segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Avatar Voz do Além

Apple mostra que tem uma boa técnica para distorcer a realidade: Photoshop

 

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Como vocês provavelmente sabem - e nós não falamos nada sobre aqui - a Apple está processando a Samsung com todas as suas forças, ao ponto do Samsung Galaxy Tab 10’ ter suas vendas impedidas na Austrália… e na Europa inteira. Até aí tudo bem, a putaria das patentes irrelevantes e superficiais é bem conhecida, principalmente nos Estados Unidos.

No caso do julgamento no tribunal europeu, localizado na Alemanha, a Apple aparentemente usou uma estratégia das mais escusas: usou Photoshop para convencer os juízes que o Galaxy Tab é quase idêntico ao iPad. A reclamação oficial da empresa de Steve Jobs continha 28 páginas, duas delas com imagens que… bem, vocês viram acima. A denúncia é do site holandês Webwereld, que foi mais fundo e recolheu o depoimento de Arnout Groen, um advogado holandês especialista em patentes.

Um erro estúpido. Tal ‘equívoco’ em um processo de marcas e patentes de design é raramente uma coincidência. A razão proporcional do Galaxy Tab foi visivelmente distorcida para que pudesse se aproximar do iPad. Tanto quanto essa incrível ‘gafe’ pode ter consequências para o caso, claro, à discrição do juiz. Ao menos uma reprimenda da corte alemã está em andamento”.

Tem de tudo nessa manipulação (alguns dizem que foi uma imagem antiga do modelo do Tab, que realmente tinha uma aparência similar, mas Eu realmente duvido, justamente por não acreditar em coincidências, E PELO FATO DESSE MODELO JAMAIS TER CHEGADO ÀS LOJAS): logomarca da Samsung removida, configurações iniciais de tela mudadas, proporções alteradas, orientação visual do sistema mudada, entre outras.

Para uma empresa que clama ser a rainha da originalidade e do estilo, esse me parece um erro (no mínimo um erro, pra não dizer fraude) dos mais absurdos!

 

[Via MeioBit]

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Avatar Colaborador Nerd

[Pipoca e Nanquim] Lanterna Verde

Por Pipoca e Nanquim

 

82 - Lanterna Verde - Pipoca e Nanquim por pipocaenanquim no Videolog.tv.

Pois é, se continuar saindo filme de super-herói desse jeito, vai ficar fácil montar pauta. Depois de Thor e Capitão América, chegou a vez da DC dar as caras no Brasil com Lanterna Verde. Infelizmente, pelas críticas que lemos dos gringos, ao contrário dos filmes da Marvel, este aqui é uma bomba!

Mas bom ou ruim, o filme não muda o fato que o Lanterna é um dos personagens mais inventivos das HQs e após anos no ostracismo, recentemente ele voltou a ocupar um lugar que lhe era de direito entre os grandões do panteão da editora. Na verdade, hoje ele é mais popular do que heróis supostamente "maiores" que ele, como o Capitão Marvel e até a Mulher-Maravilha. Sua revista está entre as mais vendidas da atualidade e ele tem protagonizado mega-saga atrás de mega-saga.

Nós do Pipoca adoramos relembrar os grandes momentos desse emblemático herói e torcemos para que a Warner dê mais uma chance a ele e produza uma sequência de qualidade, que corrija todos os problemas apontados no primeiro longa. Enquanto nada disso ocorre, vamos fazer o que fazemos melhor que é LER HQS!!!

E quase tudo que falamos aqui, lembre-se que você pode comprar lá na Comix (aproveita a promoção de agosto deles que tá genial).

Grande abraço a todos e até a próxima semana!

QUADRINHOS INDICADOS
Lanterna Verde: Crônicas (Panini)
Grandes Clássicos DC: Lanterna Verde e Arqueiro Verde (Panini)
Lanterna Verde: Origem Secreta (Panini)
A Morte do Superman (Panini)
Lanterna Verde: Crepúsculo Esmeralda/Novo Amanhecer (Panini)
Zero Hora (Abril)
Lanterna Verde: Renascimento (Panini)
Dimensão DC: Lanterna Verde #1-5 - A Guerra dos Anéis (Panini)
A Noite Mais Densa (Panini)
Grandes Clássicos DC - Alan Moore (Panini)
Lanterna Verde: Sem Medo (Panini)
Lanterna Verde: A Vingança dos Lanternas Verdes (Panini)

Avatar Colaborador Nerd

Meu decepcionante primeiro dia de Youpix!

Por Synthzoid

 

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O que me chamou a atenção no Youpix semestre passado foi justamente a proposta do evento, uma celebração da dita “Cultura da Internet”, um espaço onde todo consumo era gratuito e livres idéias eram colocadas em pautas de palestra e rodas de debate. Levando em conta a pessoa que lhes escreve, posso garantir que o clima informal do ambiente me agradou, como declarei neste blog [no NerDevils] meses atrás, a visita ao evento foi uma experiência bem enriquecedora.

Para essa nova ocasião, resolvi comparecer no primeiro dia, Quarta feira 18/08 mesmo notificado pela produção do evento via e-mail do alto número de participantes, eu cheguei um pouco mais tarde, após a abertura e como era de se esperar nesse tipo de ocasião, me deparei com uma fila imensa.

Até ai, isso não é lá grande novidade para a pessoa aqui, que passou ¼ da sua adolescência em filas de eventos para anime, RPG e videogame, o que me incomodou foi a falta de preparo das atendentes para esse setor, um grupo de moças que antes mesmo do evento chegar a sua metade, se encontravam mal-humoradas e gritando com os visitantes.

Após confirmar o meu pré-cadastro, tive que validar minhas informações sobre redes sociais, e eu – assim como muitos outros – tivemos a experiência desgastante de soletrar o nick do meu twitter para as atendentes que o que tinham em charme, com certeza faltavam em paciência e profissionalismo.

E aqui vale o primeiro questionamento sobre a produção: se formos aconselhados – e alarmados – em realizar o cadastro no site, porque é necessário repassar informações como o nickname? Questiono a falta de articulação entre as databases para puxar dados e assim evitar estorvos exaustivos na fila, como minha amiga, que teve seu nick errado no crachá, e garanto a você leitor, que não foi o único caso.

Passando por esse perrengue, finalmente pude entrar no evento, realizar o check-in no foursquare e…”interagir”. É curioso ver o que se sucedeu, muitos dos estandes, como o do Bradesco, não estavam preparados para lidar com o número de pessoas, para um evento que se presa pela celeridade da época digital, em muitas ocasiões tive o feeling de estar mais empacado que repartição pública, o que é preocupante.

 

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Da esquerda pra direita: Bruna (@bru_maturana), Mariana (@maribfurlan), Vanessa (@vanrez) e eu (@synthzoid)

As palestras, por bem ou mau, tiveram seus momentos, pude acompanhar o acirrado debate sobre a “orkutização”, além de apresentações de humor e uma parte da entrevista do Gilberto Gil, mas é só isso.

Para um evento rizomático, assimétrico e sinceramente… o caralho a quatro, percebi a retomada da boa e velha egolatria. O Youpix tem desenvolvido uma distinta separação entre o público comum e os convidados, então, se você não é convidado, VIP, celebridade ou impressa, dificilmente terá uma experiência duradoura do evento.

Acontece que em diversos casos, fiquei me perguntando “onde esse cara arranjou esse brinde?” ou “onde ele descolou esse lanche?”… e para esses questionamentos recebi a frequente resposta “eu sou palestrante” ou “sou convidado da produção” e eu pensei “caralho, na era da democracia digital eu tenho que aturar isso?”.

Entenda leitor, não estou praguejando por um mísero cupcake, mas essa distinção de tratamento é visível e incomoda. Claro, você pode alegar, realmente teve o consumo de cerveja e refrigerante no evento, mas a demanda não supria – talvez um erro logístico por parte da produção – as filas eram longas e o re-abastecimento com demoras de até uma hora.

Porém, o ápice do descaso se deu na fila do banheiro masculino. Antes do término do evento, apertado, resolvi cuidar de minhas necessidades, mas ao chegar lá, me deparei com um segurança carrancudo, que anunciou que o banheiro estava fora dos limites do público. Após uma conversa, descobri que o mesmo foi fechado para que os membros da banda Teatro Mágico pudessem se maquiar.

Após uma demora, eu e meu amigo conseguimos utilizar o banheiro e ao questionar o vocalista Fernando Anitelli sobre essa pequena sacanagem, o mesmo tirou o culpa da reta e argumentou: “a produção do evento não disponibilizou outro espaço pra gente”. Sinceramente? Foda-se! Por mais que existam filas – o que é compreensível, dada a proporção de frequentadores – barrar o acesso ao toalete para que duas pessoas possam se maquiar é inaceitável e um descaso com o público comum.

Ainda mais que ao sair, me deparei com grupos de pessoas urinando nos arbustos e árvores do Parque Ibirapuera, uma situação completamente degradante.

Pra mim, ficou claro que o Youpix se tornou algo falho, que ainda precisa de muito labor para alcançar um nível de decência e que reflete em muito a posição do público brasileiro em relação os meios de comunicação, tudo se resume a cultos de personalidades como desculpas para legitimização de idéias.

Mensalmente eu me reúno com “colegas de Internet” – inclusive outros membros desse blog – em bares para discutir eventos, bobeiras ou apenas gostos em comum, conversas que, apesar do nível chulo, se tornam bem mais instrutivas e frutíferas do que o conteúdo desgastado e díspar da realidade que o Youpix vem promovendo.

Ficam aqui minhas esperanças para melhores edições do evento.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Avatar FiliPêra

A Liberdade Individual

 

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Apesar de várias perguntas e questionamentos, creio que (quase) todos entenderam meu posicionamento no texto logo abaixo: Por que não defendo minorias. Alguns reclamaram do tamanho e do excesso de idéias presentes no artigo - que usou um episódio no Twitter para dissertar sobre um tema sociológico muito mais complicado - mas, pelos comentários e pela repercussão no Twitter, creio que meu objetivo foi alcançado.

