terça-feira, 16 de agosto de 2011

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[HyperEspaço #23] Por que não defendo minorias

 

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Tem uma coisa chamada politicamente correto que, creio Eu, todos devem conhecer ou, ao menos, ter uma opinião do que seja. Politicamente correto - a meu ver - é um processo que pretende tornar os símbolos culturais nulos do que se convencionou classificar de preconceito em uma determinada época, dirigido a determinado grupo de indivíduos.

Um exemplo disso é a adoção da palavra “presidenta” após a Dilma ser eleita. O termo presidente é assim desde que aprendi a falar português (é um substantivo uniforme comum de dois) e só agora se inventa de querer criar uma versão feminina dele. “Ah, Filipe… agora chegou uma mulher ao posto máximo governamental do nosso país, então a palavra pede mudanças”. Ué, existem mulheres no tráfico de drogas há muito tempo e nem por isso inventaram o termo traficanta, o que mostra a dualidade presente na questão e um possível preconceito.

Claro que esse tipo de classificação é muito subjetiva e depende de interpretações de alguém - ou um grupo - supostamente instruído para criar uma espécie de padrão aceitável pela sociedade. Se estamos vivendo em tempos denominados Politicamente Corretos, é porque esse tipo de demarcação linguístico-cultural se espalha num ritmo assustador.

Um exemplo disso ficou patente nesse fim de semana, num embate no Twitter que revelou bastante sobre como funciona esse tipo de patrulha ideológica. Para resumir, o crítico de cinema Pablo Villaça linkou uma piada remixada que dizia basicamente o seguinte: “Existem mulheres que você ganha com um olhar. Existem mulheres que você ganha com um bom papo. Existem mulheres que você ganha com um beijo. Para todas as outras, existe Mastercard” [imagem abaixo].

 

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Só para esclarecer e tentar ser justo, a piada linkada foi uma forma de complementar uma piada anterior que dizia que vários homens não conseguem atrair mulheres e apelam para o dinheiro. Logicamente que a piada não quer dizer somente isso, pois têm um sentido invertido, com a afirmação que as mulheres é que são compráveis. Mas, antes de dizer que existem mulheres compráveis, a piada afirma que existem outras três categorias de mulheres, levando-se em consideração que tipo de atrativos elas vêem nos homens. E bom, quer doa em algumas mulheres quer não, existem mulheres que só pensam em dinheiro, como creio ter sido o caso de Anna Nicole Smith, que casou com o bilionário J. Howard Marshall II, de 89 anos - ela tinha 27 anos na época. Como ela, existem outras, e afirmar com toda a certeza do mundo que não existem mulheres que se interessam por dinheiro, me parece um salto no vazio da burrice.

Mas o nosso amigo Pablo tem 9.786 seguidores no Twitter e eis que surge alguém não muito satisfeito com a piada: a Maria Júlia, que se diz feminista de carteirinha. Vamos a alguns tuits dela com reações a piada acima (e somente a piada, nada mais, antes que se assustem):

Só se for a sua. RT @pablovillaca: Como conquistar as mulheres: migre.me/5udwP (:P) [Link]

@pablovillaca Isso é machista, e mostra que você é 1) incompetente pra discutir; 2) um completo imbecil. [Link]

@pablovillaca É mais simples do que parece: Ao pensar em piadas com mulheres, não as faça, pq são sempre machistas. [Link]

@pablovillaca A imagem que você postou serve, sim, pra perpetuar um preconceito contra as mulheres, de que elas são ganhas c/ $ [Link]

Sabe o que eu acho? Que homem, ao pensar em brincadeiras sobre mulheres, devia simplesmente CALAR A BOCA. [Link]

O mais engraçado é ver um bando de homens vindo socorrer o amiguinho. Solidariedade machista. [Link]

Esse é o @pablovillaca mostrando que não passa de um machista patético. Acha que piada com mulher, dinheiro e louça é engraçado. [Link]

E aí, @pablovillaca, aposto que cê curtiu a piada do Rafinha Bastos! Foi só piada, né? Bóra estuprar mulher feia!! Oportunidade pra elas! [Link]

Isso tudo da mesma criatura, só pra constar. Vamos do início: como primeiro movimento, ela começou com uma agressão, ao separar apenas uma parte da piada (machista, na opinião dela) e jogar para cima da mulher do Pablo, que linkou a piada. Em reação ao comportamento que considerou desmedido, ele inicia uma série de piadas ainda mais cínicas e engraçadas (para nós homens, claro, nenhuma mulher riria disso… tirando umas 15 que Eu conheço), incluindo TPM, louças, brincos e outras coisas, além de jogar argumentos dela contra ela mesma (as imagens foram capturadas pela Lola Aronovich, principal motivo desse texto, como demonstrarei nos próximos parágrafos).

Agora também sou racista? Então inclua homofóbico e anti-semita na lista. RT @_julinha: o mov. negro tb é "chato-politicamente-correto"? [Link]

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Ele não parou por aí, obviamente, tem mais coisas, mas Eu paro por aqui, porque essa batalha se estendeu por uns bons dois dias inflamados e não estou escrevendo uma Monografia, além da timeline dele ter muito mais tuits, o que dificulta a minha coleta dias depois dos fatos.

Após a mesma Julinha linkar um texto de uma feminista - que Eu (e várias pessoas que conheço, inclusive feministas) classificaria de radical - chamada Lola Aronovich, doutora em  Literatura em Língua Inglesa pela UFSC e dona do blog Lola Escreva, a discussão esquentou. O motivo é que ela, assim como Pablo, é relativamente famosa e é tida por muitas como uma espécie de representante da luta feminista.

Pois bem, ela não demorou e escreveu um texto relatando algo que ela chamou de “padrão eterno”, que resumidamente seria o seguinte (primeiro parágrafo do texto “PADRÕES QUE SE REPETEM SEMPRE”, da Lola):

Tem um padrão que se repete sempre. É assim: uma pessoa ou um blog ou uma coluna ou whatever com um bom histórico de publicações e declarações em defesa das mulheres escorrega. Publica um texto de alguém falando mal de feministas e chamando-as de feminazi, ou traduz um vídeo de um cara dizendo que o feminismo é uma droga, ou linka uma piadinha machista. Isso repercute, e o sujeito que escorregou é criticado por várias pessoas, incluindo, lógico, feministas. Como o sujeito reage a essas críticas? Negando que seu escorregão foi machista e usando clichês machistas pra ofender as feministas que o criticam.

A mensagem do texto escrito por ela casa e foi complementada muito bem por um tuit que ela mandou quase ao mesmo tempo:

Todo mundo escorrega e é machista às vezes. Acontece. Mas se alguém te critica por isso, saiba ouvir. Reflita. Peça desculpas. [Link]

Para alguém que diz lutar contra preconceitos linguísticos (inclusive o lance da presidenta), que é doutora em literatura - que entende de linguagem com um mínimo de profundidade, por consequência -, usar os termos sempre e todo mundo me parece uma linha argumentativa que se aproxima da tradição ególatra-messiânica com que foi redigida a Bíblia (que ela obviamente não curte, como deixou claro no texto “Assim me diz a Bíblia”), que trata basicamente da necessidade de um salvador que um mundo cruel e pecaminoso (onde nós habitamos) possui. Quer provas? Mando um versículo:

“Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Romanos 3:23)

Repare na similaridade das mensagens. Se fizermos uma fusão do texto de Paulo e da Lola ficaria mais ou menos assim: “Pois todos são machistas, e carecem do feminismo”. E essa similaridade denota que ela parece querer saber mais sobre as mulheres do que as próprias mulheres (ou mais sobre mim do que Eu mesmo). “Todo mundo (…) é machista às vezes”. Me pergunto se uma mulher pode ser machista ou um homem feminista. E outra: se TODO O MUNDO é machista, então o machismo não é um problema.

Mais para frente ela manda outra distorção:

Piadinha dizendo que mulher se vende e só se interessa por dinheiro não é lá muito respeitoso à metade da população mundial, e é obviamente uma mentira.

Você entendeu a piada do cartão? Porque posso ter perdido completamente a minha (pouca) racionalidade e só Eu não ter visto essa mensagem de metade da população mundial só se interessa por dinheiro, como foi o caso dela (messianismo-ególatra novamente).

Antes de prosseguirmos, voltemos aos tuits da Júlia (apoiados pela Lola, como mostrarei abaixo). “Que homem, ao pensar em brincadeiras sobre mulheres, devia simplesmente CALAR A BOCA”, diz um deles. Não sei para vocês, mas para mim, isso soa como ela se colocando como representante única e exclusiva das mulheres no sentindo de dizer: “Se a piada me atinge, não a faça, mesmo que uma mulher goste”, ignorando uma série de mulheres que simplesmente não se sentiram atingidas pela piada e o Pablo retuitou posteriormente.

Imagine a seguinte situação: João é casado com Ana, e Júlia (digamos que é a Júlia dos tuits acima) está na casa deles para o almoço. Ana está a beira do fogão cozinhando e João passa atrás dela, dá um tapa em sua bunda, beija seu pescoço e diz algo como “É isso aí, cozinha direito”, o que leva Ana a esboçar um sorriso, retribuir o beijo, e lembrar que fez a mesma piada quando João cozinhou na semana passada. Júlia, uma feminista fervorosa e radical, tem direito de se indignar, e chamar João de imbecil e machista escroto? Pense bem aí…

 

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Para alguém que diz pregar a igualdade, isso me parece bastante absurdo, principalmente se levarmos em conta o tipo de palavreado que ela usou logo depois - e a Lola chamou simplesmente como uma “crítica não radical”, como demonstrou no tuit abaixo.

