segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Avatar FiliPêra

Carnivàle [Parte I]: Despertando os que dormem

[Essa primeira parte do meu texto sobre Carnivàle se concentra nos aspectos narrativos e técnicos da obra. A segunda parte, que sai amanhã, focará os aspectos mitológicos e será recheada de spoilers]

 

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Antes do início, depois da grande guerra entre o Céu e o Inferno, Deus criou a Terra e a entregou ao ardiloso macaco chamado homem. A cada geração nascia uma criatura de luz e uma criatura de trevas e grandes exércitos se digladiaram na noite da antiga guerra entre o bem e o mal. Era um tempo de magia, nobreza e inimaginável crueldade. E foi assim até o dia em que um falso sol explodiu sobre Trinity e o homem trocou para sempre a Magia pela Razão.

Samson, dono do circo Carnivàle

 

As pessas nessas cidades estão dormindo... nós as acordamos.

Sophie, cigana leitora de tarô

 

O Bem e o Mal são conceitos profundamente arraigados na mentalidade humana - principalmente no pensamento ocidental. Enquanto os orientais possuem o Yin Yang, que prega a idéia do equilíbrio entre forças opostas, e o i Ching, com seus hexagramas de diferentes estados; os ocidentais se atém a Filosofia aristotélica de bem e mal em luta de forma inteiramente separada e não-complementar. No Aristotelismo não existe meio termo, dúvida, complemento, o cinza e nem qualquer tipo de equilíbrio: é sim ou é não - enquanto a filosofia do Tao abarca todos os estados naturais e intuitivos da natureza e da humanidade< mesclando mais de um ao mesmo tempo. Correlata a essa visão de estados da principal corrente de pensamento grega - mesmo que derivada de uma interpretação essencialmente exagerada e errônea - surgiu o maniqueísmo fundamentalista que conhecemos hoje. Todas as religiões monoteístas se baseiam na visão aristotélica da oposição de forças e da necessidade de seguir um dos dois lados que existem no mundo. O grande problema dessa filosofia surge justamente ao traçar de forma cimentada o que seria o caminho "certo", absoluto a se seguir. A visão de uma única pessoa - ou um grupo pequeno - acabaria se estendendo a toda uma população. As próprias bases da computação se baseiam nessa dualidade dicotômica - o que é zero não é um e daí se deriva toda a infinidade de funções digitais.

Se analisarmos a Bíblia facilmente entenderemos como esse conceito é errôneo se aplicado de forma tão generalista e absoluta. Todos os 66 livros da Bíblia narram a luta da Trindade Divina contra Satanás para resgatar a humanidade do Pecado, e para isso Jesus desce dos céus e se sacrifica pela humanidade com o objetivo de cumprir uma lei que ele mesmo havia imposto - e que sabia que seria quebrada antes mesmo de criá-la. Durante essa saga milenar podemos ver com certo nível de detalhes - ignoremos que os escritores da Bíblia não são exímios em qualquer tipo de linguagem literária mais apurada... embora Eu tenha consciência que esse tipo de comparação não é lá muito correta - que Deus, mesmo sendo o Todo-Poderoso, Fonte de Todo o Amor, Luz do Mundo... tem falhas e desejos humanos. Em alguns momentos ele age como uma criança birrenta. Durante a adoração ao bezerro de ouro, Deus fala a Moisés que destruirá seu próprio povo escolhido e que fará dele um patriarca. Moisés diz que se destruir o povo, terá que destruir a ele próprio e arranjar outro patriarca e Deus desiste da idéia - sim, Deus sucumbiu a uma chantagem emocional, além de ter-se arrependido de uma maldade que fizera (Êxodo 32: 8-14). Esse é apenas um dos inúmeros episódios bíblicos - livro que deveria não deixar dúvida quanto ao supremo amor de Deus - que mostram como o conceito dicotômico de Aristóteles é falho em sua própria concepção. Não existe perfeição na Terra nem no Céu, assim como não existe maldade pura. O mundo e a existência humana é recheada de áreas cinzentas, um monge shaolin extremamente bondoso pode matar um guarda que se atreve a entrar em seu templo, assim como um estuprador pedófilo pode dar a vida para salvar a própria filha. O mais correto seria dizer que uma pessoa possui uma forte tendência para o mal, e outra possui o mesmo para o bem. Boa índole e má índole, sem nada absoluto - por motivos óbvios não vou analisar possíveis estruturas psicológicas humanas para tentar lançar um pouco de luz sobre o assunto.