Claro, existem exceções, como um dos seguidores da Lola gostou de mostrar…

Esse texto NOJENTO e PATÉTICO está aqui: http://t.co/AJp1vEs Essa porcaria na qual esse traste do Villaça procura refúgio. [Link]

Ele foi ainda mais fundo em sua “forte argumentação” e mostrou o que pensa sobre o tema:

Acho que a próxima pessoa que vir me falar algo relacionado a "politicamente correto", "vitimismo" e "piada" vai levar socos. [Link]

Quem me conhece sabe que detesto ficar falando, minha liberdade de expressão acontece é na porrada. Simples assim. [Link]

Mas, no geral, as opiniões e comentários foram construtivas e focados no principal que o texto tentou abordar. Inclusive várias mulheres retuitaram e afirmaram concordar.

@milady_winter: Interessante! RT @paulolobo: http://t.co/tRnwHkf [Link]

@amiga_ursa: texto fantástico. http://t.co/abUH1Oa [Link]

@anne_chan: Assino FORTE embaixo. RT @amiga_ursa texto fantástico. http://t.co/ZnE9lYg [Link]

@sushiornotsushi: RT @anne_chan: Assino FORTE embaixo. RT @amiga_ursa texto fantástico. http://t.co/ZnE9lYg

Isso fora diversas pessoas que retuitaram alguns dos tuits acima, dá pra ver o restante AQUI.

Já a Lola, doutora “Crítica de Mídia”, nem sequer leu o texto, e afirmou que “passou os olhos”, o que fui suficiente para ela saber que o artigo “é mto ruim, de gente q ñ sabe interpretar texto” [Link].

Enfim, passemos ao mais importante: os questionamentos. Obviamente que descrever algo tão complexo como o funcionamento de uma sociedade não é uma tarefa das mais fáceis (e Eu não tenho todas as respostas, obviamente, ainda mais porque não me debrucei sobre o tema por semanas, como geralmente faço, mas escrevi o texto em uma madrugada), ainda mais num texto de pouco mais de 30 mil caracteres. Então é natural que algumas dúvidas surjam, e vou responder aqui os principais comentários e questionamentos (que vão gerar mais comentários e questionamentos até que o assunto esfrie ou meus dedos peçam perdão) que não respondi no texto anterior. Enfim, é mais um texto longuíssimo, mas que pode ser lido aos poucos. Como vocês conhecem o blog, não gosto de deixar pra trás coisas que considero importantes.

Para começar, vou reproduzir abaixo o email do nosso leitor Panthro, que tentou comentar, mas o texto saiu muito longo (o limite é de 4.096 caracteres por comentário) e nós sabemos que o sistema de comentários do Blogger não é a oitava maravilha do mundo.

 

"É aí que entra meu problema com minorias. Em primeiro lugar, não podemos (digo cada indivíduo) ser descritos sob uma única característica que nos identificaria. Em segundo lugar,quais critérios utilizar para realizar essa classificação?

Explico: dizer “fulano é negro”, “fulano é machista”, “fulano é gay” é uma super generalização de uma estrutura tão complexa como o ser humano. Se auto-enquadrar em uma minoria (gênero não é uma minoria, mas logo explicarei como conecto as duas coisas) é automaticamente entrar em um preconceito simplista.

Eu concordo com você que é uma generalização simplista. E concordo que isso é muito imbecil. Mas o grande problema do preconceito é que ele não é exercido, na maioria das vezes, de dentro pra fora. Não é você que se resume a ser negro, gay, mulher ou jornalista. São as pessoas que te reduzem a isso após tomarem contato com essa sua única característica. E ainda lhe atribuem um monte de outras características com base nessa, sejam positivivas (negros tem pau grande, gays tem mais sensibilidade estética, mulheres são intuitivas) quanto negativas (negros são vagabundos, gays são promíscuos, mulheres são burras).

Por exemplo, você é uma pessoa completamente diferente de mim. Claro que não completamente diferente, nós temos muitos pontos em comum, como têm quaisquer pessoas. Mas vc fez jornalismo, eu química, vc mora no ES, eu em toda parte e por aí vai. Mas se nós dois fôssemos pros EUA e encontrássemos um neonazista por lá, ele nos enxergaria como latinos, sem diferença nenhuma. E o fato de nós dançarmos salsa ou não não faria a menor diferença.

Existem pessoas que se definem apenas por uma característica? Existem. Mas normalmente são pessoas que possuem um ego muito frágil. Elas não sabem que podem ser qualquer coisa e precisam de uma "tribo" pra se definir como pessoa. Sim, adolescentes podem ser um exemplo. E pessoas que sofreram demais a ponto de o sofrimento ser a única coisa que sobrou na vida delas. Sim, terroristas se encaixam no perfil. Por isso que eu acho que esse não é um comportamento saudável. Pq adolescentes instáveis e terroristas fanáticos não são exemplo pra ninguém de pessoas mentalmente saudáveis.

Por essa razão, a discussão sobre quem é negro é infundada. Tanto faz. Quem for discriminar, vai saber muito bem quem é negro. Ou quem parece negro. Taí pai e filho confundidos com gays que não me deixam mentir. Eles nunca se disseram gays, mas outras pessoas foram lá e definiram que eles eram assim. E foi o suficiente.

Porque o que importa não é a definição. O que importa é a idéia. Como mulher está associado a inferior, parecer mulher é automaticamente associado a parecer inferior. Como gay está associado a inferior, parecer gay, automaticamente é algo de que vc precisa se defender. Por essa razão, existem níveis de gay, por exemplo. Você pode não ter nada contra gays no armário, achar ruim gays se beijam na rua e agredir travestis. Porque existe uma escala de gays. Assim como existe uma escala de negros, de judeus... Quanto mais se parecer com o estereótipo, mais ódio ou desprezo merece.

Mas até aqui tudo bem, é uma questão secundária. O grande problema que eu vi na coluna, e por isso eu achei simplista foi aqui:

"Por essa linha de pensamento, João pode ser integrante da KKK, da Liga Anti-Judia, do Partido Machista… mas não pode praticar atos discriminatórios, ou difamar, ou atacar indivíduos utilizando veículos públicos, ou de comunicação de massa abertos ao público."

Note que o seu conceito de liberdade não é total. Existem restrições a ele. Acredito que a maior parte das pessoas acredite que deve existir limitações à liberdade individual. Acho que ninguém é a favor de uma sociedade em que todos fossem livres pra matar outras pessoas contra a vontade delas, por exemplo. Eu tenho dificuldades até pra acreditar que isso seja uma sociedade.

No outro extremo, também não creio que alguém defenda o controle total. Mesmo os religiosos mais fanáticos acreditam em livre-arbítrio. E quando falo em fanáticos religiosos, é justamente porque eles são o exemplo de pessoa que acredita que existe uma única forma correta. E mesmo eles não defendem o controle orwelliano da vida humana.

Então todo mundo concorda que o ponto adequado deve estar no meio. A questão é onde. E este ponto é completamente arbitrário. Cada pessoa acredita que seja num certo ponto. E no mais das vezes, as pessoas nem sabem bem onde seja este ponto. Mesmo os movimentos civis que buscam defender as "minorias" (pq né? movimento feminista defende as maiorias) não têm um consenso sobre qual seria o limite. Porque as pessoas se ofendem por coisas diferentes.

Mas vamos analisar o limite que você considera válido:

"...mas não pode praticar atos discriminatórios, ou difamar, ou atacar indivíduos utilizando veículos públicos, ou de comunicação de massa abertos ao público."

Em primeiro lugar, o que conta como difamar? A rigor, difamar é "imputar algo que fira à honra, que leve ao descrédito da pessoa". O que em muitos casos é ridículo. O simples fato de você dizer que eu sou gay está me difamando, embora eu de fato SEJA gay. Mas dizer que eu sou gay, na nossa sociedade é difamação. E quem quiser dizer que não pensa assim, pense quantos contratos de publicidade um ator reconhecidamente gay pega.

Mas digamos que quiséssemos mudar as coisas. Que difamar significasse mentir a respeito dos outros, inventar acusações falsas. Ainda assim isso seria um problema. Digamos que eu dissesse, por exemplo, que negros possuem uma chance maior de serem traficantes de drogas, porque a maior parte de traficantes de drogas no Brasil é negra ou parda. Seria uma informação correta, mas falsa. Qualquer jornalista sabe que existem diversos subtextos em um discurso e que é possível mentir se falando apenas a verdade: Basta levar o outro a uma conclusão falsa.

Na verdade, hoje em dia é possível fazer até pior: É possível se gravar em vídeo a sua opinião e depois se desdizer falando que não foi entendido. Mas cara de pau não é o assunto aqui.

Ainda existem outros problemas: Como determinar quem é o objeto da injúria? Se eu falar que mulher é tudo puta, minha mãe pode se ofender? Eu não estava falando dela em particular, mas ela é mulher. Se eu chegasse em uma sala  de aula e dissesse que a maioria das pessoas daquela sala são burras, algum dos alunos poderia reclamar, uma vez que eu não ofendi ninguém em particular?

O terceiro problema é o veículo: O que é considerado um veículo público? Um jornal de âmbito nacional? Regional? Uma publicação específica para dentistas? Um fanzine de faculdade? O twitter? Tenho certeza que as pessoas sabem que seu diário é privado, mas já cansei de ver gente fazendo blog diarinho e reclamando que as pessoas avacalhavam a vida dela. A fronteira entre o público e o privado diminui cada vez mais, já que qualquer um pode criar um veículo de comunicação em massa.

E quantos as ações? De novo temos um problema sobre o que é o espaço público. Invadir um cemitério durante um enterro como fez o Pânico ou a Igreja de Westboro é válido? O espaço é público, mas a cerimônia é tudo, menos pública. E uma empresa privada? Obviamente não é um espaço público, mas isso significa que o seu dono pode fazer do lugar o seu feudo particular e implantar a sua versão da lei?

Subestimar a ideologia é um erro. No fim das contas, todo o preconceito nasce de uma ideologia de superioridade. Da idéia que algumas pessoas são melhores que outras e, portanto, tem mais direitos que as outras na sociedade. Homens de bem versus marginália.

Ignorar a ideologia e combater apenas as manifestações é como ignorar o sistema capitalista e combater apenas a pobreza. Ok, é útil. Ajuda muito. Mas está longe de resolver o problema. Na verdade, só torna a manipulação mais sutil, seja no que diz respeito ao preconceito, seja no que diz respeito à discriminação. E existem diversas formas de discriminar sem dizer isso na sua cara. Hipocrisia está aí pra isso.