(+) Meu post ñ foi sobre uma piada ou pessoa, mas sobre UM PADRÃO.Quem vir os tweets verá q eu (ou @_julinha) ñ fomos as radicais da história. [Link]

E pior: em sua visão, Lola diz que Pablo é que deveria simplesmente não ter reagido as críticas (ele não tem o direito, aparentemente), ou simplesmente deveria ter ignorado Júlia (me pergunto por que ela não fez o mesmo, ou dirigiu o mesmo comentário a Julia?).

@brunotasca Quem podia(devia)ter tido atitude diferente ñ fui eu, mas o Pablo.Ele tb podia ter ignorado a @_julinha, ou mandado só 1 tweet. [Link]

Esse comportamento de achar que somente a interpretação dela é válida é que para mim parece um padrão (parece, não será com dois ou três exemplos que chamarei algo de padrão), como ela deixa claro em uma série de textos dela. Em outras palavras: a Júlia estava em seu direito de escrever impropérios contra a esposa de Pablo, mas ele não estava em seu direito de fazer piadas que elas classificaram como “machistas”. Mais uma prova tuitada desse comportamento quase paranóico? Toma:

Como tem feminista q se despreza! RT @joaopdias_m Feminista q se preze tem q lutar é por direitos,igualdade.Ñ por besteiras culturais! [Link]

Outro problema é a interpretação dela da piada em comparação com um outro texto dela que fala sobre a humorista Sarah Haskins: para ela, TODAS as mulheres podem ser compradas com cartão de crédito (ou dinheiro, bens materiais, em essência) e nessa piada não há espaço para outra interpretação, segundo ela mesma. Já os vídeos da Sarah - uma feminista que satiriza a forma como homens são retratados por propagandas destinadas as mulheres, principalmente de utilidades do lar - são apenas “críticas engraçadas”.

Em um trecho do tal texto ela diz:

Sarah começa dizendo que ser mulher não é fácil, já que a gente trabalha e cuida dos filhos e da casa, sem a ajuda daquelas bestas conhecidas como... nossos maridos.

Em outro trecho:

O primeiro pedacinho de comercial do segmento da Sarah mostra um pai tentando preparar o café da manhã dos filhos, que olham assustados. Sarah diz: “Gastei cinco anos pra fisgar esse cara. O motherf***er [Nota do FiliPêra: eu traduziria como “filho da puta” mesmo] não sabe nem preparar café da manhã”. Ela se frustra que os homens não consigam fazer as coisas, porque, afinal, lembra de como o seu amor era nos comerciais antes de se casar? Ele andava em carrões, paquerava mocinhas, se divertia com os amigos... Tudo acabou quando ele conheceu você e se casou. “E agora ele é ligeiramente mais burro que um cachorrro”. Hahahaha.

Ela termina o texto dizendo que “Ah, dá pra passar o dia todo gargalhando”, e está certa. É fácil entender que todos os esquetes representados por Sarah são piadas que ridicularizam estereótipos criados por empresas de publicidade, ou similares. Da mesma forma que a piada do cartão é uma crítica a existência de estereótipos entre o pensamento de certas classes sociais - incluindo várias mulheres.

 

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Em outro tuit, a Julinha responde exatamente o motivo de Eu não defender minorias:

O mais engraçado é ver um bando de homens vindo socorrer o amiguinho. Solidariedade machista.

Percebe a mensagem? Se ELA e a LOLA rotularam a piada de machista, NINGUÉM pode pensar diferente; fazer isso é “solidariedade machista”. É a mesma lógica do “cala a boca” dela em outro tuit. Da mesma forma que me parece estranho - para alguém que diz querer a igualdade - usar adjetivos como “escroto” e “imbecil” para responder uma piada consideraram preconceituosa. É estranho ela não ter a mínima capacidade de reconhecer que está reproduzindo o mesmo tipo de comportamento preconceituoso que diz combater.

É aí que entra meu problema com minorias. Em primeiro lugar, não podemos (digo cada indivíduo) ser descritos sob uma única característica que nos identificaria. Em segundo lugar, quais critérios utilizar para realizar essa classificação?

Explico: dizer “fulano é negro”, “fulano é machista”, “fulano é gay” é uma super generalização de uma estrutura tão complexa como o ser humano. Se auto-enquadrar em uma minoria (gênero não é uma minoria, mas logo explicarei como conecto as duas coisas) é automaticamente entrar em um preconceito simplista.

James Joyce, em seu clássico Ulisses, criou o herói Leopold Bloom, basicamente descrito como um judeu. Vários dos estudiosos mais dedicados da obra de Joyce classificaram Bloom como um judeu por mais de 40 anos e assim foi (o que automaticamente o coloca em uma minoria). Foi aí que entrou em pauta uma pergunta bem simples: o que é ser judeu? E quanto mais analisavam isso, mais chegaram a conclusão que Joyce queria justamente brincar com esse tipo de classificação.

 

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Noam Chomsky, filho de pais judeus e crítico ferrenho da política israelense, pode ser considerado judeu? 

Segundo minhas melhores referências - inclusive um comerciante judeu patrão de um primo meu -, um judeu pode ter quatro características básicas, que variam de acordo com quem está criando o rótulo: pelas leis civis judaicas, é necessário ser filho de mãe judia (ter crescido em um ventre judeu, em outras palavras); pela cabeça dos nazistas ou neonazistas, inclusive os americanos e brasileiros, judeu é quem teve um ancestral judeu qualquer e identificável; para os rabinos, judeu são os que praticam a religião judaica, o que inclui ser circuncidado, não comer carne de porco, guardar o sábado, ir a sinagoga, entre outras coisas; e, finalmente, para outros círculos, especialmente os políticos, o judeu é aquele ativo na comunidade judaica e, de preferência, que apóia o Estado de Israel.

Bloom, o herói de Ulisses, possuía duas dessas características apenas, e aí vem a pergunta: ele é judeu? Não é judeu? Ou é 50% judeu? Outra pergunta: Marilyn Monroe, ao casar com Arthur Miller - um judeu - e praticar a religião judaica, se tornou mais judia que um ateu nascido de mãe judia? Ser judeu é ter sangue de judeus ou praticar a religião judaica?

O mesmo caso - com muito mais complexidade - ocorre com os negros, outra minoria reconhecida. O que é ser negro? É ter uma foto tirada com uma luz padrão e ter a cor da sua pele medida com precisão pelo Photoshop com resultados indicando certa quantidade da cor preta? É ser branco (ou qualquer outra coloração de pele) e ter antepassados negros? É pertencer a uma comunidade negra? É qualquer um que se diz negro? Todas as alternativas anteriores? Nenhuma delas?

Uma analogia que ilustra isso bem está em um episódio do seriado Um Maluco no Pedaço (The Fresh Prince of Bel Air, no original). No tal episódio, Will e Carlton batem uma aposta que prevê que Carlton passe um fim de semana na periferia de Los Angeles para provar que é negro. Will, um negro da Filadélfia, é preconceituoso com Carlton pelo fato dele não ser da periferia, morar em um bairro rico e estudar nas melhores escolas. Em outras palavras: para Will, se Carlton não é pobre e oprimido, ele não representa os negros, é um “traidor do movimento” - vejo coisas similares em feministas como a Lola: se não pensa igual a ela, ou acha a tal piada do cartão verdadeira ou engraçada, o homem é machista ou a mulher não é mulher de verdade, ou algo assim. 

 

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Responda rápido: qual dos dois é negro?

Nem  gasto meus neurônios pensando nessas coisas, ainda mais no Brasil. Por isso não defendo qualquer luta comunista de classes, seja de gays, mulheres, negros, católicos, judeus, ou qualquer outra. Uma classe não é superior a outra, ou “mais oprimida que a outra”, não têm problemas mais urgentes que as outras. Indivíduos têm. A segregação começa exatamente aí, ao ressaltar os problemas de um grupo, minimizará o de outro grupo, ou indivíduo fora do seu grupo. Um “branco” pobre pode ter tanta dificuldade para entrar na faculdade quanto um negro, mas não existem cotas para ele. Exacerbar um aspecto do problema - mesmo que ele represente a maioria - não é resolver todo o problema.

Por isso defendo a Liberdade Individual, pura, simples e total. Todas as pessoas individualmente (e não todas as classes de pessoas, que dependem de julgamentos extremamente subjetivos, complexos e inúteis para serem classificadas, como demonstrei brevemente acima) terem os mesmo direitos. É isso, ponto! Um indivíduo deveria ter direito sobre seu corpo, se drogar, se suicidar ou praticar qualquer outro ato que envolva somente ele.

Existe também a liberdade de pensamento. João pode achar as mulheres a fonte suprema de todas as mazelas da sociedade, é direito dele. Também pode achar que os negros ou imigrantes estão roubando seu emprego. Pode achar também que os judeus formam uma conspiração para deixa-lo cada vez mais pobre. Isso é liberdade de pensamento, ele pode pensar o que bem entender e ter o direito de comunicar suas idéias para pessoas que pensam de forma similar - daí a Ku Klux Klan ter todo o direito de existir, isso é liberdade de associação. As leis e os movimentos sociais devem se preocupar em lutar contra/impedir/punir eventos, fenômenos espaço-temporais e não idéias, pois isso leva ao perigo da censura. Parece absurdo, mas é a esse tipo de abordagem que as leis e perseguições devem se concentrar - a meu ver, um cara que não pertence a nenhuma minoria, aparentemente.