No geral, quando uma obra propõe mostrar essa dualidade - que em maior ou menor grau influencia praticamente todos os filmes americanos - ele se atém a jornada heróica de algum personagem falho que toma consciência de seu poder e missão. É assim com Matrix, por exemplo, onde Neo aos poucos vai aprendendo sobre seus poderes e sobre o que ele deve combater. Desde o início conhecemos a personalidade de Neo, o que ele representa e as metáforas inerentes a construção do personagem, assim como reconhecemos Smith como amoral, a máquina contra o humano, a destruição contra a vida. Não existem muitos meios termos a serem analisados nesse embate. Então, Matrix é uma obra muito mais aristotélica e cristã do que a própria Bíblia, pois não vemos nos métodos e ações de Neo & Cia traços que refletem ações análogas às de Smith. Eles são inteiramente dicotômicos, os objetivos dos dois são maiores do que qualquer resquício de personalidade que possuam. Para reforçar essa visão, na última luta é exposto o modo como Neo mata seu oponente: simplesmente com Luz, que fisicamente sempre vence as trevas, só dependendo de intensidades.

Um modo um pouco diferente de construção dessa jornada de herói pode ser vista em Os Invisíveis. Mesmo que Jack Frost represente o Bem (ou algo próximo a isso), e seja o herói na narrativa, é possível enxergar o que é chamada de guerra suja, indistinta nos métodos dele. Existem momentos em que os heróis estão paranóicos, não sabem exatamente o que estão fazendo ou mesmo se somente são parte de engrenagens dentro de um sistema maior. Perguntam a si próprios porque participam de verdadeiras carnificinas. E a partir disso, questionam se realmente estão do lado certo, se a missão deles é válida. Pouco desse aprofundamento surgiu em Matrix - Grant Morrison, que escreveu Os Invisíveis, insiste que Matrix é um plágio descarado de sua série, e bem, muitos conceitos escritos por ele estão por lá - tendo o herói dúvidas somente em relação ao que vem ser o sistema a ser destruído, principalmente quanto à confiança dos rebeldes com a Oráculo. O final, que podia ser bastante consistente, acabou sendo palco de um desvio narrativo que colocou Smith como o centro do Mal na trama, o que dentro dos conceitos iniciais da trilogia pode ser visto como falho - embora muitos aplaudam pela mensagem pacifista, chegando a compara-la a de Watchmen.

 

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E daí surge a beleza e uma inovação na apresentação de Bem e Mal de Carnivàle. A série se apropria de todos esses clichês envolvendo lutas entre o Bem e o Mal, e de certa forma os distorce ao máximo. Somos lançados nos EUA em tempos depressivos, mais precisamente em 1934, quando os efeitos do Crack da Bolsa de 1929 estão estremecendo a nação. No meio de áreas atingidas pelo Dust Bowl - uma série de tempestades de areia devastadoras que atingiram os EUA durante toda a década de 1930 -, conhecemos o circo itinerante Carnivàle, comandando pelo misterioso anão Samsom - que recebe ordens da Gerência, um estranho ser que vive atrás de uma cortina e é dono do circo. Em uma parada num ponto qualquer, eles encontram Ben Hawkins, um fugitivo da lei que está enterrando a própria mãe e esconde poderes paranormais, além de ter acabado de ficar sem casa, destruída por tratores. Ao mesmo tempo conhecemos o reverendo Justin, um metodista obcecado pela obra de Deus, a colocando acima de tudo, e tendo estranhos sonhos proféticos que ele interpreta como o caminho que deve seguir. Ao longo da série, as duas linhas narrativas paralelas aos poucos - e sutilmente - vão se unindo, dando sinal de um inevitável embate entre as partes. O caminho de Ben e Justin parece se encontrar num mistério central: descobrir o paradeiro do misterioso Henry Scudder, um ex-integrante do circo que guarda estranhos poderes e desapareceu depois de um tempo.

