quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Avatar Voz do Além

Tá em maus lençóis? Avise no Facebook… (UPDATE)

 

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Redes sociais meio que estão se tornando um reflexo SÉRIO da vida das pessoas. Se antes a pessoa criava perfis nos MySpaces e Orkuts da vida somente pra colocar fotos e para que o perfil servisse como um ParPerfeito.com disfarçado, hoje essas redes assumem contornos muito mais interessantes. Até demais…

Na Austrália, duas garotinhas, uma de 12 e outra de dez anos, ficaram presas numa tubulação de água e, ao verem que a coisa ia ficar feia, resolveram pedir ajuda. Com um celular em mãos elas tiveram uma brilhante idéia: em vez de ligar pro similar do 190 da Terra dos Cangurus, elas resolveram postar que estavam na merda no Facebook. Um contato que tava online, viu a situação, resolveu ajudar e ligou pra emergência, o que basicamente só colocou ele como intermediário.

Os bombeiros foram guiados pelas vozes das meninas (não devem ter Facebook, coitados) e demoraram cerca de quatro horas pra encontra-las. No fim, eles ainda relataram que elas tiveram sorte, pois aqueles canos ficam cheios de água em minutos.

Apesar do final feliz, ficou claro que elas tiveram sorte, pois os contatos miguxos dela podiam estar se divertindo numa tarde de domingo (a treta ocorreu num domingo), no lugar de estarem online lendo sobre a vida dos outros no Facebook. Bons tempos em que se aprendia telefones de emergência aos cinco anos de idade…

PS: Tirando o Twitter, não vejo essa funcionalidade em outras redes sociais!

 

UPDATE: Como muita gente pediu pra saber como elas chegaram lá, e isso realmente faltou na matéria, aí vai a explicação: elas estavam passeando com amigos por uma região rural, e resolveram pegar um atalho pela tubulação pra chegarem primeiro que as amigas ao destino!

 

[Via cNet]

Up - Altas Aventuras

 

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É interessante analisar a trajetória da Pixar desde o começo, com Toy Story, até Up - Altas Aventuras. Antes ela fazia histórias de humor e aventura, com uma pitada de emoção, mas desde Wall-E isso se inverteu. Parece que o objetivo da Pixar agora é fazer histórias extremamente emotivas, com algumas pitadas de humor e aventura. E com este novo filme ela não decepciona (a mim pelo menos a Pixar nunca decepcionou).

Na história, Carl Fredricksen, um senhor de 78 anos, resolve realizar o sonho da vida dele: viajar para a América do Sul, levando junto a sua casa. Para isso, ele amarra vários balões no telhado e sai voando rumo à aventura. Porém, no meio da viagem ele descobre que tem um passageiro inesperado: o garoto Russel, de oito anos, que estava na varanda da casa quando esta decolou.

Eu achava que depois de Wall-E a Pixar não fosse mais conseguir emocionar tanto o público. Ledo engano. O filme já emociona logo no começo ao mostrar toda a vida de Carl, desde a infância quando conheceu sua amada Ellie, até o dia em que ela morreu. Toda a sequência que mostra a vida dos dois juntos é contada sem o uso de diálogos, fica tudo a cargo das belíssimas imagens que nos mostram tanto os momentos mais felizes (como o casamento), quanto os momentos tristes (quando descobrem que não podem ter filhos). A maneira como é contada a morte de Ellie, com uma referência ao dia em que os dois se conheceram, é de encher os olhos de lágrimas. Aliás, ainda me impressiona como os personagens conseguem passar tanta emoção mesmo sendo tão caricatos, afinal, nenhum deles têm as proporções exatas de um ser humano. Mas pra quem já tinha conseguido fazer isso com robôs, que não falavam mais de três palavras, deve ser fichinha fazer isso com humanos.

 

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E falando em personagens, eles estão carismáticos como sempre, a começar pelo velhinho Carl, que na versão nacional foi dublado pelo Chico Anysio. E pensar que alguns analistas da indústria do cinema chegaram a dizer que um desenho, com um velho como protagonista, nunca daria certo. Apesar de ser bem rabugento no começo da aventura, é impossível não gostar dele quando lembramos da sequência de abertura. Mas o outro protagonista, o garoto Russel, também não fica pra trás. Ele é um escoteiro que entra na história porque falta apenas uma medalha pra coleção dele, mas, para ganha-la, ele precisa ajudar um idoso. Russel nos é apresentado como uma típica criança de oito anos, que fala o tempo todo e está sempre em busca de aventuras. Em dado momento, Carl sugere que os dois brinquem de quem consegue ficar mais tempo calado e o menino diz que sua mãe também adora essa brincadeira.

E não posso deixar de citar a já habitual preocupação da Pixar com os detalhes das suas animações. Como a barba de Carl que vai crescendo conforme o tempo passa ou os machucados e a sujeira no rosto de Russel, que não desaparecem magicamente. São pequenas coisas, mas que fazem toda a diferença.

 

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Apesar do desenrolar da história já ser meio manjado (é um filme Disney/Pixar, então a gente sabe que tudo vai dar certo), ainda assim é um excelente filme para os que gostam de uma boa animação. Mas para aqueles que são fãs da Pixar, Up - Altas Aventuras é simplesmente obrigatório. E prepare-se para se emocionar.

