segunda-feira, 7 de junho de 2010

Centopéia Humana

  filmes[3][4] Human Centipede

Durante a semana, vejo nossa amiga Jenny Taylor falando sobre o filme Centopéia Humana e, como nós, do NSN, encaramos qualquer filme (veja o post os 11 filmes mais perturbadores da historia, e comprove), partimos para sessão trash. Antes de ver o filme, dei uma olhada no trailer, e já imaginei o que estava por vir, afinal, não é todo o dia que ouvimos falar de um filme em que três pessoas estão unidas por uma ligação boca-ânus, levando elas a se alimentarem pelos… bom, acho que você sacou o carnaval que é a digestão desse ser trifásico. Mas, antes de falar diretamente sobre o filme, vou falar algumas coisas sobre a produção e a historia. NÃO recomento ler esse post se você pretende ver o filme.

Na verdade, a idéia do filme nasceu de uma brincadeira do diretor que, conversando com seus amigos, criou uma forma de punir molestadores de criancinhas, costurando sua boca ao ânus de um caminhoneiro gordo. Assim, ele amadureceu a idéia do filme, colocou como vilão da história um alemão nazista fazendo uma série de experiências que foram feitas na II Guerra Mundial, e colocando as vitimas como americanos e japoneses. O começo da centopéia ser um homem, e de origem diferente, é para criar uma barreira de linguagem para haver um confronto direto entre eles. Para criação da centopéia humana, foi consultado um cirurgião de verdade que, no primeiro momento não quis ajudar, com medo de afetar sua vida profissional, até ver o script, conceber e acreditar até que a experiência do filme poderia dar certo na vida real. Ele até chegou a imaginar que um trio de pessoas poderiam viver vários anos ligados dessa forma.

Este foi só o primeiro filme… o diretor já esta pensando numa sequência, com 12 pessoas formando uma centopéia. As filmagens devem começam em julho desse ano, e diz o diretor, que esse primeiro capitulo foi só para as pessoas se acostumarem com a idéia. Ele já esta imaginando uma segunda continuação, mas prefere observar como vai ser a aceitação da continuação para dar continuidade a idéia do terceiro filme. Curiosidades: Algumas das atrizes não terminaram de ler a parte do roteiro por nojo da historia, e o diretor não contou totalmente a história do filme para os patrocinadores, com medo de desistirem ou adiarem o investimento.

Agora sim, falando sobre o filme, gostei dele, pois começa bem direto ao assunto. Duas turistas passeando de carro pela Europa nas férias estão num hotel, e resolvem ir para uma balada… e como em todo filme de terror, o pneu fura, começa a chover, elas resolvem procurar ajuda e encontram a casa do cirurgião maluco, que pretende fazer delas - e mais um cara - uma centopéia humana. O desenrolar é bem angustiante e realista. O filme impressiona mais pelo que deixa a entender, mas não recomento pra quem tem estomago fraco ou não curte filmes trash.

 

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Além dessa história baba, temos uma série de situações bizarras e um certo nível de insanidade presente no Dr. Heiter, o vilão nazista do filme. A produção é de baixíssimo orçamento, mesmo possuindo uma técnica visual que não chega a ser incômoda, fruto da gravação em formato digital. Mas, a veia trash está presente em tudo, e o filme respira aquele ar dos longas de terror dos 80, com vilões loucos, e protagonistas rasos que só servem para sofrer e morrer. O filme deve seu sucesso aos festivais de terror, onde a lenda ao redor dele foi crescendo após várias pessoas abandonarem as sessões do filme, graças a sua premissa doentia. Enfim, não é um grande filme, mas vale a pena ter no currículo.

PS: Caso você assista, terá o prazer de ganhar um achievement especial, que é entrar na exclusivíssima lista da Jenny Taylor, com a galeria dos heróis que viram o filme e sobreviveram.

 

The Human Centipede (First Sequence) (Holanda, 2009)

Diretor: Tom Six

Duração: 90 min

Nota: 6

sábado, 5 de junho de 2010

Avatar Voz do Além

Gizmodo barrado de conferência da Apple

 

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Uma lição para jornalistas/blogueiros: Steve Jobs não esquece e não perdoa. Você pode acha-lo um maluco, cheio de manias bizarras, mas ainda assim, as atitudes maléficas que ele pratica enquanto não tá fazendo nada genial, têm certa coerência. O Gizmodo aprendeu isso na marra. Comprou um protótipo de iPhone esquecido num bar (isso antes da Apple ter lançado a moda de perder protótipos), o desmontou e dissecou… e logo depois começou a sofrer as consequências. A casa de um dos seus editores foi invadida covardemente pela polícia, e agora a cartada final: eles foram barrados na WWDC, a conferência da empresa que vai rolar segunda-feira (nesse momento, o Engadget RI).

A solução? Convocar leitores para fazerem o trabalho de liveblog já tradicional deles!

 

“Não é surpresa que a Apple não respondeu aos nossos pedidos de credenciamento. Se você está indo a WWDC e quer compartilhar as informações com nossos leitores, aqui está a oportunidade”

Bom, dessa vez não rolou violação da lei alguma, foi apenas uma represália da Apple, que pode (e DEVE) negar convites até pra Bento XVI e a comitiva dele, se quiser. Se vira aí, Giz!

 

[Via INFO] Dica do HumberTêra, que não escreve, mas manda links

Avatar FiliPêra

Trailer fodônico de Os Mercenários

 

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Agora sim você quer ver o filme…

Ver um trailer de Os Mercenários é como ouvir o Real Madrid sendo escalado. Você não sabe se o conjunto fará uma grande partida, mas com certeza é sempre interessante ver o tamanho do peso dos jogadores reunidos num time só. Ver Stallone, Statham, Schwarza, Jet Li, Bruce Willis, Mickey Rourke e a lindona da Gisele Itié atuando juntos, é como ver em campo Casillas, Roberto Carlos, Makelele, Beckham, Figo, Zidane, Raúl, Owen e Ronaldo… ou algo assim.

A história você já sabe, e envolve um ditador sul-americano pra ser deposto. A estréia nacional é no dia 13 de agosto, junto com a americana! Abaixo tem um trailer do filme, que saiu tem uns três meses, mas que não havia postado aqui ainda!