Basicamente é esse antagonismo que é o tema central da série, o que parece mostrar uma certa simplicidade excessiva da parte de Daniel Knauf, escritor por trás de tudo. Como disse no começo, dicotomia entre bem e mal é um assunto manjado e Carnivàle usa essa premissa somente como mote para apresentar uma série de camadas quase sempre complexas. Aos poucos descobrimos que o fato de Ben ter entrado por circo foge do mero acaso, assim como uma sucessão de acontecimentos na vida de Justin, principalmente relacionados ao passado dele e a missão que ele acredita que Deus o deu: criar uma congregação com imigrantes fugindo do Dust Bowl e demitidos pela crise econômica. Logo Ben se envolve num jogo parapsiquíco com Lodz, o cego leitor de mentes do circo, além de apresentar uma estranha ligação com Ruthie, a encantadora de serpentes. Justin, por outro lado, tem dificuldades com seus superiores eclesiásticos, e logo depois com a própria lei, precisando tornar-se maior que ela.

A visão de Ben do circo é a nossa (na verdade, é bem clássico esse artifício de começar narrativa com a chegada de um Escolhido ao grupo, o que tem também a função de nos contextualizar no universo ficcional da obra), e felizmente a série foca no dia-a-dia do espetáculo circense - alguns com certeza não irão gostar, principalmente pela pegada meio Freaks de certos momentos - e dá a esses personagens a profundidade necessária para inseri-los na trama, não recorrendo somente ao trio Ben-Justin-Samson. Os outros personagens circenses são mais do que meros extras na série, e possuem motivações e são parte de subtramas geralmente interessantes, constituindo teias dramáticas às vezes não relacionadas à história central da série. A família das stripers, bem como a relação dela com Jonesy, o manco braço direito de Samson, é um desses personagens, assim como os problemas de Sophie - que lê cartas de tarô - com sua mãe em estado vegetativo.

 

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Apesar de ser uma série de alta qualidade, ganhadora de cinco Emmys e nove outros prêmios importantes da TV, ela não é de fácil assimilação, e mistura temas pesados como manipulação, religião, sistemas mágicos, psicologia, religiões orientais... tudo entrecortado de cenas de nudez explícita e violência. Como disse Matt Roush, do TV Guide, Carnivàle é o "show perfeito para aqueles que pensavam que Twin Peaks era muito acessível". Em primeiro lugar ela não possui qualquer tipo de cliffhanger ou grandes momentos de ação, baseando sua continuidade nas descobertas dos dois personagens principais a respeito de sua própria natureza. Dessa forma, o que você não sabe se torna tão importante quanto o que você sabe, e isso subverte várias regras áureas da ficção. O ritmo é essencialmente lento, vai te fisgando aos poucos, e essa soma de fatores acaba por minar um pouco a adequação de Carnivàle como série de TV - ao menos do modo como o público a absorve - sendo mais adequada para se assistir em maratonas (como Eu fiz, e sempre faço com todas as séries que vejo).

