segunda-feira, 14 de junho de 2010

Avatar Murilo

Afro Samurai

 

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Anos atrás, o estúdio Gonzo resolveu produzir uma animação para comemorar seus 15 anos. Decidiu adaptar um mangá de pouco sucesso com uma produção extremamente bem feita, trilha sonora de hip hop e tendo na dublagem um ator consagrado pelo talento, Samuel L. Jackson. O resultado foi uma das melhores animações dos últimos tempos, Afro Samurai. Então, quando a Panini anunciou o lançamento do mangá que originou a história do anime, minha empolgação foi grande. Mas se me fosse permitido fechar esta resenha aqui mesmo seria com a frase: Quero meu dinheiro de volta!

O enredo é aquela velha fórmula gasta da vingança que se arrasta até o chefão ser morto. O que diz se um filme ou quadrinho com este clichê será bom é a sua execução. E em Afro Samurai ela não é das melhores. No começo da história, o autor Takashi Okazaki realiza um bom trabalho e consegue explicar em poucas páginas todo o conceito do mundo que criou. O Número Um, como o nome já indica, é o guerreiro mais poderoso do mundo, e por ter conquistado a bandana de Número Um, tem poderes equivalentes aos de Deus. Tamanho poder é alvo da ganância de milhares de outros guerreiros, mas para conseguir o direito de enfrentá-lo é preciso obter a bandana do Número Dois. Logo nas primeiras páginas vemos o antigo Número Um, pai do protagonista Afro, ser morto friamente pelo Número Dois. Com uma carga emocional ímpar, o ainda criança Afro acompanha de perto a morte do pai e cresce com sede de vingança. Agora Afro já é adulto e dono da bandana de Número Dois, sendo parte da sua rotina matar guerreiros que querem tomá-la para si. Pronto, a história é essa. O autor conseguiu a proeza de sintetizar um mundo diferente do nosso em poucas dez páginas só pra poder desenhar mais umas cem só de batalhas sangrentas. Apesar de ser pontuado por bons momentos aqui e ali, o roteiro não é o forte do mangá.

Em um filme ou HQ de vingança onde o enredo é quase sempre pífio, o mínimo que se pode esperar é que as lutas sejam empolgantes. E isso não acontece em Afro Samurai. Osamu Tezuka, artista que definiu a estética dos mangás, costumava dizer que os desenhos só precisavam ser bons o bastante para que a história pudesse entendida por qualquer pessoa. O autor Takashi Okazaki faz o contrário. Suas ilustrações são excelentes, completamente diferentes do que se convencionou como mangá e ele faz cenas difíceis até mesmo para grandes desenhistas. Desenhar uma cena perfeitamente refletida na íris de um personagem não é pra qualquer um, por exemplo. Mas a partir do momento em que Afro retira sua espada da bainha não se consegue entender nada do que está acontecendo. Devo ter aumentado 5 graus dos meus óculos tentando enxergar alguma coisa. Não fosse esse problema, talvez Afro Samurai fosse empolgante.

 

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Com um enredo pouco inspirado, arte confusa e um protagonista mais raso do que um pires, o Takashi Okazaki tentou outras formas de chamar a atenção para a sua obra. Isso é óbvio, afinal estamos falando de um mangá em que o protagonista é um samurai negro! Impossível não se lembrar de outro anime, Samurai Champloo, e seu samurai holandês. Além disso, o mundo do mangá é o Japão ainda feudal, mas os personagens usam celulares e outros aparelhos modernos até para os dias de hoje. Artifício que já foi mega original e hoje é comum demais. Visualmente falando, outro detalhe que chama atenção é o sangue ser colorido, destoando-o dos elementos restantes nas páginas. O vermelho claro deu um tom suave e ficou bem melhor do que o mesmo elemento entre outros mangás, que é sempre na cor preta.

 

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O autor também dá a entender que estava doido pra engendrar uma continuação do mangá. São deixas, pontas soltas aqui e ali propositalmente. um personagem parece querer deixar isso bem claro, afirmando que Afro pagará no futuro pelas pessoas que assassinou na sua jornada de vingança. A Panini me pareceu ter lançado Afro Samurai num volume muito frágil. As folhas se soltam facilmente, já na primeira leitura. Pelo menos comigo foi assim e eu sou um dos caras que mais tomam cuidado com livros e HQs. Claro que eu mesmo posso restaurar, mas a Panini deveria repensar isso. As pessoas comprar mangás para colecionar e para isso eles precisam durar.

Afro Samurai foi um dos raros casos em que gostei mais do anime do que do mangá em que a animação se baseou. Prova de que um estúdio de peso com uma excelente produção é capaz de produzir coisas excelentes com mangás médios. Isso foi pra eu aprender a sempre procurar por scans pra conferir se o material vale a pena antes de comprar.

 

Autor: Takashi Okazaki

Preço: 2 volumes por R$ 9,90

Nota: 3

4 Comentaram...

ANDF disse...

Já assisti a versão anime na MTV. Fiquei revoltado por terminar muito rápido. Senti o mesmo sentimento de muita gente desinformada após o 1° O SENHOR DOS ANÉIS. Tá... Eu soube, dias depois, que foram só 5 episódios (!) e que um "longa" (AFRO SAMURAI: RESSURRECTION, que ainda não vi) foi criado.

m_s_mito disse...

ANDF Acho que na verdade os cinco episódios são a série completa e tem esse nome: AfroSamurai:Ressurrection, pelo menos é assim que encontrei o torrent...

;D

Me corrijam se estiver errado, por favor! ^^

Daniel disse...

Huahuahuha vamos falar desse mangá no próximo Pipoca e Nanquim, minha nota pra ele foi 2,5! realmente uma porcaria!

letícia disse...

o Afro Samurai Ressurrection é a continuição dos 5 episódios, pois tenho o Dvd com os 5 e outro do Ressurrection aqui, e é muito bom...deveria ter continuidade!!!

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