Por essa linha de pensamento, João pode ser integrante da KKK, da Liga Anti-Judia, do Partido Machista… mas não pode praticar atos discriminatórios, ou difamar, ou atacar indivíduos utilizando veículos públicos, ou de comunicação de massa abertos ao público.  

Por isso certos aspectos da luta dita feminista tiveram extremo sucesso com a mudança de pensamento vindo pelo Iluminismo Humanista e outros não. Por se concentrarem em eventos, e não em subjetividade linguístico-ideológica.

Sufrágio, um sucesso, visto ser o combate a um fato objetivo: a proibição de mulheres votarem. Acesso ao mercado de trabalho: posso estar muito enganado, mas se elas não conseguiram isso, estão perto de conseguir, o que é outro fenômeno objetivo. Tive duas chefes mulheres, em instituições presididas por mulheres. Mulheres na política: a presidente do Brasil é mulher, e se não tem mais mulher na política é porque elas mesmas não votam em mulheres, já que são a maioria do público eleitor. O mesmo se aplica a luta do Movimento dos direitos civis, que mesmo iniciado nos EUA por Rosa Parks, uma negra, e ampliado por Martin Luther King, também negro, também combatia movimentos racistas negros, como o Nation of Islam.

 

Mas, parte dos resultados da luta feminista acaba por gerar desigualdade na resolução dos problemas, e isso mostra o problema de privilegiar uma minoria. Por que mulher tem licença-maternidade de seis meses e homem tem licença-paternidade de CINCO DIAS? Será que o filho não precisa do pai tanto quanto precisa da mãe? Por que a Lei Maria da Penha não prevê também auxílio e proteção a homens? Para se ter uma idéia do problema, nem existem estatísticas sobre violência doméstica contra homens, o que denota que autoridades viram as costas para o problema. A quem eles irão recorrer sem serem taxados de “mulherzinhas”, inclusive por várias mulheres?

Veja o trecho da reportagem “Homens também são vítimas de violência doméstica” (iG, 23/08/2010), escrita por Carina Martins:

Não há pesquisas específicas sobre a violência doméstica contra homens no país. Mas alguns estudos dão uma ideia do quanto existe de agressão entre os casais brasileiros – e não apenas de homens contra mulheres. O primeiro é o levantamento da Fiocruz “Violência entre namorados adolescentes: um estudo em dez capitais brasileiras”, que entrevistou 3.200 jovens e constatou que nove entre dez adolescentes já foram vítimas ou praticaram algum tipo de violência dentro do namoro. Os diferentes tipos de agressão, da verbal até a sexual (qualquer forma de toque sexual sem consentimento) são divididos de forma praticamente igual ou muito semelhante entre os gêneros. Ou seja, as meninas praticam atos de violência com tanta frequência quanto os meninos.

Na verdade, em alguns casos elas aparecem como as maiores agressoras. Quando os pesquisadores perguntam sobre violência física, 24,9% dos meninos disseram já terem levado tapas, puxões de cabelo, chutes ou socos, contra 16,5% das meninas. A parcela feminina que admitiu já ter agredido seus parceiros também é maior que a deles: 28,5% das meninas contra 16,8% dos meninos. A explicação, de acordo com os autores do estudo, passa pela reprodução por parte das meninas do modelo de dominação masculina.

Os dados são claros, porém, em um trecho no início, ela tentou conduzir a reportagem com a seguinte frase: “Mas embora o problema não seja sistêmico e disseminado como as agressões contra a mulher, homens também são vítimas de violência doméstica”. Para mim isso soou como: homem apanhar é um problema menor, menos urgente!

Mas os próprios personagens da reportagem mostram que esse também é um problema urgente, ao contrário do que a repórter pareceu quis dar a entender:

O comerciante do interior paulista que não quis ser identificado pela reportagem também preferiu não se revelar para a Justiça. Durante os treze anos que viveu com uma companheira, o homem de 48 anos diz ter sido vítima de agressões frequentes ao longo de pelo menos dez. Nunca procurou a Justiça. “Quem tem coragem de dizer que apanha de mulher?”, pergunta.

Há alguns dias, a polícia francesa encontrou o corpo do chef Jean-François Poinard, 71, desaparecido há quase dois anos. Sua companheira admitiu tê-lo matado a socos durante uma briga.

Veja o vídeo abaixo (postado pelo Edu Mad-Hatter):

 

Suponhamos que o rapaz do vídeo tenha ido ao tal Corujão e tenha transando com a tal Mirella (concordemos que essa é pior das hipóteses possíveis pelas acusações do que parece ser a namorada dele). Isso dá o direito dela bater nele? Não, mas ela bateu. Se ele reagisse (igualdade para todos, pode chamar de escroto imbecil quem faz piada com cartão de crédito, né?!) aos tapas na cara e desse um soco quebra-dente nela estaria sendo radical, machista, ou algo que o valha? Poderia ser enquadrado pela Lei Maria da Penha?

Falando em Lei Maria da Penha e continuando o assunto da violência doméstica, não vi as feministas reclamarem que a lei não prega a igualdade como elas tanto levantam em suas bandeiras - ou dizem levantar. Vamos a uma interpretação de quem saca do assunto mais que Eu - Rodrigo de Oliveira Machado, Advogado, Pós-graduado pela Fundação Escola Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Território -, no artigo “Aplicação da Lei Maria da Penha a homens vítimas de violência doméstica” (2010) escrito para a revista Jus Navigandi, hospedada pelo UOL.

Nesse conspecto [da distinção], analisar-se-á a Lei Maria da Penha, a qual promove distinção de gênero, partindo do pressuposto de que toda a mulher, no âmbito familiar ou nas relações íntimas de afeto, é vulnerável. Conforme já salientado, entende-se ser inconstitucional sua interpretação literal, haja vista ferir o princípio da igualdade. Com fito de demonstrar isso, cumpre trazer a lume e aplicar os ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Mello, contido em seu livro Conteúdo Jurídico do Princípio da Igualdade.

Outro trecho:

Para exemplificar, imagine-se a seguinte situação hipotética: um pai que espanca sua filha de 10 (dez) anos, causando-lhe lesões corporais de natureza leve, pode ser preso em flagrante, será indiciado em inquérito policial, poderão ser decretadas medidas protetivas em seu desfavor (tais como afastamento do lar, proibição de contato e aproximação, dentre outras), e não fará jus aos benefícios da Lei 9.099/95. De outra face, se praticasse esse mesmo ato contra um filho de 10 (dez) anos, ao invés de uma filha, o autor não poderia ser preso em flagrante, não seria indiciado em inquérito, e poderia gozar da transação penal ou suspensão condicional do processo. Note-se que disparidade.

Será que um homem que bate em uma filha é mais criminoso do que o bate em um filho? Um esposo que bate na esposa é mais criminoso do que uma esposa que espanca um esposo? Creio que não, mas não é isso que a Lei parece dizer e não somente a mim.

Na interpretação de L. G. Grandinetti Castanho de Carvalho, em seu livro Comentários à Lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (p.108, Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009), a lei é falha por não visar a proteção de todos os integrantes da família, principalmente os homens.

Veja-se que o preâmbulo da lei ora examinada remete ao artigo 226, § 8º, da Constituição, que diz: "O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações". Percebe-se facilmente que a promessa constitucional não foi integralmente realizada [pela Lei Maria da Penha], pois a lei somente cuidou de proteger a mulher vitima da violência doméstica, não os demais membros da família, apesar de o texto constitucional referir-se expressamente a cada um dos que integram a família.

Para terminar esse aspecto da interpretação da lei:

O princípio constitucional da igualdade, contido tanto no caput, como no inciso I, do art. 5º, da Constituição, foi violentamente ofendido. É certo que o senso comum demonstra que as mulheres são usualmente as mais agredidas nas relações familiares. Mas a lei não pode descurar-se de proteger todos os membros da família que se encontrem na posição de vítimas de violência, pois assim determina, cogentemente, a Constituição.

Pense-se nas não raras possibilidades de a mãe causar lesão corporal dolosa de natureza leve no filho menor, ou de a neta fazer o mesmo com o avo idoso. Nesses casos não poderá ser decretada a prisão preventiva, pois o artigo 313, I, do Código de Processo Penal, somente admite a prisão preventiva para os crimes apenados com reclusão, o que não acontece com a lesão leve. Mas uma mesma lesão leve que venha a ser praticada pelo irmão contra uma irmã, ou pelo marido contra a mulher, ensejará a prisão preventiva, caso preenchidos os requisitos do artigo 312 e necessária para garantir a execução de uma medida protetiva.

Definitivamente, não há justificativa constitucional para a gritante diferença de tratamento, ainda que se entenda a situação cultural que leva as mulheres à condição de vítimas preferências de violência doméstica. Havia, conduto, outros meios de proteger vítimas de violência doméstica, incluindo o gênero feminino, observando a Constituição.

Note-se a desigualdade no tratamento do texto da lei, e nada disso foi exposto por feministas, que preferem se preocupar com piadas machistas e preconceitos que só elas vêem.

