terça-feira, 2 de março de 2010

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Preacher – De santo não tem nada

Por Beatriz Paz, do We Are All Evil Inside

 

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Fuçando nos arquivos do NSN eu achei a notícia da adaptação de Preacher da obra em quadrinhos para o cinema… e pensei “Ninguém comentou a HQ ainda... Beleza.”

Um pastor que possui o filho de um anjo com uma demônia preso na cabeça, e tem como mentor John Wayne, um vampiro irlandês beberrão que só faz cagada com a melhor das intenções e uma mulher que coloca muito macho no chinelo. Bem vindo a Preacher, a HQ mais polêmica (e incrivelmente foda) já criada nos anos 90.

A história narra a empreitada de Jesse Custer, um ex-pastor que tem o filho de uma demônia com um anjo preso na cabeça, e que junto de seus amigos, citados no parágrafo acima, vai atrás do Todo-Poderoso. Tudo isso porque, aparentemente, depois de tanto tempo, Deus simplesmente abandonou o seu posto de entidade mor por ter se cansado dos humanos.

Agora, não vá pensando que a coisa toda para por aí. Jesse, além de ganhar um belo de um abacaxi por culpa da irresponsabilidade dos outros e ter de limpar a sujeira de Deus, ganha uma dádiva. Ele tem o poder da Palavra, (basicamente tudo o que ele manda você fazer você faz, e acredite, é melhor não irritá-lo) o que é uma baita ironia tendo como base o fato dele ser um ex-pastor de igreja.

Preacher usa e abusa de tabus da sociedade, homens que criam mulheres de carne com peças de açougue, um messias retardado fruto de uma relação incestuosa entre os membros da linhagem sanguínea de Jesus Cristo, uma advogada nazista… e até a KKK acaba entrando na jogada. Tudo isso com ótimas pitadas de humor negro, acidez e o sadismo característico de Garth Ennis. Se estiver curioso, também pode dar uma olhada na edição de O Justiçeiro que ele escreveu, edição essa que gerou o roteiro da primeira aparição de Frank Castle nas telas (mas nem se compara a HQ).

A arte não decepciona, Steve Dillon (Hellblazer, Justiçeiro, Homem Animal, entre outros) como sempre dá conta do trabalho, nos proporcionando detalhadas cenas de lutas e ação e, ao mesmo tempo, desenhos simples e expressivos. As caras do Cassidy são as melhores.

Fora que os sub-plots também são ótimos. Existe uma organização chamada de Santo Graal, que pretende implantar um novo (e completamente retardado) messias no mundo. No entanto, o segundo comandante da mesma, Herr Starr, pretende sabotar os planos da organização, e para isso ele precisa de Jesse Custer e do poder da Palavra. E também tem o Santo dos Assassinos, um ex-soldado de guerra que matou o Diabo e agora toma conta de pegar as almas de pessoas que morreram violentamente. O cara é tão ruim que o inferno congelou por causa dele. E ele também não esta nada feliz com o fato de Deus ter abandonado seu posto...

Agora o que seria de Jesse sem seus comparsas? Sua namorada, Tulip, é o tipo de garota que não tem medo de nada e não perde a oportunidade de meter bala em alguém quando precisa. Criada pelo pai, foi reprimida quando criança pelos meninos, pois gostava de Comandos em Ação e sabia muito mais de faroeste do que qualquer um. É agressiva e romântica, o tipo de mulher que faria um Texas Ranger ir à loucura.

Por último, vem Cassidy, um vampiro irlandês que adora beber e farrear, mas que no fundo se sente sozinho e sempre faz cagada com a melhor das intenções. Foi com o seu irmão para lutar no “Levante da Páscoa”, uma manobra suicida de voluntários irlandeses contra o domínio inglês durante a Primeira Guerra Mundial, e de lá foi para a América, já mordido, com a desculpa de ter sido morto no levante. Sua marca registrada são os óculos escuros no melhor estilo James Jean e a frase “AI Jaysis”.

Tá, mesmo sendo contra spoiler, eu tenho que dizer que tem uma parte da HQ que ele é um excelentíssimo filho-da-puta de marca maior, mas todo mundo comete erros. Outra coisa, não vá pensando que os três amigos são inseparáveis e perdoam um ao outro, Não! Eles brigam, saem na porrada, e fazem besteira, como toda a turma de amigos faz, e isso é muito interessante, pois dá uma grande dose de realidade pra HQ. E tira aquele clima de Conta Comigo que tá, é bonitinho, mas não se aplica nos dias de hoje.

Se você curte uma polêmica, uma trama MUITO bem escrita, personagens ácidos e de personalidade marcante, certamente abocanhe Preacher. Você vai ficar com gostinho de quero mais.

 

Segurem-se em suas cadeiras senhores!

Se você é um apaixonado por Preacher assim como eu - e sim, é difícil achar uma garota que goste dessa série -, então já deve ter lido aqui no NSN que Jesse Custer e sua galerinha do mal vão chegar as telonas.

Era pra HQ ter virado uma série da HBO, com cerca de seis temporadas com episódios de uma hora de duração cada, e que seriam exibidos lá pras onze da noite por culpa do conteúdo. E foi esse mesmo “conteúdo” que fez o projeto ser cancelado: a emissora de TV por assinatura alegou que o roteiro era muito violento e explícito.

Desculpinha esfarrapada na minha opinião, já que a HBO foi responsável por Sex & the City, Carnivale e Big Love. Mas tudo bem, pra você que estava esperando a adaptação, eu te deixo com um rascunho de Sammuel L. Jackson como o Santo dos Assassinos (O que seria bafônico, já que consideram um santo negro um tabu da igreja) e a prova de maquiagem do Cara-de-cú.