Eu acredito que existem pessoas superiores as outras. Dizer que todos somos iguais é uma tolice. Não somos. Algumas pessoas são melhores que vc, outras piores. E por esta razão as pessoas com mais poderes possuem maiores responsabilidades e devem proteger quem é inferior. Mas né, li Homem-Aranha demais.

Eu acho que todas as pessoas deveriam ser consideradas como pessoas e ter as mesmas chances em tudo. Só que eu não sou estúpido. Eu sei que o mundo não é assim. E que simplesmente dizer que as pessoas na África não deveriam receber dinheiro pq nenhum país deveria ser favorecido porque somos todos iguais é só cegueira.

Como diz uma amiga minha: Racismo existe, sim. Se você nunca passou por isso é porque você está do outro lado dele. Eu realmente não sei o que é ser mulher. Não sei pelo que elas passam pra julgar. Tenho uns indícios, como quando eu queria brincar com as minhas primas e elas não podiam pq tinham que lavar a louça e eu fui ajudar e tomei bronca porque isso não era trabalho de homem. Mas não deixo de notar que quem me deu a bronca era a mãe delas. Que era mulher e tal.

Então, no fim das contas, acho que deve prevalecer a gentileza. Eu sou piadista. Na verdade, não exatamente, eu falo as coisas a sério e as pessoas acham engraçado, mas enfim. Às vezes as pessoas se ofendem com o que eu falo. E eu sempre peço desculpas. Pq minha intenção nunca é ofender, mas as vezes eu posso ter feito isso. Cabe ao ofendido dizer. Porque, como diz na música do Rapa: "Quem bate esquece quem apanha/E quem apanha quer se vingar"

Abaixo reproduzo minha resposta completa:

 

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“Por essa razão, a discussão sobre quem é negro é infundada. Tanto faz. Quem for discriminar, vai saber muito bem quem é negro. Ou quem parece negro. Taí pai e filho confundidos com gays que não me deixam mentir. Eles nunca se disseram gays, mas outras pessoas foram lá e definiram que eles eram assim. E foi o suficiente.”

Esse é o ponto. O que quis dizer na minha argumentação - que peço perdão se não ficou clara - é que governos não deveriam fazer distinções entre minorias na hora de dar-lhes direitos. Não deve existir Lei Maria da Penha para mulheres e Código Penal para os homens. Explico: temos um sistema de cotas que diz que negros tem certa quantidade de vagas destinadas a eles. Como o governo (a direção da Universidade, ou outro órgão) vai decidir e definir quem é negro ou não? É nessa base que concentro a minha crítica a direitos a minorias. Não disse que não devem existir movimentos sociais de minorias, mas que não deveriam haver distinções de classes, etnias, etc, na hora de conceder-lhes benefícios dessa luta, pois isso é inconstitucional e carece de critérios objetivos em sua classificação (exclui-se mulheres do segundo argumento por motivos óbvios). Uma mulher não deve ser considerada mais frágil por lei que os homens, pois isso já me parece uma forma de perpetuar o machismo.

TODOS devem lutar e se organizar, estudantes, negros, mulheres, gays... todos que se sentem oprimidos ou de alguma forma, menos favorecidos. Mas devem exigir direitos iguais e não diferenciados (como mostrei no meu texto, não é exatamente o que a Lola deseja).
O exemplo mais palpável é o movimento negro americano. Como definir qual era o “verdadeiro” movimento negro, o representado pelos Panteras Negras ou o de Desobediência Civil Pacífica de Martin Luther King? Qual era o “legítimo”? Eles buscavam coisas diferentes, pra início de conversa. Não vou entrar nesse mérito por ele não existir, mas podemos avaliar melhor pelo resultado dos direitos alcançados pelos negros, que - em parte - os colocou em igualdade com os brancos (quando digo igualdade, quero dizer com relação a escolas, andar de ônibus, fatos objetivos e mensuráveis).

Você não pode punir alguém que acha um gay inferior, ou gordo inferior, e assim vamos... isso dá margem para o que chamei de patrulhamento, pois depende de subjetividade, de apontar qual classe é menos favorecida e merece tratamento especial. Qualquer pessoa que ofende outra pessoa deve ser punida, sem distinções. Diferenciar na hora de conceder benefícios, a meu ver, só perpetua machismos, racismos e outros ismos.
 
SIM, meu conceito de liberdade não é total, não existe liberdade total, só se você morar sozinho em águas internacionais. Pra mim, o limite da sua liberdade é a liberdade do outro, de forma igualitária. Isso é uma regra, e baseada nessa regra-mor são criadas interpretações, que nem sempre são fáceis, sociedades são complexas por natureza e se tornam cada vez mais complicadas com o tempo.

Mas agora vamos a parte realmente espinhosa da coisa, onde entramos no reino da linguagem (óbvio, esse é meu ponto de vista, e como você disse, vão ocorrer arbitrariedades).

Quanto ao lance do gay você respondeu embaixo: se for uma mentira, a pessoa tem o direito de tomar providências (processos, direito de resposta, isso foge da minha alçada) caso tenha se sentido ofendida.

“Se eu falar que mulher é tudo puta, minha mãe pode se ofender? Eu não estava falando dela em particular, mas ela é mulher. Se eu chegasse em uma sala  de aula e dissesse que a maioria das pessoas daquela sala são burras, algum dos alunos poderia reclamar, uma vez que eu não ofendi ninguém em particular?”

Aí é que entram as mentiras disfarçadas. Se você falar que TODAS as mulheres são putas, todas elas estão no direito de se defenderem (nos mesmos termos acima). Se você falar “a maioria”, Eu lamento, não existe mensuração nesse tipo de afirmação e o professor ficaria civelmente e criminalmente impune, restando aos alunos reclamarem com a coordenação da escola/faculdade/similar.

Veículo público, na minha concepção, é aquele que pode ser adquirido/lido por qualquer pessoa, ou por alguma pessoa fora do âmbito de uma organização. Se Eu tenho um centro comunitário e ele tem um jornal do bairro com cinco cópias, e qualquer pessoa pode ir lá pegar/comprar um, esse é um veículo público. Se Eu tenho uma revista que circula para todos os 10 mil funcionários da minha empresa/organização e somente para eles, esse não é um veículo público.

Páginas da internet que podem ser acessadas por qualquer pessoa, e isso inclui qualquer rede social, são veículos públicos, independente se só a mãe do sujeito acessa. É a acessibilidade que distingue se o veículo é público ou não.

Quanto às ações: se existem avisos no sentido do evento ser privado e o governo/administradora do local permite esse tipo de restrição, o evento se torna privado. O que define aí são as autorizações, o que exclui, logicamente o bloqueio de ruas, avenidas e etc, salvo em casos específicos que também envolvem autorizações. Isso é restrição da liberdade? É, e é uma exceção.

Agora a parte mais difícil, que creio ser justamente o que não deixei claro o bastante.
 
“Eu acredito que existem pessoas superiores as outras. Dizer que todos somos iguais é uma tolice. Não somos. Algumas pessoas são melhores que vc, outras piores.”

Melhores em que? Piores em que? Não estou dizendo que não existem, tão pouco que existam pessoas diferentes, mas sim que isso é subjetivo e leis e direitos não podem ser subjetivos. Uma lei não pode partir do ponto que as mulheres estão mais vulneráveis que os homens e beneficiar somente elas em uma lei que considero importante.

E veja bem, não distorça o que disse. “E que simplesmente dizer que as pessoas na África não deveriam receber dinheiro pq nenhum país deveria ser favorecido porque somos todos iguais é só cegueira”. Existem regiões pobres, sem dúvida, e Eu disse que todos devem ter os mesmos direitos graças a políticas públicas. Direito a educação, saúde, lazer, moradia e o que mais for decidido. Se algumas cidades/regiões não estão nessas condições, o governo deveria injetar dinheiro e cuidar para que tenham. Isso é o MÍNIMO. Nós estamos em um sistema capitalista, nem todos podem ser ricos, mas digo de dar o mínimo a todos.

Agora ideologias. Racismo existe e não nego, mais uma vez. Racismo, preconceito contra mulheres, contra gays, religiões, e diversas outras. Tudo isso existe, e MUITO. O que quis dizer com liberdade individual é que as necessidades de uma minoria não devem ser colocadas acima de todas. Meu exemplo e principal argumento foi a Lei Maria da Penha, que possui tratamento diferenciado. Eu sei que parece absurdo “caraca, vamos fazer uma lei para os homens”, isso extrapola o senso comum, que diz que são os homens que espancam as mulheres. É aí que entra a sutileza das ideologias: você não acha que ressaltar unicamente o sofrimento feminino é um desrespeito com os homens que sofrem violência doméstica?

Da mesma forma que vai parecer absurdo se alguém com pele clara dizer que sofreu preconceito. Não darão ouvidos a ele, justamente por todos estarem unicamente com um lado da questão na cabeça. É esse tipo de injustiça individual que combato. Se um hetero sofrer preconceito de gays (nem sei se isso já aconteceu e como se qualificaria), dariam ouvidos a ele?

Um caso foi o Dia do Orgulho Hétero. Considero uma inutilidade que beira a babaquice e não o apoiaria, mas vi gente dizendo que a criação da tal data se qualifica como homofobia. É contra esse tipo de exagero na busca pelos direitos que falo. Isso é querer tirar o direito de manifestação de alguém.

Claro que essa minha defesa em favor da “liberdade de ideologia e do pensamento” de alguém não impede o governo de promover campanhas de educação, como várias campanhas de conscientização sobre trânsito, sobre drogas, AIDS, qualquer coisa. Porque proibir só torna aquilo mais valioso e sabemos bem que é verdade. Conscientizar não é proibir. Claro que ao decidir por campanhas, governos favorecerão algumas questões em detrimentos de outras, mas não estão tirando o direito outras pessoas se manifestar.

Para terminar esse email, pense na seguinte analogia.

