quarta-feira, 17 de março de 2010

Avatar Murilo

Sobre a literatura clássica nacional

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O Brasil é um país que assumidamente não lê. Isto se dá por muitos motivos. Analfabetismo, falta de campanhas públicas, má qualidade dos professores, entre outros. No âmbito do ensino, jovens sem o hábito de ler são confrontados por professores muitas vezes acomodados e com idéias ultrapassadas, que empurram goela abaixo dos alunos a leitura dos clássicos nacionais. O que poderia ser considerado um ato de distração e divertimento, torna-se uma obrigação. O estudante já começa a ler com má vontade. Quando se depara então com um português pouco usual no seu dia-a-dia, forçando-o a consultar o dicionário a cada duas frases, e um desenvolvimento pausado e extremamente descritivo, ele já considera o livro uma merda, assim como todos os outros que é obrigado a ler. Assim carrega ele a imagem de a literatura clássica nacional é um pé no saco até o fim dos seus dias.

É claro que também existem pessoas que ainda tentam ler outros clássicos nacionais depois da escola. Alguns descobrem uma leitura maravilhosa naquelas páginas e querem ler mais e mais. Outros continuam detestando. Mas é como o leitor e comentarista polêmico Velho da Montanha bem apontou. A maioria de nós, nerds, cresceu lendo somente HQs e acostumou sua mente a agilidade narrativa deste material. Quem passou a vida inteira lendo Batman e Homem-Aranha dificilmente vai engolir a história de um cara que jura que é corno ou atrasado, que perde um bonde por estar cinco minutos atrasado e conhece desse jeito o amor da sua vida. Já os nerds, que desde cedo mantém o hábito da leitura dos mais diversos livros, não costumam apresentar grande resistência aos clássicos nacionais.

Muitas vezes os nerds que odeiam a literatura nacional, como o meu amigo Gabriel Radd, descobrem a estrangeira e se tornem leitores costumeiros da chamada literatura universal. Não escondo que livros como Dracula, Frankenstein, O Morro dos Ventos Uivantes, O Retrato de Dorian Gray e as obras de Edgar Allan Poe e Franz Kafka são incrivelmente fodas e mais imaginativos que os clássicos brasileiros. Por isso agradam mais aos nerds. Já livros igualmente bons como Madame Bovary e A Herdeira diferem pouco dos temas abordados em nossas obras e não atraem tanta atenção quanto deveriam.

É claro que a culpa do ódio dos jovens não é exclusiva dos professores. Os pais também têm que estimular seus filhos à leitura. Mas os professores devem saber que não é se obrigando os alunos a ler as obras que eles provarão o valor destas. O dever deles é instigar, criar o interesse nos estudantes por uma obra e pela literatura em geral, dar a eles a opção de ler ou não. Se todos lecionassem assim as aulas de literatura teriam mais resultados.

27 Comentaram...

Douglas Barbosa disse...

E releção a começar desde cedo eu já estou introduzindo o meu filho de 3 anos no mundo da leitura. Já leio estórias para ele e deixo ele curioso querendo saber o que esta escrito, resultado ele já cohece praticamente todas as letras, embora eu não o force a fazer isso agora se tornou diversão e sempre brincamos com as letras. Filho de Nerd Nerdinho é.

Fernanda Arantes disse...

Eu cresci com uma estante de livros enorme e cheia dentro do meu quarto, então me acostumei a leitura de clássicos (claro que tem uns que não me descem). Mas Cinco Minutos e toda a obra de José de Alencar é maravilhosa!!

Gringo disse...

A culpa pelo ódio à leitura dos jovens foi atribuída a quase todo mundo, menos aos próprios jovens.

Será que realmente devemos ditar às futuras gerações o que elas devem gostar ou deixar de gostar (não que já não façamos isso de alguma maneira)?

Além disso, só quem esteve em frente a um quadro-negro sabe o quão díficil é motivar alunos e cobrir uma ementa no pouco tempo que é disponível aos nossos professores. Por mais que um instrutor ame a sua matéria, o seu objetivo principal é transmitir conhecimento. Obrigar alunos a ler torna-se algo inevitável.