PS: O filme possui cópias normais e em 3D. Eu assisti em 3D e achei que não faz falta nenhuma, não é como Coraline, onde o 3D ajuda a contar a história. Então fica a dica para quem não quiser pagar o absurdo que é o ingresso de filmes em três dimensões.

 

Up (EUA, 2009)

Diretores: Pete Docter e Bob Peterson

Duração: 96 min

Nota: 10

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Avatar Colaborador Nerd

Devil May Cry - O Anime

Por Murilo Andrade*

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Depois do sucesso das três edições do jogo Devil May Cry e de uma adaptação em mangá, era só uma questão de tempo até que lançassem a versão animada e Dante pudesse aterrorizar os demônios nas telinhas. Produzido pelo competente estúdio Mad House, responsável por sucessos como Death Note e Sakura Cardcarptor, o animê teve uma produção superior a muitos longas de animação, fato raro para um desenho feito para ser exibido na televisão. O esmero foi tão grande que os personagens respiram levemente e piscam o olho com naturalidade.

A trilha sonora de rock, com muitos solos de guitarra, casou-se perfeitamente às cenas matança do Dante. A dublagem, claro, ficou perfeita. Toshiyuki Morikawa, famoso por interpretar Narak em Inu Yasha, deu vida ao personagem com sua voz pesada. Depois ainda me perguntam porque prefiro assistir direto no japonês. É muito mais empolgante!

A trama do animê conta a história de Dante, dono de uma agência de exorcismo chamada Devil May Cry. Tirando o primeiro e os dois últimos, os episódios quase não tem continuidade, podendo ser assistidos fora de ordem. Misturando suspense, ação e doses casuais de humor vamos acompanhando os trabalhos de Dante. A pitada de humor vem das frases de efeito que Dante fala seu hábito pouco saudável de só consumir pizzas, seu gosto por sundaes de morango que contrasta imensamente com a sua postura máscula. E ainda tem o fato de viver sempre cheio de dívidas.

 

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O maior pecado de Devil May Cry é o fato de não ser recomendado para as pessoas que, como eu, não tiveram a oportunidade de jogar os jogos. Sem o conhecimento prévio da história contada nos games não se compreende referências, ligações de personagens ficam obscuras, e não se descobre a motivação de Dante para caçar demônios. Não fosse isso eu poderia apreciar um pouco melhor a obra. Por sorte, achei um belo artigo explicando tudo: Devil May Cry . Quem sabe quando lançarem o filme eles se lembrem dos novos fãs.

 

Devil May Cry: The Animated Series (Japão, 2007)

Nota: 7,5

 

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*Murilo Andrade é estudante, nerd, viciado em cultura japonesa e escreve no blog Humorragia

Avatar Dolphin

Chocolate

 

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Quando vi o vídeo do filme Chocolate, no Youtube, fiquei na seca para assisti-lo! Fã que sou do gênero “pancadaria gratuita” no melhor estilo Jackie Chan, o trailer parecia promissor, afinal, uma garota sentado a porrada em um monte de marmanjo é de lavar a alma!

A produção tailandesa trás a jovem atriz JeeJa Yanin como a protagonista Zen, uma menina que nasce com um problema mental, autismo. A história conta como Zen, mesmo vivendo em um mundo à parte, acaba por desenvolver habilidades incríveis apenas assistindo filmes de arte marciais e observando pela janela o treinamento dos alunos da academia de Muay Thai ao lado de sua casa.

O enredo que serve de pano de fundo para as acrobacias da personagem é bem inusitado! Zin, a mãe da garota, descobre que tem câncer e não tem o dinheiro para pagar o tratamento. Um belo dia seu filho adotivo Mon, encontra um caderno com anotações de pessoas que a devem e nunca pagaram. Ele então tem a brilhante idéia de cobrar essas dívidas e assim custear o tratamento. O que ele não sabe é que todos, sem exceção, são integrantes da máfia e nem de longe pensam em pagar. Sem entender tudo o que se passa, Zen só sabe de uma coisa: o dinheiro é para comprar os remédios para sua mãe! Daí pra frente são ótimas sequências de luta! A flexibilidade corporal da atriz é de dar inveja!

Usando os mesmos recursos consagrados por Jackie Chan - tudo no cenário é utilizável:  mesas, cadeiras, facas, muitas facas por sinal e tantas outras coisas! A cena em que Zen pula e cai com uma abertura de perna em 180º impressiona! Destaque para o uso dos famosos “gritinhos” típicos de filmes de artes marciais, aqui praticamente parodiados por uma Zen se divertindo horrores em fazer algum som cada vez que termina de dar uma surra em alguém!

Outra coisa que virou marca dos filmes de Jackie e que encontramos aqui são os erros de gravação nos créditos finais. A diferenca é que os erros em questão são na verdade os acidentes que aconteceram nas cenas de luta, alguns altamente graves, inclusive a atriz JeeJa Yanin ganhou grandes e doloridos hematomas… garota corajosa!