Um carro dirigido por um assassino nato que já atropelou e matou diversas pessoas está se dirigindo ao centro da cidade matar mais gente, passando por escolas e tudo o mais. O carro é blindado e só será parado se um sniper der um tiro certeiro na cabeça do motorista. Parece uma situação de merda... até que a empresa que fabricou o carro mostra um controle com um botão que, apertado, parará o carro. Pode demorar, mas o carro parará com certeza antes de mais carnificinas. O que você faria? Montaria uma operação para atirar na cabeça do ocupante ou apertaria o botão que pararia o carro aos poucos? Lembre-se que se apertar o botão o ocupante dele poderá continuar pisando no acelerador, apertar a buzina, ligar os faróis, mas o carro não se movimenta e logo ficará sem bateria.

PS: Ele mandou uma tréplica onde alinhamos um pouco mais as nossas idéias, que ainda vou responder quando tiver tempo.

 

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Abaixo, os questionamentos do Raphael Tsavkko Garcia:

 

Teu artigo, em geral, especialmente no começo, é muito bom, mas aponto falhas ou questiono detalhes:

A Lei Maria da Penha vale pra homens. Já existem decisões judiciais favoráveis ao homem e que os protegem.

E, sejamos honestos, existe MAIS violencia doméstica contra a Mulher que contra o homem.

Vc se diz contra a idéia de minorias e etc, mas e como ficam as cotas? É inegável que os negros são maioria dos pobres e dos fora da universidade, que os índios são discriminados, que negros são mais discriminados, que os gays são vítima de violência homofóbica diariamente. Não podemos tratar TODOs como IGUAIS, mas alguma igualdade ou unidade existe.

não se garante igualdade achando oque deixar tudo com oestá irá permitir ao negro entrar na universidade. Vai entrar só branco.

A qustão do rotulo ou identificação já está em parte superada. Hj mts autores usam a idéia de auto-identificação, que tem paralelo com a Comunidade Imaginada de Benedict Anderson. Você é parte do grupo que se sente parte.

E discordo quanto à parte da KKK e etc, a mera pregação destes grupos já é uma difamação. Qd Bolsonaro tem o "direito" de dizer que gays são inferiores e que não devem ter direitos ele se coloca contra os direitos humanos e atenta contra direitos desta minoria ou deste grupo vulnerável (em sua maioria). Como tolerar isto?

Como toelrar, como há na Holanda, um aprtido que defenda a pedofilia, ou seja, o abuso de vulneráveis?

Seria lindo um mundo em que fôssemos MESMO iguais. MAS não somos, ou ao menos existem grupos que tentam manter a desigualdade. Como dizer q políticas voltadas para os gays são ilegítimas qd diversos direitos lhes são negados? Como dizer que os negros são iguais aos brancos se negros são revistados e mortos ao andar na rua apenas por serem negros?

Respostas:

"A Lei Maria da Penha vale pra homens. Já existem decisões judiciais favoráveis ao homem e que os protegem. E, sejamos honestos, existe MAIS violencia doméstica contra a Mulher que contra o homem"

Sim, Eu sei que em alguns casos os juízes estão ampliando a interpretação dela, como escrevi no último parágrafo do texto: "Por motivos como esse que vejo Leis Maria da Penha (quando aplicadas de forma literal, o que não está sendo feito por muitos juízes), (...)". Só me questiono por que a lei não simplesmente deu os mesmos direitos a todos, e não só as mulheres, mesmo o caso delas sendo o mais grave e mais recorrente. É mais grave bater em uma mulher do que bater em um homem? Porque a lei criou esse tipo de interpretação diferenciada. Mas, se ela agora é/será válida para todos, encerro meu questionamento quando a efetividade dela. Logicamente que existem casos em que a criação de leis com conotações similares é bem-vinda, como Estatuto do Idoso, Código de Defesa do Consumidor, Estatuto da Criança e Leis Trabalhistas.

Mesmo essas leis que, teoricamente, criam diferenciações na sociedade, tratam apenas de indivíduos em "condições diferentes" num determinado espectro do espaço-tempo, e não indivíduos que "são diferentes". Explico: você hoje é trabalhador, mas no outro dia pode ser patrão. Você amanhã é consumidor, mas no outro dia pode ser lojista/fornecedor. Você hoje é criança, amanhã vai ser idoso, e assim vamos.

Já o que se convencionou chamar de minorias, geralmente tratam de características físicas inerentes a pessoas - aliás, é bem arbitrário o processo de escolha de que "minoria" que precisa, ou "merece" tratamento especial, já que não existem metodologia clara para estabelecer uma delas -, as leis que dão direitos a elas (Maria da Penha, Cotas) não fazem distinção de quais integrantes da tal minoria precisam da ajuda.

É justamente esse meu ponto. Existe MAIS violência contra a mulher? Sim, evidente, mas essa exacerbação da “maioria” acabou por criar um vazio que tornou nulo socialmente o problema crescente da violência doméstica contra homens. Ao ponto de nem existirem pesquisas sobre esse tipo de situação no Brasil. O assunto é tão indizível que a Lola (como apontei), considera-o uma idiotice. Imagina se um hétero falasse que sofreu preconceito de um homossexual. Iriam rir da cara dele e mandar ele se enxergar porque o opressor é ele. É claro que muitos héteros têm preconceito contra homossexuais, mas talvez AQUELE INDIVÍDUO não tinha, é disso que falo. De colocar em atenção evidente apenas uma parte do problema, e isso causa mais divisão social. E não digo que o Movimento Gay defende preconceito contra héteros, mas que socialmente pode-se criar um preconceito inverso no tratamento do problema, ele se torna invisível.

"Como ficam as cotas?" Sou contra. Sou a favor, em parte, ao ProUni, e não é só porque sou beneficiado por ele, mas porque diminui o nível da distinção. A meu ver, todos com baixa renda (claro que o processo de dizer o que é baixa renda é arbitrário, mas necessário para se fazer cumprir a lei, a não ser que o governo pagasse agentes que estudassem caso a caso), independente de onde estudou, deveria receber o auxílio até o governo ser capaz (e ter o mínimo de interesse) de dar educação pública de qualidade. Então, a medida termina por ajudar pessoas que talvez não conseguissem chegar as universidades federais. Claro, queremos educação pública de qualidade em todos os níveis e essa deve ser a bandeira final de qualquer movimento que se preocupe com a educação.

E não é questão de deixar "como está", é questão de focar o problema. Cotas para negros - como repetirei pela 1000º vez, não prevê se o negro precisa ou não do benefício. É a questão semifilosófica de "estar em condições diferentes" e "ser diferente". Pra mim, essa medida acaba por partir do princípio básico de que negro é pobre e mulher é frágil, e creio que é justamente essa percepção que os respectivos movimentos querem mudar.

O que impede o acesso de alguém (negros inclusos) a educação? Falta de dinheiro para conseguir uma educação melhor, em boa parte dos casos, creio Eu. Então, foque em condições financeiras (como o ProUni, em parte). É disso que falo.

"E discordo quanto à parte da KKK e etc, a mera pregação destes grupos já é uma difamação. Qd Bolsonaro tem o "direito" de dizer que gays são inferiores e que não devem ter direitos ele se coloca contra os direitos humanos e atenta contra direitos desta minoria ou deste grupo vulnerável (em sua maioria). Como tolerar isto?"

Bom, não foi exatamente isso que quis dizer. Não disse que esses grupos têm "liberdade de expressão", mas sim "liberdade de existirem", como escrevi no trecho:

"Isso é liberdade de pensamento, ele [o João, do exemplo] pode pensar o que bem entender e ter o direito de comunicar suas idéias para pessoas que pensam de forma similar - daí a Ku Klux Klan ter todo o direito de existir, isso é liberdade de associação". Seriam, portanto, vedadas declarações de cunho racistas/sexistas/similares em veículos públicos, como descrevi na resposta ao Panthro. Então, Bolsanaro não teria direito de dizer isso em público, mas sim a pessoas que pensam de forma similar, de forma privada. É praticamente os mesmos moldes do que ocorre hoje. E o tal partido holandês poderia existir, mas não poderia divulgar suas ideias de forma pública, é basicamente isso. É como ter um carro sem motor.

 

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E, pra encerrar esse post, o comentário do camarada e NerDevil, Roberto Maia.

Filipe,

Seja sensato rapaz, como uma minoria poderia reivindicar poderes maiores que a classe dominante, isso não existe rapaz, chego a dizer que é logicamente obtuso. Sua postura é alarmista e paranóide, conseqüência direta de uma educação calcada no patriarcado.

Ai que ta, dificilmente, alguém que não pertence a uma minoria vai encontrar problemas de ordem econômica e/ou social, como eu disse em meu último comentário, problemas assim são apenas conseqüência do preconceito de base que assola o país.

Não existe articulação sócio-econômica a partir do momento que a condição étnica, de gênero ou opção sexual do individuo serve como trave para sua ascensão na malha social.

Eu sei que você não é caucasiano, ou bem nascido, alias, faz parte de uma pequena elite de bem instruídos, alfabetizados, sem contar que pertence ao sexo masculino, querendo ou não, já existe uma disparidade social entre você e alguns grupos.

Lembra uma vez que eu, você e o Agostinho (@agrt) discutimos sobre a questão de igualdade entre os sexos? Que a mesma se dá em base social, mas sempre respeitando as diferenças fisiológicas e psicológicas encontradas em ambos os gêneros.

Claro que existem casos de agressões contra maridos e homens, mas elas são minorias e o aparato judiciário já garante sua defesa, caso invocado. Agora, são essas mesmas diferenças que dão legitimidade a lei Maria da Penha, afinal, um homem tem explosão muscular e mais força física que uma mulher, isso sem contar todo o antepassado sócio-cultural da questão. O ato de agressão é bem mais impactante.

A Lei Maria da Penha é eficaz porque: 1) emancipa a mulher de sua condição subjulgada na sociedade patriarcal 2) garante uma defesa justa em caso da sua integridade física seja violada.

Bom, Eu não tenho medo de ser dominado por classe nenhuma, como parece escrito no primeiro parágrafo do seu comentário. Existem divisões profundas: as econômicas. Numa sociedade capitalista, é basicamente isso que permeia as divisões sociais, ainda mais em tempos que temos um negro no poder dos EUA (tinha o Colin Powell, anteriormente, como Chefe do Estado-Maior, e a Condoleezza Rice como secretária de Estado, por exemplo) e uma mulher presidente do Brasil, creio que é cada vez mais evidentes que divisões dessa natureza como você parece colocar me parecem cada vez mais difusas.

