O Capitalismo é um mal, e não se pode regular o mal. Temos de eliminá-lo, e substituí-lo por algo que seja bom para todos. E esse algo se chama Democracia.
Michael Moore
O Capitalismo é tão dicotômico e escravizador quanto as tentativas de se criar sociedades socialistas nesse mundo. Talvez o mais perverso exemplo disso na história recente, tenha sido os dias turbulentos que ficaram conhecidos como Grande Crise Econômica. Se no Brasil mal sentimos os efeitos da situação - devido ao fato dos bancos brasileiros não terem entrado no criminoso mercado de especulação imobiliária americana - a classe média americana pode explicar muito bem o que rolou naqueles dias. Um símbolo dos momentos perversos que aconteceram nesse período - e que ainda hoje influenciam o futuro de milhões de americanos - é Peter Zalewski. Ele é um abutre, e tem prazer nisso, ao não-oficialmente denominar sua corretora de imóveis de Abutre de Casas. O nome é adequado; Peter é um cara que coloca a mão em podridão na camada mais baixa. O que o diferencia de outros corretores é que ele tem informações de gente despejada de suas casas por falta de pagamento, compra essas casas por preços módicos, e as revende para outras corretores, que as revenderão com uma larga margem de lucro. Ou faz ainda pior: obtém informações de despejo com bancos, visitam os donos das casas que serão despejadas, oferece valores muitíssimo inferiores aos de mercado, e depois renegocia a dívida com as instituições financeiras, que preferem dar descontos a ele, por ser um negociador corporativo e trabalhar em sigilo. Do outro lado do front temos Robert Griffith. Ele filma a iminente invasão da sua casa pela polícia - que chega em cinco carros, um deles ocupado pelo próprio xerife da região - e nós entendemos, através de uma ordem inversa, como certas empresas ficaram bilionárias às custas da desgraça alheia.
Os dois são personagens do mais novo chute no estômago de Michael Moore: Capitalismo: Uma História de Amor, e mostram da forma mais crua como uma coisa chamada dinheiro pode transformar homens na pior espécie de sanguessuga. Moore tem uma trajetória única, e quer o mundo queira quer não, é o mais importante documentarista da história. E não é só isso: se hoje os documentários são vistos por milhões de pessoas, é graças ao Gordo desafeto de Bush e de todos os mandatários dos EUA. Capitalismo é uma ode a toda obra de Moore até aqui. Para os iniciantes na filmografia dele, o documentário pode soar um pouco raso demais, mas à partir do momento em que assistem toda a jornada do Gordinho até aqui, vão entender a grandeza apocalíptica que ele pintou nesse Uma História de Amor. Vemos cenas de Roger e Eu, que mostrou como a ganância de executivos da GM levaram Flint a se tornar uma sub-cidade, tem um pouco da paranóia urgente de Fahrenheit 11/9, e o medo por trás de toda a máscara que cobre a sociedade americana, mostrada em Tiros em Coloumbine. Até um dos capítulos mais contundentes de Uma Nação de Idiotas - livraço escrito por ele - dá as caras também. A intenção clara dele não foi mostrar que estava com pressa e sem assunto pra pesquisar, partindo para a velha reciclagem de idéias passadas, mas sim mandar um sonoro "Eu avisei, seus vermes que só pensam em lucro. E estava certo!".
E essa aparente soberba em mandar uma frase dessas para os caras que guiam a economia mundial, se mostra correta ao vermos imagens da GM indo para a fossa, ou os alicerces da Economia Americana - os seus três maiores bancos: JP Morgan, Citibank e Bank of America - armando uma negociata para conseguir centenas de bilhões de dólares e não irem pelo mesmo caminho.