 

Abaixo tem um teaser igualmente bom e arrepiante - e que saiu ontem -, somente com as vozes e as caras dos brucutus que estão participando do filme:

 

Sim, o tenso é esperar estrear agora…

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Avatar Colaborador Nerd

[Pipoca e Nanquim] Will Eisner

 

O Pipoca e Nanquim dessa semana não é inédito. Bem, para o blog é inédito, já que este programa não foi postado aqui antes, mas é uma gravação mais antiga, que data de antes da nossa parceria começar, antes da mudança do cenário e antes da entrada do Alexandre para o programa. Na verdade, foi o último programa que gravamos sem a presença do Alexandre e sem a contribuição do NSN, pois o tema seguinte foi o de Zumbis e neste já estávamos por aqui e com o time que formamos hoje. Mas devido ao feriadão que tivemos essa semana, o novo programa (que vai falar sobre filmes de Samurai) não pode ficar pronto a tempo, então trouxemos um excelente tema que estava gravado e que a grande maioria de vocês ainda não assistiu: Will Eisner.

Um bate-papo sobre a vida do artista que é considerado o maior nome dos quadrinhos. Detalhamos cada fase de sua vida, desde o começo da carreira, com seu estúdio de quadrinhos (por onde passaram artistas que depois viriam a se tornar importantes, como Bob Kane e Jack Kirby), passando por sua série The Spirit, a experiência com os desenhos que fazia para o exército e para as indústrias, o tempo que passou como professor e o retorno aos quadrinhos com as Graphic Novels, até seu falecimento em 2005.  O programa também comenta e indica suas obras, como No Coração da Tempestade, Nova York - A Vida na Grande Cidade, O Complô, O Sonhador, a trilogia da Avenida Dropsie e todas as outras. Vale mencionar também a dica de um documentário brasileiro sobre a vida do mestre, com participação de artistas nacionais e do próprio Eisner.

Um programa obrigatório para quem é fã de quadrinhos, que quando acabarem de assistir certamente vai bater aquela vontade de ler ou reler suas obras.

E não custa lembrar a quem curte o programa para nos enviar e-mails (pipocaenanquim[at]uniara.com.br), entrar no twitter, comunidade no Orkut, ver os programas anteriores no videolog, postar comentários aqui no blog e tudo mais, não é mesmo? Abração a todos e até semana que vem!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

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A Imprensa e os Crimes de Israel

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Sabra e Chatila, que surpreendentemente recebeu uma matéria excelente da Veja

Bem, não sou do Observatório de Imprensa e nem está nos meus planos jornalísticos um dia ser, mas não tenho como deixar de comentar a forma extremamente falaciosa com que a imprensa brasileira está noticiando o caso do ataque israelense, geralmente se limitando a reproduzir notícias entregues por agências internacionais como a Reuters e Associated Press. O aparente alinhamento de grandes veículos de comunicação com o estado israelense é feito de uma forma tão carregada de parcialidade que chega a ser constrangedor. Das duas, uma: ou esses grandes veículos estão realmente desinformados, ou querem desinformar propositalmente.

Em primeiro lugar, deve-se notar o uso incorreto de certas palavras nas notícias. Os ativistas não foram detidos, como disseram o G1 e O Globo - Eu usei o termo presos, mas ele ainda não está 100% correto - já que estavam em águas internacionais, e a marinha israelense não tem qualquer jurisdição lá. Então, os ativistas foram sequestrados, seria a palavra mais correta. Pelo simples fato do serviço sujo ter sido feito por uma força militar legal e constituída (apoiada pelos EUA) parece que existe uma certa amenização no tocante a verdade.

Outra: os objetos dos ativistas foram roubados, já que não existia autorização legal para os israelenses a levarem. Os navios não estavam em águas israelenses, e como Israel tomou a dianteira, se tornou o criminoso da história. Também não existiu deportação. Deportar é quando alguém entra no seu país ilegalmente, e você o expulsa. Os ativistas foram postos em liberdade.

Estão sendo usados outros termos sutis para passar uma mensagem diferente da original. ESSA reportagem do G1 tem o título Israel expulsa militantes pró-palestinos. Pode parecer normal, se não fosse um detalhe: militantes palestinos é como a imprensa brasileira chama os integrantes de grupos “terroristas”, e não de ativistas humanitários. Não acredite em mim, faça uma busca no G1 e comprove (ou clique AQUI, para facilitar sua vida), como bem mostra a reportagem de 25/05 intitulada Israel bombardeia Gaza após ataques de foguetes de militantes palestinos.

Não é uma simples questão de incluir os sempre proibidos (pelos defensores da inexistente imparcialidade jornalística) adjetivos, como sempre faço, mas sim de usar termos incorretos para dar um panorama diferente do verdadeiro. Eu mesmo sou a favor do alinhamento de veículos jornalísticos com idéias, sejam elas políticas ou libertárias, desde que se faça isso de forma clara, séria e nunca deixando de se ater aos fatos.

 

Também estão repercutindo por aí, vídeos de ativistas espancando soldados israelenses nos barcos da Frota da Liberdade, o que deu argumento para que certos jornais usassem o termo autodefesa, para designar a ação. O Globo foi ainda mais longe, e publicou uma matéria intitulada Soldados Israelenses são atacados por supostos ativistas, a qual nem irei comentar. Creio estar certo ao dizer que autodefesa é um ato para remediar um ataque que está sendo efetuado. Agora me pergunto: que ataque é esse em que os ativistas fizeram aos militares israelenses, sendo que o foi o navio deles que estava sendo invadido em águas internacionais? O ataque e o posterior massacre dos israelenses foi um ato criminoso, e desta maneira, a defesa por parte dos ativistas com o que tinham em mãos foi legítima. Se um ladrão tenta roubar seu carro, e você o espanca, o ladrão está correto? Fora que esses mesmos veículos não se fixaram em perguntar o que rolou antes dos espancamentos, já que os vídeos foram oficiais de Israel, e tiveram seus inícios cortados.

