terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Avatar Voz do Além

Rússia vai instalar bases no Mar Negro

 

misseis_russos

Quando Boris Iéltsin colocou Vladmir Putin como primeiro-ministro e chefe da campanha na então Guerra da Chechênia, não sabia que estava balançando o pêndulo geopolítico decisivamente para o lado russo. Hoje, os russos podem não ter nem um terço do poder e influência da antiga URSS, mas,agora, têm bem mais do que tinham no período de bebida e (des)governo do fanfarrão Boris Iéltsin, que já chegou a cair de bêbado várias vezes em comícios.

Boa parte disso é graças a Vladmir Putin. Ex-agente da KGB e chefe do FSB, sucessor da poderosa e temida agência de espionagem soviética, ele deu um passo atrás para dar dois á frente no seu governo. Enquanto a recém conquistada democracia russa voltou a descer pelo ralo (a eleição que colocou Iéltsin no poder foi a primeira da história milenar russa), com Putin se revelando tão amante do poder quanto um Stalin ou Brejnev, a economia do país se elevou. E junto com ela, os gastos militares aumentaram mais de dez vezes, colocando o país novamente no mapa das superpotências.

Mas, até esses momentos, tudo não passava de jogadas políticas, até que a Guerra Rússia-Geórgia estourou. Aí Putin mostrou que podia ser um inimigo a altura, não só no campo diplomático e da espionagem, mas também no campo militar efetivo. Principalmente com os EUA tentando se desatolar de duas guerras infrutíferas, como a do Afeganistão e do Iraque.

Com o fim da guerra, a coisa voltou para o campo da diplomacia. No momento em que dobrou a Geórgia, Putin (acho que não preciso citar o nome de Dmitry Medvedev aqui) deu um passo ainda mais largo nos planos de expansão das áreas de influência do seu país. Ele reconheceu as regiões separatistas da Abkhazia e da Ossétia do Sul como regiões independentes, o que lhes deixa atropelar o governo georgiano, que está clamando ajuda aos EUA, com a qual firmou um acordo de colaboração estratégica; e negociar diretamente com o governo dessas repúblicas.

E essa liberdade deu poder ao governo russo para poder instalar bases na região, auxiliados pelo seu receptivo governo, pronto para dar uns chutes no governo georgiano, que sempre tentou tapar o sol com a peneira na questão dos separatistas (em 1994, a Geórgia entrou na Comunidade dos Estados Independentes, a CEI, em troca de ajuda russa para combater separatistas). Seriam instaladas bases navais e da força aérea, mas nada impede que uns mísseis possam chegar ao local, para assombro do presidente da Geórgia e de Sarkozy e cia. Tudo ocorreria nos moldes da base de Sevastopol, que a Rússia possui na Ucrânia, mas coma diferença que não ocorreria pagamentos anuais.

A OTAN logo ficou preocupada com esses desdobramentos, olhando futuros movimentos por parte do Kremlin, com o intuito de desestabilizar a região leste-europeu. Mas, no fim das contas, não pode fazer nada. Seria arriscado demais (além de burrice) se lançar ferrenhamente em proteger um paíseco corrupto como a Geórgia. E ainda mais para se lançar em uma desgastante queda de braço com a Rússia, que pode estar enfraquecido com a queda no preço do petróleo, mas está longe de ser um adversário fácil.

 

[Via Danger Room]

2 Comentaram...

MPauloS disse...

Russos....esses caras me dão medo.

Heimdallr disse...

Sinceramente eu não ficaria surpreso se muito em breve houver uma gerra em larga escala. Talvez entre uma potência e um(uns) país(es) pequeno(s), ou mesmo entre potências. A história já mostrou inúmeras vezes que a indústria bélica é um ótimo escape em tempos de crise (aliás, essa nossa crise ridícula que ocorreu sem mais nem menos, quer dizer, sem falta de matéria-prima, meios de produção, mão-de-obra, guerra, catástrofe natural, epidemias nem pragar agrícolas que a justifique...). Motivos não faltam para uma boa guerra: oriente médio, Índia, disputas no leste europeu, o petróleo do ártico... e a boa e velha Rússia está buscando (babando por) um motivo. E olha que nós poderíamos ter esperado isso antes, com o "George-All-Mighty-War-Lord-Oil-Drunk-Bloody-Bush II" no poder da máquina de viúvas chamada USA. O novo presidente me parece (precocemente, admito) mais pacato, querendo andar na contra mão de seu antecessor, mas será que Putin, com sua bagaceira nuclear irá deixar?

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