Junto com essa visita ao próprio passado, é possível constatar um aprimoramento do estilo de Moore, mesmo que ele ainda não tenha repetido a perfeição que foi Tiros em Coloumbine. Mas não se engane, Moore ainda é o mesmo: um ativista muito antes de ser documentarista, pouco preocupado em dar defesa aos seus desafetos, e isso, para o bem ou para o mal, é a melhor característica refletida em seus trabalhos. Após Fahrenheit, seu pé no acelerador diminuiu um pouco, e esse balanceamento que ele alcançou é bom. Para traçar uma linha de pensamento que demonstre como o Capitalismo - em suma, os caras que o guiam, os lobos de Wall Street - começou a caçar a grana dos cidadãos americanos como uma hiena em busca de carniça, ele não ficou preso em teorias históricas - ele deixa claro em alguns momentos que nem mesmo entende certos aspectos de Economia Complexa, como os derivativos e os swaps - mas mostra os efeitos dessa devastação nas pessoas. Assim como Sicko, Uma História de Amor é humano, e cheio de personagens interessantes. Sem Bush no caminho, o alvo de Michael passa a ser o próprio Capitalismo, que é um vilão com muito mais tentáculos que um presidente idiota que será lembrado pelas merdas que fez. São através de pessoas, e não de gráficos engraçadinhos (os gráficos aqui, quando surgem, são como mísseis), que entendemos que a essência do sistema econômico dominante é Dar e Tomar... principalmente Tomar. Talvez por ter um enfoque prioritário nesse aspecto, surgiram tantos detratores desse documentário.
Porém, por mais que existam críticos do Estilo-Moore-Nada-Parcial-de-Fazer-Documentários, é impossível pra esses caras passarem incólumes por certas histórias que ele cava. Uma dessas histórias rola em Wilkes-Barre, na Pensilvânia, uma cidadezinha com uma característica nada agradável: uma das mais altas taxas de jovens internados em reformatórios. Olhando superficialmente - principalmente através das lentes da mídia corporativa - parece ser apenas mais um lugar cheio de jovens rebeldes; mas uma análise mais profunda revela como o Capitalismo habitualmente coloca os dedos nas negociatas mais sujas. Os números de internações começaram a atingir patamares elevados quando a cidade resolveu contratar os serviços de uma empresa privada para construir e administrar o reformatório local: a PA Child Care. Os acordos corruptos começaram quando os dois juízes da cidade fecharam o reformatório público e deram 8 milhões para a PA construir um novo - e logo depois o governo local o alugou por 58 milhões (!). Se por esse ângulo a coisa parece feia, analisando o perfil dos jovens internados, a revolta moral começa. Por "crimes" como fumar maconha, jogar um bife em alguém, e brigar no shopping, jovens pegam 6, 8, ou até 11 meses de grade. Os julgamentos deles duravam coisa de cinco minutos, e eles só podiam sair do reformatório quando os funcionários terceirizados quisessem, o que às vezes só rolava uns 5 meses depois do fim da pena estabelecida. Certamente que a PA tinha interesse em manter jovens por muitos meses presos, e quanto mais jovens presos melhor, pois os benefícios financeiros da empresa aumentavam. Uma investigação da Promotoria descobriu que os dois juízes da cidade tinham um acordo comercial com os donos da PA, e por isso mesmo aumentaram suas condenações - eles tinham cotas de condenações, para ser mais específico - além de bloquearem investigações. Em troca, eles receberam 2,6 milhões de dólares, e condenaram injustamente 6.500 jovens. Isso é Capitalismo! Isso é privatizar os setores estratégicos do país! Isso é usar pessoas como objetos na tarefa de obtenção de lucro!
A jornada de Moore prossegue, focando as formas de empresas maximizarem os lucros, ao esculacharem seus empregados. Somos apresentados a classe de pilotos comerciais, e alguns dos seus representantes que ganham menos que gerentes do McDonald's. Algumas empresas americanas fazem seguros de vida caríssimos para seus empregados... e colocam elas mesmas como beneficiárias. A situação chega a ser constrangedora de tão estapafúrdia: literalmente, a empresa passa a desejar a morte de um funcionário para receber algumas centenas de milhares de dólares - ou até dezenas de milhões. E são grandes conglomerados que se atém a fazer esse tipo de coisa, como o Citibank, Bank of America, Wal-Mart, Nestlé, AT&T, Hershey, American Express, entre outras. LaDonna Smith foi uma decoradora de bolos do Wal-Mart por 18 meses, até morrer numa crise de asma severa. Sua morte não deixou a Wal-Mart especialmente triste, já que eles levaram US$ 81 mil na jogada. Pela investigação de Moore - e pelo depoimento de Paul Smith, marido de LaDonna, somente no Wal-Mart, cerca de 350 mil funcionários estavam segurados (após o lançamento do documentário, a empresa revogou sua política de seguros de vida para funcionários). Não eram os executivos-chave da empresa, mas atendentes, estoquistas e faxineiros. A morte de cada um deles representa um ganho de milhares de dólares para uma das maiores empresas do mundo - na verdade, a lógica até mostra haver um certo querer por parte da direção da empresa no sentido de perder funcionários. Casos assim prosseguem, como a morte de Dan Johnson, que deu ao Amegy Bank mais de 5 milhões de dólares, fruto de duas apólices de seguro de vida secretas que eles haviam feito para ele, e colocado a si mesmos como beneficiários. Ou a morte dos pilotos de aviões comerciais que recebiam o mesmo que atendentes da 7Eleven e precisavam de um segundo emprego, como uma piloto que virou garçonete de cafeteria.
