quarta-feira, 28 de abril de 2010

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Shonen Jump pede fim da pirataria de HQs

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Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento sobre o mercado editorial sabe que o maior medo das editoras é que os scans prejudique tanto a sua forma de negócios quanto os downloads ilegais de MP3 afetaram a indústria fonográfica. Particularmente, não entendo perfeitamente essa preocupação, já que muitas pessoas pegam livros e gibis emprestados com amigos ou em bibliotecas e nem por isso se tornam criminosas ou as editoras faliram. Os scans são apenas uma evolução disso, com a diferença de ter alcance global. Se valer a pena o fã desejará comprar, mas ninguém quer gastar dinheiro com um gibi ou livro e depois descobrir que ele era ruim.

Infelizmente, as editoras e os escritores não pensam desta maneira, combatendo projetos legais  como o Livros para Todos, que protestam contra os altos preços dos livros. A Shonen Jump, maior antologia de mangás, fez algo no mínimo insólito. Simplesmente pediu em um editorial da edição da semana passada que os leitores parassem de digitalizar as páginas e disponibilizá-las na rede. O editorial é este, que eu copiei do Omelete:

 

"Hoje existem muitas pessoas dando injustamente cópias de mangás na internet. Estas cópias ilegais não fecham com os sentimentos dos mangakás. Elas também distorcem as intenções dos autores quanto a como o trabalho deve ser lido. A ação de publicar estas cópias injustas na net, nas quais os mangakás investiram sua paixão, não apenas ferem os quadrinistas na vida real, mas também são contra a lei, mesmo que feitas de boa fé. (...) As cópias injustas na internet estão ferindo profundamente a cultura do mangá, os direitos dos mangakás e até as almas dos mangakás. Por favor entenda mais uma vez que tudo isso é contra a lei."

E o pedido surtiu um certo efeito, já que o Ritual Scan Forge, um dos maiores sites de scans da internet, parou de disponibilizar novos capítulos dos mangás. Agora falemos sobre o editorial da Jump. As cópias ilegais de fato vão contra o impacto que os autores planejaram com suas obras, já que ler é uma obra no papel é uma experiência com uma maior imersão do leitor do que ler pelo monitor de um computador. Isso acontece porque as obras são pensadas para aquele formato e por isso o leitor só tem uma experiência completa no papel.

Mas eu não entendi o porquê de toda essa preocupação da Jump. Os scans permitem aos fãs de outros lugares do mundo conhecer obras anos antes de serem publicadas no Brasil e ler mangás que provavelmente nunca receberão a mesma chance. Quadrinhos populares no Brasil como Naruto, Nana, Death Note e One Piece quando foram publicados no Brasil já tinha um gigantesco grupo de fãs que não hesitou em comprar as edições porque já sabia que eram boas. Os scans só diminuem de fato as vendas dos quadrinhos ruins.

Está certo que a Jump está ladeira abaixo nas vendas, mas bate recordes e mais recordes nas vendas de volumes encadernados. O propósito das antologias sempre foi fidelizar o leitor para que ele comprasse depois o volume encadernado dos mangás que gostasse. Então porque toda essa aflição? Os scans também podem servir como agente fidelizador.

O problema das editoras é que elas têm uma mentalidade muito retrógrada. Basta ver a entrevista da Panini no Omelete, que praticamente chamou seus leitores de piratas. As editoras deveriam aproveitar as oportunidades que a internet dá e criar planos de negócios para ela, que consistam de fato em uma revolução editorial.

 

[Via Omelete]

20 Comentaram...

Felipe disse...

Caro Murilo,

Concordo com alguns pontos de seu artigo, especialmente o fato de difundir determinadas obras para outros países, o que facilita a venda dos mesmos. Mas generalizar e dizer que no geral quem lê o scan e gosta, depois comprará o original é um pouco ingênuo. Sei que muitos realmente fazem isso, mas tenho certas resalvas em dizer uqe isto não diminui as vendas.
Que os scans salvam nosso bolso de comprar muitas obras terríveis é outro ponto que concordo com você. Quanto a novas plataformas de negócios pela internet, uma iTunes para quadrinhos seria legal.

X-Kuei disse...

