.

Outro ponto bem interessante do filme são os sonhos de Teddy Daniels. Algumas vezes ele sonha com a esposa, que morreu em um incêndio, e em outras os sonhos são na verdade lembranças de quando ele lutou na Segunda Guerra. Nas cenas que se passam no mundo real, as cores são sempre sombrias, tristes, já os sonhos tem uma paleta de cores maior. Então, para manter o clima de melancolia, Scorcese coloca objetos se movendo em câmera lenta pelos cenários dos sonhos, enquanto os personagens se movem na velocidade normal. A cena do massacre na Segunda Guerra, por exemplo, consegue ser bela e violenta ao mesmo tempo. E falando em violência, uma das cenas finais do filme é de uma violência psicológica impactante.

 

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Só achei que Ilha do Medo ficou prejudicado porque no final tem uma longa cena explicando tudo o que aconteceu até ali, provavelmente para os mais distraídos não saírem do cinema sem entender nada. Às vezes é muito mais empolgante você ficar imaginando o que teria acontecido do que de fato ver o que aconteceu. Mas, felizmente, a última cena – um diálogo entre Teddy Daniels e Chuk Aule – deixa tudo em aberto, ficando a cargo do espectador interpretar da sua maneira.

 

Shutter Island (EUA, 2010)

Diretor: Martin Scorcese

Duração: 138 min

Nota: 9,5

Avatar Beatriz Paz

Gantz live action nos diz que é hora de caçar aliens, baby!

 

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Imagine-se voltando para a sua casinha depois de um tedioso dia na escola, quando na estação de metrô você encontra um amigo de infância que não via há muito tempo. Até aí tudo parece perfeitamente normal… até um cara se jogar na linha do metrô com o veículo se aproximando da estação. Seu amigo de infância pula na linha pra ajudar o cara e você, sem saber direito o porquê, pula também e ajuda o seu amigo.

Mas a sorte não estava do seu lado e você e seu amigo acabam mortos ao serem atropelados pelo veículo. Só que não acaba por ai: você acorda num apartamento onde só há uma grande bola preta e um cara – muito irritantemente chato – vestindo uma roupa preta esquisita, que mais parece uma mistura de traje de mergulho com metroid. Esse é o começo de um dos mangás mais violentos e sanguinários já feitos, sem comentar que é um dos melhores, Gantz.

A história do mangá gira em torno de Kurono Kei, que, após passar pela tragédia comentada no começo do post, tem que participar desse misterioso e bizarro jogo que consiste em caçar aliens e acumular pontos. Detalhe: a grande bola preta se chama Gantz e é a – ou será o – mediador(a) do “game”.

Não vou dar muitas explicações para o caso de eu ter deixado alguém curioso, se quiser saber mais o NSN já publicou um post a respeito do anime, dê uma olhadinha se quiser. Agora você otaku, nerd, gafanhoto, padawan ou curioso de plantão que já conhece o mangá ou viu o anime, eu tenho boas notícias. A série de Hiroya Oku – autor de HEN, Me Teru No Kimochi e atualmente trabalhando em Gantz Phase 2 - vai ganhar as telonas em 2011.

Produzido e distribuído pela Toho, com roteiro de Yusuke (Urameshi, trocadilho otaku) Watanabe, responsável pela adaptação de 20th Century Boys e dirigido por Shinsuke Sato – Hottarake no Shima Haruka to Mahou no Kagame – será dividido em duas partes, afinal, é coisa pra caramba pra contar, e se cortarem alguma parte a história vai ficar sem sentido. E contará com CGs e imagens em 3D que você nunca viu – só eu pensei em Avatar?

Agora vamos ao elenco! Na pele do protagonista Kurono foi escolhido o cantor da Boyband Arashi, Kazunari Kinomiya. Sinceramente acho que ele não convence muito como Kei, mas teremos que baixar o filme – porque pra variar nem em DVD chegará em terras de brasil – pra ver.

 

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Como o melhor amigo de Kurono, o grande e solidário Masaru Katou, temos Matsuyama Kenichi – Detroit Metal City, Don't Laugh At My Romance, Death Note, L change the world, Ultramiracle Lovestory, Shindo... Deu pra perceber que eu adoro ele?

 

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A desejada, tanto por Masaru, quanto por Kurono - e porque não dizer por você também leitor, Kei Kishimoto estará na pele de Watanabe Natsuna. Uma coisa interessante foi que, apesar das japonesas serem conhecidas pela extrema timidez, a garota não se constrangeu em aparecer nua na frente dos outros atores quando filmando sua primeira aparição no apartamento. Não sabe do que eu estou falando? Tudo bem, eu sou uma amiguinha nerd muito legal e achei a foto da cena pra vocês. É só continuarem lendo…

 

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Comentário nerd cueca da vez: A personagem é um pouco mais peituda avantajada, não é não?

Tae Kojima será interpretada por Yoshitaka Yuriko, que foi considerada uma das atrizes japonesas mais promissoras em 2001 por uma enquete realizada pela Oricon.

 

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O irritantemente chato Joichiro Nishi vai ficar em cargo de Kanata Hongo. Uma curiosidade: Hongo substituiu Matsuyama Kenichi na pele do personagem Shin, do aclamado mangá shoujo NANA – é um dos mais vendidos no mundo – quando uma continuação do longa foi feita e certos membros do elenco trocados. Quem se acostumou a ver um Shin grande e alto, se assustou ao vê-lo tão magrelo e pequeno. Eu estranhei.

