terça-feira, 6 de abril de 2010

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Uma palavrinha

Por Homem Risonho, do blog Liberdade Desplugada

 

Crédito da foto: Rominita

[Nota do Editor: O Homem Risonho mantém uma espécie de newsletter muito interessante, e o texto abaixo foi uma espécie de pausa nos textos “normais” dele. Os melhores Eu publicarei aqui, como estou fazendo. Caso queira receber os emails também, experimente mandar um reply pra ele]

Primeiro quero pedir desculpas por incomodá-los. Como muitos de vocês, eu também aprecio os confortos da rotina diária, a segurança do que é familiar, a tranquilidade do repetitivo. Gosto disso como qualquer um. Mas gostaria de tomar sua atenção, pois você que me acompanha desde o dia 29 de agosto percebeu que existe um organismo que constantemente te induz a crer que você é livre. Mas não é.

Talvez muitos nunca sequer pararam para pensar nisso, tenho que admitir que eu mesmo não entendia a profundidade disso até eu começar a refletir, buscar essa informações e pratica-las. Não meus caros, não sou nenhum asceta, monge, santo ou filósofo erudito, a pessoa por trás da mascara de Homem Risonho é alguém normal como você.

O que aprendeu com estes textos que te enviei durante esses meses? Isso mudou a sua vida ou ainda se deixa influenciar pelo bombardeio de informações infundadas do seu dia-a-dia? Se somos constantemente condicionados a isso, significa que a nossa natureza segue o inverso e somos resistentes, portanto o veneno psicológico nos é dado aos poucos. Claro que há muitos que não querem que discutamos esse assunto, é loucura pensar, isso é prática para desocupados e estar em ócio é algo imoral. Neste momento alguém lê com o pensamento de que isso é uma mera perda de tempo e que não se pode mudar o mundo. Concordo que é impossível mudar o mundo, mas é possível mudar as nossas condições.

E a verdade é que há algo terrivelmente errado com este país, não é? Você sente isso também certo? Que o mundo está decadente e que a cada geração as coisas só pioram, mas será que isso é por acaso? Novas doenças, ataques terroristas, medo de perder o emprego, dividas, assaltos, carência afetiva, sofrimento. Servimos a um tipo de “mestre” que nos incute esse tipo de medo. Crueldade e injustiça, intolerância e opressão. E enquanto que antes vocês tinham a liberdade de objetar, de falar e pensar o que quisessem, hoje vocês tem a censura e sistemas de vigilância coagindo vocês a conformidade, a imbecilidade e a submissão.

Por quê?

Porque a imposição é usada no lugar da liberdade de consciência, mas as palavras sempre mantiveram seu poder. As palavras expressam um significado e são para aqueles que aceitam ouvir a revelação da verdade. Porém as palavras podem ser diluídas e diminuídas ao ponto de existir como pequenos fragmentos isolados. Como isso aconteceu? De quem é a culpa? Certamente uns se empenharam mais nisso do que os outros, mas serão punidos da mesma forma. Mas o certo é que se quiser achar o culpado, basta olhar no espelho. Quando raramente admitimos a nossa culpa falamos isso da boca pra fora, para aliviar a tensão de uma reflexão maior, temos medo de olhar para nós mesmos, pois todos nós somos responsáveis pelas falcatruas que acontecem.

Você pode pensar que não rouba, não mata e paga suas contas, mas pense o quanto foi conivente e omisso a tudo isso, jogando a culpa no governo, sempre conservando aquela aparência de bom cidadão que não somos e apenas se restringir a reclamar para si mesmo e assim te tornando em um covarde intelectual. É preferível evitar conhecer, pois se saber nos força a agir e não queremos “dor de cabeça”, já temos preocupações demais. Nunca enxergamos o nosso pecado e a depravação de nossos corações.

Achamos que o ato de pensar é diferente de agir, o resultado é sempre o mesmo, a personalidade apodrece e se corrompe. Mas qual a diferença? Apenas a ousadia de quem age e que faz mal aos outros, mas somos consumidos progressivamente, pois acabamos por nos espelhar de forma indireta a eles. Não façamos como Adão que culpou Eva por comer o fruto ou como o ateu que culpa o Deus que ele não acredita pelas agruras deste mundo, culpe a si mesmo, entenda que de uma forma ou outra você é responsável.

Sei por que faz isso. Sei por que vive com medo. Quem não estaria? Milhões de problemas conspiram para corromper sua razão e roubar seu sentido comum. O medo te domina. E em seu pânico, recorrem aos infinitos recursos deste sistema, para te distrair, entreter e roubar a sua mente e lhe oferece uma razão de viver fabricada. Ele lhe promete ordem e paz. E a única coisa que pede em troca é seu consentimento calado e obediente perante aos abusos que você e seus familiares sofrem diariamente.

No intuito de pensar em eventos importantes do nosso passado, geralmente associados à morte de alguém que vale a pena lembrar ou o fim de algum regime ditatorial, para que a história não se repita vocês preferem celebrar um feriado legal, a Copa do Mundo, a ruína de uma família, a aprovação de uma lei que dá direito a apenas um pequeno grupo de pessoas auto proclamadas especiais ou a proibição de um incômodo particular.

