segunda-feira, 7 de junho de 2010

Avatar Beatriz Paz

Battle Royale – Correção ou Opressão?

 

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Tem prova amanhã e esqueceu de estudar? Perdeu a sua meia da sorte? Tem um relatório gigantesco pra entregar pra segunda feira e não passou da primeira linha? Tá irritado com a vida e quer matar alguém? Bom, em Battle Royale você pode fazer isso. Literalmente.

Aproveitando uma das sugestões do Desafio Guro – Obrigada Douglas e Otaku Egberto -, eu lhes trago aqui a resenha do mangá baseado no polêmico livro de Koushun Takami, Battle Royale. A galera que me segue no Twitter deve ter acompanhado o meu sofrimento conforme eu lia o final, se você estiver afim de spoilers é só procurar os meus twitts. Eles provavelmente estarão em Caps Lock.

Battle Royale se passa numa realidade não tão distante da nossa, o Japão passa por uma crise horrível, a taxa de desemprego atinge os 15% , os jovens estão mais rebeldes do que de costume, o rock fica terminantemente proibido no país e a violência estudantil não pára de crescer. Os adultos, com medo e num ato de desespero, adotam uma medida chamada de “Ato BR”, esperando conseguir controlar os adolescentes, e porque não dizer, salvarem os próprios pescoços.

Agora, no que se constitui esse tal Ato BR? Simples: eles sorteiam, dentre todas as escolas do Japão, uma sala cujos estudantes estejam na faixa dos 16/15 anos, os jogam numa ilha e mandam eles matarem uns aos outros. Prático e fácil, não é mesmo?! Pois então, a premissa do jogo já é bastante radical e a vencedora do último sorteio foi uma garota que acabou completamente louca… mas esperem! Como todo jogo, o “Programa” tem suas regras:

 

– Cada estudante receberá uma mochila contendo um mapa, água, comida e uma arma, seja ela ótima ou horrível.

– Cada estudante usa um colar com localizador e um detonador.

– A ilha toda é dividida em quadrantes e esses viram zonas de perigo a cada 6 horas.

– O jogo todo dura três dias.

– Se dentro de 24 horas ninguém morrer os colares explodem e ninguém ganha.

– Só pode haver um vencedor.

Nesse contexto macabro se encontra o protagonista da história, o rockeiro sonhador Shuuya Nanahara. Sua escola é sorteada para participar do “Programa” com a desculpa de estarem fazendo uma excursão escolar. Logo de início somos apresentados a história de Shuuya, ele é órfão, vive num orfanato junto de seu melhor amigo, o inocente Yoshitoki Kuninobu, e é apaixonado pela música frenética das terras de Tio Obama.

Uma vez na ilha, os estudantes conhecem - o desprezível e nojento - Yonemi Kamon, que lhes explica como tudo vai funcionar a partir daquele ponto. Essa parte é revoltante, mas não quero entrar em muitos detalhes; no entanto, como vocês já devem estar pensando, aqueles que se opõem ao “Programa” sofrem as consequências de irem contra o governo.

Já de início, o clima de pressão e desespero se instala no ambiente, alguns perdem o controle, alguns acham um absurdo terem que matar os próprios colegas de sala, outros mantém a frieza e alguns se jogam de cabeça no jogo. Vale tudo pra sobreviver. E é ai que Takami explora um ponto interessantíssimo: até onde o ser humano pode ir para se manter vivo e o que ele é capaz de fazer para salvar a própria pele.

Shuuya é contra o “Programa” e por pouco não acaba com uma bala na testa. Sua meta é proteger Noriko Nakagawa durante todo o jogo e convencer os demais de desistirem da idéia, mas vamos concordar que não é uma tarefa nada fácil e não, ele não vai deixar de tomar certas atitudes para conseguir se manter vivo. É como eu disse, Takami explora o psicológico humano em momentos de desespero e tensão, e todos sabem que situações desesperadoras pedem por medidas desesperadoras.