Foi esse tipo de crítica que se fez quase onipresente quando a série alcançou seus primeiros capítulos: focava-se na qualidade inigualável dela, mas ao mesmo tempo identificavam uma inadequação de ritmo e um excesso de hermetismo que minava a experiência do público médio. Basear a série em mistérios e altas doses de esoterismo dava a impressão que nada acontecia para os que não se punham a decifra-la. James Poniewozik, da revista Time disse que os "três primeiros episódios são frustrantes... mas ao mesmo tempo fascinantes". Já Joseph Adalian, editor de TV do Daily Variety, pontuou que "a série vai ser positivada na maior parte revisões, mas algumas pessoas vão ficar estarrecidas com estranheza geral do show". Com o pack da primeira temporada lançado, as críticas melhoraram. Duas delas merecem ser citadas: "Carnivàle pode exigir mais de seu público do que muitos estão dispostos a investir. [...] Sem prestar muita atenção, é tentador assumir que o show é desnecessariamente pretensioso", "Carnivàle tem uma história longa e complexa, e se você não começar bem do início, estará completamente perdido".

O problema talvez tenha sido o excesso de ambição de Knauf ao conceber a série. Bom, a culpa não é exatamente dele já que encaro ambição narrativa como mérito, mas sim da falta de visão comercial ao estruturar sua cria. Com um custo de quase 50 milhões de dólares por temporada - 4 milhões por capítulo, 12 episódios por temporada -, e se fixando em temas não tão comuns assim do público médio norte americano, a série acabou por perder parte da sua audiência na segunda temporada - de uma média de 3,54 milhões de espectadores da primeira temporada, para 1,7 milhões na segunda -, o que minou sua longevidade e provocou um cancelamento prematuro demais. A idéia de Knauf era fazer seis temporadas e a cada duas temporadas fechar um arco, até chegar a "explosão do falso sol sobre Trinity" (falo sobre isso depois), que representaria o fim da Era da Magia e a consolidação da Era da Razão Materialista na Terra.

 

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O básico da história concebida por David Knauf surgiu da insatisfação dele com o emprego de corretor de seguros, o que o levou a escrever uma primeira versão do script da série entre 1990 e 1992. Seu interesse por circos na época foi projetado para a trama, e a parte freak vem da pouca aceitação que tinha seu próprio pai deficiente na sociedade. Era seu primeiro roteiro, que se destacava porque mesmo em sua fase mais inicial continha inúmeros detalhes e um plano bem elaborado para um fechamento. Seu tamanho era de 180 páginas, o que é mais ou menos o dobro da maioria dos roteiros completos de longa metragem. E mesmo com esse tamanho, ele chegou a conclusão que o roteiro ainda não fazia jus a sua história e decidiu engavetá-lo e só retoma-lo a sua escrita quando tivesse mais experiência. Após não conseguir emplacar nenhum roteiro significativo em colaboração com alguns escritores de Hollywood, um amigo dele dá a idéia de montar seu roteiro de Carnivàle para a TV, no formato de uma série episódica. Após conversas com Chris Albrecht, um dos chefões da produção da HBO, ele obtém sinal verde e liberdade quase total, tendo 21 dias para produzir o episódio piloto e estabelecer os rumos definitivos da história das primeiras temporadas. Foi durante esse período inicial que o papel de Justin cresceu, assim como o da irmã dele, Iris. Também foi acrescentada a família de strippers - a mãe e duas filhas, além do pai, que apresenta o show - que se tornaria de grande importância pra série - e que só seria concebida graças a extensas pesquisas de Knauf acerca dos clubes burlescos.