Óbvio que somente mostrar explorações de corporações multibilionárias é fácil demais, então Moore dedica parte do seu novo filme a encontrar empresas que acharam uma forma de ter uma visão balanceada entre a obtenção de lucros, e um bom tratamento de funcionários. A principal empresa que serve como modelo de solução apontada em Uma História de Amor é a Isthmus Engineering, de Wisconsin. Todos seus funcionários de linhas de produção de máquinas de automação industrial mandam na empresa, e possuem salários igualitários. Suas decisões são tomadas em assembléias, onde todos podem dar sua opinião e votar. Esse esquema diminui a possibilidade da demissões, e aumento de salários indevidos. E, contraditoriamente, levou a empresa a altos índices lucrativos. Microcosmo socialista? Sei lá, chame como quiser, mas o estilo de administração parece dar certo. Tem também a empresa panificadora da Califórnia em que TODOS os empregados têm ganhos de US$ 65 mil - ou três vezes mais o que ganha um piloto da American Airlines, que geralmente tem uma sobrecarga de trabalho insana.
Nas teorias do documentário, é possível relatar, com uma linha do tempo razoavelmente simples, as causas do aumento da concentração de renda dos EUA. Para isso, somos jogados nos EUA pós-II Guerra, onde a classe média despontava, graças à impossibilidade de haver concorrentes, devido aos esforços de guerra mundiais. As bases lançadas nessa época por Roosevelt - que possuía idéias trabalhistas parecidas com as de Getúlio pré-Estado Novo - foram jogadas por terra décadas depois, com a eleição de Ronald Reagan, uma espécie de arauto dos tempos predatórios atuais da economia americana. O que Moore - e os especialistas e políticos que ele ouve - quer demonstrar, é que ninguém foi pego de surpresa pela falácia da Crise Econômica, a não ser as únicas vítimas dela: a população e os pequenos empresários.
Moore é conspiratórios e certeiro ao ponto de conseguir ligar o disparo da Crise com o enriquecimento ilícito de dezenas de executivos bancários e de seguradoras, que num esforço político sem precedentes, conseguiram encher os bolsos com 700 bilhões dos contribuintes - que podiam ser gastos praticamente sem regras. Os crimes cometidos foram em tão alto escalão, que ele encontra indícios que a alta cúpula do Governo Bush estava envolvida, ao calar milhares de especialistas em fraudes financeiras do FBI, que alertavam que crimes do colarinho branco cometidos por executivos de instituições financeiras, iriam acabar por demolir as bases da economia americana. Mas os políticos do Executivo Americano - praticamente todos eles executivos de petroleiras, bancos e empresas armamentistas - não estavam preocupados em impedir uma onda destrutiva que os deixaria mais ricos. Muito pelo contrário. E desembocamos numa Crise Econômica sem precedentes na história moderna. Ou um dos crimes mais bem preparados da história capitalista. Usada da forma apropriada para disseminar a Cultura do Medo numa população que havia acabado de enfrentar o desespero angustiante do 11 de setembro.
Os únicos não atingidos pela tal Crise, foram justamente os que a disseminaram. Quando escrevi várias vezes aqui aqui no NSN ser essa uma Crise de Mentira, o tipo de falácia inventada para se conseguir base legal para cometer crimes, fui rebatido por diversos dos nossos leitores-comentaristas que disseram que sim, a Crise existia, famílias americanas estavam perdendo suas casas, dormindo em trailers. Mas aí está a mentira da Crise: as pessoas endividadas e escravizadas pelas instituições financeiras perdiam tudo, enquanto executivos levavam 700 bilhões para fazer mais asneiras - sem qualquer revisão judicial, devo repetir. O topo da pirâmide ficava mais minguado e rico, enquanto a base de tudo parecia se despedaçar como um castelo de areia açoitado por uma onda violenta. Cadê a lógica disso? Você tem um bando de caras que por décadas fez especulação imobiliária, com investimentos altamente duvidosos e sem qualquer regra... e são justamente eles que são salvos com o dinheiro das pessoas curradas por eles por anos a fio. Mais uma vez: isso é Capitalismo! É tirar de quem não tem, e usar esse pouco para encher os bolsos de quem não tem nem espaços mais nos bolsos.
