quarta-feira, 8 de junho de 2011

Avatar Felipe

X-Men - Primeira Classe

 

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Thor, Lanterna Verde, Capitão América e X-Men – Primeira Classe. De todos esses filmes, que começaram a ser produzidos mais ou menos na mesma época, o quarto filme da equipe mutante da Marvel era o que menos me inspirava confiança. A Fox já havia feito uma bagunça com os personagens no terceiro longa e ainda teve a coragem de cometer Wolverine. Então, quando Primeira Classe foi anunciado, era impossível não achar que o filme seria apenas um caça-níquel tentando ganhar uns trocados na aba dos excelentes filmes do Marvel Studios. Felizmente, a Fox trouxe Bryan Singer para escrever o roteiro e colocar ordem na franquia. E o resultado é um dos melhores (se não for o melhor) filme dos X-Men.

O filme começa com o jovem Erik Lehnsherr – o futuro Magneto – no campo de concentração nazista, quando utiliza seus poderes em público pela primeira vez, ao tentar salvar sua mãe de ser levada pelos soldados alemães. Uma cena que já apareceu em um dos filmes anteriores, a diferença é que aqui nós vemos o que aconteceu depois, com o jovem mutante sendo torturado psicologicamente por Sebastian Shaw, que deseja utilizar os poderes do garoto. Na mesma época, em outra parte do mundo, o pequeno Charles Xavier conhece uma garota que consegue mudar de aparência e descobre que não é o único com poderes. Após essa introdução, o filme pula para os anos 1960, que é a época em que se passa a história.

Fazer uma história ambientada no passado de outros filmes já produzidos é complicado, existe sempre o risco de acabar mostrando algo que contradiz os filmes anteriores. Porém, fazer isso se mostrou a decisão mais acertada para dar um novo fôlego aos X-Men no cinema, com cenas de ação sensacionais e com uma história mais focada na equipe como um todo, não sendo um Wolverine e X-Men como foram os outros. Mas o verdadeiro trunfo de Primeira Classe é mostrar como começou a amizade de Charles Xavier e Magneto, sempre deixando claro para o público que eles não são inimigos que se odeiam, apenas dois amigos com ideais diferentes.

Aliás, em nenhum momento o roteiro, escrito por Bryan Singer junto com Ashley Miller, Zack Stentz, Jane Goldman e Matthew Vaughn (que dirige o filme), apresenta Magneto como vilão e Xavier como um homem perfeito. Pelo contrário, o sempre bondoso Professor X, interpretado por James McAvoy, é mostrado aqui como um homem cheio de falhas e até alguns preconceitos. Apesar de pregar que os mutantes devem se aceitar e serem aceitos do jeito que são, reparem como ele sempre se sente incomodado quando a Mística aparece em sua forma natural.

 

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Do outro lado, temos Michael Fassbender interpretando brilhantemente um Erik Lehnsherr atormentado pelos anos que em que viveu no campo de concentração e buscando vingança pela morte da mãe. Mais do que um simples terrorista mutante, o que vemos é apenas uma pessoa traumatizada e com medo de passar por todo o terror nazista novamente. Impossível não torcer pelo personagem, mesmo sabendo que futuramente ele será o grande inimigo dos X-Men.

Melhor do que as interpretações de McAvoy e Fassbender individualmente, só mesmo quando os dois aparecem juntos. São eles que protagonizam algumas das melhores cenas do filme, como quando Xavier tenta ajudar Magneto a superar seus traumas para utilizar os poderes com mais eficiência. Após compartilhar uma memória da infância do amigo, Xavier se emociona e agradece por poder ver aquele momento. O último diálogo entre os dois no filme é de emocionar por mostrar toda a amizade e preocupação que um sente pelo outro, mesmo quando estão em lados opostos.

Claro que um filme de super-herói de verdade também precisa ter ação e não apenas boas atuações e diálogos interessantes. E, utilizando a Guerra Fria como pano de fundo, o que não falta em X-Men – Primeira Classe são cenas de ação. E todas com efeitos especiais muito bem feitos e de tirar o fôlego, sendo que Magneto rouba a cena mais uma vez nesse quesito. Em determinado momento ele destrói um navio utilizando a âncora e as correntes do próprio para fazer o serviço. Como as melhores cenas de ação estão perto do final do filme, não vou comentar sobre elas, mas com certeza fazem valer o ingresso do cinema.