A história por si só não segura o filme, sendo muito mal desenvolvida e só serve mesmo para o que se propõe: servir de desculpa para as cenas de pancadaria. Mesmo o final um tanto “dramalhão mexicano” não serve de consolo para a falta de atenção dada ao enredo. Vale mesmo por todas as sequências de luta muito bem coreografadas e sem muitas repetições, as mais manjadas de longe foram as minhas preferidas, joelhadas na cara!

 

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Vocês devem está se perguntando porque diabos o filme se chama Chocolate! Explico. Desde pequena Zen é louca por comer aqueles confetes de chocolate no estilo M&M, ela devora tubos e tubos e ainda brinca com eles demonstrando parte das suas habilidades acrobáticas!

Para quem busca assim como eu um pouco de divertimento sem pretensões eu recomendo! Afinal, como eu disse acima, é de lavar a alma ver uma garota dando uns bons tabefes em machões metidos a malvados!

 

Chocolate (Malásia, 2008)

Diretor: Prachya Pinkaew

Duração: 110 min

Nota: 7,5

Superman: O Legado das Estrelas

 

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Quem é fã de quadrinhos de super-heróis sabe como é difícil encontrar boas histórias do Superman. O personagem é poderoso demais e às vezes parece que os roteiristas ficam meio sem saber o que fazer, não sabem como criar desafios para o herói, nem trabalhar sua mitologia. Felizmente, isso é válido mais para as séries mensais do herói (se bem que o Geoff Johns vem fazendo um excelente trabalho), já que em minisséries fora da cronologia o personagem geralmente tem boas histórias, como em All-Star Superman, de Grant Morrison. E foi uma dessas séries que chamou minha atenção recentemente: O Legado das Estrelas, escrita pelo roteirista Mark Waid (o mesmo do clássico O Reino do Amanhã) e ilustrada por Leinil Francis Yu. A história foi originalmente publicada em 12 partes, entre os anos 2003 e 2004, mas só agora tive a oportunidade de ler esta obra, em um encadernado lançado em 2006 pela Panini.

Nessa maxissérie, Mark Waid reconta a origem do homem de aço, trazendo de volta elementos clássicos do Superman pré-crise, que foram apagados por John Byrne na sua reformulação após Crise nas Infinitas Terras, em 1985. Entre esses elementos estão a amizade entre Clark Kent e Lex Luthor na adolescência, e o fato de Kal-El já ter poderes desde a infância. Além disso, na versão de Byrne, Krypton é mostrado como um planeta frio e sem emoções e o Superman quase não tem ligação afetiva com o planeta Já em Legado das Estrelas, Krypton alcançou a paz depois de vários anos de guerra, é mostrado quase como um paraíso perdido, e o Super vive querendo descobrir mais sobre sua herança.

A história começa mostrando o momento em que Jor-El e Lara enviam o pequeno Kal-El para a Terra, na esperança de que ele sobreviva após a destruição de Krypton. Antes de colocar o bebê na nave, Lara o enrola em um pano azul e vermelho, contendo a insígnia da família El, o S vermelho, além de colocar junto dele um livro contendo toda a história do planeta. Após o foguete cair em Smallville, a história dá um salto e vemos Clark Kent, com 25 anos de idade, na África para escrever uma matéria sobre um candidato ao senado que sonha com o dia que sua tribo não será mais escrava. E é em meio a alguns atentados e tragédias que o jovem Clark resolve que precisa dar um jeito de usar seus poderes para ajudar as pessoas, mas sem ser reconhecido.

Ele volta então para Smallville, onde cria o uniforme de Superman e o disfarce de rapaz tímido. Na origem contada por Byrne, Clark Kent era a verdadeira personalidade do herói e cheio de auto-confiança, bem diferente da proposta original de quando o personagem foi criado. Além de trazer de volta o Clark tímido e atrapalhado, Mark Waid mostra o porque dos óculos funcionarem como disfarce. É uma explicação meio besta, mas tudo bem.

A partir daí, vemos o azulão chegando em Metrópolis e tendo seu primeiro contato com Lois Lane, Jimmy Olsen e Perry White, além de se reencontrar com seu amigo de infância Lex Luthor. A história entre Luthor e Clark é contada através de flashbacks, que explicam o porque do vilão ser obcecado por extraterrestres. Na época do lançamento da série, lembro de ter visto gente reclamar alegando que a DC estaria colocando coisas do seriado Smallville só para atrair mais leitores. Mas a verdade é que a amizade entre Clark e Lex é algo da mitologia pré-crise, a única diferença é que o vilão era amigo do Superboy e não de Clark.

E por falar em retorno às origens, Mark Waid escreve um Superman um pouco mais violento do que estamos acostumados, lembrando que nas primeiras histórias do Homem de Aço, ele não tinha o menor pudor em espancar bandidos que não tinham poderes. Em uma determinada cena de Legado das Estrelas, o Superman atira na direção de um bandido e apanha a bala pouco antes dela acertar o rosto do sujeito, tudo para lhe mostrar como se sente uma pessoa que tem uma arma apontada bem na cara. É muito legal ver o Super agindo de forma diferente daquele escoteiro que estamos tão acostumados.

