quarta-feira, 17 de março de 2010

Avatar Colaborador Nerd

Guerra ao Terror

Por Luke, do Artilharia Cultural

 

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[Nota do Editor-Chefe: Numa conversa informal, o Luke exigiu pediu um texto meu para o Artilharia, e usando a lei do menor esforço, mandei a resenha de Guerra ao Terror, que já estava pronta. Agora, ele fez a gentileza de escrever uma e mandar pro NSN]

Filmes de Guerra são o meu gênero favorito. Eles contém toda aquela carga de testosterona que nós homens precisamos, diariamente, e – salva exceção os péssimos filmes – sempre tem uma boa história para contar. Um dos meus filmes favoritos, para ser sincero, retrata apenas uma cena de combate (o sensacional Soldado Anônimo, com Jake Gyllenhaal e Jamie Foxx); na película, assistimos o drama, sofrimento e até os momentos de descontração de um soldado no meio da Guerra do Golfo. Tomando como exemplo outro filme, Círculo de Fogo (com o excelente Jude Law), assistimos a história de um soldado russo que torna-se a esperança de toda uma nação contra os nazistas. O que Círculo de Fogo e Soldado Anônimo tem em comum, se os dois passam-se em guerras distintas e períodos históricos mais distintos ainda? A resposta é simples: Os filmes resumem-se a contar a história de um indivíduo. Essa é a fórmula para os bons filmes de guerra; ao invés de prenderem-se a contar toda uma batalha, focam-se na história de alguns soldados que podem ter mudado o rumo de uma história. Mas... E quando o foco não é na vida dos “heróis”, daqueles que fizeram a diferença... Mas sim em um grupo de homens que simplesmente quer voltar pra casa?

É disso que Guerra ao Terror (The Hurt Locker, 2008) trata. O grande vencedor do Oscar 2010 não trata de momentos heróicos, reviravoltas homéricas e atuações brilhantes. Ele se dedica a mostrar o “cotidiano” na vida de um grupo do esquadrão anti-bombas do exército norte-americano no Iraque, cerca de 20 dias antes do retorno para casa. E ele faz isso de uma maneira esplêndida. Aconselho, caro leitor, que não continue em frente se não quiser se deparar com certos spoilers.

 

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O Esquadrão é formado pelo Sargento Sanborn (Anthony Mackie), pelo Soldado Eldridge (Brian Geraghty) e pelo Sargento Matt Thompson (Guy Pearce). Em uma missão rotineira para desarmar uma bomba em uma rua Iraquiana, o destino é cruel com os americanos e Thompson morre 27 dias antes de retornar ao lar. É preciso, então, substituir o perito. É aí que aparece o Sargento William James (Jeremy Renner, de S.W.A.T), um destemido e inconseqüente militar, aparentemente o contrário de Thompson. O plot, então, está feito: Com a substituição de seu comandante, como o esquadrão irá passar sua “última temporada” no meio do inferno chamado guerra? Em território hostil, com o stress de arriscar a vida dia após dia sem saber quem é e onde se esconde o inimigo, o esquadrão obviamente entra em conflito. Sanborn, acostumado com a parceria e hierarquia com Thompson, encontra no personagem de Jeremy Renner o oposto de seu comandante anterior. Numa das missões, por exemplo, o novo Sargento simplesmente tira seu rádio de perto de si, para que Sanborn não o atrapalhe enquanto ele tenta desarmar uma bomba. O detalhe? Eles já deviam ter ido embora há um bom tempo do local de ameaça, considerando que vários suspeitos estavam próximos.

Poucos pareceram entender o porquê de Guerra ao Terror ter ganhado o Oscar de Melhor Filme e Kathryn Bigelow o Oscar de Melhor Diretora. É preciso olhar um pouco mais de perto para a película na hora de fazer esse julgamento e esquecer que Avatar também estava concorrendo, pois estamos falando de dois universos imensamente diferentes. Primeiramente, além de não contar com efeitos especiais e exibições em 3D, Guerra não tem nenhum chamariz hollywoodiano. O máximo que conta é com uma participação especial de Ralph Fiennes como um militar, e nada mais. Kathryn Bigelow, que só tinha feito um outro filme “de expressão” (K-19, com Harrison Ford e Liam Neeson) dirige The Hurt Locker com maestria, sabendo conduzir o filme de uma maneira que ele não se torne cansativo em seus 128 minutos.

Diferente de filmes como O Reino (também com Jamie Foxx), Guerra ao Terror economiza nas cenas de combate, se doando muito mais ao suspense, aos efeitos psicológicos. E é aqui, como já dito, que ele se sobressai a toneladas de outros filmes de Guerra.