Mas, logicamente que houve violência. Os ativistas realmente deram uma boa surra nos soldados, mas os números não mentem: um soldado de Israel ferido, e 10 ativistas assassinados + 30 feridos. Então, até que se prove o contrário, Israel é que estava errado por agir para matar.

 

Parte da imprensa internacional, assumiu um tom um pouco diferente. O jornal Financial Times condenou o ataque e o cerco, a revista The Economist fez o mesmo, a revista The New Republic, o Asia Times Online, e vários outros veículos que não li, fizeram exatamente isso. De uma forma ou de outra, o jornalismo foi usado para expor a verdade: houve crimes por parte de Israel, não foi autodefesa, e grande parte da imprensa brasileira parece que não entendeu.

Agora imaginem comigo: se fosse a Guarda Revolucionária do Irã - o novo vilão do mundo, após a rendição do Iraque - que atacasse o barco, como seria o tom usado pelos jornais brasileiros? No mínimo, iam pedir a cabeça dos envolvidos!

 

[Via Observatório de Imprensa e A Nova Ordem Mundial]

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Mais um “missão cumprida” no sangrento currículo israelense

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"Há uma clara necessidade de que Israel atue com moderação e de acordo com as normas internacionais."

William Hague, chanceler britânico

"Toda a luz deve ser lançada sobre as circunstâncias desta tragédia, que enfatiza a urgência de reativar o processo de paz israelense-palestino."

Nicolas Sarkozy, presidente da França

"O ato desumano do regime sionista contra o povo palestino e o fato de impedir que a ajuda humanitária destinada à população chegasse a Gaza não é um sinal de força, e sim de fragilidade deste regime."

Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irã

"(…) gradualmente Israel está deixando de ser um investimento vantajoso para se tornar um peso para os EUA"

Meir Dagan, chefe do Mossad, o serviço secreto israelense

A gente sempre espera o pior dos israelenses, mas eles sempre conseguem ultrapassar os limites da nossa imaginação.

Iara Lee, cineasta brasileira capturada por tropas israelenses

O que aconteceu é completamente inaceitável. Devemos ser claros sobre isso. E também devemos lamentar a perda de vidas. [...]

David Cameron, primeiro-ministro britânico

 

Israel cometeu mais um dos seus crimes na segunda-feira (31/05, às 4h, hora local, e 22h horário de Brasília). Dessa vez o alvo não foram crianças palestinas tendo aulas em escolas destruídas por mísseis de helicópteros Apache - o que parece ter virado uma rotina absurdamente normal para alguns -, mas sim embarcações de ativistas humanitários que tentavam ajudar aqueles a qual o estado israelense ataca por décadas, que foram brutalmente interceptadas pela marinha israelense. A chamada Frota da Liberdade saiu do Chipre, e era composta de três navios, com 750 ativistas - a maioria deles de nacionalidade turca -, e outros três, com 1o mil toneladas de ajuda humanitária - cadeiras de roda, casas pré-fabricadas e purificadores de água… coisas que o estado israelense não dá aos cidadãos palestinos. Segundo dos soldados que perpetraram a ação, morreram nove ativistas (reparem na notícia do G1, que fala na morte de pessoas, dando a entender que não foram somente ativistas que morreram), e mais 30 ficaram feridos. Hoje os legistas concluíram que todos os nove mortos eram turcos, e morreram em decorrência de tiros.

Esse é o fato que todos noticiaram. Agora os detalhes pouco divulgados: os navios estavam em águas internacionais (120 Km da costa israelense, cujas águas territoriais vão até 32 Km da costa), o que impedia que os três helicópteros apoiados por lanchas fizessem qualquer coisa, mesmo que estivesse absolutamente claro que eles romperiam o bloqueio vergonhoso da costa de Gaza; os ativistas estavam desarmados (os próprios soldados israelenses confirmaram isso) e sinalizaram para os soldados com bandeiras brancas.

As Forças de Defesa de Israel (nome bem irônico) não demoraram em afirmar que só responderam a um ataque que sofreram. Analisemos então. Um comboio com ativistas desarmados atacou tropas israelenses que estavam distantes dos navios. Atacaram com o que? Pedras, tijolos? Se houve algum ataque prévio, o que, de maneira alguma, foi provado, só pode ter ocorrido com essas armas. E eles responderam com o que? Tiros e gás lacrimogênio! Antes mesmo de desembarcarem no navio principal da frota para a tal “verificação de segurança”, um ativista já havia sido alvejado e morto, segundo jornalistas da Al-Jazeera e da TV Press à bordo dos navios.

Após a interceptação violenta, os ativistas foram presos e o material deles confiscado. A cineasta Iara Lee, brasileira descendente de coreanos, estava entre os presos, e relatou que autoridades israelenses exigiram que ela [e, provavelmente, os outros presos] assinasse um documento afirmando que entrou ilegalmente no país, o que ia garantir a libertação dela. Em conversa com o embaixador brasileiro em Jerusalém, Eduardo Uziel, ela ainda foi taxativa ao dizer que os soldados atiraram em feridos à bordo do navio. Outro crime contra os ativistas? As autoridades não permitiram contato deles com as respectivas embaixadas dos seus países, e confiscaram a bagagem de todos eles, juntamente com o passaporte… sem qualquer prova de crimes cometidos. Ontem, eles começaram a soltar os ativistas, liberando um grupo de 123 deles, proveniente de 13 países muçulmanos. Eles foram deixados na fronteira da Jordânia, onde uma multidão de simpatizantes e admiradores da Frota da Liberdade os aguardavam. Hoje, mais 450 foram soltos, e em até 24 horas os ativistas ainda presos devem ser libertados.

No segundo grupo de libertos, está a própria brasileira, que deu mais detalhes do massacre israelense a BBC. Ela disse que outras pessoas que estavam no barco viram soldados atirando corpos no mar, para diminuir o número oficial de mortos. “Nossa contabilidade é de que 19 pessoas morreram. Ainda há gente desaparecida, não sabemos o que aconteceu com eles. E ainda há feridos muito graves, praticamente morrendo, que não conseguimos retirar do hospital em Tel Aviv”, garante. Iara ainda deixou bem claro que os soldados atiraram pra matar, relatando que o operador de internet do navio Mavi Marmara - que foi o palco do massacre -, o responsável por escrever os primeiros relatos do ataque, foi morto com um tiro na cabeça, friamente, por um atirador de elite. O prejuízo dela com o material confiscado e ainda não devolvido das autoridades de Israel chega a US$ 150 mil, somente com câmeras e lentes - fora notebooks, smarthphones e outros eletrônicos confiscados.