O que quis dizer anteriormente é que a lei deve tratar todos os indivíduos sem distinções, com igualdade. Se vai fazer distinção, que seja dando acesso econômico a classe pobre. Falo de leis e políticas governamentais unicamente. A meu ver o maior problema é de ordem econômica.

Mas você tocou num ponto que ninguém tocou (a menos Eu não vi): "Não existe articulação sócio-econômica a partir do momento que a condição étnica, de gênero ou opção sexual do individuo serve como trave para sua ascensão na malha social".

Você não acha que ressaltar isso do ponto de vista de criação de cotas só piora? Não vejo como você obrigar a contratação de determinada minoria melhora o problema, além de só dividir ainda mais a sociedade. Creio que para tratar esse problema, deve-se ter alvos e não usar um fuzil para matar uma mosca. É preciso saber onde está o problema e não generaliza-lo, é disso que falo.

E se faço parte de uma "elite bem educada" é porque corri atrás de educação. O privilégio que meus pais me deram é o de não precisar trabalhar antes de querer, o que me deu tempo de tentar aprender alguma coisa. De resto, estudei em escola pública e dependi de biblioteca pública até uns 16 anos se quisesse ler alguma coisa. Bom, mas não vou pagar de minoria aqui.

"A Lei Maria da Penha é eficaz porque: 1) emancipa a mulher de sua condição subjugada na sociedade patriarcal 2) garante uma defesa justa em caso da sua integridade física seja violada." Bom, nessa questão não discutirei porque realmente não penso assim. Principalmente no tocante ao tratamento diferenciado. Uma mulher pode pegar uma faca, atirar, jogar óleo quente, entre muitas outras coisas, não depende só de força física. Colocar a questão nesses termos é que me parece machismo. Acho que vitimizar as mulheres é esquecer que elas também podem ser agressoras. Indivíduos são agressores, e não vejo um único motivo plausível para tratar de forma diferenciada crimes praticados contra mulheres e contra homens. E, certo, a Lei corretamente é uma mostra que o problema é importante, mas insisto no tratamento diferenciado. Por que não dispender tratamento igualitário, como prevê a Constituição (o que, por si só, já tornaria a Lei Inconstitucional, se não ampliassem sua interpretação).

E falar em sociedade patriarcal em tempos em que a gente lê a notícia abaixo me parece uma mostra que nós não trabalhamos com dados, só com senso comum (dados do final de 2010):

Entre 2001 e 2009, o percentual de famílias brasileiras chefiadas por mulheres subiu de aproximadamente 27% para 35%. Em termos absolutos, são quase 22 milhões de famílias que identificam como principal responsável alguém do sexo feminino. [Link]

Sim, mais de um terço das famílias brasileiras são chefiadas por mulheres e o número só tende a aumentar. Se tivesse uma atitude “alarmista e paranóide”, estaria com “medo” de ler coisas assim, mas, muito pelo contrário, só fico feliz, isso não me afeta em nada e gera mulheres felizes por toda a parte. Não vejo minha “posição social” ameaçada, muito pelo contrário, só vejo a liberdade individual crescendo acima de conceitos e idéias retrógradas.

 

Bom, acho que é isso! Como Eu disse, são necessários muito mais estudos (inclusive meus), principalmente quanto a questão do “preconceito” e como isso afeta o desenvolvimento socio-econômico do que se convencionou chamar de minorias. Porque sem dados minimamente específicos do problema, não é possível trata-lo adequadamente. Somente dizer “os negros não têm acesso ao mercado de trabalho” não é conhecer o problema, assim como dizer que “vivemos em uma sociedade patriarcal”, ou que “todos são machistas” não melhora a igualdade entre gêneros.

Imagine que uma cidade tem ratos acima do normal. Cacete, que problema de merda. Descobriu-se que eles saem dos esgotos e vão para as casas, daí a prefeitura decide colocar veneno em todos os bueiros. Matou um monte de ratos, mas também matou cachorros, gatos e até um ou dois mendigos que tiveram contato com o veneno. Aí um grupo resolveu entrar nos esgotos e constatou que quatro zonas da cidade têm acúmulo de lixo em seu subsolo e é ali que se reproduzem os ratos. Limpou-se o lixo, diminuiu-se os ratos - e foram poupadas as vidas de cachorros e outros animais que porventura se aproximavam dos bueiros, além de conter a ira da população que não estava gostando de corpos de ratos pela cidade toda, que saíam dos esgotos para morrer nas ruas. Não é tão simples assim, mas é uma mostra de conhecer o problema (se tem algum estudo aprofundado sobre isso, me perdoem a ignorância e o indiquem aí baixo. E estudo não é citar dois ou três acadêmicos e pegar um estudo de caso, é mapear o problema).

No assunto que manjo alguma coisa - Pirataria e Compartilhamento - um recente estudo mundial (Media Piracy In Emerging Economies) revelou em suas 440 páginas as maiores causas da pirataria são econômicas, o que afastou o conceito de condição endêmica do que eles encaram como problema. Foi um alerta para os altos preços e altos lucros que a indústria de entretenimento quer receber (não estou justificando o preconceito aqui, só sugerindo que muitas pessoas talvez não entendam até onde as ações dela perpetuam isso).

Enfim, só quero dizer que simplesmente afirmar “ah, o mundo não é assim, igualitário”, não deveria ser um incentivo ao generalismo. Em que regiões existe mais preconceito? Em que empresas e setores profissionais é mais frequente o preconceito contra mulheres? Por quem? Me parece muito mais acertado, como disse no outro texto, tomar ações específicas contra problemas específicos, do que dizer “todo o mundo é machista e escorrega às vezes”.

Se pareceu que Eu condenei a existência de movimentos sociais, me expressei mal: apoio, praticamente todos eles, assim como apoio praticamente todas as greves (inclusive diversas que me afetaram diretamente), movimentos estudantis, revoltas populares e outros. Só não apoio que esses movimentos queiram melhoras somente pra eles. “Ahhh, mas se um negro não tem trabalho, ele vai pedir trabalho pra ele”. É exatamente isso, ele está pedindo uma coisa que os outros já têm, não há tratamento diferenciado aí. Mas - um exemplo hipotético - se um grupo de negros (asiáticos, imigrantes, universitários, blogueiros, jornalistas, judeus, católicos, outro rótulo qualquer) pedir que seja crime hediondo que se ofendam somente negros, ele quer tratamento diferenciado. É disso que estou falando. O grupo pedir emprego não é arbitrário - afinal, é um direito nosso - mas pedir cotas somente para ele me parece pedir tratamento diferenciado. Seria o mesmo que o Pirate Bay (ou outra organização de liberdade de informação) pedir que somente os pessoas entre 18 e 25 tenham liberdade de baixar.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Avatar FiliPêra

[HyperEspaço #23] Por que não defendo minorias

 

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Tem uma coisa chamada politicamente correto que, creio Eu, todos devem conhecer ou, ao menos, ter uma opinião do que seja. Politicamente correto - a meu ver - é um processo que pretende tornar os símbolos culturais nulos do que se convencionou classificar de preconceito em uma determinada época, dirigido a determinado grupo de indivíduos.

Um exemplo disso é a adoção da palavra “presidenta” após a Dilma ser eleita. O termo presidente é assim desde que aprendi a falar português (é um substantivo uniforme comum de dois) e só agora se inventa de querer criar uma versão feminina dele. “Ah, Filipe… agora chegou uma mulher ao posto máximo governamental do nosso país, então a palavra pede mudanças”. Ué, existem mulheres no tráfico de drogas há muito tempo e nem por isso inventaram o termo traficanta, o que mostra a dualidade presente na questão e um possível preconceito.

Claro que esse tipo de classificação é muito subjetiva e depende de interpretações de alguém - ou um grupo - supostamente instruído para criar uma espécie de padrão aceitável pela sociedade. Se estamos vivendo em tempos denominados Politicamente Corretos, é porque esse tipo de demarcação linguístico-cultural se espalha num ritmo assustador.

Um exemplo disso ficou patente nesse fim de semana, num embate no Twitter que revelou bastante sobre como funciona esse tipo de patrulha ideológica. Para resumir, o crítico de cinema Pablo Villaça linkou uma piada remixada que dizia basicamente o seguinte: “Existem mulheres que você ganha com um olhar. Existem mulheres que você ganha com um bom papo. Existem mulheres que você ganha com um beijo. Para todas as outras, existe Mastercard” [imagem abaixo].

 

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Só para esclarecer e tentar ser justo, a piada linkada foi uma forma de complementar uma piada anterior que dizia que vários homens não conseguem atrair mulheres e apelam para o dinheiro. Logicamente que a piada não quer dizer somente isso, pois têm um sentido invertido, com a afirmação que as mulheres é que são compráveis. Mas, antes de dizer que existem mulheres compráveis, a piada afirma que existem outras três categorias de mulheres, levando-se em consideração que tipo de atrativos elas vêem nos homens. E bom, quer doa em algumas mulheres quer não, existem mulheres que só pensam em dinheiro, como creio ter sido o caso de Anna Nicole Smith, que casou com o bilionário J. Howard Marshall II, de 89 anos - ela tinha 27 anos na época. Como ela, existem outras, e afirmar com toda a certeza do mundo que não existem mulheres que se interessam por dinheiro, me parece um salto no vazio da burrice.