E essas Hienas usam todos os espaços que têm para ganhar mais...
Todas as seguradoras - como a AIG - e as investidoras especulativas de Wall Street - como a Goldman Sachs - se safaram das merdas e crimes que fizeram por mais de uma década, e o melhor: com mais dinheiro. Cadê a Crise aí? A Crise é só para a base, já que o topo está no controle de tudo, e tem acesso ao caixa sem limites da grana de impostos. E esse é o petardo que Moore lança sem dó, e que críticos dele, como os caras da Fox News, tratam de chamar como "o tratado de um picareta".
Felizmente, quando se chega no auge da escrotidão, a tendência é que a coisa se encaminha para a direção oposta. O povo - digo os 99% da população que só tem 10% da riqueza - ainda tem um pequeno poder: o sempre esquecido voto. Ele ainda é uma das duas únicas coisas igualitárias em um país democrático no papel, juntamente com o tempo. O voto de um montador de carros tem o mesmo valor do voto do presidente do Citibank; da mesma forma que meu voto tem o mesmo valor do voto do presidente do Bradesco. E foi através do voto, que Obama chegou ao poder. É fácil descer a lenha no governo dele, e por motivos óbvios e justos, como a extensão da Guerra no Afeganistão e Iraque, e um segundo pacote de ajuda a empresas quebradas. Mas o Efeito Obama é maior que isso. O elegante Change, estampado orgulhosamente abaixo da famosa arte em cores psicodélicas com a cara dele, teve um efeito psicologicamente - e positivamente - devastador na mentalidade de dezenas de milhões americanos.
Em Detroit, cidade-símbolo da destruição corporativa sobre a população, o xerife baixou uma lei que proibia venda de casas em execução hipotecária, o que significa que o interesse de bancos sobre a inadimplência dos habitantes locais havia chegado ao fim - e gente como nosso conhecido abutre Peter Zalewski ficaria sem carniça para se alimentar. Políticos também incentivaram a Desobediência Civil, o que deve ser algo totalmente inédito em um país efetivamente controlado por executivos há pelo menos umas três décadas. Foi o caso da Deputada Marcy Kaptur, que mostrou que legalmente os bancos não podiam fazer execuções hipotecárias sem uma ordem judicial, o que elas nunca tinham. Os efeitos dessas palavras de ordem foram sentidos em alguns cantos do país, mas, como sempre, somente divulgados pela chamada imprensa alternativa, como a revista The Nation.
Na empresa Doors and Windows Republic, de Chicago, todo o corpo de funcionários foi demitidos sem aviso prévio, tudo em nome dos momentos de crise. Junto com a demissão, veio a negação de direitos básicos, como: férias, indenizações e o fim dos planos de saúde. Ao invés de choramingarem e partirem para realizarem trabalhos inglórios - geralmente reservados aos imigrantes ilegais - eles decidiram ocupar a fábrica, e só saírem de lá após reaverem seus direitos. Inesperadamente eles ganharam até mesmo apoio dos âncoras da CNN, se tornando uma espécie de símbolo de tempos diferentes, e do desequilíbrio que tava rolando com o uso da grana da ajuda dos próprios contribuintes. Seis dias de ocupação depois, o Bank of America - a instituição que estava liquidando a dívida da empresa - e os próprios executivos da empresa, concordaram em atender TODAS as exigências dos funcionários.
Em outro canto do país, a família Trody, de Miami, seguiu o exemplo, juntamente com toda a comunidade local, e decidiu que era hora de deixar de morar na traseira de um caminhão e voltar a morar na casa que fora deles por 22 ano. A casa foi roubada por engravatados, depois d ter uma hipoteca executada por um banco, após um refinanciamento. A comunidade tira os avisos de venda da casa, e a devolvem para os Trody. Logo depois o Homem das Hipotecas surge, e trata de chamar a polícia para reaver a propriedade. Logicamente que contra o povo não é lá muito fácil lutar, principalmente numa situação de mesquinharia e desigualdade como a época da Crise. Por resultado, os Trody tiveram a execução cancelada, e reconquistaram o direito de morarem na casa deles novamente... e isso logicamente foi subdivulgado, pois poderia representar uma rebelião anti-bancária nada interessante para os mandatários.
