sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Avatar Felipe

A nova DC Smallville Style

 

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As primeiras informações que surgiram a respeito do mais novo reboot da DC Comics já foram preocupantes. Eram coisas como super-heróis mais jovens e em início de carreira, ainda sendo temidos pela sociedade. Mas o que mais me chamou atenção na época foi a notícia que dizia que o Superman não seria mais casado com Lois Lane. Não apenas isso, segundo boatos, ele vai ter um caso com a Mulher-Maravilha. Depois de ler isso eu tive a certeza de que esse reboot não era algo apenas para consertar furos na cronologia e atrair novos leitores, mas sim um novo Universo DC feito para os fãs de Smallville. E hoje, depois de ter lido a primeira edição da nova Liga da Justiça, percebo que eu tinha razão.

O roteiro dessa primeira edição é simplesmente babaca e poderia perfeitamente se encaixar em algum episódio de Smallville. E olha que ele foi escrito pelo Geoff Johns, um dos maiorais dentro da DC atualmente. A história começa cinco anos no passado, época em que os heróis começaram a surgir de acordo com a Nova DC. Ela mostra Batman caçando uma criatura pelos telhados de Gotham, enquanto ele próprio é perseguido pela polícia. Não demora muito e surge o Lanterna Verde (Hal Jordan) dizendo que está atrás de um alienígena ilegal na Terra. E é aí que se percebe que esse é um gibi feito para crianças e adolescentes.

A primeira coisa que os dois heróis fazem é discutir e ficar se exibindo, principalmente o Lanterna, que faz questão de afirmar o tempo inteiro que seu anel energético pode fazer qualquer coisa. Sem contar que sobrou para o pobre Hal Jordan o papel de leitor novato, sempre afirmando coisas que todo fã de quadrinhos sabe, como o fato do Batman não ter super poderes ou a existência da Tropa dos Lanternas Verdes. E assim segue a relação do Batman com o Lanterna, um querendo aparecer mais do que o outro.

Mas quando parece que as coisas não podem piorar, eis que nas duas últimas páginas surge o Superman, com uniforme novo sem cueca vermelha por cima da calça. E a primeira coisa que ele faz é levar o Lanterna Verde a nocaute e desafiar o Batman pra porrada com uma frase de efeito: “Eu não sou fácil de lidar. O que você pode fazer?”. E pelos previews da segunda edição, eles vão realmente sair na mão. Porra, o Superman que eu conheço evitaria uma briga até mesmo se o Batman cuspisse na cara dele. Imagina se ele ia puxar briga simplesmente porque o homem-morcego e Hal Jordan estavam procurando por ele.

O tipo de atitude que os heróis mostram nessa primeira edição de Liga da Justiça é aquele que era visto em Smallville, quando Clark sempre brigava com algum novo herói antes de se tornarem amiguinhos e irem caçar o vilão do episódio. Infelizmente, leitores das antigas, que acompanham quadrinhos há mais de vinte ou trinta anos não são o público alvo da nova estratégia da DC. Ao invés de tentar a criação de um universo alternativo como a Marvel fez com o Ultimate, a DC simplesmente resolveu ignorar os fãs e focar na molecada com menos de 13 anos.

E nesse sentido, eles realmente podem obter sucesso, principalmente com a arte de Jim Lee, que desenha cenas de ação muito bacanas. Só não sei se os executivos já se tocaram que um dia esses novos leitores vão crescer. O fato é que, infelizmente, a julgar por essa primeira edição, parece que a DC será a nova Image: desenhos maneiros, repletos de pancadaria, mas com roteiros abaixo da média.

7 Comentaram...

cabaredasideias disse...

Salve,Felipe!!!
Acredito, pelo que li do seu post, que ambos somos da "velha guarda" das HQ. No meu caso, sou fã de carteirinha da Liga da Justiça desde a época infante que eu a chamava de "Superamigos". E como fã da Liga da Justiça venho acompanhando há anos o grupo nas HQ e até na saudosa animação. Mas é do DC Relaunch que estamos tratando e, no caso, a DC realmente precisava se reinventar.
Mas a forma da reinvenção foi a melhor? Talvez "ultimatizar" fosse a solução? Acredito que a DC tenha feito isso com "Earth One". E essa DC aí pós Flashpoint?
Bom, essa DC pós Flashpoint é a DC que reconhece que se mudar (a industria de HQ), essa arte/mídia vai cair num ostracismo preocupante. E o que as 52 revistas DC Relaunch buscam é sim novos públicos, pq ficar apenas nos velhos esta se mostrando algo economicamente inviável. Muitos dos leitores das antigas hj leem apenas scans e ainda assim ficando reclamando. E reclamam quase por esporte.
Existem revistas promissoras nessa "Nova DC": Stormwatch, Animal Man, Action Comics, Red Lanterns e a própria Liga da Justiça.
Como velhos leitores, temos de dar, ao menos, tempo para as histórias. É uma tentativa válida de revitalizar as HQ. Nao sei se é uma smallvilizaçao das HQ (ate mesmo pq as sinopses de Mulher Maravilha pelo Brian Azzarello e Animal Man pelo Jeff Lemire e Stormwatch pelo Paul Cornell apontam outra coisa), mas é uma tentativa de ampliar público, pois as antigas revistas continuarao ai para nós. De uma forma ou de outra, para @s fãs de HQ, temos de apenas ver qual é. Se prestar ótimo, se nao, reinicie novamente. Ninguem, acredito, vai perder uma perna por causa disso.