Espera que ainda pior: segundo o texto A LEI MARIA DA PENHA VS OS HOMENS RETRÓGRADOS, de autoria da Lola, o fato dos homens também apanharem e não terem lei para protege-los “não passa de uma idiotice” e quem diz isso tem “pensamento de neandertais”. Quer mais? Toma o trecho abaixo, do mesmo texto linkado acima:

Alguns homens são vítimas de violência doméstica também, mas é diferente. Mulher quando bate dá tapa, arranha (sou veementemente contra), mas homem dá soco. Homem que apanha tem que denunciar a parceira, e pra isso existe o Código Penal. Mas a violência é totalmente desproporcional.

Não sei que base minimamente objetiva e fenomenológica ela usa para fazer uma afirmação generalista e burra dessas, já que nem existem estatísticas relativas a violência doméstica contra homens aqui no Brasil. Em países em que existem estatísticas, os resultados mostram o contrário: um estudo publicado no American Journal of Preventive Medicine afirma que 29% dos homens americanos já foram vítimas de violência doméstica, verbal ou física [BBC].

A Lei Maria da Penha é ótima? É, com toda a certeza, mas por que cria esse tipo de disparidade e tratamento diferenciado? Por que feministas não são contra esse tratamento, já que ele é, de forma gritante, contra a igualdade única e absoluta defendida por elas?

E existe algo pior por trás da violência contra homens: várias mulheres a acham tolerável. Um estudo internacional feito por 36 universidades com as 6.500 mulheres revelou que 68% delas aprovam a agressão física contra seus parceiros e 35% admitiu que já agrediram seus parceiros, em ataques que resultaram em “escoriações, cortes e até mesmo ossos quebrados” [BBC - Tradução no Galácta].

Murray Straus, co-autor do estudo, parece pensar de forma diferente da Lola quanto a existência dessa categoria de violência:

“O ponto de partida é que precisamos ter a mesma “indignação” sobre a violência contra os homens que temos quando um homem agride uma mulher”.

Chamar de “idiotice” não me parece ser uma forma de se indignar. Mais disparidades estatísticas contra a falácia da “idiotice da violência contra homens”? Nos últimos cinco anos, cresceu 169% o número de mulheres presas no Reino Unido (país que começou um processo de criação de estatísticas sobre o assunto) por violência contra homens [BBC].

Dados fornecidos pelo Crown Prosecution Service (órgão britânico responsável por levar crimes investigados pela polícia aos tribunais) mostram que quase 4 mil mulheres foram presas por cometer violência doméstica no ano passado, em contraste com 1,5 mil em 2005 - um aumento de 169%. Para alguns especialistas, os índices são um sinal preocupante de uma cultura cada vez maior de violência por parte da mulher. Outros dizem que quem mudou foram os homens, hoje mais dispostos a contar que foram agredidos por esposas e namoradas.

E uma consequência direta do processo de simplesmente ignorar o problema é bastante claro:

Há poucas organizações oferecendo suporte a homens que foram vítima de violência feminina na Grã-Bretanha. Uma entidade britânica que oferece o serviço, a Mankind Initiative, disse que em todo o país existem apenas 70 leitos distribuídos entre 20 abrigos para vítimas homens, em comparação com 7,5 mil leitos para mulheres que são alvo da violência masculina.

Segundo o presidente da Mankind Initiative, Mark Brooks, apesar do número de mulheres condenadas, algumas organizações ainda se recusam a reconhecer que homens também podem ser vítimas de violência doméstica.

Isso tudo porque “mulher quando bate dá tapa, arranha, mas homem dá soco”. Explica isso ao Kieron, um inglês entrevistado pela reportagem acima, que “foi esfaqueado no peito pela ex-mulher, que hoje cumpre uma pena de quatro anos e meio na prisão”. Ou ao Peter, que afirmou “ter sido vítima de maus-tratos físicos e emocionais pela esposa durante quase um ano”, e quando chamou a polícia “não teve coragem de apresentar queixa”. Peter continua, e diz que “durante meses, ele foi obrigado a dormir na mesma posição, de costas. Se virasse de lado, a esposa lhe dava socos e chutes”.

Ele ainda continua seu depoimento:

"Não estava esperando o soco no rosto. Não esperava que alguém fosse me bater tão rápido."

"Sabe quando você ama alguém tanto e você acredita que a pessoa simplesmente pode mudar? Eu tinha esperança de que ela ia mudar".

Repare bem que Eu não disse em momento algum que mulheres são as que mais batem, mas seria completamente imbecil, retrógrado, ridículo, demente, além de poder ser configurado como cegueira mental, afirmar que quem diz que mulher bate em homem tem “pensamento de neandertal” ou uma “idiotice”. É a mesma coisa que dizer que violência existe somente em casais heterossexuais, embora pesquisas preliminares pareçam dizer o contrário [Público - PT].

Apesar de invisível, a violência nas relações homossexuais é “tendencialmente mais elevada”. Esta é a ideia-chave de um estudo que acaba de ser feito na Universidade do Minho (UM): 39,1 por cento dos participantes admitiram ter adoptado algum comportamento violento e 37,7 revelaram ter sido vítimas de, pelo menos, um acto abusivo no ano anterior.

 

Por motivos como esse que vejo Leis Maria da Penha (quando aplicadas de forma literal, o que não está sendo feito por muitos juízes), cotas para negros em universidades públicas, vídeos sobre gays em escolas, entre outras, são apenas medidas tapa-buracos para tentar consertar problemas na interpretação constitucional mais básica: somos todos iguais como indivíduos! Não existem minorias, raças, e outras classificações que só dão origem a mais divisões sociais, cada vez mais profundas e incentivadas por pessoas que parecem dotadas de cegueira mental, como a Lola. Todos devemos ter acesso a educação, saúde, emprego, lazer, respeito, direito de ir e vir, de nos associar, de contar piadas, de amar nossos companheiros(as).

56 Comentaram...

Panthro disse...

Teste

Panthro disse...

Bom, perdi um texto enorme que estava digitando aqui. O sistema de comentários depois que fechou está horrível!

Mas enfim: Achei sua posição simplista demais. E não considero você nem um pouco simplista, então acredito que existem certos pontos em que você ainda não pensou a respeito. Vou escrevê-los de novo no notepad pra não perder e depois ponho aqui, mas agora não estou com cabeça. Escrever um bocado e depois perder é bem irritante.

Abraço

Elton disse...

Não preciso dizer muito. Também acredito na idéia simples de que devemos respeitar os direitos individuais. Se isso fosse a mentalidade dominante na sociedade não teríamos tantos problemas com coisas como o casamento homossexual, estudo de células tronco embrionárias, melhorias em todo o sistema educacional público e não cotas. Esse seria um dos primeiros passos para a verdadeira igualdade: A lei serve para todo cidadão, e todos são cidadãos, portando, ela pode se adequar a situações que cada indivíduo passa, mas não a 'classes' que não podem ser realmente estabelecidas.
E como o texto foi longe e voltou ao tema, uma boa leitura para depois do almoço-tenho de ficar acordado, tenho que ficar!

Lucas disse...

É costume considerar machista uma coisa ruim e feminista uma coisa boa. Na minha opinião nenhuma das duas denota algo bom e deveriam ser usadas para designar atos extremistas que pudessem causar mal a outras pessoas, não piadinhas como a que iniciou a discussão no Twitter...
Sou leigo no assunto mas acredito que uma sociedade sem pelo menos um pouco de politicamente correto só funcionaria onde cada um soubesse os seus próprios limites e respeitasse o próximo, praticamente utópico. Sem esse pouco de politicamente correto, gente como Jair Bolsonaro sairia ainda mais impune de suas declarações racistas.

Ótimo texto ,fiquei impressionado com a primeira foto, até fiquei pensando se era real ou não.

Vanat disse...

Achei o seu texto muito interessante, com certeza vale a reflexão. Uma coisa é clara, o estado e as leis são para proteger os cidadãos e não as classes, uma classe não pode ser mais importante do que outra, isso é injustificável. Os indíviduos é que precisam ter os direitos assegurados. O exemplo clássico é o das cotas, damm... porque não fazer um plano para melhorar a qualidade do ensino público de base ao invés de tapar o buraco de uma forma tosca e preconceituosa, sim preconceituosa pois segrega e trata de forma diferenciada, e até onde sei está lei é na verdade racismo, que teoricamente ela luta contra oO.

melhor eu não continuar antes que me tachar de algo...

um adendo, essa questão da lei Maria da Penha eu desconhecia totalmente os detalhes, interessante saber um pouco mais, agradeço.

Um pensamento: "Uns são mais iguais do que os outros".

Iza disse...

Não tive tempo de ler tudo, mais tarde com mais tempo livre lerei tudo. Mas só pela imagem em questão e uma feminista ter reclamado já imagino o ocorrido.

Resumindo: Sou mulher, achei a imagem engraçada, não me ofendi.
Existem mulheres mastercard e TODAS as mulheres sabem disso e entre si concordam. Faz sentido isso? Não, é a infeliz lógica feminista de não aceitar homens falarem mal de mulheres.

Odeio feministas e qualquer pessoa que é incapaz de aceitar a opinião alheia.

lola aronovich disse...