O que se espera dos nerds é que sejam nerds. Não deixem que o ódio supere a razão. Voltem a ler os clássicos com mais tempo, procurem o motivo para o autor ter escrito com aquelas palavras. PREconceito não deveria ter espaço no mundo nerd.

Rodrigo Lopes disse...

Ninguém se lembra do nosso adorado governo nessas questões, todo ano os professores da rede publica de São Paulo recebem o programa didático do ano letivo. E eles tem que se ater àquele programa para ensinar os alunos, sei disso pois minha esposa é professora, ela tenta passar algo diferente aos seus alunos, mas acaba sendo podada pelo diretor e pelo maldito livro com a programação. Se esse incentivo não parte dos pais ou de outras pessoas, infelizmente nossos filhos nunca terão acesso à uma leitura digna. Farei o possível para que minha filha tenha acesso não só a livros, mas também HQ's, pois eu mesmo aprendi a ler com revistinhas da Turma da Mônica.

Paulo disse...

Murilo, concordo plenamente com você. A educação no Brasil é péssima (grande novidade), não consegue ensinar satisfatoriamente muito menos tenta incentivar os jovens a ler. O resultado: uma geração de analfabetos funcionais, que não conseguem ler (nem compreender) nem duas páginas de um livro infantil. Eu comecei a ler por conta própria já na pré-adolência (mas as vezes tenho problemas com o idioma nacional) os clássicos da literatura, o que me ajudou muito a ser quem eu sou hoje. Em ralação a esses "nerds" que só lêem quadrinhos, nada contra pessoal, mas os maiores gênios dos quadrinhos como Alan Moore, Frank Miller ou Akira Toriyama eram grandes leitores dos clássicos, como pode-se nodar nas inúmeras referências de suas respectivas obras.

Rápido disse...

Bom texto, porém discordo que os professores sejam os principais culpados do baixo interesse dos jovens na leitura e de que o Brasil tem um povo que não lê. Por exemplo, os tablóides estilo Lance! e Extra hoje em dia vendem tanto quanto os jornalões estilo Globo e Folha de São Paulo. Livros de bolso também vão de vento em popa.

Pegando o gancho do Gringo, acho que o problema de os jovens não se seduzirem com literatura considerada antiga é porque o currículo básico e o projeto pedagógico que se instituiu após o fim da ditadura no Brasil é obsoleto, tacanho e emburrecedor, e o professor precisa cumprir o rígido plano de aula. Fora o fato de que as crianças estão desde cedo em contato imersivo com fontes de informação e conteúdo com narrativas mais rápidas que um texto literário (TV, rádio, internet, quadrinhos)... Como o livro, uma mídia considerada estática e lenta, pode brigar com estes outros veículos mais dinâmicos? Respondeu o Douglas: os pais devem acostumar a criança desde cedo a interagir com letras, palavras e frases de forma natural.

Mais velhos, os jovens perceberão a diferença e o valor de cada uma das mídias com que faz contato, porque umas são melhores para contar histórias do que outras (um exemplo clássico é a adaptação de obras literárias par ao cinema hollywoodiano, geralmente alvo de críticas pela superficialidade).

Velho da Montanha disse...

"Mas é como o leitor e comentarista polêmico Velho da Montanha bem apontou."

valeu por me citar, quem sabe assim eu ganho seguidores ahahhaah

depois eu comento

Panthro Samah disse...

Sabe, me toquei de uma coisa... Cadê histórias de fantasia no Brasil? Não que não existam, eu consigo me lembrar até de alguns contos. Mas a Grande e Sacrada Literatura Brasileira de Fardão Verde e Bolachinhas, essa que é ensinada na escola, ignora totalmente a fantasia. Talvez isso também seja um fator que afaste os nerds (os únicos que lêem alguma coisa) da literatura brasileira. Pega os exemplos de livros bons estrangeiros que os nerds dão: Frankenstein, Drácula, Senhor dos Anéis, O Retrato de Dorian Grey, 1984, O Mocheileiro das Galáxias, Eu, Robô... Pode ser drama, suspense, terror ou comédia, sempre têm elementos de fantasia. E no Brasil, cadê fantasia?