 

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É claro que boa parte da história se concentra na luta do Superman contra Lex Luthor que, na falta de super poderes, começa uma campanha para desacreditar o azulão. Para isso, o vilão cria uma máquina capaz de enxergar o passado de Krypton e passa a usar as imagens de guerreiros kryptonianos para dizer que a Terra está prestes a ser invadida. É claro que Luthor também usa a kryptonita contra o herói, afinal, não seria uma história do Superman se não tivesse a pedra verde. E o final é emocionante, dando a entender que Jor-El e Lara sabiam desde o início que tudo daria certo para o filho deles.

Legado das Estrelas não é uma história revolucionária, não chega aos pés de All Star Superman, mas agrada aos fãs de longa data do Superman, principalmente aqueles que, assim como eu, nunca gostaram das reformulações feitas pelo John Byrne. E pra quem nunca leu uma história sobre a origem do herói, essa pode ser um bom ponto de partida. Eu só senti falta mesmo foi da Fortaleza da Solidão. E é bom lembrar que, apesar de Legado das Estrelas não fazer parte da cronologia oficial do Superman, vários elementos mostrados na história estão voltando a fazer parte do universo do azulão. Geoff Johns tem escrito um Clark Kent tímido e a cidade engarrafada de Kandor voltou a aparecer na série mensal do herói. Além disso, a DC vai lançar uma nova origem do Homem de Aço, mostrando a sua juventude como Superboy e a amizade com Lex Luthor na adolescência, tudo com roteiros de Geoff Johns e desenhos de Gary Frank, na minha opinião o cara que nasceu pra desenhar o Superman.

 

Roteiro: Mark Waid

Arte: Leinil Francis Yu

Páginas: 300

Nota : 8,5

domingo, 6 de setembro de 2009

Avatar FiliPêra

Tatuagens que Eu faria…

 

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Ainda não tenho tatuagens pelo corpo, embora planeje fazer algumas em breve. Uma das primeiras coisas que me influenciaria na hora de escolher os desenho são justamente os games, especialmente os games Nintendo. Não sei se faria algo no estilo das fotos, com tatuagens fechando o braço inteiro (ou no pescoço), mas devo dizer que ficaram fodas…

 

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[Via EGW]

Avatar Voz do Além

Star Wars religion

 

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Que Star Wars e toda a mitologia da série (não vou dizer trilogia, ou sextologia) é uma religião, com toda a certeza. Eu mesmo tenho um amigo que conhece cada fotograma do filme e tem dúzias de cadernos com anotações de todos os detalhes que ele encontrou de todos os seis filmes da série, que ele assiste religiosamente todo bimestre.

Com essas coisas malucas em mente, os fuderosos do Worth 1000 colocaram como tema do seu clássico desafio a consolidação dessa afirmação, ao pedirem para inserirem personagens da saga em pinturas famosas com temas religiosos. O resultado é primoroso, como sempre. Também na galeria abaixo, outros seguidores da filosofia Jedi (ou Sith, vai saber) contribuem com suas artes…

 

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[Via io9]

Avatar FiliPêra

Preview da EDGE #04

 

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Não foi preciso muito esforço pra EDGE se tornar a melhor revista de videogame do Brasil e minha assinatura preferida (lamento Rolling Stone, era você). Fundamentalmente eles herdaram a qualidade extrema da versão inglesa da revista, o que não é pouco. Até coisas tradicionais e muitíssimo abundantes em qualquer veículo, como previews e reviews, são melhor trabalhados lá, ganhando visitas a estúdios e longas conversas com produtores. Eles também têm a capacidade única de ampliar certos conceitos parcos que temos de videogames. Uma matéria interessante que saiu no mês passado diz respeito ao crescente mercado de games indie, com produtores iniciantes conseguindo alguma grana e visibilidade… Parece simples, mas mostrado pelo ângulo certo fica uma maravilha de se ler.

E não só de textos primorosos, embasados e bem escritos vive a EDGE. A arte e a diagramação também são lindas, apesar de um tanto “carrancudas”, sem aquele espírito meio exagerado das revistas de game, como era o caso da EGM (possuo mas 50 EGMs aqui e era fã da publicação). As capas são um belo exemplo. Não são uma overdose de chamadas, manchetes, com desenhos ultra coloridos e um ar meio de arte moderna. Eles optam pelo caminho contrário da maioria, centralizando numa única imagem, e juntam as chamadas de modo bem organizado, como ficou claro NESSE post que fiz.

A edição desse mês trará uma análise exclusiva sobre a chegada - impactante, embora previsível - da chegada do PS3 Slim no mercado de videogames. O segundo destaque é No More Heroes 2, continuação de um dos jogos mais cults do Wii (e que está na minha lista de compras), típico produto do malucão Suda 51. Outras matérias possivelmente interessantes falam de ferramentas novas de desenvolvimento de jogos e novas evoluções nos gráficos dos games, fora um monte de previews na faixa, o que provavelmente você viu na capa.

Abaixo, duas páginas do início da matéria sobre No More Heroes 2.

 

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Uma dica antes de terminar o post: caso você goste de games, ASSINE a revista. É cara, mas vale muito a pena. Por mais poderosos que sejam os blogs hoje, me desculpem, mas eles não têm metade do alcance de uma EDGE da vida, e isso só é comprovado nas páginas da revista. Enquanto um Kotaku solta uma média de 60 posts em 24 horas, a EDGE escreve 100/150 páginas por mês… o que nos dá uma idéia de onde pode sair mais qualidade. Cada mídia é cada mídia, porém não troco uma excelente revista por 100 horas fuçando a internet.