 

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Imagem do navio Mavi Marmara, feita por soldados israelenses

Talvez alguém pense (assim como esse leitor falacioso d’O Globo, que o jornal deu voz na sua versão online): Ah, eles iam furar um bloqueio legítimo do governo israelense, mereceram os tiros! Sinceramente, espero que não seja o seu caso, mas é necessário citar que palestinos dependem de ajuda internacional porque o israelenses os cercaram em guetos, destruíram o que eles construíram, e ainda colocam a culpa na corrupção do governo palestino. A American Near East Refugee Aid (ANERA), ONG que provê ajuda para refugiados do Oriente Médio, mostrou números concretos acerca das necessidades de ajuda da população palestina, especialmente de Gaza, que está sob bloqueio:

 

8 em cada 10 habitantes de Gaza dependem da ajuda estrangeira para sobreviver.

O Programa Mundial de Alimentos diz que Gaza requer um mínimo de 400 caminhões por dia para atender as necessidades nutricionais básicas - mas somente uma média de apenas 171 caminhões de suprimentos entra em Gaza a cada semana.

Roupas que foram entregues no porto de Ashdod [porto em Gaza, mas controlado por israelenses] há mais de um ano, foram liberados recentemente… mas cobertas com mofo e bolor. Ou seja: inutilizáveis.

Anemia em crianças de idade inferior a 5 anos é estimado em 48%.

75 milhões de litros de esgotos não-tratados são bombeadas para o Mar Mediterrâneo todos os dias - porque tubulação e peças de reposição não são permitidas para os palestinos.

Nos bombardeiros de 2009, mais de 120 mil empregos foram perdidos na zona industrial de Gaza, que foi destruída... 15 mil casas e apartamentos foram danificados ou destruídos ... 1/3 de todas as escolas foram destruídas. Nenhum deles pode ser reconstruído, pois material de construção são mantidos pelas autoridades israelenses, e proibidos para o livre uso palestino.

Entendeu o que é o bloqueio a qual os ativistas se preparavam para furar e protestar contra? A ajuda era um ato legítimo de levar esperança para pessoas que há anos sofrem bombardeiros e humilhações nas mãos de autoridades míopes e hipócritas.

 

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Ativistas recebidos em Istambul (crédito: BBC)

A Comunidade Internacional se mostra de uma fraqueza irritante, e mais uma vez cautelosa com o episódio. Os americanos não condenarão o ataque, e se recusam a aceitar que existe uma crise humanitária em Gaza, mesmo com ONGs dos próprios EUA mostrando o contrário. Até os deputados se recusam a comentar o assunto, apontando a administração Obama como ainda mais falha que a Bush nesse aspecto - ao menos sob Bush, os EUA diziam que o bloqueio de Gaza estava se mostrando falho.

A participação de Obama pode ser ainda mais forte, e ele pode estar trabalhando pessoalmente para colocar panos quentes no caso. Desde que aconteceu o massacre, Obama já recebeu três ligações do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. A primeira foi para saber que Netanyahu não iria a Washington devido a crise. A segunda foi para ser informado com detalhes de todo o episódio, com destaque para Benjamin frisando o fato de que suas tropas foram atacadas com paus, pedras, barras de ferro e facas. A terceira foi para traçar uma estratégia para “amolecer” o Conselho de Segurança da ONU e minimizar o impacto do massacre. E não deu outra: no dia seguinte o Conselho fez uma declaração formal condenando o episódio… mas num tom que mais se aproximava de uma diluição.

A ONU pediu libertação dos prisioneiros, liberação da carga e uma investigação imparcial. A Turquia, Líbano e demais países árabes queriam julgamento dos responsáveis pelo ataque, compensação para as vítimas e uma investigação imediata da ONU. Em meio às discussões descobriu-se o motivo para o texto que os árabes escreveram não ser aprovado: a administração Obama. Por mais uma vez, o cinismo dos envolvidos foi tamanho, que horas depois ficou claro o tamanho da participação americana na jogada.

"Nós gostaríamos de expressar nossos agradecimentos aos Estados Unidos, que trabalharam nos bastidores para enfraquecer as Nações Unidas", disse Mark Regev, porta-voz do governo israelense, a jornalistas de Jerusalém. Resultante dessa parceria, o texto da ONU saiu mais desprovido de força que um saco de batatas ao vento. Mesmo com somente um dia para conversas formais, parece que os EUA têm muitas certezas sobre Israel; ao ponto de deixar nas mãos do país a investigação do caso - sem prazo de entrega -, e condena-lo da forma mais leve possível, preferindo lamentar a perda de vidas, do que propriamente apontar quem as tirou.

Hillary Clinton ainda fez o papel do cachorro latindo, e disse que “a situação em Gaza é insustentável e inaceitável”, mas legitimou o bloqueio existente desde 2007, afirmando que Israel tem o direito de zelar pela segurança do país. "As legítimas necessidades de segurança israelenses devem ser atendidas, assim como as legítimas necessidades palestinas de assistência humanitária e acesso regular a materiais de construção", disse ela. Parece a fala de alguém preocupada com a causa palestina, mas ela mostra as reais intenções dela e do governo americano ao deixar claro que quer o próprio governo de Israel liderando as investigações sobre o caso, o que tem grande chance de resultar em algo pretensamente vantajoso para os próprios israelenses.

