sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Avatar José Renato

Mafia II

 

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2010 foi o ano das sequências. Sério, basta abrir o Wikipedia e pesquisar "2010 in video gaming" e você verá quantos dos jogos tem o número 2 (ou números maiores) na frente. É ridículo. Só nos primeiros três meses do ano, a lista tem 11 sequências ou expansões e apenas dois jogos originais. Sem contar as sequências que esperamos por muito tempo, como Starcraft II. Mafia II é outra sequência que esperávamos, dessa vez por 8 anos.

Ser mafioso é uma coisa bem... tá, eu ia dizer "legal", mas não deve ser legal, não. Certamente tem aquele glamour que faz todo nerd querer ser um. Mas como eu disse, legal não deve ser. Fortemente guiado pela história que conta, Mafia II tenta focar no lado pesado de ser um mafioso, como perder entes queridos, amigos, ir pra cadeia, e se ferrar de múltiplas maneiras diferentes.

Claro que tudo isso não quer dizer que Mafia II seja bom. Todo jogo que é aguardado por muito tempo corre o risco de ser decepcionante (a Blizzard e Warcraft III que o digam). E Mafia II infelizmente tem sérios problemas de falta de conteúdo e falta de direcionamento da história. A falta de conteúdo num jogo que deveria ser Sandbox é fatal.

HISTÓRIA

O jogo conta a história de Vito Scaletta, um imigrante italiano cuja família foi morar nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial. Claro, sua família vai morar num cortiço na cidade de Empire Bay e seu pai se torna um bêbado caído em desgraça. Vito então conhece Joe Barbaro, um rapaz gordinho que tem certos talentos para o roubo de lojas e coisas do tipo. Numa das tentativas de roubar uma loja de jóias, Vito vai preso e recrutado para o exército, e enviado de volta para a Itália para lutar contra Mussolini.

 

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- Belo bigode, tio!

Vito é ferido em combate, e acaba mandado de volta aos Estados Unidos. Lá, Joe já se tornou praticamente feito, e arruma um esquema para que Vito não volte mais ao exército. O pai de Vito morreu e deixou a família endividada. Vito então resolve se juntar aos esquemas do amigo para conseguir dinheiro mais rápido, e à partir daí o jogo conta uma história de altos e baixos de um estilo de vida perigoso.

Até lá pro sexto capítulo do jogo, a história consegue ir bem. Até que de repente, começa a apresentar personagens num capítulo para matá-los no próximo, fazer Vito ficar rico, ficar pobre, ficar rico, ficar pobre em rápida sucessão, e os personagens não terem mais nenhum peso. A família de Vito desaparece na metade do jogo, só pra reaparecer no fim enchendo o saco. Ao fim do jogo, o único personagem com quem eu me importava era o Joe. E conforme ia chegando mais perto do fim, o jogo ia soltando várias revelações que deveriam ser impactantes, mas que mais parecem ter sido decididas no último momento, como uma versão light da última temporada de Lost. Infelizmente, isso num jogo que é tão focado em cutscenes, personagens, e exposição, é difícil de engolir. Ainda se as missões fossem mais divertidas...

Mas a pior parte realmente é o final. Ou não... porquê não tem final. Sério, o final desse jogo não é um final. Nada se resolve, acaba abruptamente, mal fica pronto para uma sequência ou para esquemas de DLC, e o jogo parece incompleto por isso. É pior que o cliffhanger de Halo 2, e olha que esse é terrível. Isso juntamente com toda a desconexão do enredo acaba com a história, e quando as missões são todas chatas sem recompensa por todo o trabalho, acaba com o game.

GRÁFICOS

A parte audiovisual de Mafia II é certamente a parte mais bem pensada. A cidade de Empire Bay é deslumbrante, principalmente à noite com todas as luzes de carros e postes brilhando, letreiros coloridos e pessoas com roupas de época. Em alguns capítulos, vemos a neve cair e encher as ruas, em outros um tempo bem ensolarado e claro, com ótima iluminação dinâmica e sombras. Tempo chuvoso também é muito bem feito. Tudo tem ótimas texturas, principalmente nos interiores e nas roupas de personagens. Algumas sequências evocam um clima cinematográfico ao manter o controle da câmera enquanto Vito ameaça um cara segurando-o pela garganta com animação perfeita, e tudo isso rodando de forma graciosa num computador decente.