Halan disse...

No quesito fantasia, temos Sítio do picapau amarelo mas esse praticamente nunca é pedido em escolas...
Memórias póstumas de Brás Cubas é o que chega mais perto da "fantasia" por ser contado por um morto... mas fora isso, concordo que falta a fantasia em livros brasileiros... é algo que chama a atenção do público... a história ter um diferencial, algo que a torne mais

Juh verde disse...

Post muito legal e interessante, realmente e infelismente é isso que acontece no Brasil, cada vez mais as pessoas se interessam menos pela literatura , principalmente a literatura brasileira. Em relação aos professores, sou uma futura professora e pretendo criar em meus alunos o amor pela leitura, que é muitoo importante.

Aleatório disse...

bem,

com relação a fantasia, eu não consigo acrescentar muito mais do que foi falado pelo Halan...

Contudo acho que há histórias bem interessantes sobre outros assuntos, como por exemplo "o Cortiço" que trata sobre uma porrada de temas como homossexualismo, prostituição e outras coisas na época em que isso ainda era considerado doença...

Há muita novelinha romântica que seria capaz de prender a atenção de 90% dos admiradores de shojos como "A Moreninha", "Escrava Isaura", etc...

Mandos Fëantur disse...

Já li vários artigos que tratam do Fantástico na Literatura Brasileira. De forma geral, muitos dos autores clássicos que conhecemos flertaram com o fantástico, mas geralmente os contos e romances mais estudados deles são aqueles nos quais esse elemento está ausente:

http://www.revistacriacao.net/o_fantastico_na_literatura_brasileira.htm

"No Brasil, o fantástico parece permear diversos textos da literatura brasileira desde Álvares de Azevedo. Vamos encontrar suas marcas em Joaquim Manuel de Macedo, Machado de Assis, Monteiro Lobato, Mário de Andrade, Érico Veríssimo, Guimarães Rosa, entre outros. E mais fortemente, pode ser encontrado nos livros de Murilo Rubião, Jorge Miguel Marinho e J.J. Veiga."

Velho da Montanha disse...

Bem eu comecei a ler revistas disney, livros infantis e quadrinhos de super herois.

Quando tinha oito anos meu irmão mais velho tava nakela fase de vestibular e trouxe pra casa uma coleção de livros de literatura, meu pai tambem comprava muitos livros, eram geralmente enciclopédias que vendiam de porta em porta, naquela época era muito bom, por que não existia internet, e o costume de pesquisar e descobrir coisas novas era uma regra, nós estudavamos e tinhamos oportunidade de conhecer as coisas, e nao pegavamos nada pronto em blogs e wikimerdia.

Entao comecei a ler livros adultos, o primeiro foi Edgar Alan Poe, que marcou toda minha vida, tinha também Dostoievski, Shakespeare, vocês podem não acreditar mas li tudo isso ai com oito anos, embora não entendesse muita coisa, o que não entendia, buscava nas enciclopedias.

O primeiro livro nacional que li foi Memorias Póstumas, e eu pirei, mas era dificil saber o que significava "todavia" e "mangas de camisa". Apesar disso, como eu assitia muita televisão e lia HQs, não me interessei tanto pela literatura btasileira, e não tem professor alegrinho de cursinho que me faça sentir interesse por histórias muito cotidianas que falam sobre cornos, gays e putas, a não ser que isso tenha algo de mórbido como Poe, ou que sejam caracteristicas de personagens de fantasia, como em Anne Ric, ou como uma critica ironica a sociedade, como em Bukowski

Normalmente eu gosto mesmo é de sair da realidade, é uma coisa meio Rockenroll.

O meu escritor preferido é Lovecraft, um cara que nem descrevia seus personagens direito.

Acho que é uma questão de personalidade, há as pessoas que odeiam Senhor dos aneis pq é muita fantasia, e os que amam exatamente por isso e odeiem Woody Alen por ser demais cotidiano.

A literatura brasileira, infelizmente, esta mais para WoodyAllen, o que eu odeio.