O Brasil assumiu uma posição um pouco mais condenatória, apoiando uma forte reação da ONU contra o estado de Israel. “É até difícil colocar palavras numa nota porque as palavras ficam gastas. Ficamos mais do que chocados com um evento desse tipo. Trata-se de pessoas pacíficas que não significavam nenhuma ameaça e que realizavam uma ação humanitária, que não seria necessária se terminasse o bloqueio a Gaza. É necessário algum tipo de ação da ONU. Vai ficar uma marca muito forte”, disse Celso Amorim,  em nota liberada pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro. A comunidade árabe foi mais veemente. O Egito, que sob forte pressão e a contragosto havia fechado sua fronteira para Gaza, a reabriu, para a entrada de ajuda humanitária. O ponto de cruzamento em Rafah é a única fronteira exterior de Gaza que não é controlada por Israel, e acabou de ser aberto, tanto para a entrada de ajuda humanitária, como para a saída de palestinos. A Liga Árabe, em reunião de emergência, encaminhou ao Conselho de Segurança da ONU um documento que pede o fim imediato do bloqueio a Gaza, e um processo na Justiça Internacional contra Israel. Já o Irã - o novo vilão do Ocidente, que pode ser embargado pela administração Obama - pediu para que vários países rompessem relações com Israel.

 

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Hamas: terrorismo ou resistência?

E o terrorismo palestino, que é a desculpa dada por Israel para o bloqueio? Bom, o Hamas - talvez o mais aguerrido dos grupos palestinos importantes, e que no momento administra Gaza - ofereceu a Israel cessar-fogo por tempo indeterminado em troca do levantamento do bloqueio. Os dois chegaram a esse acordo ano passado, mas o mesmo foi jogado por terra após o governo israelense recomeçar com o bloqueio, e iniciar uma série de assassinatos seletivos contra palestinos, alegando com um cinismo notável que acordos de cessar-fogo ainda garantem que eles podem assassinar todos palestinos que CONSIDERAM terroristas. O bloqueio, no fim das contas, acabou por fortalecer ainda mais o Hamas, que, assim como a Fatah (fundada por Yasser Arafat), está mudando de estratégia e usando o caminho da diplomacia. A ajuda vinda do Irã e Síria para o Hamas e a Jihad Islâmica ajuda essas duas organizações a construírem uma rede de creches, escolas, hospitais para ajudar a população, de forma bastante semelhante ao realizado pelo Hezbollah no Líbano. Ademais, os governantes do país exigem que o Hamas reconheça a existência de Israel, e por isso não fazem acordos de longo prazo (por que eles não reconhecem o estado palestino também?).

É interessante frisar que somente governos alinhados com interesses americanos e europeus consideram esses três grupos como organizações terroristas (principalmente Austrália, Reino Unido, Japão). O Brasil, África do Sul, Rússia e Noruega estão entre os países que reconhecem o Hamas e o Hezbollah como organizações políticas legítimas, de resistência e bem-estar social. A declaração que legitima essas organizações foi dada pelo secretário-geral do Itamaraty, Antônio Patriota, em um painel do Instituto de Política de Segurança da Universidade de Washington, em 2008, que discutia a participação do Brasil no programa Três Mais Um, que queria unir os serviços de inteligência do Brasil, Argentina e Paraguai para investigar atividades terroristas na região da tríplice fronteira.

 

A própria questão do terrorismo é outro ponto a se considerar, e tratado de forma extremamente leviana pela mídia internacional. O que é terrorismo e o que é resistência? Movimentos legítimos de resistência foram classificados como terrorismo por décadas, até que alcançassem seus objetivos. É o caso do Congresso Nacional Africano (que teve seu braço armado, o Umkhonto we Sizwe, fundado por Mandela… que receberia o Nobel da Paz depois, mesmo nunca negando sua opção pela luta armada), do Sinn Fein irlandês, da própria Organização para Libertação da Palestina de Yasser Arafat, das organizações isralenses Irgun e Haganá, de onde saíram os primeiros-ministros israelenses Menachem Begin e Yitzhak Shamir (sim, amigos, Israel também é terrorismo)… Gandhi e Martin Luter King foram considerados, de certa forma, terroristas pelos governos que tentavam sufoca-los. O movimento de resistência dos EUA contra o domínio colonial inglês foi considerado uma espécie de terrorismo. O Hezbollah, um dos partidos mais populares do Líbano, foi considerado por muito tempo um grupo terrorista, até que expulsou - sim, expulsou - o Exército israelense do Sul do Líbano ocupado ilegalmente, com a sua guerrilha muitíssimo bem preparada. Dessa forma, chamam os movimentos de resistência palestino de terroristas baseados em que?

Se é pra chamar o Hamas e o Fatah de terroristas alegando que eles mataram inocentes, por exemplo, que digam o mesmo do governo israelense também, pois ele comete os mesmos erros (numa escala muitíssimo superior e com armas mais sofisticadas, diga-se de passagem) dos governantes eleitos pela população palestina. Não estou dizendo que os métodos palestinos estão corretos - mesmo que após a chegada ao poder, o Hamas e o Fatah estejam mais preocupados com o cessar-fogo -, mas sim não se deve isentar Israel de culpa somente por ele ser apoiado e reconhecido pelos EUA. Terrorismo de Estado como o praticado por Israel - não só bombardeando aéreas palestinas, mas também impedindo ajuda humanitária internacional chegar até a população - deve ser visto como num nível muitíssimo pior e mais condenável de atrocidade do que o praticado por organizações palestinas. Enquanto o governo de Israel pode efetivamente resolver esse conflito, os palestinos podem fazer o que? Sentar e ver bloqueios, muros, bombas, revistas para entrarem em suas casas, assassinatos? Ou lutar pelo fim disso, que é o que eles estão fazendo?

 

Pelo rumo das coisas, parece que tudo ficará por isso mesmo. Somente mais uma mancha num currículo recheado de crimes como o do estado israelense. Matar uma (ou duas) dezena de ativistas humanitários não deve ser nada para quem já lançou três mísseis no carro de um líder palestino cego e paraplégico (e matou outras sete pessoas no ataque),  assassinou 257 crianças palestinas (e feriu outras 1080) somente durante a última Intifada, que durou 14 dias; falsificou documentos britânicos para assassinar o líder do Hamas, al-Mabhouh, em Dubai; massacrou cerca de 3.500 pessoas inocentes nos campos de refugiados de Sabra e Chatila (e depois elegeu o terrorista responsável pela ação, Ariel Sharon, primeiro-ministro)…

 

[Via O Globo, Think Progress, Foreign Policy, BBC e Huffington Post]

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Avatar FiliPêra

Baixe grátis o EP do How To Destroy Angels, a nova banda de Trent Reznor

 

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Bom, acabei de fazer o que o título do post anuncia, e posso dizer que vale a pena, principalmente para quem já está sentindo falta do Nine Ninch Nails (Eu, por exemplo)! O How To Destroy Angels é o resultado da união entre o multitalentoso e visionário Trent Reznor, e a mulher dele, Mariqueen Maandig. É só clicar AQUI, colocar seu email na caixa à direita, esperar a mensagem de confirmação e ser feliz (ou não, já que Reznor não é conhecido por expressar felicidade em forma de música).

