quarta-feira, 28 de julho de 2010

Avatar Murilo

Caça às bruxas

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A Idade Média deve ter sido uma das mais estranhas épocas para se viver. Um tempo em que se acreditava na existência de monstros terríveis em mares inexplorados, vampiros não eram só tidos como reais como duramente combatidos e a mentalidade das pessoas era tão cerceada à superstição e fanatismo religioso que se iniciou que se iniciou uma cruzada contra as bruxas e manual foram escritos quase que exclusivamente para esse fim, como o célebre Martelo das Feiticeiras, livro que afirmava ser uma heresia duvidar da existência da bruxaria, e o Quadro da Inconstância dos Anjos Malvados e Demônios. Historiadores mais pessimistas afirmam que cerca de nove milhões de pessoas foram executadas por acusação de feitiçaria.

Na Antiguidade, um período histórico onde quase não existiam médicos, era comum que pessoas recorressem a ritos mágicos para curar suas enfermidades. Quando a Europa se converteu ao cristianismo, todas as demais crenças passaram a ser consideradas heréticas. Todavia isso não impediu que algumas camponesas usassem de seus conhecimentos sobre ervas medicinais, passada de mãe para filha e de tia para sobrinha, para realizar todo tipo de trabalho, seja como terapeutas, parteiras e até mesmo como adivinhas. Geralmente, eram mulheres extremamente pobres, viúvas ou solteiras. Claro que muito do que elas faziam era fruto de mera superstição, como receitar sêmen de cavalo para provocar gravidez ou ovos com urina para picadas de inseto, porém muitas das técnicas utilizadas por elas seriam comprovadas cientificamente depois.

Contudo, as coisas mudariam radicalmente no século XIV. Em 1315, catástrofes climáticas arrasaram colheitas em toda Europa, matando um quinto da população e levando milhares de pessoas a recorrer ao canibalismo. Décadas depois veio um mal ainda pior: a Peste Negra. A epidemia exterminou um terço dos habitantes da Europa, cerca de vinte milhões de pessoas. Na mentalidade atrasada da época, alguém teria desencadeado todas essas desgraças, era precisa encontrar o culpado. E a culpa recaiu sob as curandeiras, agravado pela Inquisição anos depois, que instaurou a caça à essas mulheres, agora chamadas de bruxas.

Em pouco tempo centenas de pessoas foram presas pela acusação de feitiçaria. No julgamento, os inquisidores buscavam pelas marcas do Diabo, ou seja, verrugas, sinais de nascença, estrabismo ou simples cicatrizes. Depois eram torturados até confessarem seus delitos, confissão feita mais para se livrar da tortura do que por real culpa e admitiam coisas como haverem assassinado bebês recém-nascidos, além de dizer nomes de outras supostas bruxas. Só então eram queimadas vivas em praça pública. Seus bens iam todos para a Igreja, claro.

As condenações passaram a ocorrer em tão grande número que o pensamento geral era que as bruxas estavam em todos os lugares e qualquer pessoa era passível de desconfiança, num clima de paranóia crescente. Foi a partir desses acontecimentos que se desenhou o mito das bruxas como conhecemos. Mulheres de chapéus pontudos e vassouras voadoras, que faziam poções em grandes caldeirões eram capazes de transformar suas vítimas em ratos e sapos.

A caçada às bruxas acabou de vez perto do final do século XVIII. Em 1682, a amante do rei francês, Luís XIV, a marquesa de Montespan, foi acusada de satanismo. Para evitar a condenação dela ele decretou a proibição da perseguição contra as bruxas na França. Logo, outros governantes fizeram o mesmo. A última condenação ocorreu só cem anos depois, em 1782, sete antes do início da Modernidade no Ocidente, período marcado pelo avanço da ciência em detrimento das superstições.

Mas a proibição não impediu que mais pessoas fossem vitimadas pelo fanatismo religioso e pela superstição. Inúmeros europeus foram assassinados friamente por serem confundidos com vampiros, como já demonstrei melhor AQUI. Por isso, quando olhamos para o passado, não é exagero pensar que a Idade Média foi um dos períodos mais escabrosos da história.