Mas o nosso amigo Pablo tem 9.786 seguidores no Twitter e eis que surge alguém não muito satisfeito com a piada: a Maria Júlia, que se diz feminista de carteirinha. Vamos a alguns tuits dela com reações a piada acima (e somente a piada, nada mais, antes que se assustem):

Só se for a sua. RT @pablovillaca: Como conquistar as mulheres: migre.me/5udwP (:P) [Link]

@pablovillaca Isso é machista, e mostra que você é 1) incompetente pra discutir; 2) um completo imbecil. [Link]

@pablovillaca É mais simples do que parece: Ao pensar em piadas com mulheres, não as faça, pq são sempre machistas. [Link]

@pablovillaca A imagem que você postou serve, sim, pra perpetuar um preconceito contra as mulheres, de que elas são ganhas c/ $ [Link]

Sabe o que eu acho? Que homem, ao pensar em brincadeiras sobre mulheres, devia simplesmente CALAR A BOCA. [Link]

O mais engraçado é ver um bando de homens vindo socorrer o amiguinho. Solidariedade machista. [Link]

Esse é o @pablovillaca mostrando que não passa de um machista patético. Acha que piada com mulher, dinheiro e louça é engraçado. [Link]

E aí, @pablovillaca, aposto que cê curtiu a piada do Rafinha Bastos! Foi só piada, né? Bóra estuprar mulher feia!! Oportunidade pra elas! [Link]

Isso tudo da mesma criatura, só pra constar. Vamos do início: como primeiro movimento, ela começou com uma agressão, ao separar apenas uma parte da piada (machista, na opinião dela) e jogar para cima da mulher do Pablo, que linkou a piada. Em reação ao comportamento que considerou desmedido, ele inicia uma série de piadas ainda mais cínicas e engraçadas (para nós homens, claro, nenhuma mulher riria disso… tirando umas 15 que Eu conheço), incluindo TPM, louças, brincos e outras coisas, além de jogar argumentos dela contra ela mesma (as imagens foram capturadas pela Lola Aronovich, principal motivo desse texto, como demonstrarei nos próximos parágrafos).

Agora também sou racista? Então inclua homofóbico e anti-semita na lista. RT @_julinha: o mov. negro tb é "chato-politicamente-correto"? [Link]

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Ele não parou por aí, obviamente, tem mais coisas, mas Eu paro por aqui, porque essa batalha se estendeu por uns bons dois dias inflamados e não estou escrevendo uma Monografia, além da timeline dele ter muito mais tuits, o que dificulta a minha coleta dias depois dos fatos.

Após a mesma Julinha linkar um texto de uma feminista - que Eu (e várias pessoas que conheço, inclusive feministas) classificaria de radical - chamada Lola Aronovich, doutora em  Literatura em Língua Inglesa pela UFSC e dona do blog Lola Escreva, a discussão esquentou. O motivo é que ela, assim como Pablo, é relativamente famosa e é tida por muitas como uma espécie de representante da luta feminista.

Pois bem, ela não demorou e escreveu um texto relatando algo que ela chamou de “padrão eterno”, que resumidamente seria o seguinte (primeiro parágrafo do texto “PADRÕES QUE SE REPETEM SEMPRE”, da Lola):

Tem um padrão que se repete sempre. É assim: uma pessoa ou um blog ou uma coluna ou whatever com um bom histórico de publicações e declarações em defesa das mulheres escorrega. Publica um texto de alguém falando mal de feministas e chamando-as de feminazi, ou traduz um vídeo de um cara dizendo que o feminismo é uma droga, ou linka uma piadinha machista. Isso repercute, e o sujeito que escorregou é criticado por várias pessoas, incluindo, lógico, feministas. Como o sujeito reage a essas críticas? Negando que seu escorregão foi machista e usando clichês machistas pra ofender as feministas que o criticam.

A mensagem do texto escrito por ela casa e foi complementada muito bem por um tuit que ela mandou quase ao mesmo tempo:

Todo mundo escorrega e é machista às vezes. Acontece. Mas se alguém te critica por isso, saiba ouvir. Reflita. Peça desculpas. [Link]

Para alguém que diz lutar contra preconceitos linguísticos (inclusive o lance da presidenta), que é doutora em literatura - que entende de linguagem com um mínimo de profundidade, por consequência -, usar os termos sempre e todo mundo me parece uma linha argumentativa que se aproxima da tradição ególatra-messiânica com que foi redigida a Bíblia (que ela obviamente não curte, como deixou claro no texto “Assim me diz a Bíblia”), que trata basicamente da necessidade de um salvador que um mundo cruel e pecaminoso (onde nós habitamos) possui. Quer provas? Mando um versículo:

“Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Romanos 3:23)

Repare na similaridade das mensagens. Se fizermos uma fusão do texto de Paulo e da Lola ficaria mais ou menos assim: “Pois todos são machistas, e carecem do feminismo”. E essa similaridade denota que ela parece querer saber mais sobre as mulheres do que as próprias mulheres (ou mais sobre mim do que Eu mesmo). “Todo mundo (…) é machista às vezes”. Me pergunto se uma mulher pode ser machista ou um homem feminista. E outra: se TODO O MUNDO é machista, então o machismo não é um problema.

Mais para frente ela manda outra distorção:

Piadinha dizendo que mulher se vende e só se interessa por dinheiro não é lá muito respeitoso à metade da população mundial, e é obviamente uma mentira.

Você entendeu a piada do cartão? Porque posso ter perdido completamente a minha (pouca) racionalidade e só Eu não ter visto essa mensagem de metade da população mundial só se interessa por dinheiro, como foi o caso dela (messianismo-ególatra novamente).

Antes de prosseguirmos, voltemos aos tuits da Júlia (apoiados pela Lola, como mostrarei abaixo). “Que homem, ao pensar em brincadeiras sobre mulheres, devia simplesmente CALAR A BOCA”, diz um deles. Não sei para vocês, mas para mim, isso soa como ela se colocando como representante única e exclusiva das mulheres no sentindo de dizer: “Se a piada me atinge, não a faça, mesmo que uma mulher goste”, ignorando uma série de mulheres que simplesmente não se sentiram atingidas pela piada e o Pablo retuitou posteriormente.

Imagine a seguinte situação: João é casado com Ana, e Júlia (digamos que é a Júlia dos tuits acima) está na casa deles para o almoço. Ana está a beira do fogão cozinhando e João passa atrás dela, dá um tapa em sua bunda, beija seu pescoço e diz algo como “É isso aí, cozinha direito”, o que leva Ana a esboçar um sorriso, retribuir o beijo, e lembrar que fez a mesma piada quando João cozinhou na semana passada. Júlia, uma feminista fervorosa e radical, tem direito de se indignar, e chamar João de imbecil e machista escroto? Pense bem aí…

 

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Para alguém que diz pregar a igualdade, isso me parece bastante absurdo, principalmente se levarmos em conta o tipo de palavreado que ela usou logo depois - e a Lola chamou simplesmente como uma “crítica não radical”, como demonstrou no tuit abaixo.

(+) Meu post ñ foi sobre uma piada ou pessoa, mas sobre UM PADRÃO.Quem vir os tweets verá q eu (ou @_julinha) ñ fomos as radicais da história. [Link]

E pior: em sua visão, Lola diz que Pablo é que deveria simplesmente não ter reagido as críticas (ele não tem o direito, aparentemente), ou simplesmente deveria ter ignorado Júlia (me pergunto por que ela não fez o mesmo, ou dirigiu o mesmo comentário a Julia?).

@brunotasca Quem podia(devia)ter tido atitude diferente ñ fui eu, mas o Pablo.Ele tb podia ter ignorado a @_julinha, ou mandado só 1 tweet. [Link]

Esse comportamento de achar que somente a interpretação dela é válida é que para mim parece um padrão (parece, não será com dois ou três exemplos que chamarei algo de padrão), como ela deixa claro em uma série de textos dela. Em outras palavras: a Júlia estava em seu direito de escrever impropérios contra a esposa de Pablo, mas ele não estava em seu direito de fazer piadas que elas classificaram como “machistas”. Mais uma prova tuitada desse comportamento quase paranóico? Toma:

Como tem feminista q se despreza! RT @joaopdias_m Feminista q se preze tem q lutar é por direitos,igualdade.Ñ por besteiras culturais! [Link]

Outro problema é a interpretação dela da piada em comparação com um outro texto dela que fala sobre a humorista Sarah Haskins: para ela, TODAS as mulheres podem ser compradas com cartão de crédito (ou dinheiro, bens materiais, em essência) e nessa piada não há espaço para outra interpretação, segundo ela mesma. Já os vídeos da Sarah - uma feminista que satiriza a forma como homens são retratados por propagandas destinadas as mulheres, principalmente de utilidades do lar - são apenas “críticas engraçadas”.

Em um trecho do tal texto ela diz:

Sarah começa dizendo que ser mulher não é fácil, já que a gente trabalha e cuida dos filhos e da casa, sem a ajuda daquelas bestas conhecidas como... nossos maridos.

Em outro trecho:

O primeiro pedacinho de comercial do segmento da Sarah mostra um pai tentando preparar o café da manhã dos filhos, que olham assustados. Sarah diz: “Gastei cinco anos pra fisgar esse cara. O motherf***er [Nota do FiliPêra: eu traduziria como “filho da puta” mesmo] não sabe nem preparar café da manhã”. Ela se frustra que os homens não consigam fazer as coisas, porque, afinal, lembra de como o seu amor era nos comerciais antes de se casar? Ele andava em carrões, paquerava mocinhas, se divertia com os amigos... Tudo acabou quando ele conheceu você e se casou. “E agora ele é ligeiramente mais burro que um cachorrro”. Hahahaha.

Ela termina o texto dizendo que “Ah, dá pra passar o dia todo gargalhando”, e está certa. É fácil entender que todos os esquetes representados por Sarah são piadas que ridicularizam estereótipos criados por empresas de publicidade, ou similares. Da mesma forma que a piada do cartão é uma crítica a existência de estereótipos entre o pensamento de certas classes sociais - incluindo várias mulheres.

 

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Em outro tuit, a Julinha responde exatamente o motivo de Eu não defender minorias:

O mais engraçado é ver um bando de homens vindo socorrer o amiguinho. Solidariedade machista.

Percebe a mensagem? Se ELA e a LOLA rotularam a piada de machista, NINGUÉM pode pensar diferente; fazer isso é “solidariedade machista”. É a mesma lógica do “cala a boca” dela em outro tuit. Da mesma forma que me parece estranho - para alguém que diz querer a igualdade - usar adjetivos como “escroto” e “imbecil” para responder uma piada consideraram preconceituosa. É estranho ela não ter a mínima capacidade de reconhecer que está reproduzindo o mesmo tipo de comportamento preconceituoso que diz combater.