Vc mistura ideias demais para fazer um texto interminável e confuso (e, talvez por isso, ninguém vai querer rebatê-lo). Se seu objetivo é criticar o feminismo e pregar a “liberdade individual” — porque, de fato, quem precisa de qualquer movimento social, não é mesmo? — sugiro que vc escreva uns dez posts diferentes, cada um contra-argumentando um texto em particular.
Outra coisa: não publiquei meu texto sobre padrões — porque é sobre isso meu texto, sobre padrões, de como algumas pessoas “progressistas” reagem ao serem criticadas; não é sobre a piada em si do Mastercard) no mesmo dia dos tweets. Foi no dia seguinte, umas doze horas depois. Já teria dado tempo suficiente pro Pablo esfriar a cabeça e pensar com o mínimo de racionalidade. Mas não. A sua ira só foi aumentando. Se querem ter uma ideia da sua agressividade e histeria, é só ir aos comentários do meu post ( http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2011/08/padroes-que-se-repetem-sempre.html ). Não é tão fácil encontrar, pois há mais de 310 comentários, mas incluí vários com todos os tweets mandados pelo Pablo e por mim. Incluí também, já que Pablo disse estar sendo atacado por uma “gangue” comandada por mim, vários tweets que seguidores dele me mandaram. Não são muito delicados. Aliás, esses tweets são tão ignorantes que levaram um leitor meu a dizer: “Se eu fosse o Pablo, estaria morrendo de vergonha dos meus leitores! O nível dos comentários dos seus defensores é tão absurdo que eu repensaria minha função na blogosfera”. Pra mim, sinceramente, esse nível rasteiro de “argumentação” dos seguidores do Pablo mostra que sua influência não é assim tão benéfica pra humanidade quanto ele acredita.
Mas se alguém tiver dúvida sobre quem foi o exagerado da história, realmente recomendo ver os tweets de cada um dos envolvidos (estão na TL, e também nos comentários do meu post). Compare quantos tweets Pablo enviou sobre o assunto e quantos eu enviei. Compare os termos usados. Enquanto eu não o acusei nem de ser machista, ele me chamou de demente, louca, maluca, desequilibrada, vil, mentirosa, attention whore, e sei lá o quê mais. Inventou que sua filha foi atacada e que eu ri disso. Mandou que todos seus seguidores que porventura também me seguissem dessem unfollow. Bloqueou qualquer um que tentou conversar com ele. Essa não me parece uma postura de uma pessoa madura. O irônico é que EU estou sendo pintada como se tivesse feito isso tudo que o Pablo fez e continua fazendo.
O que acho mais patético é a acusação de que escrevi o post “querendo chamar a atenção para atrair cliques para o meu blog”. Primeiro que todo mundo quer cliques para seu blog, não? Segundo que criticar é o que o feminismo e demais ativismos mais fazem. Criticamos porque achamos que há várias injustiças que devem ser criticadas e combatidas. Cabe às ativistas decidirem o quê e quando criticar, não ao criticado. Dizer que não posso criticar alguma coisa (porque foi isso que fiz: critiquei um padrão, não o Pablo; ele é apenas um dos participantes entre três casos citados) é querer me calar, e isso me cheira a autoritarismo, à censura. Um dos cursos que dou na faculdade (fiz mestrado e doutorado na UFSC, mas trabalho na UFC) é o de Crítica da Mídia. É isso o que eu e minhas alunas e alunos fazemos: analisamos preconceitos (machismo, homofobia, racismo, gordofobia, etc etc) em comerciais, programas de TV, jornais, filmes, revistas, blogs, portais... Eu ofereço esse curso e @s alun@s fazem o curso pra chamar a atenção? Ou é pra analisar alguma coisa? Aí fica a pergunta: por que o receio tão grande em ser analisado? Por que não refletir sobre as críticas? Por que fazer tanto drama por ousar ser contestado?

Rosangela disse...

Por que vc acha que hábitos culturais devem ser imutáveis? Preservar identidades culturais nem sempre é positivo. Vc acha que devem ser mantidos a farra do boi ou a extirpação dos clitóris de meninas só porque são tradicionais, marcas registradas milenares de determinados países?

Yanes "Dromar" T.S. disse...

Ok...

desqualificar o texto do site pq ele fala sobre coisas d+ n é uma boa defesa. mas ainda assim... considerar como medida de uma conversa a opinião alheia é tão funcional quanto falar que os PIB da alanha está deixando seu café da manha menos saboroso...

Os dois lados tem seguidores estupidos, isso é fato. os dois lados tem seguidores com senso apurado. Então resolvam isso os dois, e não apelem p a molecada que está por ai.

Yanes "Dromar" T.S. disse...

@Rosangela
Isso foi só pelo paragrafo sobre o "presidenta"? Leia o texto até o final, tem coisas mais interessantes p dar chilique.

Natália Marretti disse...

Achei esse texto excelente! Meus parabéns e assino embaixo. Se tem algo que me irrita é esse negócio de minorias, estou na faculdade e na minha sala há um rapaz que igual a essas feministas que você citou no seu texto.
Simplesmente ignoro. Quanto a Lei Maria da Penha lembro que na minha casa fizemos piada falando que deveria então ter uma que protegesse o homem, seria a Lei João da Lapa hehe.
Enfim, parabéns novamente pelo texto.

sexdrops.net disse...

@lola

O texto é enorme e bem redigido, fala de um problema claro na sociedade: a busca incansável pela igualdade própria e que se foda a igualdade do outro.

Acho diversas exigências do feminismo extremamente corretas, assim como diversas exigências do masculinismo também o são, mas quando um ou outro chegam a um extremo, eles estão errando.

E querer rir de piadas que fazem gracejo com o sexo masculino e se irritar com piadas que fazem o mesmo com o sexo feminino é pura hipocrisia. É querer ser mais igual que os outros.

Leia o texto inteiro e comente sobre o que o texto fala. Ele ultrapassa a briguinha adolescente no twitter.

disse...

Meodeos, que cansativo isso... Na minha opinião a história é essa: a piada é machista, a menina q tuitou reclamando passou dos limites do bom senso (se quer criticar use argumentos, não ofensas), o Pablo tinha q assumir q a porcaria da piada é machista e deu, não necessariamente pedir desculpas, só ver q a piada é recheada d preconceitos, isto não faz com q ela não seja engraçada para alguns... muita gnt na internet faz isso, vide Edu Testosterona, agora ficar negando a conotação preconceituosa da piada é simplesmente idiota, e agora sim, uma atitude machista... é claro que existem mulheres interesseiras, mas todas as mulheres já estão de saco cheio desses estereotipos. Assim como existem negros que são ladrões, coloque isso em uma piada e me diga que ela não é recista... O que acontece aqui é que o machismo está tão impregnado que as pessoas tem dificuldade de reconhece-lo, reconheça o que é machista e se mesmo assim quiser continuar praticando, o problema é seu

vercetti disse...

Belo texto. Cheios de argumentos e outras ideias vindas de outras pessoas com mais autoridade para falar do assunto. Minorias e suas hipocrisias são um saco mesmo.

O único problema é esse fundo vermelho com letra branca, fica difícil de ler...

Compulsivo disse...

Divisões de classe (gênero, número e grau) como essas alimentam a velha máxima de sempre: "Dividir para conquistar"

P.S.: Já fui vítima de violência doméstica...

[]'s
@Compulsivo

Arthur disse...

O Feminismo é tão "limitado" quanto o Machismo;
Generalizar é um erro;
Um erro não justifica outro erro.

FiliPêra disse...

@Panthro...

até Eu me enchi desse sistema e abri os comentários de novo! Desculpa o inconveniente. E claro que existem certos pontos ainda em branco, com situações que exigem algo mais elaborado que um texto na internet, nenhuma teoria é perfeita, ainda mais quando descrita em um mísero texto na internet (o que não me impede de desenvolve-la mais para frente).

De qualquer forma, espero seu comentário!

@lola...

Antes de mais nada, não precisa RT mentiras de seguidores seus, como uma que disse que Eu afirmei aqui no texto que "políticas de integração são desnecessárias" (https://twitter.com/#!/HannahStein_/status/103517323419324416), saiba interpretar um texto como Eu tenho certeza que você sabe.

O que quis dizer com o texto e você não entendeu ao perguntar "quem precisa de qualquer movimento social, não é mesmo?", é que TODOS os movimentos sociais são importantes, e não só o das mulheres e dos gays, como é voga nesse momento aqui no Brasil. É isso, todos com os mesmos direitos perante a lei, da mesma forma como lutou várias camadas do movimento negro dos EUA - que era combatida por radicais (creio que o mesmo acontece com o feminismo) igualmente negros.

E Eu entendi seu ponto sobre "um padrão eterno" no texto, mas isso não torna a piada menos importante, já que se você não a achasse machista, não legitimaria a reação da Júlia (histérica e desmedida, sob qualquer aspecto), que partiu para a agressão pura e simples - e note que meu texto também não é sobre piadas, ou sobre brigas no Twitter.

E Eu teria a mesma reação se alguém xingasse minha esposa/namorada, ainda mais se fosse alguém que sequer conheço, mas se você acha isso normal, tá valendo, liberdade de pensamento para todos! E Eu li suas compilações, que contém inclusive tuits meus, e elas sim são padrões que ocorrem sempre no Twitter, terra do sarcasmo. Mas também vi xingamentos vindo de suas leitoras e não percebi em nenhum momento você expressar algum tipo de "vergonha" delas.