Tecnicamente a série é impecável, como praticamente tudo que sai da HBO. Os atores estão na ponta dos cascos, com destaque para Michael J. Anderson, como o anão Samsom - na verdade, rolou uma sincronicidade quando comecei a escrever esse texto: no exato dia em que iniciei essa resenha, assisti, minutos depois de concluir a introdução, um episódio de Twin Peaks onde Anderson aparece pela primeira vez na sala vermelha dançando e falando ao contrário -,  e Nick Stahl como Ben Hawkins. Não existe um ator sequer que não dê profundidade ao seu personagem. Até os vilões causam a antipatia necessária. Não se surpreenda se odiar a petulância e a obsessão de Justin - sendo acobertado e incentivado por Iris -, a irritação de Lila (a mulher-barbada, que protagoniza uma cena de sexo especialmente repugnante com o Lodz), e outros personagens propositalmente irritantes. Aliás, Linda Hunt também merece destaque, por dublar a Gerência (dublagem não creditada), com uma voz andrógina e metálica como pedia o papel. A ambientação é perfeita, com cenários bem detalhados, figurinos bem feitos - cheios de terra e surrados, pra dar o ar da Depressão do período - e uma extensa pesquisa musical e de gírias da década de 1930, o que complementa o clima (clima que é ajudado pela decisão da HBO de não inserir comerciais entre os episódios).

Falar mais de Carnivàle sem leves spoilers é complicado, principalmente porque o que sustenta a série é justamente o mistério. Existe um clima de horror e suspense no ar a todo o tempo, no melhor estilo dos longas sonho-realidade de David Lynch. Aliás, muito da concepção de Carnivàle se deve a outra série de cheia mistérios famosa, na verdade uma das pioneiras nisso: Twin Peaks. A narrativa aposta num certo sentido instintivo de quem assiste: é fácil sentir que algo está acontecendo - algo ruim, geralmente - mesmo não sabendo exatamente o que é. É uma inversão interessante da importância consciente-inconsciente dentro de uma construção ficcional, e isso é muito constante também no modo de agir dos próprio personagens, que têm que confiar em habilidades que nem eles entendem. O modo de contar a história abusa de momentos oníricos - sempre representativos e importantes pra trama... aliás, as camadas oníricas chegam a ser mais importantes do que as reais em vários momentos - e da não-linearidade, e cria uma conexão densa com o mundo circense e religioso do presente. É uma forma pouco usada de apresentar as coisas, deixando claro que a jornada de Ben-Justin é apenas um ponto de um contexto grandioso envolvendo gerações, algo bem diferente do propósito de várias séries.

Essa forma de narrativa não-linear pode parecer pouco amigável para muitos, mas em suma é superior na maioria dos casos. Imagine um grande quebra-cabeças do quadro Escola de Atenas. Caso te dessem as peças de forma linear e ordenada, o processo de montá-lo seria extremamente mecânico, drenando sua atenção quanto a própria figura. Como você sabe a ordem exata e o lugar em que as peças se encaixam, vai se concentrar unicamente em colocá-las no lugar e pronto, dispensando observações mais atentas da figura. Mas se as peças chegassem de forma completamente não-linear - como um quebra-cabeças de verdade - sua atenção quanto ao objeto a ser montado seria redobrada, tudo precisaria fazer sentido e você a todo o momento precisaria olhar a figura total para saber o que já foi montado e onde mais peças precisam ser encaixadas. Montando o quebra-cabeça de forma não-linear você teria mais possibilidade de saber onde está Platão e Sócrates no quadro.

 

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Carnivàle é uma das melhores série de TV que assisti nos últimos tempos, não fazendo concessões narrativas e não necessitando se ater a estruturas comuns de séries americanas. Se estiver disposto a mergulhar num universo mitológico rico, profundo e difícil, ela é obrigatória. Mas, como toda obra de arte, é necessário realmente ir a fundo nos temas propostos, pesquisando temas e destrinchando mistérios. Definitivamente não é para qualquer um, mas o resultado é recompensador. Uma pena ter sido cancelada na segunda temporada - mas existe um fechamento, um final -, pois a tendência era ficar cada vez melhor. A única esperança que resta é o fato da HBO ter recusado vender o roteiro para Knauf, que pretendia escrever graphic novels para completá-la. Então, quem sabe um dia eles não resolvam retomá-la? Seria um novo marco na TV americana!

 

Carnivàle (EUA, 2003–2005)

2 temporadas, cada uma com 12 episódios de cerca de 60 minutos

Criação: Daniel Kauf

Nota: 9,5

6 Comentaram...

Rodrigo Emanoel Fernandes disse...