 

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Voltando ao filme, quem vai dirigir será Sam Mendes, Beleza Americana, e o roteiro ficou nas mãos de John August, de Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas, mas tudo ainda está na sua fase de produção.

Quanto ao elenco, muitas hipóteses já surgem na internet: Rupert Everet e Sam Rockwell no papel de Cassidy, Cameron Diaz quer fazer Tulip (mas pelo amor de Deus não a deixem!)… Uma Thurman ou Mila Jokovich por favor! E para o reverendo Custer sugerem Johnny Depp, mas acho que não faz a linha dele. No entanto, o papel de Jesse estaria nas mãos de James Marsden (Scott Summers te lembra alguma coisa?), mas não foi pra frente.

A única coisa mais ou menos concreta a respeito do elenco é a de que possivelmente John Cusack interprete ou Cassidy ou Custer, agora o que nos resta é rezar e esperar.

Pra terminar, Preacher blasfema a igreja tanto a ponto de ser uma série de HQ composta por 66 edições e 6 especiais. Malandrinho esse Garth Ennis não?

 

Editora: Pixel

Autor: Garth Ennis

Formato: 16,5 x 24cm

Páginas: 180 (somente um dos encadernados)

Preço: 29,90

Nota: 10

9 Comentaram...

Lancaster disse...

Preacher tem que virar uma série!!(não sei como ficaria nos cinemas....tenho certo receio de eles condensarem toda a história em apenas UM filme ou amenizarem a violência da HQ). Espero que alguma emisora deixe de ser bundona e crie bolas pra produzir e lançar Preacher. Pelo rancor do Santo dos Assassinos!!!Chega de séries que mais parecem episódios de Malhação!TRAGAM PREACHER!!!

Murilo Andrade disse...

Ficou legal o texto.

Yamato disse...

Moleque, sou fã do Preacher há anos e você esboçou muito bem o conteúdo da série. Pena que nessa porra de país a periodicidade das boas HQs seja uma porra também. Tenho alguns exemplares guardados comigo há tanto tempo e agora que você cutucou vou dar (sem trocadilhos por favor)uma olhada novamente. Que venha o filme.
Um abraço ao NSN, meu blog favcorito quando o assunto é informação mesmo e não essas porcarias de "big brother" (pra mim o único Big Brother´que conta é o do romance 1984) e "famosos" monte de lixo.

Bárbara disse...

Eu acho que qualquer adaptação não consegue evitar em decepcionar os fãs. E por isso é uma pena que a HBO tenha recusado, acredito que como série, a adaptação sofreria menos retalhações do que como um filme. Mas só assistindo para saber, né? Muito bom o texto!

luah sampaio disse...

Bárbara o garth ennis se tornou o deus que ele tanto fala, pra mim, depois dessa série ultra mega fudida de boa.
Preacher pra mim é sinestesico e UMA OBRA PRIMA SEM DUVIDAS.... Teu texto tá muito bom, parabéns...

ah... muito muito medo do que virá por ai, mas na expectativa... blog muito muito bom. parabéns a todos.

Anônimo disse...

Eu sou menina e AMO Preacher. Além de original a série é super divertida, engraçada, inteligente e original.
Estou ansiosa pelo filme. Gostei muito da maquiagem do Cara-de-cú. Mas é certo já que o filme vai ser feito?

Vendetta disse...

Preacher fecha com maestria a trinca da Vertigo, que tem como antecessores Sandman e Hellblazer - com sua melhor fase justamente pelas mãos de Ennis e Dillon.

Pra mim, só a ultima edição meio que decepciona, mas a obra inteira compensa.

Uma das melhores hq's que já li, e com certeza a mais maldita nos territórios tupiniquins... Quem sabe na mão da Panini agora vai?

E só uma cosita: a primeira aparição de Frank Castle no cinema pega o arco Ano Um , escrito por Chuck e Dixon, e mistura com uma história curta do Ennis. Já o segundo filme (War Zone) era pra ser tão violento quanto os quadrinhos, mas falhou terrivelmente no roteiro.

Anônimo disse...

Li preacher e no começo gostei. Mas quanto mais se seguia, mais eu via que a história era desnecessária e o que lia era encheção de linguiça. Não há necessidade real de o pastor ir atrás de deus. Também há uma série de forçadas épicas para que os personagens pareçam bad-ass. Realmente não curti do meio para o fim.

Panthro Samah disse...

Preacher é o melhor de Garth Ennis. Ponto.

Mas isso não significa que vá se gostar, ou que seja bom, apenas que seja Garth Ennis. Diversos autores têm estilos próprios, que vc reconhece só de bater o olho. Tarantino é assim. Almodovar é assim. Frank Miller é assim. Grant Morrison é assim.

Pra mim isso já é uma qualidade em si, porque tem originalidade. Um autor que não tenha encontrado uma linguagem própria (como o Neil Gaiman antes de Sandman 7) pode até ser muito bom, mas ainda é mais um. Depois que ele se encontra pode ser considerado um artista de verdade. E ter seu trabalho verdadeiramente apreciado.

Eu, particularmente, não gosto muito do Garth Ennis. Acho divertido, mas só. Prefiro as pirações intrincadas do Grant Morrison ou do Véio Barbudo ou a delicadeza do Neil Gaiman. Mas isso é gosto. Eu detesto o Almodovar e o Frank Miller, mas reconheço que eles fazem um trabalho de qualidade. Apenas não é uma qualidade que me agrade.

Aliás, isso que é bacana na arte: Ela não precisa agradar pra ser boa.

De resto: Acho melhor Preacher NÃO virar uma série do que ser cagalizado pra agradar o politicamente correto como aconteceu com My Name Is Earl.

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