E, vamos ser sinceros: não vou avaliar o Pablo (uma pessoa que sigo há bastante tempo) e nem você por tuits de seguidores, a não ser quando eles são explicitamente aprovados, como foi seu caso com a Julia e os ataques que "não foram radicais". E acho que todos que se sentem atacados estão no direito de contra-atacar, e foi o que ele fez, visto você ter escrito um texto que distorcia fatos e só ter mostrado o que ele tuitou - como apontei aí pra cima.

E, mais uma vez, TODOS tem direito de criticar, mas chamar alguém de escroto, imbecil, babaca por causa de uma piada não é criticar, é ser idiota e piorar um comportamento que diz querer evitar. E quem acusou de "solidariedade machista" quando os leitores do Pablo se manifestaram foi a Júlia. E, não disse em momento algum que você não pode criticar algo/alguém, só estou criticando o modo distorcivo com que você teceu seus argumentos, além de criar um "padrão que se repete SEMPRE" com três casos. Alguém com um mínimo de conhecimento científico deveria evitar tamanha burrice epistemológica.

E me pergunto se você é atenta a seu próprio discurso, que cria uma lógica de "nunca estou errada", como também demonstrei acima.



No mais, agradeço os elogios, sei que alguns pontos - particularmente quando exponho a liberdade individual - talvez não soaram claros o bastante (demorei uma madrugada escrevendo um texto que levaria cinco dias refletindo), mas creio que a mensagem principal foi passada, como demonstraram diversos leitores.

Nilto, o Junio disse...

Altas gentes comentando sem ler tudo, até (aparentemente) a mais interessada. Bom texto, imparcial como deve ser e devidamente abrangente.

Ps: quando li "(fiz mestrado e doutorado na UFSC, mas trabalho na UFC)" eu imaginei ela no octógono brigando com o Anderson Silva, e ganhando (se tiver soado machista)

Panthro disse...

Vou começar a escrever o texto, mas antes de tudo, preciso comentar de verdade quanto à piada:

Tá faltando interpretação de texto. E bastante. Existem mulheres que vc conquista com o romantismo. E existem putas. Acho que ninguém discorda disso. E é exatamente isso que diz a piada.

Claro que vai ter gente que vai achar engraçado pq na cabeça deles diz que toda mulher é puta e essas pessoas acham engraçado ouvir de novo o que acreditam. Mas essas pessoas são muito burras. E não entenderam a piada.

Abdall disse...

Sensacional seu texto. Muito bem escrito e com uma argumentação arrasadora. Parabéns!

Tobias Pereira disse...

FiliPêra,

Concordo com boa parte de seu texto, mas encontrei em um parágrafo algo que me levanta uma dúvida.

Seria onde você diz:

'Um indivíduo deveria ter direito sobre seu corpo, se drogar, se suicidar ou praticar qualquer outro ato que envolva somente ele.'

Ok, mas vejamos, vamos pensar da seguinte mandeira. Alguém que anda de carro sem cinto de segurança, de moto sem capacete, em um acidente, quem vai se dar mal, é ele, certo? Mas será que nós, como sociedade que mantêm os hospitais e tudo mais, não temos o direito de exigir que as pessoas não se droguem, não andem de carro sem cinto, de moto sem capacete, não fumem até o pulmão se degradar, pra depois ficar ocupando vaga em hospital? Gostaria muito de saber sua opnião.

Abraços!

Synthzoid disse...

Na moral Filipe? tl:dr.

Mas vou postar alguns pontos que eu gosto de frisar.

Questão não é defender minorias, mas sim dialogar com as necessidades das mesmas na malha social. Machismo e Feminismo (e outros movimentos...) se tornam noviços a partir do momento que idéias radicais começam a florescer.

Mas é muito comum a gente confundir uma reivindicação feminista ou homossexual como algo de natureza agressiva, ou quiçá, ressarcindo o direito de expressão alheio afinal, elas são excludentes daquilo que a nossa sociedade foi fundamentada, por isso o sentimento de “hostilidade”.

Eu ainda chuto mais alto, preconceitos de natureza étnica, gênero ou sexual são apenas a ponta do iceberg, o problema do Brasil se encontra no preconceito de classes, que transparece as questões sociais.

É muito fácil falar de liberdades individuais quando se é “bem nascido”, ou seja, homem, heterossexual, caucasiano e assim vai, quando você ta incluso em uma camada mais privilegiada da sociedade.

Leis como “Maria da Penha” são consideradas um avanço porque nivelam a situação nos casos de abuso doméstico, da mesma forma que um homem pode ser considerado “mulherzinha”, quantas autoridades já consideraram plausível um argumento tão retrógrado quando a “legitima defesa da honra”?

Violência é violência, condenável em qualquer ambiente, mas precisamos desenvolver melhores os mecanismos de defesa se quisermos ter um sistema igualitário.

Não menosprezo seu argumento, pois sim, homens também são alvos de violência, e toda a questão de “ser um homem” é o maior sinal de abuso psicológico contra a nossa formação, e tudo é decorrência dessa mentalidade medieval.

Panthro disse...

Ficou muito grande e não entrou, mandei pro seu e-mail. E gostei do comentário do Tobias também, é um problema clássico do anarquismo: se as pessoas são livres, são livres pra lidar com as consequências dos seus atos, então não teríamos nenhuma saúde pública ou educação pública. Ou nada público.

O problema é que ninguém quer isso. As pessoas querem liberdade na vida pessoal e bem-estar social. Só que é uma conta que não fecha.

FiliPêra disse...

Responderei a todos com a devida atenção, deixa só Eu sair do meu expediente e chegar em casa de boa. No mais, agradecido, pelos comentários.

E uma observação, Panthro: o máximo de caracteres aqui é 4.096, se quiser postar mais, tem que dividir o comentário! Vou postar o seu comentário aqui, não se preocupe, pro povo entender minha resposta.

Zalankghard disse...

Eu até pensei em escrever a minhas opiniões, mas muitas delas seriam irônicas e sarcásticas poderiam ser mal interpretadas(viva o analfabetismo funcional \o/), gerando polêmica.

Anyway, achei suas opiniões muito bem argumentadas, cada dia mais gosto de acessar o NSN. O texto me fez refletir sobre alguns pontos que antes eu nunca tinha parado para pensar.

Eli Vieira disse...

O que? Não tem categorias sociais que são mais alvo de ataques e violência que outras?? Em que país você vive? Com certeza não é o Brasil.

Bean disse...

Pelo que percebi, parece que a crítica do texto são as opiniões raivosas e extremadas que querem se mascaram como "defesa às minorias", e não a defesa às minorias em si. Podemos pegar dois dos maiores exemplos que existem e que têm uma posição de destaque no texto: negros e mulheres. Nos Estados Unidos existiam pessoas como Martin Luther King e Rosa Parks, que eram a favor do diálogo e do protesto não-violento, mas também existiam os Panteras Negras (que acredito que se comportavam de forma bastante parecida com o que vimos da Maria Júlia no twitter). Em relação ao feminismo, existe a tal Maria Júlia e a Lola, que são tão agressivas quanto foram os Panteras Negras. Mulheres como elas, que aparentemente não têm nenhuma capacidade de crítica ,como a Júlia, ou que transitam pela Academia transmitindo ideologias falhas (conscientemente ou não), como a Lola, são apenas a face raivosa do feminismo, e não falam por todas as feministas. Me parece que é na arte que encontramos um feminismo mais autêntico e potencialmente mais benéfico, como os trabalhos da Marjane Satrapi e da Virginia Woolf. O feminismo delas (e de outras artistas, não vou falar de todas) em momento nenhum é ostensivo e ultravigilante como é o feminismo da Maria Júlia e da Lola; ele é mais suave e irônico, e por isso mesmo o considero muito mais efetivo. Será que devemos desqualificar a minoria como um todo, jogando fora as contribuições dessas duas e de outras autoras por causa de atitudes como a da Lola e da Maria Júlia? Creio que não.

Panthro disse...

Não sei se é mais efetivo, Bean. Tamos aí sendo irônicos sobre os políticos do Brasil há décadas e até agora não vejo mudança.

Panthro disse...

Ah teve uma coisa que eu deixei passar e é engraçado:
"Por que mulher tem licença-maternidade de seis meses e homem tem licença-paternidade de CINCO DIAS? Será que o filho não precisa do pai tanto quanto precisa da mãe?"

Não, né? Bebês mamam no peito. Das mães e tal.

Mauricio Trindade disse...

Parabéns pelo texto, muito bons argumentos. Eu havia lido um dos textos da Lola citado aqui, havia crititicado a mesma parte do texto quando ela diz:Alguns homens são vítimas de violência doméstica também, mas é diferente. Mulher quando bate dá tapa, arranha (sou veementemente contra), mas homem dá soco. Homem que apanha tem que denunciar a parceira, e pra isso existe o Código Penal. Mas a violência é totalmente desproporcional.

A afirmação é de uma debilidade intelectual, de uma parcialidade absurda. Como que uma mulher enfurecida vai só dar "tapas" ou "arranhar" seu parceiro? Foi isso memso que eu argumentei neste texto no blod dela, só uma pessoa com tendência a romantizar as mulheres como a Lola como sendo os seres mais indefesos do mundo para fazer tal afirmação.

daniel disse...

oi folipêra!vc é dos meus!Não é justificavel dizer q a piada é machista por causa da parte: Para todas as outras, existe Mastercard.ele não generalizou quando usou a palavra outras.O q esta acontecendo é que as pessoas lêem ou ouvem um enunciado de nóticia e já pensam que entedem a nóticia inteira.Maria julia e lola querem pessoas assim.

