quinta-feira, 10 de março de 2011

Avatar José Renato

Dead Space 2

 

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É fácil saber o que esperar de uma sequência quando o original é uma obra boa, porém com potencial para ser melhor. Veja Bioshock, por exemplo. O original é um ótimo jogo de tiro, porém com alguns problemas em termos de história e jogabilidade. Removendo um detalhe ali, adicionando um detalhe aqui, refinando um aspecto acolá, temos Bioshock 2, que melhorou o original em praticamente todos os sentidos. Mas o que esperar da sequência de um game que já faz parte da minha lista de “melhores games EVER vindos de Odin para agraciar a humanidade”?

O primeiro trimestre de 2011 está sendo cruel comigo nesse sentido. Até março, temos três sequências de jogos que considero ser os melhores em seus respectivos gêneros. Em março, Crysis 2 e Dragon Age II (tá, Crysis não é o melhor FPS, mas a Valve parece ter esquecido de nós, fãs de Half-Life 2). Tenho razões suficientes para gritar “Ahhhhh vão acabar com minha franquia favorita!” ao ver termos como “jogabilidade simplificada”, “aumentar as audiências”, “lançamento para PS3 e Xbox 360”, e então quando a sequência é de um jogo tão bom, sempre espero ter que ignorar a sequência de tão piorada que ela poderia ser.

O outro game é Dead Space 2, e este já foi lançado em janeiro. Fico feliz em informar que o jogo que está lá na minha lista ainda está aqui, e continua fantástico, mas como eu esperava, é levemente inferior ao original. Vejamos porquê.

HISTÓRIA

É aqui a maior parte dos problemas com Dead Space 2. No sublime final do primeiro game, o engenheiro de sistemas Isaac Clarke estava, em palavras claras: fodido e mal-pago. Depois de passar por 15 horas de jogo só se ferrando, ele descobre que sua namorada estava morta o tempo inteiro, e ele passou todo esse tempo alucinando a sua presença na nave Ishimura, e fazendo o que a entidade alienígena queria. Acabava sem o jogador conseguir saber se Isaac tinha sobrevivido ou não. Mas agora tem um 2, então, bleh.

 

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Três anos se passaram, e agora Isaac se encontra numa estação espacial orbitando Saturno, chamada Titan Station (ou Sprawl para os mais íntimos). Isaac não se lembra de nada desses três anos (conveniente né?) tirando o fato de que ele está num sanatório amarrado por uma camisa de força porquê vê sua namorada morta em todo lugar, e ela ainda quer que eles “se façam inteiros de novo”. Claro, Isaac acorda com um cara perdendo a pele do rosto enquanto se transforma em um necromorph, e tudo já foi pro saco, porquê Isaac é um cara com uma sorte tão legal que Murphy teria medo dele.

Uma invasão de necromorphs já tomou conta da estação inteira, e aparentemente foi porquê convenientemente (e estupidamente, diga-se de passagem) o chefão da estação construiu outro Marker. A missão de Isaac se torna então destruir esse novo Marker e dar o fora desse lugar. E é aqui que meu problema está. Simplesmente, é muito forçado. Quer dizer então que a EA pode simplesmente fazer alguém sequestrar o Isaac e fazer mais Markers até o Dead Space 26? Poderiam ter feito alguma outra história com outro personagem, assim não afetavam o final ótimo do primeiro game.

 

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Mas não é de todo ruim. O outro lado que a Visceral Games procura puxar é a culpa que Isaac sente por ter encorajado a namorada a ir trabalhar na Ishimura, e todas as aparições dela durante o jogo fazem Isaac tentar se matar, ou mostram Nicole coberta de sangue e dizendo que é tudo culpa sua e que Isaac não vai aguentar a dor e mimimimi. É bem interessante porquê quando Isaac encontra outros sobreviventes, ele bota uma fachada de machão que vai tirar todo mundo dali, e depois sozinho a Nicole aparece e joga a culpa na cara dele de novo.