Me desculpe por discordar, Murilo.
Peço desculpas pois sei que seria maravilhoso se fosse verdade.
Ler um mangá escaneado, em minha experiência pessoal e de amigos, não levou a uma compra posterior. Ainda que o mangá seja bom, não gastaríamos R$200,00 só pra ter no papel uma história que já "temos" no computador.
A versão pra TV é que pode sim fidelizar, partindo do princípio de que o Mangá seja o "material completo", e a série de TV uma edição. Na minha opinião, o mangá de Cavaleiros do Zodíaco jamais venderia por aqui sem a série de TV.
Sobre a mentalidade retrógrada das editoras, é fácil falar assim, mas você também tem que entender que elas precisam da grana. Os grupos tradutores "disponibilizam" de graça, mas também não tem custos. E é pirataria, sim, por mais que sejamos simpáticos a ela.
É claro que o modelo de negócios precisa ser revisto. Mas num mundo em que todo mundo quer tudo de graça, quem paga a conta?

Chico Fagundes disse...

Concordo plenamente com os amigos dos comentários acima. Venho notando que aqui no NSN é pregado que a pirataria é boa em todos os sentidos, o que não é verdade. Esse papo de "comprar depois de ter baixado no computador" não existe. Acho que cerca de 1% das pessoas que baixam e gostam do que viram, acabam comprando a edição em papel. Lembro da minha infância onde precisávamos guardar uma parte da mesada pra comprar a próxima edição de X-Men. Se fosse nos dias de hoje quem iria comprar algo que já teria disponíevel na Internet? É fácil falar quando trabalhamos e temos grana pra comprar o que queremos sem doer no nosso bolso. Mas e essa infinidade de adolescentes que ainda dependem da mesada dos pais? Quando falam em divulgação pela internet ser boa, só vale pra quem é independente, mas não pra quem ganha um salário de uma editora. O cara se ferra pra montar um mangá e vai nego disponibilizar na Internet. É prejuízo na certa.
A revista que você tem em casa é emprestada pra 1, 2 pessoas no máximo...isso se vc não tiver um apego afetivo pela revista, porque senão nunca vai emprestar. Nem se compara em disponibilizar na internet e 1 milhão de pessoas baixarem.
Eu concordo que deveriam inventar outro método para a venda das revistas. Já que não podem ser lançadas versões "demo", se torna bem complicado.E continua sendo pirataria escanear e jogar na Internet.

Chico Fagundes disse...

Só mais uma coisa. Não podemos culpar as editoras ou o que for por aplicarem preços absurdos. Eles tem o direito de cobrar o que quiserem como nós temos o direito de não comprar. É como isentar os viciados em droga pela culpa do tráfico. Somos nós que mantemos o imperialismo americano por tomarmos Coca-cola, usarmos roupas da Nike ou coisas do tipo. Somos responsáveis pelo nosso consumismo. Está achando ruim os preços ou a exploração por parte das indústrias? Simplesmente parem de comprar!

thebetatester disse...

"Esse papo de "comprar depois de ter baixado no computador" não existe"

Existe sim. Caso contrário, Modern Warfare 2 não seria tanto o jogo mais pirateado quanto o jogo mais vendido de 2009.

Com quadrinho é pior ainda, contando com o fato de que é muito pior ler um quadrinho num PDF no computador do que lê-lo confortavelmente no sofá da sua casa.

PAULO HENRIQUE DE DEUS disse...