 

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Pra terminar eu preciso dizer que eu adorei a adaptação dos trajes de batalha, não fugiu do original em nada e ainda assim ficou muito bom. Outra curiosidade sobre o filme, é que antes mesmo de começarem a rodar o longa, os atores de Gantz tiveram que fazer todo um treinamento especial para usarem seus trajes maneiros.

Agora os fãs ficam ou receosos ou animados com a adaptação pras telonas – os fãs de Cowboy Bebbop que o digam – pois os filmes de Gantz têm tudo para dar certo, porque mesmo com um orçamento de 45 milhões o longa ainda pode ficar uma ruim – só eu pensei em Dragonball Evolution? Convenhamos que quantidade não é qualidade.

Uma medida ótima foi a de separar o filme em duas partes, afinal tem muita coisa pra contar ainda e se fossem resumir tudo em uma hora e meia, como pretendem fazer com o filme de Preacher - medo - , teria fã matando gente na saída do cinema. Eu mataria.

 

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A tal foto NSFW do apartamento. Como o Editor desse blog é o cara que vocês conhecem, ele liberou a imagem em tamanho grande mesmo…

Site oficial do filme. Só pra quem entende japonês ou tem o programa que converte kanji!

Filme de Bleach à caminho

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Depois que cometeram aquela atrocidade chamada Dragon Ball Evolution, não tem quem não olhe com maus olhos qualquer outra adaptação de mangá que possa ser lançada no futuro. Mas como eu já adiantei num texto que deve sair na NSN Magazine, era inevitável que os mangás invadissem Hollywood. Por isso não foi surpresa nenhuma quando li hoje que a Warner está desenvolvendo uma adaptação de Bleach. Há boatos de que Death Note também está incluso no pacote. Pois é, pelo jeito o fim do mundo vem mesmo.
Mas calma. Ainda não há motivos pra achar que os filmes serão um desastre. A Warner tem um histórico de excelentes adaptações e a Viz Media, que publica Death Note e Bleach nos Estados Unidos, também está envolvida na produção. Quer dizer, há chances de sair algo bom daí. Contudo, eu discordo do Alex Lancaster, do Maximum Cosmo, que afirma não serem tão complicadas as adaptações destes mangás. Bom, em questão de história não. Mas se os filmes são americanos, logo os personagens também serão. Isso implica na mudança dos nomes dos personagens. Soaria estranho um americano chamado Light Yagami (ou Raito Yagami, se preferir) ou Ichigo Kurosaki. A menos que eles fizessem um filme que se passasse no Japão, o que convenhamos que é bem improvável. A questão é se os fãs vão aceitar estas e outras mudanças que devem estar por vir.
Para quem desconhece estas duas obras vou explicar o mais rápido que eu puder, porque já devem ter notado a minha falta lá no estágio. Bleach se trata de um garoto de 15 anos que se torna um shinigami após conhecer Rukia. Daí ele passa a matar os Hollows, espíritos que por ficarem muito tempo na Terra, se tornaram monstros que devoram outros espíritos. Isso é só o início da história, óbvio. Já Death Note é a história de Light, um jovem estudante que um dia encontra um caderno capaz de matar qualquer pessoa que tenha seu nome escrito nele. E como a tentação de matar alguém sem precisar levantar a bunda do sofá é muita, ele começa a querer espalhar justiça, matando todos os criminosos. A polícia começa a desconfiar que algo muito errado está acontecendo e como eles são incompetentes demais pra resolver o caso sozinhos, contratam L, o maior detetive do mundo, pra liderar as investigações.
Bom, como não é a Fox que vai produzir, e sim a Warner, ainda resta uma esperança. Se ambas adaptações derem certo, ou pelo menos uma, aposto que mais e mais adaptações de mangás devem ser feitas. Digo coisas como Naruto, One Piece e uns shoujos tambem, né? Para o bem ou para o mal, os animes chegaram definitivamente ao cinema no Ocidente.

[Via Maximum Cosmo e 100 Grana]

terça-feira, 23 de março de 2010

Avatar Voz do Além

Comemorem! Na Espanha, compartilhar está dentro da lei

 

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A Espanha já recebeu diversas olhadas tortas por parte do presidente da França - Nicolas Sarkozy (sim, mais conhecido como o marido baixinho da Carla Bruni), por não entrar na onda de caça aos Piratas. O francês narigudo é como um evangelista corporativo que roda toda a Europa em busca da aprovação de leis como as aprovadas no país dele. As anteriormente liberais Holanda e Suécia caíram, e junto com os dois países, se foi o Mininova, e quase o Pirate Bay.

Mas a Espanha está de pé, como um foco de resistência - tão forte, que muitos usuários de Torrent clamam para que o Pirate Bay se mude para lá. Essa linha liberal, que vai de encontro a um certo endurecimento da maioria dos países com relação às atitudes de internet, ficou mais uma vez clara na decisão do juiz espanhol Raul N. García Orejudo. Ele julgava a ação da SGAE (Sociedad General de Autores y Editores - a APCM local) contra Jesus Guerra, que disponibilizava músicas e vídeos no site dele, que basicamente tinha links para distribuição de arquivos pela rede eDonkey. A SGAE reclamou de abusos de direitos autorais, entrou com um processo… e quebrou a cara, pois o juiz Raul rejeitou o pedido de fechamento do site feito pela SGAE. No entendimento do juiz, redes P2P são somente uma plataforma de distribuição de conteúdo (e são mesmo, que fique claro), e em sua essência, não infringem nenhuma lei.

