segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Avatar Colaborador Nerd

Transmetropolitan

Por Coringa, do Coringa-Files

 

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Meu gosto por HQs é variado, passando por Marvel, DC, Dynamite, Avatar e várias outras editoras. Mas o meu preferido mesmo é o selo Vertigo. Com histórias fascinantes que te prendem da primeira a última pagina, e sem aquela lenga-lenga tradicional das HQs de heróis (gosto também, que fique claro) subiu fácil no meu conceito. Mas como podemos conhecer as obras mais importantes se sofremos com o descaso das editoras (Salvo raras exceções) e no meu caso , sou um humilde universitário que não dispõe da verba necessária pra comprar tudo o que sai nas bancas?

Scans. Sim, os temidos Scans. Pra mim, Transmetropolitan é o maior exemplo de que os scans podem impulsionar as vendas de HQs no Brasil.

Acredito que 70% das pessoas que aceleraram o processo de lançamento do encadernado feito pela Panini no ano passado, colocando a hashtag #PublicaTransmet em seus tuits, descobriram essa obra através do ótimo trabalho (hobby) feito pelo pessoal do Vertigem HQ e do finado GIBIHQ. Eu mesmo só comprei o encadernado pelo fato de já ter lido antes pelo PC e ter gostado.

Falo isso por que pergunto às pessoas que conheço e que conhecem Transmet, onde tiveram seu primeiro contato com Spider Jerusalém , e a resposta é sempre a mesma: scans.

Os mais conservadores vão protestar, eu sei, mas isso é fato. Acredito que se as editoras tomassem as medidas certas, poderiam revolucionar o mundo dos comics. Mas esse é um outro assunto, que a gente trata em um outro post.

 

Lá estava eu depois de ler Preacher, caçando alguma coisa interessante pra ler. Busquei nas minhas fontes de HQs e nada. Não foi por falta de bons títulos é claro, mas não achei um que realmente me chamasse a atenção. Até que numa procura despretensiosa me deparei com esse cidadão:

 

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E aí, seu puto!

Spider Jerusalém, um jornalista neo-gonzo que alcançou a fama depois de escrever dois livros intitulados Acenando e se Afogando e Tiro na Cara, mas não conseguiu lidar com o status de celebridade. No ápice de seu sucesso, sofre uma bloqueio criativo e não consegue mais escrever como antes. A saída que ele encontra é se exilar numa montanha, longe de tudo e de todos vivendo a base de drogas e TV a cabo.

Após cinco anos nesse exílio, nosso jornalista recebe uma ligação da editora que detém os direitos sobre seus livros. O editor lembra que segundo o contrato, Spider tem exatamente um ano pra entregar os dois livros restantes, e que se esse prazo não for atendido ele terá problemas com a Justiça. Sem ter o que fazer, Spider resolve voltar para a selva de pedras, e procurar um emprego num jornal qualquer. É ai que a estória começa realmente...

 

Warren Ellis (Planetary, The Authority) cuida dos roteiros, e tem a capacidade de nos fazer viciar no “jeitão” de Spider, no seu modo de viver e na sua linguagem, nos levando a pensar se ainda existem jornalistas que estão no olho do furacão. Profissionais que independem de um roteiro ou regra e só estão preocupados em nos passar a informação do jeito que ela é.

Essa é a maior marca do Jornalismo Gonzo. Termo criado por Bill Cardoso, repórter do jornal Boston Sunday Globe, se referindo à um artigo de Hunter S. Thompson. Segundo Cardoso, GONZO seria uma gíria irlandesa do sul de Boston para designar o ultimo homem de pé depois de uma bebedeira.

Thompson deu vida a esse estilo de se fazer noticia, caracterizado por acabar com a distinção entre autor e sujeito, ficção e não-ficção. Seu trabalho mais conhecido foi uma série de artigos lançados na revista Rolling Stone, intitulados Medo e Delírio em Las Vegas: Uma Jornada Selvagem ao Coração do Sonho Americano. O sucesso foi tanto que mais tarde um livro e um filme foram baseados nesses artigos. No Brasil temos como pioneiro no gênero gonzo o jornalista Arthur Veríssimo, repórter da revista Trip. Outros focos do gênero em terras brasucas são as revistas VICE e a VOID. Além de publicações independentes como a TARJA PRETA.

