segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Avatar Murilo

Leia o mangá, depois veja o anime

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A imensa maioria dos animes são adaptações de mangás, games e light novels (romances ilustrados) famosos. O que por si já representa uma crise de criatividade na indústria de animação japonesa para mim, se justifica porque é mais comercialmente seguro investir em um material reconhecido e com uma base larga de fãs. E quando um anime é licenciado em outro país, como Naruto no Brasil, e tem uma boa audiência, abre espaço para que o mangá venda milhares de exemplares. Ou seja, as duas mídias se completam. A maioria dos fãs vibra quando é anunciado que seu mangá predileto vai virar anime. É a oportunidade de acompanhar a história em movimento, à cores, geralmente com uma excelente trilha sonora (tanto nas músicas de background quanto nas aberturas e encerramentos) e com a vibrante dublagem japonesa. Por que estou dizendo tudo isso? Porque no ano passado (ainda na época em que eu era o colaborador mais recorrente) recebi esse comentário, da Daiane, também conhecida como Vivo Verde:

[...] como mangá, eu sei que é bem diferente de anime ( eu já não sou mt fã de mangá... não me dá muita emoção, acho que é trauma de Hulk que ele em uma página estava nervoso e na outra mostrava tudo destruído... ).
Mas sei não, fco meio pé atrás.... rs [...]
No comentário ela diz que tem uma ligação maior com os animes do que com os mangás. De certa forma eu também, mas minha mente me impele a experimentar o material original e depois ver se a adaptação foi digna. Como assim “digna”? Digna porque existem muitos fatores que podem prejudicar a qualidade de uma animação. Citarei os fatores que a minha pobre mente prejudicada por meses de noites insones me permitir lembrar, um ano atrasado porque gosto de adiar as coisas, mas tá valendo (nem reclame, isso já é padrão NSNístico).

Enrolação
Como a maioria dos animes é produzida enquanto os mangás ainda estão sendo escritos, a enrolação tem que ser utilizada para que a história do anime não alcance a do mangá, o que forçaria a paralisação da série, o uso de fillers, ou a invenção de um final alternativo. A enrolação consiste em dar um ritmo mais lento à história, incluir inúmeras cenas paradas e diálogos dispensáveis. Dragon Ball talvez tenha sido a série que mais sofreu com isso. Eram uns cinco episódios só para que o Goku se transformasse em super sayajin. Pra derrotar o vilão uns trinta ou mais. Assim não tem que agüente assistir sem tomar raiva da história arrastada.

Sagas fillers
Quando a história do anime alcança a do mangá, se faz necessária a produção dos fillers, episódios que não tem ligação alguma com a obra original, produzidos somente para que dê tempo do mangaká seguir com a história. O que irrita é que esses fillers demoram muito pra acabar. Você está lá, assistindo um anime que finalmente está chegando ao seu momento crucial... então começam os fillers, completamente inúteis para a história de verdade, e duram uns vinte episódios. Vinte episódios no Japão são seis meses, já que é exibido um episódio por semana. Você tem que esperar seis meses até poder saber o que vai acontecer na história. A não ser que comece a ler o mangá e saiba de tudo bem antes.

Cortes
Os animes para a televisão geralmente têm uma temporada de 26 episódios, mas o número pode ser tanto inferior ou superior, nesse último pelo fato de as temporadas poderem ser renovadas. Como são poucos episódios, é impossível adaptar um mangá sem cortar nada. E assim, momentos considerados marcantes e importantes para os leitores são descartados, e se acelera o ritmo da história.

É claro que existem os casos de animes que conseguem ser até superiores que os mangás que se inspiraram.  Ambos são produtos diferentes e uma história boa nas telas pode não se sair tão bem no papel e vice-versa. Só cabe a cada um assistir e ler para decidir em qual mídia a obra se saiu melhor.

10 Comentaram...

Juh ♫ disse...