O legal de Battle Royale, além da história excelente, é que os personagens foram muito bem desenvolvidos. Cada um tem os seus problemas, seus medos, suas metas dentro do jogo e seus demônios para enfrentar. Alguns querem reunir o máximo de pessoas possível, alguns querem ganhar e outros só querem encontrar a pessoa amada e protegê-la. Claro que alguns personagens ganham mais destaque do outros, como Shinji Mimura que pretende fazer a caça virar caçador, ou Shogo Kawada, um aluno transferido que é uma peça importante no desenrolar da trama.

Sobreviver é a palavra-chave e a vida dos estudantes depende das habilidades que cada um possui, sejam essas vantagens naturais ou não. Os naturalmente superiores ficarão por último, os mais desafortunados não, é a Lei da Seleção Natural de Darwin posta à prova. Um exemplo disse seria Kazuo Kiriyama, que, por ser frio e calculista, rapidamente substitui a pequena faca com a qual começou o jogo, por uma arma automática adquirida logo após matar um de seus companheiros de gangue.

Uma coisa extremamente difícil é não se afeiçoar por, pelo menos, um dos estudantes, seja ele malvado ou não, e não se revoltar com destino que ele teve. Se você já leu O Caso dos Dez Negrinhos, de Agatha Christie, sabe mais ou menos o que te aguarda ao devorar Battle Royale. Sim, você não consegue parar de ler até descobrir que diabos vai dar toda essa situação maluca e extremamente violenta.

 

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A arte de Battle Royale é detalhista, a choradeira rola solta - não é a toa, não é mesmo? Pense que “legal” seria se você tivesse que escolher entre matar seus amigos ou morrer – e as cenas de cabeças explodindo, dedos sendo quebrados e olhos arrancados dão um arrepio na espinha. É de apertar os dedos dos pés contra o sapato, a única coisa estranha nos desenhos de Tagushi Masayuki é que os personagens, quando retratados crianças, parecem anões, mas só isso incomoda um pouco.

Takami trata em sua obra de assuntos como abuso sexual, violência extrema, opressão do governo, censura e pressiona o psicológico humano ao seu limite. Seu livro gerou tanta polêmica devido ao cunho político, que medidas foram tomadas para que a obra saísse de circulação. No entanto, de nada adiantou, pois já havia sido feito um filme – estrelado por Tatsuya Fujiwara, o Raito dos lives action de Death Note, e Chiaki Kuriyama, a Gogo Yubari de Kill Bill - e isso só fez as bilheterias encherem e a história ganhar mais e mais atenção.

 

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Nas terras de Brasil, o mangá de Battle Royale foi publicado pela editora Conrad e somente 12 dos 15 volumes foram lançados. O filme foi lançado em 2007 pela Visual Filmes, com o nome de Batalha Real e, pra variar, saiu direto em DVD.

Depois do sucesso que foi o primeiro longa, foi feito um segundo filme intitulado Battle Royale II: Requiem. Nele, a história se passa 3 anos depois do primeiro jogo, onde o líder da resistência e grupo Anti-BR Wild Seven, é procurado por seus atos, e os adultos aprovam o “Codinome BR II”, que não passa de mais um “Ato BR” com a desculpa de fazer justiça.

Uma sequência do mangá também foi lançada com o título Battle Royale II: Blitz Royale onde, ao invés de matarem uns aos outros, os estudantes se dividem em duplas mistas e o objetivo é matar o líder da organização anti-BR Wild Seven. Além disso cada integrante não pode ficar mais do que 50 metros longe da sua dupla e, se um dos dois morrer, a coleira do outro automaticamente explode. Ou seja, além de matar o líder, eles terão que cuidar do próximo, sendo ele uma companhia agradável, ou não.

Battle Royale é realista e violento ao mesmo tempo. É forte e completamente viciante, se você gosta de uma boa história, com personagens bem desenvolvidos e profundos, com antagonistas que te dão vontade de entrar no mangá e enchê-los de porrada até eles chamarem pela mãe – não quero entrar no assunto Kiriyama, porque já me dá raiva só de lembrar - e com situações extremas, onde a inteligência e o instinto de sobrevivência valem mais do que a força física, esse mangá é pra você.

