quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

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MSP+50

Por Daniel Meireles

 

1. Senha

Antes de mais nada, gostaria de deixar um ponto bem claro: sou um fã incondicional de histórias em quadrinhos. Portanto, as linhas a seguir não tem como intuito serem imparciais ou mesmo mostrarem os fatos como eles ocorreram. Esse texto trata primariamente da celebração dos quadrinhos brasileiros, suas qualidades e a nova safra de desenhistas e escritores tupiniquins. Para aqueles que esperam um reportagem completa, cheia de nuances técnicas sobre a arte e os roteiros que compõem a HQ, minhas sinceras desculpas. Esse relato nada mais é do que uma ode ao meu amor pela Arte Sequencial.

 

Fui um dos primeiros a chegar a Saraiva Megastore do Shopping Ibirapuera, um misto de excitação e apreensão visto que seriam distribuídas apenas 100 senhas (tal como anunciado exaustivamente no Twitter).  Um dia antes, fiz a lição de casa completa, como manda o figurinho: levantei todos os artistas que estariam no evento, separei o meu exemplar de MSP+50, além, é claro, de diversas outras revistas publicadas pelos artistas convidados (afinal, tinha que aproveitar a alta densidade de talentos ali presentes para autografar a maior quantidade possível de HQ´s).

A fila começou a se formar oficialmente às 18h. Me posicionei em meu lugar de direito (o primeiro, diga-se de passagem) enquanto a fila se formava atrás de mim. Depois de alguns minutos, encontrei a moça que no ano passado estava na primeira fila para a sessão de autógrafos do álbum anterior, Mauricio de Souza por 50 Artistas. Nos reconhecemos, e depois de alguns minutos de conversa doei o meu lugar para ela - aparentemente ser a primeira a pegar os autógrafos era algo deveras importante para a rapariga.

Ficamos sabendo pelo próprio Twitter do responsável pelo Planejamento Editorial da Mauricio de Sousa Produções, Sidney Gusman (que também é editor do álbum, não custa lembrar) que ele e Maurício estavam atrasados para o evento devido ao trânsito caótico de Sampa. Nesse meio tempo, pudemos observar a chegada de vários dos artistas que emprestaram seus traços e palavras para a concretização dessa grande obra prima. Mario Cau, Will, Danilo Beyruth e outros iam chegando e sendo direcionados a uma área privativa, enquanto toda a livraria aguardava ansiosa a chegada do pai da turma do Limoeiro.

Alguns bons e longos minutos depois, somos brindados com a presença do mais recente Imortal da Academia Paulista de Letras: Mauricio de Souza chegou, cumprimentou os primeiros da fila e se dirigiu ao encontro dos outros artistas que já se encontravam na área reservada. Minutos depois ele retorna, senta em sua cadeira posicionada estrategicamente ao centro da área de eventos e começa a chamar as pessoas para sessão de autógrafos. Por um momento fiquei extasiado ao sentir toda aquela energia criativa concentrada em um único lugar, e quando me dei conta o Sr. Maurício já estava me chamando a alguns segundos.

 

2. Todos os culpados reunidos

Todos os culpados reunidos

3. Pessoal Sentado #1

4. Pessoal Sentado #2

O povo sentado, de dois ângulos…

Sentei ao seu lado, o cumprimentei e lhe entreguei o papelete que continha a minha senha, meu nome e o personagem que gostaria de ter desenhado (mais jardim da infância do que isso, impossível). Ele olhou, confirmou meu nome mais uma vez - Daniel, né? - e começou a procurar um lugar no livro para colocar a sua assinatura:

- Tem problema em assinar na capa? A tinta não vai sair não...
- O livro é do senhor, fique à vontade.
- Você quer um desenho do Horácio?

Achei a pergunta meio estranha... Fiquei inclusive na dúvida se o Horácio, que é conhecido como o personagem que o Mauricio usa como veículo para colocar as suas palavras no papel, era um de seus favoritos. Não fraquejei e confirmei o meu desejo em ter aquele dinossauro herbívoro desenhado na folha de papel sulfite ligeiramente amassada que estava em sua mesa. Ao final de alguns segundos, recebo aquele desenho e poso para algumas fotos institucionais. Sorrio meio sem graça e exibo o meu desenho, e é quando finalmente me dou conta que estou participando de um momento ímpar em minha vida.

 

5. Eu e Maurício de Souza

Maurício de Souza e Eu

Sem mais delongas, começo a percorrer as cadeiras onde estavam sentados os artistas que ilustraram e roteirizaram aquelas histórias incríveis que eu tinha lido a alguns meses atrás. O primeiro a me autografar foi Emerson Lopes. Além de assinar seu nome no MSP+50, aproveitei a oportunidade e consegui um rabisco extra na minha edição de Pequenos Heróis, uma homenagem mais do que merecida aos heróis da DC. Danilo Beyruth me reconheceu da FestComix, o que me surpreendeu - afinal, não foram poucas as pessoas que passaram em sua mesinha para terem autografados os seus Necronautas e Bando de Dois. Kako foi de longe o mais animado e divertido, fazendo piadas e brincando com todas as crianças que por lá passaram. Mario Cau também foi intimado a autografar meus dois exemplares de Pieces. No geral, o clima era de festa e celebração: pelo sucesso do álbum, pela oportunidade de (re)ver o mestre Mauricio, pela oportunidade de conhecer ou mesmo rever novos e velhos amigos de profissão.

Como a recompensa só vem para os persistentes, ainda tive a oportunidade de pegar um autógrafo do Rogério Vilela - ele estava super atrasado e já estava marcado como carta fora do baralho. Levei a minha edição do Linha de Ataque - Futebol Arte para uma rabiscada extra, o que rendeu uma pequena conversa sobre a efemeridade do tempo (tá, o nosso bate papo não foi assim tão filosófico, mas foi bacana vê-lo lembrar da época em que a HQ estava sendo planejada junto ao já falecido Marcelo Fromer). Além disso, tal como prometido pelo Sidney Gusman, ele autografou o Editorial dos dois álbuns - uma pequena lacuna que fiz questão de corrigir, afinal todos sabemos que ele é o grande responsável pela concepção de todo esse maravilhoso projeto.

Me senti privilegiado em poder compartilhar de toda essa atmosfera, pois de uma maneira “menor” também sou parte dessa festa - assim como boa parte dos brasileiros, a turma da Mônica me ensinou as primeiras palavras, o valor da amizade, que tomar banho faz bem sim e que um pouco de gula e algumas coelhadas naquele colega chato podem tornar a vida muito mais divertida.

 

6. O Mestre e sua homenagem

O Mestre e sua homenagem

Nota do Editor: O Daniel é uma das três pessoas que tive o prazer de conhecer durante o debate com Milo Manara. Sabe de HQs pra cacete!

3 Comentaram...

ANDF disse...

Que show! Pena que a Adriana Melo não apareceu.

Bruno Zago disse...

Caramba, belo post, eu não tenho nenhum dos dois livros ainda (que tonto eu sou) mas agora fiquei com "água na boca" e vou comprar os dois! Quem sabe consigo ir em uma sessão de autografos como essa no ano que vem, quando lançarem o volume 3.

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