O esquema fraudulento que os bancos encontraram para roubarem casas de gente que já possuía moradias devidamente pagas é bem simples, e mais aparenta uma ratoeira chamativa com queijo derretido. Essas ratoeiras foram chamadas de Refinanciamento da Casa Própria por Alan Greenspan, o mais conhecido presidente de Banco Central dos EUA na história. É tudo muito fácil de sacar: se você tem uma casa que vale US$ 300 mil, um banco poderia lhe emprestar 300 mil dólares, e sua casa ficaria de garantia, podendo ser tomada caso você não pague o empréstimo. Tudo muito lindo, se não fosse por um detalhe: anos antes, o chefe do Setor Econômico de Poupanças e Empréstimos do Tesouro Americano, John Gilleran, juntamente com lobistas bancários, secretamente havia mudado as regras dos financiamentos, e uma cláusula permitia aos bancos, baseados em variáveis econômicas que sempre os favoreciam, aumentarem as taxas de juros das parcelas do financiamento. Com essa pequena mudança, os bancos tiveram os cabrestos liberados, e se puseram a tomar casas de todo - aumentando insanamente as taxas de juros, numa luta para deixarem todos dormindo em porta-malas, a exemplo de sequestrados pela Máfia.
Parecia o Paraíso dos Devoradores na Terra, mas um problema cresceu assustadoramente como uma bola de neve: as taxas ficaram tão altas que todos os acorrentados viram que os empréstimos estavam mais caros que as casas que eles deixaram de garantia, e preferiram não pagar merda nenhuma e irem dormir em outro canto. Os "calotes" tomaram proporções tão apocalípticas que o dinheiro dos empréstimos - que estava chegando num volume tão grande, que já haviam se tornado uma espécie de base segura para obtenção de grana pelos bancos, ultrapassando as poupanças - simplesmente escoou pelo ralo, e a especulação louca realizada pelos bancos finalmente cobrou seu preço: o dinheiro dos banco sumiu, o castelo de cartas começou a ruir, e o Capitalismo mostrou que possui bases mais arenosas do que aparenta. Os bancos passaram a ter casas aos montes - todas executadas em hipotecas - mas não tinha ninguém para comprar. Como bairros inteiros foram esvaziados, o preço inicial das casas despencou, e a Crise se instaurou de vez. O resultado disso nós conhecemos!
É por toda essa trajetória de aniquilação financeira que acredito piamente num modelo Anarquista Pessoal. Tais empresas e exemplos demonstrados por Moore trabalham com um modelo de gestão mais igualitária e menos voltada para o lucro. Mesmo inseridas numa sociedade - e num mundo - dominado por covardias perpetradas por tubarões e hienas famintas, é possível a criação de microssociedades baseadas em princípios mais igualitários, como a caótica Skatopia, ou as dezenas de comunidades hippies, ou clãs de motoqueiros que existem por aí. Talvez o segredo seja se manter num nível de existência de tamanho intermediário, para não precisar se preocupar com um incômodo dos Caras que Governam Tudo. Logicamente que ainda se está sob influência de leis criadas com propósitos nefastos, mas num ritmo de vida muito mais voltado para aspectos diferentes do obter.
Caras que vivem desse modo meio selvagem, geralmente são taxados de loucos, assim como os que discursam contra o 11/9, o Aquecimento Global, ou a Crise Econômica, pois toda uma base populacional que vive de pão e circo dá ouvidos a uma mídia vendida e corporativa, e todo o ser que tem uma opinião diferente dela será devorado - são mais ou menos como os potenciais Agentes Smith que estão dentro dos escravos da Matrix. Você não precisa concordar comigo, ou com Michael Moore, mas ao menos se pergunte porque as coisas parecem tão injustas, tão desiguais. Certamente algo está errado, você deve concluir no fim das contas. Discorde, Desobedeça. Não se submeta incondicionalmente a pastores, presidentes ou cientistas, pois nenhum deles têm a Verdade. Amigos, quando lixo em forma de imprensa como a Veja - ou o The Wall Street Journal, porta-voz oficial dos saqueadores, e propriedade pessoal de Rupert Murdoch - diz que os EUA nos salvaram do fim do mundo financeiro, cuspa em cima, pois somente os bolsos dos executivos super-ricos foram salvos. E faça isso agora, pois amanhã pode ser tarde demais!
Capitalism: A Love Story (2009)
Diretor: Michael Moore
Duração: 127 min
Nota: 8,5