 

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Quem disse que o crime não compensa?

Claro que alguns problemas existem. Primeiro, a falta de antialiasing. Existe uma opção de AA, mas ela somente borra as linhas ao invés de realmente aplicar o efeito; mais ou menos parecido com o que acontece em Dead Space. Eu também tive alguns problemas com travadinhas chatas enquanto dirigia (e garanto, eu dirigi MUITO nesse jogo) depois que já havia jogado por algumas horas, e pesquisando por fóruns, achei outras pessoas com problemas parecidos e configurações bem melhores que as minhas.

Outro problema é a implementação de Physx. Physx pode mudar totalmente a aparência dos jogos, como notei em minha resenha de Batman: Arkham Asylum. Mas aqui em Mafia II, julguei que o efeito não foi implementado da melhor maneira. Basicamente ele adiciona efeito de roupas realista, fazendo jaquetas e sobretudos reagirem ao movimento e ao vento com maior fluidez, e também adiciona efeitos de partículas a cada tiro que arranca um pedaço da parede. Infelizmente, esses efeitos acarretam em dois problemas. O primeiro é que o jogo aplica as roupas realistas a todos os personagens que estiverem na tela, o que faz sua placa de vídeo se forçar mais a cada personagem que aparece. O segundo é que os efeitos de partículas não desaparecem, portanto, conforme você e os inimigos trocam tiros e acertam as paredes, mais pó delas vai caindo e mais força a placa de vídeo, fazendo o framerate cair pra casa dos 10 frames por segundo ou menos. E na verdade, os efeitinhos de roupas são bem dispensáveis, pois eles acabam fazendo a roupa ficar dando uns pulos sozinha, como se Vito tivesse vermes debaixo das costas. Eu acabei preferindo jogar o jogo todo sem esses efeitos, e sinto que não perdi muito. Se você tiver um computador mais capaz, terá bons efeitos de partículas.

 

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As luzes da cidade à noite são bem feitas

SOM

O som de Mafia II também é muito bem trabalhado. Basta ficar parado um pouco na rua e ouvir o movimento dos carros, o som das buzinas, as pessoas conversando na rua, a diferença entre seus passos na calçada e seus passos na neve. Atuação de voz também é um ponto bem forte desse game, já que não houve um momento em que a atuação destoasse do clima de época, e a interação entre Vito e Joe é perfeita, como se fossem realmente amigos de longa data. Outra das partes fortes do jogo é a rádio. Uma ampla seleção de músicas antigas toca nas rádios de Empire Bay, incluindo Chuck Berry, Little Richard, Screamin' Jay Hawkins, e outras. Entre músicas, a rádio também passa comerciais e pequenos boletins jornalísticos. Durante os primeiros capítulos, esses boletins falam do andamento da Segunda Guerra Mundial, mas eventualmente você vai poder ouvir coisas muito engraçadas, como um comentarista dizendo que estão inventando um tal de "computador", que poderia fazer milhares de cálculos ao mesmo tempo, e que ocuparia o espaço de um prédio inteiro, comentando o quão absurda tal invenção é. Todas as coisas consideradas, a parte audiovisual de Mafia II é impecável e é a única coisa que faz o jogo não ter uma nota abaixo de 5.

JOGABILIDADE

Aqui é onde o trem descarrila. A princípio, Mafia II parece um shooter open world como qualquer GTA. Mas é só jogar um ou dois capítulos que o jogo se revela ser tão linear quanto um Gears of War menos sofisticado, até mesmo considerando-se o uso de um sistema de cobertura nos tiroteios. O fato é que o jogo te coloca num mundo aberto onde você pode, teoricamente, fazer o que quiser, mas não há nada pra fazer nesse mundo. Você pode abrir o mapa e ver dezenas de ícones te tentando a explorar por aí, mas não há nenhuma missão bônus, nem nada a mais para se ver que não seja simples cenário. O mesmo podia se dizer do Mafia original, mas aquele jogo tinha uma história legal para segurá-lo, não?