Desde que assisti Carnivàle, por volta de 2007/2008, eu fico procurando algum artigo na internet que vá mais fundo na análise da série e sua mitologia, algo que tornasse Carnivàle mais presente na nossa tão querida (mas as vezes frustrante) cultura pop/nerd. Durante todo esse tempo, tudo o que achei foram resenhas superficiais e comentários clichês tipo "série esquisita" que não ajudavam nada a atrair um público interessado, não davam a menor idéia do que o seriado realmente era. Montes de blogs e sites sobre seriados pipocam por aí, mas a maior parte deles sequer tem Carnivàle nos marcadores. Mesmo ótimos críticos, que reconhecem o brilhantismo de seriados da HBO parecem ignorar Carnivàle, ou ao menos não considera-la digna de ser discutida. Enquanto isso milhares de análises exaustivas sobre seriados como Lost e Fringe continuam a ser escritas, no geral mais catalogando easter egs do que extraindo algo de profundo, até porque Lost e Fringe nunca tentaram realmente ser sérias e profundas, apenas divertidas, coisa que os fãs exaltados nem sempre percebem (exceto Lost, que começou a acreditar no que os fãs diziam sobre ela e se tornou cada vez mais pretensiosa, resultando naquele final metafísico de novela das 8 que provou de vez que profundidade não era mesmo sua praia - por isso prefiro Fringe, que continua sendo apenas diversão).

Finalmente o FiliPêra vem sanar essa injustiça (se tivesse demorado um pouco mais acho que eu acabaria me aventurando a escrever, rss) e faz isso com categoria. Vou guardar meus comentários para quando as duas partes estiverem online, mas já adianto que espero, de coração, que esse texto leve mais gente a assistir a série, que merece muito ser redescoberta, e torne possível discussões mais produtivas sobre seus mistérios e significados (de longe mais produtivas do que debater a luz no centro da ilha, se é que me entendem), sempre extrapolando os limites do seriado, como o FiliPêra fez, e relacionando-o à nossa cultura e o que nos faz ser o que somos, como deve ser com qualquer obra de arte significativa.

Ufa!!! Que impulso de teclar e teclar... aguardarei a próxima parte e, enquanto isso, vou pegar meus DVDs e rever alguns episódios de Carnivàle, rss...

Francine disse...

Carnivale é uma mistuerba de Twin Peaks, Lost e Twilight Zone. E isso não é um demérito não, pelo contrário, é algo digno de nota.

Mauro disse...

Excelente essa análise de Carnivàle. Cheguei a assistir uns 2 ou 3 episódios quando a série passava no sbt, mas depois de ler essa análise fiquei com muita vontade de ver a série desde o começo para acompanhar o desenvolvimento da trama. O problema é que a série é meio difícil de achar, tanto pra baixar quanto para comprar. Se alguém souber e me falar onde posso achar eu agradeço.

Parabéns e que venham mais análises de alto nível como essa!

EfraGarcia disse...

Não conhecia a série, mas a qualidade desta análise aguçou minha vontade de vê-la.
Devo dizer que esta é uma das seções que mais gosto do NSN, quando vocês se propõem a analisar obras literárias ou cinematográficas; sempre venho até aqui pesquisar antes de comprar um livro ou ver um filme ou série.
Parabéns pelo inteligente e excelente texto, e continue com o bom trabalho.

Blog do Kalel disse...

SÓ 9,5 a nota pra série??? Meu Deus, quer dizer que até se Deus lhe inspirasse a ter as visões do Apocalipse com toda aquela apoteose você ainda não daria 10 também né??? Sei... Onde tá a falha da série hein? É por que foi demais pra cabeça da gentalha conseguir entender, ou a menos contemplar a grandiosidade do espetáculo e por isso foi injustamente cancelada? Eu hein....

Blogger disse...

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