Eu tenho que concordar com os 4 primeiros comentários. Pirataria só é bom para quem usufrui um produto cultural como hqs, filmes, livros etc. e não paga nada por isso, È preciso lembrar que não é apenas editoras riquisimas (como Shonen Jump, Marvel, DC, etc) que ganham quando seus produtos são vendidos. Essas editoras empregam muitas pessoas que vivem com dinheiro que essas editoras lhe pagam. Ou alguem acha que Masashi Kishimoto, ou o Tite Kubo ficam felizes quando alguem (como eu) baixam os seus mangas de algum scans sem pagar nada. E olha que fazer uma mangá é extemamente trabalhoso. Eu concrdo com você Murilo Andrade, de que as editoras deveriram mudar as formas de negócios e aproveitar as oportunidades que internet oferemcem. Mas isso "Os scans permitem aos fãs de outros lugares do mundo conhecer obras anos antes de serem publicadas no Brasil e ler mangás que provavelmente nunca receberão a mesma chance. Quadrinhos populares no Brasil como Naruto, Nana, Death Note e One Piece quando foram publicados no Brasil já tinha um gigantesco grupo de fãs que não hesitou em comprar as edições porque já sabia que eram boas. Os scans só diminuem de fato as vendas dos quadrinhos ruins" é besteira. Nem todo mundo que baixar na internet um mangá (como eu) vai correndo para uma banca de revista comprar esse mesmo manga que ele consegui de graça. Eu não corri para comprar Naruto, One Piece ou Nana. Mas admito que comprei alguns quadrinhos e mangas que eu ja tinha baixado, porque normalmente as traduções dos scans são ruins.

Murilo Andrade disse...

Mesmo vocês dizendo que a maioria das pessoas não compram as HQs depois de baixá-las as vendas dos mangás continuam batendo recordes e mais recordes. Conheço várias pessoas que não hesitam em comprar depois de publicados. Nos Estados Unidos, por exemplo, os mangás vendem bem lá e existem muitos sites de scans por lá.

Os mangakás nem ter porque se preocupar tanto. Os títulos mais baixados são os famosos, óbvio, e eles vendem milhões no Japão, são alçados ao posto de best sellers e seus autores ficam ricos. Seria muito egoísmo se importarem só porque as pessoas estão lendo sem pagar.


Da forma como alguns de vocês aqui falaram, não todos, deu a impressão que não comprariam nem se não houvessem scans na internet.

Zano disse...

Acho que vai da mentalidade de cada pessoa. Ja li varias HQs no pc. Não e a mesma coisa de vc está com a revista em maos. O bom dos Scans, permiti conhece varias historias ou mesmo lê revistas que dificilmente encontraria em uma banca ou livraria. Tenho todos os scans do Sandman, mas nem por isso deixei de comprar a Edição Definitiva.

Chaves Papel disse...

Bom, eu vou discordar em partes de você!

Vamos comparar a HQ com um filme.

Você baixa um filme, se ele for bom você compra o DVD depois, se ele for ruim, você não compra!

Isso quem compra filmes! Quem não compra...

A mesma coisa é a HQ.

Se você gostar, você vai comprar depois e se você não gostar, você não vai comprar depois!

Isso pq você compra HQs! Quem não compra...

Entendeu, né? É ai que entra o prejuízo deles!

A seu argumento é certo, mas só pra nós que compramos!

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Quero comentar o comentário do Chico:

"Eles tem o direito de cobrar o que quiserem..."

Só pode ser piada isso!

Chico Fagundes disse...

Continuo afirmando "Eles tem o direito de cobrar o que quiserem, como nós temos o direito de não comprar".
É assim que funciona o capitalismo meus jovens. Um colecionador tem o direito de avaliar e cobrar um milhão de dólares por um rascunho por considerá-lo "obra de arte". Compra quem quiser!

Murilo Andrade disse...

@Chico Fagundes
Discordo. Quero ver as editoras cobrarem preços absurdos, uns 100 reais por volume, para ver se alguém continua comprando.

Chico Fagundes disse...

Pois é isso Murilo. São as regras do mercado. Os preços são estipulados de acordo com os custos envolvidos com material e pessoal juntamente com a previsão do lucro, que será suportado pelos consumidores.

José Renato disse...

Eu até concordaria com isso, se o autor do quadrinho não ganhasse apenas 10% do preço de cada exemplar vendido, e o resto não fosse todo pra editora. Enquanto isso não for mudado, viva a pirataria.

Felipe disse...

Murilo Andrade

Não entendo por que vc afirma discordar do Chico Fagundes, quando sua sentença seguinte apenas confirma o pensamento deste.

Esse é apenas uma das leis básicas do funcionamento do mercado.

Murilo Andrade disse...

@Felipe
O que eu quero dizer é que as editoras não podem cobrar o preoço que quiserem. Mas cobrar um preço minimamente justo.

X-Kuei disse...