 

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Super legal, carregar caixas num caminhão (SARCASM)

Tendo em mente que o jogo é uma experiência estritamente linear, vamos ao que interessa. Todo capítulo conta mais um dia na vida de Vito Scaletta, e em todos os dias você acorda e pode abrir a geladeira pra comer algo ou tomar uma cerveja, coloca uma roupa e sai para fazer alguma missão perigosa. Para chegar em cada uma dessas missões, você precisa dirigir um daqueles carros de época, o que não seria de todo ruim se 75 a 80% do jogo não enfatizasse esse aspecto. No capítulo 7, o jogo chega ao cúmulo de fazer você dirigir entre uns 5 pontos diferentes do mapa, sem fazer absolutamente nada a mais que não seja ouvir os seus companheiros bêbados falando besteira dentro do carro e assistindo cutscenes entre cada um dos pontos. É muito chato. Fica ainda mais frustrante quando se leva em conta a polícia, que pode vir atrás de você e tentar te multar caso você esteja correndo, o que atrapalha ainda mais a direção caso você esteja numa missão com limite de tempo e tenha que ligar o limitador de velocidade só para não ser perseguido.

O restante do jogo é dividido entre trocas de tiros, duelos corpo-a-corpo e pouquíssimas seções furtivas. O tiroteio é decente, mas não é nada que um bom nerd não tenha visto antes. Você pode se esconder atrás das paredes e usar alguns tipos diferentes de armas, como escopetas, pistolas, revólveres, e as famosas Tommy Guns para matar capangas de mafiosos em diferentes locais, como hotéis, um restaurante chinês, ou até mesmo o meio da rua. Inimigos tem variedade zero, já que todos parecem ser o mesmo capanga de mafioso, apenas equipados com armas diferentes, e que não tentam usar seus flancos, nem jogar granadas, nem fazer nada de interessante que uma boa IA faria. Algumas missões oferecem um pouco mais de variedade, como a missão na qual você deve explodir uma sala de um hotel, mas é muito pouco. Você não pode nem atirar às cegas como em Gears of War, mesmo que seus inimigos o façam, e quando você sai de trás da cobertura, você tem uma mira enorme e imprecisa que, apesar de realista para as armas da época, não é nada divertido quando você atira 50 cartuchos da sub-metralhadora e não mata o infeliz. É divertido, mas a repetição faz ficar monótono.

 

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Isso sim é luta de rua

O sistema de duelos corpo-a-corpo é bem bacana a princípio. Você pode usar pequenos combos de ataques fracos e fortes para derrubar e nocautear o oponente, usar alguns movimentos para acabar a luta com sequências de animação em slow motion, e segura um botão do mouse para desviar de ataques e contra-atacar. O sistema é bem parecido com as lutas de Assassin's Creed, simples porém divertido. O problema é que você aprende a fazer os movimentos nos primeiros capítulos, depois tem um capítulo inteiramente dedicado a essas lutas e... nunca mais precisa fazer. Enquanto Assassin's Creed repetia as mesmas lutinhas de novo e de novo, Mafia II não aproveita o sistema o suficiente. Uma pena.

 

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Deixa o boato de pular a cerca chegar no ouvido da mulher dele

Dois capítulos possuem partes onde você deve infiltrar um lugar sem ser notado. Essas são facilmente as partes mais legais de Mafia II, e é uma vergonha que a 2K não tenha feito mais dessas durante o jogo, já que a IA que é relativamente burra para atirar se comporta bem nessas seções. Você pode chegar furtivamente por trás dos inimigos e estrangulá-los, arrastar os corpos para lugares escuros e andar por trás de cobertura sem ser notado. Um tanto simplista também, mas poderia ser usado para adicionar mais variedade às missões.