Minha opinião? The Hurt Locker não é o tipo de filme que se assiste duas, três vezes, como alguns outros do gênero. Mas é o filme que, visto uma vez com dedicação total, fica na sua cabeça por MUITO tempo. Não é um filme genial, mas é um filme que mereceu o Oscar. Avatar inovou? Inovou quando falamos de efeitos especiais... Mas, convenhamos: Seu roteiro não passa de Pocahontas + felinos x tinta azul.

 

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Qual, ao ver deste que vos escreve, é a falha no filme? Bem... Este não é – ou ao menos não deveria ser – um filme com fundo patriótico. Não deveria mostrar o orgulho de se lutar em uma guerra, e sim o pesadelo que esta pode trazer, seja esta a perda de um companheiro, o medo da morte, a culpa que pode afligir um soldado ao pensar que poderia ter evitado mortes e salvado vidas e o simples fato de você ter que matar outra pessoa. O filme carrega tudo isso por 99% do tempo. Ao chegar em seu fim (e estamos falando do fim mesmo, dos últimos segundos), tudo isso é jogado fora. Não que a cena não seja boa, ou que o efeito causado não te faça sorrir e menear a cabeça, como foi comigo. Mas o filme que aparentava passar uma mensagem acaba, no seu último instante, botando tudo a perder.

Como eu, porém, tive a chance de perceber – e aparentemente aqueles que votaram no Oscar também -, isso não tira todos os méritos e toda a qualidade de Guerra ao Terror.

 

The Hurt Locker (2008)

Diretor: Kathryn Bigelow

Direção: 131 min

Nota: 9

11 Comentaram...

Ghost disse...

Realmente foi um bom filme. Mereceu cada oscar que ganhou...

Chaves Papel disse...

Na minha opinião o final do filme quase que estraga o filme inteiro!

É um bom filme, mas não chega nem aos pés de Bastardos Inglórios!

Rogério disse...

Porra nenhuma.

É um filme bom? É. Ponto.

Todos esses conceitos, que a guerra é uma droga, conflitos psicológicos em combate e tal, já foram abordados antes. De maneira que o único mérito do filme é fazer bem o que se presta a fazer. Grande coisa.

Todavia, pra quem gostou do filme eu recomendo uma série do gênero, Over There.

Mas ninguém me tira da cabeça que Bastardos Inglórios e Um Homem Sério são filmes muito melhores. ;D

Arsenio Cavalcante Bassaco disse...

GOSTEI DO FILME MAS MESMO ASSIM NÃO MUDA MINHA OPNIÃO AVATAR MERECIA O PREMIO DE MELHOR DIRETOR NÃO DIGO ISSO POR SER FÃ DE JAMES É O CARA CAMERON, FALO PORQUE NO GERAL POR TUDO QUE ELE FEZ INOVOU REPRESENTOU E ATÉ PELA ARRECADAÇÃO E FÃS DEVERIA ELE TER GANHO,E lUKE CONCORDO QUE O ROTEIRO NÃO É MUITO ORIGINAL MAS ME FALE 1 APENAS UM FILME QUE FOI `ORIGINAL´ NÃO TEVE E A SNOPSE DO FILME EM LINHAS GERAIS SERVE E SERVIRA PARA DIVERSAS OUTRAS PRODUÇÕES

Fernando disse...

O filme é bom, mas Distrito 9 e Bastardos Inglórios me pareciam querer mostrar algo mais.
Quentin Tarantino utilizou ângulos de câmeras e diálogos memoráveis, já o Distrito 9 tem uma narrativa com cara de documentário e uma ótima atuação do protagonista. Pelo menos para mim, me chamaram mais atenção do que "Guerra ao Terror".

Eduardo Janú disse...

costumo seguir os conselhos que os nerds daqui enviam, cabei de baixar o filme
vamos ver o que me aguarda

vcs bem que podiam comentar do filme waking life
falowwwww

douglas disse...

Não sei se é só comigo, mas eu não vi nada horrível no final do filme.Poderiam explicar que desastre é esse que quase bota o filme a perder?

vico disse...

muito bom mesmo! tanto o filme, quanto a resenha. entretanto, quando vc falou do final do filme, vou ter que discordar. eis o porquê: a grande idéia do filme é que a guerra é uma droga, no sentido de que vicia; acredito eu, que nenhum - ou quase - filme passou essa idéia; geralmente os filmes estão na perspectiva heróica, ou seja, dos vencedores apenas.

ass: vico

Eder Cruz disse...