@thebetatester
"Caso contrário, Modern Warfare 2 não seria tanto o jogo mais pirateado quanto o jogo mais vendido de 2009."

Não vejo ligação entre esse fato e esta discussão. Apostaria um rim que menos de 1% dos que piratearam MW2 gostaram tanto que resolveram pagar 60 dólares pelo trabalho duro do desenvolvedor.
É a mesma coisa que afirmar que se não existisse pirataria, MW2 seria o jogo mais vendido de todos os tempos. Se não existisse pirataria, quem não tivesse dinheiro simplesmente não ia comprar, ponto.

ANDF disse...

Tem que ser um preço acessível a todos, mesmo pra quem comprar, ler, gostar ou não. Muita gente "parece achar" que qualquer leitor(a) consegue juntar uma grana e adquirir uma edição de colecionador ou revista mensal de qualquer país e correr o risco (ou não)de passar fome.
É um assunto complicado. E muita gente não quer esperar sua hq favorita encalhar e ser até revendida num sebo, numa banca ou num mercado.
O mesmo vale pros títulos independentes de nosso país ou não.

Jota F. disse...

Primeiro, queria saber da onde vc tirou esse apenas 1% das pessoas que fazem isso compram o original. É dados do IbGE? De algum instituto de pesquisa? Ou a boa e velha falácia, ou seja, não tem nenhum real argumento por trás disso; são apenas mais achismos.

Já ouvi isso antes, mas eu tenho algo mais próximo de um argumento que vc. Veja o exemplos do Steam, uma plataforma que se preoucupa com o usuário: eles disponibilizaram um jogo inteiro de graça para qualquer um que fizer cadastro no site. Eles perderão dinheiro com isso? Acho que não, as pessoas acabaram por comprar alguns dos jogos nessa plataforma. Normalmente sempre tem jogos em promoção, muitas vezes, jogos novos e bons a um preço muito baixo. Isso sim é um exemplo de empresas que respeita o cliente e não quer fazer uma guerra com eles.

Da minha experiência pessoal, os maiores contribuientes aos scans, traduções de filmes, seed de torrents são também os que mais gastam com produtos culturais. E Eles não são 1%, são bem mais que isso. Além das pessoas que adquirim o pirata e depois compram o original também é muito maior.

Caio Nogueira disse...

Eu discordo da sua postura de dizer que apenas os mangás ruins sofrem risco por conta dos scans, uma vez que, como uma forma de arte, a beleza inerente é relativa ao leitor. Ou seja: o que um gosta o outro não necessariamente gosta.
Num mundo globalizado e conectado pela internet alimentado sobretudo pelos consumidores mais jovens, é natural querer a disseminação simultânea de material, quer seja sob a forma computadorizada ou analógica (livros, cd's, dvd's, blu-rays, etc). Mas, enquanto isto constituir crime penal - o que concordo, uma vez que a propriedade intelectual de alguém pode ser disseminada sob a forma que o dono queira, seja buscando lucro, seja não - é ilegal tal cópia.
Entretanto, acho que as editoras do mundo todo podem buscar um melhor uso da tecnologia disponível para constantemente barateá-la, tendo, por exemplo, a própria Shonen Jump liberado páginas iniciais de seus mangás online, a Amazon liberado páginas de seus livros para consultas e algumas distribuidoras de filmes liberados clips e minutos de seus filmes para visualização. Fora desse contexto, é crime.

Ceci1011 disse...

Eu concordo com um pouco do que você falou,maas os quadrinhos ruins não vendem nem se tiver 100 scan's traduzindo.Eu acho que se as editoras disponibilizassem os mangás bons que scans disponibilizam,os fans podem esperar até que ele chegem até o ponto que o scan parou,porque eu vejo vários scans que param os projetos porque a série foi licenciada
Mas no caso das séries em andamento,a gente não vai ficar sem ler só por causa que uma editora lançou o mangá...

Eu to acompanhando o mangá do One Piece do Japão por scans,e eu não deixo de comprar a edição,porque fan mesmo quer colecionar a série que tanto ama.

E sobre a Shueisha(não só shonen jump,a editora inteira) pedir o fim da pirataria, é mentira,porque lá no Japão nao dá diferença nas vendas.

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