Agora vem a beleza da decisão: para o juiz não houve crime, pois oferecer links para download, não é equivalente a distribuir aquele material, pois não houve ganhos financeiros. Na fala dele: Portanto, se um indivíduo utiliza redes P2P, como eDonkey e BitTorrent, para obter material com direitos autorais por razões não-lucrativos, o ato é completamente legal. Os macaquinhos da SGAE provavelmente tentarão tirar o rabo do meio das pernas e apelarão da decisão, mas a primeira bordoada certeira já foi dada!

 

[Via Geek]

Avatar Colaborador Nerd

Anatel e o #mimimi das operadoras de celulares

Por Douglas Barbosa

 

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Com a nova norma da Anatel, que faz com que todas as operadoras, independente dos planos de fidelização, vendam celulares desbloqueados ou que desbloqueiem sem cobrança de quaisquer multa, esta causando certo #mimimi por parte das operadoras. Algumas operadoras já fazem isso, a Oi e a TIM (menos tempo), mas o ponto no qual eu quero chegar é no tocante ao valor cobrado pelos aparelhos celulares.

Quando uma pessoa vai a uma loja de alguma Operadora de Celular (Claro, Oi, TIM, Vivo etc e tal) e compra um aparelho celular, mesmo que seja pré-pago, este aparelho vem com valor de subsídio, ou em outras palavras: sai mais barato do que o valor praticado normalmente em uma loja sem vínculo com as operadoras. Um exemplo disso é que alguns celulares que custam por volta de R$ 1800,00 Lulinhas saiam às vezes da loja por 1/10 do valor, porém o (in)feliz comprador vai ter pela frente um mundo de contas com planos de voz e dados etc. que muitas vezes vão ser subutilizados. Mas isto ainda não é o escopo deste texto.

As operadoras estão fazendo um #mimimi dizendo que os preços dos celulares vão aumentar por conta desta medida, uma vez que vão retirar o subsídio - já que não mais existirá a chamada “fidelização”. Isso tudo porque a operadora visa enganar fidelizar o Cliente, o que significa amarrá-lo com altas contas por mês, pelos (supostos) ótimos serviços prestados.

Eu rio deste pensamento: que droga é essa de fidelização? Essa tal fidelização não deveria ocorrer pelos bons serviços praticados pela operadora junto com os seus ótimos preços das tarifas? E mesmo assim, o fato de uma pessoa desbloquear o aparelho não a exime do pagamento de sua fatura contratual de serviços de dados e voz, ou seja, contratou UM dos serviços com a empresa X, vai pagar este UM ANO, mesmo que use outro chip e nunca tenha usado aquele(s) serviço(s), o que eu acho que é um lucro para operadora que vai ter ganhos sem precisar oferecer serviços.

O triste fato é que aqui no Brasil existe uma livre concorrência que na verdade não concorre, já que por mais que a empresas sejam concorrentes, eu não vejo o preço das tarifas baixarem. O que muda de uma empresa para outra é nome da “promoção” (Fale e Ganhe, Fale de Graça, Minutos Alguma Coisa, Infinity e etc), mas no final é tudo a mesma coisa: Pague caro para falar um pouquinho supostamente de graça somente com números que sejam da mesma operadora que a sua. Isso sem mencionar no valor das tarifas, que a meu ver são iguais (pouca diferença entre elas), com valores acima de R$ 1 real o minuto (pré-pago) um verdadeiro absurdo.

 

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Não vou nem entrar no fato de que cada operadora tem a sua região monopolizada, onde outra não entra onde São Paulo é o ponto comum de praticamente todas, ou seja, cada uma tem a sua fatia do “Bolo” garantida e também não vou mencionar a telefonia fixa que é outra prova de cartel descarado.

Fica a dica para operadoras: A melhor fidelização é a excelência nos serviços.

Como sempre digo, esta é minha opinião e posso estar errado.

ABL lança concurso literário no Twitter

 

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O Twitter foi uma das coisas mais legais e com o maior número de aplicações úteis nos últimos anos da internet. Nele, dá pra um desocupado reclamar de tudo, lojas criam perfis para divulgar promoções de última hora, jornais para dar notícias e blogs para divulgar seus posts. Hoje, o microblogging, é uma oportunidade de divulgação. Marcos Vilaça, presidente da Academia Brasileira de Letras, deve ter percebido isso e criou o Twitter oficial da ABL no dezembro passado. Agora ele tenta algo que abranja mais os jovens escritores, e iniciou um concurso de microcontos com limite de 140 caracteres. Para participar é preciso seguir a conta da ABL, enviar o texto para o e-mail academia@academia.org.br acompanhado de nome, endereço, telefone e nome de usuário no Twitter.

Apesar de eu ser meio crítico, inicialmente até que eu me empolguei com a proposta. Já havia pensado num microconto pra participar. Mas aí eu lembrei que se era um concurso tinha prêmio. O que seria? Grana? Uma viagem à Paris? Nada, na verdade o grande vencedor ganha um Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. É, só. O segundo e o terceiro ganham dicionários (tenho uns cinco lá em casa). Ou seja nada espetacular. Perdi até a vontade de gastar meus três neurônios nisso. Quem se interessou já pode ir desanimando. Vai ter que competir comigo. Quero meu dicionário!