A nota do post foi muito generosa para um filme que, na minha opinião, tem no máximo nota 6.
Comparado com outros filmes do Oscar, esse só ganhou o prêmio por que os "militares votam".

Bill disse...

The Hurt Locker estreou no Festival de Veneza há dois anos. Ninguém deu bola. Era um filme ruim. E é. Apesar do que esse baba-ovo de "filmes-que-a-academia-premia-são-bons" diz. Não se enganem. Um trecho do próprio autor da resenha:

"Qual, ao ver deste que vos escreve, é a falha no filme? Bem... Este não é – ou ao menos não deveria ser – um filme com fundo patriótico. Não deveria mostrar o orgulho de se lutar em uma guerra, e sim o pesadelo que esta pode trazer, seja esta a perda de um companheiro, o medo da morte, a culpa que pode afligir um soldado ao pensar que poderia ter evitado mortes e salvado vidas e o simples fato de você ter que matar outra pessoa. O filme carrega tudo isso por 99% do tempo. Ao chegar em seu fim (e estamos falando do fim mesmo, dos últimos segundos), tudo isso é jogado fora."

Algo o incomodou não foi? Apesar de sua obliterada visão sua percepção critica acredito não foi tão avariada assim pelos seus gostos.

O que fez The Hurt Locker ganhar o oscar foi o mesmo que fez o presidente Luiz Inacio Lula da Silva ganhar as eleições em primeiro turno, de 2002: Sua antítese FHC. No caso do filme de Kathryn Bigelow foi seu ex-marido James Cameron.

Quando vi Avatar pela primeira vez saí com um zumbido na cabeça. Algo está errado. O que eu acabei de ver? Não. Não é possível. Conheço a filmografia de Cameron e sou seu fã. Mas não estava preparado para Avatar. Estava esperando uma espécie de Transformer com inteligência. Mas como uma surpresa pode ser tão milagrosamente agradável não? Comentei com uma amiga: Você já assistiu Danças Com Lobos? Ela disse: não. Eu respondi: Sim. Só que em outro planeta e lá os Sioux são azuis.

Grata surpresa. Esperava ver um filme pipoca e vi. Só que com um quadro pintando o cenário de fundo em cores vibrantes de Libertação dos Povos Oprimidos e Yes, We Can. A diferença entre Avatar e Dances With Wolves é justamente aquilo que o fez ser tão desprezado pela Academia quanto o que nutria Marlon Brando pela mesma. Seu final feliz. No belissimo filme de Kevin Costner o destino dos Sioux é a morte. Inevitável e violenta. O filme retrata o passado. Ora nós evoluimos não é mesmo? Avatar mostra que não. Mostra uma face horrível da humanidade. A mesma que está atrás do petróleo iraquiano hoje. Opa, isso não pode. E é aí que de The Hurt Locker entra. Um filme em que os seres humanos não são os bandidos invadindo uma terra alheia nem os mocinhos são os inimigos. Não. Em THL os iraquianos maus colocam bombas em criancinhas. Isso te faz lembrar de algo?

A Academia não pode premiar um filme que tem como bandeira o respeito ao meio ambiente e a identidade dos povos (onde estará o American Way Of Life?). O repudio a ganancia e a ambição. Pilares do Capitalismo. Não na maior bilheteria da história. Seria o mesmo que o Parlamento estadunidense condecorar Che Guevara. Não. O lugar de Cameron é ao lado de Michael Moore. O que os fará fritar os miolos é o fato de Cameron não parecer ter a mesma predileção ao ostracismo quanto o comunista Coppola e ter a mesma capacidade inata de vender tanto quanto George Lucas. Hollywood terá que engolir o indigesto James Cameron porque ela é a azeitona mais cara do seu refinado prato.

À quem na história recente não lembra de uma injustiça no Oscar: Melhor Animação Para Kung Fu Panda. Coincidência o principal concorrente ter tantas e tantas semelhanças como Avatar?

Bill disse...

Concordo com quem disse que a nota foi generosa...

Mas eu daria 4~5... não passaria disso.

Filmes de guerra estão virando quase uma franquia só deles, e poha, não é difícil fazer um bom, basta colocar tiros suficientes, explosões legais e algum fdp correndo antes que algo exploda na frente ou atrás dele.

Dar um pouco de ... humanidade ao que esses caras fazem pareceu muito americanizado pra mim...

Acredito que o filme "Três Reis" com o George Clooney ficou bem melhor.

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