segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Avatar FiliPêra

Mistério Divino






Um dos trabalhos menos conhecidos de um dos meus autores favoritos, Grant Morrison, se chama Mistério Divino. E como não poderia deixar de ser nas obras do mestre, exitem diversas metáforas e enigmas que só uma mente mais aguçada consegue descobrir. Tal fato é um motivo para detratar o autor escocês, com argumentos como: "Cabeça demais..."; "Muito viajante...";
entre diversos outros. Pra início de conversa, discordo totalmente de tal opinião...os querem não querem ler uma obra um pouco mais rebuscada, com roteiros que às vezes parecem quebra-cabeças (caso de Sete Soldados da Vitória), leiam HQ's de super-heróis. Entenda bem, não estou detratando quem gosta de super-heróis, afinal,o próprio Morrison adora super-heróis,
escrevendo a melhor fase dos últimos tempos de X-Men, a melhor HQ do Superman em decádas; além de Liga da Justiça e muitos outros. Eu mesmo, leio gibis de super-heróis (ora bolas, são eles que sustentam toda a indústria), mas o caso aqui é outro.
Aqui o roteiro se destaca por suas várias referências à violência que existe no mundo moderno, além é claro, de metáforas religiosas, como próprio título adianta. Mas as ditas "viagens" de Morrison, estão menos presentes aqui, a HQ está mais para
Como Matar seu Namorado do que para Os Invisíveis.
Tudo começa quando o prefeito da cidade de Townsley decide reviver uma antiga tradição da cidade: teatro com temas bíblicos. Durante uma entrevista decidimos que tal coisa pode estar motivada pelo fato do prefeito querer diminuir a importância de acusações que ele recebeu. Mas durante a peça que contava a história da queda de Lúcifer, o personagem que faz o papel de
Deus é assassinado...Surge então dois personagens; o primeiro é o detetive Carpenter (carpinteiro, mais uma referência) e uma jornalista investigativa que quer arranjar um emprego melhor.
O autor usa tal argumento para fazer uma ode a violência da sociedade atual. Mas não deixa de desfilar também suas interpretações da Teoria do Caos, que tanto marcam positivamente suas obras. Várias frases marcantes também estão presentes,
como: "O conhecimento pode destruir, sabia? Quanto conhecimento você pode suportar?" , "A única ordem que existe é a que impomos sobre os mais fracos!", ou " Deixe o castigo compensar o crime..." cita ainda o autor, fazendo referência a
Dostoievski. Em um momento, durante uma viagem de carro de um dos personagens, Morrison mostra vários atoe de violência na cidade de Townsley, que mesmo que pequenos afetam fortemente o todo...








A arte é um capítulo à parte, realista e mesmo assim com um toque onírico, lembrando os melhores momentos de Alex Ross, mas com uma narrativa ainda melhor, tudo isso pontuado com belas cores e ótimas expressões faciais.
Ao final, fica a impressão de uma obra inacabada, ficando a resolução do mistério principal, para o segundo plano. Fiz minhas próprias teorias acerca do assassinato de Deus, mas não vou colocar aqui, pra não estragar as surpresas de quem ainda não
leu. Se quise-las, faça um pedido aí nos comentários que Eu envio.
Abaixo, segue o link para download da revista. Boa leitura...

Nota: 8,0

FiliPêra

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