Mas como ja citei, existem escritores de fantasia, contemporaneos, vejam o site Scarium e o blog Biblioteca mal assombrada.

Panthro Samah disse...

Machado de Assis e fantasia? Naonde? Só o Memórias Póstumas (que é ótimo). De resto os outros autores citados são todos muito bons. Mas o único que eu vi no vestibas foi o Graciliano Ramos.

E não entendo qual o objetivo de se mandar um ser humano ler Iracema. Sério. Pior livro do mundo. Só serve pra pegar nojo.

Agora quem gosta de novelinha shojo ia adorar Senhora. Eu não gostei pq não curto o estilo, mas é muito bem escrito.

E eu continuo preferindo os autores ingleses. George Orwell trunfa qualquer autor.

Francesco Mgz disse...

Eu acho q colocar a culpa nos professores ou sistema só serve p/ terceirizar o problema e ngm aqui ter q assumir nda.

Tem gnt que gosta da literatura nacional msm com tds esses prob. citados, quem gosta vai atrás, simples assim.

Coloquem vergonha na cara e assumam q so fizeram esse post como desculpa para o fato que vcs não lêem literatura brasileira tanto qto a estrangeira.

O fato é que se vcs estiverem esperando a msm decupagem e narrativa de um Homem Aranha da vida em um livro nacional que não contém o msm thrill e nunca vai conter, sempre vão sair decepcionados.
Não vai ter governo e professor q mude isso...


PS: A palavra thrill se refere específiamente ao efeito csgd por filmes Americanos q em geral não se tem em filmes Europeus, vai ver um filme francês esperando explosões e mortes q vc saíra decepciondo. Msm coisa com a literatura nacional...

M7 disse...

Bem, mais algumas considerações.

Realmente não gosto de patrulhar ninguém, nem gosto, nem opiniões.
Mas continuam tratando com um olhar caolho esse assunto.
Trataram literatura como um produto, que deve ser consumido como qualquer outro produto. Entendo, afinal, em uma sociedade em que tudo se torna produto e serviço, até as pessoas, não é surpresa que enxerguem literatura assim.
Lamento, literatura não é isso. Ou não devia ser.
Por isso, a quase totalidade da produção de leitura atual não é literatura.
Literatura não é pensada para se consumir, entreter ou divertir. Não exclusivamente. Pode entreter, e pode divertir, mas é literatura quando é para refletir.
Literatura é o retrato cultural de um grupo humano em um determinado período de tempo. Ou ainda o retrato de coisas tão profundamente humanas, que são atemporais. Personagens eternos, são eternos porque são retratos de algo profundamente humano, atemporal, e que nos fala, a todos, mais do que através de palavras.
Pensada como entretenimento, a literatura nacional clássica não tem significado real para vocês. Fala de um país que já não é, e se ainda é, já não o é para vocês, com o qual não se identificam mais.
Mas não foi pensada como produto. E só isso já a torna especial.
Quando penso em personagens eternos, penso em Baleia. Mas Baleia não é super-qualquer coisa, só super-humana, embora cadela, e isso não é mais o bastante nos dias de super-vampiros, super-monstros, super-bruxos e super-bruxas, super-heróis e super quase tudo, que, quando faziam parte do imaginário humano em que foram concebidos, imaginados e temidos, também eles eram reflexo de alguma coisa humana que se perdeu nessa produção de sucessos combo Livro/filme/Músicas/e o que mais for possível vender.
Não culpem os professores. eles não escreveram os livros. E não são culpados pelos tempos que vivemos.
Estamos todos vivendo a superfície de tudo. Ninguém mais quer ter fôlego para mergulhos. E literatura também é mergulho.
É isso. São só algumas considerações. Nada contra ninguém. Nem nenhum escritor. Mas pensem, e leiam. E abram seus olhos.
Se já não estão mais na Escola, já não são mais obrigados. Mas são convidados.

Murilo Andrade disse...

@Francesco Mgz

Eu não sei se você não sacou pelo meu post, mas eu leio muita literatura clássica nacional. Sou completamente contra a idéia de que ela seja um pé no saco.

