terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Avatar Voz do Além

“As entranhas dos consoles da Sony”, por GeoHot

 

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Da mesma forma que o Game Cube foi uma fortaleza anti-pirataria na geração passada, graças aos UMDs, uma mídia proprietária e exclusiva criada pela Panasonic; o PlayStation 3 também foi bastante resistente nessa geração. Seja por um trabalho interno poderoso da Sony, de atualizar continuamente seu firmware, seja por chaves criptográficas avançadas (ou não tão avançadas, como veremos logo a frente)… ou pela estrela da festa: o novíssimo e caro Blu-Ray. Mesmo que todos os itens anteriores sejam razoavelmente fáceis de serem burlados por quem realmente entende do negócio, com o Blu-Ray sendo uma tecnologia cara, não adiantaria de muita coisa todo o processo, a não ser pelo uso do HD do aparelho, mas isso é outra história. Dessa forma o PS3 continuava firme e forte contra hackers e piratas. Continuava…

A fortaleza começou a desmoronar nos primeiros dias desse ano. O hacker George Hotz, o GeoHot, tomou para ele o desafio de hackear o console da Sony. Experiência ele tem, já que foi o responsável pelo jailbreak do iPhone, se tornando um dos hackers mais famosos da atualidade. Lá por meados de 2009, ele praticamente anunciou sua desistência de vencer a Sony e deixou no ar que poderia estar se aposentando dessa vida. Parecia uma vitória inédita de uma empresa sobre a pirataria, mas eis que dia 2 de janeiro GeoHot anuncia que quebrou a chave de segurança do PS3, e posta em seu site o que ele denominou Root Key do PS3. Com os dados divulgados por ele, é possível para desenvolvedores criarem softwares não-licenciados, inclusive qualquer coisa relacionada a pirataria.

Na verdade, uma semana antes, a equipe fail0verflow (a mesma galera que abriu as portas do Wii para a pirataria, através do BootMii) havia feito o mesmo, mas ao invés de divulgarem os códigos, a equipe mostrou uma série de ferramentas que ela mesmo havia desenvolvido. GeoHot foi mais fundo (e usou dados do trabalho da fail0verflow, só pra deixar claro), e mostrou os alicerces da segurança do PS3, dando a oportunidade que os hackers desenvolvessem suas próprias ferramentas.

Aqui cabe um ponto a favor de GeoHot: ao invés de aceitar doações em dinheiro que foram oferecidas a ele (George chegou a devolver várias, segundo relatos), ele simplesmente mandou que usassem sabiamente as informações que agora eram públicas. O recado foi dirigido até mesmo para os chefões da Sony: “Querem consoles mais seguros, falem comigo (…). Seria divertido estar do outro lado”.

 

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Castlevania rodando no HD, mas constando como download da PSN

O vacilo que possibilitou essa quebra de segurança criptográfica partiu da própria Sony: para gerar a chave de segurança o sistema em teoria usa cálculos com números aleatórios (e aí é que está o fator segurança da jogada, a impossibilidade de saber qual foi o número-chave gerado pelo sistema)… mas no caso do PS3 esse número era sempre o mesmo, o que possibilitava a criação de um sistema que fizesse o calculo inversamente e abrisse a chave. Nesse primeiro momento, nem GeoHot nem a  fail0verflow divulgaram como se quebra um outro sistema de segurança importante: a que valida os jogos em Blu-Ray - e teoricamente sem ela era impossível rodar jogos piratas direto no disco.

Mas o que se viu em seguida foi gente realmente criativa, que desenvolveu (ou atualizou) uma série de hacks e jailbreaks para o console, o que abriu definitivamente as portas do console, encerrando uma saga de mais de três anos. Alguns dias depois, no dia 5 desse mês, o mesmo fail0verflow, durante o congresso Chaos Computer Club, divulga a chave criptográfica do PSP, encontrada por um hacker francês no meio dos códigos das entranhas do PS3. Com a criptografia dos aparelhos reveladas, fica impossível para a Sony simplesmente lançar um firmware para invalidar jogos piratas, já que assinatura deles é legítima - o sistema do console não mais distingue o que é original e o que é pirataria. Seria necessário um novo console, com uma nova assinatura, e todos os jogos anteriores não rodariam nele. 

Com esse tipo de liberação começaram a surgir inclusive firmwares modificadas, como a lançada por KaKaRoToKS (não riam do nome). A máxima dos que desenvolvem esses programas alternativos parece ser sempre igual: Não estamos a favor da pirataria, mas da liberdade extrema para os donos do console. Se por um lado é verdade (os que quebraram a segurança não desenvolveram aplicativos efetivamente piratas), por outro lado eles lançaram kits de desenvolvimento que deixam em aberto a possibilidade de alguém criar algo potencialmente pirata e malicioso para o console. Ou seja: fica cada vez mais difícil de confiar nos programas alternativos que um blog Pirataria PS3 Total da vida posta.