Falando em cara dele, agora ele tem uma que aparece o tempo inteiro, e também tem uma voz e personalidade. O problema é que poderiam ter colocado o Sam Worthington do Avatar pra fazer a voz do cara que ia dar na mesma. E isso não é um elogio. Transformaram o Isaac no “herói de ação genérico número 2089”. Mas as cenas com a namorada dele provavelmente não teriam o mesmo impacto se Isaac não falasse nada, então a adição de uma voz é algo bom e algo ruim ao mesmo tempo.

 

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A única coisa que realmente sinto que devo detalhar (um pouco fora do âmbito da resenha) é a falta de sorte de Isaac. É impressionante. Não que ele seja lá muito esperto também, mas a maior parte dos problemas dele vem de falta de sorte. Chega ao cúmulo no décimo capítulo, quando numa determinada fase Isaac está num trem e a outra sobrevivente diz “os monstros estão invadindo pela enfermaria, ainda bem que você não terá que passar por lá” apenas para que o computador diga “falha crítica, agora chegando na enfermaria”. Isaac apenas responde “Fuck”. Minha exata reação.

GRÁFICOS

Essa é uma parte que não dá pra dizer que não melhorou. Ainda é a mesma engine, e a princípio parece igual. Mas depois de um tempo é bem nítido que tudo ficou melhor. Aquelas texturas borradas que existiam no original ainda estão aqui, mas em bem menor quantidade. Iluminação em particular teve uma melhoria drástica, e as sombras também são de maior resolução, então minimiza aquelas bordas estranhas que sombras normalmente tem. No geral, o jogo parece mais fluido, e a variedade de cenários também é bem maior, e não fica só no corredor industrial cinza.

 

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Em termos técnicos, tudo que se espera de uma engine moderna, a Visceral Engine tem. Efeitos de física foram bastante melhorados, e itens não saem mais voando só de você encostar neles. O próprio Isaac e a animação dos modelos de personagens e monstros estão mais detalhadas, e claro, a Visceral Games fez questão de aumentar o fator “gore”. Esse game é tão violento que sua campanha publicitária focava exatamente nisso, com o slogan “Sua mãe vai odiar Dead Space 2”. É, carne moída ainda tá em alta.

SOM

A qualidade do design de som ainda é ótima, e segue a filosofia “não mexe em time que tá ganhando”. Os necromorphs basicamente fazem os mesmos gritos que faziam no primeiro game, e os novos tipos de necros têm uns sons bem tensos também. O senso de atmosfera que o som passa no jogo também continua perfeito. A grande nova adição é a voz do Isaac e a mudança de voz da Nicole. No geral, a atuação de voz é bem feita, e o cara que dá sua voz ao Isaac faz seu papel bem... é que o seu papel é totalmente genérico.

Uma das coisas que eu mais gostava no áudio do primeiro game era a diferença entre os ambientes normais e os ambientes no vácuo, nos quais você ouvia tudo que acontecia do lado de fora da armadura abafado, e tudo que acontecia dentro da armadura amplificado. Esta parte continua intacta na sequência. No geral, o áudio continua excelente.

JOGABILIDADE

Bom, sejamos francos. O jogo poderia ser sobre qualquer coisa e sua história totalmente desconexa com os eventos do primeiro game. Mas mantendo a essência do sistema de tiro, câmera, e o desmembramento que são peças necessárias do original, Dead Space 2 ainda merece ser considerado um dos melhores jogos de tiro em terceira pessoa já feitos.