10 Comentaram...

Edd Rocha disse...

Battle Royale apesar de violento é uma obra de reflexão: até que ponto o ser humano é capaz de ir?
E na minha opinião, apesar da história ser fantástica, o que torna o mangá sensacional são os personagens. Li o BR ano retrasado e nunca mais me esqueci... E depois desse post to até pensando em dar uma lida outra vez :]

Aleatório disse...

ainda não li o post, mas eu amo battle royale ^^ espero que venha um bom texto

Igor Queiroz disse...

Apesar da atuação japonesa, em sua maioria, ser risível, até que gostei das adaptações para as telonas. :D

Aleatório disse...

Acabei de ler o post...

Gostei dele, mas pelo fato de eu gostar MUITO da série esperava algo mais. No momento final do mangá, você pode esperar qualquer coisa - eu realmente pensei que o protagonista poderia levar um tiro no meio da testa. Eu achei o final muito bobinho em comparação com o resto do mangá.

Sobre a questão da edição, eu acho que tem algo de estranho no texto, na parte "Nas terras de Brasil, o mangá de Battle Royale foi publicado pela editora Conrad e somente 12 dos 15 volumes foram lançados.", não seria somente do 13 ao 15 não foram lançados?

E, finalmente, sobre o começo do texto (eu deveria aprender a organizar os meus textos), os jovens não são TÃO rebeldes assim. Basta lembrar que a maior parte deles se torna voluntário do exército do grande país do leste asiático. Eu não me lembro de ter lido no post, mas a história é baseada em um livro, o país não é o Japão (mas algo idêntico ao Japão mas com outro nome),Wild Seven é o apelido do Shuuya Nanahara.

Eu não li a continuação, nem sabia que existia, mas assim que terminar de arrumar algumas coisas no meu pc, eu vou resolver isso xD

...williamtadeus... disse...

Ótimo texto Beatriz!!!
Mas só pra complementar, pelo menos em SP, o filme foi exibido em cinemas alternativos... e quando eu fui, tinha um monte de gente indo embora depois de uma meia hora rssrsrs...

Felipe F. disse...

Muito bom texto. Eu já tinha começado a ler Gantz, e achava violento, mas BR é ainda mais. O que não tira o mérito.

Gostei bastante da história, que, como o livro da Agatha Cristie(muito bom e recomendado), te prende até o final. Se você não se importar em ver as sentimentos das pessoas ao extremo, seja em violência ou sexo, vale a leitura.

ANDF disse...

Assisti o filme. É do tipo, a situação fica mais crítica e desesperadora conforme o andamento. Eu achava que fosse baseado num mangá. Só depois de folhear uma revista, soube que era o contrário, que foi baseado num livro.
Posso ter me enganado, mas, o ator que faz o "professor-desgraçado-convocador" é o TAKESHI KITANO. Também (quase) notei que a piradaça do jogo era a GO-GO do KILL BILL VOL.1.

ANDF disse...

Ah, quanto ao mangá... é muito agressivo e "quase" hentai, pra cacete. (desculpa o quase-palavrão) XD

Rodrigo J disse...

Li o mangá inteiro ano passado e é realmente muito bom. Mas em relação aos filme se deixa muito a desejar, porque é tosco pra cacete.

Então fica a dica: leia o mangá e esqueça os filmes.
E nem sabia que tinha uma 2° versão do mangá, vou dar uma procurada.

Shirohama disse...

Cara é otimo
BR porque ele tipo é possível de acontece num é coisa de outro mundo ohh ele solda raio das mãos é uma coisa que você olha e deseja que não aconteça BR pra mim é o segundo melhor mangá que eu ja li por que você sente a historia é uma coisa totalmente diferente ele só perde pra Deadman Wonderland que tambem mostra bastante da podridão dos seres humanos !!
Nunca me esqueço de uma frase que tem no matrix que os agentes falan para o Neo ..
(Estamos tentando matar vocês pois vocês são um câncer neste muito)
OW BR é o melhor!!! muito bom o seu texto !!!

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