 

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Encurralada e sem a possibilidade de reverter o processo a não ser com o lançamento de um novo hardware (se tudo tivesse rolado antes do lançamento da versão Slim do PS3, quem sabe, mas mesmo assim acho que seria difícil pra empresa impedir isso), a Sony resolveu contra-atacar de outra forma: nos tribunais. Dia 12 a empresa entrou com um pedido formal de prisão temporária para GeoHot e a equipe fail0verflow, por violação das “medidas tecnológicas de proteção” do PlayStation 3 (só é importante salientar que esse ano a Biblioteca do Congresso instituiu o jailbreak como algo legal nos EUA). A empresa diz que busca a retirada imediata da internet de todas as soluções alternativas divulgadas pelos hackers, e restringir o acesso deles aos consoles que ela fabricar. Para isso eles invocaram a DMCA, a lei americana que regula os direitos autorais.

Dois dias depois, os advogados de GeoHot soltam uma declaração reiterando que o jailbreak feito por ele é legal, de acordo com a DMCA (e é mesmo, segundo meus parcos conhecimentos, a Sony teria que processar alguém que faz os programas piratas, e não os que abriram as portas do console dela), e que Hotz jamais lucrou com seu trabalho, o que também consta como prova contra ele no processo movido pela Sony.

Mas não adiantou muito, a Sony termina por vence esse primeiro ato da queda-de-braço. O juiz do caso expediu um mandado de segurança contra Hotz, exigindo que ele retire da internet todos os links para códigos que facilitem o acesso ao aparelho da Sony, bem como pare de pesquisar o console. Para piorar, o juiz ordenou também a entrega de notebooks, desktops, pendrives, DVDs ou qualquer outro eletrônico ou mídia que contenha informações relativas ao destravamento de videogames ou outros sistemas eletrônicos.

Logicamente que o efeito inverso rolou: o trabalho de GeoHot se espalhou pela internet em diversos sites-espelho, seu nome foi alçado a categoria de herói, e a Sony pode ser transformada em vilã da história, se os rumores que apontam que ela pretende adotar o batido esquema de serial keys para seus jogos se confirmar (ela devia trocar uma idéia com a Adobe pra ver se isso funciona mesmo).

No fim tudo acabou (acabou por enquanto) como normalmente acaba: o hacker é crucificado, a corporação passa até por cima das leis e consegue o que quer, e todos pirateiam da mesma forma. Certas coisas nunca mudam!

 

[Via Kotaku, Kotaku, Geek e PSX-Scene]

6 Comentaram...

Danilo Gutierrez disse...

Como eu sempre disse: Todo cadeado tem sua chave, ou uma micha XD

Demorou, mas enfim, a Sony caiu.

Itaro disse...

Engraçado que a Sony fica se esperneando mas o desbloqueio vai alavancar a venda do PS3.

Roberto disse...

Não comemoro essa "vitória" da pirataria, contudo, fica um alerta para as empresas reverem cada vez mais se ainda vale a pena sustentar um sistema falido como o capitalismo. Agora na tal falada "era da informação", as pessoas querem conteúdo rápido e com o mínimo (senão nenhum) de gasto possível. Contudo, as leis de direitos autorais, principalmente a brasileira, são bastante injustas, sendo que dificultam muito a vida dos artistas para que vivam de seu trabalho. Ainda mais com as empresas canibais que, já no contrato de financiamento da obra, especificam que os direitos são dela, e não do autor, sendo este apenas creditado. George Lucas foi um dos poucos espertos que fugiu disso e hoje tem seu império construído com sua obra.

Mr. Abott disse...

Não ligo se estão ou não a piratear o ps3. Tenho um e não sou fanático pela Sony.
Nunca uma empresa deixaria de lançar novos hardwares e softwares por que estão falsificando seus produtos. Se assim o fosse a Sony tinha parado no PSOne.
O maior problema seria o uso de chaves seriais. Onde diabos se usa isso num console de mesa?

Daniel disse...

Acredito que a SONY extorquia as Software Houses em troca de segurança de seus consoles.

Isso acabava por diminuir o preju que ele levava na fabricação de seu console. Ops: mas o PS3 já é velho no mercado e seus componentes baratearam. "+ lucro"

Agora a Sony sentou e está esperneando. Afinal agora a falta de segurança não vai mais justificar os altos preços de seus sandbox.

A M$ adotou uma política bem mais eficiente e inteligente, faz vista grossa mais nem tanto.

Pirataria sempre teve e sempre terá.

Blogger disse...

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