No mesmo link é possível comprar uma versão com extras inclusos, como o vídeo de The Space in Between, e formatos de áudio melhores, ideal para audiófilos e aqueles tipos que colocam o som na maior altura. E não acaba aí: dia 6 chega às lojas o mesmo EP no formato físico, que já está em pré-venda no site oficial… e no começo de 2011 um álbum completo será lançado e a banda sai em turnê!

E falando sobre sua “antiga”, o NIN, Reznor deixa bem claro que ela voltará em breve: "O Nine Inch Nails não está morto. Estou prestes a trabalhar em um novo material que acredito será bem diferente dos anteriores do Nine Inch Nails".

 

Musicalmente, o How to Destroy Angels não é tão distante do que o NIN já fez. É uma parede sonora baseada em efeitos eletrônicos climáticos e, por vezes, estranhos. A grande diferença é na abordagem e no tratamento vocal. Se os berros rasgados de Trent eram um dos principais elementos das composições do NIN, agora eles desapareceram, e deram lugar a voz camaleônica de Mariqueen. O vocal dela às vezes soa calmo, como na ótima Drowning, sexy, como mostrou em Fur Lined, ou frio-no-estilo-Ladytron, caso de BBB. Os arranjos meio Prodigy compostos por Reznor, continuam brilhantes, mas conseguiram um certo tom de monotonia aqui, o que sempre era raro nas músicas do NIN - tipo Hurt e Right Where It Belongs. Em outras palavras: a fúria sonora presente em March of Pigs, Heresy e Sin, foi acalmada.

Mas o HDA se aproxima mais de uma daquelas duplas européias de música eletrônica, com músicas com poucas variações sonoras e mais baseadas em ruídos - mas, quando elas aparecem, são excelentes, como em Parasite - soando como a fúria de Justice, principalmente em Stress; somada ao minimalismo robótico do Daft Punk.

Se este é o novo Trent Reznor - casado, menos furioso e mais contemplativo - que seja bem vindo… [Nota: 8]

 

PS: Puta que pariu que capa foda a desse álbum aí, hein?! Me lembrou até uma cena da iniciação de Jack Frost, em Os Invisíveis!

UPDATE: O André Luis mandou a imagem abaixo pra mostrar que o Trent Reznor é amigo de Grant Morrison, o que talvez indique que não viajei completamente na relação entre a capa do EP do HDA e uma cena de Os Invisíveis.

 

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[Via Omelete]

Anime do Homem de Ferro

 

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Não é primeira vez que a Marvel tenta o sucesso em terras japonesas. O mercado de quadrinhos de lá crescia cada vez mais nos anos 60, e a casa do Hulk e do Capitão América obviamente ia querer a sua fatia dos lucros. Sua primeira incursão foi a fase clássica do Homem-Aranha, de Stan Lee e e Steve Ditko. O resultado foi um fracasso enorme. Os japoneses até tomavam gosto pelo herói, mas a narrativa era completamente diferente do que se convencionou nos mangás. Então, a Marvel resolveu se arriscar. Chamou um artista pouco conhecido na época, Ryoichi Ikegami para escrever um mangá do teioso. A escolha foi perfeita. Ikegami sempre criava personagens imersos em angústias existenciais, exatamente como o Homem-Aranha é, um personagens cheio de dúvidas. Peter Parker vira Yu Komori. O personagem ganhou uma abordagem psicológica muito mais dramática do que na versão americana. O mundo onde as histórias da encarnação japonesa do aranha se passava era completa de egoísmo, desolação, hipocrisia e crueldade. Graças a essa nova visão, o mangá se tornou uma das melhores publicações do Homem-Aranha e marcou o personagem no Japão.

A Marvel agora parece querer fazer o mesmo de novo, mas dessa vez com os desenhos japoneses. Em parceria com o estúdio Madhouse, criador de grandes sucessos e reconhecido pela alta qualidade, a editora produziu um anime do Homem de Ferro e está trabalhando na produção das animações do X-Men, Wolverine e do Blade. Cada série terá 12 episódios e o anime de Homem de Ferro está previsto para estrear em outubro no Japão.

Acredito que essa seja uma estratégia para criar novos fãs dos super-heróis da Marvel no Japão, onde o público dos comics é bem restrito. Tanto que o anime do Homem de Ferro só vai estrear nos Estados Unidos no ano que vem. Uma estratégia como essa pode aumentar o público dos filmes da Marvel e a renda dos produtos licenciados no Oriente. Só estranho o fato da DC Comics nunca ter tentado algo parecido. A única coisa que faz de diferente é dar uns anéis furrecas de brinde pra aumentar as vendas dos seus gibis nos Estados Unidos.

Quem quiser dar uma conferida na animação pode ver o trailer dela, que pra minha surpresa está até bom. mas não revela nada da história.

 

 

[Via ANMTV]

terça-feira, 1 de junho de 2010

Avatar Voz do Além

Mais um pouco do novo caça russo secreto

 

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Isso é arte conceitual, antes que digam que é fake…

Lembro que estava na sexta ou sétima série quando comprei uma Aero Magazine, uns dias depois de ver Top Gun - Ases Indomáveis. O motivo foi um quadradinho na capa com a foto de um caça russo com um design bizarro: asas flanqueadas para frente, o que, segundo os engenheiros da Sukhoi, ajuda a melhorar as performances de manobra e ajudava na economia de combustível. Após ler a matéria num fôlego só, soube que o nome do caça era Sukhoi Su-47. O modelo mostrado na revista era o protótipo de um projeto do Ministério da Defesa para criar caças de nova geração.