[Via O Globo]

segunda-feira, 22 de março de 2010

Avatar FiliPêra

[Capetalismo Addendum #2] Uma História de Amor

 

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O Capitalismo é um mal, e não se pode regular o mal. Temos de eliminá-lo, e substituí-lo por algo que seja bom para todos. E esse algo se chama Democracia.

Michael Moore

 

O Capitalismo é tão dicotômico e escravizador quanto as tentativas de se criar sociedades socialistas nesse mundo. Talvez o mais perverso exemplo disso na história recente, tenha sido os dias turbulentos que ficaram conhecidos como Grande Crise Econômica. Se no Brasil mal sentimos os efeitos da situação - devido ao fato dos bancos brasileiros não terem entrado no criminoso mercado de especulação imobiliária americana - a classe média americana pode explicar muito bem o que rolou naqueles dias. Um símbolo dos momentos perversos que aconteceram nesse período - e que ainda hoje influenciam o futuro de milhões de americanos - é Peter Zalewski. Ele é um abutre, e tem prazer nisso, ao não-oficialmente denominar sua corretora de imóveis de Abutre de Casas. O nome é adequado; Peter é um cara que coloca a mão em podridão na camada mais baixa. O que o diferencia de outros corretores é que ele tem informações de gente despejada de suas casas por falta de pagamento, compra essas casas por preços módicos, e as revende para outras corretores, que as revenderão com uma larga margem de lucro. Ou faz ainda pior: obtém informações de despejo com bancos, visitam os donos das casas que serão despejadas, oferece valores muitíssimo inferiores aos de mercado, e depois renegocia a dívida com as instituições financeiras, que preferem dar descontos a ele, por ser um negociador corporativo e trabalhar em sigilo. Do outro lado do front temos Robert Griffith. Ele filma a iminente invasão da sua casa pela polícia - que chega em cinco carros, um deles ocupado pelo próprio xerife da região - e nós entendemos, através de uma ordem inversa, como certas empresas ficaram bilionárias às custas da desgraça alheia.

Os dois são personagens do mais novo chute no estômago de Michael Moore: Capitalismo: Uma História de Amor, e mostram da forma mais crua como uma coisa chamada dinheiro pode transformar homens na pior espécie de sanguessuga. Moore tem uma trajetória única, e quer o mundo queira quer não, é o mais importante documentarista da história. E não é só isso: se hoje os documentários são vistos por milhões de pessoas, é graças ao Gordo desafeto de Bush e de todos os mandatários dos EUA. Capitalismo é uma ode a toda obra de Moore até aqui. Para os iniciantes na filmografia dele, o documentário pode soar um pouco raso demais, mas à partir do momento em que assistem toda a jornada do Gordinho até aqui, vão entender a grandeza apocalíptica que ele pintou nesse Uma História de Amor. Vemos cenas de Roger e Eu, que mostrou como a ganância de executivos da GM levaram Flint a se tornar uma sub-cidade, tem um pouco da paranóia urgente de Fahrenheit 11/9, e o medo por trás de toda a máscara que cobre a sociedade americana, mostrada em Tiros em Coloumbine. Até um dos capítulos mais contundentes de Uma Nação de Idiotas - livraço escrito por ele - dá as caras também. A intenção clara dele não foi mostrar que estava com pressa e sem assunto pra pesquisar, partindo para a velha reciclagem de idéias passadas, mas sim mandar um sonoro "Eu avisei, seus vermes que só pensam em lucro. E estava certo!"

E essa aparente soberba em mandar uma frase dessas para os caras que guiam a economia mundial, se mostra correta ao vermos imagens da GM indo para a fossa, ou os alicerces da Economia Americana - os seus três maiores bancos: JP Morgan, Citibank e Bank of America - armando uma negociata para conseguir centenas de bilhões de dólares e não irem pelo mesmo caminho.

Junto com essa visita ao próprio passado, é possível constatar um aprimoramento do estilo de Moore, mesmo que ele ainda não tenha repetido a perfeição que foi Tiros em Coloumbine. Mas não se engane, Moore ainda é o mesmo: um ativista muito antes de ser documentarista, pouco preocupado em dar defesa aos seus desafetos, e isso, para o bem ou para o mal, é a melhor característica refletida em seus trabalhos. Após Fahrenheit, seu pé no acelerador diminuiu um pouco, e esse balanceamento que ele alcançou é bom. Para traçar uma linha de pensamento que demonstre como o Capitalismo - em suma, os caras que o guiam, os lobos de Wall Street - começou a caçar a grana dos cidadãos americanos como uma hiena em busca de carniça, ele não ficou preso em teorias históricas - ele deixa claro em alguns momentos que nem mesmo entende certos aspectos de Economia Complexa, como os derivativos e os swaps - mas mostra os efeitos dessa devastação nas pessoas. Assim como Sicko, Uma História de Amor é humano, e cheio de personagens interessantes. Sem Bush no caminho, o alvo de Michael passa a ser o próprio Capitalismo, que é um vilão com muito mais tentáculos que um presidente idiota que será lembrado pelas merdas que fez. São através de pessoas, e não de gráficos engraçadinhos (os gráficos aqui, quando surgem, são como mísseis), que entendemos que a essência do sistema econômico dominante é Dar e Tomar... principalmente Tomar. Talvez por ter um enfoque prioritário nesse aspecto, surgiram tantos detratores desse documentário.

