sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Avatar FiliPêra

Mouth to Mouth

 

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Tudo começou quando assisti, com poucas semanas de diferença, três filmes de Ellen Page: Fragmentos de Tracey, An American Crime e Juno (atrasado, mas vi). Sem discussão, são três filmões, e a jovem atriz, ainda por cima, consegue se sobressair em todos eles, atuando melhor que o resto do elenco. Ajuda o fato dela ter sido personagem principal em todos eles. Depois de assistir esses filmes, simplesmente virei seguidor da (gracinha) moçoila, passando a adquirir praticamente qualquer filme com ela no elenco, algo que só tinha feito com diretores (do calibre de Martin Scorcese, ou David Cronemberg) até o momento. Bom, até agora não me decepcionei, e já estou adquirindo Smart People (ou Vivendo e Aprendendo, no Brasil), também com Page no cast (mas dessa vez ela é coadjuvante).

Mouth To Mouth, o filme em questão, exigiu da atriz. Ela é Sherry Green, uma típica menina revoltada americana, que tem pais com casamentos destruídos e um sentimento de rebeldia que, no fim das contas, não a leva a lugar algum. Ela então, mais para agradar um loirinho conhecido dela, do que qualquer outra coisa, vai a uma reunião de um grupo de rebeldes sem rumo, liderado pelo carismático Harry. Após um discurso dele, ela decide se juntar ao grupo, e parte numa viagem tresloucada pela Europa. No início, assim como em filmes como Réquiem para um Sonho, é tudo a oitava maravilha do mundo. Nada de escola, emprego, ou qualquer responsabilidade. É só cair na gandaia e rodar diversos festivais musicais hipongas pela Europa. No meio tempo, catam coisas do lixo para poderem comer.

Mas as coisas dão uma guinada na direção errada quando Sherry (apelidada de Bad) descobre que o SPARK (Street People Armed With Radical Knowledge, ou Pessoas das Ruas Armadas com Conhecimento Radical), o grupo em que ela entrou, tem regras quase draconianas, muitas vezes oprimindo seus integrantes mais que a própria sociedade a qual eles dizem abominar, além de seus integrantes não serem lá tão unidos quanto parecem. A primeira mostra disso surge quando Harry manda o grupo seguir viagem para um Festival de música espanhol, mesmo após um acidente que vitima Manson, o integrante mais jovem do SPARK. O único que lhe presta alguma homenagem e não deixa seu corpo jogado no lixo é Mad Ax, um ex-viciado-e-atual-sequelado, que parece ser o único com algum senso.

As coisas pioram ainda mais quando eles vão para Soup of Olympia, uma fazenda “com piscina”, como ressalta um dos integrantes, que serve como uma Woodstock para eles. Já está na cara que o SPARK não é como os hippies moradores de North Beach, tão bem descritos por Hunter Thompson, ou os skatistas anárquicos que habitam Skatopia, localizada em Ohio, a cidade sem leis da tribo, que tanto destaque já ganhou em revistas cool como a Thrasher e a Rolling Stone. Não, o grupo está mais para uma fazenda coletivista de Stalin, ou um campo de trabalhos forçados de Pol Pot.

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Nancy, Sherry e Mad Ax

E Sherry percebe que ali não é seu lugar, principalmente após a mãe dela, que a estava procurando, acaba por se juntar ao grupo, e até raspar o cabelo, uma espécie de ritual de passagem para os integrantes definitivos. Nancy, quase inimiga dela no início, acaba por se tornar uma de suas únicas amigas, e o espírito transgressor das duas (com finalidades diferentes, é verdade) acaba por uni-las. Ela, juntamente com Mad Ax, o frito por drogas, são os únicos amigos que Sherry possui, ao mesmo tempo que as coisas (leia-se castigos e pressão psicológica) só pioram em Soup of Olympia.

Mouth to Mouth não é sobre uma grupo que quer mudar o mundo ao mesmo tempo que muda a si mesmo, como foi Clube da Luta (que também foi muito mais do que isso). Também não é uma história sobre neo-hippies, como o início pode aparentar. Está mais para uma fábula de uma menina que não consegue encontrar seu lugar, e apela para os excessos. Também é sobre uma mãe que consegue ser mais perdida do que a filha… e regride, para tentar obter a atenção dela, revertendo a normal situação mãe-filha. Mas, ao contrário das fábulas, aqui o final não é feliz. No máximo pode ser classificado de redentor, dando um fôlego, longe de ser definitivo na jornada amargurada e às cegas de Sherry.

Há muito de Ellen Page na menina perdida, além de seu habitual (e atraente, na minha opinião nada imparcial) jeitinho meigo-mas-psicopata, e sua voz inconfundível, sempre carregada de sarcasmo, além da aparência de adulta-menina. Mesmo escondida sob piercings, maquiagem carregada, botas e, em alguns momentos, um cabelo metade-raspado- metade-comprido, temos mais uma grande atuação. Mesmo com o roteiro do filme não chegando ao mesmo de nível de um Juno, ou Edukators (esse tinha roteiro, mas carecia de atores), para citar um filme parecido, percebe-se que as atuações, não só a dela, quase não parecem atuações. Destaque para Eric Thal, como Harry e Maxwell McCabe-Lokos, como Mad Ax.

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A trilha sonora é o maior ponto de destaque no caldeirão técnico de Mouth. Não me lembro de ficar tão empolgado com uma trilha sonora assim, que reúne nomes tão díspares como The Bug e The Stranglers, há bastante tempo. Mesmo sendo bem filmado (embora sem destaques na área fotográfica), sem as músicas tão bem colocadas, como também ocorreu em Fragmentos de Tracey (ainda não consegui deixar de ouvir Horses, do Broken Social Scene), Mouth to Mouth não seria metade do que é, tecnicamente falando. Repare bem na cena da homenagem a Manson para entender do que estou falando, ou então na cena da fuga de Sherry e de Mad Ax.

Enfim, dê uma chance a Mouth to Mouth, nem que seja para lembrar como os jovens de verdade podem ser bem diferentes pelos retratados em High School Musical, Malhação, Rebelde, e toda essa porcariada que enche a TV.

 

Mouth to Mouth (Reino Unido, Alemanha e Canadá, 2005)

Diretor: Alison Murray

Duração: 98 min

Nota: 7,0

6 Comentaram...

Aline disse...

Olá me interessei muito pelo filme, porwem não encontro ele na net para download, vc tem algum link disponivel pra download????
Brigado !!!!

FiliPêra disse...

Aguarde só uns dias que vamos fazer um especial com links para downloads de todos esses filmes estranhos que vimos nos últimos dias!

De nada!

john smith disse...

A versão que o Broken Social Scene fez da musica HORSES realmente é muito boa porem ela é da Patti Smith do album de mesmo nome que vale muito a pena ouvir.

Isabela Pizani disse...

Gosto dos filmes da Ellen Page.
Mas, os que foram feitos apenas apra TV são difíceis de encontrar em DVD no Brasil.
Mouth to mouth e Fragmentos de Tracey são os mais difíceis.

Você conseguiu? Onde?

Os outros, como: Um crime americano, Juno, Anjo de Pedra, Menina má, etc, já são mais fáceis.

(Um crime americano não é tão fácil de encontrar, mas é bem menos difícil do que Fragmentos e Mouth)

Abraço.

Verônica disse...

Aah, como a Ellen é maravilhosa, sou gamada nela, e foi amor imediato! Estou louca por esse filme!

Luísa disse...

Olá,
só uma observação: a primeira imagem não é do filme da Ellen Page, é de outro filme com o mesmo nome.
http://www.imdb.com/title/tt0496546/

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