A aviação de caça russa tem duas empresas como inimigas concorrentes: a MiG e a Sukhoi. Apesar de todas as escaramuças que rolam entre elas, os aviões fabricados pelas duas se diferem em aplicações e estilo. Os MiG são empregados em ataques maciços, com forte apoio em terra e utilizando pesadas estações de radar. Apesar do MiG-29 ter adquirido características um pouco mais diversas que essas, a coisa é bem por aí. Já os Sukhoi são feitos para operarem em vôos solo, em condições mais adversas, têm mais equipamento avançado.

Aí veio o fim da Guerra Fria, a queda da União Soviética e tudo mudou…

Com a falta de dinheiro generalizada entre os russos, as duas empresas formaram joint-ventures para não morrerem, já que, mesmo o bonachão com a cara cheia de vodka, Boris Yeltsin, não tinha planos de privatizar as duas empresas. Fora esse cenário financeiro desfavorável, geopoliticamente o mundo havia mudado, e as estratégias da aviação militar também. Caças pesados eram menos necessários, e deveriam operar nas condições mais adversas possíveis.

A Sukhoi foi mais esperta e vendeu tecnologia para a Índia e outros países dispostos a usarem o poderoso Su-27. Depois disso ainda lançou o embasbacante e assustador - para os inimigos - Su-37, que foi pioneiro numa miríade de tecnologias que se tornariam obrigatórias anos depois em todos os aviões de caça. Coisas como vetoração de empuxo - turbinas controladas de forma independente (como vocês verão no primeiro vídeo lá de baixo) - e radares traseiros. O protótipo do Su-47 foi justamente uma proposta da empresa para um caça russo da quinta geração, e muito dele será incorporado ao projeto final. A MiG mostrou seu MiG-1.44, com uma no formato de um delta.

Aparentemente, o projeto da Sukhoi foi o aprovado - não se sabe se o governo russo tem grana pra tocar dois projetos distintos, como fazia no passado; e o fato é que isso nem é mais necessário - e um nome secreto surgiu nas linhas dos periódicos militares: Sukhoi PAK-FA. Bom, ele é um senhor avião, daqueles de fazer um piloto do badalado F-22 (e do F-35) molhar as calças. Ele será stealth (com um sistema mais baseado em materiais com alto índice de absorção de ondas de rádio, do que com aqueles designs esquizofrênicos como o do F-117 e B-2), possui uma cauda completamente móvel, eliminando a necessidade de lemes e flaps, aumentando as capacidades de manobra, tem velocidade máxima Mach 2.45 (algo em torno de 3.000 Km/h) e velocidade de subida de 360 m/s (1.300 Km/h).

Também vai rolar uma espécie de intranet entre eles, com troca e sincronização de informação sobre localização de alvos, armamentos inimigos e essas coisas importante pra missão deles. Ah, e um detalhezinho exclusivo: ele possuirá um sistema infravermelho que rastreará rastros de calor de aviões stealth - tipo o próprio F-22 - a até 25 quilômetros de distância, coisa que nenhum avião americano da quinta geração tem.

Abaixo, dois vídeos com dois modelos distintos da fera em vôo:

 

[Via Gizmodo]

Avatar Beatriz Paz

Desafio Guro NSN! - We have a winner!

 

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Oie! Aproveitando a onda de celebrações e de resultados de promoções em geral, eu, Beatriz Paz, venho lhes anunciar o mangá ganhador do meu primeiro desafio da série:

 

Os Desafios Super Maneiros da Bia!

Vamos lá! Primeiro, eu gostaria de parabenizar todos vocês que participaram e se empenharam em me sugerir o mangá mais bizarro e guro que vocês tinham conhecimento Segundo, eu gostaria de pedir desculpa pela demora em dar o resultado. Vocês se empolgaram – o que é ótimo – e, pra ajudar, eu sou uma mascote universitária com pouco tempo e creio que uma boa parte de vocês leitores devem entender a minha situação. Ainda mais com as provas chegando.

Mas não falemos de coisas chatas e sim do vencedor! Galera, como eu havia dito no post sobre o Desafio, só os mangás sugeridos no post sobre Tokyo Akazukin seriam aceitos. Por isso, eu mando aqui a dica, leiam os posts até o final pra que não aconteça de novo. Eu vi que foram sugeridos filmes, mas o desafio valia somente pra mangás, e que as sugestões foram postadas no post errado também. Prestem mais atenção da próxima vez, OK?

Terceiro, eu adorei o fato de eu ver 22 comentários! Muito obrigado mesmo pessoal por terem se engajado numa idéia tão boba quanto a minha, mas mesmo assim eu agradeço e espero ver essa animação no desafio seguinte! Avante bravos cavaleiros de bronze! Vocês não tem noção do quão feliz eu fiquei de ver que vocês gostaram e participaram dessa minha mais nova estripulia nerd/otaku da vez. Muito obrigada mesmo!

Quarto, parabéns pelas ótimas sugestões! Olha, devo dizer que eleger o vencedor não foi nada fácil. Não pelo conteúdo dos mangás que eu tive que ler, mas sim pelo fato de eu ter que escolher entre grandes autores, como o mestre do terror Hideshi Hino, com a sua obra Panorama do Inferno, sugerido pelo Iziqgabriel, ou Gyo e Uzumaki, de Junji Ito, sugeridas pelos leitores Andrei Sisto Sexto. Ah sim, sem falar de Shintaro Kago, também sugerido pelo Andrei. Parabéns pessoinhas, me deram um trabalho danado mas eu finalmente consegui!

E agora, sem mais lenga lenga! Senhoras, senhores, indecisos, ladies gaga, otakus, otomes, gafanhotos e padawans! O vencedor do Desafio Guro NSN! foi...

Ero Guro de Suehiro Maruo! Sugestão do leitor Jardelstar, parabéns!