É aí que entra meu problema com minorias. Em primeiro lugar, não podemos (digo cada indivíduo) ser descritos sob uma única característica que nos identificaria. Em segundo lugar, quais critérios utilizar para realizar essa classificação?

Explico: dizer “fulano é negro”, “fulano é machista”, “fulano é gay” é uma super generalização de uma estrutura tão complexa como o ser humano. Se auto-enquadrar em uma minoria (gênero não é uma minoria, mas logo explicarei como conecto as duas coisas) é automaticamente entrar em um preconceito simplista.

James Joyce, em seu clássico Ulisses, criou o herói Leopold Bloom, basicamente descrito como um judeu. Vários dos estudiosos mais dedicados da obra de Joyce classificaram Bloom como um judeu por mais de 40 anos e assim foi (o que automaticamente o coloca em uma minoria). Foi aí que entrou em pauta uma pergunta bem simples: o que é ser judeu? E quanto mais analisavam isso, mais chegaram a conclusão que Joyce queria justamente brincar com esse tipo de classificação.

 

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Noam Chomsky, filho de pais judeus e crítico ferrenho da política israelense, pode ser considerado judeu? 

Segundo minhas melhores referências - inclusive um comerciante judeu patrão de um primo meu -, um judeu pode ter quatro características básicas, que variam de acordo com quem está criando o rótulo: pelas leis civis judaicas, é necessário ser filho de mãe judia (ter crescido em um ventre judeu, em outras palavras); pela cabeça dos nazistas ou neonazistas, inclusive os americanos e brasileiros, judeu é quem teve um ancestral judeu qualquer e identificável; para os rabinos, judeu são os que praticam a religião judaica, o que inclui ser circuncidado, não comer carne de porco, guardar o sábado, ir a sinagoga, entre outras coisas; e, finalmente, para outros círculos, especialmente os políticos, o judeu é aquele ativo na comunidade judaica e, de preferência, que apóia o Estado de Israel.

Bloom, o herói de Ulisses, possuía duas dessas características apenas, e aí vem a pergunta: ele é judeu? Não é judeu? Ou é 50% judeu? Outra pergunta: Marilyn Monroe, ao casar com Arthur Miller - um judeu - e praticar a religião judaica, se tornou mais judia que um ateu nascido de mãe judia? Ser judeu é ter sangue de judeus ou praticar a religião judaica?

O mesmo caso - com muito mais complexidade - ocorre com os negros, outra minoria reconhecida. O que é ser negro? É ter uma foto tirada com uma luz padrão e ter a cor da sua pele medida com precisão pelo Photoshop com resultados indicando certa quantidade da cor preta? É ser branco (ou qualquer outra coloração de pele) e ter antepassados negros? É pertencer a uma comunidade negra? É qualquer um que se diz negro? Todas as alternativas anteriores? Nenhuma delas?

Uma analogia que ilustra isso bem está em um episódio do seriado Um Maluco no Pedaço (The Fresh Prince of Bel Air, no original). No tal episódio, Will e Carlton batem uma aposta que prevê que Carlton passe um fim de semana na periferia de Los Angeles para provar que é negro. Will, um negro da Filadélfia, é preconceituoso com Carlton pelo fato dele não ser da periferia, morar em um bairro rico e estudar nas melhores escolas. Em outras palavras: para Will, se Carlton não é pobre e oprimido, ele não representa os negros, é um “traidor do movimento” - vejo coisas similares em feministas como a Lola: se não pensa igual a ela, ou acha a tal piada do cartão verdadeira ou engraçada, o homem é machista ou a mulher não é mulher de verdade, ou algo assim. 

 

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Responda rápido: qual dos dois é negro?

Nem  gasto meus neurônios pensando nessas coisas, ainda mais no Brasil. Por isso não defendo qualquer luta comunista de classes, seja de gays, mulheres, negros, católicos, judeus, ou qualquer outra. Uma classe não é superior a outra, ou “mais oprimida que a outra”, não têm problemas mais urgentes que as outras. Indivíduos têm. A segregação começa exatamente aí, ao ressaltar os problemas de um grupo, minimizará o de outro grupo, ou indivíduo fora do seu grupo. Um “branco” pobre pode ter tanta dificuldade para entrar na faculdade quanto um negro, mas não existem cotas para ele. Exacerbar um aspecto do problema - mesmo que ele represente a maioria - não é resolver todo o problema.

Por isso defendo a Liberdade Individual, pura, simples e total. Todas as pessoas individualmente (e não todas as classes de pessoas, que dependem de julgamentos extremamente subjetivos, complexos e inúteis para serem classificadas, como demonstrei brevemente acima) terem os mesmo direitos. É isso, ponto! Um indivíduo deveria ter direito sobre seu corpo, se drogar, se suicidar ou praticar qualquer outro ato que envolva somente ele.

Existe também a liberdade de pensamento. João pode achar as mulheres a fonte suprema de todas as mazelas da sociedade, é direito dele. Também pode achar que os negros ou imigrantes estão roubando seu emprego. Pode achar também que os judeus formam uma conspiração para deixa-lo cada vez mais pobre. Isso é liberdade de pensamento, ele pode pensar o que bem entender e ter o direito de comunicar suas idéias para pessoas que pensam de forma similar - daí a Ku Klux Klan ter todo o direito de existir, isso é liberdade de associação. As leis e os movimentos sociais devem se preocupar em lutar contra/impedir/punir eventos, fenômenos espaço-temporais e não idéias, pois isso leva ao perigo da censura. Parece absurdo, mas é a esse tipo de abordagem que as leis e perseguições devem se concentrar - a meu ver, um cara que não pertence a nenhuma minoria, aparentemente.

Por essa linha de pensamento, João pode ser integrante da KKK, da Liga Anti-Judia, do Partido Machista… mas não pode praticar atos discriminatórios, ou difamar, ou atacar indivíduos utilizando veículos públicos, ou de comunicação de massa abertos ao público.  

Por isso certos aspectos da luta dita feminista tiveram extremo sucesso com a mudança de pensamento vindo pelo Iluminismo Humanista e outros não. Por se concentrarem em eventos, e não em subjetividade linguístico-ideológica.

Sufrágio, um sucesso, visto ser o combate a um fato objetivo: a proibição de mulheres votarem. Acesso ao mercado de trabalho: posso estar muito enganado, mas se elas não conseguiram isso, estão perto de conseguir, o que é outro fenômeno objetivo. Tive duas chefes mulheres, em instituições presididas por mulheres. Mulheres na política: a presidente do Brasil é mulher, e se não tem mais mulher na política é porque elas mesmas não votam em mulheres, já que são a maioria do público eleitor. O mesmo se aplica a luta do Movimento dos direitos civis, que mesmo iniciado nos EUA por Rosa Parks, uma negra, e ampliado por Martin Luther King, também negro, também combatia movimentos racistas negros, como o Nation of Islam.

 

Mas, parte dos resultados da luta feminista acaba por gerar desigualdade na resolução dos problemas, e isso mostra o problema de privilegiar uma minoria. Por que mulher tem licença-maternidade de seis meses e homem tem licença-paternidade de CINCO DIAS? Será que o filho não precisa do pai tanto quanto precisa da mãe? Por que a Lei Maria da Penha não prevê também auxílio e proteção a homens? Para se ter uma idéia do problema, nem existem estatísticas sobre violência doméstica contra homens, o que denota que autoridades viram as costas para o problema. A quem eles irão recorrer sem serem taxados de “mulherzinhas”, inclusive por várias mulheres?

Veja o trecho da reportagem “Homens também são vítimas de violência doméstica” (iG, 23/08/2010), escrita por Carina Martins:

Não há pesquisas específicas sobre a violência doméstica contra homens no país. Mas alguns estudos dão uma ideia do quanto existe de agressão entre os casais brasileiros – e não apenas de homens contra mulheres. O primeiro é o levantamento da Fiocruz “Violência entre namorados adolescentes: um estudo em dez capitais brasileiras”, que entrevistou 3.200 jovens e constatou que nove entre dez adolescentes já foram vítimas ou praticaram algum tipo de violência dentro do namoro. Os diferentes tipos de agressão, da verbal até a sexual (qualquer forma de toque sexual sem consentimento) são divididos de forma praticamente igual ou muito semelhante entre os gêneros. Ou seja, as meninas praticam atos de violência com tanta frequência quanto os meninos.

Na verdade, em alguns casos elas aparecem como as maiores agressoras. Quando os pesquisadores perguntam sobre violência física, 24,9% dos meninos disseram já terem levado tapas, puxões de cabelo, chutes ou socos, contra 16,5% das meninas. A parcela feminina que admitiu já ter agredido seus parceiros também é maior que a deles: 28,5% das meninas contra 16,8% dos meninos. A explicação, de acordo com os autores do estudo, passa pela reprodução por parte das meninas do modelo de dominação masculina.

Os dados são claros, porém, em um trecho no início, ela tentou conduzir a reportagem com a seguinte frase: “Mas embora o problema não seja sistêmico e disseminado como as agressões contra a mulher, homens também são vítimas de violência doméstica”. Para mim isso soou como: homem apanhar é um problema menor, menos urgente!

Mas os próprios personagens da reportagem mostram que esse também é um problema urgente, ao contrário do que a repórter pareceu quis dar a entender:

O comerciante do interior paulista que não quis ser identificado pela reportagem também preferiu não se revelar para a Justiça. Durante os treze anos que viveu com uma companheira, o homem de 48 anos diz ter sido vítima de agressões frequentes ao longo de pelo menos dez. Nunca procurou a Justiça. “Quem tem coragem de dizer que apanha de mulher?”, pergunta.

Há alguns dias, a polícia francesa encontrou o corpo do chef Jean-François Poinard, 71, desaparecido há quase dois anos. Sua companheira admitiu tê-lo matado a socos durante uma briga.

Veja o vídeo abaixo (postado pelo Edu Mad-Hatter):

 

Suponhamos que o rapaz do vídeo tenha ido ao tal Corujão e tenha transando com a tal Mirella (concordemos que essa é pior das hipóteses possíveis pelas acusações do que parece ser a namorada dele). Isso dá o direito dela bater nele? Não, mas ela bateu. Se ele reagisse (igualdade para todos, pode chamar de escroto imbecil quem faz piada com cartão de crédito, né?!) aos tapas na cara e desse um soco quebra-dente nela estaria sendo radical, machista, ou algo que o valha? Poderia ser enquadrado pela Lei Maria da Penha?