[Via Superinteressante e História Viva]

8 Comentaram...

Jefferson - Trend Micro disse...

Mas que seria bem louco viver naquela época isso seria. Fala ae?! Espada na mão, armadura foda ever e um puta escudo com um brasão louco (lembrai-vos do Batman, um escudo pode salvar sua vida). Acordar todo dia com o intuito de guerrear, ou fazer qualquer outra parada grotesca ever, e se não nascêssemos filhos de cavaleiro a gente podia arranja uma guria, roubar um cavalo e fugir do reino\feudo pra algum lugar inexplorado e inabitável. Que bem louco.

Elias disse...

@Jefferson - Trend Micro Isso se chama FICÇÃO, idade média é outra coisa.

Panthro disse...

Aí hoje acontece um terremoto e culpam os gays. Não sei se mudou muita coisa. Tem gente que ainda vive na Idade Média.

Aliás, vcs já pararam pra pensar que embora a gente normalmente pense no progresso intelectual e tecnológico como uma frente única ele caminhe aos trancos e barrancos? O Japão era feudal até coisa do século XX. E o que são os warlords africanos se não cavaleiros com metralhadoras?

Mima disse...

Talvez esteja na hora do autor do texto atualizar-se sobre seu conhecimento e noção relativos ao medievo. As recentes pesquisas sobre o assunto (quando falo recentes digo aqueles que vem sendo realizadas desde a décade de 1970) demonstram que muito, se não praticamente tudo, deste estereótipo de Idade Média/Idade das Trevas é bastante equivocado.

Murilo Andrade disse...

@Mima
Talvez eu tenha exagerado no tom do post. Mas é preciso admitir que alguns fatos desta época intrigam especialistas até hoje. E também nunca será possível remontar perfeitamente aquela época. A documentação é quase sempre confusa.

Akira Mistika disse...

Por isso, chamava-se a "Idade das Trevas", pela ignorancia das pessoas em pensar que mulheres eram bruxas. Eram meras curandeiras, mulheres que estudavam o poder da cura pela natureza. Mas o catolicismo, como sendo machista, tem de atribuir às mulheres a culpa por todas as enfermidades da época.Um grande erro isso e custou mortes e tortura em massa.

Agostinho Rodrigues Torres disse...

Algo como "Idade das Trevas" existem no máximo (e como erros grosseiros) em livros didáticos. Logicamente que a Idade Média foi um período violento e no caso da Europa Central controlado ideologicamente pela Igreja, mas ainda assim rico culturalmente e tão "obscuro" quanto os dias de hoje em que traficantes, governo e pessoas comuns continuam num nível absurdo de violência embora com outras caracteristicas.
As "mulheres" realmente foram muito perseguidas, mas isso não foi "a toa", pois ainda hoje as religiões ligadas com o poder da terra concedem alto nível de sacerdocio às mulheres. O paganismo sempre teve uma relação intriseca com o sexo feminino, principalmente o paganismo germanico, este que com sincretismos acabou se tornando a bruxaria medieval.

Murilo Andrade disse...

@Agostinho Rodrigues Torres

Na verdade um dos fatos que fez as curandeiras serem perseguidas é que elas eram, apesar de extremamente pobres, uma figura de poder em pequenas localidades. Eram tratadas como sábias. Elas, provavelmente sem querer, acabavam por rivalizar com as figuras dos padres.


O paganismo era e é até hoje fortemente ligado à figura feminina, podemos ver isso principalmente em algumas matérias do Alma Mater da Dolphin. Quando o catolicismo ascendeu na Europa ela tentou converter todas as outras pessoas de outras religiões. Para isso transformou todas em heresias e usou dos símbolos delas para personificar a figura do diabo como atualmente conhecemos, um bode ou um cachorro com chifres por exemplo. E a mulher passou a ser considerada a causa do pecado.

Acho que é isso. Qualquer equívoco meu alguém corrige aí.

Abraços.

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