Ivã disse...

Creio que está havendo uma generalização muito grande quanto à literatura brasileira. Muitos estão colocando todos os livros escritos em português europeu e português brasileiro num saco só. Mesma coisa se achássemos que animação/mangá japonês se resume ao estilo shonen, só porquê é o mais abundante de títulos e o mais conhecido no ocidente.

"Quando se depara então com um português pouco usual no seu dia-a-dia, forçando-o a consultar o dicionário a cada duas frases, e um desenvolvimento pausado e extremamente descritivo,"

Quase todos que tem sua introdução à literatura brasileira baseando-se no "cânone dos vestibulares" acaba se deparando com livros, deste estilo que eu quotei, que requerem uma maior maturidade para serem melhor aproveitados. Esse estilo de escrever é mais do segundo período do romantismo brasileiro e do realismo/naturalismo. Eu repito, lit brasileira não é só isso. Temos mais de 200 anos de história literária a ser analisada (considerando os brasileiros somente)e está sendo analisado no máximo 50.

Para jovens de até quinze anos, livros do período modernista e pós-modernistas são melhores: escrita contemporânea, narrativa mais ágil, temas mais ligados à mentalidade desta faixa etária. Capitães de Areia, de Jorge Amado, é um livro apaixonante, muito fácil de ler. E não confundam livro fácil de ler com livro raso. Capitães de Areia fala sobre, além de outras, a falta do amor de mãe. Li quando tinha 13 e só vi a vida aventuresca dos meninos. Li 10 anos depois, já na faculdade, e fiquei com vontade de chorar.

"Quem passou a vida inteira lendo Batman e Homem-Aranha dificilmente vai engolir a história de um cara que jura que é corno ou atrasado"

Não pesquei a referência do "atrasado", mas "um cara que jura que é corno" deve ser referência ao personagem Bentinho de Dom Casmurro. Não vou analisar o livro aqui porque é só um bloco de comentários, mas o livro é riquíssimo, e essa história de ser corno é só um pano pro machado falar de outro assunto. Se houver interesse falo mais sobre isso em outro comentário. E pra mim, Dom Casmurro é mais interessante que Brás Cubas (opinião minha).

"Não escondo que livros como Dracula, Frankenstein, O Morro dos Ventos Uivantes, O Retrato de Dorian Gray e as obras de Edgar Allan Poe e Franz Kafka são incrivelmente fodas e mais imaginativos que os clássicos brasileiros."

Desculpe o sarcasmo, mas cite alguém que leu Dracula. Aquilo não tem ação nenhuma. A hístória é foda mesmo, criou um ramo que nós adoramos até hoje, mas o Bram Stocker é mais enfadonho neste livro do que o Humberto Eco no "Em nome da Rosa" ou o Eça de Queiroz em "O Primo Basílio" ou até mesmo "Os Sertões" de Euclides da Cunha.

Já o último parágrafo eu concordo totalmente. Só complementando, na teoria pedagógica existe uma discussão interminavel sobre a dicotomia habilidade X conhecimento específico: neste caso, a escola deveria criar o prazer e a capacidade se ler livros mais complexos (habilidade) ou quantificar e apresentar características e fatos sobre os livros da literatura brasileira/portuguesa considerados cânones (conhecimento específico)?

Além disso, a ludologia (uso didático de atividades que inicialmente servem apenas para divertir, como jogos, hqs, rpg etc) é um patinho muito feio na teoria pedagógica. Tem muitos pedagogos, psicologos da educação e outros profissionais fazendo dissertações e teses, tentando fazer com que a escola seja um ambiente que dê mais prazer a seus alunos.

Mandos Fëantur disse...

Eu li Drácula, e achei muito bom, mas mais pelo esquema narrativo em si, já que a história é formada a partir de vários relatos em primeira pessoa extraídos de diários dos diferentes personagens. Ou seja, não há um único ponto de vista, ou um personagem que tenha visão completa da história. Mas isto posto, a história com certeza não bate com o padrão de "aventura" que as pessoas suporiam baseando-se nas adaptações mais recentes para o cinema. Aliás, vale lembrar que mesmo O Senhor dos Anéis tem combates de ação como algo extremamente secundário, que foi muito aumentado nos filmes. Respondendo ao Panthro, que perguntou onde na obra do Machado de Assis existe fantasia, realmente nos romances a influência é menor, mas ele tem uma quantia suficiente de contos de temática fantástica.