 

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Spider e Thompson. Qualquer semelhança não é uma mera coincidência

Os desenhos são conduzidos muito bem por Darick Robertson (The Boys) e incorporam o espirito cyberpunk , repleto de avanços tecnológicos e todo o lixo visual que o futuro nos reserva.

Aqui no Brasil a revista virou uma minissérie contando com as três primeira edições. Depois começou a ser lançada mensalmente pela Brainstore em 2002, sendo lançadas 19 edições até o fechamento da editora. Em 2010 um encadernado digno do respeito que Transmet merece foi lançado pela Panini, Capa dura, papel especial e 146 páginas de HQs. O problema é que já estamos em 2011 e ainda não foram feitos anúncios oficiais quanto a publicação do segundo volume.

Finalizando, Transmetropolitan: De volta as ruas - Volume 1, vale cada centavo de real gasto, e nos deixa com um gostinho de quero mais quando chegamos na ultima página. Desejo realmente que vocês que ainda não conhecem deem uma chance pra essa obra prima da Nona Arte e encerro com um presentinho do Spider pra vocês:

 

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Título: Transmetropolitan : De Volta as ruas – Volume 1

Editora: Panini

Autores: Warren Ellis

Arte: Darick Robertson

Páginas: 146

Preço: R$ 26,90

Nota: 10

9 Comentaram...

Carol disse...

Eu comprei esse volume. E também conheci Transmet por scans. E isso me fez querer comprar as edições em papel.

Chaves Papel disse...

E esse preço ai, está certo?

Deu uma olhada nas lojas e está custando R$45,00!

Já ia comprar se fosse R$ 26,90! =P

Demolidor disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Coringa disse...

comprei por esse preço no wallmart chaves. corre lá antes que acabe a promoção.

X-Kuei disse...

Tava lembrando de comentários antigos que fiz aqui no NSN e vi um sobre esse mesmo assunto, só que era sobre scans de mangá, uns dois anos atrás.
Sei que devo ser espinafrado de novo, mas insisto no argumento contrário: não é todo mundo que vai baixar um produto na internet e comprar depois. Se isso aconteceu com esse scan especificamente, se o autor do post conversou com várias fontes diferentes e todas compraram após ler os scans, me desculpe mas continuo cético quanto à revolução (veja bem, não estou duvidando da sua informação, eu acredito em você, só não acredito que isso vá acontecer com qualquer título, que seja uma nova tendência do mercado contemporâneo - eu tendo a acreditar mais em Crowdfunding, essas coisas).

No que diz respeito ao Transmet, gosto pra caramba de Jornalismo Gonzo, e gostei dessa trama... está anotado na minha lista de leituras futuras =)

X-Kuei disse...

Aliás, o post em questão foi de 28 de Abril de 2010, e não uns dois anos atrás... é que o tempo está passando muito rápido ultimamente =)

Coringa disse...

Opa X-Kuei, Claro que respeito sua opinião!
Sim, xistem pessoas que baixam e não compram. Mas existem também aquelas que nunca teriam contato com hqs se não fossem os scans.
E eu sou uma delas.

Até o ano de 2006 hqs não despertavam meu interesse, e se não fossem os scans, não teria gasto em torno de 700 reais de hqs de lá pra cá.

Sei que é pouco se comparado aos colecionadores natos mas pense bem, eu teria gasto esse dinheiro com qualquer outra coisa, menos hqs.

E quanto a isso não acontecer com qualquer titulo, não vai mesmo. A hq tem que realmente ser boa pra fazer o leitor desembolsar aquela graninha suada pra comprar. e Transmet é uma delas!

Leia , e tu não vai se arrepender!

Abraços

Vanessa disse...

Transmet sempre foi uma das melhores HQs com a qual eu já tive contato. E essa resenha faz jus ao trabalho de Warren Ellis muito bem! Espero ver muitas resenhas do Coringa por aqui ainda...

aldebaram50 disse...

sou marvete doente e dcnauta mas em resppeito aos coments eu lerei !
grande materia !
afinal coringa é meu candidato a vice na minha chapa !!

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