quinta-feira, 16 de junho de 2011

Avatar Voz do Além

Anonymous manda um tapa na cara da OTAN

 

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A OTAN, sabe-se lá com que intuito, fez uma declaração onde abertamente afirmou que “o grupo Anonymous é uma ameaça a sociedade democrática e ao mundo livre”, e citou como exemplo as ações deles que retiraram do ar sites de instituições financeiras e empresas de cartão de crédito, como forma de apoio aos ataques ao WikiLeaks.

Creio que vocês os conhecem o Anonymous, um grupo de hackers que ficou famoso com a chamada Operação Vingança, e logo depois com ataques a sites que fecharam contas do WikiLeaks. No momento o bicho tá pegando pro lado deles: a polícia espanhola prendeu três supostos integrantes do grupo (inclusive um que hospedava um servidor usado em ataques de negação de serviço), enquanto o governo turco prendeu mais 32.

Não posso dizer que apoio os hackers, mas a resposta deles a essa declaração da OTAN é digna de nota, o tipo de coisa que Eu queria ter escrito (posso não ser grande coisa, mas não falo isso pra qualquer amontoado de palavras). Leiam abaixo:

 

Saudações, amigos da Otan. Nós somos a Anonymous (*)

Em uma recente publicação, vocês destacaram o Anonymous como ameaça ao ‘governo e ao povo’. Vocês também alegaram que sigilo é ‘um mal necessário’ e que transparência nem sempre é o caminho certo a seguir.

O Anonymous gostaria de lembrá-los que o governo e o povo são, ao contrário do que dizem os supostos fundamentos da ‘democracia’, entidades distintas com objetivos e desejos conflitantes, às vezes. A posição do Anonymous é a de que, quando há um conflito de interesses entre o governo e as pessoas, é a vontade do povo que deve prevalecer.  A única ameaça que a transparência oferece aos governos é a ameaça da capacidade de os governos agirem de uma forma que as pessoas discordariam, sem ter que arcar com as consequências democráticas e a responsabilização por tal comportamento.

Seu próprio relatório cita um perfeito exemplo disso, o ataque do Anonymous à HBGary (empresa de tecnologia ligada ao governo norte-americano). Se a HBGary estava agindo em nome da segurança ou do ganho militar é irrelevante – suas ações foram ilegais e moralmente repreensíveis. O Anonymous não aceita que o governo e/ou  os militares tenham o direito de estar acima da lei e de usar o falso clichê da ‘segurança nacional’ para justificar atividades ilegais e enganosas. Se o governo deve quebrar as leis, ele deve também estar disposto a aceitar as consequências democráticas disso nas urnas. Nós não aceitamos o atual status quo em que um governo pode contar uma história para o povo e outra em particular. Desonestidade e sigilo comprometem completamente o conceito de auto governo. Como as pessoas podem julgar em quem votar se elas não estiverem completamente conscientes de quais políticas os políticos estão realmente seguindo?

Quando um governo é eleito, ele se diz ‘representante’ da nação que governa. Isso significa, essencialmente, que as ações de um governo não são as ações das pessoas do governo, mas que são ações tomadas em nome de cada cidadão daquele país. É inaceitável uma situação em que as pessoas estão, em muitos casos, totalmente não cientes do que está sendo dito e feito em seu nome – por trás de portas fechadas.

Anonymous e Wikileaks são entidades distintas. As ações do Anonymous não tiveram ajuda nem foram requisitadas pelo WikiLeaks. No entanto, Anonymous e WikiLeaks compartilham um atributo comum: eles não são uma ameaça a organização alguma – a menos que tal organização esteja fazendo alguma coisa errada e tentando fugir dela.

Nós não desejamos ameaçar o jeito de viver de ninguém. Nós não desejamos ditar nada a ninguém. Nós não desejamos aterrorizar qualquer nação.

Nós apenas queremos tirar o poder investido e dá-lo de volta ao povo – que, em uma democracia, nunca deveria ter perdido isso, em primeiro lugar.