Gringo disse...

@M7

Você está equivocado. Autores hoje conceituados como Machado de Assis e José de Alencar tinham suas obras publicadas em folhetins antes de serem compiladas em livros.

E não se engane, a intenção deles era vender e agradar ao público, bem como hoje fazem os quadrinistas de Batman e Homem-Aranha, aqui citados. Naturalmente, nem todo produto publicado possui grande valor artístico, mas com o tempo o joio é separado do trigo.

Os jovens devem ler clássicos porque, além da história contida no próprio livro, essas obras contam uma história sobre a evolução de nossa sociedade e do hábito da leitura, o que é essencial para compreender o porquê de chegarmos a esta discussão neste blog.

Graf disse...

Realmente... Eu lia muito da primeira a quarta série, tendo lido até então todos os livros da vagalume e mais dezenas de outros que eu achava nas bibliotecas... mas no primeiro semestre da quinta série a estúpida da professora achou que seria legal que os alunos da quinta série dela lessem os livros que costumam cair no vestibular e nos obrigou a ler vidas secas... Minha mente não era madura o suficiente pra ler aquele livro e aquilo simplesmente matou meu interesse pela leitura.

Anônimo disse...

NANA - Não compreendi a intenção do post culpando os professores da rede pública como motivo pelo qual os jovens brasileiros estão lendo pouco, isso é um pensamento restrito uma vez que o problema da leitura ou da ausência dela deve ser entendido como um fenomeno de proporcoes macroscopicas, sendo assim me pergunto cadê porque isentar as politicas públicas dessa tematica, nem todas as escolas desse país tem bibliotecas, restringindo a oportunidade de um jovem por exemplo entrar em contato com clássicos da literatura.
Não dá para falar de questões assim sem argumentar a falta de atenção das politicas que sucateiam a educação desse país e os professores assim como os jovens sào vitimas desse descaso.

Luiz Felipe disse...

Nerd Punheteiro falam de literatura...
Tem coisa mais tosca que isso?

Ajudante de Noé disse...

Os professores pedem que seus alunos leiam livros consagrados pela crítica e história literárias, ou seja, livros que os professores estudaram na faculdade. Acho que não grande abertura para novos autores ou para o gosto dos alunos. Os professores apenas seguem um programa ideológico que conheceram na faculdade. Trabalhar com livros diferentes poderia significa duas coisas, no mínimo:
- ferrar os alunos na hora do vestibular (em escola particular, essa opção 'non equisiste', e a liberdade do professor é bem restrita)
- maior trabalho para o professor, que deverá deixar de lado o programa já definido para buscar novas leituras - e não é apenas selecionar o livro, mas analisá-lo para fazer atividades sobre ele.

Fácil falar apenas das consequências e do que deveria ser feito sem tentar descobrir o motivo de as coisas serem de uma determinada maneira.

Ajudante de Noé de novo disse...

E, aliás, se ser nerd é ser inteligente, ler livros chatos que são considerados clássicos deveria ser um desafio ao exercício da inteligência. Uma das missões seria descobrir por que algo tão chato é considerado bom. http://livrosdenoe.blogspot.com

† Bruna disse...

Cresci num ambiente de games, HQ's, livros e muito rock 'n' roll, por isso nunca me incomodei com os livros que a escola passava,muito pelo contrario, ficava ansciosa para saber quais livros a ia ter que ler pra discutir depois. Antes de começar as aulas eu ja tinha lido todos os livros recomendados. Mas realmente tem uns livros da literatura clássica nacional que são chatinhos.

Arthur976 disse...

Tenho 15 anos (faz 3 semanas kk ... mas tenho!!!!) e estou começando a ler literaturas clássicas brasileiras. É interessantíssimo, não sabia que ler podia ser tão prazeiroso.

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