 

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Porém, por mais que existam críticos do Estilo-Moore-Nada-Parcial-de-Fazer-Documentários, é impossível pra esses caras passarem incólumes por certas histórias que ele cava. Uma dessas histórias rola em Wilkes-Barre, na Pensilvânia, uma cidadezinha com uma característica nada agradável: uma das mais altas taxas de jovens internados em reformatórios. Olhando superficialmente - principalmente através das lentes da mídia corporativa - parece ser apenas mais um lugar cheio de jovens rebeldes; mas uma análise mais profunda revela como o Capitalismo habitualmente coloca os dedos nas negociatas mais sujas. Os números de internações começaram a atingir patamares elevados quando a cidade resolveu contratar os serviços de uma empresa privada para construir e administrar o reformatório local: a PA Child Care. Os acordos corruptos começaram quando os dois juízes da cidade fecharam o reformatório público e deram 8 milhões para a PA construir um novo - e logo depois o governo local o alugou por 58 milhões (!). Se por esse ângulo a coisa parece feia, analisando o perfil dos jovens internados, a revolta moral começa. Por "crimes" como fumar maconha, jogar um bife em alguém, e brigar no shopping, jovens pegam 6, 8, ou até 11 meses de grade. Os julgamentos deles duravam coisa de cinco minutos, e eles só podiam sair do reformatório quando os funcionários terceirizados quisessem, o que às vezes só rolava uns 5 meses depois do fim da pena estabelecida. Certamente que a PA tinha interesse em manter jovens por muitos meses presos, e quanto mais jovens presos melhor, pois os benefícios financeiros da empresa aumentavam. Uma investigação da Promotoria descobriu que os dois juízes da cidade tinham um acordo comercial com os donos da PA, e por isso mesmo aumentaram suas condenações - eles tinham cotas de condenações, para ser mais específico - além de bloquearem investigações. Em troca, eles receberam 2,6 milhões de dólares, e condenaram injustamente 6.500 jovens. Isso é Capitalismo! Isso é privatizar os setores estratégicos do país! Isso é usar pessoas como objetos na tarefa de obtenção de lucro!

A jornada de Moore prossegue, focando as formas de empresas maximizarem os lucros, ao esculacharem seus empregados. Somos apresentados a classe de pilotos comerciais, e alguns dos seus representantes que ganham menos que gerentes do McDonald's. Algumas empresas americanas fazem seguros de vida caríssimos para seus empregados... e colocam elas mesmas como beneficiárias. A situação chega a ser constrangedora de tão estapafúrdia: literalmente, a empresa passa a desejar a morte de um funcionário para receber algumas centenas de milhares de dólares - ou até dezenas de milhões. E são grandes conglomerados que se atém a fazer esse tipo de coisa, como o Citibank, Bank of America, Wal-Mart, Nestlé, AT&T, Hershey, American Express, entre outras. LaDonna Smith foi uma decoradora de bolos do Wal-Mart por 18 meses, até morrer numa crise de asma severa. Sua morte não deixou a Wal-Mart especialmente triste, já que eles levaram US$ 81 mil na jogada. Pela investigação de Moore - e pelo depoimento de Paul Smith, marido de LaDonna, somente no Wal-Mart, cerca de 350 mil funcionários estavam segurados (após o lançamento do documentário, a empresa revogou sua política de seguros de vida para funcionários). Não eram os executivos-chave da empresa, mas atendentes, estoquistas e faxineiros. A morte de cada um deles representa um ganho de milhares de dólares para uma das maiores empresas do mundo - na verdade, a lógica até mostra haver um certo querer por parte da direção da empresa no sentido de perder funcionários. Casos assim prosseguem, como a morte de Dan Johnson, que deu ao Amegy Bank mais de 5 milhões de dólares, fruto de duas apólices de seguro de vida secretas que eles haviam feito para ele, e colocado a si mesmos como beneficiários. Ou a morte dos pilotos de aviões comerciais que recebiam o mesmo que atendentes da 7Eleven e precisavam de um segundo emprego, como uma piloto que virou garçonete de cafeteria.

Óbvio que somente mostrar explorações de corporações multibilionárias é fácil demais, então Moore dedica parte do seu novo filme a encontrar empresas que acharam uma forma de ter uma visão balanceada entre a obtenção de lucros, e um bom tratamento de funcionários. A principal empresa que serve como modelo de solução apontada em Uma História de Amor é a Isthmus Engineering, de Wisconsin. Todos seus funcionários de linhas de produção de máquinas de automação industrial mandam na empresa, e possuem salários igualitários. Suas decisões são tomadas em assembléias, onde todos podem dar sua opinião e votar. Esse esquema diminui a possibilidade da demissões, e aumento de salários indevidos. E, contraditoriamente, levou a empresa a altos índices lucrativos. Microcosmo socialista? Sei lá, chame como quiser, mas o estilo de administração parece dar certo. Tem também a empresa panificadora da Califórnia em que TODOS os empregados têm ganhos de US$ 65 mil - ou três vezes mais o que ganha um piloto da American Airlines, que geralmente tem uma sobrecarga de trabalho insana.

 

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Nas teorias do documentário, é possível relatar, com uma linha do tempo razoavelmente simples, as causas do aumento da concentração de renda dos EUA. Para isso, somos jogados nos EUA pós-II Guerra, onde a classe média despontava, graças à impossibilidade de haver concorrentes, devido aos esforços de guerra mundiais. As bases lançadas nessa época por Roosevelt - que possuía idéias trabalhistas parecidas com as de Getúlio pré-Estado Novo - foram jogadas por terra décadas depois, com a eleição de Ronald Reagan, uma espécie de arauto dos tempos predatórios atuais da economia americana. O que Moore - e os especialistas e políticos que ele ouve - quer demonstrar, é que ninguém foi pego de surpresa pela falácia da Crise Econômica, a não ser as únicas vítimas dela: a população e os pequenos empresários.