Pessoas de todo o mundo começaram a acabar com esse silêncio e lembrar este mundo o que está esquecido, mas ainda somos poucos. Achei que podíamos marcar este ano como algo a ser lembrado, tirando um dia das nossas vidas diárias e chatas para sentar e pensar no que está errado com o reflexo que olha no espelho, no começo é difícil, mas você consegue. E 2010 está propício para isso, afinal temos bons ingredientes para trabalharmos. Minha esperança é lembrar ao mundo que retidão, justiça e liberdade não são meras palavras. Elas são perspectivas.

Se isto para você não é nada, se ainda se omite perante os crimes desse governo, então sugiro que não faça nada e fique em sua vidinha sem propósito. Mas se vê o que vejo, se sente o que eu sinto e se busca o mesmo que eu, peço que fique ao meu lado. Convido-o a ver este vídeo e pensar sobre a sua vida.

 

Prazer em te conhecer e bem vindo à realidade. Voltemos à nossa programação normal!

10 Comentaram...

Leandro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leandro disse...

PQP, já começo a sentir raiva de mim mesmo agora, por todas as M. que já fiz, e olha que nem foram tão escabrosas assim.
Tudo passou pela minha cabeça, todas as porcariazinhas, desde as luxúrias pensadas e feitas às crises de ira, nas quais fui infligido por outras pessoas ou por mim mesmo.
Todos pensamentos de maldade para com outras pessoas que me maltrataram, que maltrataram pessoas a quem gosto ou mesmo por sentir piedade das pessoas que não conheço e foram maltratadas.
É realmente tempo de mudança. Devemos pensar nas nossas atitudes e nos nossos pensamentos.
Me arrependo já de ter escrito aquele comentário em outro post (Sobre imprensa capixaba).
Chega de acusações, todos serão julgados e pagarão por suas atitudes e pensamentos, inclusive EU, e a vida que vai além do hoje e da morte, mostrará e cobrará de todos.
A respeito do post do Homem Risonho, a nossa revolta pode ser silenciosa, sem sentimentos de ira ou violência. Não somos Mahatmas Gandi, mas devemos treinar essa habilidade de não revidar a agressão feita com mais agressões. É fácil falar? Lógico, é muito fácil e o verdadeiro desafio está em não se submeter ao sentimento da maioria.
Roberto Shinyashiki disse num de seus livros que "a maioria (das pessoas), não é exemplo de NADA", então por que sermos iguais se somos pensantes e só nos falta ser ativos.
Um grande abraço a todos, e puxa vida esse Neil Gaiman é bom mesmo. Já sou fã. (um pouco atrasado, só dois anos).

Tom Sawyer disse...

Ótimo post amigo Risonho,

Hoje as pessoas vivem em uma espécie de sono, um transe, que, exatamente como você falou, desvia da realidade.

Uma vez alguém me disse que se eu morrer e conseguir fazer uma pessoa, somente uma, entender minhas idéias, minha morte não terá sido em vão.

São poucos que tem a coragem de dar a cara a tapa para acordar uma minoria em bilhões, mas sempre vale a pena.

Continue com o ótimo trabalho.

Grande abraço,

Vendetta disse...

É, meu caro...
Um belo texto (a la V de Vingança), mas infelizmente não é o suficiente pra atingir a grande massa.
Pois é ela que tem o poder de atingir qualquer ideal que chegue perto do "faça o que tu queres...".
O ser humano apenas se aproxima de sua real bestialidade diante do caos total, que raramente ocorre nesse arremedo de civilização ao qual estamos presos.

Como nosso amigo disse acima, realmente é algo que vale a pena (o despertar); mas já tive algumas épocas de esclarecimento e sei que terei mais, de tempos em tempos, pois nosso conceitos se alteram muito rapidamente, e já tentei despertar todos ao meu redor. Mas é uma tentativa vã caso os outros não estejam na mesma sintonia mental que você.

Concordar que é um texto válido e bonito é ótimo.
Compreender sobre a importância que ele carrega são outros quinhentos.

Abracêra!

rodrigo natatario disse...

"a maioria (das pessoas), não é exemplo de NADA", então por que sermos iguais se somos pensantes e só nos falta ser ativos.

fasso minhas essas palavras.

Felipe Augusto disse...

Bonito texto, se não tivesse sido plageado da HQ "V" teria surtido mais efeito e parecido menos com uma flasa indignação... apesar de concordar com a ideia "em geral" a maneira como foi posta... imitando o discurso do "V" tornou a coisa um pouco artificial... inclusive pelo uso XATO das mesmas palavra do "V".... mas valeu!!!

Anônimo disse...

Na verdade não é uma falsa indignação, só usei o texto como esqueleto e não alterei algumas palavras pq achei que elas deixavam bem claro aquilo que eu queria expressar.

Enfins, mea culpa

Rominita disse...

olá!
a foto dos lábios é de minha autoria e agradeceria já que está publicada no blog sem minha autorização, agregue-se-lhe o link original onde está publicada:
http://www.flickr.com/photos/rominita/748742882/

Obrigada!

Romina

FiliPêra disse...

@Rominita...

Opa, perdoe a nossa falha. Achei a imagem no Sxc.hu, sob uma licença Creative Commons, e acabei não pesquisando para ver se as informações eram verídicas. Mas já inseri os créditos. E parabéns pela linda fotografia!

Rominita disse...

Não há problema! agradeço que tenhas posto meu nome...
É uma foto que me roubaram infinitas vezes! internet lamentavelmente é asi: não há muita protecção sobre as próprias fotos.

Obrigada!!!
=)

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