Nilto, o Junio disse...

sei não mas acho que vai rolar um êxodo de leitores da DC pra Marvel

Anônimo disse...

Nilto, O Junio.

Isso aconteceu quando a noite mais densa terminou e dia mais claro começou.

Iury BAS disse...

Bom, concordo em alguns pontos, mas acho que em resumo minha opinião diverge da sua. Nunca em minha vida peguei/baixei em uma HQ de super-heróis do estilo Superman, Batman, Homem-Aranha, ou qualquer outro que o valha. Com uma breve exceção de quando era criança e tinha uma HQ em papel do Homem-Aranha, que me lembro até hoje com bastante carinho e que desejaria intensamente tê-la ainda comigo. Mas isso não vem ao caso.

Como disse acima, nunca peguei em uma HQ de super-heróis para ler, até mesmo por achar o gênero muito chato e besta, optando mais pelo estilo de HQ critica, como Watchmen e V for Vendetta. Mesmo assim, hoje à tarde, li a nova Liga da Justiça da DC. Li e até me surpreendi em gostar, sendo este, como já disse, um gênero que não curto muito.

Posso então dizer aqui que, já que a intenção da DC é obter novos leitores para suas historias, então ela pode estar traçando o caminho certo. Tiro isso por mim mesmo, que li hoje, pela primeira vez, justamente motivado pelo reboot . Se não fosse pelo mesmo, provavelmente não iria ler algo assim tão cedo, até porque não teria a minima graça pegar uma historia pela metade, cheia de ganchos cujos quais estaria por fora, com uma extensão imensa de informação. E, aqui pra nós, começar a ler da primeira até a ultima de algo como a Liga da Justiça leva uma eternidade.

Entendo que vocês, veteranos, podem estar um pouco ressentidos por esse abandono do passado, mas a DC nada mais é do que uma empresa que, como qualquer outra, precisa estar no mercado. Sendo assim, precisa estar, a todo momento, ganhando novos consumidores, e se o foco dessa vez são os novatos, assim como eu, ela pode estar no caminho certo.

Felipe Storino disse...

@Iury BAS

Concordo que a estratégia da DC faz sebtido e acredito que possa funcionar, já que a molecada parece ter gostado dessa primeira história. Meu objetivo foi justamente mostrar o ponto de vista de um fã veterano, que já não se empolga com histórias que são simplesmente porradaria, eu gostava disso quando tinha 7 anos de idade. Infelizmente, eu acredito que essa fórmula de brigas vai se estender por mais umas 3 ou 4 edições.

Quanto a você dizer que não teria graça pegar uma história cheia de ganchos, isso vai de cada um. Eu, por exemplo nunca me importei com isso, até porque nos quadrinhos vc nunca fica muito tempo boiando, logo vc consegue entender o que está acontecendo. Fora que isso sempre me fez correr atrás de material mais antigo, isso numa época que nem tinha internet.

Apesar de colecionar gibis há muitos anos, recentemente fui obrigado a fazer algumas pesquisas enquanto lia o Batman do Grant Morrison, já que esse maluco foi buscar referências em histórias de quando eu nem era nascido. E eu gosto desse tipo de história e vou sentir falta disso nessa nova DC.

Vanessa disse...

Eu também não gostei do que fizeram com a essência dos heróis, não. O problema não é mudar a história, mas mudar o que eles representam. Mesmo com o objetivo de atrair novos leitores, não justifica. Eles poderiam, sim, colocar mais ação, personagens menos deuses, histórias mais próxima da realidade dos adolescentes e o diabo a quatro, mas sem mudar a essência de ninguém, PORRA!

A maioria das pessoas, mesmo sem ter lido uma HQ do Superman sabe que ele é todo escoteiro e tal. Porque colocar ele desse jeito agora?

Todo mundo sabe que uma editora precisa vender pra se sustentar e o fato das novas revistas da DC já terem batido recorde de vendas não está ligado à qualidade da história, mas sim ao hyper da mudança. Não sei se isso vai se sustentar por muito tempo, porque, na boa, se eu quiser historinha de adolescente que se acha o fodão e só quer arrumar encrenca, compro Image ou até mesmo Marvel e não vou me sentir enganada.

Anônimo disse...

Não entendo o fuzuê que está sendo feito por apenas 1 edição da revista. Esperem a história se formar para criticar a personalidade dos personagens e etc. E acho que a ideia de fazer um Super Homem imaturo é boa. O cara tem o poder de um deus, e é natural que em algum momento da vida dele ele pense: "cara, eles são lixo, e eu sou foda". Só dele usar esse poder para o "bem" ao invés de querer viver por si, ou escravizar toda a raça humana o cara já é um escoteiro! xD
Mas na real, acho que eles querem mostrar a evolução moral do personagem e não só mostrar ele acabado. (Coisa que se for bem feita, será totalmente excelente.)

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