Moore é conspiratórios e certeiro ao ponto de conseguir ligar o disparo da Crise com o enriquecimento ilícito de dezenas de executivos bancários e de seguradoras, que num esforço político sem precedentes, conseguiram encher os bolsos com 700 bilhões dos contribuintes - que podiam ser gastos praticamente sem regras. Os crimes cometidos foram em tão alto escalão, que ele encontra indícios que a alta cúpula do Governo Bush estava envolvida, ao calar milhares de especialistas em fraudes financeiras do FBI, que alertavam que crimes do colarinho branco cometidos por executivos de instituições financeiras, iriam acabar por demolir as bases da economia americana. Mas os políticos do Executivo Americano  - praticamente todos eles executivos de petroleiras, bancos e empresas armamentistas - não estavam preocupados em impedir uma onda destrutiva que os deixaria mais ricos. Muito pelo contrário. E desembocamos numa Crise Econômica sem precedentes na história moderna. Ou um dos crimes mais bem preparados da história capitalista. Usada da forma apropriada para disseminar a Cultura do Medo numa população que havia acabado de enfrentar o desespero angustiante do 11 de setembro.

Os únicos não atingidos pela tal Crise, foram justamente os que a disseminaram. Quando escrevi várias vezes aqui aqui no NSN ser essa uma Crise de Mentira, o tipo de falácia inventada para se conseguir base legal para cometer crimes, fui rebatido por diversos dos nossos leitores-comentaristas que disseram que sim, a Crise existia, famílias americanas estavam perdendo suas casas, dormindo em trailers. Mas aí está a mentira da Crise: as pessoas endividadas e escravizadas pelas instituições financeiras perdiam tudo, enquanto executivos levavam 700 bilhões para fazer mais asneiras - sem qualquer revisão judicial, devo repetir. O topo da pirâmide ficava mais minguado e rico, enquanto a base de tudo parecia se despedaçar como um castelo de areia açoitado por uma onda violenta. Cadê a lógica disso? Você tem um bando de caras que por décadas fez especulação imobiliária, com investimentos altamente duvidosos e sem qualquer regra... e são justamente eles que são salvos com o dinheiro das pessoas curradas por eles por anos a fio. Mais uma vez: isso é Capitalismo! É tirar de quem não tem, e usar esse pouco para encher os bolsos de quem não tem nem espaços mais nos bolsos.

E essas Hienas usam todos os espaços que têm para ganhar mais...

Todas as seguradoras - como a AIG - e as investidoras especulativas de Wall Street - como a Goldman Sachs - se safaram das merdas e crimes que fizeram por mais de uma década, e o melhor: com mais dinheiro. Cadê a Crise aí? A Crise é só para a base, já que o topo está no controle de tudo, e tem acesso ao caixa sem limites da grana de impostos. E esse é o petardo que Moore lança sem dó, e que críticos dele, como os caras da Fox News, tratam de chamar como "o tratado de um picareta".

 

Felizmente, quando se chega no auge da escrotidão, a tendência é que a coisa se encaminha para a direção oposta. O povo - digo os 99% da população que só tem 10% da riqueza - ainda tem um pequeno poder: o sempre esquecido voto. Ele ainda é uma das duas únicas coisas igualitárias em um país democrático no papel, juntamente com o tempo. O voto de um montador de carros tem o mesmo valor do voto do presidente do Citibank; da mesma forma que meu voto tem o mesmo valor do voto do presidente do Bradesco. E foi através do voto, que Obama chegou ao poder. É fácil descer a lenha no governo dele, e por motivos óbvios e justos, como a extensão da Guerra no Afeganistão e Iraque, e um segundo pacote de ajuda a empresas quebradas. Mas o Efeito Obama é maior que isso. O elegante Change, estampado orgulhosamente abaixo da famosa arte em cores psicodélicas com a cara dele, teve um efeito psicologicamente - e positivamente - devastador na mentalidade de dezenas de milhões americanos.

Em Detroit, cidade-símbolo da destruição corporativa sobre a população, o xerife baixou uma lei que proibia venda de casas em execução hipotecária, o que significa que o interesse de bancos sobre a inadimplência dos habitantes locais havia chegado ao fim - e gente como nosso conhecido abutre Peter Zalewski ficaria sem carniça para se alimentar. Políticos também incentivaram a Desobediência Civil, o que deve ser algo totalmente inédito em um país efetivamente controlado por executivos há pelo menos umas três décadas. Foi o caso da Deputada Marcy Kaptur, que mostrou que legalmente os bancos não podiam fazer execuções hipotecárias sem uma ordem judicial, o que elas nunca tinham. Os efeitos dessas palavras de ordem foram sentidos em alguns cantos do país, mas, como sempre, somente divulgados pela chamada imprensa alternativa, como a revista The Nation.