 

[Via Blog da EDGE Brasil]

sábado, 5 de setembro de 2009

Avatar FiliPêra

Os Vingadores steampunk lembram bastante A Liga Extraordinária

 

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A Liga Extraordinária, mais uma obra prima de Alan Moore, é basicamente uma versão do autor dos grupos de heróis. Claro que no mojo ele jogou toneladas de referências a cultura britânica, e não ter lido uma pá de livros ingleses da Era Vitoriana, você perderá as melhores referências. Fora que aproveita de toda uma ambientação steampunk, isso numa época em que o estilo ainda não estava na moda.

E o artista Themico mostrou o quanto o estilo se emaranha no grupo de Moore, quando desenhou uma versão steampunk dos Vingadores. Ficou lindo, mas na hora pensei em marcianos invadindo a Terra.

 

[Via twittada do Rapadura Man]

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Avatar Voz do Além

Glaspost #8 - Os Senhores da Guerra

 

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“Os Cossacos são as melhores tropas apeadas que existem. Se eu os tivesse no meu exército, eu conseguiria conquistar todo o mundo com elas!”

Napoleão Bonaparte

Os Cossacos de Don não são da minha conta, e eles são livres de entrar em guerra ou viver em paz sem o meu conhecimento!

Ivan, o Terrível

Em 1812, a França, comandada pelo Imperador Napoleão, era a senhora da Europa. Já dominava completamente a parte Central e Ocidental do continente, sendo a única pedra no seu sapato a presença da Inglaterra, que teimosamente ainda não tinha caído. Vendo a impossibilidade de vence-los através de combates armados - ele tentou em 1805, mas foi derrotado pela Marinha Inglesa, no que ficou conhecida como Batalha de Trafalgar - Napoleão optou por sufoca-los, instituindo o Bloqueio Continental. A idéia era impedir que todos os países do continente vendessem ou comprassem da Inglaterra, o que enfraqueceria os ingleses a médio prazo e os faria cair como ameixas maduras.

Os russos desobedeceram - em parte porque precisavam de dinheiro, e praticamente só tinham a Inglaterra como aliado, já que o resto da Europa estava nas mãos de Napoleão - e entraram na lista negra dos franceses. Pouco tempo depois, mais precisamente no dia 24 de junho de 1812, os franceses atacaram. E sem qualquer aviso formal, ou declaração de guerra (os alemães repetiriam a dose em 1941, mas não se engane, Stalin sabia de tudo, como veremos num futuro Glaspost). A idéia era dupla: punir exemplarmente os russos e conquistar definitivamente a Europa Oriental, que ainda não tinha recebido a devida atenção do Império Napoleônico. Para isso Napoleão reuniu cerca de 610 mil combatentes, e 1.420 peças de artilharia, além de 70 mil reservas. Parecia perfeito...

O gigantesco território russo se mostraria maléfico para os planos defensivos de Alexandre I. Suas tropas, de aproximadamente 900 mil homens, estavam espalhados por todo o país, e ainda careciam de treinamento adequado. O máximo com que os russos poderiam contar no momento eram os três exércitos próximos a fronteira, que possuíam cerca de 250 mil homens ao todo. O problema era que suas forças armadas eram mal treinadas, mal alimentadas e mal equipadas. Por causa dessas deficiências os russos usaram a estratégia da Terra Arrasada - que consistia em recuar e destruir tudo que ficasse pra trás -, aliada a uma convocação geral para as suas forças militares e as milícias policiais.

A fraqueza russa entretanto se mostrou forte. O gigantesco exército de Napoleão não havia lutado uma grande batalha sequer quando havia adentrado centenas de quilômetros no território do império, e estava na altura da Bielorrússia... mas já tinha perdido um terço do seu efetivo, graças a fome, deserções em massa e cansaço. O momento era decisivo para os invasores, pois continuar significava ficar cada vez mais longe da segurança da fronteira - que, no momento era o único lugar que tinha comida - e de qualquer linha de suprimento do exército russo, que recuava cada vez.

Em setembro, na aldeia de Borodino, a cerca de 150 Km de Moscou, tem início uma das maiores batalhas de todas as guerras napoleônicas. Foram cerca de 19 horas de conflito com 66 mil mortos pro lado russo e 58 para o lado dos franceses - sendo que ambos possuíam, no momento do ataque, cerca de 140 mil homens. Após essa derrota, os russos fazem o impensável: decidem tirar o povo de Moscou e entrega-la sem resistência. Napoleão esperou uma declaração derrota, ou uma rendição formal por parte dos russos. Para desespero dele, isso não ocorreu. Ele não tinha mais para onde ir, ou o que fazer. A Rússia era gigantesca demais para ele tentar domina-la completamente, e as tropas russas estavam extremamente espalhadas pelo país, o que sempre evitava combates definitivos. Somava-se a isso as condições de seus próprios exércitos, em estado lastimável, com moral em baixa e suprimentos escassos.