Eu leio Bleach! (YOHO)
Hehhehehe, não é motivo pra comemoração, eu me interessei por mangá agora,porque meu primo me emprestou Bleach...só que são uns 50 volumes-pelo que ele me informou- e a assinatura dele começou no vol. 29, e ele já sabia de algumas coisas-mas eu não!Então eu tou baixando pra ler desde o começo- e tou adorando! ^.^
Eu sei que muitos desses mangás se tornam animes-no próprio site da Bleach tem os mangas e os animes junto pra download- mas eu não sei se eu quero ver quando concluir o mangá porque...ah, quando eu era pirralha, eu vi Dragon Ball,Shurato, Cavaleiros do Zodíaco,Bucky até enjoar, e eu acho que o que ficou menos tosco mesmo foi Bucky.O resto eu via,mas dava assim...um desgosto...o que prova que o anime raramente vai ser tão bom quanto o manga.

Thiago Fernando disse...

O filler do Bleach atualmente é disparado o pior de todos, não tem nada a ver com a hitória e eles ainda tão prolongando, O ultimo filler de Naruto foi muito bom e esse é meio arrastado, mais pelo menos estão trazendo elementos novos pra história, e tem coerencia, diferente do que faziam antigamente

Gringo disse...

Eu mudaria o título do post para algo como "A indústria de animes e seus problemas".

Anônimo disse...

Err... Evangelion é a exceção que confirma a regra. Alguém mais concorda?

Pra mim, o expediente de dizer "o anime é uma coisa, o mangá é outra" que eles adotaram é perfeito.

Ah, e não curti Bleach ou Naruto. Quer dizer, Naruto anime é legal, tem metal rolando o tempo td. hehe

Saki disse...

Hmmm... As diferenças são inevitáveis. Se o manga e o anime fossem exatamente iguais seria muito chato, sem contar o fato de que isso não faria o mangá vender.

Um exemplo menos extremo disso é Sakura Card Captors. O mangá contém diferenças do anime, mas é como se fosse um extra.

Um mais extremo eh Full Metal Alchemist. Fizeram uma serie de anime que acabou ultrapassando o manga e tendo um final diferente. E agora fizeram outra série para poderem ser fieis ao mangá.

Paulo disse...

È por isso que não assisto mais animes passeados em mangás. A história é sempre a mesma, e o pior é não tentam fazer a história do anime melhor que a do mangá ou pelo menos dar ao anime um diverenial do mangá que não estrague o anime. Sakura Card Captors e Full Metal Alchemist são bos exemplos de como fazer um anime baseados em mangás.

Bolowors disse...

Quanto a parte da enrolação existem animes que até fazem piadas disso, como por exemplo Gintama. Tem um começo de episódio que eles ficam explicando essas paradas sobre enrolação que acontecem nos animes, pra só no final falarem que aquilo tudo foi era só pra enrolar. Ri muito disso!

Thiago † チアゴ disse...

Tomei trauma de animes que ultrapassa a marca de 52 episódios, já sei que terá filler e que o enredo será mal desenvolvido e etc, mangás longos são bons, mas animes.....

Daiane [VivoVerde] disse...

Eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeepa!!

Olha eu aqui, ainda bem que acompanho por onde meu nome anda... porque se não, nem saberia ahhahahaha

Mas de boa... acho que no fim você concorda comigo, não adianta falar sem ter assistido ou lido... para conhecer de perto o seu gênero!!

Beijos e obrigada pela referência querido =]

Keroicon disse...

Maioria das vezes o mangá é sempre melhor que o anime, um caso recente disso, é o Naruto, que o anime é cheio de fillers enquanto o mangá é muito divertido. Na minha opnião, a história de Naruto é legal, mas no anime ela é covardemente destruída pelos fillers.

Acho que as pessoas se cansarão da existência dos fillers e eles terão que achar um outro jeito de não alcançar o mangá.

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