Na empresa Doors and Windows Republic, de Chicago, todo o corpo de funcionários foi demitidos sem aviso prévio, tudo em nome dos momentos de crise. Junto com a demissão, veio a negação de direitos básicos, como: férias, indenizações e o fim dos planos de saúde. Ao invés de choramingarem e partirem para realizarem trabalhos inglórios - geralmente reservados aos imigrantes ilegais - eles decidiram ocupar a fábrica, e só saírem de lá após reaverem seus direitos. Inesperadamente eles ganharam até mesmo apoio dos âncoras da CNN, se tornando uma espécie de símbolo de tempos diferentes, e do desequilíbrio que tava rolando com o uso da grana da ajuda dos próprios contribuintes. Seis dias de ocupação depois, o Bank of America - a instituição que estava liquidando a dívida da empresa - e os próprios executivos da empresa, concordaram em atender TODAS as exigências dos funcionários.

Em outro canto do país, a família Trody, de Miami, seguiu o exemplo, juntamente com toda a comunidade local, e decidiu que era hora de deixar de morar na traseira de um caminhão e voltar a morar na casa que fora deles por 22 ano. A casa foi roubada por engravatados, depois d ter uma hipoteca executada por um banco, após um refinanciamento. A comunidade tira os avisos de venda da casa, e a devolvem para os Trody. Logo depois o Homem das Hipotecas surge, e trata de chamar a polícia para reaver a propriedade. Logicamente que contra o povo não é lá muito fácil lutar, principalmente numa situação de mesquinharia e desigualdade como a época da Crise. Por resultado, os Trody tiveram a execução cancelada, e reconquistaram o direito de morarem na casa deles novamente... e isso logicamente foi subdivulgado, pois poderia representar uma rebelião anti-bancária nada interessante para os mandatários.

 

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O esquema fraudulento que os bancos encontraram para roubarem casas de gente que já possuía moradias devidamente pagas é bem simples, e mais aparenta uma ratoeira chamativa com queijo derretido. Essas ratoeiras foram chamadas de Refinanciamento da Casa Própria por Alan Greenspan, o mais conhecido presidente de Banco Central dos EUA na história. É tudo muito fácil de sacar: se você tem uma casa que vale US$ 300 mil, um banco poderia lhe emprestar 300 mil dólares, e sua casa ficaria de garantia, podendo ser tomada caso você não pague o empréstimo. Tudo muito lindo, se não fosse por um detalhe: anos antes, o chefe do Setor Econômico de Poupanças e Empréstimos do Tesouro Americano, John Gilleran, juntamente com lobistas bancários, secretamente havia mudado as regras dos financiamentos, e uma cláusula permitia aos bancos, baseados em variáveis econômicas que sempre os favoreciam, aumentarem as taxas de juros das parcelas do financiamento. Com essa pequena mudança, os bancos tiveram os cabrestos liberados, e se puseram a tomar casas de todo - aumentando insanamente as taxas de juros, numa luta para deixarem todos dormindo em porta-malas, a exemplo de sequestrados pela Máfia.

Parecia o Paraíso dos Devoradores na Terra, mas um problema cresceu assustadoramente como uma bola de neve: as taxas ficaram tão altas que todos os acorrentados viram que os empréstimos estavam mais caros que as casas que eles deixaram de garantia, e preferiram não pagar merda nenhuma e irem dormir em outro canto. Os "calotes" tomaram proporções tão apocalípticas que o dinheiro dos empréstimos - que estava chegando num volume tão grande, que já haviam se tornado uma espécie de base segura para obtenção de grana pelos bancos, ultrapassando as poupanças - simplesmente escoou pelo ralo, e a especulação louca realizada pelos bancos finalmente cobrou seu preço: o dinheiro dos banco sumiu, o castelo de cartas começou a ruir, e o Capitalismo mostrou que possui bases mais arenosas do que aparenta. Os bancos passaram a ter casas aos montes - todas executadas em hipotecas - mas não tinha ninguém para comprar. Como bairros inteiros foram esvaziados, o preço inicial das casas despencou, e a Crise se instaurou de vez. O resultado disso nós conhecemos!

É por toda essa trajetória de aniquilação financeira que acredito piamente num modelo Anarquista Pessoal. Tais empresas e exemplos demonstrados por Moore trabalham com um modelo de gestão mais igualitária e menos voltada para o lucro. Mesmo inseridas numa sociedade - e num mundo - dominado por covardias perpetradas por tubarões e hienas famintas, é possível a criação de microssociedades baseadas em princípios mais igualitários, como a caótica Skatopia, ou as dezenas de comunidades hippies, ou clãs de motoqueiros que existem por aí. Talvez o segredo seja se manter num nível de existência de tamanho intermediário, para não precisar se preocupar com um incômodo dos Caras que Governam Tudo. Logicamente que ainda se está sob influência de leis criadas com propósitos nefastos, mas num ritmo de vida muito mais voltado para aspectos diferentes do obter.

Caras que vivem desse modo meio selvagem, geralmente são taxados de loucos, assim como os que discursam contra o 11/9, o Aquecimento Global, ou a Crise Econômica, pois toda uma base populacional que vive de pão e circo dá ouvidos a uma mídia vendida e corporativa, e todo o ser que tem uma opinião diferente dela será devorado - são mais ou menos como os potenciais Agentes Smith que estão dentro dos escravos da Matrix. Você não precisa concordar comigo, ou com Michael Moore, mas ao menos se pergunte porque as coisas parecem tão injustas, tão desiguais. Certamente algo está errado, você deve concluir no fim das contas. Discorde, Desobedeça. Não se submeta incondicionalmente a pastores, presidentes ou cientistas, pois nenhum deles têm a Verdade. Amigos, quando lixo em forma de imprensa como a Veja - ou o The Wall Street Journal, porta-voz oficial dos saqueadores, e propriedade pessoal de Rupert Murdoch - diz que os EUA nos salvaram do fim do mundo financeiro, cuspa em cima, pois somente os bolsos dos executivos super-ricos foram salvos. E faça isso agora, pois amanhã pode ser tarde demais!