 

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E como foi o prometido, aqui vai a foto e a resenha:

 

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Ero Guro

Quando sugeriram essa obra pra mim, eu sabia mais ou menos o que estava a minha espera. Não porque o tema do desafio era relacionado ao Guro – abreviação da palavra Gurotesque, que na língua das terras brasileiras seria “grotesco”,- mas sim pelo fato de que, quando eu estava procurando o mangá para baixar, acabei lendo comentários do tipo:

 

Ero-Guro não é para qualquer leitor. As situações mostradas nos quadrinhos de Suehiro Maruo podem causar diversos tipos de sentimentos negativos, da repulsa ao ódio”

“Nas páginas de Ero-Guro está um repertório que inclui sodomia, coprofilia, onanismo, canibalismo, pedofilia, zoofilia, voyeurismo, flagelação; enfim, tudo. Não faltam recados para o leitor menos ingênuo”

E realmente, se você já se sente incomodado ao ver uma mísera gotinha de sangue em qualquer mangá ou já acha nojento aquela bolha de meleca satiricamente desenhada na cara de personagens que estão dormindo, aqui vai o aviso: SE AFASTE DE ERO GURO E VÁ LER UMA COISA SAUDÁVEL. Se bem que os leitores desse texto não são tão sensíveis assim.

A obra de Suehiro contém nove histórias diferentes e é só de ver o título de algumas, como Sopa de Merda ou O grande masturbador, que você pensa duas vezes em ler enquanto almoça ou faz um lanchinho. Mas tudo pelos leitores e pela curiosidade não é mesmo? Me muni de coragem e comecei a adentrar no mundo, no mínimo, nonsense e perturbado de Maruo. O interessante de tudo é que apesar do terror visual, você se sente psicologicamente incomodado com a perversidade contida nas histórias, com o quão baixo o ser humano pode ser, e o quão nojento também.

Vou fazer só um breve comentário sobre a história que eu mais gostei, Voyeur no sótão, que tem como enredo um garoto que espiava a vizinha grávida. A mesma, sem saber o que fazer com o bebê, força o parto, quebra o pescoço da criança e despeja o corpo no sótão. Se eu contar mais eu estrago o conto, então fica por sua conta e risco descobrir o que acontece no final.

O que me atraiu nessa história foi que esse fato infelizmente é comum, quem não se lembra das reportagens sobre as mães que abandonavam recém nascidos no lixo ou os embalavam em sacos plásticos e os jogavam em lagos, por não saberem o que fazer com as crianças? Suehiro dá a dica em uma outra obra de sua autoria, essa foi sugerida pela leitora Carla – mulherada marcando presença, gostei de ver! -, chamada DDT: Como desenhar um bom mangá erótico. Use cenas do dia a dia.

 

Ultra Gash Inferno - Shit Soup p61

Agora, uma outra coisa que chama a atenção em Ero Guro é o forte contraste entre o estilo de desenho de Suehiro e o conteúdo de suas ilustrações. É um traço delicado e sutil, que lembra muito o das antigas pinturas japonesas feitas em blocos de madeira - o Ukiyo - e que retratavam um mundo etéreo com gueixas, samurais e elementos do teatro. No entanto, Suehiro retrata na verdade o Muzan - que é uma variante do Ukiyo - e que mostra cenas de atrocidades, mesmo porque a palavra Muzan significa crueldade ou sangue frio - e teve algumas de suas obras expostas num livro lançado no Japão em 1988, intitulado Ukiyo-e Sangrento, junto de Getsuoka e Tsukioka Yoshitoshi, artistas referência do gênero no século 19.

Uma outra forte característica de Maruo são as influências e referências à arte e à celebridades. O grande masturbador é o nome de um quadro do pintor surrealista Salvador Dali - sabe aquele quadro em que os relógios estão derretendo? Então, é dele. Uma Temporada no Inferno é o título de um livro escrito por Rimbaud e uma das personagens, na obra de Maruo, é descrita como uma pequena Audrey Hepburn.

Em Ero Guro os fetiches mais escatológicos e bizarros são usados. A humilhação e a Chuva Dourada – beber xixi - é o favorito de Suehiro, fora o fato de quase todos os personagens homens terem algum tipo de machucado ou algum curativo na região da cabeça. Pessoas deformadas, sexo com velhos decrépitos, lamber globos oculares, nadar em fossas, comer fezes, realizar amputações em geral… fora o estupro, violência e a insanidade; são algumas características e ações dos personagens de Maruo.

Pelo fato do traço ser muito delicado e sutil, não há uma quantidade grande de detalhes o que, eu acho, dá uma aliviada na carga geral do mangá. Mas te aviso que é um alívio quase mínimo, pois a sensação de incômodo permanece lá. Como eu já disse uns parágrafos acima, além do terror físico, você se sente incomodado e nauseado psicologicamente, seja com as situações de pressão psicológica, seja com a falta de sentido dentro da história. Como em Sopa de Merda em que, de uma Chuva Dourada dupla, os três personagens aparecem num vagão correndo por um trilho em direção a um precipício.

As obras de Maruo se encaixam na categoria Erótica e Grotesca, e vão te fazer pensar nelas por um bom tempo, mesmo você não querendo isso. Por isso, espere por cenas de sexo no mínimo bizarras. Ah sim, nessa história acima, eu li um relato do próprio Suehiro que me deixou no mínimo impressionada, e como eu sou uma autora que gosta de provocar os meus leitores lindos, vou postá-lo aqui pra vocês:

 

“Durante a minha infãncia eu tive a chance de provar merda. Claro que foi a minha. O poeta francês Jean Genet escreveu: “Sujeira detesta sujeira” Genioso. Quando eu era uma criança e queria ir ao banheiro, eu ia pra casa – mesmo se eu estivesse brincando na casa do vizinho. Mesmo agora, eu não consigo ir no banheiro da estação ou no banheiro do parque. Enfim, sobre o gosto daquela merda, é mais amarga do que fedida. Se você acha que eu estou mentido, prove você mesmo”

 

Ultra Gash Inferno - Raven of Oedipus p096

Ero Guro ganhou com louvor o Desafio Guro, espero que a minha escolha tenha agradado a todos e que essa idéia de desafio também tenha sido bem divertida, porque eu adorei. E fiquem espertos, a qualquer momento a segunda parte dos “Desafios Super Maneiros da Bia!” pode ter início!

 

Ero Guro

Autor: Suehiro Maruo

Páginas: 225

Nota: 10

 

Site Oficial do Autor  - só pra quem tem o programa que converte kanji.

Créditos das citações: 1 & 2


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