FiliPêra disse...

@Tobias Pereira...

Isso que falarei vale para outros comentários: falei de uma regra que creio ser a mais igualitária, e se engana quem pensa que isso é anarquismo. Obviamente que existem exceções que necessitarão de julgamento e de leis complementares. Proclamar que a Liberdade Individual resume uma sociedade complexa é limitado, é o mesmo que pensar que um dicionário Aurélio é a língua portuguesa em si.

Um bom exemplo do que digo é a Constituição Americana, até hoje a única da história do país. Os EUA podem ser um país cheio de preconceitos difundidos, mas muito disso se deve a sua forte ênfase na produção em detrimento de bens sociais e não as suas leis, que, em vários aspectos, são as mais avançadas do mundo.
Mas, vamos a resposta do que nesse momento julgo como ideal: não, na maioria dos casos não têm direito (trânsito, a meu ver, seria uma exceção pelo fato da não observância de certas regras individuais colocar em risco a vida de outros), já que os impostos são pagos para isso, o que representa quase uma “absolvição” pela lógica capitalista. Se sua atividade é arriscada para sua saúde (como fumar, tabaco, maconha, ou qualquer outra coisa, por exemplo), mas você está recompensando o Estado por isso, creio estar tudo bem. Você, quando compra o cigarro, paga adiantado por essa possibilidade.

Imagine que um alpinista, que vá subir o K2 pelo lado mais difícil. Ele não precisa subir o monte (faz porque quer), mas caso se acidente provavelmente irá deslocar recursos estatais em sua busca, internação e tratamento. Mesma coisa com pessoas que fazem trilhas em parques, que saltam de paraquedas, que nadam na praia. São atividades com sua carga de risco e que vão trazer gastos ao Estado, mas elas podem ser impedidas?
Creio que não. Se você impedir uma pessoa de fumar (não digo proibi-la de fumar em um ônibus ou um local fechado, por exemplo, o que pode afetar outras pessoas), com o mesmo argumento poderá impedir alguém de nadar na praia ou de fazer rapel. Se alguém considera uma dessas atividades "boas" ou "ruins", isso é meramente subjetivo, ao menos para mim.

FiliPêra disse...

@Synthzoid...

Eu não disse que movimentos sociais não podem/devem existir, se organizar, lutar por questões que o valha. Creio que vários aqui me conhecem ou já leram textos passados em que apoio revoltas, rupturas sociais e outras questões. O que quis deixar claro é que uma minoria não deve buscar direitos maiores do que os outros, não deve buscar revanchismos. Fazer mais do que isso pode cair no pecado de, por exemplo, dizer que “todo policial é corrupto e ladrão”, por exemplo, caso tenha sofrido abusos de policiais no passado.

E quem não pertence a nenhuma minoria mas tem as mesmas dificuldades sociais das chamadas "minorias"? Uma sociedade tem sim, classes econômicas, obviamente, não somos comunistas utópicos, e as medidas legais devem assegurar que todos os indivíduos das todas condições sociais adquiram os mesmos direitos. É basicamente essa minha argumentação, e demonstrei brevemente que ela não é a bandeira da Lola, por exemplo, assim como não era do Nation of Islam.

Bom, Eu não sou bem nascido (também não sou "mal" nascido), não sou caucasiano nem nada, então a frase não foi pra mim. Meus pais não têm dinheiro para pagar minhas viagens, faculdade, e outras coisas, Eu tenho que correr atrás e se tenho, é porque estudei.

E, como Eu disse, a Lei Maria da Penha é um avanço imenso, e foi justamente considerada uma conquista em nível mundial, mas também demonstrei que ela é desigual em seu tratamento (alguns juristas diriam que é inconstitucional) e na cabeça da Lola (não falo de todas feministas, porque devem existir um monte de conflitos entre elas, como em qualquer outro movimento social) isso é ótimo, e só mulheres merecem esse tipo de proteção. Esse é o caso mais gritante de como exacerbar o problema de uma dita minoria acaba por prejudicar outro, já que nem existem estatísticas sobre a violência contra homens, e para a Lola esse é um mal menor, já que "mulher só dá tapa e arranha".

Mas enfim, creio que pensamos da mesma forma, só nos expressamos de forma diferente.


@Panthro...

"Não, né? Bebês mamam no peito. Das mães e tal."

E é só a isso que se resume a educação e o processo de paternidade/maternidade? E uma pergunta: se a mãe morrer no parto, como é que fica? Se ela estiver doente ao ponto de nem poder levantar da cama?

@pokerol disse...

então, né, sobre o negocio da licensa maternidade ai.

Sobre a questão da mãe estar doente, existem licensas e tals e se a mãe morrer meu filho, vc vai ter q se virar por resto da vida, não vão ser os 5 meses da licensa q vão melhorar isso.

Sobre a "educação e o processo de paternidade/maternidade" nos primeiros 6 meses, se resume a trocar fralda cagada, dar de mamar e limpar vomito cara, nao tem educação nem valores não.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Teu artigo, em geral, especialmente no começo, é muito bom, mas aponto falhas ou questiono detalhes:

A Lei Maria da Penha vale apra homens. Já existem decisões judiciais favoráveis ao homem e que os protegem.

E, sejamos honestos, existe MAIS violencia doméstica contra a Mulher que contra o homem.

Vc se diz contra a idéia de minorias e etc, mas e como ficam as cotas? É inegável que os negros são maioria dos pobres e dos fora da universidade, que os índios são discriminados, que negros são mais discriminados, que os gays são vítima de violência homofóbica diariamente. Não podemos tratar TODOs como IGUAIS, mas alguma igualdade ou unidade existe.

não se garante igualdade achand oque deixar tudo com oestá irá permitir ao negro entrar na universidade. Vai entrar só branco.

A qustão do rotulo ou identificação já está em parte superada. Hj mts autores usam a idéia de auto-identificação, que tem paralelo com a Comunidade Imaginada de Benedict Anderson. Você é parte do grupo que se sente parte.

E discordo quanto à parte da KKK e etc, a mera pregação destes grupos já é uma difamação. Qd Bolsonaro tem o "direito" de dizer que gays são inferiores e que não devem ter direitos ele se coloca contra os direitos humanos e atenta contra direitos desta minoria ou deste grupo vulnerável (em sua maioria). Como tolerar isto?

Como toelrar, como há na Holanda, um aprtido que defenda a pedofilia, ou seja, o abuso de vulneráveis?

Seria lindo um mundo em que fôssemos MESMO iguais. MAs não somos, ou ao menos existem grupos que tentam manter a desigualdade. Como dizer q políticas voltadas para os gays são ilegítimas qd diversos direitos lhes são negados? Como dizer que os negros são iguais aos brancos se negros são revistados e mortos ao andar na rua apenas por serem negros?

pettoruti disse...

Acompanhei desde sexta as agressões gratuitas ao Pablo Villaça e fiquei irritado e com pena dele, mas agora com este post me senti justiçado, e com certeza ele tmb.

Inside world disse...

Sempre acompanhei os seus posts, você escreve muito bem, mas nesse acho que você errou a mão, ficou um pouco longo e misturou muito as idéias. Só pelo amor ao debate gostaria de lançar uma dica mais filosófica ao tema:
Conhece o utilitarismo? Nele explica porque tratar com desigualdade os desiguais.

Synthzoid disse...

Filipe,

Seja sensato rapaz, como uma minoria poderia reivindicar poderes maiores que a classe dominante, isso não existe rapaz, chego a dizer que é logicamente obtuso. Sua postura é alarmista e paranóide, conseqüência direta de uma educação calcada no patriarcado.

Ai que ta, dificilmente, alguém que não pertence a uma minoria vai encontrar problemas de ordem econômica e/ou social, como eu disse em meu último comentário, problemas assim são apenas conseqüência do preconceito de base que assola o país.

Não existe articulação sócio-econômica a partir do momento que a condição étnica, de gênero ou opção sexual do individuo serve como trave para sua ascensão na malha social.

Eu sei que você não é caucasiano, ou bem nascido, alias, faz parte de uma pequena elite de bem instruídos, alfabetizados, sem contar que pertence ao sexo masculino, querendo ou não, já existe uma disparidade social entre você e alguns grupos.

Lembra uma vez que eu, você e o Agostinho (@agrt) discutimos sobre a questão de igualdade entre os sexos? Que a mesma se dá em base social, mas sempre respeitando as diferenças fisiológicas e psicológicas encontradas em ambos os gêneros.

Claro que existem casos de agressões contra maridos e homens, mas elas são minorias e o aparato judiciário já garante sua defesa, caso invocado. Agora, são essas mesmas diferenças que dão legitimidade a lei Maria da Penha, afinal, um homem tem explosão muscular e mais força física que uma mulher, isso sem contar todo o antepassado sócio-cultural da questão. O ato de agressão é bem mais impactante.

A Lei Maria da Penha é eficaz porque: 1) emancipa a mulher de sua condição subjulgada na sociedade patriarcal 2) garante uma defesa justa em caso da sua integridade física seja violada.

Panthro disse...

