segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Avatar FiliPêra

O novo Zelda e o dilema do tempo nos videogames

 

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Semana passada a Nintendo salvou o Natal de seus milhões de fãs e confirmou a chegada de The Legend of Zelda: Skyward Sword para o dia 20 de novembro, quando meio mundo dava como certa a chegada dele somente ano que vem - e como novembro está relativamente perto, esses mesmos fãs ficaram confortáveis e têm esperanças que não verão a Nintendo lançar mão de seus clássicos “adiamentos em nome de um maior refino do jogo”, ou algo assim.

Agora, Scott Moffitt, vice-presidente e vendas e marketing da Nintendo of America, soltou uma nota oficial com a seguinte mensagem: “The Legend of Zelda: Skyward Sword é o maior jogo da série. Só mostramos a parte mais superficial dessa experiência gigantesca, e estamos ansiosos para revelar mais detalhes com os fãs à medida que o lançamento em 20 de novembro se aproxima”. Cacete, uma ótima notícia que mostra que o game será épico, principalmente se levarmos em conta o histórico da enormidade dos Zeldas anteriores, mesmo os portáteis!

Mas daí surge o problema: quantos de nós temos tempo para jogar títulos com mais de 40 horas de forma fluída e contínua? Obviamente que quanto mais a média de idade dos jogadores cresce, menos tempo eles têm disponível, e os jogos cada vez mais acompanham essa tendência, e trocam campanhas single player robustas, por inúmeros DLC e modos multiplayer online cada vez mais diversificados. Ou seja: os jogos gigantescos estão sendo substituídos aos poucos por jogos construídos aos pedaços. Até mesmo os modos multiplayer online são afetados, já que existe um abismo que difere as habilidades de jogadores com até 18 anos, e veteranos com mais de 30. E os veteranos tomam uma surra.

E é aí que entra uma pesquisa feita por Keith Fuller, veterano desenvolvedor da indústria com participação em jogos como Quake 4, Star Wars: Jedi Knight - Jedi Academy e Soldier of Fortune II: Double Helix. Segundo uma entrevista que ele deu a CNN, somente 10% dos jogos iniciados são terminados pelos jogadores, um dado alarmante e especialmente tristonho para os caras que planejam os vídeos de zeramento.

Repito: míseros 10%, um índice que aproxima os games dos livros, e com certeza deve querer dizer que existem jogos que jamais foram zerados. Isso parcialmente coloca em xeque parte da velha métrica de “jogadores hardcore x casuais”. Jogadores hardcore são os que compram jogos considerados mais complexos? Porque terminar um jogo, ao menos pra mim, parece parte integrante da experiência, e pelo visto ela é abandonada em 90% dos casos. Ou seriam os hardcore somente esses 10%, o que antropologicamente torna o mercado mais confuso do que deveria - pessoas compram jogos por comprar? Elas se divertem mesmo sem chegar até o final?

E isso não rola só porque existem muitos jogos ruins na indústria. De acordo com dados da rede social gamer Raptr, somente 10% das pessoas que compraram chegaram a terminar Red Dead Redemption, um dos melhores jogos do ano passado segundo todas as listas possíveis. É aí que entra o Tempo, e uma espécie de casualidade hardcore, um cenário onde muitos gamers não possuem mais tempo para terminar jogos com campanhas longas de forma contínua.

 

 

Uso minha própria história como exemplo. Tive um Atari, um Super Nintendo, um Nintendo 64, e agora um Wii, que também é um Game Cube. Já meu irmão teve (o que significa que também tinha acesso aos videogames comprados por ele) um Dreamcast, dois PlayStation e um Xbox.

Quando mais novo, minha rotina básica diária era: escola de manhã, almoço, furingo até o meio da tarde e videogame até a hora de dormir, com espaço pra ler uns livros e uns quadrinhos antes de pegar no sono. Logicamente que tive e zerei uma série de jogos nesse período que se estendeu até o término do meu segundo grau, quando comecei a trabalhar. Meu Super Nintendo via fitas novas todas as semanas, e no meu bairro existia um submundo organizado de trocas e aluguel de cartuchos. Era o tipo de coisa que fazia uma criança se sentir bem. Só não superava as experiências coletivas épicas nos fliperamas locais, com muita gritaria e heróis que surgiam diariamente.