 

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Note que digo “jogo de tiro em terceira pessoa” e não jogo de terror. O jogo ainda funciona da mesma maneira que o primeiro, mas isso não quer dizer que alterações não tenham sido feitas. Você ainda irá controlar Isaac por uma perspectiva por cima dos ombros, usar uma arma que normalmente é um instrumento de corte de metal ou algo usado por engenheiros, e arrancar os braços, pernas, tentáculos ou qualquer coisa que saia do corpo dos monstros bizarros que infestaram o lugar. A grande diferença só dá mesmo pra ser notada quando você volta para jogar o primeiro Dead Space novamente, e percebe que TUDO se move mais rápido. Você mira mais rápido, Isaac anda e vira mais rápido, os monstros são todos mais inteligentes e correm mais. Como consequência, um pouco da atmosfera de terror é misturada com essa ação e diluída.

Não que isso atrapalhe tanto assim. Usar as diferentes armas para desmembrar os diferentes tipos de monstros ainda é um prazer que poucos outros jogos oferecem. Novas armas e novos tipos de monstros ajudam a diferenciar a sequência, apesar de removerem um pouco o senso de que Isaac é um engenheiro e não um soldado. Novas armas incluem um fuzil de precisão, uma arma que atira estacas (tsc tsc, ripando Painkiller de novo, EA?) e um lançador de minas de proximidade. As armas que retornam do primeiro game voltam com novas funcionalidades (o Pulse Rifle atira granadas com o fogo secundário, por exemplo). Kinesis agora deixa você arrancar as lanças dos braços dos inimigos e empalar eles na parede com seus próprios membros. E os novos monstros são rápidos, arrancam bastante da sua vida, e portanto tornam o jogo um pouco mais difícil e portanto mais legal. Em certas áreas onde a estação tem janelas frágeis, Isaac pode atirar nelas e quebra-las, fazendo tudo na sala ser sugado para o vácuo do espaço, incluindo o próprio Isaac caso você não acerte o pequeno botão que fecha as comportas, o que é uma adição interessante para a estratégia.

 

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Esses inimigos são ainda mais bizarros que os originais. Estes incluem nenês explosivos, criancinhas com garras que são fáceis de matar, porém vêm em massa tentar arrancar todos os membros de Isaac, um tipo de lagarto estranho que corre em sua direção e te atinge com a força de uma explosão. Uma mudança legal feita com os inimigos é que você sempre sabia quando um inimigo morreu no primeiro game se ele tivesse deixado um item cair. No 2, você precisa causar dano nele depois de morto pra que o item caia, fazendo mais sustos poderem acontecer, já que o jogo encoraja a ir lá até o monstro e dar o monstruoso pisão do Isaac, possibilitando assim bons sustos nos jogadores menos atentos.

Algumas outras mudanças foram feitas nas seções em gravidade zero. No primeiro game, você só podia pular de uma superfície pra outra, causando uma desorientação bem legal, porém um pouco limitante, já que você não podia pular pra qualquer superfície. Dead Space 2 faz a armadura de Isaac ter jetpacks que permitem que ele flutue em gravidade zero com controle total, o que abre mais possibilidades de exploração, inclusive durante combate. E caso não goste da sensação de desnorteio, você pode sempre apertar uma tecla para direcionar Isaac automaticamente para a superfície pousável mais próxima.

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Outra coisa mudada pra muito melhor foi o sistema de New Game +. No primeiro game, você podia começar um novo jogo com o save do jogo que acabou de zerar, mas não podia trocar de dificuldade, o que era um pouco decepcionante. No 2, você carrega todas as suas armas e upgrades pra um próximo jogo que então você pode colocar na dificuldade Zealot. A princípio, Dead Space 2 foi lançado com um bug que não deixava o jogo abrir as armaduras “Elite” na segunda partida, mas agora já é possível corrigir isso com um patch, o que dá mais recompensa ainda para jogar tudo novamente. Felizmente, porquê o jogo é consideravelmente mais curto que o original, levando mais ou menos a metade do tempo (umas 7 ou 8 horas, se você for perfeccionista como eu).