"E é só a isso que se resume a educação e o processo de paternidade/maternidade? E uma pergunta: se a mãe morrer no parto, como é que fica? Se ela estiver doente ao ponto de nem poder levantar da cama?"

Claro que não. Mas licença-maternidade não é dada pra educar ninguém. Na verdade, ela era até menor antes, só aumentaram por pressão dos órgãos de saúde pra que a lactação fosse levada mais a sério. E ficava mais barato do que obrigar as empresas a terem creches e liberar as funcionárias pra amamentar em períodos regulares. Ninguém liga se é a TV que vai educar as crianças.

Panthro disse...

Quanto a Lei Maria da Penha, tem que se entender o contexto em que ela foi criada: Não era pra defender mulheres de agressões físicas. Pra isso já existem leis, que servem pra homens e mulheres. Ela era pro caso de mulheres que eram economicamente dependentes dos homens, porque eram donas de casa, e se submetiam a violência por não ter nenhuma outra alternativa. Mentira, sempre tem outra alternativa. No caso era fugir de casa e correr o risco de ser perseguida e morta mesmo assim.

É uma lei que tem tudo pra ficar caduca a medida que os parâmetros sociais mudarem. Mas até mudarem, ainda tem sua função. Não acho que deve se legislar para a sociedade que gostaríamos, mas também para a sociedade que existe. Não é porque todos temos direitos iguais que vamos achar que criar rampas pra deficientes é discriminação, porque eles são beneficiados como se fossem uma classe especial dentro da sociedade, correto?

K.B.L.O disse...

Depois da uma procurada no video do carinha falando sobre a mesa redonda de mulheres em que a Sharon (esposa do OZZY) COMENTA FEMINISNO ...E SEXISMO.. ABRAÇO

Leitor NSN disse...

Já repararam que as feministas são GERALMENTE feias?

Gustavo Silva disse...

Eu li tudo, mas não tive paciencia para os comentários, lamento.

Eu acho válido a piada do mastercard, enquanto dita e considerada como piada. Acho que a diferenciação de gêneros são, não sabia sobre a lei maria da Penha não proteger os homens, isso é importante de saber.

Eu entendo que essas leis que diferenciam classes procuram garantir direitos legais que são negados culturalmente. Mas isso funciona a curto prazo somente.

Muita Saúva e pouca saúde, os males do Brasil são!

Aleatório disse...

bom texto, vou usar ele em umas discussões com meus amigos xD

Thiago Luiz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Thiago Luiz disse...

Eu não li tudo(acabei de chegar cansado e vou tentar dormir).Vou salvar e ler com mais calma e expressar minha opinião. Como o Felipe disse que futuramente irá desenvolver sua teoria(ESPERO),terei tempo para ler tudo e tirar minha própria conclusão.

De onde surgiu essa de Presidenta?Só em algums blogs e no jornal(Diário do Nordeste)que eu li tamanha sandice.

Marcelo Paes disse...

Cara, foda-se a Lola. Foda-se o Filipêra, foda-se os (as) machistas e as (os) feministas também. Texto grande pra caralho, chato, interminável, com comentários mais chatos e intermináveis ainda. Esse blog está indo ladeira abaixo e não é de hoje, por conta da total incapacidade de síntese de quem escreve. Que merda. Que grande pilha de merda cansativa e monótona.

Paulo Roberto [Em Paralello] disse...

Agora sim o comentário para fechar com chave de ouro! Estava ate estranhando nao aparecer ninguém para falar da qualidade do blog! Rsrsrs

FiliPera coloca mais figuras da próxima vez! Kkkkkkkkkk

Tavares disse...

Grande parte das ideias presentes neste texto estavam presentes em meu artigo sobre o politicamente correto nas HQs.

http://www.emquadrinho.com/2011/08/o-politicamente-correto-nas-hqs-ou-por.html

Vi com alegria que o Felipe partilha ou copia algumas ideias minhas, porém o que me desagrada é a hipocrisia do mesmo pois ele recentemente se uniu a um desses militantes de causas esquerdistas para me sacanear no twitter, um cara que me chama de nazista e homofóbico, louco, gay reprimido, direitista e um monte de ofensas.

Outro dia eles roubaram foto minha e de amigos do Facebook, tive de ameaça-los de processo para que parassem de me perseguir.

Ou seja, este texto do Felipe é uma puta hipocrisia, pois toma ideias minhas e ao mesmo tempo toma partido dos fanáticos esquerdistas que me perseguem.

Creio que ele escreveu este texto para a autopromoção e para gerar pageviews para este blog, mas em si, não vive nenhuma dessas ideias.

Criar polêmica é fácil para tuiteiros desocupados que querem ganhar popularidade na rede, mas viver ideias é outra coisa.

Synthzoid disse...

seu merda...

Anônimo disse...

Eu não cheguei a ler todo o texto, calmamente e etc. Vou fazê-lo e comentar algo mais convincente, ver se a minha opinião é influenciada.
Mas, por enquanto, a MI-NHA opinião é essa:
Testa, por uma semana, ser mulher, ser negro, ser nordestino, ser gay, ter alguma deficiência, ou não-sei-mais.
Nada disso é relacionado, tem nível equilibrado, nem chegam a ser "minoria", mas há um fato: são todos tratados como nada.
O causo não é botar a culpa em quem.
Mas, veja. Quantas piadas sobre brancos temos?
Alguém aqui já viu alguém postando uma série de piadas sobre homens, ou, não sei, ejaculação precoce?
Tem alguém pressionando você pra ser muito mais?
Quando se é mulher, você tem uma tempestade de planos a seguir.
Você tem que ser razoavelmente inteligente e muito gostosa, ou razoavelmente gostosa, mas é sua obrigação ser inteligente. Tem que mostrar 75% do seu corpo, ou é idiota. E uma porrada de etc.
Já ouviu o termo "intelectual solitária"?
Se refere às mulheres que são inteligentes, provavelmente bem-resolvidas, mas não tem um homem específico em suas vidas.
Por que diabos um homem pode ser bem-resolvido sem a necessidade de ter uma esposa e uma família estilo comercial de margarina?
A mulher não tem que ser só xis, ela tem que ser o alfabeto todo.
E os negros?
Vc NUNCA viu um negro surtando por nada?
Você tá pensativo, andando na rua, vai atravessar, e ele pensa que é por culpa dele. Eu já vi muuita gente indignada por isso.
Em uma sociedade aonde são ditadas um complexo de regras, se vc não segue, você se fode.
"Os piores racistas são os negros"
É horrível ver um maltratando seu próprio histórico, mas você acha MESMO que é fácil sobreviver à uma tempestade de influência através de todas as mídias, aonde você vive em um país lotado de negros, mas, por ex., a Globo só mostra brancos?
à quem vc daria mais respeito: um negro que de tudo conhece o passado, cultura, ou um branco que o mesmo sabe?
Dreads em negros pensam ser quase uma obrigação. Em brancos, é lindo, exótico.
Qual o papel de negros em boa parte dos filmes?
Se você for ligado as artes, me diga: aonde estão os negros nos filmes de Tim Burton?
Porque eu não me lembro de ver nenhum no mundo fantasioso dele.
Etc.
Etc.
Eu perdi minha linha de raciocínio,mas: troque de lugar, você não ia surtar com a coisa mais boba do mundo?
As mulheres educadas para serem bem-resolvidas vão rir daquilo, enquanto que as outras vão ser rotuladas de extremistas por surtar.

Quando a gente tá em uma situação confortável, não precisamos nos preocupar.
Pode continuar assim.
Vamos mudar o mundo.
Rs.
E pode me rotular de extremista, mesmo.
É mais fácil pra você.

Borbas disse...

Leitor NSN disse...
Já repararam que as feministas são GERALMENTE feias?


Seu comentário teve tanto impacto que abri o xvideos para refletir sobre.

Anônimo disse...

Nem li tudo, mas vou ler depois com mais calma!

Vi em um comentário dizendo que a piada é machista, não acho!
Quem não conhece alguma mulher que se casou por dinheiro? e homens, também?!

Tudo moralmente correto, daqui a pouco as piadas serão proibidas!

Sou mulher não me ofendi e ainda ri!! hahahah

Karol

Cláudia Gomes disse...

Apesar de concordar com vc em muitas idéias sobre feminismo/machismo, não acho legal quando fala sobre todos terem direito de defender e publicar suas idéias nos exemplos que apresenta como KKK, não entendi bem seu raciocínio...ter direitos de defender o ataque aos direitos de todos? Sobre minorias e racismo li do Min.Joaquim Barbosa e achei interessante a idéia de proteção de minorias(cotas), é a idéia do utilitarismo creio.

Vânia disse...

Nossa não me sinto mais sozinha no mundo!
Escreveu tudo que eu penso sobre o assunto,
concordo que nao deva existir qualquer tipo de cotas, leis especificas e todo mais para uma so classe, acredito q esses tapas buracos seriam validos se junto o governo investisse em educação e conscientização para reverter o processo de desigualdade gradualmente.
E só pra constar, não me ofendeu em momento algum a piada.
E adoro o blog!

Anônimo disse...

Você precisa estudar mais a lingua portuguesa. Em palavras terminadas em "ente" existe casos em que se faculta usar o "a" no final como por ex: parente(a). Portanto, o termo presidenta não é de agora. Sempre existiu! eu acho que tu não gosta de mulher.

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