A decisão de Napoleão foi de voltar para França no dia 19 de outubro, vitorioso, mas completamente derrotado, após cinco semanas acampado em Moscou. Daí o inverno começou, e a temperatura iniciou uma queda abrupta. E abruptamente na Rússia significa 26ºC negativos (e continuava baixando), o que ajudou a ceifar milhares de vidas sem qualquer necessidade de combate. Vários soldados nem se davam mais ao trabalho de andar, se estirando no chão e esperando o congelamento. Outros acabavam se queimando ao se jogar em cima de fogueiras na tentativa de se aquecerem.

Foi nessa hora que os russos empregaram sua arma mais mortal: os cossacos, sob o comando de Matvey Ivanovich Platov. A essa altura, os franceses, na tentativa de sobreviverem, já estavam deixando para trás o equipamento militar, assim como todos os saques que tinham feito. Isso ajudou muito os cossacos, que não atacavam em grandes bandos ou formações, mas partiam para combates individuais, de corpo a corpo, utilizando baionetas e floretes ao invés de armas de fogo. O efeito foi ainda pior do que o de um ataque russo de grandes proporções. Ao atacar com suas pequenas tropas - que não passavam de guerrilhas, mas eram muito bem treinadas, além de aguerridas e violentas - o terror se espalhou ainda mais no já despedaçado exército francês. O medo de serem atacados a noite e esquartejados pelas baionetas cossacas, levou as tropas napoleônicas a consumir desordenadamente as suas já parcas provisões, além de aumentar o número de deserções (mesmo que a última opção fosse praticamente sinônimo de morte).

No dia 14 de dezembro acabou o inferno - ironicamente um inferno de -38ºC - para Napoleão e seus comandados. Foram 600 mil franceses mortos contra 250 mil russos. Somente 10 mil franceses sobreviveram.

 

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Sem os cossacos a volta para casa dos franceses seria um pouco mais tranquila. Eles conheciam o terreno, se moviam velozmente a cavalo e sabiam utilizar muito bem a neblina e a noite. Já as tropas de Napoleão eram alvos fáceis a essa altura: utilizavam sempre fogueiras para iluminarem acampamentos e se aquecerem, o que chamava bastante atenção, e não estavam com praticamente  nenhuma capacidade de lutar.

Os cossacos são meio como os espartanos, e vêem na guerra uma forma de se libertar. Seu estilo rápido, baseado na mobilidade e na cavalaria tem muita similaridade com a força devastadora dos mongóis, que conquistaram o maior império que o mundo já conheceu. Mas eles tinham uma grande vantagem sobre o estilo mongol de fazer guerra, e uma diferença para os espartanos, que baseavam sua força na unidade de suas tropas: eles são excelentes no combate corpo-a-corpo e muitas vezes nem armas usam.

Cossaco vem de kazak, que significa "aventureiro", ou "homem livre". Seu local de surgimento são as estepes (planícies) do sudoeste europeu, principalmente no oeste ucraniano e o sul da Rússia. Lá eles se estabeleceram por ser uma região vasta e bastante aberta, o que facilitava muito a fuga, já que todos os cossacos são descendentes de foragidos de feudos da Polônia e de Moscou, que comandavam regiões próximas, ainda na Idade Média.

Os primeiros relatos que contém efetivamente referências ao povo cossaco datam de 1444, e basicamente se referia as comunidades que se uniram para se defenderem dos tártaros, que estavam à serviço do Império Russo e buscavam anexar aquelas terras. À época, os cossacos eram uma federação de povos sem governo, cultura, ou identidades em comum. As sucessivas guerras e tentativas de vence-los acabou unindo-os, e criando uma identidade que jamais se extinguiria.

Na altura do século XVI, eles mais ou menos se dividiram em dois grupos: os cossacos de Zaporizhia e os cossacos do Don, que até hoje são o grupo mais importante de cossacos. Seus territórios eram praticamente unidos, mas eles acabaram se dividindo por causa da separação imperial da época. Um grupo ficou no Império Russo, e o outro na República das Duas Nações, que mais tarde viria a ser a Polônia, a Lituânia, e parte da Ucrânia. E embora, teoricamente estivessem em estados distintos, os Cossacos do Don e os Zaporizhia, ainda faziam ações em conjunto, como a pilhagem de países vassalos do Império Otomano, que não era aliado de nenhum dos dois estados a qual os cossacos pertenciam. Vários lugares sofreram com a pirataria deles, chegando ao cúmulo de pilhar e destruir diversas cidades ao redor de Istambul, a capital dos turcos..

Nessa época os cossacos também começaram outra de suas vocações: prestaram serviços de mercenários, o que muitos os beneficiou, já que três estados vizinhos - Rússia, Império Otomano e República das Duas Nações - tentavam a todo custo se aproveitar da vocação naturalmente belicista deles. O primeiro cliente foi o Império de Habsburgo, que era inimigo dos Otomanos, o que leva a certas teorias sobre o fato dos Cossacos serem inimigos dos Otomanos em qualquer escala, o que independe de benefícios financeiros, estando provavelmente mais ligado à questões religiosas, já que eles eram ortodoxos e os otomanos islâmicos.