O governo faz a lei. Isso não dá a eles o direito de violá-las. Se o governo não estava fazendo nada clandestinamente ou ilegal, não haveria nada ‘embaraçoso’ sobre as revelações do WikiLeaks, nem deveria haver um escândalo vindo da HBGary. Os escândalos resultantes não foram um resultado das revelações do Anonymous ou  do WikiLeaks, eles foram um resultado do conteúdo dessas revelações. E a responsabilidade pelo conteúdo deve recair somente na porta dos políticos que, como qualquer entidade corrupta, ingenuinamente acreditam que estão acima da lei e que não seriam pegos.

Muitos comentários do governo e das empresas estão sendo dedicados a “como eles podem evitar tais vazamentos no futuro”. Tais recomendações vão desde melhorar a segurança, até baixar os níveis de autorização de acesso a informações; desde de penas mais duras para os denunciantes, até a censura à imprensa.

Nossa mensagem é simples: não mintam para o povo e vocês não terão que se preocupar sobre suas mentiras serem expostas. Não façam acordos corruptos que vocês não terão que se preocupar sobre sua corrupção sendo desnudada. Não violem as regras e vocês não terão que se preocupar com os apuros que enfrentarão por causa disso.

Não tentem consertar suas duas caras escondendo uma delas. Em vez disso, tentem ter só um rosto – um honesto, aberto e democrático.

Vocês sabem que vocês não nos temem porque somos uma ameaça para a sociedade. Vocês nos temem porque nós somos uma ameaça à hierarquia estabelecida. O Anonymous vem provando nos últimos que uma hierarquia não é necessária para se atingir o progresso – talvez o que vocês realmente temam em nós seja a percepção de sua própria irrelevância em uma era em que a dependência em vocês foi superada. Seu verdadeiro terror não está em um coletivo de ativistas, mas no fato de que vocês e tudo aquilo que vocês defendem, pelas mudanças e pelo avanço da tecnologia, são, agora, necessidades excedentes.

Finalmente, não cometam o erro de desafiar o Anonymous. Não cometam o erro de acreditar que vocês podem cortar a cabeça de uma cobra decapitada. Se você corta uma cabeça da Hidra, dez outras cabeças irão crescer em seu lugar. Se você cortar um Anon, dez outros irão se juntar a nós  por pura raiva de vocês atropelarem que se coloca contra vocês.

Sua única chance de enfrentar o movimento que une todos nós é aceitá-lo. Esse não é mais o seu mundo. É nosso mundo – o mundo do povo.

Somos o Anonymous.

Somos uma legião.

Não perdoamos.

Não esquecemos.

Esperem por nós…

A

 

[Via Estadão]

7 Comentaram...

Rápido disse...

Que foda!!! \o/

Iury BAS disse...

Este grupo esta fazendo aquilo que a sociedade inteira deveria fazer: Acordar para a realidade e retomar o seu trono como poder superior a qualquer governo/estado. Fomos, aos poucos, sendo levados a acreditar que não temos força para mudar ou impedir aquilo que lideres impõem, usando como chapéu protetor a falácia de que representam a vontade da sociedade.

É preciso que o povo acorde! Não é possível que o Wikileaks tenha mostrado o musgo por cima do lixo e isso não tenha causado nenhuma maior reação social! Não é admissível que o povo continue tendo seu dinheiro gasto mais em guerras e áreas militares do que em educação, saúde e bem estar, sendo que maioria é contra tais guerras inúteis e sem motivos.

O Anonymous mostra que um simples e pequeno grupo pode desestabilizar governos inteiros, e que muito mais pode ser feito caso a sociedade acorde!

Raphael disse...

Iury BAS
Faço das suas palavras as minhas!

Panthro disse...

Perfeito!

Max Milliano disse...

rensga! Seja lá quem for que redigiu está carta, escreveu bem, muito bem!

Fillipa disse...

Nossa, sem palavras. A carta expressa tudo e o essencial q deve ser dito! Amei

Linux Force Brasil disse...

bom, a Otan acaba de receber um tapa mais forte neste dia :) , servidor da Otan down , imagine como o wikileaks será conturbado nas próximas semanas :) .

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