Apesar desse novo filme ainda mostrar os mutantes tentando se encaixar no mundo, a existência deles não é conhecida por todos, o que faz com que ainda não estejam sendo caçados. Devido a isso, o tom desse novo filme não é tão sombrio quanto os primeiros. Pelo contrário, o ritmo é de aventura, bem ao estilo dos quadrinhos, com viagens e mudanças de cenários constantes. Até os uniformes negros da franquia X-Men deram lugar à roupa azul e amarela, que era utilizada pela equipe quando surgiu nas HQs. E mesmo com esse estilo mais aventureiro, o diretor Matthew Vaughn conseguiu alcançar um equilíbrio perfeito entre as cenas de ação e as de drama, nunca deixando o filme cansativo com exageros de um dos dois lados.

 

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Infelizmente, o filme possui algumas incongruências quando pensamos nos primeiros filmes. Fica no mínimo estranho, por exemplo, que o Professor X e a Mística sejam tão amigos em Primeira Classe e na trilogia original ela não demonstre se importar com ele. E, posso estar enganado, mas no primeiro filme Xavier diz que Magneto construiu o elmo que o protege de poderes telepáticos, algo que é mostrado de forma diferente nesse novo filme. Porém, nada que consiga estragar a diversão.

Como todo bom filme de super-heróis, X-Men - Primeira Classe possui vários easter eggs para os fãs de longa data dos mutantes. É divertido ficar tentando identificar quem são os personagens que aparecem rapidamente quando Xavier está fazendo uma busca com o computador Cérebro. E duas participações especiais vão fazer os fãs pirarem.

Com certeza vai ter muito fã da Marvel reclamando do fato de Alex Summers aparecer nessa primeira equipe, ou dizendo que a Rainha Branca foi pouco aproveitada na história (e foi mesmo), mas é preciso ter em mente que é impossível adaptar uma HQ sem fazer algumas modificações. E mesmo com essas pequenas mudanças, X-Men – Primeira Classe é um filmaço que faz jus aos grandes momentos da equipe nos quadrinhos. Com certeza já está na minha lista de filmes preferidos de super-heróis. Ponto para a Fox dessa vez.

 

X-Men – First Class (EUA, 2011)

Diretor: Matthew Vaughn

Duração: 132 min

Nota: 10

7 Comentaram...

Eraldo disse...

Eu ainda não tive o prazer de assistir o filma, mais com as criticas que tem saido estou com muita vontade de ver o filme também.

Temos uma amigo super fã de X-Men, ele também deixou sua resenha no blog da World RPG Fest, deem uma conferida lá: http://www.worldrpgfest.com.br/blog/2011/06/mutante-com-orgulho/

Rodrigo Morais disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rodrigo Morais disse...

Filme muito bom, realmente o melhor da série. Mas há mais incongruências do que foram postadas aqui: o filme simplesmente ignora os acontecimentos de X-men Origins: Wolverine, como o fato da Emma Frost aparecer mais velha em Primeira Classe do que Origins, sendo que este se passa depois na linha do tempo que Primeira Classe, e outra que seria um spoiler ferrado. Tirando esse problema, o filme vale o ingresso.

Silent Beholder disse...

O que eu achei mais sem explicação é que se a Raínha Branca é uma telepata tão pderosa, como ela não escapou da prisão? sem sentido total... Ela por acaso cansou e resolveu ficar lá?

Jocília disse...

Gostei do filme, bom drama, aventura, ação, bons efeitos visuais. Mas não gostei das incongruências em relação aos filmes lançados anteriormente.

Como no fato de que no terceiro filme da série, se não me engano, mostra um Xavier já careca, mas andando normalmente, sem cadeira de rodas, indo atrás de uma nova aluna para a escola que está fundando junto com Magneto, inclusive, na cena a aluna arregimentada é a Jean Grey. Sendo que neste filme que mostra a origem dessa história Magneto e Xavier já rompem os laços, e jovem ele já está na cadeira de rodas.

Jocília disse...

Gostei do filme, bom drama, aventura, ação, bons efeitos visuais. Mas não gostei das incongruências em relação aos filmes lançados anteriormente.

Como no fato de que no terceiro filme da série, se não me engano, mostra um Xavier já careca, mas andando normalmente, sem cadeira de rodas, indo atrás de uma nova aluna para a escola que está fundando junto com Magneto, inclusive, na cena a aluna arregimentada é a Jean Grey. Sendo que neste filme que mostra a origem dessa história Magneto e Xavier já rompem os laços, antes da arregimentação de novos alunos, como a Jean Grey, e jovem Xavier já está na cadeira de rodas.

Blogger disse...

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