Em meados do século XVI, as relações entre a República das Duas Nações, que tinha feito um acordo e integrado parte dos cossacos do seu território ao seu exército, e os Otomanos se deterioraram, e as pilhagens cossacas não ajudavam em nada. Eles não tinham limites, e entravam no território turco ao seu bel-prazer. O governo das Duas Nações estava com um problemão nas mãos: tinha os cossacos integrados ao seu exército, o que tornava as pilhagens como "atos oficiais" deles.

Os otomanos responderam, usando outro dos povos belicosos da região: os tártaros. Eles adentraram pelo sul, que não tinha presença cossaca, o que o tornava mais fraco. Mas os tártaros não conseguiram empreender uma campanha tão vitoriosa quanto os cossacos, que chegaram tão perto da capital dos Otomanos, tanto que em 1615 o sultão teve que fugir do seu palácio para tirar o dele da reta.

 

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Anos depois as duas nações esboçaram acordos de paz, que não passaram de medidas cosméticas, já que os dois povos que eles empregavam estavam fora de controle, e transformaram o lado sudeste da República das Duas Nações em um palco de guerra... incontrolável. Entretanto, a classe nobre das Duas Nações, aproveitando desse momento de esforços militares intensos, tentou tornar os cossacos escravos feudais.

Juntando isso ao fato desse povo ter existido justamente por estar fugindo de senhores feudais, não é difícil imaginar porque os cossacos logo se tornaram revoltosos para com os Polacos-Lituanos. Eles não queria independência, mas unicamente serem reconhecidos como iguais, o que sempre era rejeitado pela nobreza. Ajudava o fato deles serem Ortodoxos, e a República das Duas Nações ser oficialmente católica, o que trouxe a guerra a um campo onde não havia retorno.

A revolta cossaca, que teve seu ápice em 1648, trouxe consequências graves para as bases da República das Duas Nações. Basicamente essa revolta, conhecida como Revolta de Chmelnicki, foi a semente para a dissolução da histórica aliança entre poloneses e lituanos, que ocorreria definitivamente cerca de cem anos mais tarde.

O governo russo, se aproveitou do momento, e em 1654 fez um acordo formal com eles, conseguindo lealdade em troca do reconhecimento de total autonomia. De início foram organizadas duas repúblicas independentes de cossacos, mas ao longo do tempo elas foram perdendo autonomia e foram formalmente anexadas a Ucrânia e a Moldávia. Muitos deles saíram dos territórios conflitosos da Europa Oriental e foram para Kuban, no Caúcaso. Após uma série de problemas de ordem política, o que incluiu até mesmo uma pequena cisão na comunidade cossaca, eles foram anexados oficialmente ao exército russo, onde se juntariam aos seus eternos e sangrentos inimigos: os tártaros.

Por esse motivo eles se espalharam pelos vastos territórios imperiais, se juntando a tribos tártaras ou indo pra Sibéria, principalmente em regiões próximas do Lago Baikal, nos montes Urais, e no Extremo Oriente, próximos da Mongólia e China.

Os russos exploraram ao máximo as capacidades militares dos cossacos, que à época eram 4,5 milhões, e isso não poderia ser diferente. Eles sabiamente os empregaram no que eles sabiam fazer melhor, que eram missões de reconhecimento, ou assassinato. Cossacos eram indisciplinados para os padrões russos, e não tinham utilidade integrados ao exército regular, de modo que eram como guerrilheiros à espera do inimigo; um jacaré do pântano esperando uma presa, e totalmente alheio às vontades de seu amestrador. Eles raramente usavam armas de fogo, e gostavam de aproveitar o terreno ao seu favor. Quando não possuíam essas vantagens, montavam em cavalos e aterrorizavam, geralmente a noite e sob a neve.

A opiniões dos chefes militares russos sobre os cossacos eram ambíguas. Eles eram indispensáveis, pois defendiam as fronteiras do Império ao menor sinal de ataque (tanto que tinham, em troca de isenção de impostos, que servir militarmente por 20 anos), mas, ao mesmo tempo, eram taxados de indisciplinados, pois não aceitavam integrar as tropas russas.

 

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Cossaco do Extremo Oriente russo

Em 1917 houve o baque da Revolução Socialista. Cada comunidade cossaca decidiu por si só aderir ou não aos Bolcheviques. E a maioria fez isso, de início por simples insatisfação com o governo de Nicolau II. Na Guerra Civil que se seguiu a Revolução, houveram cossacos dos dois lados.

Como todos sabem, os Vermelhos ganharam e o Comunismo começou a ser instaurado na Rússia. Os integrantes do Partido fizeram com os cossacos o mesmo que fizeram com inúmeros outros povos tradicionais do seu território: os massificaram, espalhando-os pelo país e enchendo o território deles de russos e ucranianos vindos de todos os lados (coloque no processo, uns 500 mil mortos que não queriam colaborar). Embora aproveitados nas unidades militares, o Exército Vermelho não possuía unidades cossacas, para evitar problemas, ou que idéias anti-revolucionárias passassem pela cabeça deles.