Lembro que quando comprei Zelda: Ocarina of Time, levei meros 10 dias para encarar o Ganondorf, e mais umas duas semanas pra literalmente SECAR o jogo, visitar cada pedaço de terra, pegar todos os jarros, todos os pedaços de coração, todas as Gold Skulltulas, experimentar todos os diálogos e ainda gastar um tempo em busca das lendas-mor que sacudiram a internet (que Eu acessava por uma biblioteca pública) com montagens toscas e convincentes na época: pegar a Triforce, entrar no Temple of Light e apostar corridas com o Running Man até meu joystick pedir arrego e Eu não ver mais formas e abaixar meu tempo.

Posso dizer que Ocarina marcou o fim da minha adolescência dos games, iniciada com o semi-deprê (e lindo) Donkey Kong Country 2, ainda o melhor jogo com o nome do gorila mais famoso do mundo dos games e empatado como o melhor jogo de plataforma 2D de todos os tempos, com Super Mario World. Apesar de nunca ter conseguido meus esperados 100% em DKC 2, Eu tentei. E como tentei. Foram dias a fio indo atrás de entradas secretas nos cantos mais escondidos, nos lugares mais improváveis, com a trilha sonora mais perfeita composta para um jogo. Realmente foi uma experiência e tanto, que refletiu uma época importante da minha vida. O salto de DKC 2 para Ocarina foi como a minha transição dos livros da série Vaga-Lume para os de Ken Follet, e ler menos Homem-Aranha e passar a ler Sin City.

O último jogo em que fiz algo similar foi em Conker’s Bad Fur Day, o último título que comprei para o Nintendo 64, e um clássico moderno. Fui atrás de todos os segredos, revi várias cenas insanamente engraçadas, enfrentei ursos endiabrados e assassinos, e pesquei as diversas referências cinematográficas presentes no jogo que ainda deve ser o mais escrachado dos videogames.

Ainda joguei alguns jogos no Xbox, como Splinter Cell, Metal Gear Solid 2, Star Wars: Knights of the Old Republic, Fable, entre outros, mas o trabalho, blog, faculdade e outras coisas impediram de continuar minha rotina com os videogames.

Depois disso vendi meu N64 e dois anos após comprei um Wii. E antes que digam que é por ser um Wii e ele não ter lá tantos jogos bons como deveria, comprei uma série de jogos que queria comprar do já finado Game Cube, como Metroid Prime, Zelda: Wind Waker e Eternal Darkness. Posso dizer que minha experiência contínua com games é hoje difícil de sustentar.

Zerei Eternal Darkness rapidamente, o que ajuda o fato dele não ser muito longo. Mas quando descobri que deveria zerar mais duas vezes me alinhando com as outras duas criaturas, deixei o jogo de lado em nome dos outros.

Depois, um festival de Zeldas, justamente o tema do post. Comecei com Twilight Princess, épico em todos os sentidos. Vou deixar para contar os detalhes quando fizer uma resenha praticamente nostálgica, mas Twilight Princess é a perfeita continuação de Ocarina of Time, com um clima denso, jogabilidade e controles na medida e um mundo extremamente vasto a ser explorado. E bom, umas boas 60 horas de jogo só nas campanhas principais. Depois engrenei e parei de odiar Midna com todas as forças - que, ao contrário de Navi, que caga na saída, se torna um personagem muito importante -, e zerei o jogo de forma fluída, às vezes virando a noite sem medo de ser feliz. Dei um tempo de uns meses, comecei a jogar Metroid Prime, para depois para em nome de começar outro Zelda: Wind Waker.

Zerei o jogo em dois tempos, divididos por um período de mais ou menos um mês. Comecei e fui até a metade e depois tive uma série de contratempos que me obrigaram a interromper a experiência o que com certeza atrapalha na continuidade do jogo.