Se o jogador não estiver preocupado com completar as missões, pode explorar a cidade vazia de Empire Bay. Certamente, é uma cidade bonita, mas não há nenhuma missão bônus. Para roubar carros na rua, você deve fazer um simples joguinho para abrir a fechadura, envolvendo erguer pinos e apertar o botão quando ele ficar verde. Você pode visitar lojas de armas, de roupas, e funilarias para pintar o carro, tunar o motor ou trocar as placas para dificultar a ação da polícia. Polícia essa que não é tão robusta quanto a de GTA IV, tendo apenas um medidor de dificuldade que vai até quatro estrelas e apenas dita se os policiais usarão armas automáticas ou não. Sim, visitar todas essas lojas e gastar o dinheiro das missões parece legal, mas não importa o quanto você gaste, durante o jogo você irá perder tudo múltiplas vezes, incluindo as armas, munição, roupas, casa e carros. Então, não há nenhum motivo para ir comprar armas, já que você pode adquiri-las durante as missões, e as roupas são só pra você ficar mais bonitinho nas inúmeras cutscenes, e vai eventualmente perder tudo mesmo.

 

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Adoro o cheiro de pó de parede pela manhã

O único item colecionável de Mafia II são revistas Playboy. É isso mesmo, um tanto quanto estranho, mas você pode colecionar revistas Playboy antigas que mostram aquelas mocinhas com cabelo anos 50 mostrando os peitinhos. Mas... não que eu não goste de belos pares de peitos, e algumas das meninas são lindas, mas o jogo não fornece nenhuma outra recompensa para os seus esforços em colecionar essas revistas. Se eu quero ver peitos, posso muito bem pesquisar no Google ou seguir o Voz do Além no Twitter, que sempre manda algum daqueles links NSFW (tô dando uma dica aqui, leitores, de lambuja). Eu acabei nem me esforçando, pegando apenas as revistas que eu via no caminho.

FATOR REPLAY

Pra quê jogar Mafia II uma segunda vez? Todas as sequências seguem um script, inimigos aparecem sempre nos mesmos lugares, o mundo aberto do jogo não tem nada pra fazer, e todo o dirigir pra cá e dirigir pra lá cansa os dedos. O único motivo plausível para jogar de novo seria se o jogador realmente gostou dessa repetição toda, ou se ele quiser colecionar as Playboys. Eu me forcei a terminar o jogo da primeira vez, ou seja, não tem nada de estimulante para a segunda vez.

PRÓS E CONTRAS

- História começa bem, mas torna-se confusa

- Personagens vem e vão sem causar nenhum peso na trama

- Final terrível

+ Gráficos bem polidos que trazem a atmosfera de uma época à tona

+ Ótimas texturas e efeitos de iluminação e sombras

- Physx mal implementado

+ Atuação de voz e efeitos sonoros excelentes

+ Comentários da rádio são muito engraçados

- Mundo aberto... nem tão aberto assim

- Dirigir por horas se torna monótono

- Tiro em terceira pessoa sem nenhum diferencial

- Sistema de luta mal aproveitado

+ Sequências furtivas legais

- Fica rico, fica pobre, fica rico, fica pobre...

- Fator replay nulo

 

CONCLUSÃO

Starcraft II foi esperado por 12 anos e chegou atendendo às expectativas. Não posso dizer o mesmo pros 8 anos de espera por Mafia II. Esses 8 anos nos trouxeram um jogo de tiro em terceira pessoa que fica atrás de qualquer shooter de 2010, um mundo aberto que não tem nada pra se fazer, mas que é todo bonitinho e arrumadinho. De que adianta poder abrir as torneiras e dar a descarga no banheiro para aumentar a imersão se não há diversão suficiente? Pra mim, não adianta de nada.

 

NOTA: 5

4 Comentaram...

Bob Calligaris disse...

eu queria voltar nos tempos onder ser mafioso era o maximo e ser um mafioso UAHUAHUAHUAH tudo que envolve mafia me intereça, mas o primeiro Mafia eh melhor ;D

Anônimo disse...

a mafia existe ate hoje! entao nao perca as esperancas de se tornar um

Anônimo disse...

o jogo é bom mas tem pouco a sefazer esse é o unico problema gta IV voce podia fazer um monte de coisa se não fosse isso mafia 2 podia ser o jogo do ano

Blogger disse...

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