A II Guerra Mundial levou os russos a bambearem e estenderem a mão aos cossacos de novo. Foram criados destacamentos deles, que eram utilizados nas missões mais suicidas possíveis, como incendiar tanques de combustíveis alemães durante a Batalha de Stalingrado. Os cossacos não levavam praticamente nenhum suprimento, viajando leves, comendo grama e bebendo água de neve derretida. A baioneta deles era temida até mais que prisões siberianas, e os melhores relatos sobre a atuação deles na II Guerra foi do Capitão Seckeet, que era comandantes da I Companhia de Infantaria Alemã.

A unidade de Seckeet foi uma das primeiras a enfrentar os cossacos, ainda na cidade de Brest-Litovski, perto da fronteira com a Polônia. À essa altura a inteligência alemã já achava que sabia tudo à respeito das tropas russas, visto as vitórias iniciais arrasadoras, mas logo viram as baixas subiram de 20% por ataque, para 78%, apenas com a chegada deles, que gostavam de atrair alemães incautos para lugares afastados e os dilaceravam com baionetas, logo depois amarrando os corpos a cavalos e os incendiando. Tal poder de "propaganda", que obrigava os alemães verem desfiles de soldados esquartejados em chamas, causou forte impacto no moral e na coragem das tropas da Wehrmacht, o que somado ao frio intenso, logo começaram a se lembrar de Napoleão e sua mal-sucedida invasão a Rússia, há pouco mais de um século antes.

O sangrento serviço de contra-espionagem soviético, a SMERSH (um acrônimo para "Morte aos Espiões", em russo)  também era recheado de cossacos. Tal manobra era acertada, visto que eles não tinham qualquer ligação com nenhum povo da União Soviética, e não hesitariam em mandar uma bala na cabeça de qualquer um com idéias anti-soviéticas. Segundo relatos de Alexander Soljenítsin, em seu livro Arquipélago Gulag, os métodos empregados por cossacos para torturarem, eram os com melhor eficácia. Diversos sargentos que não tinham mais que 20 anos foram responsáveis pela destruição da carreira de diversos generais graduados, embora o destino deles no pós-guerra tenha sido igualmente sangrento, afinal os matadores não sobrevivem muito tempo na Rússia, a não ser que estejam no topo da pirâmide.

Destacamentos cossacos também lutaram ao lado dos alemães, e essa tropa era formada basicamente por antigos aliados do Exército Branco, que lutou contra o Exército Vermelho na Guerra Civil russa. A principal unidade a ir contra os seus próprios era o XV Corpo de Cavalaria Cossaco, que estava sob comando alemão. Essa unidade conseguiu fugir do território soviético e se entregou aos britânicos na Áustria, no fim da Guerra, em 1945. Os soviéticos, por sua vez, não gostaram da manobra, e destacaram o General Fillip Golikov - saído das fileiras do SMERSH, e posteriormente chefe da GRU, o serviço secreto militar soviético - para repatriar todos os fujões.

 

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Após uma série de acordo com os britânicos (lembre-se, não confie neles), cerca de 40 mil cossacos traidores foram trazidos de volta a URSS, indo direto para campos prisionais siberianos (em breve um Glaspost somente com eles) ou direto para o fuzilamento.

Com o fim da II Grande Guerra - a qual a Parada da Vitória, realizada no dia 24 de junho, contou com o desfile do destacamento cossaco mais importante: uma unidade secreta dos sabotadores e cortadores de gargantas da Spetsnaz - o governo comunista mais uma vez se esforçou para dissolver aldeias cossacas e os diminuir como povo independente. O resultado disso foram inúmeras correntes migratórias, e o deslocamento deles para regiões mais tranquilas, como as terras próximas as três repúblicas bálticas: Estônia, Letônia e Lituânia.

Com a subida ao poder de Gorbachev, os cossacos ganharam, em 88, o direito de formarem comunidades novamente. Com a dissolução da URSS, eles voltaram a velha tradição da guerra, participando de conflitos regionais, como o da Bósnia, o da Geórgia, o de Kosovo e o da Chechênia, sempre do lado dos russos.

Em 2005, Vladmir Putin publicamente divulga uma nota que reconhece formalmente a contribuição cossaca a formação da Rússia, bem como suas habilidades militares e sua rica cultura. Além disso, é reconhecidamente público que comunidades cossacas - como Rostov, Starvoprol e Krasnodar - têm baixíssimas taxas de criminalidade, além de altas taxas de leitura (isso na Rússia, que tem uma das taxas de leitura livros/habitante mais altas do mundo). Na Ucrânia, país basicamente fundado por cossacos, a cultura está ainda mais ligada ao estilo cossaco de ser. Tanto que até mesmo o governo apóia que se ligue a cultura do país com a dos Senhores da Guerra (apelido meu).

Abaixo está um vídeo com cinco minutos da famosa dança cossaca, assim como uma galeria de imagens!

 

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Tais fatos só demonstram a força de um dos povos menos mutáveis do mundo, que resistiu a mais de quatro séculos de guerra, tentativas de escravização e de dizimação. Fora que ainda por cima mantém sua cultura praticamente intacta, fato raríssimo no mundo culturalmente pastoso da atualidade... além de sua temida pré-disposição para embates sangrentos, como bem prova seu ainda envolvimento em conflitos no seu teatro de guerra: a Europa!

 

[Com informações da Wikipédia e da Enciclopédia Ucraniana]


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