Falando em Lei Maria da Penha e continuando o assunto da violência doméstica, não vi as feministas reclamarem que a lei não prega a igualdade como elas tanto levantam em suas bandeiras - ou dizem levantar. Vamos a uma interpretação de quem saca do assunto mais que Eu - Rodrigo de Oliveira Machado, Advogado, Pós-graduado pela Fundação Escola Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Território -, no artigo “Aplicação da Lei Maria da Penha a homens vítimas de violência doméstica” (2010) escrito para a revista Jus Navigandi, hospedada pelo UOL.

Nesse conspecto [da distinção], analisar-se-á a Lei Maria da Penha, a qual promove distinção de gênero, partindo do pressuposto de que toda a mulher, no âmbito familiar ou nas relações íntimas de afeto, é vulnerável. Conforme já salientado, entende-se ser inconstitucional sua interpretação literal, haja vista ferir o princípio da igualdade. Com fito de demonstrar isso, cumpre trazer a lume e aplicar os ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Mello, contido em seu livro Conteúdo Jurídico do Princípio da Igualdade.

Outro trecho:

Para exemplificar, imagine-se a seguinte situação hipotética: um pai que espanca sua filha de 10 (dez) anos, causando-lhe lesões corporais de natureza leve, pode ser preso em flagrante, será indiciado em inquérito policial, poderão ser decretadas medidas protetivas em seu desfavor (tais como afastamento do lar, proibição de contato e aproximação, dentre outras), e não fará jus aos benefícios da Lei 9.099/95. De outra face, se praticasse esse mesmo ato contra um filho de 10 (dez) anos, ao invés de uma filha, o autor não poderia ser preso em flagrante, não seria indiciado em inquérito, e poderia gozar da transação penal ou suspensão condicional do processo. Note-se que disparidade.

Será que um homem que bate em uma filha é mais criminoso do que o bate em um filho? Um esposo que bate na esposa é mais criminoso do que uma esposa que espanca um esposo? Creio que não, mas não é isso que a Lei parece dizer e não somente a mim.

Na interpretação de L. G. Grandinetti Castanho de Carvalho, em seu livro Comentários à Lei de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (p.108, Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009), a lei é falha por não visar a proteção de todos os integrantes da família, principalmente os homens.

Veja-se que o preâmbulo da lei ora examinada remete ao artigo 226, § 8º, da Constituição, que diz: "O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações". Percebe-se facilmente que a promessa constitucional não foi integralmente realizada [pela Lei Maria da Penha], pois a lei somente cuidou de proteger a mulher vitima da violência doméstica, não os demais membros da família, apesar de o texto constitucional referir-se expressamente a cada um dos que integram a família.

Para terminar esse aspecto da interpretação da lei:

O princípio constitucional da igualdade, contido tanto no caput, como no inciso I, do art. 5º, da Constituição, foi violentamente ofendido. É certo que o senso comum demonstra que as mulheres são usualmente as mais agredidas nas relações familiares. Mas a lei não pode descurar-se de proteger todos os membros da família que se encontrem na posição de vítimas de violência, pois assim determina, cogentemente, a Constituição.

Pense-se nas não raras possibilidades de a mãe causar lesão corporal dolosa de natureza leve no filho menor, ou de a neta fazer o mesmo com o avo idoso. Nesses casos não poderá ser decretada a prisão preventiva, pois o artigo 313, I, do Código de Processo Penal, somente admite a prisão preventiva para os crimes apenados com reclusão, o que não acontece com a lesão leve. Mas uma mesma lesão leve que venha a ser praticada pelo irmão contra uma irmã, ou pelo marido contra a mulher, ensejará a prisão preventiva, caso preenchidos os requisitos do artigo 312 e necessária para garantir a execução de uma medida protetiva.

Definitivamente, não há justificativa constitucional para a gritante diferença de tratamento, ainda que se entenda a situação cultural que leva as mulheres à condição de vítimas preferências de violência doméstica. Havia, conduto, outros meios de proteger vítimas de violência doméstica, incluindo o gênero feminino, observando a Constituição.

Note-se a desigualdade no tratamento do texto da lei, e nada disso foi exposto por feministas, que preferem se preocupar com piadas machistas e preconceitos que só elas vêem.

Espera que ainda pior: segundo o texto A LEI MARIA DA PENHA VS OS HOMENS RETRÓGRADOS, de autoria da Lola, o fato dos homens também apanharem e não terem lei para protege-los “não passa de uma idiotice” e quem diz isso tem “pensamento de neandertais”. Quer mais? Toma o trecho abaixo, do mesmo texto linkado acima:

Alguns homens são vítimas de violência doméstica também, mas é diferente. Mulher quando bate dá tapa, arranha (sou veementemente contra), mas homem dá soco. Homem que apanha tem que denunciar a parceira, e pra isso existe o Código Penal. Mas a violência é totalmente desproporcional.

Não sei que base minimamente objetiva e fenomenológica ela usa para fazer uma afirmação generalista e burra dessas, já que nem existem estatísticas relativas a violência doméstica contra homens aqui no Brasil. Em países em que existem estatísticas, os resultados mostram o contrário: um estudo publicado no American Journal of Preventive Medicine afirma que 29% dos homens americanos já foram vítimas de violência doméstica, verbal ou física [BBC].

A Lei Maria da Penha é ótima? É, com toda a certeza, mas por que cria esse tipo de disparidade e tratamento diferenciado? Por que feministas não são contra esse tratamento, já que ele é, de forma gritante, contra a igualdade única e absoluta defendida por elas?

E existe algo pior por trás da violência contra homens: várias mulheres a acham tolerável. Um estudo internacional feito por 36 universidades com as 6.500 mulheres revelou que 68% delas aprovam a agressão física contra seus parceiros e 35% admitiu que já agrediram seus parceiros, em ataques que resultaram em “escoriações, cortes e até mesmo ossos quebrados” [BBC - Tradução no Galácta].

Murray Straus, co-autor do estudo, parece pensar de forma diferente da Lola quanto a existência dessa categoria de violência:

“O ponto de partida é que precisamos ter a mesma “indignação” sobre a violência contra os homens que temos quando um homem agride uma mulher”.

Chamar de “idiotice” não me parece ser uma forma de se indignar. Mais disparidades estatísticas contra a falácia da “idiotice da violência contra homens”? Nos últimos cinco anos, cresceu 169% o número de mulheres presas no Reino Unido (país que começou um processo de criação de estatísticas sobre o assunto) por violência contra homens [BBC].

Dados fornecidos pelo Crown Prosecution Service (órgão britânico responsável por levar crimes investigados pela polícia aos tribunais) mostram que quase 4 mil mulheres foram presas por cometer violência doméstica no ano passado, em contraste com 1,5 mil em 2005 - um aumento de 169%. Para alguns especialistas, os índices são um sinal preocupante de uma cultura cada vez maior de violência por parte da mulher. Outros dizem que quem mudou foram os homens, hoje mais dispostos a contar que foram agredidos por esposas e namoradas.

E uma consequência direta do processo de simplesmente ignorar o problema é bastante claro:

Há poucas organizações oferecendo suporte a homens que foram vítima de violência feminina na Grã-Bretanha. Uma entidade britânica que oferece o serviço, a Mankind Initiative, disse que em todo o país existem apenas 70 leitos distribuídos entre 20 abrigos para vítimas homens, em comparação com 7,5 mil leitos para mulheres que são alvo da violência masculina.

Segundo o presidente da Mankind Initiative, Mark Brooks, apesar do número de mulheres condenadas, algumas organizações ainda se recusam a reconhecer que homens também podem ser vítimas de violência doméstica.

Isso tudo porque “mulher quando bate dá tapa, arranha, mas homem dá soco”. Explica isso ao Kieron, um inglês entrevistado pela reportagem acima, que “foi esfaqueado no peito pela ex-mulher, que hoje cumpre uma pena de quatro anos e meio na prisão”. Ou ao Peter, que afirmou “ter sido vítima de maus-tratos físicos e emocionais pela esposa durante quase um ano”, e quando chamou a polícia “não teve coragem de apresentar queixa”. Peter continua, e diz que “durante meses, ele foi obrigado a dormir na mesma posição, de costas. Se virasse de lado, a esposa lhe dava socos e chutes”.

Ele ainda continua seu depoimento:

"Não estava esperando o soco no rosto. Não esperava que alguém fosse me bater tão rápido."

"Sabe quando você ama alguém tanto e você acredita que a pessoa simplesmente pode mudar? Eu tinha esperança de que ela ia mudar".

Repare bem que Eu não disse em momento algum que mulheres são as que mais batem, mas seria completamente imbecil, retrógrado, ridículo, demente, além de poder ser configurado como cegueira mental, afirmar que quem diz que mulher bate em homem tem “pensamento de neandertal” ou uma “idiotice”. É a mesma coisa que dizer que violência existe somente em casais heterossexuais, embora pesquisas preliminares pareçam dizer o contrário [Público - PT].

Apesar de invisível, a violência nas relações homossexuais é “tendencialmente mais elevada”. Esta é a ideia-chave de um estudo que acaba de ser feito na Universidade do Minho (UM): 39,1 por cento dos participantes admitiram ter adoptado algum comportamento violento e 37,7 revelaram ter sido vítimas de, pelo menos, um acto abusivo no ano anterior.

 

Por motivos como esse que vejo Leis Maria da Penha (quando aplicadas de forma literal, o que não está sendo feito por muitos juízes), cotas para negros em universidades públicas, vídeos sobre gays em escolas, entre outras, são apenas medidas tapa-buracos para tentar consertar problemas na interpretação constitucional mais básica: somos todos iguais como indivíduos! Não existem minorias, raças, e outras classificações que só dão origem a mais divisões sociais, cada vez mais profundas e incentivadas por pessoas que parecem dotadas de cegueira mental, como a Lola. Todos devemos ter acesso a educação, saúde, emprego, lazer, respeito, direito de ir e vir, de nos associar, de contar piadas, de amar nossos companheiros(as).


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