FATOR REPLAY

O já mencionado New Game + que foi retrabalhado para permitir que você use suas armas mais poderosas na dificuldade mais forte adiciona bastante ao fator replay. Mas a maior adição nessa área é o modo Hardcore, que diminui bastante a munição que você recebe, aumenta o dano dos inimigos e só permite que você salve 3 vezes durante a partida. Ah, e você também não pode usar New Game + nesse modo. Recomendado pra você que já zerou o game 5 vezes (como eu) e quer um desafio maior.

E claro, nada como usar uma serra para decepar o braço de um necromorph, usar Kinesis para pegar esse braço e então empalar o monstro na parede para me fazer voltar pra um jogo. Nunca me canso.

PRÓS E CONTRAS

+ Não mexe (muito) em time que tá ganhando

+ A parte “Nicole” da história ainda é interessante, mesmo que cheia de mimimi

- A parte “novo Marker” é forçada

+ Gráficos melhorados

+ Som ainda é excelente

+ Jogabilidade mais rápida e fluida...

- ...para detrimento da sensação de terror

+ Nova gravidade zero é muito divertida

+ Novos inimigos são interessantes e tornam o jogo mais difícil

+ Empalar inimigos na parede (sim, ripado de Painkiller, mas é lindo)

+ Jogar de novo e de novo com armas melhoradas e dificuldade aumentada

+ Modo Hardcore pra quem acha que aguenta

 

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CONCLUSÃO

Então, o que eu esperava da sequência do meu jogo de “survival action” favorito? Esperava que seria uma cagada colossal. Felizmente, nem sempre as coisas são como esperamos, e Dead Space 2 ainda entrega as guloseimas onde conta: desmembramento de monstros. A história é mais fraca, e ainda acho que poderiam ter inventado outro personagem principal pra não mexer com a história do primeiro. Ainda acho o jogo muito curto, e na minha visão as novas armas descaracterizam Isaac. Mas o que está aqui ainda é material top 10. Que venham as próximas sequências.

NOTA: 9,5

5 Comentaram...

bastedmaul disse...

Pelo menos uma das sequências desse ano nao eh um fiasco. Vamos ver como se saem as outras Dragon Age 2 (q tah.. indo neh...) e Crysis 2

Rodrigo H. disse...

Eaw galera!
Boa analise José Renato.
Quando possivel de sua opinião sobre o Dragon Age 2, que foi lançado dia 8/03/2011, (anteontem) a Review do gamespot foi 8.0, porém pelos videos que ví, ficou uma bosta. Acabaram com o RPG que ainda restava da primeira versão....

Para quem gosta de RPG e quer algo novo, sugiro Drakensang: The River of Time.

Flw até mais!

José Renato disse...

@Rodrigo H.

Ah, sim. Dragon Age II. Já consegui uma cópia do jogo, e todas as minhas primeiras impressões foram... digamos, menos que satisfatórias. A principal delas é que a versão completa tem um bug que faz a performance ficar horrível em Directx 11, e não comprei minha placa de vídeo à toa.

Espero que logo a Nvidia ou a própria Bioware resolva os problemas de performance, e assim jogarei direito. O original também é parte da minha lista de melhores games, e é uma pena ver esse tipo de descaso com os fãs de um jogo tão bom.

Quanto ao Drakensang, é uma boa pedida. Possuo uma cópia, mas nunca joguei. Um dia desses, quanto tiver tempo, talvez escreva sobre ele. ;)

bgkran disse...

José Renato você disse que não engoliu a continuação... você assitiu a animação Dead Space Aftermath? Ela dá o gancho pro 2. Assiste lá!

José Renato disse...

@bgkran

Assisti apenas ao Downfall, e não me interessei mais pelas animações. E mesmo que exista um gancho, a história continua sendo conveniente demais. Eu perdoaria se fosse outra história paralela sem o Isaac, mas a maneira que arrumaram de continuar ainda está forçada, e foi feita de maneira que eles podem fazer quantas continuações quiserem, e assim arrancar quanto dinheiro dos nossos bolsos quiserem.

De qualquer forma, é apenas uma opinião e ninguém precisa concordar com ela. ;)

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