E é desse tipo de diluição que falo, onde não temos tempo disponível para dedicarmos horas diárias, ou ao menos semanais, para detonarmos nossos games favoritos e creio que o problema só vai se tornar mais agravado. Cada vez mais temos coisas para dividir nossa atenção - Twitter, Facebook, emails, tablets, smartphones -, e nossos videogames, que nos oferecem uma experiência distinta e estática, podem ter seu uso diminuído.

Mas, claro… games com campanhas alucinantes ainda estão aí aos montes. Temos GTA, temos também o próprio Red Dead Redemption, Half-Life, BioShock, Mass Effect, Mario, The Elder Scrolls… e assim vamos. E para jogadores mais solitários e despreocupados com elementos multiplayers, esses jogos ainda são a diferença.

Mas creio que as mudanças só serão mais agudas daqui pra frente, com jogos mais fracionados e cada vez mais focados em jogos online. Mas, para pessoas despreocupadas com o mundo online (Eu), jogos gigantescos, cheios de extras ainda serão a diferença.

E, voltando a  Zelda: Skyward Sword, será que ele tem mais de 80 horas? Porque conseguir uma semana de folga no trabalho não é das coisas mais fáceis!

 

[Inspiração: Kotaku]

9 Comentaram...

Gabriel "Galvão" Manari disse...

Sinto isso quando abro minha Steam e me deparo com meu querido Fallout: New Vegas.

Olho e me pergunto: "Quando eu vou zerar isso?". Eu não consiguiria jogar esse jogo por jogar, não conseguiria passar só a Main Quest, iria pegar cada pedacinho do universo daquele deserto.
Mas não dá. Não tenho tempo pra isso.
Namorada, trabalho, faculdade, problemas pessoais, compromissos, promesas... E quando irei jogar meu Braid? Meu Oblivion (denovo)? Meu Mafia 2 (que quero ter o prazer de zerar denovo)?!

Sabe o que mais tenho jogado? Team Fortress 2. Por que?
É casual. Eu jogo, e posso sair a hora que eu quiser. Não vou perder "nada"! Fallout não, eu vou me engajar, entrar no jogo...

É foda, FiliPêra, é foda.
Foi-se a época de zerar Max Payne em 1 dia, ou chamar os amigos pra uma partida de Silent Hill no feriadão.

Paulo Roberto [Em Paralello] disse...

Bons tempos aqueles em que eu tomava Red Bull para ficar acordado e virar um jogo!!Hoje mau tenho tempo para dormir!!

Saudade de quando eu era criança!

Semija Omurokay disse...

Como eu trabalho à noite, tenho tempo sobrando para me dedicar a alguns jogos hardcore. No momento estou jogando GTA IV, Red Dead Redemption, Super Mario Galaxy 2, Final Fantasy XIII e Assassin's Creed: Brotherhood, com a intenção de fazê-los todos 100%. Mas admito que seria foda se eu trabalhasse de dia...

Max Milliano disse...

Mas enquanto houver nerds haverá esperança!

Sempre haverá um jogo com uma história descente em algum lugar do universo dos games!

Não desistamos!!!

Anônimo disse...

Rodrigo Barreto estudante 16 anos
estava a procura de algo que me inspirasse na internet, resolvi procurar artigos sore o tema liberdade de expressão, e me deparei com esse site maravilhoso que é o nerd somos nozes, eu sou nerd e fan aciduo do nerdcast, parece que agora eu tenho mais um podcast para passar o tempo!

Toon Link disse...

O Podcast MDM e o Matand Robos Gigantes são 2 podcasts tão bons quanto o do JN e tratam praticamente dos mesmos tipos de tema.(coisas "nerds").


e Filipera, parabens pelo gosto. realmente a trilha de DKC2 é a melhor da historia dos games e é bom saber que há outra pessoa com a mesma emoção pelo jogo que eu tenho, de açhá-lo uma grande experiência e um tanto melancólico.

Master Control disse...

"Todos os homens se dividem em escravos e livres; pois aquele que não tem dois terços do dia para si é escravo, não importa o que seja: estadista, comerciante, funcionário ou erudito" - Friedrich Nietzsche

Blogger disse...

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