 

Capitalism: A Love Story (2009)

Diretor: Michael Moore

Duração: 127 min

Nota: 8,5

domingo, 21 de março de 2010

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Com vocês, e lendária Czar Bomb - o mais poderoso artefato nuclear já construído

 

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Réplica da Tsar Bomb, no Museu de Armas Atômicas de Sarov

Os soviéticos - e seus herdeiros por direito, os russos - eram malucos. Lógico que muito dessa maluquice foi transformada em alguma coisa potencialmente perigosa para o Ocidente, mas no geral, era só paranóia mesmo, como projeto stalinista de fazer um exército de Homens-Macaco. Olha essa Tsar Bomb - ou RDS-220, em sua denominação militar - pra ter uma idéia, uma bomba construída para mostrar poder, como tipicamente rolava nos tempos da Guerra Fria. O projeto dela começou por volta do ano de 1954, juntamente com todos os dispositivos termonucleares, e foi terminado em 1961, por ordens diretas de Khrushchev. Para os que sacam de história, o ano de conclusão da bomba é significativo, pois foi o ano anterior ao da Crise dos Mísseis Cubanos. A sincronia da bomba com a Crise é tão grande, que exatamente um ano antes da resolução da Crise, o primeiro - e único - teste da Tsar foi realizado, em sincronia com o XXII Congresso do Partido Comunista da União Soviética, no dia 30 de outubro.

O teste em si foi um evento colossal, sendo realizado na ilha de Nova Zembla, no Ártico. A bomba, com seus portentosos 800 quilos, foi lançada de um bombardeiro estratégico Tu-95 a mais de dez quilômetros de altura, a explosão foi equivalente a 58 milhões de toneladas de TNT explodindo, ou cinco mil vezes a explosão de Hiroshima. Mas os números não param por aí, e são tão impressionantes que dizem alguns especialistas que foi a Tsar Bomb a responsável por uma resolução pacífica da Crise dos Mísseis.

Só para se ter uma idéia, o cogumelo da explosão atingiu 67 km de altura, 35 km de largura, e pôde ser visto a mais de 1000 km de distância; a bola de fogo resultante da explosão em si teve um diâmetro de 4,6 km; a radiação dela causou queimaduras de terceiro grau em pessoas a mais de 100 km; a onda de energia da explosão rodou o mundo três vezes e foi equivalente a 1% da energia liberada pelo sol no mesmo período da fissão dela; e por 40 minutos todas as transmissões de rádio foram interrompidas a mais de 300 km do local do teste, devido a ionização do ambiente.

 

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E um detalhe secundário: o exemplar da Tsar testado tinha 57 megatons, sendo que o projeto original era uma bomba de 100 megatons, ou quase o dobro de potência.

 

[Via English Russia]

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O Antes e o Depois do armazenamento de dados

 

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1980: Oito IBMs 3380 Disk Systems de 2,5 GB = 20 GB de armazenamento, custo estimado entre US$ 648.000 e US$ 1.137,ooo, e peso de duas toneladas <<<<< 2010: Um MicroSD = 32 GB, custo de US$ 100 e peso de meia grama.

É a evolução, baby!

 

[Via CrunchGear]

sábado, 20 de março de 2010

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Maluf na lista negra da Interpol

 

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Se não rola de um bandido pagar por crimes aqui no Brasil, que aconteça de se pagar por crimes cometidos lá fora. Paulo Maluf é um cara que (supostamente) pintou e bordou por aqui, e sempre saía por cima ao exclamar frases do tipo: “O dinheiro não é meu…”. Na verdade, Maluf é um cara tão exclusivo, que tá sendo caçado por gente lá de fora, por crimes que cometeu aqui.

E agora será caçado de verdade. A cara dele acabou de ingressar no seleto grupo da Difusão Vermelha, que é o alerta máximo da Organização Internacional de Polícia Criminal, a Interpol. Isso significa que ele não pode estar em paz nos 181 países que têm representações da Interpol, e pode ser detido imediatamente em qualquer um deles. Mesmo que ele não seja efetivamente preso, esse tipo de situação não parece cômoda para um idoso de 78 anos aparentemente iniciando o caminho da senilidade há certo tempo.

A solicitação da entrada de Maluf na lista foi feita pelo Grande Júri de Nova York, na pessoa do promotor Robert Morgenthau. A acusação é simples: "conspiração com objetivo de roubar dinheiro da cidade de São Paulo a fim de possuir fundos no Brasil, Nova York e outros lugares, e ocultar dinheiro roubado". Logicamente que a defesa dele já se mobilizou para tentar anular a decisão, e apresentaram uma medida em fevereiro - que parece que não adiantou muita coisa. Agora eles preparam outra, para tentar tirar o nome dele da lista vermelha/negra, e ainda acusam o Júri Nova Iorquino de afrontar o Congresso Brasileiro, o que em 90% dos casos deve ser uma coisa boa.

Bom, o recado tá dado: se verem esse admirável senhor com sua eficiente cara-de-pau andando por aí, entre em contato com a sede da Polícia Federal mais próxima…

 

[Via G1]


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